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Fundamentos Teóricos em Psicologia II – Comportamentalismo
Aula 5
Discriminação e controle de estímulos 1
Prof. Dr. Caio Maximino
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Objetivos da aula
● Discutir o conceito de estímulo discriminativo e suas relações com
o controle de estímulos
● Situar os conceitos de comportamento voluntário e involuntário
dentro do paradigma de controle de estímulos
● Definir e exemplificar repertório discriminativo
● Analisar o fenômeno da atenção sob a ótica do controle de
estímulos
● Analisar os efeitos da variação na relação temporal entre
estímulos discriminativos, respostas, e consequências na
formação da contingência tríplice
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Estímulos discriminativos
SD
s e S∆
s
Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
● No capítulo anterior, Skinner descreveu o
reforço com base nas dimensões das
respostas, mas o reforço diferencial
também pode ocorrer com base nas
dimensões do estímulo em cuja presença
as respostas ocorrem
Relações
temporais
SD
– R – S+/-
Na presença do estímulo...
… emitir uma resposta...
… produz uma consequência
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Exemplos
● “Podemos demonstrar como isso acontece no nosso
experimento com o pombo, através de reforço (S+) do
movimento de pescoço quando surge um sinal
luminoso (SD) e do não-reforço (~S), para extinção,
quando a luz se apaga (S∆). Com a repetição
alternada dessas condições o movimento (R) ocorre
apenas quando a luz está acesa.” (CCH, p. 118)
● Sob instrução médica (SD), aplicar insulina duas vezes
ao dias (R) diminui os sintomas de hiperglicemia (S+)
● Ler (R) livros (SD) é reforçado socialmente (S+)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Sinalização de apresentação
de estímulos vs. sinalização das
consequências
● “Assim, podemos observar uma conexão de estímulo e
resposta que é grosseiramente comparável a um reflexo
condicionado ou incondicionado: o aparecimento da luz
será imediatamente seguido do movimento da cabeça para
cima” (CCH, pp. 118-119)
● A diferença fundamental é que aqui o comportamento é
emitido, e não eliciado
i. Quando um estímulo é a causa fundamental de uma resposta,
dizemos que o estímulo elicia a resposta ou que a resposta é
eliciada; mas,
ii.quando uma resposta ocorre em presença de um estímulo,
porque o estímulo sinaliza alguma consequência do
responder, dizemos que o estímulo ocasiona a resposta e que
a resposta é emitida (Catania, 1999)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Contingências de três termos
● “O operante deve operar sobre a natureza para produzir seu
reforço. Embora a resposta seja livre para ocorrer em um
grande número de situações estimuladoras, ela será eficaz
para produzir o reforço apenas em uma pequena parcela
delas. A situação favorável geralmente é marcada de algum
modo e o organismo (...) passa a responder sempre que
estiver presente um estímulo que esteve presente em uma
situação prévia de reforço, e a não responder, se este não for
o caso. O estímulo precedente não elicia a resposta, ele
meramente estabelece a ocasião em que a resposta será
reforçada (…). Portanto, três termos devem ser
considerados: um estímulo discriminativo prévio (SD), a
resposta (RO) e o estímulo reforçador (SP). A relação entre
eles pode ser formulada como segue: apenas em presença
de SD é que uma R° é seguida de S1.” (Skinner, 1938, p. 178)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Exemplos (CCH)
● “a estimulação visual de um objeto é a ocasião na qual certas respostas como andar, alcançar, e outras, levam a
consequências táteis particulares” (p. 119)
● “Um sorriso é a ocasião na qual a aproximação social será recebida com aprovação. Franzir o sobrolho é a
ocasião na qual a mesma aproximação não será bem recebida” (p. 120)
●
“Uma cadeira é a ocasião na qual a resposta 'cadeira' provavelmente será reforçada; um gato é a ocasião na
qual a resposta 'gato' terá probabilidade de ser reforçada e assim por diante” (p. 120)
● “Ao memorizar a tabuada de multiplicação, por exemplo, o estímulo '9 x 9' é a ocasião na qual a resposta '81'
será apropriadamente reforçada, seja pelo instrutor ou pelo término bem-sucedido de um cálculo” (p. 121)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Definições (Catania, 1999)
● Operante discriminado: Classe de respostas definidas em
termos dos estímulos na presença dos quais ele ocorre, assim
como de seus efeitos sobre o ambiente
● Estímulo discriminativo: Qualquer estímulo com uma função
discriminativa, correlacionado com o reforço
● Discriminação: qualquer diferença no responder que resulta
de consequências diferenciais do responder na presença de
estímulos diferentes
● Controle de estímulos: Controle discriminativo do
comportamento (incluindo o controle em uma discriminação
respondente)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Controle de estímulos e
variáveis internas
● “Controle de estímulos significa que um
estímulo exerce controle sobre o
comportamento - que o comportamento muda
em sua presença. Seria incorreto dizer que o
estímulo exerce controle sobre o rato ou a
pessoa, pois nesse caso o rato ou a pessoa
teriam de se empenhar em alguma ação
mental fantasmagórica, como atentar, para
passar do estímulo ao comportamento. A idéia
presente no conceito de controle de estímulo
é a de que o estímulo afeta o comportamento
diretamente.” (Baum, 2006)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Controle de estímulos e
comportamento voluntário
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
● “não se pode distinguir entre comportamento
voluntário e comportamento involuntário
apenas levantando o problema de quem está
no controle.” (CCH, p. 123)
● Essa distinção corresponde à distinção entre
estímulos eliciadores e estímulos
discriminativos, mas não é trivial: uma vez
estabelecido historicamente*, o SD causa o
comportamento de forma tão “inexorável”
quanto um CS
* “Toda discriminação resulta de uma história. Se não foi aprendida, resulta de uma
história evolutiva (...) Se a discriminação é aprendida, ela provém de uma história de
reforço.” (Baum, 2006)
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Controle de estímulos e
comportamento voluntário
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Controle de estímulos e
comportamento voluntário
● “Quando um estímulo discriminativo tem um efeito sobre
a probabilidade de uma resposta, vemos que o
ambiente presente é realmente importante, mas não é
fácil provar a inevitabilidade do controle sem uma
descrição adequada da história de reforço e privação”
(CCH, p. 124)
● Isso equivale a dizer somente que o estímulo
discriminativo é correlacionado com a consequência
● “Essa é toda a explicação: a discriminação provém da
história. Nada de mental – normalmente nada nem
mesmo privado – entra na explicação” (Baum, 2004)
SD
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involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
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temporais
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Controle de estímulos e
comportamento voluntário
● Involuntário vs. Voluntário = Respondente vs.
Operante: “No reflexo, condicionado ou
incondicionado, há uma causa antecedente
conspícua. Algo dispara a resposta. Mas o
comportamento que tem sido reforçado positivamente
ocorre em ocasiões que, embora predisponham,
nunca são impelentes” (Sobre o Behaviorismo, p. 4)
● Por vezes, o controle de estímulos dá a aparência de
eliciação, mas aqui Skinner ressalta a diferença entre
operações apresentação de estímulos (respondente)
e operações de sinalização de consequências
(operante)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Repertórios discriminativos
● “Vimos que qualquer unidade de comportamento operante é
até certo ponto artificial. O comportamento é atividade
contínua, coerente, de um organismo integral. Não obstante
possa ser analisado em partes para propósitos teóricos ou
práticos, precisamos reconhecer sua natureza contínua com
vistas a resolver certos problemas comuns” (CCH, p. 128)
●
Tanto o estímulo quanto a resposta variam em dimensões:
“O comportamento é adquirido em ocasiões específicas
quando respostas específicas a situações específicas são
reforçadas, mas o organismo, quase inevitavelmente,
adquire um repertório coerente que pode ser descrito sem
referências às origens 'ponto a ponto' dos dois campos” (id.
ibid.)
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Exemplo 1: Desenhar copiando
●
“Ao desenhar copiando outro desenho (…) nosso comportamento é o
produto de um conjunto de contingências” (CCH, p. 130) → Uma
parte da figura (uma linha, uma curva, &c) é a ocasião (SD) na qual
certos movimentos com lápis e papel produzem uma linha
semelhante
●
Representar um objeto através de desenho é similar
● Desenhar copiando é um repertório discriminativo; um conjunto amplo
de respostas bastante diferentes pode ser ocasionada pelo mesmo
campo de estímulos (≠s em como a criança, o desenhista profissional,
e o engenheiro fazendo esquemas “representam” o mesmo campo)
● A explicação está em uma história de reforçamento diferente em cada
um desses casos
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
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Exemplo 2: Cantar ou tocar
de ouvido
● Tocar um instrumento ou cantar uma canção
também depende de repertórios dispostos por
contingências tríplices: o tom é o SD sob o qual a
vocalização complexa será reforçada por gerar
um tom parecido
● “Não se pode ser um bom imitador por um 'ato
de vontade'. A diferença está nas histórias de
reforço. Se o repertório com o qual alguém
reproduz uma melodia nunca foi estabelecido,
não será colocado em ação pelas circunstâncias
apropriadas.” (CCH, p. 132)
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involuntário
Repertório
discriminativo
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Exemplo 3: Imitação
● “Tanto quanto sabemos, o comportamento imitativo não
surge por ação de nenhum mecanismo reflexo inerente.
Tal mecanismo implicaria que o estímulo gerado por um
dado padrão de comportamento em outro organismo
eliciasse em um outro organismo uma série de
respostas com o mesmo padrão” (CCH, p. 132)
● “A estimulação visual fornecida por alguém agitando a
mão é a ocasião na qual agitar a mão provavelmente
receberá reforço. O estímulo auditivo 'pa-pa' é a
ocasião na qual a resposta verbal complicada que
produz um padrão auditivo parecido é reforçada pelo
pai satisfeito.” (id ibid)
SD
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Repertório
discriminativo
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Estímulos contínuos
● A maior parte dos estímulos discriminativos varia em mais de
uma dimensão, e essas dimensões são contínuas
– Ex: Um estímulo luminoso pode variar em luminância e cor
●
Se uma resposta é reforçada em durante um SD, e alguma
propriedade do SD é variada, o responder pode depender de
quanto o estímulo mudou; nesse caso, os efeitos do reforço
podem se estender para outros estímulos semelhantes
(generalização)
●
Para avaliar um gradiente de generalização, treinamos um
operante discriminado e então, em extinção, apresentamos
estímulos que variam na mesma dimensão do SD e
avaliamos o responder
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais
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Gradientes de generalização
● Um grupo de pombos foi treinado
em VI na presença constante do
tom
● Nem a frequência do tom nem sua
presença ou ausência
● Outro grupo de pombos, o tom
estava presente em correlação
com a resposta
● A frequência original produziu a
maior frequência de Rs; quanto
mais próxima a frequência de teste
da frequência original, maior a taxa
de R a essa nova frequência
Jenkins e Harrison, 1960
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
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Gradientes de pós-discriminação
● Aqui, um grupo de pombos teve seu
responder observado após o treino de
discriminação com somente SD
●
Em outro grupo, as bicadas ao disco
foram reforçadas sob SD e extintas sob
outro comprimento de onda (S∆)
●
O pico do gradiente foi deslocado em
direção oposta ao S∆
● Spence (1937): O reforço na presença
de SD cria um gradiente de resposta
“excitatório” centrado no SD, enquanto
a extinção na presença de S∆ produz
um gradiente “inibitório”
● Pode refletir propriedades fisiológicas
Hanson, 1959
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
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Gradientes de inibição
● Um grupo de pombos foi
treinado a bicar um disco
com uma linha vertical
com SD, para outro grupo
a linha vertical era um S∆
● No primeiro grupo, o
responder em teste de
generalização diminuiu
com os maiores desvios
na vertical; no segundo
grupo, o responder
aumentou com os maiores
desvios da vertical
Honig et al., 1963
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involuntário
Repertório
discriminativo
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involuntário
Repertório
discriminativo
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Gradientes e atenção
● Gradientes são medidas do responder durante diferentes
estímulos como uma função de sua localização ao longo de um
contínuo
● “Qualquer que seja o gradiente, podemos sempre formular
questões sobre as dimensões de estímulo a que de fato um
organismo presta atenção.” (Catania, 1999)
● “O controle exercido por um estímulo discriminativo é tratado
tradicionalmente no tópico atenção. Este conceito inverte a
direção da ação ao sugerir que não é o estímulo que controla o
comportamento do observador, mas é o observador que atenta
para o estímulo e assim o controla. Não obstante, às vezes
reconhecemos que o objeto 'chama ou mantém a atenção' do
observador.” (CCH, p. 135)
Ψ
Exemplos cotidianos
● “Uma orientação dos olhos não é o único resultado
possível. O comportamento de procurar enxergar no
escuro ou em um espesso nevoeiro é um exemplo de
olhar com orientação para o campo visual inteiro. O
comportamento de examinar o campo - ou responder
a cada parte do campo de acordo com algum padrão
exploratório - é o comportamento que é mais
frequentemente reforçado pela descoberta de objetos
importantes; por consequência, torna-se mais
provável.” (CCH, p. 136)
● O controle de estímulos pode explicar vigilância
(“atentar para”) e atenção seletiva
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involuntário
Repertório
discriminativo
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Relações
temporais
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Propriedades temporais da
contingência tríplice
● “Quando propriedades temporais são somadas à tríplice
contingência do operante discriminativo, contudo, alguns
efeitos especiais se seguem.” (CCH, p. 139)
● Respostas podem ser reforçadas somente quando emitidas
o mais rápido possível (p. ex., atender o telefone)
●
Respostas podem ser reforçadas somente quando
retardadas (p. ex., efeito líquido reduzido se alguém
responde prontamente) → “Expectativa” ou “antecipação”
●
Algumas dessas propriedades serão relevantes para a
análise das emoções e do autocontrole nos capítulos futuros
SD
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Voluntário e
involuntário
Repertório
discriminativo
Atenção
Relações
temporais

Discriminação e controle de estímulos 1

  • 1.
    Ψ Fundamentos Teóricos emPsicologia II – Comportamentalismo Aula 5 Discriminação e controle de estímulos 1 Prof. Dr. Caio Maximino
  • 2.
    Ψ Objetivos da aula ●Discutir o conceito de estímulo discriminativo e suas relações com o controle de estímulos ● Situar os conceitos de comportamento voluntário e involuntário dentro do paradigma de controle de estímulos ● Definir e exemplificar repertório discriminativo ● Analisar o fenômeno da atenção sob a ótica do controle de estímulos ● Analisar os efeitos da variação na relação temporal entre estímulos discriminativos, respostas, e consequências na formação da contingência tríplice
  • 3.
    Ψ Estímulos discriminativos SD s eS∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção ● No capítulo anterior, Skinner descreveu o reforço com base nas dimensões das respostas, mas o reforço diferencial também pode ocorrer com base nas dimensões do estímulo em cuja presença as respostas ocorrem Relações temporais SD – R – S+/- Na presença do estímulo... … emitir uma resposta... … produz uma consequência
  • 4.
    Ψ Exemplos ● “Podemos demonstrarcomo isso acontece no nosso experimento com o pombo, através de reforço (S+) do movimento de pescoço quando surge um sinal luminoso (SD) e do não-reforço (~S), para extinção, quando a luz se apaga (S∆). Com a repetição alternada dessas condições o movimento (R) ocorre apenas quando a luz está acesa.” (CCH, p. 118) ● Sob instrução médica (SD), aplicar insulina duas vezes ao dias (R) diminui os sintomas de hiperglicemia (S+) ● Ler (R) livros (SD) é reforçado socialmente (S+) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 5.
    Ψ Sinalização de apresentação deestímulos vs. sinalização das consequências ● “Assim, podemos observar uma conexão de estímulo e resposta que é grosseiramente comparável a um reflexo condicionado ou incondicionado: o aparecimento da luz será imediatamente seguido do movimento da cabeça para cima” (CCH, pp. 118-119) ● A diferença fundamental é que aqui o comportamento é emitido, e não eliciado i. Quando um estímulo é a causa fundamental de uma resposta, dizemos que o estímulo elicia a resposta ou que a resposta é eliciada; mas, ii.quando uma resposta ocorre em presença de um estímulo, porque o estímulo sinaliza alguma consequência do responder, dizemos que o estímulo ocasiona a resposta e que a resposta é emitida (Catania, 1999) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 6.
    Ψ Contingências de trêstermos ● “O operante deve operar sobre a natureza para produzir seu reforço. Embora a resposta seja livre para ocorrer em um grande número de situações estimuladoras, ela será eficaz para produzir o reforço apenas em uma pequena parcela delas. A situação favorável geralmente é marcada de algum modo e o organismo (...) passa a responder sempre que estiver presente um estímulo que esteve presente em uma situação prévia de reforço, e a não responder, se este não for o caso. O estímulo precedente não elicia a resposta, ele meramente estabelece a ocasião em que a resposta será reforçada (…). Portanto, três termos devem ser considerados: um estímulo discriminativo prévio (SD), a resposta (RO) e o estímulo reforçador (SP). A relação entre eles pode ser formulada como segue: apenas em presença de SD é que uma R° é seguida de S1.” (Skinner, 1938, p. 178) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 7.
    Ψ Exemplos (CCH) ● “aestimulação visual de um objeto é a ocasião na qual certas respostas como andar, alcançar, e outras, levam a consequências táteis particulares” (p. 119) ● “Um sorriso é a ocasião na qual a aproximação social será recebida com aprovação. Franzir o sobrolho é a ocasião na qual a mesma aproximação não será bem recebida” (p. 120) ● “Uma cadeira é a ocasião na qual a resposta 'cadeira' provavelmente será reforçada; um gato é a ocasião na qual a resposta 'gato' terá probabilidade de ser reforçada e assim por diante” (p. 120) ● “Ao memorizar a tabuada de multiplicação, por exemplo, o estímulo '9 x 9' é a ocasião na qual a resposta '81' será apropriadamente reforçada, seja pelo instrutor ou pelo término bem-sucedido de um cálculo” (p. 121) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 8.
    Ψ Definições (Catania, 1999) ●Operante discriminado: Classe de respostas definidas em termos dos estímulos na presença dos quais ele ocorre, assim como de seus efeitos sobre o ambiente ● Estímulo discriminativo: Qualquer estímulo com uma função discriminativa, correlacionado com o reforço ● Discriminação: qualquer diferença no responder que resulta de consequências diferenciais do responder na presença de estímulos diferentes ● Controle de estímulos: Controle discriminativo do comportamento (incluindo o controle em uma discriminação respondente) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 9.
    Ψ Controle de estímulose variáveis internas ● “Controle de estímulos significa que um estímulo exerce controle sobre o comportamento - que o comportamento muda em sua presença. Seria incorreto dizer que o estímulo exerce controle sobre o rato ou a pessoa, pois nesse caso o rato ou a pessoa teriam de se empenhar em alguma ação mental fantasmagórica, como atentar, para passar do estímulo ao comportamento. A idéia presente no conceito de controle de estímulo é a de que o estímulo afeta o comportamento diretamente.” (Baum, 2006) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 10.
    Ψ Controle de estímulose comportamento voluntário SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais ● “não se pode distinguir entre comportamento voluntário e comportamento involuntário apenas levantando o problema de quem está no controle.” (CCH, p. 123) ● Essa distinção corresponde à distinção entre estímulos eliciadores e estímulos discriminativos, mas não é trivial: uma vez estabelecido historicamente*, o SD causa o comportamento de forma tão “inexorável” quanto um CS * “Toda discriminação resulta de uma história. Se não foi aprendida, resulta de uma história evolutiva (...) Se a discriminação é aprendida, ela provém de uma história de reforço.” (Baum, 2006)
  • 11.
    Ψ Controle de estímulose comportamento voluntário SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 12.
    Ψ Controle de estímulose comportamento voluntário ● “Quando um estímulo discriminativo tem um efeito sobre a probabilidade de uma resposta, vemos que o ambiente presente é realmente importante, mas não é fácil provar a inevitabilidade do controle sem uma descrição adequada da história de reforço e privação” (CCH, p. 124) ● Isso equivale a dizer somente que o estímulo discriminativo é correlacionado com a consequência ● “Essa é toda a explicação: a discriminação provém da história. Nada de mental – normalmente nada nem mesmo privado – entra na explicação” (Baum, 2004) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 13.
    Ψ Controle de estímulose comportamento voluntário ● Involuntário vs. Voluntário = Respondente vs. Operante: “No reflexo, condicionado ou incondicionado, há uma causa antecedente conspícua. Algo dispara a resposta. Mas o comportamento que tem sido reforçado positivamente ocorre em ocasiões que, embora predisponham, nunca são impelentes” (Sobre o Behaviorismo, p. 4) ● Por vezes, o controle de estímulos dá a aparência de eliciação, mas aqui Skinner ressalta a diferença entre operações apresentação de estímulos (respondente) e operações de sinalização de consequências (operante) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 14.
    Ψ Repertórios discriminativos ● “Vimosque qualquer unidade de comportamento operante é até certo ponto artificial. O comportamento é atividade contínua, coerente, de um organismo integral. Não obstante possa ser analisado em partes para propósitos teóricos ou práticos, precisamos reconhecer sua natureza contínua com vistas a resolver certos problemas comuns” (CCH, p. 128) ● Tanto o estímulo quanto a resposta variam em dimensões: “O comportamento é adquirido em ocasiões específicas quando respostas específicas a situações específicas são reforçadas, mas o organismo, quase inevitavelmente, adquire um repertório coerente que pode ser descrito sem referências às origens 'ponto a ponto' dos dois campos” (id. ibid.) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 15.
    Ψ Exemplo 1: Desenharcopiando ● “Ao desenhar copiando outro desenho (…) nosso comportamento é o produto de um conjunto de contingências” (CCH, p. 130) → Uma parte da figura (uma linha, uma curva, &c) é a ocasião (SD) na qual certos movimentos com lápis e papel produzem uma linha semelhante ● Representar um objeto através de desenho é similar ● Desenhar copiando é um repertório discriminativo; um conjunto amplo de respostas bastante diferentes pode ser ocasionada pelo mesmo campo de estímulos (≠s em como a criança, o desenhista profissional, e o engenheiro fazendo esquemas “representam” o mesmo campo) ● A explicação está em uma história de reforçamento diferente em cada um desses casos SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 16.
    Ψ Exemplo 2: Cantarou tocar de ouvido ● Tocar um instrumento ou cantar uma canção também depende de repertórios dispostos por contingências tríplices: o tom é o SD sob o qual a vocalização complexa será reforçada por gerar um tom parecido ● “Não se pode ser um bom imitador por um 'ato de vontade'. A diferença está nas histórias de reforço. Se o repertório com o qual alguém reproduz uma melodia nunca foi estabelecido, não será colocado em ação pelas circunstâncias apropriadas.” (CCH, p. 132) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 17.
    Ψ Exemplo 3: Imitação ●“Tanto quanto sabemos, o comportamento imitativo não surge por ação de nenhum mecanismo reflexo inerente. Tal mecanismo implicaria que o estímulo gerado por um dado padrão de comportamento em outro organismo eliciasse em um outro organismo uma série de respostas com o mesmo padrão” (CCH, p. 132) ● “A estimulação visual fornecida por alguém agitando a mão é a ocasião na qual agitar a mão provavelmente receberá reforço. O estímulo auditivo 'pa-pa' é a ocasião na qual a resposta verbal complicada que produz um padrão auditivo parecido é reforçada pelo pai satisfeito.” (id ibid) SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 18.
    Ψ Estímulos contínuos ● Amaior parte dos estímulos discriminativos varia em mais de uma dimensão, e essas dimensões são contínuas – Ex: Um estímulo luminoso pode variar em luminância e cor ● Se uma resposta é reforçada em durante um SD, e alguma propriedade do SD é variada, o responder pode depender de quanto o estímulo mudou; nesse caso, os efeitos do reforço podem se estender para outros estímulos semelhantes (generalização) ● Para avaliar um gradiente de generalização, treinamos um operante discriminado e então, em extinção, apresentamos estímulos que variam na mesma dimensão do SD e avaliamos o responder SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 19.
    Ψ Gradientes de generalização ●Um grupo de pombos foi treinado em VI na presença constante do tom ● Nem a frequência do tom nem sua presença ou ausência ● Outro grupo de pombos, o tom estava presente em correlação com a resposta ● A frequência original produziu a maior frequência de Rs; quanto mais próxima a frequência de teste da frequência original, maior a taxa de R a essa nova frequência Jenkins e Harrison, 1960 SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 20.
    Ψ Gradientes de pós-discriminação ●Aqui, um grupo de pombos teve seu responder observado após o treino de discriminação com somente SD ● Em outro grupo, as bicadas ao disco foram reforçadas sob SD e extintas sob outro comprimento de onda (S∆) ● O pico do gradiente foi deslocado em direção oposta ao S∆ ● Spence (1937): O reforço na presença de SD cria um gradiente de resposta “excitatório” centrado no SD, enquanto a extinção na presença de S∆ produz um gradiente “inibitório” ● Pode refletir propriedades fisiológicas Hanson, 1959 SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 21.
    Ψ Gradientes de inibição ●Um grupo de pombos foi treinado a bicar um disco com uma linha vertical com SD, para outro grupo a linha vertical era um S∆ ● No primeiro grupo, o responder em teste de generalização diminuiu com os maiores desvios na vertical; no segundo grupo, o responder aumentou com os maiores desvios da vertical Honig et al., 1963 SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 22.
    Ψ SD s e S∆ s Voluntárioe involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais Gradientes e atenção ● Gradientes são medidas do responder durante diferentes estímulos como uma função de sua localização ao longo de um contínuo ● “Qualquer que seja o gradiente, podemos sempre formular questões sobre as dimensões de estímulo a que de fato um organismo presta atenção.” (Catania, 1999) ● “O controle exercido por um estímulo discriminativo é tratado tradicionalmente no tópico atenção. Este conceito inverte a direção da ação ao sugerir que não é o estímulo que controla o comportamento do observador, mas é o observador que atenta para o estímulo e assim o controla. Não obstante, às vezes reconhecemos que o objeto 'chama ou mantém a atenção' do observador.” (CCH, p. 135)
  • 23.
    Ψ Exemplos cotidianos ● “Umaorientação dos olhos não é o único resultado possível. O comportamento de procurar enxergar no escuro ou em um espesso nevoeiro é um exemplo de olhar com orientação para o campo visual inteiro. O comportamento de examinar o campo - ou responder a cada parte do campo de acordo com algum padrão exploratório - é o comportamento que é mais frequentemente reforçado pela descoberta de objetos importantes; por consequência, torna-se mais provável.” (CCH, p. 136) ● O controle de estímulos pode explicar vigilância (“atentar para”) e atenção seletiva SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais
  • 24.
    Ψ Propriedades temporais da contingênciatríplice ● “Quando propriedades temporais são somadas à tríplice contingência do operante discriminativo, contudo, alguns efeitos especiais se seguem.” (CCH, p. 139) ● Respostas podem ser reforçadas somente quando emitidas o mais rápido possível (p. ex., atender o telefone) ● Respostas podem ser reforçadas somente quando retardadas (p. ex., efeito líquido reduzido se alguém responde prontamente) → “Expectativa” ou “antecipação” ● Algumas dessas propriedades serão relevantes para a análise das emoções e do autocontrole nos capítulos futuros SD s e S∆ s Voluntário e involuntário Repertório discriminativo Atenção Relações temporais