SlideShare uma empresa Scribd logo
1
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO:
Processo amplo que inclui mudanças em diferentes esferas
do desenvolvimento.
COGNIÇÃO:
Processo que nos permite conhecer o mundo e suas
propriedades, porque utilizamos diversos processos
cognitivos: atenção, percepção, aprendizagem, memória,
linguagem, pensamento.
JEAN PIAGET (1896 – 1980)
Propôs uma teoria para explicar a gênese e o
desenvolvimento dos processos de obtenção de
conhecimento 2
• Segundo Piaget, a criança o constrói o conhecimento na
sua interação com o objeto, entendido como o seu
próprio corpo, as coisas, as pessoas, a natureza, os
animais, os fenômenos da natureza, etc. Desde nascer há
na criança processos internos que possibilitam a
aprendizagem, mas que resultam em desenvolvimento a
partir da experiência sobre o meio e das condições que o
meio lhe oferece. Isso implica em pensar num sujeito
ativo que constrói seu conhecimento a partir da sua
ação. A biologia entra com os invariantes funcionais e
com a bagagem reflexa. As estruturas cognitivas que vão
possibilitar a obtenção do conhecimento serão fruto de
processos de construção, pela equilibração majorante.
3
• Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo ocorre por
períodos sucessivos que têm um sequência invariável
e constante. Ou seja, um estágio A deve aparecer em
todas as crianças antes de um estágio B.
• Os períodos de desenvolvimento cognitivo são:
sensório-motor (0 a 2 anos)
pré-operatório (2-7 anos)
operatório concreto (7-12 anos)
operatório formal (12 anos em diante)
Cada estágio é caracterizado por estruturas cognitivas
específicas.
4
• O PERÍODO DA INTELIGÊNCIA SENSÓRIO-
MOTORA (0-2 anos)
•
•
• A criança se
• A criança desenvolve de um período neonatal, de completa
indiferenciação entre o eu e o mundo para uma organização
coerente de ações sensório-motoras diante do ambiente
imediato. Esta organização é inteiramente prática, pois
abrange ajustamentos perceptivos e motores simples às
coisas e não manipulações simbólicas delas.
Há seis estágios principais neste período, alguns dos quais
subdividem-se em sub-estágios.
5
• Estágio 1: O Uso dos reflexos neo-natais (0 - 1 mês)
O repertório de comportamentos do bebê é limitado,
basicamente de atividades reflexas: sucção,
movimentos da língua, deglutição, choro, atividade
corporal indiferenciada. Os reflexos simples do
recém-nascido passam por modificações, em
consequência do contato com o meio ambiente.
Os invariantes funcionais - a organização e a
adaptação (assimilação e acomodação) serão o
mecanismo central que permitirá a construção das
estruturas cognitivas.
6
• Estágio 2: As primeiras Adaptações Adquiridas e a Reação
Circular Primária (1 - 4 meses)
As primeiras estruturas construídas são os esquemas de
ação sensório-motores. A sucção, por exemplo,
inicialmente é reflexa e em seguida passa a se dar por um
mecanismo de esquema de sugar, um ato de sugar que foi
transformado por processos adaptativos de assimilação do
objeto do conhecimento ao sujeito e por acomodação das
estruturas do sujeito ao objeto. Piaget introduz a noção de
reação circular. Este termo se refere a uma série de
repetições (ou uma repetição) de uma resposta sensório-
motora, neste caso ainda voltada para a exploração e o
conhecimento do próprio corpo.
7
• Estágio 3: A Reação Circular Secundária
(4 - 8 meses)
Enquanto no estágio 2 a criança estava interessada
nas atividades do seu próprio corpo (pega, toca,
olha, ouve, suga), no estágio 3 ela se interessa mais
pelas consequências ambientais de suas ações
(balança objetos, joga, bate, se interessa por sons e
imagens que suas ações produzem nos objetos).
• A reação circular secundária consiste em
tentativas de manter, através da repetição, uma
mudança ambiental interessante que sua própria
ação produziu acidentalmente.
8
• Estágio 4: Coordenação de Esquemas Secundários e sua
Aplicação a Situações Novas (8 - 12 meses)
As reações circulares começam a se coordenar e formar novas
totalidades de comportamento. No estágio 4 dois ou mais
esquemas intercoordenam-se e formam uma nova totalidade,
há um enriquecimento das formas de exploração e
conhecimento do mundo.
• Estágio 5: A Reação Circular Terciária e a Descoberta de
Novos Meios Através da Experimentação Ativa
(12- 18 meses)
A reação circular terciária surge gradualmente da secundária,
como uma forma mais avançada e mais efetiva de explorar as
propriedades dos objetos novos. A reação circular terciária
consiste na descoberta de novos meios através da
experimentação ativa.
9
• Na reação circular secundária, a criança percebia, na
melhor das hipóteses, uma conexão vaga entre o
comportamento e seu resultado e tentava reproduzir o
resultado, ativando repetidamente e de forma
mecânica o esquema de comportamento.
Na terciária, por sua vez, ocorre a repetição com
variações. A criança explora as potencialidades do objeto,
variando a ação para verificar como isto afeta o objeto. A
essência da reação circular terciária é a busca do novo,
daqueles aspectos do objeto que não são inteiramente
assimiláveis aos esquemas usuais.
10
• Estágio 6: Invenção de Novos Meios Através de
Combinações Mentais (18 meses em diante)
Se a criança neste estágio deseja alcançar um objetivo
mas não encontra nenhum esquema habitual que possa lhe
servir como meio, ao invés de fazer uma série de explorações
sensório-motoras explícitas e visíveis, a criança inventa uma
solução através de um processo encoberto, que corresponde
a experimentação interna, a uma exploração interior de
formas e de meios. Ao contrário de qualquer estágio anterior,
a aquisição de algo realmente novo pode se dar
implicitamente, antes da ação, e não mais através de uma
série de assimilações e acomodações realmente realizadas.
A criança faz representações dos acontecimentos ausentes no
campo perceptual
11
• O estágio 6 marca a transição entre dois períodos e durante
esta fase a criança deixa de ter nas suas ações sensório-
motoras suas ações mais inteligentes e passa a poder fazer
manipulações internas e simbólicas da realidade. Evocação
do passado, representação do presente e antecipação do
futuro. Dada a sua possibilidade de ir além do presente
imediato, o pensamento representativo pode ampliar seu
campo para muito além das ações concretas e reais do
sujeito e dos objetos concretos e reais do ambiente.
• A inteligência sensório-motora, sendo uma inteligência da
ação, restringe-se à busca de objetivos concretos de ação.
O pensamento representativo, dada sua própria natureza,
pode refletir sobre a própria organização dos seus atos.
A possibilidade de ser auto-contemplativo e não
simplesmente ativo, é inerente ao pensamento
representativo. 12
• O PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 a 7 anos)
Marcado pelo egocentrismo. Neste momento, a criança é
egocêntrica e demonstra frequentemente uma relativa
dificuldade de assumir o papel de outra pessoa, ou seja, de
considerar seu próprio ponto de vista como um entre muitos
outros e de tentar coordená-lo com estes outros pontos de vista.
A criança aprendeu qual é o seu lado direito e o seu lado
esquerdo, mas não consegue identificar as mesmas posições de
direito e esquerdo em uma pessoa que esteja de frente para ela.
13
• O PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 a 7 anos)
A criança faz pouco esforço de adaptar a sua
linguagem falada às necessidades do ouvinte.
É capaz de usar símbolos, de fazer de conta em
suas brincadeiras (ex.: passear com cavalo veloz
por toda a casa)
Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma
explicação (é fase dos "por quês").
14
• O egocentrismo da criança pequena a leva a entender
que todos pensam da mesma forma que ela e que o
mundo inteiro compartilha de seus sentimentos e
desejos. Este tipo de pensamento leva à onipotência
mágica. O mundo é criado para a criança, ela pode
controlá-lo.
• Este tipo de pensamento é:
- Animista: tendência a atribuir vida, intenção, desejo,
vontade, consciência, sentidos a elementos da
natureza e a objetos
- Realista: tendência a atribuir existência real a
acontecimentos que não são concretos, como os
sonhos e os nomes.
- Artificialista: tendência a atribuir ao homem a
responsabilidade pela criação dos fenômenos da
natureza.
15
• Exemplo:
• Mostra-se para a criança, duas bolinhas de massa
iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha.
A criança nega que a quantidade de massa continue
igual, pois as formas são diferentes.
Não relaciona as situações.
• PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (8-12 anos)
• A criança operatória parece ter a capacidade de controlar um
sistema cognitivo coerente e integrado, com o qual organiza e
manipula o mundo. Tem uma organização cognitiva mais
sólida, duradoura, seu pensamento é mais lógico, menos
autocentrado e menos fantasioso. Propriedades do
pensamento matemático são construídas. A criança deixa de
perceber a realidade a partir de si própria e se relaciona com
o mundo físico e social de modo mais consistente. Neste
momento, a criança é capaz de compreender as conservações
ou seja, a compreensão de certas propriedades (número,
quantidade, etc) não variam , são conservadas em face de
certas transformações. Além disso, é capaz de formar classes
com mais propriedade, capaz de ordenar elementos de forma
lógica, por tamanho, por exemplo. 17
• PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS
(8-12 anos)
• Neste estágio a criança desenvolve noções de
tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade,
..., sendo então capaz de relacionar diferentes
aspectos e abstrair dados da realidade. Apesar de
não se limitar mais a uma representação
imediata, depende do mundo concreto para
abstrair.
18
• Um importante conceito desta fase é o
desenvolvimento da reversibilidade, ou seja, a
capacidade da representação de uma ação no
sentido inverso de uma anterior, anulando a
transformação observada.
Exemplo:
• Despeja-se a água de dois copos em outros, de
formatos diferentes, para que a criança diga se as
quantidades continuam iguais. A resposta é
afirmativa uma vez que a criança já diferencia
aspectos e é capaz de "refazer" a ação.
• PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS
(após 12 anos)
• O pensamento formal se caracteriza pela possibilidade de
pensar sobre elementos puramente formais, sobre
proposições que não tenham necessariamente nenhum tipo
de vinculação com a realidade.
• Este tipo de pensamento se complexifica e se enriquece ao
longo do processo de desenvolvimento na adolescência e vida
adulta. O desenvolvimento atinge seu ponto mais alto em
termos qualitativos quando o sujeito passa a operar
formalmente.
20
PERÍODO OPERATÓRIO FORMAL
(12 anos em diante)
• Nesta fase a criança, ampliando as capacidades
conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre
hipóteses na medida em que ela é capaz de formar
esquemas conceituais abstratos e através deles executar
operações mentais dentro de princípios da lógica formal.
Com isso, a criança adquire "capacidade de criticar os
sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute
valores morais de seus pais e constrói os seus próprios
(adquirindo, portanto, autonomia)".
Ao atingir esta fase, o indivíduo adquire a sua forma
final de equilíbrio, ou seja, ele consegue alcançar o
padrão intelectual que persistirá durante a idade
adulta. Isso não quer dizer que ocorra uma
estagnação das funções cognitivas, a partir do ápice
adquirido na adolescência, esta será a forma
predominante de raciocínio utilizada pelo adulto.
Seu desenvolvimento posterior consistirá numa
ampliação de conhecimentos tanto em extensão
como em profundidade, mas não na aquisição de
novos modos de funcionamento mental.
O DESENVOLVIMENTO DA MORAL
• Abrange 3 fases:
• anomia (crianças até 5 anos), em que a moral não se coloca,
ou seja, as regras são seguidas, porém o indivíduo ainda não
está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido
de hábito, de dever
• heteronomia (crianças até 9, 10 anos de idade), em que a
moral é = a autoridade, ou seja, as regras não correspondem
a um acordo mútuo firmado entre os jogadores, mas sim
como algo imposto pela tradição e, portanto, imutável;
• autonomia, corresponde ao último estágio do
desenvolvimento da moral, em que há a legitimação
das regras e a criança pensa a moral pela
reciprocidade .
O respeito a regras é entendido como decorrente de
acordos mútuos entre os jogadores, sendo que cada
um deles consegue conceber a si próprio como
possível “legislador” em regime de cooperação
entre todos os membros do grupo.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A Psicologia da Aprendizagem
A Psicologia da AprendizagemA Psicologia da Aprendizagem
A Psicologia da Aprendizagem
O Blog do Pedagogo
 
Fases do desenvolvimento - Piaget
Fases do desenvolvimento -  PiagetFases do desenvolvimento -  Piaget
Fases do desenvolvimento - Piaget
Elisms88
 
Fase do desenvolvimento
Fase do desenvolvimentoFase do desenvolvimento
Fase do desenvolvimento
Gil Pereira
 
Período Sensório-Motor
 Período Sensório-Motor Período Sensório-Motor
Período Sensório-Motor
Iara Benvindo
 
Piaget x Vygotsky
Piaget x VygotskyPiaget x Vygotsky
Piaget x Vygotsky
Elcielle .
 
Piaget completo
Piaget completoPiaget completo
Piaget completo
Camila Munari
 
Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)
Débora Rodrigues
 
As teorias do desenvolvimento humano
As teorias do desenvolvimento humanoAs teorias do desenvolvimento humano
As teorias do desenvolvimento humano
Bruno Gurué
 
Desenvolvimento infantil
Desenvolvimento infantilDesenvolvimento infantil
Desenvolvimento infantil
Luis Davi Salomao
 
Psicologia da aprendizagem
Psicologia da aprendizagemPsicologia da aprendizagem
Psicologia da aprendizagem
na educação
 
Jean piaget
Jean piagetJean piaget
O estádio pré operatório
O estádio pré  operatórioO estádio pré  operatório
O estádio pré operatório
Luis De Sousa Rodrigues
 
A teoria do desenvolvimento humano de henri wallon
A teoria do desenvolvimento humano de henri wallonA teoria do desenvolvimento humano de henri wallon
A teoria do desenvolvimento humano de henri wallon
Secretaria Municipal de Educação de Goiânia
 
Behaviorismo
Behaviorismo Behaviorismo
Behaviorismo
Profissão Professor
 
Desenvolvimento piaget
Desenvolvimento   piagetDesenvolvimento   piaget
Desenvolvimento piaget
Lusiane Carvalho da Silva
 
Vygotsky
VygotskyVygotsky
Vygotsky
Poliana Tavares
 
Aula sobre vygotsky
Aula sobre vygotskyAula sobre vygotsky
Aula sobre vygotsky
Diego Alvarez
 
Vygotsky
VygotskyVygotsky
Psicologia do desenvolvimento
Psicologia do desenvolvimentoPsicologia do desenvolvimento
Psicologia do desenvolvimento
Thiago de Almeida
 
Neurociências e aprendizagem
Neurociências e aprendizagem   Neurociências e aprendizagem
Neurociências e aprendizagem
Faculdade Metropolitanas Unidas - FMU
 

Mais procurados (20)

A Psicologia da Aprendizagem
A Psicologia da AprendizagemA Psicologia da Aprendizagem
A Psicologia da Aprendizagem
 
Fases do desenvolvimento - Piaget
Fases do desenvolvimento -  PiagetFases do desenvolvimento -  Piaget
Fases do desenvolvimento - Piaget
 
Fase do desenvolvimento
Fase do desenvolvimentoFase do desenvolvimento
Fase do desenvolvimento
 
Período Sensório-Motor
 Período Sensório-Motor Período Sensório-Motor
Período Sensório-Motor
 
Piaget x Vygotsky
Piaget x VygotskyPiaget x Vygotsky
Piaget x Vygotsky
 
Piaget completo
Piaget completoPiaget completo
Piaget completo
 
Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)
 
As teorias do desenvolvimento humano
As teorias do desenvolvimento humanoAs teorias do desenvolvimento humano
As teorias do desenvolvimento humano
 
Desenvolvimento infantil
Desenvolvimento infantilDesenvolvimento infantil
Desenvolvimento infantil
 
Psicologia da aprendizagem
Psicologia da aprendizagemPsicologia da aprendizagem
Psicologia da aprendizagem
 
Jean piaget
Jean piagetJean piaget
Jean piaget
 
O estádio pré operatório
O estádio pré  operatórioO estádio pré  operatório
O estádio pré operatório
 
A teoria do desenvolvimento humano de henri wallon
A teoria do desenvolvimento humano de henri wallonA teoria do desenvolvimento humano de henri wallon
A teoria do desenvolvimento humano de henri wallon
 
Behaviorismo
Behaviorismo Behaviorismo
Behaviorismo
 
Desenvolvimento piaget
Desenvolvimento   piagetDesenvolvimento   piaget
Desenvolvimento piaget
 
Vygotsky
VygotskyVygotsky
Vygotsky
 
Aula sobre vygotsky
Aula sobre vygotskyAula sobre vygotsky
Aula sobre vygotsky
 
Vygotsky
VygotskyVygotsky
Vygotsky
 
Psicologia do desenvolvimento
Psicologia do desenvolvimentoPsicologia do desenvolvimento
Psicologia do desenvolvimento
 
Neurociências e aprendizagem
Neurociências e aprendizagem   Neurociências e aprendizagem
Neurociências e aprendizagem
 

Semelhante a Desenvolvimento Humano Piaget 1

26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe
26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe
26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe
Kualo Kala
 
09 aula5 5º construtivismo jean piaget
09 aula5 5º construtivismo  jean piaget09 aula5 5º construtivismo  jean piaget
09 aula5 5º construtivismo jean piaget
fsoliveira
 
Psicologia e aprendizagem
Psicologia e aprendizagemPsicologia e aprendizagem
Psicologia e aprendizagem
Fabiano
 
Teorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagem
Teorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagemTeorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagem
Teorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagem
Lucas Vinícius
 
Apresentacao piajet
Apresentacao piajetApresentacao piajet
Apresentacao piajet
Kamila Assink de Liz
 
O Período Sensório Motor, Jean Piaget
O Período Sensório Motor, Jean Piaget O Período Sensório Motor, Jean Piaget
O Período Sensório Motor, Jean Piaget
Joemille Leal
 
Desenvolvimento Cognitivo: Piaget
Desenvolvimento Cognitivo: PiagetDesenvolvimento Cognitivo: Piaget
Desenvolvimento Cognitivo: Piaget
Manô Araújo
 
Psicologia
PsicologiaPsicologia
Psicologia
Diana Mendes
 
O período sensório
O período sensórioO período sensório
O período sensório
Roselle Matos
 
Referencial -teorico_-_piaget
Referencial  -teorico_-_piagetReferencial  -teorico_-_piaget
Referencial -teorico_-_piaget
angelafreire
 
Referencial -teorico_-_piaget
Referencial  -teorico_-_piagetReferencial  -teorico_-_piaget
Referencial -teorico_-_piaget
angelafreire
 
O Período Sensório-Motor - Jean Piaget
O Período Sensório-Motor -  Jean Piaget O Período Sensório-Motor -  Jean Piaget
O Período Sensório-Motor - Jean Piaget
Joemille Leal
 
1. teorias do desenvolvimento
1. teorias do desenvolvimento1. teorias do desenvolvimento
1. teorias do desenvolvimento
Claudinéia da Silva de Oliveira
 
Construtivismo na educação
Construtivismo na educaçãoConstrutivismo na educação
Construtivismo na educação
Julie Christie Do Brasil
 
Teorias de aprendizagem trabalho
Teorias de aprendizagem trabalhoTeorias de aprendizagem trabalho
Teorias de aprendizagem trabalho
Roseli2012
 
O desenvolvimento cognitivo segundo piaget
O desenvolvimento cognitivo segundo piagetO desenvolvimento cognitivo segundo piaget
O desenvolvimento cognitivo segundo piaget
adrianamnf13
 
Piaget Escola Construtivista X Escola Tradicional
Piaget Escola Construtivista X Escola TradicionalPiaget Escola Construtivista X Escola Tradicional
Piaget Escola Construtivista X Escola Tradicional
mariosouzza
 
Piaget,vygotsky e wallon
Piaget,vygotsky e wallonPiaget,vygotsky e wallon
Piaget,vygotsky e wallon
Luciana Almeida
 
Jean piaget 1
Jean piaget  1Jean piaget  1
Jean piaget 1
Felipe Mago
 
Psicologia da edc.
Psicologia da edc.Psicologia da edc.
Psicologia da edc.
Regina Oliveira
 

Semelhante a Desenvolvimento Humano Piaget 1 (20)

26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe
26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe
26616 teoricos da_aprendizagem_nzroe
 
09 aula5 5º construtivismo jean piaget
09 aula5 5º construtivismo  jean piaget09 aula5 5º construtivismo  jean piaget
09 aula5 5º construtivismo jean piaget
 
Psicologia e aprendizagem
Psicologia e aprendizagemPsicologia e aprendizagem
Psicologia e aprendizagem
 
Teorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagem
Teorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagemTeorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagem
Teorias da aprendizagem de Piaget: equilibração e fases de aprendizagem
 
Apresentacao piajet
Apresentacao piajetApresentacao piajet
Apresentacao piajet
 
O Período Sensório Motor, Jean Piaget
O Período Sensório Motor, Jean Piaget O Período Sensório Motor, Jean Piaget
O Período Sensório Motor, Jean Piaget
 
Desenvolvimento Cognitivo: Piaget
Desenvolvimento Cognitivo: PiagetDesenvolvimento Cognitivo: Piaget
Desenvolvimento Cognitivo: Piaget
 
Psicologia
PsicologiaPsicologia
Psicologia
 
O período sensório
O período sensórioO período sensório
O período sensório
 
Referencial -teorico_-_piaget
Referencial  -teorico_-_piagetReferencial  -teorico_-_piaget
Referencial -teorico_-_piaget
 
Referencial -teorico_-_piaget
Referencial  -teorico_-_piagetReferencial  -teorico_-_piaget
Referencial -teorico_-_piaget
 
O Período Sensório-Motor - Jean Piaget
O Período Sensório-Motor -  Jean Piaget O Período Sensório-Motor -  Jean Piaget
O Período Sensório-Motor - Jean Piaget
 
1. teorias do desenvolvimento
1. teorias do desenvolvimento1. teorias do desenvolvimento
1. teorias do desenvolvimento
 
Construtivismo na educação
Construtivismo na educaçãoConstrutivismo na educação
Construtivismo na educação
 
Teorias de aprendizagem trabalho
Teorias de aprendizagem trabalhoTeorias de aprendizagem trabalho
Teorias de aprendizagem trabalho
 
O desenvolvimento cognitivo segundo piaget
O desenvolvimento cognitivo segundo piagetO desenvolvimento cognitivo segundo piaget
O desenvolvimento cognitivo segundo piaget
 
Piaget Escola Construtivista X Escola Tradicional
Piaget Escola Construtivista X Escola TradicionalPiaget Escola Construtivista X Escola Tradicional
Piaget Escola Construtivista X Escola Tradicional
 
Piaget,vygotsky e wallon
Piaget,vygotsky e wallonPiaget,vygotsky e wallon
Piaget,vygotsky e wallon
 
Jean piaget 1
Jean piaget  1Jean piaget  1
Jean piaget 1
 
Psicologia da edc.
Psicologia da edc.Psicologia da edc.
Psicologia da edc.
 

Mais de Nilson Dias Castelano

Principios da bioetica
Principios da bioeticaPrincipios da bioetica
Principios da bioetica
Nilson Dias Castelano
 
Pesquisa com seres humanos
Pesquisa com seres humanosPesquisa com seres humanos
Pesquisa com seres humanos
Nilson Dias Castelano
 
Bioética privacidade e segredo profissional
Bioética   privacidade e segredo profissionalBioética   privacidade e segredo profissional
Bioética privacidade e segredo profissional
Nilson Dias Castelano
 
Bioética pessoas especiais
Bioética   pessoas especiaisBioética   pessoas especiais
Bioética pessoas especiais
Nilson Dias Castelano
 
Bioetica direito a informação
Bioetica   direito a informaçãoBioetica   direito a informação
Bioetica direito a informação
Nilson Dias Castelano
 
Bioética aborto e eutanasia
Bioética    aborto e eutanasiaBioética    aborto e eutanasia
Bioética aborto e eutanasia
Nilson Dias Castelano
 
Psicologia experimental - v2
Psicologia experimental - v2Psicologia experimental - v2
Psicologia experimental - v2
Nilson Dias Castelano
 
O estudo do comportamento - v1
O estudo do comportamento - v1O estudo do comportamento - v1
O estudo do comportamento - v1
Nilson Dias Castelano
 
Equivalência de estímulos
Equivalência de estímulosEquivalência de estímulos
Equivalência de estímulos
Nilson Dias Castelano
 
Discriminacao simples-e_generalizacao
Discriminacao simples-e_generalizacaoDiscriminacao simples-e_generalizacao
Discriminacao simples-e_generalizacao
Nilson Dias Castelano
 
Regrasx contingências
Regrasx contingênciasRegrasx contingências
Regrasx contingências
Nilson Dias Castelano
 
Controle de estímulos - v1
Controle de estímulos - v1Controle de estímulos - v1
Controle de estímulos - v1
Nilson Dias Castelano
 
Comportamento social-v1
Comportamento social-v1Comportamento social-v1
Comportamento social-v1
Nilson Dias Castelano
 
Análise funcional, contingência e contiguidade
Análise funcional, contingência e contiguidadeAnálise funcional, contingência e contiguidade
Análise funcional, contingência e contiguidade
Nilson Dias Castelano
 
Modelagem
ModelagemModelagem
Interação operante-respondente
Interação operante-respondenteInteração operante-respondente
Interação operante-respondente
Nilson Dias Castelano
 
Aprendizagem operante
Aprendizagem operanteAprendizagem operante
Aprendizagem operante
Nilson Dias Castelano
 
Condicionamento respondente
Condicionamento respondenteCondicionamento respondente
Condicionamento respondente
Nilson Dias Castelano
 
O comportamento humano e a aprendizagem - v1
O comportamento humano e a aprendizagem - v1O comportamento humano e a aprendizagem - v1
O comportamento humano e a aprendizagem - v1
Nilson Dias Castelano
 
Definição de aprendizagem
Definição de aprendizagemDefinição de aprendizagem
Definição de aprendizagem
Nilson Dias Castelano
 

Mais de Nilson Dias Castelano (20)

Principios da bioetica
Principios da bioeticaPrincipios da bioetica
Principios da bioetica
 
Pesquisa com seres humanos
Pesquisa com seres humanosPesquisa com seres humanos
Pesquisa com seres humanos
 
Bioética privacidade e segredo profissional
Bioética   privacidade e segredo profissionalBioética   privacidade e segredo profissional
Bioética privacidade e segredo profissional
 
Bioética pessoas especiais
Bioética   pessoas especiaisBioética   pessoas especiais
Bioética pessoas especiais
 
Bioetica direito a informação
Bioetica   direito a informaçãoBioetica   direito a informação
Bioetica direito a informação
 
Bioética aborto e eutanasia
Bioética    aborto e eutanasiaBioética    aborto e eutanasia
Bioética aborto e eutanasia
 
Psicologia experimental - v2
Psicologia experimental - v2Psicologia experimental - v2
Psicologia experimental - v2
 
O estudo do comportamento - v1
O estudo do comportamento - v1O estudo do comportamento - v1
O estudo do comportamento - v1
 
Equivalência de estímulos
Equivalência de estímulosEquivalência de estímulos
Equivalência de estímulos
 
Discriminacao simples-e_generalizacao
Discriminacao simples-e_generalizacaoDiscriminacao simples-e_generalizacao
Discriminacao simples-e_generalizacao
 
Regrasx contingências
Regrasx contingênciasRegrasx contingências
Regrasx contingências
 
Controle de estímulos - v1
Controle de estímulos - v1Controle de estímulos - v1
Controle de estímulos - v1
 
Comportamento social-v1
Comportamento social-v1Comportamento social-v1
Comportamento social-v1
 
Análise funcional, contingência e contiguidade
Análise funcional, contingência e contiguidadeAnálise funcional, contingência e contiguidade
Análise funcional, contingência e contiguidade
 
Modelagem
ModelagemModelagem
Modelagem
 
Interação operante-respondente
Interação operante-respondenteInteração operante-respondente
Interação operante-respondente
 
Aprendizagem operante
Aprendizagem operanteAprendizagem operante
Aprendizagem operante
 
Condicionamento respondente
Condicionamento respondenteCondicionamento respondente
Condicionamento respondente
 
O comportamento humano e a aprendizagem - v1
O comportamento humano e a aprendizagem - v1O comportamento humano e a aprendizagem - v1
O comportamento humano e a aprendizagem - v1
 
Definição de aprendizagem
Definição de aprendizagemDefinição de aprendizagem
Definição de aprendizagem
 

Desenvolvimento Humano Piaget 1

  • 1. 1
  • 2. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO: Processo amplo que inclui mudanças em diferentes esferas do desenvolvimento. COGNIÇÃO: Processo que nos permite conhecer o mundo e suas propriedades, porque utilizamos diversos processos cognitivos: atenção, percepção, aprendizagem, memória, linguagem, pensamento. JEAN PIAGET (1896 – 1980) Propôs uma teoria para explicar a gênese e o desenvolvimento dos processos de obtenção de conhecimento 2
  • 3. • Segundo Piaget, a criança o constrói o conhecimento na sua interação com o objeto, entendido como o seu próprio corpo, as coisas, as pessoas, a natureza, os animais, os fenômenos da natureza, etc. Desde nascer há na criança processos internos que possibilitam a aprendizagem, mas que resultam em desenvolvimento a partir da experiência sobre o meio e das condições que o meio lhe oferece. Isso implica em pensar num sujeito ativo que constrói seu conhecimento a partir da sua ação. A biologia entra com os invariantes funcionais e com a bagagem reflexa. As estruturas cognitivas que vão possibilitar a obtenção do conhecimento serão fruto de processos de construção, pela equilibração majorante. 3
  • 4. • Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo ocorre por períodos sucessivos que têm um sequência invariável e constante. Ou seja, um estágio A deve aparecer em todas as crianças antes de um estágio B. • Os períodos de desenvolvimento cognitivo são: sensório-motor (0 a 2 anos) pré-operatório (2-7 anos) operatório concreto (7-12 anos) operatório formal (12 anos em diante) Cada estágio é caracterizado por estruturas cognitivas específicas. 4
  • 5. • O PERÍODO DA INTELIGÊNCIA SENSÓRIO- MOTORA (0-2 anos) • • • A criança se • A criança desenvolve de um período neonatal, de completa indiferenciação entre o eu e o mundo para uma organização coerente de ações sensório-motoras diante do ambiente imediato. Esta organização é inteiramente prática, pois abrange ajustamentos perceptivos e motores simples às coisas e não manipulações simbólicas delas. Há seis estágios principais neste período, alguns dos quais subdividem-se em sub-estágios. 5
  • 6. • Estágio 1: O Uso dos reflexos neo-natais (0 - 1 mês) O repertório de comportamentos do bebê é limitado, basicamente de atividades reflexas: sucção, movimentos da língua, deglutição, choro, atividade corporal indiferenciada. Os reflexos simples do recém-nascido passam por modificações, em consequência do contato com o meio ambiente. Os invariantes funcionais - a organização e a adaptação (assimilação e acomodação) serão o mecanismo central que permitirá a construção das estruturas cognitivas. 6
  • 7. • Estágio 2: As primeiras Adaptações Adquiridas e a Reação Circular Primária (1 - 4 meses) As primeiras estruturas construídas são os esquemas de ação sensório-motores. A sucção, por exemplo, inicialmente é reflexa e em seguida passa a se dar por um mecanismo de esquema de sugar, um ato de sugar que foi transformado por processos adaptativos de assimilação do objeto do conhecimento ao sujeito e por acomodação das estruturas do sujeito ao objeto. Piaget introduz a noção de reação circular. Este termo se refere a uma série de repetições (ou uma repetição) de uma resposta sensório- motora, neste caso ainda voltada para a exploração e o conhecimento do próprio corpo. 7
  • 8. • Estágio 3: A Reação Circular Secundária (4 - 8 meses) Enquanto no estágio 2 a criança estava interessada nas atividades do seu próprio corpo (pega, toca, olha, ouve, suga), no estágio 3 ela se interessa mais pelas consequências ambientais de suas ações (balança objetos, joga, bate, se interessa por sons e imagens que suas ações produzem nos objetos). • A reação circular secundária consiste em tentativas de manter, através da repetição, uma mudança ambiental interessante que sua própria ação produziu acidentalmente. 8
  • 9. • Estágio 4: Coordenação de Esquemas Secundários e sua Aplicação a Situações Novas (8 - 12 meses) As reações circulares começam a se coordenar e formar novas totalidades de comportamento. No estágio 4 dois ou mais esquemas intercoordenam-se e formam uma nova totalidade, há um enriquecimento das formas de exploração e conhecimento do mundo. • Estágio 5: A Reação Circular Terciária e a Descoberta de Novos Meios Através da Experimentação Ativa (12- 18 meses) A reação circular terciária surge gradualmente da secundária, como uma forma mais avançada e mais efetiva de explorar as propriedades dos objetos novos. A reação circular terciária consiste na descoberta de novos meios através da experimentação ativa. 9
  • 10. • Na reação circular secundária, a criança percebia, na melhor das hipóteses, uma conexão vaga entre o comportamento e seu resultado e tentava reproduzir o resultado, ativando repetidamente e de forma mecânica o esquema de comportamento. Na terciária, por sua vez, ocorre a repetição com variações. A criança explora as potencialidades do objeto, variando a ação para verificar como isto afeta o objeto. A essência da reação circular terciária é a busca do novo, daqueles aspectos do objeto que não são inteiramente assimiláveis aos esquemas usuais. 10
  • 11. • Estágio 6: Invenção de Novos Meios Através de Combinações Mentais (18 meses em diante) Se a criança neste estágio deseja alcançar um objetivo mas não encontra nenhum esquema habitual que possa lhe servir como meio, ao invés de fazer uma série de explorações sensório-motoras explícitas e visíveis, a criança inventa uma solução através de um processo encoberto, que corresponde a experimentação interna, a uma exploração interior de formas e de meios. Ao contrário de qualquer estágio anterior, a aquisição de algo realmente novo pode se dar implicitamente, antes da ação, e não mais através de uma série de assimilações e acomodações realmente realizadas. A criança faz representações dos acontecimentos ausentes no campo perceptual 11
  • 12. • O estágio 6 marca a transição entre dois períodos e durante esta fase a criança deixa de ter nas suas ações sensório- motoras suas ações mais inteligentes e passa a poder fazer manipulações internas e simbólicas da realidade. Evocação do passado, representação do presente e antecipação do futuro. Dada a sua possibilidade de ir além do presente imediato, o pensamento representativo pode ampliar seu campo para muito além das ações concretas e reais do sujeito e dos objetos concretos e reais do ambiente. • A inteligência sensório-motora, sendo uma inteligência da ação, restringe-se à busca de objetivos concretos de ação. O pensamento representativo, dada sua própria natureza, pode refletir sobre a própria organização dos seus atos. A possibilidade de ser auto-contemplativo e não simplesmente ativo, é inerente ao pensamento representativo. 12
  • 13. • O PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 a 7 anos) Marcado pelo egocentrismo. Neste momento, a criança é egocêntrica e demonstra frequentemente uma relativa dificuldade de assumir o papel de outra pessoa, ou seja, de considerar seu próprio ponto de vista como um entre muitos outros e de tentar coordená-lo com estes outros pontos de vista. A criança aprendeu qual é o seu lado direito e o seu lado esquerdo, mas não consegue identificar as mesmas posições de direito e esquerdo em uma pessoa que esteja de frente para ela. 13
  • 14. • O PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 a 7 anos) A criança faz pouco esforço de adaptar a sua linguagem falada às necessidades do ouvinte. É capaz de usar símbolos, de fazer de conta em suas brincadeiras (ex.: passear com cavalo veloz por toda a casa) Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês"). 14
  • 15. • O egocentrismo da criança pequena a leva a entender que todos pensam da mesma forma que ela e que o mundo inteiro compartilha de seus sentimentos e desejos. Este tipo de pensamento leva à onipotência mágica. O mundo é criado para a criança, ela pode controlá-lo. • Este tipo de pensamento é: - Animista: tendência a atribuir vida, intenção, desejo, vontade, consciência, sentidos a elementos da natureza e a objetos - Realista: tendência a atribuir existência real a acontecimentos que não são concretos, como os sonhos e os nomes. - Artificialista: tendência a atribuir ao homem a responsabilidade pela criação dos fenômenos da natureza. 15
  • 16. • Exemplo: • Mostra-se para a criança, duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona as situações.
  • 17. • PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (8-12 anos) • A criança operatória parece ter a capacidade de controlar um sistema cognitivo coerente e integrado, com o qual organiza e manipula o mundo. Tem uma organização cognitiva mais sólida, duradoura, seu pensamento é mais lógico, menos autocentrado e menos fantasioso. Propriedades do pensamento matemático são construídas. A criança deixa de perceber a realidade a partir de si própria e se relaciona com o mundo físico e social de modo mais consistente. Neste momento, a criança é capaz de compreender as conservações ou seja, a compreensão de certas propriedades (número, quantidade, etc) não variam , são conservadas em face de certas transformações. Além disso, é capaz de formar classes com mais propriedade, capaz de ordenar elementos de forma lógica, por tamanho, por exemplo. 17
  • 18. • PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (8-12 anos) • Neste estágio a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, ..., sendo então capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Apesar de não se limitar mais a uma representação imediata, depende do mundo concreto para abstrair. 18
  • 19. • Um importante conceito desta fase é o desenvolvimento da reversibilidade, ou seja, a capacidade da representação de uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada. Exemplo: • Despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer" a ação.
  • 20. • PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS (após 12 anos) • O pensamento formal se caracteriza pela possibilidade de pensar sobre elementos puramente formais, sobre proposições que não tenham necessariamente nenhum tipo de vinculação com a realidade. • Este tipo de pensamento se complexifica e se enriquece ao longo do processo de desenvolvimento na adolescência e vida adulta. O desenvolvimento atinge seu ponto mais alto em termos qualitativos quando o sujeito passa a operar formalmente. 20
  • 21. PERÍODO OPERATÓRIO FORMAL (12 anos em diante) • Nesta fase a criança, ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. Com isso, a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e constrói os seus próprios (adquirindo, portanto, autonomia)".
  • 22. Ao atingir esta fase, o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio, ou seja, ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. Isso não quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas, a partir do ápice adquirido na adolescência, esta será a forma predominante de raciocínio utilizada pelo adulto. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade, mas não na aquisição de novos modos de funcionamento mental.
  • 23. O DESENVOLVIMENTO DA MORAL • Abrange 3 fases: • anomia (crianças até 5 anos), em que a moral não se coloca, ou seja, as regras são seguidas, porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido de hábito, de dever • heteronomia (crianças até 9, 10 anos de idade), em que a moral é = a autoridade, ou seja, as regras não correspondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores, mas sim como algo imposto pela tradição e, portanto, imutável;
  • 24. • autonomia, corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral, em que há a legitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade . O respeito a regras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores, sendo que cada um deles consegue conceber a si próprio como possível “legislador” em regime de cooperação entre todos os membros do grupo.