O documento descreve o surgimento e características principais do Romantismo no final do século XVIII na França e em outros países europeus. O Romantismo surgiu após a Revolução Francesa e foi impulsionado pela busca pela liberdade individual e expressão artística.
Revolução francesa –Após a Revolução
Francesa, o absolutismo entrou em crise,
cedendo lugar ao liberalismo (doutrina
fundamentada na crença da capacidade
individual do homem). A economia da época
estimula a livre iniciativa, a livre empresa. O
individualismo tornou-se um valor básico da
sociedade da época.
6.
Revolução Industrial –1º momento
A Revolução Industrial gerou novos
investimentos que buscavam solucionar os
problemas técnicos decorrentes do aumento de
produção. Sua consequência mais evidente foi a
divisão do trabalho e o início da especialização
da mão-de-obra.
A difusão dolivro -
especialmente através do
romance de folhetim -
permitiu que muitos
escritores vivessem de
seus direitos autorais. Foi
o caso de Victor Hugo,
aqui caricaturado como
um gigante da área
literária.
9.
O primeiro efeitofavorável da vitória burguesa para a
literatura reside no artigo onze da Declaração de Direitos
do Homem e do Cidadão:
"A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um
dos direitos mais preciosos do homem; todo cidadão pode
portanto falar, escrever, imprimir livremente." Como afirma
um historiador, "cada francês é agora um escritor em
potencial, todas as Bastilhas acadêmicas caem por terra e
uma aventura da palavra escrita está acontecendo."
10.
Na França sobretudo,permite não
apenas a extinção dos privilégios
seculares, mas também o fim das
barreiras rígidas entre as classes
sociais.
11.
Um novo sentidode vida, baseado
na livre iniciativa, exalta a audácia,
a competência e os méritos
pessoais de cada indivíduo,
independentemente de seus títulos
e seus antepassados.
12.
A era doLiberalismo está em seu
auge e com ela um conjunto
notável de mudanças na história
do Ocidente.
13.
Uma nova sociedade,um novo gosto, um novo
público
Novo conceito de arte Novo público
A arte deixa de ser uma atividade
social orientada por critérios objetivos
e convencionais;
A arte transforma-se numa forma de
autoexpressão que cria seus próprios
padrões;
A arte torna-se o meio empregado
pelo indivíduo singular para se
comunicar com indivíduos
singulares;
A burguesia generaliza curiosidade
pelas criações artísticas (imprensa e
teatro);
A aliança da burguesia com o povo permite
levar às massas o conhecimento dos novos
tipos de arte;
Nasce um novo público que assiste às
peças e lê os folhetins e os livros, cujo
gosto é necessário atender;
14.
Expressão plena dosestados
de alma, da paixões e das
emoções.
Atração pelo desconhecido,
pela aventura, pelo
misterioso.
Exaltação da liberdade
individual e social.
Gosto por ambientes
solitários e noturnos.
Estilo mais simples e
comunicativo, além de
novos ritmos e formas
métricas.
Visão da natureza como
exemplo da manifestação
do poder de Deus e como
refúgio acolhedor para o
homem que busca paz
interior.
16.
Consolidação da burguesia.
Difusãocada vez maior do
jornal como meio de
comunicação social e de
apresentação da literatura
(folhetins).
Aumento do número de
pessoas alfabetizadas,
incluindo mulheres.
Profissionalização do
escritor e a difusão maciça
da literatura.
18.
Revolução Industrial:
• Modernasociedade de
classes;
• Burguesia industrial;
• Proletariado.
Movimento de
independência das colônias
da Espanha e de Portugal.
Revolução Francesa:
• Burguesia no poder.
19.
Observe noquadro abaixo, as principais
diferenças entres os movimentos clássico e
romântico:
Classicismo Romantismo
geral, universal particular, individual
impessoal, objetivo pessoal, subjetivo
apelo à imaginação
razão sensibilidade
erudição folclore
elitilização motivos populares
disciplina libertação
imagem racional do
amor e da mulher
imagem sentimental e subjetiva
do amor e da mulher
apelo à inteligência
20.
• subjetivismo: oescritor romântico quer
retratar em sua obra uma realidade
interior e parcial. Trata os assuntos de
uma forma pessoal, de acordo com o que
sente, aproximando-se da fantasia.
21.
• Idealização: motivadopela fantasia e pela
imaginação, o artista romântico passa a
idealizar tudo; as coisas não são vistas
como realmente são, mas como deveriam
ser segundo uma ótica pessoal.
Assim, a pátria é sempre perfeita; a mulher
é vista como virgem, frágil, bela, submissa e
inatingível; o amor, quase sempre, é
espiritual e inalcançável; o índio, ainda que
moldado segundo modelos europeus, é o
herói nacional.
22.
• sentimentalismo: exaltam-seos sentidos, e
tudo o que é provocado pelo impulso é
permitido. Certos sentimentos, como a saudade
(saudosismo), a tristeza, a nostalgia e a
desilusão, são constantes na obra romântica.
23.
• Egocentrismo: cultua-seo "eu" interior,
atitude narcisista, em que o individualismo
prevalece; microcosmos (mundo interior) X
macrocosmos (mundo exterior).
24.
• Liberdade decriação: todo tipo de padrão
clássico preestabelecido é abolido. O escritor
romântico recusa formas poéticas perfeitas,
usa o verso livre e branco, libertando-se dos
modelos greco-latinos, tão valorizados pelos
clássicos, e aproximando-se da linguagem
coloquial.
25.
• Medievalismo: háum grande interesse dos
românticos pelas origens de seu país, de seu
povo. Na Europa, retornam à Idade Média e
cultuam seus valores, por ser uma época
obscura. Tanto é assim que o mundo medieval
é considerado a "noite da humanidade"; o que
não é muito claro, aguça a imaginação, a
fantasia. No Brasil, o índio representa o papel
de nosso passado medieval e vivo.
26.
• Pessimismo: conhecidocomo o "mal-do-
século". O artista se vê diante da
impossibilidade de realizar o sonho do "eu" e,
desse modo, cai em profunda tristeza,
angústia, solidão, inquietação, desespero,
frustração, levando-o, muitas vezes, ao
suicídio, solução definitiva para o mal-do-
século.
27.
• Escapismo psicológico:espécie de fuga. Já
que o romântico não aceita a realidade, volta
ao passado, individual (fatos ligados ao seu
próprio passado, a sua infância) ou histórico
(época medieval).
28.
• Condoreirismo: correntede poesia político-
social, com grande repercussão entre os
poetas da terceira geração romântica. Os
poetas condoreiros, influenciados pelo
escritor Victor Hugo, defendem a justiça social
e a liberdade.
29.
• byronismo: atitudeamplamente cultivada
entre os poetas da segunda geração romântica
e relacionada ao poeta inglês Lord Byron.
Caracteriza-se por mostrar um estilo de vida e
uma forma particular de ver o mundo; um
estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o
vício e os prazeres da bebida, do fumo e do
sexo. Sua forma de ver o mundo é egocêntrica,
narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes,
satânica.
30.
• religiosidade: comouma reação ao
Racionalismo materialista dos clássicos, a vida
espiritual e a crença em Deus são enfocadas
como pontos de apoio ou válvulas de escape
diante das frustrações do mundo real.
31.
• culto aofantástico: a presença do mistério, do
sobrenatural, representando o sonho, a
imaginação; frutos da pura fantasia, que não
carecem de fundamentação lógica, do uso da
razão.
32.
• nativismo: fascinaçãopela natureza. O artista
se vê totalmente envolvido por paisagens
exóticas, como se ele fosse uma continuação
da natureza. Muitas vezes, o nacionalismo
romântico é exaltado através da natureza, da
força da paisagem.
33.
• nacionalismo oupatriotismo: exaltação da
Pátria, de forma exagerada, em que somente
as qualidades são enaltecidas.
34.
• luta entreo liberalismo e o absolutismo:
poder do povo X poder da monarquia.
• Até na escolha do herói, o romântico
dificilmente optava por um nobre.
Geralmente, adotava heróis grandiosos,
muitas vezes personagens históricos, que
foram de algum modo infelizes: vida trágica,
amantes recusados, patriotas exilados.
35.
ROMANTISMO EM PORTUGAL
•Período de lutas políticas e reivindicações
liberais;
• Devido às agitações, escritores vão ´para a
França e Inglaterra, onde conhecem as novas
ideias literárias;
• O início se dá com a publicação do poema
“Camões”, de Almeida Garrett, em 1825.
• Destacou-se comohistoriador e romancista,
mas também foi autor de poesias e contos;
• Escreveu alguns romances de fundo histórico,
ambientados na idade Média;
• Seu principal romance é Eurico, o presbítero.
43.
• Poeta, prosadore dramaturgo.
• Principais obras:
- Poesia – Folhas caídas e Dona Branca;
- Romance – Viagem na minha terra;
- Tragédia teatral – Frei luís de Sousa.
• Não se enquadra nos padrões rígidos do
Classicismo, tampouco exibe o subjetivismo e o
sentimentalismo exagerado que caracterizam o
ideal romântico.
EDGAR ALLAN POE
EdgardAllan Poe deixou poemas, contos, romance, temas
policiais e de horror. Muitas de suas obras exploram a
temática do sofrimento causado pela morte. O poeta
acreditava que nada seria mais romântico que um poema
sobre a morte de uma mulher bonita. É considerado o criador
do conto policial, seus poemas mergulham na tristeza e as
narrativas em temas de horror. Suas obras foram um marco
para a literatura norte-americana contemporânea, com
destaque para "Contos do Grotesco e Arabesco", publicado
na França com o título de "Histórias Extraordinárias" (1837),
contos que influenciaram diversas gerações de escritores de
livros de suspense e terror, e os poemas, “O Corvo” (1845) e
“Annabel Lee” (1849).
49.
CAMILO CASTELO BRANCO
•O criador da novela passional portuguesa;
• De sua grande produção ficcional, destacam-se as
notas:
- passionais: Amor de perdição, Carlota Ângela e
Amor de salvação;
- satíricas: Coração, cabeça, estômago e A queda
dum anjo;
- de influência realista: Eusébio Macário, A corja e
A brasileira de Prazins.
50.
SOARES DE PASSOS
•Antônio Augusto Soares de Passos
• O mais popular poeta do ultrarromantismo
português.
• Nascido na cidade do Porto em 1826 (um ano
depois da publicação do poema “ Camões” ,
de Garret), o poeta teve sua vida marcada por
alguns episódios tipicamente românticos:
prestes a terminar o curso de direito em
Coimbra, é atacado pela tuberculose.
51.
• Formado, épreterido em um concurso público
e isola-se; consta que, durante quatro anos
permaneceu fechado em um quarto,
recebendo a visita de raros amigos;
• Morreu em 1860, tuberculoso, aos 33 anos de
idade.
DÉCADA DE 1860
•Diluição das características românticas;
• Pré-Realismo;
• Questão Coimbrã;
• Final do ultrarromantismo;
• Sentimentos moderados;
• Simplicidade;
• Proximidade com a realidade.
59.
QUESTÃO COIMBRÃ
A QuestãoCoimbrã (também chamada de
“Questão do Bom Senso e Bom Gosto”)
representou uma polêmica travada em 1865
entre os literatos portugueses: Antônio Feliciano
de Castilho, escritor romântico português, e o
grupo de estudantes da Universidade de
Coimbra: Antero de Quental, Teófilo Braga e
Vieira de Castro.
61.
Além de sero marco inicial do movimento realista
em Portugal, ela representou uma nova forma de
fazer literatura, trazendo à tona aspectos de
renovação literária aliado as ideias que surgiram na
época em torno de questões científicas.
Por isso, a questão Coimbrã se afasta dos moldes
ultrapassados dos ultrarromânticos, atacando
assim, as posturas de atraso cultural da sociedade
portuguesa da época.
63.
Essa fase antecipacaracterísticas da Escola
Realista, que substituirá o Romantismo. O
subjetivismo e o emocionalismo cederão lugar
para uma literatura de tom exaltado, baseada
nos grandes debates sociais e políticos da época.
64.
Na década de1860, os exageros
ultrarromânticos sobrevivem apenas em autores
menores. Os melhores depuraram o
romantismo, fugindo à pieguice e retomando a
um lirismo simples e sincero. Mantendo ainda o
subjetivismo romântico, os autores da terceira
geração já são pré-realistas.
Obras inovaram emalguns aspectos a prosa
do Romantismo;
Linguagem simples;
Enredos mais simples, que giram em torno de
problemas amorosos e familiares. No final, os
mal-entendidos se esclarecem e tudo se
resolve.
68.
Suas obras principaissão os romances:
As pupilas do senhor reitor;
A morgadinha dos canaviais;
Os fidalgos da casa mourisca e Uma família
inglesa.
Como surgiu essemovimento
literário? O romantismo no Brasil
surge a partir da independência
política brasileira. Os primeiros
artistas românticos passam a ter
uma missão: criar uma cultura
literária própria nacional.
O país recebe também escolas
de ensino superior, imprensa
regular entre outras mudanças.
Em 1822, ocorre a Proclamação
de Independência do Brasil, com
isso surge uma necessidade de
criar uma nova cultura e uma
nova nação.
72.
O Romantismo noBrasil - Poesia
• Temas principais:
- Inspiração patriótica e libertária;
- Indianismo;
- Desilusão amorosa;
- Saudade;
- Morte;
- Exaltação da natureza brasileira.
73.
A prosa romântica
•Romance urbano ou de costumes: abrange
temas amorosos e sociais no ambiente
urbano;
• Romance sertanejo ou regionalista: focaliza a
gente do interior, com seus costumes e valores
peculiares;
74.
• Romance histórico:volta-se para o passado,
numa reinterpretação nacionalista de fatos e
personagens;
• Romance indianista: ainda na perspectiva
nacionalista, é aquele que enfoca a figura do
índio.
75.
1ª GERAÇÃO DOROMANTISMO NO
BRASIL
Fase indianista (nacionalista)
76.
CARACTERÍSTICAS
• Exaltação danatureza e da liberdade;
• Religiosidade;
• Figura do índio como herói nacional;
• Sentimentalismo;
• Saudosismo;
• Nacionalismo-ufanista;
• Nativismo;
• Cor local
77.
Leitores do séculoXIX
• O número de pessoas alfabetizadas no Brasil
era muito pequeno;
• A leitura ocorria num ambiente doméstico, em
meio a afazeres tipicamente femininos , e era
feito em voz alta;
• Os leitores visados por essa literatura
sentimental eram, sobretudo as mulheres.
79.
O nacionalismo comoprojeto
• 1836 – início do
Romantismo no Brasil;
• Publicação de Suspiros
poéticos e saudades,
de Gonçalves de
Magalhães;
Gonçalves Dias
• Dimensãopoética ao tema do indígena;
• Cantou também os temas consagrados pelo
Romantismo europeu:
- Dores de amor;
- Saudade;
- Natureza.
82.
José de Alencar
•Romances sociais ou urbanos:
- Cinco minutos; A viuvinha; Lucíola; A pata e a
gazela; Sonhos d’ouro; Senhora; Encarnação.
• Romances regionalistas:
- O gaúcho; O tronco do ipê; Til; O sertanejo.
• Romances históricos:
- As minas de prata; A guerra dos mascates.
• Romances indianistas:
- Iracema; Ubirajara; O Guarani.
CARACTERÍSTICAS
• Assim comoem Portugal, a segunda geração
brasileira foi dominada pelo ultrarromantismo;
• Auge da tendência individualista e subjetiva;
• Desejo de morte;
• Solidão;
• Tédio;
• Melancolia;
• Visão trágica da existência;
• Pessimismo;
• Escapismo.