SlideShare uma empresa Scribd logo
Camões


         Corrente renascentista
Tema:
A despedida dos amantes; Saudade causada pela separação.



   O tema deste conhecido soneto é a separação
   (despedida) dos amantes numa madrugada
   simultaneamente “triste e leda”. Triste porque
   testemunha da grande dor que os domina, portanto,
   subjetivamente triste; e alegre, porque se trata do
   romper duma aurora “amena marchetada” de um
   dia radioso, portanto objetivamente, alegre.
Assunto:
A madrugada assiste, como simples espectadora, à despedida
dolorosa de duas almas que se amam. Ressalta a oposição
entre os planos objectivos e subjectivo – a madrugada,
enquadrada na sua beleza multicolor, assiste, impassível, à dor
lancinante de duas almas apaixonada que se despedem e que
possivelmente nunca mais se verão.
Divisão em partes lógicas


Aquela triste e leda madrugada,               •1ª. parte: O sujeito lírico anuncia o desejo de
cheia toda de mágoa e de piedade,             nunca mais ver esquecida a madrugada em
enquanto houver no mundo saudade,             que se deu a separação.
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada              •2ª. parte: Justificação do desejo expresso –
saía, dando ao mundo claridade,                recordar sempre essa madrugada porque foi
viu apartar-se d`ua outra vontade,             ela a única testemunha da separação.
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,                 •3ª. parte: Há uma concretização dos
que duns e doutros olhos derivadas,            fenómenos presenciados: a separação dos 2
s`acrescentaram em grande e largo rio;         amantes, as lágrimas em fio, as palavras
                                               magoadas.
Ela viu as palavras magoadas,
                                               Verifica-se, assim, um estruturação lógica das
que puderam tornar o fogo frio,
                                               ideias – há um percurso do mundo interior
e dar descanso as almas condenadas.
                                               para o mundo exterior, do mais geral para o
                                               mais particular.
Aquela triste e leda madrugada,             1º. Momento: constitui uma introdução, expõe
cheia toda de mágoa e de piedade,           a ideia geral de um eu: o poeta manifesta a
enquanto houver no mundo saudade,           vontade (“quero”) de que “aquela triste e leda
quero que seja sempre celebrada.            madrugada (…) seja sempre celebrada”;

Ela só, quando amena e marchetada            2º. Momento: justifica-se a necessidade da
saía, dando ao mundo claridade,              celebração dessa madrugada, correspondendo
viu apartar-se d`ua outra vontade,           cada uma dessas estrofes a um momento da
que nunca poderá ver-se apartada.            justificação. Cada um desses momentos é
                                             marcado, não só pela divisão estrófica, mas
Ela só viu as lágrimas em fio,               também pela repetição do pronome pessoal
que duns e doutros olhos derivadas,          “Ela”, referido à madrugada, personagem
s`acrescentaram em grande e largo rio;       principal e única testemunha (“viu”) daquela
                                             separação.
Ela viu as palavras magoadas,
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso as almas condenadas.
                                                         1º. momento       2º. momento
                                         SUJEITO         Poeta             Poeta
                                         OBJETO          Madrugada         Separação
                                                         triste e leda,    lágrimas em fio,
                                         DESCRIÇÃO DO
                                                         cheia de mágoa    palavras
                                         OBJETO
                                                         piedosa           magoadas
O sentimento predominante neste soneto é
                                         a tristeza provocada pela separação
                                         (sofrimento amoroso).
                                         Esse sofrimento foi testemunhado pela
Aquela triste e leda madrugada,          madrugada:
cheia toda de mágoa e de piedade,              -utilização do termo anafórico “Ela”,
enquanto houver no mundo saudade,              que substitui a palavra madrugada ao
quero que seja sempre celebrada.               longo do poema
                                               - a madrugada é personificada
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se d`ua outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
que duns e doutros olhos derivadas,
s`acrescentaram em grande e largo rio;

Ela viu as palavras magoadas,
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso as almas condenadas.
O soneto desenvolve o contraste entre a beleza da Natureza e a tristeza da despedida.
O tema das despedida dos apaixonados ao amanhecer é uma característica herdada das composições
medievais (albas).


A tristeza – devida à        Aquela triste e leda madrugada,
despedida;                   cheia toda de mágoa e de piedade,
A alegria – porque se        enquanto houver no mundo saudade,
anuncia um novo dia,         quero que seja sempre celebrada.
cheio de luz, cor e                                                         Os amantes, ainda que
movimento                    Ela só, quando amena e marchetada              separados fisicamente,
                             saía, dando ao mundo claridade,                estariam sempre unidos
                             viu apartar-se d`ua outra vontade,             pelo amor, porque
                             que nunca poderá ver-se apartada.              constituem uma «única
O sofrimento desumano,                                                      vontade».
acima do que é normal        Ela só viu as lágrimas em fio,
aguentar-se, maior do        que duns e doutros olhos derivadas,
que o próprio sofrimento     s`acrescentaram em grande e largo rio;
do inferno.
                             Ela viu as palavras magoadas,
                             que puderam tornar o fogo frio,
                             e dar descanso as almas condenadas.


O sofrimento veiculado por estas palavras era maior do que o dos condenados ao Inferno; por isso, até
as almas desses condenados se sentiriam aliviadas por verem outros sofrer ainda mais do que eles.
Aquela triste e leda madrugada,           Antítese        Perífrase
cheia toda de mágoa e de piedade,                                         Hipérbole
enquanto houver no mundo saudade,
                                          Metáfora          Anáfora
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada         Sinédoque      Personificação
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se d`ua outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.        Paradoxo - apartar-se dua outra vontade/
                                         que nunca poderá ver-se apartada;
Ela só viu as lágrimas em fio,
que duns e doutros olhos derivadas,      paradoxo, hipérbole, antítese – as
s`acrescentaram em grande e largo rio;   palavras magoadas/ que puderam tornar o
                                         fogo frio e dar descanso às almas
Ela viu as palavras magoadas,            condenadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso as almas condenadas.




   Adjectivação simples: "magoadas",       Adjectivação dupla: "triste e leda",
   "frio", "condenadas”                    "amena e marchetada".
Aquela triste e leda madrugada,          Este soneto é constituído por duas
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade,
                                         quadras e dois tercetos em metro
quero que seja sempre celebrada.         decassilábico,    com      esquema
                                         rimático, ABBA/ABBA/CDC/CDC,
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
                                         verificando-se a existência de rima
viu apartar-se d`ua outra vontade,       interpolada em A, emparelhada em
que nunca poderá ver-se apartada.        B e interpolada em CD.
Ela só viu as lágrimas em fio,
que duns e doutros olhos derivadas,
s`acrescentaram em grande e largo rio;

Ela viu as palavras magoadas,
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso as almas condenadas.
Disciplina: Português
Prof.ª: Helena Maria Coutinho

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraA formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serra
Helena Coutinho
 
Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97
Maria Teresa Soveral
 
Frei Luís de Sousa
Frei Luís de Sousa  Frei Luís de Sousa
Frei Luís de Sousa
CatarinaNeivas
 
Ceifeira
CeifeiraCeifeira
Estrutura do Sermão de Santo António aos Peixes
Estrutura do Sermão de Santo António aos PeixesEstrutura do Sermão de Santo António aos Peixes
Estrutura do Sermão de Santo António aos Peixes
António Fernandes
 
O dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereçaO dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereça
Helena Coutinho
 
Deíticos
DeíticosDeíticos
Deíticos
Paula Angelo
 
Poesia Trovadoresca - Resumo
Poesia Trovadoresca - ResumoPoesia Trovadoresca - Resumo
Poesia Trovadoresca - Resumo
Gijasilvelitz 2
 
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Alexandra Madail
 
As cantigas de amigo
As cantigas de amigoAs cantigas de amigo
As cantigas de amigo
Helena Coutinho
 
Análise do Poema - A Última Nau
Análise do Poema - A Última NauAnálise do Poema - A Última Nau
Análise do Poema - A Última Nau
Maria Freitas
 
Ondas do mar de vigo
Ondas do mar de vigoOndas do mar de vigo
Ondas do mar de vigo
Paula Oliveira Cruz
 
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
nanasimao
 
Cantigas de amor
Cantigas de amorCantigas de amor
Cantigas de amor
Helena Coutinho
 
Dedicatória
DedicatóriaDedicatória
Dedicatória
Maria Teresa Soveral
 
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicasFrei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Maria Rodrigues
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixes
AnaGomes40
 
Auto da Feira de Gil Vicente
Auto da Feira de Gil VicenteAuto da Feira de Gil Vicente
Auto da Feira de Gil Vicente
Gijasilvelitz 2
 
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Dina Baptista
 
Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)
Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)
Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)
lurdesmartins
 

Mais procurados (20)

A formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraA formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serra
 
Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97
 
Frei Luís de Sousa
Frei Luís de Sousa  Frei Luís de Sousa
Frei Luís de Sousa
 
Ceifeira
CeifeiraCeifeira
Ceifeira
 
Estrutura do Sermão de Santo António aos Peixes
Estrutura do Sermão de Santo António aos PeixesEstrutura do Sermão de Santo António aos Peixes
Estrutura do Sermão de Santo António aos Peixes
 
O dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereçaO dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereça
 
Deíticos
DeíticosDeíticos
Deíticos
 
Poesia Trovadoresca - Resumo
Poesia Trovadoresca - ResumoPoesia Trovadoresca - Resumo
Poesia Trovadoresca - Resumo
 
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
 
As cantigas de amigo
As cantigas de amigoAs cantigas de amigo
As cantigas de amigo
 
Análise do Poema - A Última Nau
Análise do Poema - A Última NauAnálise do Poema - A Última Nau
Análise do Poema - A Última Nau
 
Ondas do mar de vigo
Ondas do mar de vigoOndas do mar de vigo
Ondas do mar de vigo
 
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
 
Cantigas de amor
Cantigas de amorCantigas de amor
Cantigas de amor
 
Dedicatória
DedicatóriaDedicatória
Dedicatória
 
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicasFrei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixes
 
Auto da Feira de Gil Vicente
Auto da Feira de Gil VicenteAuto da Feira de Gil Vicente
Auto da Feira de Gil Vicente
 
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)
 
Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)
Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)
Os Lusíadas - epopeia e estrutura (revisões)
 

Semelhante a Aquela triste e leda madrugada

Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))
Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))
Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))
HizqeelMajoka
 
Sonetos de camões
Sonetos de camões Sonetos de camões
Sonetos de camões
TVUERJ
 
Folhas em versos
Folhas em versosFolhas em versos
Folhas em versos
Luciano Cordier
 
Análise de poemas
Análise de poemasAnálise de poemas
Análise de poemas
Ana Clara San
 
Feras da Poetica
Feras da PoeticaFeras da Poetica
Feras da Poetica
Luna Di Primo
 
O fim
O fimO fim
Antologia Poética de Vinicius de Moraes
Antologia Poética de Vinicius de MoraesAntologia Poética de Vinicius de Moraes
Antologia Poética de Vinicius de Moraes
Cristiane Franz
 
RIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptxRIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptx
AnabelaMoiteiro
 
RIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptxRIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptx
AnabelaMoiteiro
 
Antologia poética
Antologia poéticaAntologia poética
Antologia poética
Cesarina Sousa
 
Coletânea: A Estirpe do Barão
Coletânea: A Estirpe do BarãoColetânea: A Estirpe do Barão
Coletânea: A Estirpe do Barão
CondadoLiterata
 
O Eu profundo e os outros Eus Fernando Pessoa
O Eu profundo e os outros Eus   Fernando PessoaO Eu profundo e os outros Eus   Fernando Pessoa
O Eu profundo e os outros Eus Fernando Pessoa
Zanah
 
8
88
Alma Inquieta
Alma InquietaAlma Inquieta
Alma Inquieta
elibs_brasil
 
Mestresda poesiapps
Mestresda poesiappsMestresda poesiapps
Mestresda poesiapps
Ariana Martins
 
Unic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsf
Unic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsfUnic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsf
Unic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsf
Welington Fernandes
 
Florbela Espanca
Florbela Espanca Florbela Espanca
Florbela Espanca
Davi Lima
 
Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino SchneiderPoemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Renata Bomfim
 
Poetas e poesia
Poetas e poesiaPoetas e poesia
Poetas e poesia
Sandrine Saraiva
 
POETAS E POESIA
POETAS E POESIAPOETAS E POESIA
POETAS E POESIA
Washington Ferreira
 

Semelhante a Aquela triste e leda madrugada (20)

Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))
Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))
Trabalho sobre (Aquela triste e leda madrugada de Luís de camões ( análise ))
 
Sonetos de camões
Sonetos de camões Sonetos de camões
Sonetos de camões
 
Folhas em versos
Folhas em versosFolhas em versos
Folhas em versos
 
Análise de poemas
Análise de poemasAnálise de poemas
Análise de poemas
 
Feras da Poetica
Feras da PoeticaFeras da Poetica
Feras da Poetica
 
O fim
O fimO fim
O fim
 
Antologia Poética de Vinicius de Moraes
Antologia Poética de Vinicius de MoraesAntologia Poética de Vinicius de Moraes
Antologia Poética de Vinicius de Moraes
 
RIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptxRIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptx
 
RIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptxRIMAS Camões.pptx
RIMAS Camões.pptx
 
Antologia poética
Antologia poéticaAntologia poética
Antologia poética
 
Coletânea: A Estirpe do Barão
Coletânea: A Estirpe do BarãoColetânea: A Estirpe do Barão
Coletânea: A Estirpe do Barão
 
O Eu profundo e os outros Eus Fernando Pessoa
O Eu profundo e os outros Eus   Fernando PessoaO Eu profundo e os outros Eus   Fernando Pessoa
O Eu profundo e os outros Eus Fernando Pessoa
 
8
88
8
 
Alma Inquieta
Alma InquietaAlma Inquieta
Alma Inquieta
 
Mestresda poesiapps
Mestresda poesiappsMestresda poesiapps
Mestresda poesiapps
 
Unic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsf
Unic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsfUnic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsf
Unic 01 - camoes sonetos-2018-pr wsf
 
Florbela Espanca
Florbela Espanca Florbela Espanca
Florbela Espanca
 
Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino SchneiderPoemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
 
Poetas e poesia
Poetas e poesiaPoetas e poesia
Poetas e poesia
 
POETAS E POESIA
POETAS E POESIAPOETAS E POESIA
POETAS E POESIA
 

Mais de Helena Coutinho

. Maias simplificado
. Maias simplificado. Maias simplificado
. Maias simplificado
Helena Coutinho
 
Santo antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhanças
Santo antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhançasSanto antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhanças
Santo antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhanças
Helena Coutinho
 
Relato hagiografico
Relato hagiograficoRelato hagiografico
Relato hagiografico
Helena Coutinho
 
P.ant vieira bio
P.ant vieira bioP.ant vieira bio
P.ant vieira bio
Helena Coutinho
 
Epígrafe sermao
Epígrafe sermaoEpígrafe sermao
Epígrafe sermao
Helena Coutinho
 
Cap vi
Cap viCap vi
Cap v repreensões particular
Cap v repreensões particularCap v repreensões particular
Cap v repreensões particular
Helena Coutinho
 
Cap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralCap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geral
Helena Coutinho
 
Cap iii louvores particular
Cap iii louvores particularCap iii louvores particular
Cap iii louvores particular
Helena Coutinho
 
Cap ii louvores geral
Cap ii louvores geralCap ii louvores geral
Cap ii louvores geral
Helena Coutinho
 
1. introd e estrutura
1. introd e estrutura1. introd e estrutura
1. introd e estrutura
Helena Coutinho
 
Contexto histórico padre antónio vieira
Contexto histórico padre antónio vieiraContexto histórico padre antónio vieira
Contexto histórico padre antónio vieira
Helena Coutinho
 
. O texto dramático
. O texto dramático. O texto dramático
. O texto dramático
Helena Coutinho
 
. Batalha de alcácer quibir
. Batalha de alcácer quibir. Batalha de alcácer quibir
. Batalha de alcácer quibir
Helena Coutinho
 
Fls figuras reais
Fls figuras reaisFls figuras reais
Fls figuras reais
Helena Coutinho
 
. Enredo
. Enredo. Enredo
. Enredo
Helena Coutinho
 
. A obra e o contexto
. A obra e o contexto. A obra e o contexto
. A obra e o contexto
Helena Coutinho
 
Ondados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzenteOndados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzente
Helena Coutinho
 
Sete anos de pastor jacob servia
Sete anos de pastor jacob serviaSete anos de pastor jacob servia
Sete anos de pastor jacob servia
Helena Coutinho
 
Oh! como se me alonga, de ano em ano
Oh! como se me alonga, de ano em anoOh! como se me alonga, de ano em ano
Oh! como se me alonga, de ano em ano
Helena Coutinho
 

Mais de Helena Coutinho (20)

. Maias simplificado
. Maias simplificado. Maias simplificado
. Maias simplificado
 
Santo antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhanças
Santo antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhançasSanto antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhanças
Santo antónio e padre antónio vieira – diferenças e semelhanças
 
Relato hagiografico
Relato hagiograficoRelato hagiografico
Relato hagiografico
 
P.ant vieira bio
P.ant vieira bioP.ant vieira bio
P.ant vieira bio
 
Epígrafe sermao
Epígrafe sermaoEpígrafe sermao
Epígrafe sermao
 
Cap vi
Cap viCap vi
Cap vi
 
Cap v repreensões particular
Cap v repreensões particularCap v repreensões particular
Cap v repreensões particular
 
Cap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralCap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geral
 
Cap iii louvores particular
Cap iii louvores particularCap iii louvores particular
Cap iii louvores particular
 
Cap ii louvores geral
Cap ii louvores geralCap ii louvores geral
Cap ii louvores geral
 
1. introd e estrutura
1. introd e estrutura1. introd e estrutura
1. introd e estrutura
 
Contexto histórico padre antónio vieira
Contexto histórico padre antónio vieiraContexto histórico padre antónio vieira
Contexto histórico padre antónio vieira
 
. O texto dramático
. O texto dramático. O texto dramático
. O texto dramático
 
. Batalha de alcácer quibir
. Batalha de alcácer quibir. Batalha de alcácer quibir
. Batalha de alcácer quibir
 
Fls figuras reais
Fls figuras reaisFls figuras reais
Fls figuras reais
 
. Enredo
. Enredo. Enredo
. Enredo
 
. A obra e o contexto
. A obra e o contexto. A obra e o contexto
. A obra e o contexto
 
Ondados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzenteOndados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzente
 
Sete anos de pastor jacob servia
Sete anos de pastor jacob serviaSete anos de pastor jacob servia
Sete anos de pastor jacob servia
 
Oh! como se me alonga, de ano em ano
Oh! como se me alonga, de ano em anoOh! como se me alonga, de ano em ano
Oh! como se me alonga, de ano em ano
 

Último

Atpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptx
Atpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptxAtpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptx
Atpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptx
joaresmonte3
 
TREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptx
TREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptxTREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptx
TREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptx
erssstcontato
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
joseanesouza36
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
AurelianoFerreirades2
 
Slides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptxSlides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..
cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..
cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..
MatheusSousa716350
 
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua PortuguesaD20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
eaiprofpolly
 
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
MarcosPaulo777883
 
Resumo de Química 10º ano Estudo exames nacionais
Resumo de Química 10º ano Estudo exames nacionaisResumo de Química 10º ano Estudo exames nacionais
Resumo de Química 10º ano Estudo exames nacionais
beatrizsilva525654
 
Trabalho de Geografia industrialização.pdf
Trabalho de Geografia industrialização.pdfTrabalho de Geografia industrialização.pdf
Trabalho de Geografia industrialização.pdf
erico paulo rocha guedes
 
Slide de biologia aula2 2 bimestre no ano de 2024
Slide de biologia aula2  2 bimestre no ano de 2024Slide de biologia aula2  2 bimestre no ano de 2024
Slide de biologia aula2 2 bimestre no ano de 2024
vinibolado86
 
FUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.ppt
FUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.pptFUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.ppt
FUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.ppt
MarceloMonteiro213738
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Professor Belinaso
 
slides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentarslides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentar
JoeteCarvalho
 
A SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIAS
A SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIASA SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIAS
A SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIAS
HisrelBlog
 
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdfUFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
Manuais Formação
 
A Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....ppt
A Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....pptA Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....ppt
A Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....ppt
WilianeBarbosa2
 
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptxRedação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
DECIOMAURINARAMOS
 
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
Mary Alvarenga
 
Slides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptx
Slides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptxSlides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptx
Slides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 

Último (20)

Atpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptx
Atpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptxAtpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptx
Atpcg PEI Rev Irineu GESTÃO DE SALA DE AULA.pptx
 
TREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptx
TREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptxTREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptx
TREINAMENTO DE BRIGADA DE INCENDIO BRIGADA CCB 2023.pptx
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
 
Slides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptxSlides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, CPAD, A Bendita Esperança, A Marca do Cristão, 2Tr24.pptx
 
cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..
cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..
cidadas 5° ano - ensino fundamental 2 ..
 
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua PortuguesaD20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
 
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
 
Resumo de Química 10º ano Estudo exames nacionais
Resumo de Química 10º ano Estudo exames nacionaisResumo de Química 10º ano Estudo exames nacionais
Resumo de Química 10º ano Estudo exames nacionais
 
Trabalho de Geografia industrialização.pdf
Trabalho de Geografia industrialização.pdfTrabalho de Geografia industrialização.pdf
Trabalho de Geografia industrialização.pdf
 
Slide de biologia aula2 2 bimestre no ano de 2024
Slide de biologia aula2  2 bimestre no ano de 2024Slide de biologia aula2  2 bimestre no ano de 2024
Slide de biologia aula2 2 bimestre no ano de 2024
 
FUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.ppt
FUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.pptFUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.ppt
FUNCAO EQUAÇÃO DO 2° GRAU SLIDES AULA 1.ppt
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
 
slides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentarslides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentar
 
A SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIAS
A SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIASA SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIAS
A SOCIOLOGIA E O TRABALHO: ANÁLISES E VIVÊNCIAS
 
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdfUFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
 
A Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....ppt
A Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....pptA Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....ppt
A Núbia e o Reino De Cuxe- 6º ano....ppt
 
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptxRedação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
 
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
 
Slides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptx
Slides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptxSlides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptx
Slides Lição 12, Central Gospel, O Milênio, 1Tr24, Pr Henrique.pptx
 

Aquela triste e leda madrugada

  • 1. Camões Corrente renascentista
  • 2.
  • 3. Tema: A despedida dos amantes; Saudade causada pela separação. O tema deste conhecido soneto é a separação (despedida) dos amantes numa madrugada simultaneamente “triste e leda”. Triste porque testemunha da grande dor que os domina, portanto, subjetivamente triste; e alegre, porque se trata do romper duma aurora “amena marchetada” de um dia radioso, portanto objetivamente, alegre.
  • 4. Assunto: A madrugada assiste, como simples espectadora, à despedida dolorosa de duas almas que se amam. Ressalta a oposição entre os planos objectivos e subjectivo – a madrugada, enquadrada na sua beleza multicolor, assiste, impassível, à dor lancinante de duas almas apaixonada que se despedem e que possivelmente nunca mais se verão.
  • 5. Divisão em partes lógicas Aquela triste e leda madrugada, •1ª. parte: O sujeito lírico anuncia o desejo de cheia toda de mágoa e de piedade, nunca mais ver esquecida a madrugada em enquanto houver no mundo saudade, que se deu a separação. quero que seja sempre celebrada. Ela só, quando amena e marchetada •2ª. parte: Justificação do desejo expresso – saía, dando ao mundo claridade, recordar sempre essa madrugada porque foi viu apartar-se d`ua outra vontade, ela a única testemunha da separação. que nunca poderá ver-se apartada. Ela só viu as lágrimas em fio, •3ª. parte: Há uma concretização dos que duns e doutros olhos derivadas, fenómenos presenciados: a separação dos 2 s`acrescentaram em grande e largo rio; amantes, as lágrimas em fio, as palavras magoadas. Ela viu as palavras magoadas, Verifica-se, assim, um estruturação lógica das que puderam tornar o fogo frio, ideias – há um percurso do mundo interior e dar descanso as almas condenadas. para o mundo exterior, do mais geral para o mais particular.
  • 6. Aquela triste e leda madrugada, 1º. Momento: constitui uma introdução, expõe cheia toda de mágoa e de piedade, a ideia geral de um eu: o poeta manifesta a enquanto houver no mundo saudade, vontade (“quero”) de que “aquela triste e leda quero que seja sempre celebrada. madrugada (…) seja sempre celebrada”; Ela só, quando amena e marchetada 2º. Momento: justifica-se a necessidade da saía, dando ao mundo claridade, celebração dessa madrugada, correspondendo viu apartar-se d`ua outra vontade, cada uma dessas estrofes a um momento da que nunca poderá ver-se apartada. justificação. Cada um desses momentos é marcado, não só pela divisão estrófica, mas Ela só viu as lágrimas em fio, também pela repetição do pronome pessoal que duns e doutros olhos derivadas, “Ela”, referido à madrugada, personagem s`acrescentaram em grande e largo rio; principal e única testemunha (“viu”) daquela separação. Ela viu as palavras magoadas, que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso as almas condenadas. 1º. momento 2º. momento SUJEITO Poeta Poeta OBJETO Madrugada Separação triste e leda, lágrimas em fio, DESCRIÇÃO DO cheia de mágoa palavras OBJETO piedosa magoadas
  • 7. O sentimento predominante neste soneto é a tristeza provocada pela separação (sofrimento amoroso). Esse sofrimento foi testemunhado pela Aquela triste e leda madrugada, madrugada: cheia toda de mágoa e de piedade, -utilização do termo anafórico “Ela”, enquanto houver no mundo saudade, que substitui a palavra madrugada ao quero que seja sempre celebrada. longo do poema - a madrugada é personificada Ela só, quando amena e marchetada saía, dando ao mundo claridade, viu apartar-se d`ua outra vontade, que nunca poderá ver-se apartada. Ela só viu as lágrimas em fio, que duns e doutros olhos derivadas, s`acrescentaram em grande e largo rio; Ela viu as palavras magoadas, que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso as almas condenadas.
  • 8. O soneto desenvolve o contraste entre a beleza da Natureza e a tristeza da despedida. O tema das despedida dos apaixonados ao amanhecer é uma característica herdada das composições medievais (albas). A tristeza – devida à Aquela triste e leda madrugada, despedida; cheia toda de mágoa e de piedade, A alegria – porque se enquanto houver no mundo saudade, anuncia um novo dia, quero que seja sempre celebrada. cheio de luz, cor e Os amantes, ainda que movimento Ela só, quando amena e marchetada separados fisicamente, saía, dando ao mundo claridade, estariam sempre unidos viu apartar-se d`ua outra vontade, pelo amor, porque que nunca poderá ver-se apartada. constituem uma «única O sofrimento desumano, vontade». acima do que é normal Ela só viu as lágrimas em fio, aguentar-se, maior do que duns e doutros olhos derivadas, que o próprio sofrimento s`acrescentaram em grande e largo rio; do inferno. Ela viu as palavras magoadas, que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso as almas condenadas. O sofrimento veiculado por estas palavras era maior do que o dos condenados ao Inferno; por isso, até as almas desses condenados se sentiriam aliviadas por verem outros sofrer ainda mais do que eles.
  • 9. Aquela triste e leda madrugada, Antítese Perífrase cheia toda de mágoa e de piedade, Hipérbole enquanto houver no mundo saudade, Metáfora Anáfora quero que seja sempre celebrada. Ela só, quando amena e marchetada Sinédoque Personificação saía, dando ao mundo claridade, viu apartar-se d`ua outra vontade, que nunca poderá ver-se apartada. Paradoxo - apartar-se dua outra vontade/ que nunca poderá ver-se apartada; Ela só viu as lágrimas em fio, que duns e doutros olhos derivadas, paradoxo, hipérbole, antítese – as s`acrescentaram em grande e largo rio; palavras magoadas/ que puderam tornar o fogo frio e dar descanso às almas Ela viu as palavras magoadas, condenadas que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso as almas condenadas. Adjectivação simples: "magoadas", Adjectivação dupla: "triste e leda", "frio", "condenadas” "amena e marchetada".
  • 10. Aquela triste e leda madrugada, Este soneto é constituído por duas cheia toda de mágoa e de piedade, enquanto houver no mundo saudade, quadras e dois tercetos em metro quero que seja sempre celebrada. decassilábico, com esquema rimático, ABBA/ABBA/CDC/CDC, Ela só, quando amena e marchetada saía, dando ao mundo claridade, verificando-se a existência de rima viu apartar-se d`ua outra vontade, interpolada em A, emparelhada em que nunca poderá ver-se apartada. B e interpolada em CD. Ela só viu as lágrimas em fio, que duns e doutros olhos derivadas, s`acrescentaram em grande e largo rio; Ela viu as palavras magoadas, que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso as almas condenadas.