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OCEANO
NOX
ANTERO DE QUENTAL
Prof.ª Cátia Ramalhinho
OCEANO NOX - Antero de Quental
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
OCEANO NOX - Antero de Quental
Estrutura externa | Soneto
• 2 quadras e 2 tercetos
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• 1.ª estrofe: ABBA
• 2.ª estrofe: ABBA
• 3.ª estrofe: CCD
• 4.ª estrofe: EED
• Rimas interpoladas e emparelhadas
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Junto do mar, que erguia gravemente
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Passava como o voo dum pensamento
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Junto do mar sentei-me tristemente,
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OCEANO NOX - Antero de Quental
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Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
Estrutura interna
• 1.ª parte - Versos 1-6 [Auscultação]
• O sujeito poético senta-se junto ao mar, ouve
a sua «trágica voz rouca», e olha «o céu
pesado e nevoento»
• 2.ª parte - Versos 7-11 [Interpelação]
• O sujeito poético interroga «os seres
elementares» da Natureza
• 3.ª parte - Versos 12-14 [Incomunicabilidade]
• O sujeito poético escuta os bramidos da
Natureza, sem colher as respostas que
procura para a sua inquietude
OCEANO NOX - Antero de Quental
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
Aspetos temáticos / topoi literários
• Mar revolto  Noite escura > Locus horribilis
• Indagação da Natureza [seres elementares / força
transcendente]
• Procura de sentido para a vida
• Busca de respostas para as incertezas
• Mudez da Natureza > Ausência de respostas
• Identificação entre a Natureza e o estado de
espírito do sujeito poético
• Angústia
• Inquietude
• Solidão
OCEANO NOX - Antero de Quental
Junto do mar, que erguia gravemente
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Recursos expressivos - exemplos
• Anáfora
«Junto do mar […] / Junto do mar […]»
• Personificação
«trágica voz rouca»
• Comparação
«como o voo dum pensamento»
• Adjetivação
«inquieto e intermitente»
«pesado e nevoento»
• Apóstrofe
«Seres elementares, força obscura»
• Enumeração
«Um bramido, um queixume, e nada mais…»
OCEANO NOX - Antero de Quental
«Antero indaga o Céu em busca de resposta, e só encontra o Nada.
Ao sentimento dilacerante de que o equilíbrio é já impossível,
soma-se agora o duma catastrófica solidão íntima ecoando a
profunda mudez cósmica, como se pode ver no "Oceano Nox".»
Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa, São Paulo, Editora Cultrix, 1985 (21.ª ed.)
INTERTEXTO 1 O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
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O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
chorando, o nome amado em vão nomeia,
que não pode ser mais que nomeado:
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torna-me a minha Ninfa, que tão cedo
me fizestes à morte estar sujeita.
Ninguém lhe fala; o mar de longe bate,
move-se brandamente o arvoredo;
leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.
Luís de Camões
INTERTEXTO 2
O céu, de opacas sombras abafado,
Tornando mais medonha a noite feia; Mugindo sobre
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Desfeito em furacões o vento irado;
Pelos ares zunindo a solta areia;
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No agoireiro cipreste além pousado,
Formam quadro terrível, mas aceito,
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Orientação Técnico-Pedagógica EMBcae Nº 001, de 16 de abril de 2024
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OCEANO NOX_Análise.ppsx

  • 2. OCEANO NOX - Antero de Quental Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo dum pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais...
  • 3. OCEANO NOX - Antero de Quental Estrutura externa | Soneto • 2 quadras e 2 tercetos • 14 versos, predominantemente decassilábicos • Esquema rimático • 1.ª estrofe: ABBA • 2.ª estrofe: ABBA • 3.ª estrofe: CCD • 4.ª estrofe: EED • Rimas interpoladas e emparelhadas • Última estrofe: chave de ouro > conclusão do poema Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo dum pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais...
  • 4. OCEANO NOX - Antero de Quental Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo dum pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais... Estrutura interna • 1.ª parte - Versos 1-6 [Auscultação] • O sujeito poético senta-se junto ao mar, ouve a sua «trágica voz rouca», e olha «o céu pesado e nevoento» • 2.ª parte - Versos 7-11 [Interpelação] • O sujeito poético interroga «os seres elementares» da Natureza • 3.ª parte - Versos 12-14 [Incomunicabilidade] • O sujeito poético escuta os bramidos da Natureza, sem colher as respostas que procura para a sua inquietude
  • 5. OCEANO NOX - Antero de Quental Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo dum pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais... Aspetos temáticos / topoi literários • Mar revolto  Noite escura > Locus horribilis • Indagação da Natureza [seres elementares / força transcendente] • Procura de sentido para a vida • Busca de respostas para as incertezas • Mudez da Natureza > Ausência de respostas • Identificação entre a Natureza e o estado de espírito do sujeito poético • Angústia • Inquietude • Solidão
  • 6. OCEANO NOX - Antero de Quental Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o voo dum pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente, Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente... Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que ideia gravitais? Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais... Recursos expressivos - exemplos • Anáfora «Junto do mar […] / Junto do mar […]» • Personificação «trágica voz rouca» • Comparação «como o voo dum pensamento» • Adjetivação «inquieto e intermitente» «pesado e nevoento» • Apóstrofe «Seres elementares, força obscura» • Enumeração «Um bramido, um queixume, e nada mais…»
  • 7. OCEANO NOX - Antero de Quental «Antero indaga o Céu em busca de resposta, e só encontra o Nada. Ao sentimento dilacerante de que o equilíbrio é já impossível, soma-se agora o duma catastrófica solidão íntima ecoando a profunda mudez cósmica, como se pode ver no "Oceano Nox".» Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa, São Paulo, Editora Cultrix, 1985 (21.ª ed.)
  • 8. INTERTEXTO 1 O céu, a terra, o vento sossegado... As ondas, que se estendem pela areia... Os peixes, que no mar o sono enfreia... O nocturno silêncio repousado... O pescador Aónio, que, deitado onde co vento a água se meneia, chorando, o nome amado em vão nomeia, que não pode ser mais que nomeado: – Ondas (dezia), antes que Amor me mate, torna-me a minha Ninfa, que tão cedo me fizestes à morte estar sujeita. Ninguém lhe fala; o mar de longe bate, move-se brandamente o arvoredo; leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita. Luís de Camões
  • 9. INTERTEXTO 2 O céu, de opacas sombras abafado, Tornando mais medonha a noite feia; Mugindo sobre as rochas, que salteia, O mar, em crespos montes levantado; Desfeito em furacões o vento irado; Pelos ares zunindo a solta areia; O pássaro nocturno, que vozeia No agoireiro cipreste além pousado, Formam quadro terrível, mas aceito, Mas grato aos olhos meus, grato à fereza Do ciúme e saudade, a que ando afeito. Quer no horror igualar-me a Natureza; Porém cansa-se em vão, que no meu peito Há mais escuridade, há mais tristeza. Bocage