fermosura = formosura, beleza desterra = exila, afasta outeiros = pequenos montes derradeiros = últimos ofrece = oferece avorrece = aborrece mores = maiores mor = maior
ABORRESCERE, 'afastar-se de' avorrecer (via popular) aborrecer (via erudita)
MAIOREM mor (via popular)  maior (via erudita)
via «popular» via erudita ou cultismo & Camões palavras «divergentes»
A fermosura desta fresca serra, e a sombra dos verdes castanheiros, o manso caminhar destes ribeiros, donde toda a tristeza se desterra;
o rouco som do mar, a estranha terra, o esconder do sol pelos outeiros, o recolher dos gados derradeiros, das nuvens pelo ar a branda guerra;
enfim, tudo o que a rara natureza  com tanta variedade nos ofrece, me está (se não te vejo) magoando.
Sem ti, tudo me enoja e m' avorrece; sem ti, perpetuamente estou passando  nas mores alegrias, mor tristeza.
pílula / *pírula / dissimilação / evita-se a semelhança que havia entre dois sons. Neste caso particular, um dos LL modificou-se em  R .
fizeram-lo / fizeram -no  /  assimilação  / o pronome ( lo ) passa a ligar-se por uma consoante nasal ( n ), porque assim se aproxima do som nasal da última sílaba do verbo.
festra  (arc.)  (<fenestra) /  fresta  / metátese/houve a transposição da consoante  r  da segunda para a primeira sílaba (há uma metátese quando um som muda o seu lugar dentro da palavra).
crudu / cruu  (arc.)  /  síncope  /síncope é a perda de um som a meio da palavra. Neste caso, uma consoante que havia na palavra latina «crudu», -d-, desapareceu na palavra portuguesa arcaica «cruu» (que aliás, depois, ainda evoluiria para «cru»).
a + a; a + as / à; às/  crase  /a contracção da preposição «a» com o  artigo  definido «a» e «as» é a crase mais frequente.
tio / *tiu / sinérese / tal como a crase, a sinérese também contrai duas  vogais , só que tornando as duas vogais num ditongo (neste caso:  i-o  >  iu ).
sic / si  (arc.)  /  apócope  / apócope é a perda de um som ou sílaba finais. No exemplo, a palavra latina «sic» veio a dar «si» (que, depois, evoluiu para  sim ).
Alandroal / *Landroal /aférese / aférese é a perda dos sons do  início  de uma palavra.
você / cê /  aférese  / esta pronúncia pode acontecer no português do Brasil.
portanto / *ptanto /  síncope  / o autarca que ouvimos não pronunciava um som a meio da palavra.
precisamente / *samente /  aférese  / o médico que ouvimos omitia o início do advérbio.
ignorante  / *iguinorante / epêntese/a epêntese é o desenvolvimento de um som a meio da palavra. Neste caso, a vogal inserida,  i , desfez um grupo que não é natural no português,  gn , criando uma sequência mais conforme ao nosso padrão (este tipo de epênteses é comum no português do Brasil).
pneu / *peneu /  epêntese  / de novo um grupo de consoantes demasiado erudito (-PN-) a ser desfeito pela inserção de uma vogal (em Portugal, produzimos um  e ; os brasileiros podem inserir um  i  [*pineu]).
Skip / *cequipe /  epêntese  / assim estava escrito num supermercado. Quem escreveu mal inseria um som vocálico entre [s] e [k].
sexo  / *cequisso (no pg. do Brasil) / epêntese / aqui o par de consoantes desfeito foi o que existia escondido na letra <x>, os sons  ks .
sport  (ingl.)  / esporte /  prótese  / o desenvolvimento de um som no início da palavra é uma prótese. Os brasileiros costumam fazer esta adaptação aos seus empréstimos começados por  s-  seguido de consoante ( snob  >  esnobe ), enquanto em Portugal é mais comum a manutenção da sequência estrangeira ( snob ).
mora / amora /  prótese  / a palavra portuguesa que descendeu da palavra latina  mora  tem um som inicial que não havia no seu étimo.
alguidar / *alguidare /  paragoge  / a paragoge é o desenvolvimento de som no final da palavra. É comum, por exemplo, na pronúncia alentejana.
estar /  *tar  /  aférese  / no português europeu, a não ser em situações formais, raramente dizemos a primeira sílaba das formas do verbo «estar» (na escrita temos de ter cuidado!).
ski  (ingl.)  / esqui /  prótese  / na adaptação do anglicismo ao português acrescentou-se um som no  início  da palavra.
adição  (inserção de sons) no princípio:  prótese no meio:    epêntese no final:  paragoge
supressão  (perda de sons) no princípio:  aférese no meio:  síncope no final:  apócope
alteração (mudança de sons) aproximação a um som vizinho:  assimilação diferenciação relativamente a um som vizinho:  dissimilação contracção de duas vogais numa só:  crase contracção de duas vogais num ditongo:  sinérese
transposição passagem de um som para outro ponto da palavra:  metátese
 
TPC   — Escreve uma carta suscetível de concorrer ao concurso «A melhor carta».  O essencial da indicação é: « Escreve uma carta a um atleta ou figura desportiva que admires, contando o que pensas dos Jogos Olímpicos ».  Cumpre o género ‘carta’,  500 a 1000 palavras  (por mim, preferiria mais perto das quinhentas do que das mil, mas apostando mais na originalidade e na revisão).
Podes trazer-me a carta  à mão ou a computador , embora, para efeitos depois de envio eventual aos CTT/ANACOM, me pareça conveniente a escrita em computador.

Apresentação para décimo ano de 2011 2, aula 36

  • 1.
  • 2.
    fermosura = formosura,beleza desterra = exila, afasta outeiros = pequenos montes derradeiros = últimos ofrece = oferece avorrece = aborrece mores = maiores mor = maior
  • 3.
    ABORRESCERE, 'afastar-se de'avorrecer (via popular) aborrecer (via erudita)
  • 4.
    MAIOREM mor (viapopular) maior (via erudita)
  • 5.
    via «popular» viaerudita ou cultismo & Camões palavras «divergentes»
  • 6.
    A fermosura destafresca serra, e a sombra dos verdes castanheiros, o manso caminhar destes ribeiros, donde toda a tristeza se desterra;
  • 7.
    o rouco somdo mar, a estranha terra, o esconder do sol pelos outeiros, o recolher dos gados derradeiros, das nuvens pelo ar a branda guerra;
  • 8.
    enfim, tudo oque a rara natureza com tanta variedade nos ofrece, me está (se não te vejo) magoando.
  • 9.
    Sem ti, tudome enoja e m' avorrece; sem ti, perpetuamente estou passando nas mores alegrias, mor tristeza.
  • 10.
    pílula / *pírula/ dissimilação / evita-se a semelhança que havia entre dois sons. Neste caso particular, um dos LL modificou-se em R .
  • 11.
    fizeram-lo / fizeram-no / assimilação / o pronome ( lo ) passa a ligar-se por uma consoante nasal ( n ), porque assim se aproxima do som nasal da última sílaba do verbo.
  • 12.
    festra (arc.) (<fenestra) / fresta / metátese/houve a transposição da consoante r da segunda para a primeira sílaba (há uma metátese quando um som muda o seu lugar dentro da palavra).
  • 13.
    crudu / cruu (arc.) / síncope /síncope é a perda de um som a meio da palavra. Neste caso, uma consoante que havia na palavra latina «crudu», -d-, desapareceu na palavra portuguesa arcaica «cruu» (que aliás, depois, ainda evoluiria para «cru»).
  • 14.
    a + a;a + as / à; às/ crase /a contracção da preposição «a» com o artigo definido «a» e «as» é a crase mais frequente.
  • 15.
    tio / *tiu/ sinérese / tal como a crase, a sinérese também contrai duas vogais , só que tornando as duas vogais num ditongo (neste caso: i-o > iu ).
  • 16.
    sic / si (arc.) / apócope / apócope é a perda de um som ou sílaba finais. No exemplo, a palavra latina «sic» veio a dar «si» (que, depois, evoluiu para sim ).
  • 17.
    Alandroal / *Landroal/aférese / aférese é a perda dos sons do início de uma palavra.
  • 18.
    você / cê/ aférese / esta pronúncia pode acontecer no português do Brasil.
  • 19.
    portanto / *ptanto/ síncope / o autarca que ouvimos não pronunciava um som a meio da palavra.
  • 20.
    precisamente / *samente/ aférese / o médico que ouvimos omitia o início do advérbio.
  • 21.
    ignorante /*iguinorante / epêntese/a epêntese é o desenvolvimento de um som a meio da palavra. Neste caso, a vogal inserida, i , desfez um grupo que não é natural no português, gn , criando uma sequência mais conforme ao nosso padrão (este tipo de epênteses é comum no português do Brasil).
  • 22.
    pneu / *peneu/ epêntese / de novo um grupo de consoantes demasiado erudito (-PN-) a ser desfeito pela inserção de uma vogal (em Portugal, produzimos um e ; os brasileiros podem inserir um i [*pineu]).
  • 23.
    Skip / *cequipe/ epêntese / assim estava escrito num supermercado. Quem escreveu mal inseria um som vocálico entre [s] e [k].
  • 24.
    sexo /*cequisso (no pg. do Brasil) / epêntese / aqui o par de consoantes desfeito foi o que existia escondido na letra <x>, os sons ks .
  • 25.
    sport (ingl.) / esporte / prótese / o desenvolvimento de um som no início da palavra é uma prótese. Os brasileiros costumam fazer esta adaptação aos seus empréstimos começados por s- seguido de consoante ( snob > esnobe ), enquanto em Portugal é mais comum a manutenção da sequência estrangeira ( snob ).
  • 26.
    mora / amora/ prótese / a palavra portuguesa que descendeu da palavra latina mora tem um som inicial que não havia no seu étimo.
  • 27.
    alguidar / *alguidare/ paragoge / a paragoge é o desenvolvimento de som no final da palavra. É comum, por exemplo, na pronúncia alentejana.
  • 28.
    estar / *tar / aférese / no português europeu, a não ser em situações formais, raramente dizemos a primeira sílaba das formas do verbo «estar» (na escrita temos de ter cuidado!).
  • 29.
    ski (ingl.) / esqui / prótese / na adaptação do anglicismo ao português acrescentou-se um som no início da palavra.
  • 30.
    adição (inserçãode sons) no princípio: prótese no meio: epêntese no final: paragoge
  • 31.
    supressão (perdade sons) no princípio: aférese no meio: síncope no final: apócope
  • 32.
    alteração (mudança desons) aproximação a um som vizinho: assimilação diferenciação relativamente a um som vizinho: dissimilação contracção de duas vogais numa só: crase contracção de duas vogais num ditongo: sinérese
  • 33.
    transposição passagem deum som para outro ponto da palavra: metátese
  • 34.
  • 35.
    TPC — Escreve uma carta suscetível de concorrer ao concurso «A melhor carta». O essencial da indicação é: « Escreve uma carta a um atleta ou figura desportiva que admires, contando o que pensas dos Jogos Olímpicos ». Cumpre o género ‘carta’, 500 a 1000 palavras (por mim, preferiria mais perto das quinhentas do que das mil, mas apostando mais na originalidade e na revisão).
  • 36.
    Podes trazer-me acarta à mão ou a computador , embora, para efeitos depois de envio eventual aos CTT/ANACOM, me pareça conveniente a escrita em computador.