Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
“Evolução histórica do
turismo e das viagens
organizadas”
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. II ao séc. XV d.C.
• Séc. VIII a.C. – na Grécia, as pessoas viajavam para ver os jogos
olímpicos a cada quatro anos (De La Torre, 1992: 89)
• Fenícios terão sido os percursores do turismo por terem sido os
criadores da moeda, do comércio e da expansão marítimo comercial no
mar mediterrâneo (Mcintosh, 1999:27)
• Romanos também exerceram papel fundamental nas viagens, enquanto
antecedente remoto do turismo, pois com frequência viajavam por lazer,
prazer, comércio e descobertas, realizadas apenas por uma parte da
sociedade: homens livres.
• As relações capitalistas que marcam a sociedade industrial e
caracterizam o turismo não existiam pois os serviços eram
prestados pelo braço escravo.
• Muitas estradas foram construídas pelo Império Romano, possibilitando
que os seus cidadãos viajassem, entre o séc. II a.C. e o séc. I d.C.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. II ao séc. XV d.C.
• Entre o séc. II e III houve intensa peregrinação a Jerusalém, à Igreja do
Santo Sepulcro, que fora construída em 326 d.C. pelo Imperador
Constantino. (Souto Maior, 1990: 140)
• A partir do séc. VI começaram a ser registadas as peregrinações de
cristãos, conhecidos como romeiros, para Roma. Nessa época foram
criados os primeiros éditos que regulamentavam a entradas destes
peregrinos em Roma, instituindo tributos e cadastrando-os.
• No séc. IX, tendo sido descoberta a tumba de Santiago de Compostela,
iniciaram-se as primeiras excursões pagas registadas pela história,
organizadas pelos jacobitas ou jacobeus, que dispunham de líderes de
equipes que conheciam os principais pontos de caminho, organizavam o
grupo e estipulavam as regras de horário, alimentação e orações
(Duchet, 1999: 32)
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. II ao séc. XV d.C.
• As peregrinações a Santiago tornaram-se deveras importante, de forma
tal que, três séculos mais tarde, o jacobita francês Aymeric Picaud
escreveu um roteiro completo de viagem indicando o caminho a partir
de França – este é reconhecidamente o primeiro guia turístico impresso
da história (Duchet, 1999: 32).
• Entre o séc. XI e XIII diversas foram as expedições militares-religiosas,
conhecidas por Cruzadas, que objectivavam a libertação do Santo
Sepulcro do domínio turco e que abriram novamente o livre acesso dos
peregrinos a Jerusalém (reaquecendo o mercado dos guias de
peregrinação) (Duchet, 1999: 37).
• As cruzadas colocaram nos caminhos europeus diversos viajantes, o
que levou à transformação das pousadas, sob a égide da caridade, em
lucrativa actividade, tendo sido abertas um valioso número num período
de cem anos (Duchet, 1999: 41).
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. II ao séc. XV d.C.
• Os comerciantes do norte da Europa, fundaram em Hansa a liga
Hanseática, ou seja, um grupo mercantil que controlava o comércio e as
feias em mais de 90 cidades, trazendo mercadorias de Novgorod, na
Rússia e comercializando-as com preços tabelados e tendo o ouro
como moeda padrão (Boyer, 2001: 10)
• Esta liga hanseática organizava grupos de viagem para percorrer
diversas cidades, com o intuito de mostrar às pessoas a sua
organização e diversidade de mercadorias. Esses grupos eram
acolhidos por pousadas pré-determinadas pela liga, onde eram tratados
de forma diferenciada, com massagens, vinhos e outras pecularidades
regionais (Duchet, 1999: 64)
• Nobres do sul da Europa, viajavam até Baden-Baden, na Alemanha,
para participar das orgias que aconteciam nos banhos. A nobreza do
norte da Europa organizava grupos para desfrutar o Verão no
Mediterrâneo.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. II ao séc. XV d.C.
• Os espanhóis e portugueses, com as suas viagens mercantis,
desempenharam um papel fundamental nas viagens transoceânicas de
descoberta. Foram essas viagens que mostraram à Europa um mundo
novo, cheio de mistérios, tesouros e novidades, que instigou o desejo de
muitos em conhecê-lo (Lozato-Giotart, 2000:89).
• Em 1492 houve a primeira escalada gratuita ao monte Aiguille em
Dauphine, sendo esta a primeira excursão em que todos os
participantes receberiam uma indemnização da coroa francesa em caso
de acidente (Boyer, 2001:9)
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XVI ao séc. XVIII d.C.
• Em 1551 foi lançado por Ch. Etienne “Le guide des chemins de France”
(Boyer, 2001:12).
• Na Europa do séc. XVI, alguns países destacavam-se sobremaneira em
viagens:
• Os ingleses, por ex., andavam pelas regiões menos íngremes
de França, Alemanha, Itália e Holanda
• Os alemães dirigiam-se, na sua maioria, para a costa do
mediterrâneo
• As viagens eram realizadas pela nobreza que era acompanhada por um
professor/ tutor e era necessário que este último falasse a língua do país
visitado e já o conhecesse para que pudesse tecer alguns comentários e
explicar os costumes do povo (Duchet, 1999: 70)
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XVI ao séc. XVIII d.C.
• No séc. XVI foi criado o primeiro hotel do mundo, o Wekalet-Al-Ghury,
no Egipto, para atender os mercadores.
• No séc. XVII houve uma melhoria considerável nos transportes
terrestres, foi inventada a diligência, com serviços regulares de Frankfurt
para Paris e de Londres para Oxford.
• Em todo o séc. XVIII, o jovem aristrocrata inglês fazia uma viagem pelo
continente europeu com a duração de 6 meses a 2 anos,
frequentemente com um tutor ou mestre além de uma obra de referência
para estudos. Ao regressar a Inglaterra, o jovem aristocrata tornava-se
um gentleman e juntamente com os companheiros que já haviam
percorrido a viagem The Tour, seguiam a máxima: As viagens formam a
juventude!
• Na primeira década do séc. XVIII, os turistas passaram a invadir os
spas, em busca de recreação, lazer e entretenimento organizado.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XVI ao séc. XVIII d.C.
• No séc. XVIII ocorreu a révolution thérmale (Richard Nash, criador do
movimento inglês Bath), obtendo como vitória o atestado de toda a
medicina europeia comprovando o valor da água para a saúde.
• Os jogos de azar ganham espaço cada vez maior na sociedade,
conseguindo o apoio estatal, o que origina o surgimento dos casinos.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XIX ao séc. XX
• No séc. XIX surge o conceito formal de turista, deixando de ser apenas
um neologismo.
• Com o advento da máquina a vapor de Watt, deu-se o início à Ver.
Industrial. A revolução pela qual a Europa passava tornou imperiosa a
necessidade de se melhorarem as estradas.
• Nos primórdios do séc. XIX, com o aumento do fluxo de ingleses
fazendo o Tour pela Europa, estes passaram a ser apelidados de
tourists.
• Em 1836 é publicada a colecção Guides, pela editora Baedecker, de
Itália, França e Suíça.
• Em 1841, Thomas Cook, organizou a 1ª excursão colectiva em
Inglaterra com duração de 1 dia (570 passageiros). Primeiro trabalhou
como operador e depois como agente de viagens. O seu trabalho
tornou-se importante pelo produto: pacote único de viagem.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XIX ao séc. XX
• Em 1851, Thomas Cook trouxe 175 mil excursionistas de Yorkshire para
a famosa feira industrial de Londres (Boyer, 2001:13)
• Em 1864, Cook organiza a 1ª excursão com “regime tudo incluído”, para
500 turistas, com destino à Suíça
• Em 1867, a agência de viagens Thomas Cook & Son criou o voucher
hoteleiro, tendo conseguido apoio na Câmara dos Lordes para que a
sua criação viesse a ser obrigatória para todos aqueles que trabalhavam
como operadores e agentes de viagem e turismo
• Em 1891, são emitidos os primeiros Traveller Cheques pela American
Express (Henry Wells)
• Thomas Cook abre escritórios por todo o mundo – Egipto e Índia
• O início do séc. XX foi marcado pela I Guerra Mundial que veio abrandar
o turismo em todo o mundo.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XIX ao séc. XX
• Em 1910, a França fez a primeira lei orgânica do turismo no mundo,
criando o Office National du Tourisme, pela Lei de 08 de Abril.
• Nesse mesmo ano, a Lei de 16 Janeiro, introduz na Áustria o direito
generalizado a férias remuneradas. Simultaneamente, a Itália aproveita
a elabora o seu projecto de férias pagas. (Py, 2000)
• Em 1917 foi criada a Chambre d’Hôtellerie, criada para solucionar
controvérsias advinda das empresas hoteleiras francesas.
• No ano seguinte surgiram as primeiras leis regulamentando as estações
de esqui.
• Em 1925, Mussolini incorporou o Dopolavoro na Carta do Trabalho.
Essa técnica de preencher o tempo livre dos assalariados com lazer foi
amplamente usada pelos regimes totalitários. Em pouco de mais 10
anos, o dopolavoro angariava cerca de 3 milhões quinhentas mil
pessoas para as suas actividades, que eram concentradas no esqui, nos
passeios de bicicleta e nos balneários. (Boyer, 2001:12)
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Do séc. XIX ao séc. XX
• O modelo fascista do turismo de massa foi imitado pela Alemanha de
Hitler, que criou em 1933 o Kraft durch Freude (força para a alegria).
Foram organizadas diversas colónias de férias para os trabalhadores
alemães, que deste modo não abandonavam o seu país nas férias, e
era assim evitada a “contaminação ideológica dos produtos culturais dos
judeus”. (Boyer, 2001:12)
• Em 1936, o estado francês regulamentou o direito às férias pagas, o que
foi necessário para a difusão do turismo. Seguiu o exemplo da Itália e da
Alemanha, e criou o programa L’ére des Loisirs (Era do lazer), que
estudava meios de inserção do lazer nas actividades laborais,
procurando maior produtividade e alegria no ambiente de trabalho.
• No período entre guerras, as férias remuneradas passaram a ser uma
realidade para uma grande parte da população europeia.
• A 2ª Guerra Mundial representou uma nova estagnação para o turismo
mundial.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Pós II Guerra Mundial
Época caracterizada por:
- Prosperidade
- Férias Pagas
- Excesso de aviões de guerra
- Avanços Tecnológicos – viagens mais longe e rápidas
- Mudança Social – igualdade / democracia
- Televisão
- Interesse em conhecer outros locais
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Pós II Guerra Mundial
• Após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial, o Fordismo e outros factores,
fizeram emergir os mercados de consumo de massas globais,
incrementando diversas actividades internacionais, entre elas, o turismo.
• Em 1945 foi aprovada a Carta das Nações Unidas que estabeleceu a
Organização das Nações Unidas. Com o advento da ONU, o turismo
passou a ser encarado como uma forma de intercâmbio cultural, tendo
ficado, em primeiro plano, a cargo da UNESCO (Organização das
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), sendo
posteriormente criada a Organização Mundial do Turismo em 1975.
• Em 1949 é vendido o primeiro pacote aéreo e é utilizado pela 1ª vez o
avião a jacto. Surgem os voos charter.
• Já em 1957, o turismo aéreo tornava-se o preferido em detrimento do
turismo náutico, atendendo ao tempo da viagem e às tarifas turísticas e
económicas das empresas aéreas.
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Pós II Guerra Mundial
• Em 1956 foi realizado em Berna o 1º Congresso Internacional do Turismo
Social, que originou um projecto de lei que seria ratificado posteriormente
por mais de 20 países europeus e os EUA, no qual era estabelecido as
férias pagas por 3 semanas.
• Na década de 60 surgiram as primeiros operadores turísticos, com pacotes
partindo do norte europeu (Escandinávia, Alemanha Ocidental) para a costa
do Mediterrâneo. As mudanças dos anos 60:
• Facilidade em conceber pacotes – os hotéis começam a aperceber-se que seria
mais rentável ocupar o Hotel através das Agências de Viagens
• Pagamento adiantado (hotéis e companhias de aviação), cresce a exigência
financeira e aumenta a despesa em brochuras e publicidade
• Construção de novos aviões e evolução tecnológica – Boeing 747 – destinos
long-haul
• Desenvolvimento da protecção ao consumidor
• 3 Obstáculos: Medo de voar, Receio do contacto com outros estrangeiros,
Inadaptação à gastronomia estrangeira
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
A Crise dos anos 70
• Na década de 70, a preocupação com o meio ambiente tornou-se
evidente e surgiram as primeiras discussões sobre a poluição causada
pelo turismo.
• Em 1975, a União Internacional dos Organismos Oficiais do Turismo
(que for a fundada em 1925 com o intuito de regular as desavenças
oriundas do turismo) foi sucedida pela OMT, com sede em Madrid e
chancela da ONU, que passou a desempenhar um papel fundamental
nas negociações e desenvolvimento eficaz do turismo internacional.
• Crise do petróleo
• Competição – margens reduzidas
• Falta de consolidação financeira
• Colapso de Operadores
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
O boom dos anos 80
• Liberalização em Inglaterra (tempo de estadia, dinheiro)
• Cresce:
• o número de indivíduos com direito a férias pagas;
• o número de pessoas que goza férias mais do que uma vez por
ano;
• o número de dias de férias pagas;
• Passagens aéreas mais baratas
• Concentração, Integração
• Marketing – nichos de mercado
• Final da década – recessão -> Falência de companhias (crise do final da
década)
Instituto Superior de
Ciências Educativas
de Felgueiras
Docente Sandra Almeida
Os anos 90
As receitas do turismo internacional na década de 60 giravam em torno
dos 10 milhões de dólares, passando a barreira dos 50 milhões na década
de 70, dando um verdadeiro salto nos anos 80 para a casa dos 300
milhões e no final da década de 90 ultrapassado o bilião de dólares. Assim
o turismo passou a representar cerca de 8% das exportações mundiais e
180 milhões de empregos no final do década de 90. (Lundberg, 2000: 126)
• Consolidação de posições
• Consciencialização ambiental (Relatório de Brutland, Cimeira do Rio,
Agenda 21…)
• Operadores mais pequenos Vs. grandes operadores
• Flexibilidade dos pacotes
• Tecnologia como factor crucial

520

  • 1.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida “Evolução histórica do turismo e das viagens organizadas”
  • 2.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. II ao séc. XV d.C. • Séc. VIII a.C. – na Grécia, as pessoas viajavam para ver os jogos olímpicos a cada quatro anos (De La Torre, 1992: 89) • Fenícios terão sido os percursores do turismo por terem sido os criadores da moeda, do comércio e da expansão marítimo comercial no mar mediterrâneo (Mcintosh, 1999:27) • Romanos também exerceram papel fundamental nas viagens, enquanto antecedente remoto do turismo, pois com frequência viajavam por lazer, prazer, comércio e descobertas, realizadas apenas por uma parte da sociedade: homens livres. • As relações capitalistas que marcam a sociedade industrial e caracterizam o turismo não existiam pois os serviços eram prestados pelo braço escravo. • Muitas estradas foram construídas pelo Império Romano, possibilitando que os seus cidadãos viajassem, entre o séc. II a.C. e o séc. I d.C.
  • 3.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. II ao séc. XV d.C. • Entre o séc. II e III houve intensa peregrinação a Jerusalém, à Igreja do Santo Sepulcro, que fora construída em 326 d.C. pelo Imperador Constantino. (Souto Maior, 1990: 140) • A partir do séc. VI começaram a ser registadas as peregrinações de cristãos, conhecidos como romeiros, para Roma. Nessa época foram criados os primeiros éditos que regulamentavam a entradas destes peregrinos em Roma, instituindo tributos e cadastrando-os. • No séc. IX, tendo sido descoberta a tumba de Santiago de Compostela, iniciaram-se as primeiras excursões pagas registadas pela história, organizadas pelos jacobitas ou jacobeus, que dispunham de líderes de equipes que conheciam os principais pontos de caminho, organizavam o grupo e estipulavam as regras de horário, alimentação e orações (Duchet, 1999: 32)
  • 4.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. II ao séc. XV d.C. • As peregrinações a Santiago tornaram-se deveras importante, de forma tal que, três séculos mais tarde, o jacobita francês Aymeric Picaud escreveu um roteiro completo de viagem indicando o caminho a partir de França – este é reconhecidamente o primeiro guia turístico impresso da história (Duchet, 1999: 32). • Entre o séc. XI e XIII diversas foram as expedições militares-religiosas, conhecidas por Cruzadas, que objectivavam a libertação do Santo Sepulcro do domínio turco e que abriram novamente o livre acesso dos peregrinos a Jerusalém (reaquecendo o mercado dos guias de peregrinação) (Duchet, 1999: 37). • As cruzadas colocaram nos caminhos europeus diversos viajantes, o que levou à transformação das pousadas, sob a égide da caridade, em lucrativa actividade, tendo sido abertas um valioso número num período de cem anos (Duchet, 1999: 41).
  • 5.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. II ao séc. XV d.C. • Os comerciantes do norte da Europa, fundaram em Hansa a liga Hanseática, ou seja, um grupo mercantil que controlava o comércio e as feias em mais de 90 cidades, trazendo mercadorias de Novgorod, na Rússia e comercializando-as com preços tabelados e tendo o ouro como moeda padrão (Boyer, 2001: 10) • Esta liga hanseática organizava grupos de viagem para percorrer diversas cidades, com o intuito de mostrar às pessoas a sua organização e diversidade de mercadorias. Esses grupos eram acolhidos por pousadas pré-determinadas pela liga, onde eram tratados de forma diferenciada, com massagens, vinhos e outras pecularidades regionais (Duchet, 1999: 64) • Nobres do sul da Europa, viajavam até Baden-Baden, na Alemanha, para participar das orgias que aconteciam nos banhos. A nobreza do norte da Europa organizava grupos para desfrutar o Verão no Mediterrâneo.
  • 6.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. II ao séc. XV d.C. • Os espanhóis e portugueses, com as suas viagens mercantis, desempenharam um papel fundamental nas viagens transoceânicas de descoberta. Foram essas viagens que mostraram à Europa um mundo novo, cheio de mistérios, tesouros e novidades, que instigou o desejo de muitos em conhecê-lo (Lozato-Giotart, 2000:89). • Em 1492 houve a primeira escalada gratuita ao monte Aiguille em Dauphine, sendo esta a primeira excursão em que todos os participantes receberiam uma indemnização da coroa francesa em caso de acidente (Boyer, 2001:9)
  • 7.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XVI ao séc. XVIII d.C. • Em 1551 foi lançado por Ch. Etienne “Le guide des chemins de France” (Boyer, 2001:12). • Na Europa do séc. XVI, alguns países destacavam-se sobremaneira em viagens: • Os ingleses, por ex., andavam pelas regiões menos íngremes de França, Alemanha, Itália e Holanda • Os alemães dirigiam-se, na sua maioria, para a costa do mediterrâneo • As viagens eram realizadas pela nobreza que era acompanhada por um professor/ tutor e era necessário que este último falasse a língua do país visitado e já o conhecesse para que pudesse tecer alguns comentários e explicar os costumes do povo (Duchet, 1999: 70)
  • 8.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XVI ao séc. XVIII d.C. • No séc. XVI foi criado o primeiro hotel do mundo, o Wekalet-Al-Ghury, no Egipto, para atender os mercadores. • No séc. XVII houve uma melhoria considerável nos transportes terrestres, foi inventada a diligência, com serviços regulares de Frankfurt para Paris e de Londres para Oxford. • Em todo o séc. XVIII, o jovem aristrocrata inglês fazia uma viagem pelo continente europeu com a duração de 6 meses a 2 anos, frequentemente com um tutor ou mestre além de uma obra de referência para estudos. Ao regressar a Inglaterra, o jovem aristocrata tornava-se um gentleman e juntamente com os companheiros que já haviam percorrido a viagem The Tour, seguiam a máxima: As viagens formam a juventude! • Na primeira década do séc. XVIII, os turistas passaram a invadir os spas, em busca de recreação, lazer e entretenimento organizado.
  • 9.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XVI ao séc. XVIII d.C. • No séc. XVIII ocorreu a révolution thérmale (Richard Nash, criador do movimento inglês Bath), obtendo como vitória o atestado de toda a medicina europeia comprovando o valor da água para a saúde. • Os jogos de azar ganham espaço cada vez maior na sociedade, conseguindo o apoio estatal, o que origina o surgimento dos casinos.
  • 10.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XIX ao séc. XX • No séc. XIX surge o conceito formal de turista, deixando de ser apenas um neologismo. • Com o advento da máquina a vapor de Watt, deu-se o início à Ver. Industrial. A revolução pela qual a Europa passava tornou imperiosa a necessidade de se melhorarem as estradas. • Nos primórdios do séc. XIX, com o aumento do fluxo de ingleses fazendo o Tour pela Europa, estes passaram a ser apelidados de tourists. • Em 1836 é publicada a colecção Guides, pela editora Baedecker, de Itália, França e Suíça. • Em 1841, Thomas Cook, organizou a 1ª excursão colectiva em Inglaterra com duração de 1 dia (570 passageiros). Primeiro trabalhou como operador e depois como agente de viagens. O seu trabalho tornou-se importante pelo produto: pacote único de viagem.
  • 11.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XIX ao séc. XX • Em 1851, Thomas Cook trouxe 175 mil excursionistas de Yorkshire para a famosa feira industrial de Londres (Boyer, 2001:13) • Em 1864, Cook organiza a 1ª excursão com “regime tudo incluído”, para 500 turistas, com destino à Suíça • Em 1867, a agência de viagens Thomas Cook & Son criou o voucher hoteleiro, tendo conseguido apoio na Câmara dos Lordes para que a sua criação viesse a ser obrigatória para todos aqueles que trabalhavam como operadores e agentes de viagem e turismo • Em 1891, são emitidos os primeiros Traveller Cheques pela American Express (Henry Wells) • Thomas Cook abre escritórios por todo o mundo – Egipto e Índia • O início do séc. XX foi marcado pela I Guerra Mundial que veio abrandar o turismo em todo o mundo.
  • 12.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XIX ao séc. XX • Em 1910, a França fez a primeira lei orgânica do turismo no mundo, criando o Office National du Tourisme, pela Lei de 08 de Abril. • Nesse mesmo ano, a Lei de 16 Janeiro, introduz na Áustria o direito generalizado a férias remuneradas. Simultaneamente, a Itália aproveita a elabora o seu projecto de férias pagas. (Py, 2000) • Em 1917 foi criada a Chambre d’Hôtellerie, criada para solucionar controvérsias advinda das empresas hoteleiras francesas. • No ano seguinte surgiram as primeiras leis regulamentando as estações de esqui. • Em 1925, Mussolini incorporou o Dopolavoro na Carta do Trabalho. Essa técnica de preencher o tempo livre dos assalariados com lazer foi amplamente usada pelos regimes totalitários. Em pouco de mais 10 anos, o dopolavoro angariava cerca de 3 milhões quinhentas mil pessoas para as suas actividades, que eram concentradas no esqui, nos passeios de bicicleta e nos balneários. (Boyer, 2001:12)
  • 13.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Do séc. XIX ao séc. XX • O modelo fascista do turismo de massa foi imitado pela Alemanha de Hitler, que criou em 1933 o Kraft durch Freude (força para a alegria). Foram organizadas diversas colónias de férias para os trabalhadores alemães, que deste modo não abandonavam o seu país nas férias, e era assim evitada a “contaminação ideológica dos produtos culturais dos judeus”. (Boyer, 2001:12) • Em 1936, o estado francês regulamentou o direito às férias pagas, o que foi necessário para a difusão do turismo. Seguiu o exemplo da Itália e da Alemanha, e criou o programa L’ére des Loisirs (Era do lazer), que estudava meios de inserção do lazer nas actividades laborais, procurando maior produtividade e alegria no ambiente de trabalho. • No período entre guerras, as férias remuneradas passaram a ser uma realidade para uma grande parte da população europeia. • A 2ª Guerra Mundial representou uma nova estagnação para o turismo mundial.
  • 14.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Pós II Guerra Mundial Época caracterizada por: - Prosperidade - Férias Pagas - Excesso de aviões de guerra - Avanços Tecnológicos – viagens mais longe e rápidas - Mudança Social – igualdade / democracia - Televisão - Interesse em conhecer outros locais
  • 15.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Pós II Guerra Mundial • Após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial, o Fordismo e outros factores, fizeram emergir os mercados de consumo de massas globais, incrementando diversas actividades internacionais, entre elas, o turismo. • Em 1945 foi aprovada a Carta das Nações Unidas que estabeleceu a Organização das Nações Unidas. Com o advento da ONU, o turismo passou a ser encarado como uma forma de intercâmbio cultural, tendo ficado, em primeiro plano, a cargo da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), sendo posteriormente criada a Organização Mundial do Turismo em 1975. • Em 1949 é vendido o primeiro pacote aéreo e é utilizado pela 1ª vez o avião a jacto. Surgem os voos charter. • Já em 1957, o turismo aéreo tornava-se o preferido em detrimento do turismo náutico, atendendo ao tempo da viagem e às tarifas turísticas e económicas das empresas aéreas.
  • 16.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Pós II Guerra Mundial • Em 1956 foi realizado em Berna o 1º Congresso Internacional do Turismo Social, que originou um projecto de lei que seria ratificado posteriormente por mais de 20 países europeus e os EUA, no qual era estabelecido as férias pagas por 3 semanas. • Na década de 60 surgiram as primeiros operadores turísticos, com pacotes partindo do norte europeu (Escandinávia, Alemanha Ocidental) para a costa do Mediterrâneo. As mudanças dos anos 60: • Facilidade em conceber pacotes – os hotéis começam a aperceber-se que seria mais rentável ocupar o Hotel através das Agências de Viagens • Pagamento adiantado (hotéis e companhias de aviação), cresce a exigência financeira e aumenta a despesa em brochuras e publicidade • Construção de novos aviões e evolução tecnológica – Boeing 747 – destinos long-haul • Desenvolvimento da protecção ao consumidor • 3 Obstáculos: Medo de voar, Receio do contacto com outros estrangeiros, Inadaptação à gastronomia estrangeira
  • 17.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida A Crise dos anos 70 • Na década de 70, a preocupação com o meio ambiente tornou-se evidente e surgiram as primeiras discussões sobre a poluição causada pelo turismo. • Em 1975, a União Internacional dos Organismos Oficiais do Turismo (que for a fundada em 1925 com o intuito de regular as desavenças oriundas do turismo) foi sucedida pela OMT, com sede em Madrid e chancela da ONU, que passou a desempenhar um papel fundamental nas negociações e desenvolvimento eficaz do turismo internacional. • Crise do petróleo • Competição – margens reduzidas • Falta de consolidação financeira • Colapso de Operadores
  • 18.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida O boom dos anos 80 • Liberalização em Inglaterra (tempo de estadia, dinheiro) • Cresce: • o número de indivíduos com direito a férias pagas; • o número de pessoas que goza férias mais do que uma vez por ano; • o número de dias de férias pagas; • Passagens aéreas mais baratas • Concentração, Integração • Marketing – nichos de mercado • Final da década – recessão -> Falência de companhias (crise do final da década)
  • 19.
    Instituto Superior de CiênciasEducativas de Felgueiras Docente Sandra Almeida Os anos 90 As receitas do turismo internacional na década de 60 giravam em torno dos 10 milhões de dólares, passando a barreira dos 50 milhões na década de 70, dando um verdadeiro salto nos anos 80 para a casa dos 300 milhões e no final da década de 90 ultrapassado o bilião de dólares. Assim o turismo passou a representar cerca de 8% das exportações mundiais e 180 milhões de empregos no final do década de 90. (Lundberg, 2000: 126) • Consolidação de posições • Consciencialização ambiental (Relatório de Brutland, Cimeira do Rio, Agenda 21…) • Operadores mais pequenos Vs. grandes operadores • Flexibilidade dos pacotes • Tecnologia como factor crucial