SlideShare uma empresa Scribd logo
LOGO
Módulo 2. O dinamismo
civilizacional da Europa
Ocidental nos séc. XIII a
XIV Espaços, Poderes e
Vivências
Multiplicidade de
poderes
REINO, IMPÉRIO, SENHORIO
E COMUNAS
Do governo carolíngio à instabilidade
política
 Nos finais do séc. V, a
grande força política
europeia eram os francos.
 Com Clóvis, em 497,
converteram-se e foram
desenvolvendo um sistema
político que conduziria à
dinastia Carolíngia da qual
Carlos Magno foi o maior
representante.
O império de Carlos Magno
 Grande expansão territorial: domina os saxões, os ávaros e os
lombardos; trava os muçulmanos e sustém os bizantinos.
 Torna-se o grande defensor do Cristianismo: é coroado
imperador em 800 e personifica a reconstituição do império
romano.
 Preparou as estruturas feudais, ao reorganizar a administração
do seu império:
 Divisão do território em condados (dirigidos por homens da
sua confiança – os contes e os duques).
 Os territórios fronteiriços – marcas – foram entregues a
nobres com ampla autonomia (marqueses).
 A todos foi exigido um juramento de fidelidade.
O Renascimento Carolíngio
 Empenhado em fazer renascer as artes e a cultura, Carlos Magno
cria uma academia onde lecionam os grandes eruditos da época
(Paulo Diácono ou Pedro de Pisa).
 Fomenta o gosto pelos autores clássicos e funda uma extensa
Biblioteca.
 Cria uma rede escolar, que funcionava principalmente em
mosteiros e abadias, onde funcionava a scriptoria (oficina de
escrita e ilustração), o que transforma os monges em verdadeiros
guardiães do saber. São estes quem domina a arte da escrita e
desenvolve verdadeiros estilos regionais de caligrafia.
A Decadência
 Em troca dos apoios
recebidos, os reis carolíngios
recompensavam os seus nobres
com doações a que chamavam
benefícios. A acumulação de
benefícios levou ao surgir de um
número restrito de nobres que
acumulavam poderes, o que
conduz ao enfraquecimento do
poder central.
 Para os reis francos, o poder era pessoal, pelo que era transmitido
ao filho primogénito.
 O filho de Carlos Magno, Luís o Pio, divide o território pelos seus
três herdeiros na Partilha de Verdun (843): reino franco para Carlos; a
faixa central para Lotário e a parte Leste para Luís. Daqui nasceriam
três reinos distintos: França, Itália e Alemanha.
A instabilidade
 As invasões dos séc. VIII a X (muçulmanas, normandas e
húngaras) ajudam à fragmentação política.
 Na ausência de uma força organizadora, ocorreu a passagem de
poder para as forças locais (importância da Capitular de Quiersy-sur-
Oise – 877).
 Com a instabilidade política, aumenta a insegurança e a recessão
económica.
 As estruturas carolíngias marcaram, todavia, o futuro de várias
regiões como Inglaterra: a tradição franco normanda de Guilherme, o
Conquistador ou em Portugal: os cavaleiros francos da reconquista.
O sacro-império Germano-Romano
 No séc. X o Imperador Otão I aliou-se ao Papa (como antes dele
Carlos Magno o havia feito) e da união dos territórios germânicos
com os italianos nasceu um novo e forte império.
 O sacro-império procurava ter mais sucesso que Carlos Magno e
restaurar o antigo império romano.
 Fracassou em resultado das constantes lutas pelo poder dos
senhores e pelas disputas com a própria Santa Sé.
 O chefe do Império Romano do Oriente (sediado em Bizâncio)
nunca reconheceu o governo germânico como verdadeiro herdeiro
dos romanos.
O cerco da Europa
 Desde o séc. VIII que os muçulmanos ocupavam a Península
Ibérica. Daqui tentavam penetrar na Europa, ameaçando o Sul de
França e grande número das regiões de Itália.
 Os Normandos, ou Vikings, povos vindos do Norte da Europa,
faziam incursões nas costas da Grã-Bretanha. Ao longo dos séc. IX
e séc. X, estes invadiram a Europa.
 Do Oriente, descendentes dos antigos Hunos e Ávaros, os
Magiares dirigiram-se para Ocidente conquistando, matando e
destruindo o que encontraram pelo caminho.
Consequências
 Perante a ameaça dos novos invasores, a Europa fecha-se dentro
das suas fronteiras.
 As rotas comerciais que a ligavam via Mediterrâneo à Palestina,
desapareceram.
 As cidades perdem novamente a sua função, pois ninguém se
sente em segurança.
 Há uma fuga desordenada da população urbana para o campo,
onde pensa encontrar proteção.
 Face à incapacidade política e administrativa do Império, cresce a
autoridade dos senhores locais. Estes, aumentam cada vez mais o
seu poder à custa do imenso caudal humano que junto de si busca
guarida.
 A economia baseia-se agora na agricultura, que torna novamente
a ser praticada em regime de subsistência.
• A economia de mercado cede lugar a uma economia natural
(agrícola), fechada, de troca directa devido à falta de
excedentes.
• A moeda praticamente deixa de circular.
• A pecuária funciona como complemento à agricultura,
actividades principais desta época.
• Os poucos pontos de comércio que subsistem estão ligados
principalmente aos centros de peregrinação.
 Às mortes pelas fomes, acrescentam-se as mortes pelas
pestes. Verifica-se assim uma forte recessão demográfica.
A sociedade medieval
 A sociedade feudal é uma sociedade hierarquizada e tripartida.
Os homens estão subordinados uns aos outros, por laços de
dependência.
 Com as invasões normandas, o sistema feudal passa a vigorar
em quase toda a Europa, atingindo o seu auge nos séc. X e XI.
 Os senhores constituíram-se como as únicas autoridades
administrativas, judiciais e fiscais. Deles dependia a sobrevivência
material das comunidades rurais, as famílias dos cavaleiros sem
terra e a pequena nobreza empobrecida.
 A Igreja justificava a sociedade trinitária: o Clero como
representante de Deus, o que reza pelos homens; a Nobreza que
protege e o povo que trabalha.
A sociedade medieval
Dirigir
Fortalecimento do poder
dos senhores
Combater
Orar
Trabalhar
Privilegiados
Não
Privilegiados
A unidade da crença
 Após as invasões, a Igreja era, no Ocidente, a única força
organizada:
• Grupo social de grande força e prestígio, possuía vastas
propriedades de onde retirava grandes riquezas.
• Detinha um grande número de privilégios reais, isenções
fiscais e benefícios (tais como um tribunal próprio). O seu
prestígio resulta ainda da força que a religião detinha neste
período de insegurança e instabilidade. A fé da população
aumenta.
A Cristandade face a
Bizâncio
 Bizâncio desenvolveu, ao longo da Idade Média, uma florescente
civilização que seguia os preceitos do Cristianismo, embora a
língua oficial fosse o grego e não o latim.
 O império era chefiado por um patriarca que se recusava a
seguir o chefe máximo da Igreja romana, o Papa.
 Esta situação conduziu ao
Cisma da Cristandade e a
criação da Igreja Ortodoxa.
 Esta igreja expandiu-se
para a Rússia e nunca mais se
fundiu com a Igreja Cristã
Romana, mesmo em épocas
em que a luta era com os
mesmos inimigos.
A emergência do feudalismo
 Perante a falta de mão-de-obra, os grandes proprietários tendem a
vincular à terra camponeses que, a pouco e pouco, se vão tornando
dependentes. Reforçam-se as relações de dependência pessoal ou
de vassalagem. Estas faziam-se através de um acordo especial - o
contrato de vassalagem.
 O Senhor possuía assim um conjunto de vassalos na sua
dependência. Estes vassalos poderiam ter mais do que um Senhor,
prestando homenagem a um deles.
 A esta época da história da Europa, marcada por laços de
dependência entre os homens e por uma economia marcadamente
rural, os historiadores chamam FEUDALISMO.
Características
ASPECTO
POLÍTICO
ASPECTO
SOCIAL
ASPECTO
ECONÓMICO
ASPECTO
RELIGIOSO
 Descentralização do
poder.
 Enfraquecimento
do poder do Estado
Soberano (e do
Rei).
 Ascensão política
da Nobreza.
 Autoridade exer-
cida de pessoa para
pessoa.
 Sociedade forte-
mente hierarqui-
zada (Clero, No-
breza e Terceiro
Estado).
 Sociedade domina-
da por laços de de-
pendência pessoal:
Suserano
Grande Vassalo
Pequeno Vassalo
 Economia de base
rural (agrária).
 Economia fechada.
 Economia de sub-
sistência.
 Decadência ou
quase inexistência
de comércio.
 Insegurança das
rotas.
 Autoridade espi-
ritual e temporal da
Igreja.
 Insersão da Igreja
na ordem feudal.
 Desenvolvimento
do monaquismo.
 Papel primordial
dos Mosteiros no
ensino, assistência
social e manu-
tenção da paz.
As relações feudo-
vassálicas
 Os laços estabeleciam-se num sistema de cadeia: o suserano (o
rei, primeiro na hierarquia), o Grande Vassalo (os vassi dominici ou
vassalos diretos do rei) e o pequeno vassalo (dependente dos
vassi dominici).
 Estas relações de dependência faziam-se através de um contrato
que compreendia as seguintes cerimónias:
• Homenagem: cerimónia de entrega do vassalo ao Senhor,
considerando-se seu homem e colocando-se na sua
dependência;
• Juramento de fidelidade: cerimónia feita pelos dois, em que
juram ser fiéis um ao outro (sobre as sagradas escrituras),
cumprindo o acordado;
• Investidura: o Senhor investe o vassalo no cargo que vai
ocupar e que pode ser transmitido de geração em geração.
 Este contrato feito entre o vassalo e o senhor era vitalício e
implicava deveres e obrigações mútuas, em particular de fidelidade,
ajuda e conselho.
Reforço do poder local
 A apropriação dos direitos de bannus (conjunto de poderes
exclusivos do rei e que correspondiam ao comando do exército e ao
poder de punição dos homens livres – justiça) pelos senhores,
retirou ao poder central a supremacia da jurisdição sobre as terras
destes.
 A imunidade (isenção fiscal e autonomia administrativa e judicial)
passa, a partir do séc. VIII, para as mãos de alguns senhores nobres
e para a Igreja.
 Este processo de dependências múltiplas conduziu à criação de
um sistema designado por Homenagem Lígia (ou seja, a fidelidade
era devida ao mais importante dos senhores, o rei) como forma de
proteger o poder central.
Dependências
 Para além dos laços de dependência entre senhores, existiam
ainda os laços de família, que constituíam as solidariedades
horizontais. As famílias organizavam-se em torno das necessidades
de constituir um bom feudo, ocupar um bom cargo ou obter
benefícios importantes.
 A criação do sistema de herança de linhagem ou agnático (só o
filho mais velho, varão é que herda), cria uma classe de filhos
segundos, cuja sobrevivência passa pela incursão na vida religiosa,
na cavalaria ou pela criação de laços de dependência verticais,
contraídos com o membro mais poderoso da família.
Senhorios
 Na Europa da Alta Idade Média, o cultivo da terra ocupava a maior
parte da população. Esta terra encontrava-se, na sua maior parte,
nas mãos dos grandes senhores da Igreja e da Nobreza. A estas
terras pertencentes ao senhor, chamamos Senhorio ou Domínio
Feudal. Segundo os historiadores, o senhorio feudal resulta da
apropriação dos direitos de bannus e à transformação da imunidade.
 É a base da sociedade da época:
• Unidade de produção fundamental,
• Abastece o mercado local e inter-regional;
• Garante a imposição e fortalecimento das elites.
 Este senhorio era constituído por duas partes distintas:
• a reserva - explorada diretamente pelo senhor. Cultivada por
servos (trabalhadores rurais não livres; sujeitos à terra onde
trabalhavam, podiam ser vendidos ou doados com ela e só
obtém a sua liberdade no séc. XIII) e criados permanentes e
pelos camponeses-vassalos sob a forma de trabalho gratuito. A
reserva compreendia o castelo, os campos de cultivo do senhor,
os prados, bosques, o forno, o moinho e o lagar (normalmente
era metade da área do domínio, correspondendo à zona mais
fértil).
• Os mansos - parcelas do senhorio que o senhor concedia aos
camponeses para que estes explorassem, em troca de uma
parte da produção sob a forma de rendas e do trabalho gratuito
na reserva. Estes mansos podiam ser livres (dados a
camponeses livres) ou concedidos a servos ou escravos
(mansos servis).
 Os camponeses livres ou colonos, que exploravam as terras
arrendadas encontravam-se na dependência do senhor. Tinham que
explorar a terra e guardar parte da produção, bem como deviam aos
senhores determinadas obrigações:
• pagamento de rendas pelo aluguer das terras (em géneros);
• pagamento de peagens (tributo sobre o trânsito de mercadorias
que passavam pelas terras do senhor);
• pagamento da talha (para assegurar a proteção do senhor);
• cumprimento de corveias (trabalho de um certo número de dias
por semana na reserva do senhor);
• cumprimento de banalidades (utilização do moinho, forno… do
senhor em troca da entrega de parte do produto obtido).
Senhorio banal
O senhor feudal:
• Possuía jurisdição sobre os seus habitantes (direito de banus).
• Exercia todos os domínios senhoriais (justiça, impostos, guerra).
• Tinha, a partir do séc. VIII, imunidade fiscal.
• Detinha grande autonomia.
Este poder alargou-se progressivamente a outros senhores,
conduzindo à divisão dos senhores feudais em duas categorias:
• Grandes senhores (com direito de bannus, como condes,
príncipes, abades…);
• Pequenos senhores (fidalgos e monges) sujeitos ao poder
banal da justiça, tal como os camponeses.
 A expansão do senhorio banal por todo o Ocidente Europeu
permitiu aos seus detentores - a aristocracia guerreira e as altas
hierarquias da Igreja - tomarem virtualmente as rédeas da vida
pública.
 Os senhores constituíram-se como as únicas autoridades
administrativas, judiciais e fiscais. Deles dependia a sobrevivência
material das comunidades rurais, as famílias dos cavaleiros sem terra
e a pequena nobreza empobrecida.
 O senhorio agravou a vida das populações que, em resultado do
clima de guerras constantes e de insegurança, se colocava sob a sua
dependência. Os poucos que conseguiam resistir eram os habitantes
dos núcleos urbanos.
 As dependências senhoriais pressupunham a criação de uma rede
de dependências servis (populares) contra as quais cedo se procurou
pôr fim:
• Camponeses que trabalham em regime de subserviência;
• Criação de associações de vizinhos ou comunas rurais em que
os camponeses juravam apoio mútuo e se organizavam para
uma resistência contra os senhores (solidariedades horizontais)
detentores dos direitos sobre a cidade;
• Luta camponesa por documentos escritos que estipulassem os
direitos e deveres das duas partes (ex. cartas comunais ou
cartas de foral);
A IGREJA: CRENÇA OU PODER
 O Papa governa em nome de Deus e é o chefe da hierarquia
eclesiástica:
• Clero regular: que vive segundo uma regra (nos Mosteiros) –
abades, monges.
• Clero secular: que vive junto à população – padres, bispos e
cardeais.
 A área de influência da igreja romana foi sendo sucessivamente
alargada, quer com a reconquista cristã, com a evangelização do
norte da Europa ou com o movimento das cruzadas.
A Igreja Romana
O Monaquismo
 Este movimento tem origem no séc IV - no Oriente - Egipto, Síria,
Ásia Menor.
 Nasceu de iniciativas individuais e ligado ao desejo de isolamento
do mundo profano (fuga mundi) e do ascetismo.
 Posteriormente, surgiram comunidades de monges/monjas que
seguiam o seu mestre.
 No Ocidente surge no séc. V, por iniciativa de bispos e no séc.
seguinte apareceram os primeiros legisladores, como S. Bento de
Núrsia.
 Os mosteiros beneditinos e os seus monges copistas, ao
assumirem o papel de guardiães do saber, ao serviço da difusão do
Evangelho e da conservação da herança cultural greco-latina,
tiveram um papel fundamental na unificação cultural do ocidente:
 recolheram as “ heranças do conhecimento antigo”,
 procuraram “estruturar uma sociedade arrasada, territorialmente
disseminada e culturalmente debilitada”.
 Neste processo, o papel dos monges beneditinos foi essencial,
obrigados que estavam, pela regra, não só à oração e à leitura das
Escrituras, mas também ao trabalho intelectual.
Ordens monasteriais
 Ordem de São Bento (Beneditinos) – séc. VI.
 Ordem de Cluny (séc. X a XII, influência moralizadora dos seus
membros no seio da Igreja, conhecido por reforma de Cluny).
 Ordem de Cister (fundação da Abadia de Cister, por Roberto de
Champagne, abade de Molesme para retomar a regra beneditina e
o ascetismo inicial – ex. Mosteiro de Alcobaça).
 S. Bernardo do Claraval e a reforma de Cister. Os seus ideais de
construção religiosa apontam para a simplicidade. Forte
impulsionador do canto gregoriano, que deriva do cantochão,
prática monofónica de canto utilizada nas liturgias cristãs,
originalmente desacompanhada .
A Reforma Gregoriana
 A fragmentação do poder real e a ascensão do poder dos
senhores conduz a uma crise na Igreja:
 O comprtamento de alguns clérigos não é condizente com a
religião (comportam-se como verdadeiros senhores laicos),
 Existência da prática de Simonia;
 Enriquecimento de Mosteiros e Abadias;
 Interferência dos reis na escolha de abades e bispos;
 Desenvolvimento de movimentos heréticos…
 Gregório VII procura restaurar o poder da Igreja e erradicar esyes
fenómenos de heresia e simonia, afirmando a autoridade papal.
A Questão das Investiduras
 O Papa decretal a proibição de nomeação de bispos e abades por
parte dos reis, reforçando a sua autoridade e levando a um
conflito com o rei do império germane-romano, Henrique IV.
 A questão das Investiduras, como ficou conhecida, apenas se
resolverá com a Concordata de Worms em 1122.
O Bispo de Roma
 O Bispo de Roma torna-se o líder da comunidade cristã,
passando a ser designado por Papa:
• Sacralizou, educou as populações e evangelizou os invasores;
• Controlou a nobreza guerreira, instituindo a paz de Deus, a
Trégua de Deus e a instituição da Cavalaria;
• Sacralizou e ritualizou todos os atos da vida quotidiana
(calendário organizado com dias santos, integração das
festividades pagãs no catolicismo…)
• Criou instituições de caridade e de ensino (escolas monacais e
episcopais)…
• Manteve viva a cultura (monges copistas).
 A crescente influência espiritual da Igreja durante a Idade Média
efetuou-se em dois sentidos:
• estabilizar as instituições feudais;
• como suavizadora dos costumes e das mentalidades.
 Desenvolveu-se um novo conceito de paz, que veio a modificar
as características da própria guerra: a Paz de Deus e a Trégua de
Deus. Através dos concílios de Paz (reuniões promovidas pelos
Bispos em cada distrito), a Igreja procurou refrear a violência e
estabelecer regras de conduta, normas morais e espirituais a que
todos se obrigavam por juramento coletivo.
 O poder da Igreja atinge o seu ponto máximo com o Concílio
Ecuménico de Latrão (1215), onde são aprovadas um conjunto de
medidas que mudarão o curso da história:
 a criação do Tribunal da Inquisição;
 a comunhão e confissão obrigatórias;
 a pregação só com autorização papal;
 a condenação da Simonia;
 a organização de uma nova Cruzadas.
 Inocêncio III reconhece a existência de um poder temporal.
Todavia, este seria sempre fiscalizado pelo poder spiritual: “Um só
Deus, Uma só Fé; Uma só Igreja, Uma única Soberania”.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Portugal medieval
Portugal medievalPortugal medieval
Portugal medieval
cattonia
 
MÓDULO II- 10º ANO- Idade média: reconquista
MÓDULO II- 10º ANO-  Idade média: reconquistaMÓDULO II- 10º ANO-  Idade média: reconquista
MÓDULO II- 10º ANO- Idade média: reconquista
Carina Vale
 
A cristandade ocidental face ao islão parte 1
A cristandade ocidental face ao islão  parte 1A cristandade ocidental face ao islão  parte 1
A cristandade ocidental face ao islão parte 1
Carla Teixeira
 
Valores, vivências e quotidiano
Valores, vivências e quotidianoValores, vivências e quotidiano
Valores, vivências e quotidiano
Vítor Santos
 
A formação do reino de portugal
A formação do reino de portugalA formação do reino de portugal
A formação do reino de portugal
cruchinho
 
02 historia a_revisoes_modulo_2
02 historia a_revisoes_modulo_202 historia a_revisoes_modulo_2
02 historia a_revisoes_modulo_2
Vítor Santos
 
02 história a_revisões_módulo_2
02 história a_revisões_módulo_202 história a_revisões_módulo_2
02 história a_revisões_módulo_2
Vítor Santos
 
Séc. xii a xiv
Séc. xii a xivSéc. xii a xiv
Séc. xii a xiv
cattonia
 
Concelhos 1
Concelhos 1Concelhos 1
Concelhos 1
Carla Teixeira
 
Formação do reino de Portugal
Formação do reino de PortugalFormação do reino de Portugal
Formação do reino de Portugal
AnaGomes40
 
Apresentação 3
Apresentação 3Apresentação 3
Apresentação 3
Carla Teixeira
 
Reconquista Cristã (Resumo)
Reconquista Cristã (Resumo)Reconquista Cristã (Resumo)
Reconquista Cristã (Resumo)
mari_punk
 
Formação reino--portugal.ppt_
 Formação reino--portugal.ppt_ Formação reino--portugal.ppt_
Formação reino--portugal.ppt_
Isa Alves
 
Ficha formativa roma
Ficha formativa romaFicha formativa roma
Ficha formativa roma
Ana Barreiros
 
Queda do império
Queda do impérioQueda do império
Queda do império
Carla Freitas
 
Reconquista Cristã
Reconquista CristãReconquista Cristã
Reconquista Cristã
rvanessarebelo
 
18 reconquista cristã e a formação de portugal
18   reconquista cristã e a formação de portugal18   reconquista cristã e a formação de portugal
18 reconquista cristã e a formação de portugal
Carla Freitas
 
EF - 7º ano - Invasões bárbaras
EF - 7º ano - Invasões bárbarasEF - 7º ano - Invasões bárbaras
EF - 7º ano - Invasões bárbaras
Guilherme Drumond
 
Formação de Portugal
Formação de PortugalFormação de Portugal
Formação de Portugal
Isabel Alves
 
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
Vítor Santos
 

Mais procurados (20)

Portugal medieval
Portugal medievalPortugal medieval
Portugal medieval
 
MÓDULO II- 10º ANO- Idade média: reconquista
MÓDULO II- 10º ANO-  Idade média: reconquistaMÓDULO II- 10º ANO-  Idade média: reconquista
MÓDULO II- 10º ANO- Idade média: reconquista
 
A cristandade ocidental face ao islão parte 1
A cristandade ocidental face ao islão  parte 1A cristandade ocidental face ao islão  parte 1
A cristandade ocidental face ao islão parte 1
 
Valores, vivências e quotidiano
Valores, vivências e quotidianoValores, vivências e quotidiano
Valores, vivências e quotidiano
 
A formação do reino de portugal
A formação do reino de portugalA formação do reino de portugal
A formação do reino de portugal
 
02 historia a_revisoes_modulo_2
02 historia a_revisoes_modulo_202 historia a_revisoes_modulo_2
02 historia a_revisoes_modulo_2
 
02 história a_revisões_módulo_2
02 história a_revisões_módulo_202 história a_revisões_módulo_2
02 história a_revisões_módulo_2
 
Séc. xii a xiv
Séc. xii a xivSéc. xii a xiv
Séc. xii a xiv
 
Concelhos 1
Concelhos 1Concelhos 1
Concelhos 1
 
Formação do reino de Portugal
Formação do reino de PortugalFormação do reino de Portugal
Formação do reino de Portugal
 
Apresentação 3
Apresentação 3Apresentação 3
Apresentação 3
 
Reconquista Cristã (Resumo)
Reconquista Cristã (Resumo)Reconquista Cristã (Resumo)
Reconquista Cristã (Resumo)
 
Formação reino--portugal.ppt_
 Formação reino--portugal.ppt_ Formação reino--portugal.ppt_
Formação reino--portugal.ppt_
 
Ficha formativa roma
Ficha formativa romaFicha formativa roma
Ficha formativa roma
 
Queda do império
Queda do impérioQueda do império
Queda do império
 
Reconquista Cristã
Reconquista CristãReconquista Cristã
Reconquista Cristã
 
18 reconquista cristã e a formação de portugal
18   reconquista cristã e a formação de portugal18   reconquista cristã e a formação de portugal
18 reconquista cristã e a formação de portugal
 
EF - 7º ano - Invasões bárbaras
EF - 7º ano - Invasões bárbarasEF - 7º ano - Invasões bárbaras
EF - 7º ano - Invasões bárbaras
 
Formação de Portugal
Formação de PortugalFormação de Portugal
Formação de Portugal
 
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
 

Semelhante a 1. a identidade civilizacional da europa

Feudalismo e crise
Feudalismo e criseFeudalismo e crise
Feudalismo e crise
cattonia
 
A alta idade média e o início do feudalismo 7 ano
A alta idade média e o início do feudalismo   7 anoA alta idade média e o início do feudalismo   7 ano
A alta idade média e o início do feudalismo 7 ano
Jonatha Victor
 
Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011
Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011
Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011
andrecarlosocosta
 
Idade Media
Idade MediaIdade Media
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
Kerol Brombal
 
Idade.media.resumo
Idade.media.resumoIdade.media.resumo
Idade.media.resumo
Scriba Digital
 
Os Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. Medeiros
Os Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. MedeirosOs Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. Medeiros
Os Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. Medeiros
João Medeiros
 
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
Kerol Brombal
 
Idade Média
Idade MédiaIdade Média
Idade Média
Marilia Pimentel
 
Feudalismo ens médio
Feudalismo ens médioFeudalismo ens médio
Feudalismo ens médio
Elisângela Martins Rodrigues
 
Feudalismo
FeudalismoFeudalismo
Feudalismo
Maicom Teixeira
 
A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português a conso...
A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português  a conso...A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português  a conso...
A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português a conso...
Henrique Rodrigues
 
Feudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdf
Feudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdfFeudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdf
Feudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdf
ROSANEAPARECIDAANTUN1
 
3371982 historia-aula-03-alta-idade-media
3371982 historia-aula-03-alta-idade-media3371982 historia-aula-03-alta-idade-media
3371982 historia-aula-03-alta-idade-media
Marcus Vinicius Barbosa Silva
 
A identidade civilizacional da europa ocidental
A identidade civilizacional da europa ocidentalA identidade civilizacional da europa ocidental
A identidade civilizacional da europa ocidental
Vítor Santos
 
Idade Média
Idade MédiaIdade Média
Idade Média
CEF Arapoanga
 
A formação do império feudal 7º anos
A formação do império feudal   7º anosA formação do império feudal   7º anos
A formação do império feudal 7º anos
Íris Ferreira
 
Barbaros francos carolingios_2010_b
Barbaros francos carolingios_2010_bBarbaros francos carolingios_2010_b
Barbaros francos carolingios_2010_b
Kelly Delfino
 
Koneski Formação do feudalismo Corrigido
Koneski Formação do feudalismo CorrigidoKoneski Formação do feudalismo Corrigido
Koneski Formação do feudalismo Corrigido
Tavinho Koneski Westphal
 
Povos Bárbaros e Feudalismo
Povos Bárbaros e FeudalismoPovos Bárbaros e Feudalismo
Povos Bárbaros e Feudalismo
REYSDS
 

Semelhante a 1. a identidade civilizacional da europa (20)

Feudalismo e crise
Feudalismo e criseFeudalismo e crise
Feudalismo e crise
 
A alta idade média e o início do feudalismo 7 ano
A alta idade média e o início do feudalismo   7 anoA alta idade média e o início do feudalismo   7 ano
A alta idade média e o início do feudalismo 7 ano
 
Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011
Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011
Ceep resumo2ªfeudal brasilcolônia2011
 
Idade Media
Idade MediaIdade Media
Idade Media
 
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
 
Idade.media.resumo
Idade.media.resumoIdade.media.resumo
Idade.media.resumo
 
Os Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. Medeiros
Os Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. MedeirosOs Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. Medeiros
Os Povos Bárbaros - Os Francos - Prof. Medeiros
 
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média3˚ano 6 a 8 a alta idade média
3˚ano 6 a 8 a alta idade média
 
Idade Média
Idade MédiaIdade Média
Idade Média
 
Feudalismo ens médio
Feudalismo ens médioFeudalismo ens médio
Feudalismo ens médio
 
Feudalismo
FeudalismoFeudalismo
Feudalismo
 
A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português a conso...
A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português  a conso...A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português  a conso...
A identidade civilizacional da europa ocidental e o espaço português a conso...
 
Feudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdf
Feudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdfFeudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdf
Feudalismo_ o que foi, origem, economia, resumo - PrePara ENEM.pdf
 
3371982 historia-aula-03-alta-idade-media
3371982 historia-aula-03-alta-idade-media3371982 historia-aula-03-alta-idade-media
3371982 historia-aula-03-alta-idade-media
 
A identidade civilizacional da europa ocidental
A identidade civilizacional da europa ocidentalA identidade civilizacional da europa ocidental
A identidade civilizacional da europa ocidental
 
Idade Média
Idade MédiaIdade Média
Idade Média
 
A formação do império feudal 7º anos
A formação do império feudal   7º anosA formação do império feudal   7º anos
A formação do império feudal 7º anos
 
Barbaros francos carolingios_2010_b
Barbaros francos carolingios_2010_bBarbaros francos carolingios_2010_b
Barbaros francos carolingios_2010_b
 
Koneski Formação do feudalismo Corrigido
Koneski Formação do feudalismo CorrigidoKoneski Formação do feudalismo Corrigido
Koneski Formação do feudalismo Corrigido
 
Povos Bárbaros e Feudalismo
Povos Bárbaros e FeudalismoPovos Bárbaros e Feudalismo
Povos Bárbaros e Feudalismo
 

Mais de cattonia

Deseq regionais.pptx
Deseq regionais.pptxDeseq regionais.pptx
Deseq regionais.pptx
cattonia
 
arte portuguesa.ppsx
arte portuguesa.ppsxarte portuguesa.ppsx
arte portuguesa.ppsx
cattonia
 
A reinvenção das formas.ppsx
A reinvenção das formas.ppsxA reinvenção das formas.ppsx
A reinvenção das formas.ppsx
cattonia
 
A produção cultural renascentista.pptx
A produção cultural renascentista.pptxA produção cultural renascentista.pptx
A produção cultural renascentista.pptx
cattonia
 
Era digital
Era digitalEra digital
Era digital
cattonia
 
Família
FamíliaFamília
Família
cattonia
 
A revolução francesa
A revolução francesaA revolução francesa
A revolução francesa
cattonia
 
O alargamento do conhec do mundo
O alargamento do conhec do mundoO alargamento do conhec do mundo
O alargamento do conhec do mundo
cattonia
 
Mercantilismo português
Mercantilismo portuguêsMercantilismo português
Mercantilismo português
cattonia
 
3. hesitações do crescimento
3. hesitações do crescimento3. hesitações do crescimento
3. hesitações do crescimento
cattonia
 
Globalização
GlobalizaçãoGlobalização
Globalização
cattonia
 
Hegemonia inglesa
Hegemonia inglesaHegemonia inglesa
Hegemonia inglesa
cattonia
 
Trabalho
TrabalhoTrabalho
Trabalho
cattonia
 
1. uma europa a dois ritmos
1. uma europa a dois ritmos1. uma europa a dois ritmos
1. uma europa a dois ritmos
cattonia
 
Roma
RomaRoma
Roma
cattonia
 
Constr do social ii
Constr do social iiConstr do social ii
Constr do social ii
cattonia
 
A constr do social
A constr do socialA constr do social
A constr do social
cattonia
 
Apos a guerra fria
Apos a guerra friaApos a guerra fria
Apos a guerra fria
cattonia
 
Portugal no sec.xix
Portugal no sec.xixPortugal no sec.xix
Portugal no sec.xix
cattonia
 
Geografia de Portugal
Geografia de PortugalGeografia de Portugal
Geografia de Portugal
cattonia
 

Mais de cattonia (20)

Deseq regionais.pptx
Deseq regionais.pptxDeseq regionais.pptx
Deseq regionais.pptx
 
arte portuguesa.ppsx
arte portuguesa.ppsxarte portuguesa.ppsx
arte portuguesa.ppsx
 
A reinvenção das formas.ppsx
A reinvenção das formas.ppsxA reinvenção das formas.ppsx
A reinvenção das formas.ppsx
 
A produção cultural renascentista.pptx
A produção cultural renascentista.pptxA produção cultural renascentista.pptx
A produção cultural renascentista.pptx
 
Era digital
Era digitalEra digital
Era digital
 
Família
FamíliaFamília
Família
 
A revolução francesa
A revolução francesaA revolução francesa
A revolução francesa
 
O alargamento do conhec do mundo
O alargamento do conhec do mundoO alargamento do conhec do mundo
O alargamento do conhec do mundo
 
Mercantilismo português
Mercantilismo portuguêsMercantilismo português
Mercantilismo português
 
3. hesitações do crescimento
3. hesitações do crescimento3. hesitações do crescimento
3. hesitações do crescimento
 
Globalização
GlobalizaçãoGlobalização
Globalização
 
Hegemonia inglesa
Hegemonia inglesaHegemonia inglesa
Hegemonia inglesa
 
Trabalho
TrabalhoTrabalho
Trabalho
 
1. uma europa a dois ritmos
1. uma europa a dois ritmos1. uma europa a dois ritmos
1. uma europa a dois ritmos
 
Roma
RomaRoma
Roma
 
Constr do social ii
Constr do social iiConstr do social ii
Constr do social ii
 
A constr do social
A constr do socialA constr do social
A constr do social
 
Apos a guerra fria
Apos a guerra friaApos a guerra fria
Apos a guerra fria
 
Portugal no sec.xix
Portugal no sec.xixPortugal no sec.xix
Portugal no sec.xix
 
Geografia de Portugal
Geografia de PortugalGeografia de Portugal
Geografia de Portugal
 

Último

Leonardo da Vinci .pptx
Leonardo da Vinci                  .pptxLeonardo da Vinci                  .pptx
Leonardo da Vinci .pptx
TomasSousa7
 
Atividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º anoAtividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º ano
fernandacosta37763
 
slides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentarslides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentar
JoeteCarvalho
 
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Mary Alvarenga
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
SILVIAREGINANAZARECA
 
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).pptepidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
MarceloMonteiro213738
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
TomasSousa7
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
joseanesouza36
 
UFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdf
UFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdfUFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdf
UFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdf
Manuais Formação
 
O Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdf
O Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdfO Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdf
O Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdf
silvamelosilva300
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Érika Rufo
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Professor Belinaso
 
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdfO que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
Pastor Robson Colaço
 
As sequências didáticas: práticas educativas
As sequências didáticas: práticas educativasAs sequências didáticas: práticas educativas
As sequências didáticas: práticas educativas
rloureiro1
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
AurelianoFerreirades2
 
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.pptEstrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
livrosjovert
 
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
LeticiaRochaCupaiol
 
Leis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.ppt
Leis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.pptLeis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.ppt
Leis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.ppt
PatriciaZanoli
 
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões.          pptxRimas, Luís Vaz de Camões.          pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
TomasSousa7
 
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert EinsteinA Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
WelberMerlinCardoso
 

Último (20)

Leonardo da Vinci .pptx
Leonardo da Vinci                  .pptxLeonardo da Vinci                  .pptx
Leonardo da Vinci .pptx
 
Atividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º anoAtividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º ano
 
slides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentarslides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentar
 
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
 
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).pptepidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
 
UFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdf
UFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdfUFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdf
UFCD_10145_Enquadramento do setor farmacêutico_indice.pdf
 
O Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdf
O Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdfO Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdf
O Mito da Caverna de Platão_ Uma Jornada em Busca da Verdade.pdf
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
 
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdfO que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
 
As sequências didáticas: práticas educativas
As sequências didáticas: práticas educativasAs sequências didáticas: práticas educativas
As sequências didáticas: práticas educativas
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
 
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.pptEstrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
 
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
 
Leis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.ppt
Leis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.pptLeis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.ppt
Leis de Mendel - as ervilhas e a maneira simples de entender.ppt
 
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões.          pptxRimas, Luís Vaz de Camões.          pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
 
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert EinsteinA Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
 

1. a identidade civilizacional da europa

  • 1. LOGO Módulo 2. O dinamismo civilizacional da Europa Ocidental nos séc. XIII a XIV Espaços, Poderes e Vivências
  • 3. Do governo carolíngio à instabilidade política  Nos finais do séc. V, a grande força política europeia eram os francos.  Com Clóvis, em 497, converteram-se e foram desenvolvendo um sistema político que conduziria à dinastia Carolíngia da qual Carlos Magno foi o maior representante.
  • 4. O império de Carlos Magno  Grande expansão territorial: domina os saxões, os ávaros e os lombardos; trava os muçulmanos e sustém os bizantinos.  Torna-se o grande defensor do Cristianismo: é coroado imperador em 800 e personifica a reconstituição do império romano.
  • 5.  Preparou as estruturas feudais, ao reorganizar a administração do seu império:  Divisão do território em condados (dirigidos por homens da sua confiança – os contes e os duques).  Os territórios fronteiriços – marcas – foram entregues a nobres com ampla autonomia (marqueses).  A todos foi exigido um juramento de fidelidade.
  • 6. O Renascimento Carolíngio  Empenhado em fazer renascer as artes e a cultura, Carlos Magno cria uma academia onde lecionam os grandes eruditos da época (Paulo Diácono ou Pedro de Pisa).  Fomenta o gosto pelos autores clássicos e funda uma extensa Biblioteca.  Cria uma rede escolar, que funcionava principalmente em mosteiros e abadias, onde funcionava a scriptoria (oficina de escrita e ilustração), o que transforma os monges em verdadeiros guardiães do saber. São estes quem domina a arte da escrita e desenvolve verdadeiros estilos regionais de caligrafia.
  • 7. A Decadência  Em troca dos apoios recebidos, os reis carolíngios recompensavam os seus nobres com doações a que chamavam benefícios. A acumulação de benefícios levou ao surgir de um número restrito de nobres que acumulavam poderes, o que conduz ao enfraquecimento do poder central.
  • 8.  Para os reis francos, o poder era pessoal, pelo que era transmitido ao filho primogénito.  O filho de Carlos Magno, Luís o Pio, divide o território pelos seus três herdeiros na Partilha de Verdun (843): reino franco para Carlos; a faixa central para Lotário e a parte Leste para Luís. Daqui nasceriam três reinos distintos: França, Itália e Alemanha.
  • 9.
  • 10. A instabilidade  As invasões dos séc. VIII a X (muçulmanas, normandas e húngaras) ajudam à fragmentação política.  Na ausência de uma força organizadora, ocorreu a passagem de poder para as forças locais (importância da Capitular de Quiersy-sur- Oise – 877).  Com a instabilidade política, aumenta a insegurança e a recessão económica.  As estruturas carolíngias marcaram, todavia, o futuro de várias regiões como Inglaterra: a tradição franco normanda de Guilherme, o Conquistador ou em Portugal: os cavaleiros francos da reconquista.
  • 11. O sacro-império Germano-Romano  No séc. X o Imperador Otão I aliou-se ao Papa (como antes dele Carlos Magno o havia feito) e da união dos territórios germânicos com os italianos nasceu um novo e forte império.  O sacro-império procurava ter mais sucesso que Carlos Magno e restaurar o antigo império romano.  Fracassou em resultado das constantes lutas pelo poder dos senhores e pelas disputas com a própria Santa Sé.  O chefe do Império Romano do Oriente (sediado em Bizâncio) nunca reconheceu o governo germânico como verdadeiro herdeiro dos romanos.
  • 12. O cerco da Europa  Desde o séc. VIII que os muçulmanos ocupavam a Península Ibérica. Daqui tentavam penetrar na Europa, ameaçando o Sul de França e grande número das regiões de Itália.  Os Normandos, ou Vikings, povos vindos do Norte da Europa, faziam incursões nas costas da Grã-Bretanha. Ao longo dos séc. IX e séc. X, estes invadiram a Europa.  Do Oriente, descendentes dos antigos Hunos e Ávaros, os Magiares dirigiram-se para Ocidente conquistando, matando e destruindo o que encontraram pelo caminho.
  • 13.
  • 14. Consequências  Perante a ameaça dos novos invasores, a Europa fecha-se dentro das suas fronteiras.  As rotas comerciais que a ligavam via Mediterrâneo à Palestina, desapareceram.  As cidades perdem novamente a sua função, pois ninguém se sente em segurança.  Há uma fuga desordenada da população urbana para o campo, onde pensa encontrar proteção.  Face à incapacidade política e administrativa do Império, cresce a autoridade dos senhores locais. Estes, aumentam cada vez mais o seu poder à custa do imenso caudal humano que junto de si busca guarida.
  • 15.  A economia baseia-se agora na agricultura, que torna novamente a ser praticada em regime de subsistência. • A economia de mercado cede lugar a uma economia natural (agrícola), fechada, de troca directa devido à falta de excedentes. • A moeda praticamente deixa de circular. • A pecuária funciona como complemento à agricultura, actividades principais desta época. • Os poucos pontos de comércio que subsistem estão ligados principalmente aos centros de peregrinação.  Às mortes pelas fomes, acrescentam-se as mortes pelas pestes. Verifica-se assim uma forte recessão demográfica.
  • 16. A sociedade medieval  A sociedade feudal é uma sociedade hierarquizada e tripartida. Os homens estão subordinados uns aos outros, por laços de dependência.  Com as invasões normandas, o sistema feudal passa a vigorar em quase toda a Europa, atingindo o seu auge nos séc. X e XI.
  • 17.  Os senhores constituíram-se como as únicas autoridades administrativas, judiciais e fiscais. Deles dependia a sobrevivência material das comunidades rurais, as famílias dos cavaleiros sem terra e a pequena nobreza empobrecida.  A Igreja justificava a sociedade trinitária: o Clero como representante de Deus, o que reza pelos homens; a Nobreza que protege e o povo que trabalha.
  • 18. A sociedade medieval Dirigir Fortalecimento do poder dos senhores Combater Orar Trabalhar Privilegiados Não Privilegiados
  • 19. A unidade da crença  Após as invasões, a Igreja era, no Ocidente, a única força organizada: • Grupo social de grande força e prestígio, possuía vastas propriedades de onde retirava grandes riquezas. • Detinha um grande número de privilégios reais, isenções fiscais e benefícios (tais como um tribunal próprio). O seu prestígio resulta ainda da força que a religião detinha neste período de insegurança e instabilidade. A fé da população aumenta.
  • 20. A Cristandade face a Bizâncio  Bizâncio desenvolveu, ao longo da Idade Média, uma florescente civilização que seguia os preceitos do Cristianismo, embora a língua oficial fosse o grego e não o latim.  O império era chefiado por um patriarca que se recusava a seguir o chefe máximo da Igreja romana, o Papa.
  • 21.  Esta situação conduziu ao Cisma da Cristandade e a criação da Igreja Ortodoxa.  Esta igreja expandiu-se para a Rússia e nunca mais se fundiu com a Igreja Cristã Romana, mesmo em épocas em que a luta era com os mesmos inimigos.
  • 22. A emergência do feudalismo  Perante a falta de mão-de-obra, os grandes proprietários tendem a vincular à terra camponeses que, a pouco e pouco, se vão tornando dependentes. Reforçam-se as relações de dependência pessoal ou de vassalagem. Estas faziam-se através de um acordo especial - o contrato de vassalagem.  O Senhor possuía assim um conjunto de vassalos na sua dependência. Estes vassalos poderiam ter mais do que um Senhor, prestando homenagem a um deles.  A esta época da história da Europa, marcada por laços de dependência entre os homens e por uma economia marcadamente rural, os historiadores chamam FEUDALISMO.
  • 23. Características ASPECTO POLÍTICO ASPECTO SOCIAL ASPECTO ECONÓMICO ASPECTO RELIGIOSO  Descentralização do poder.  Enfraquecimento do poder do Estado Soberano (e do Rei).  Ascensão política da Nobreza.  Autoridade exer- cida de pessoa para pessoa.  Sociedade forte- mente hierarqui- zada (Clero, No- breza e Terceiro Estado).  Sociedade domina- da por laços de de- pendência pessoal: Suserano Grande Vassalo Pequeno Vassalo  Economia de base rural (agrária).  Economia fechada.  Economia de sub- sistência.  Decadência ou quase inexistência de comércio.  Insegurança das rotas.  Autoridade espi- ritual e temporal da Igreja.  Insersão da Igreja na ordem feudal.  Desenvolvimento do monaquismo.  Papel primordial dos Mosteiros no ensino, assistência social e manu- tenção da paz.
  • 24. As relações feudo- vassálicas  Os laços estabeleciam-se num sistema de cadeia: o suserano (o rei, primeiro na hierarquia), o Grande Vassalo (os vassi dominici ou vassalos diretos do rei) e o pequeno vassalo (dependente dos vassi dominici).
  • 25.  Estas relações de dependência faziam-se através de um contrato que compreendia as seguintes cerimónias: • Homenagem: cerimónia de entrega do vassalo ao Senhor, considerando-se seu homem e colocando-se na sua dependência;
  • 26. • Juramento de fidelidade: cerimónia feita pelos dois, em que juram ser fiéis um ao outro (sobre as sagradas escrituras), cumprindo o acordado;
  • 27. • Investidura: o Senhor investe o vassalo no cargo que vai ocupar e que pode ser transmitido de geração em geração.
  • 28.  Este contrato feito entre o vassalo e o senhor era vitalício e implicava deveres e obrigações mútuas, em particular de fidelidade, ajuda e conselho.
  • 29. Reforço do poder local  A apropriação dos direitos de bannus (conjunto de poderes exclusivos do rei e que correspondiam ao comando do exército e ao poder de punição dos homens livres – justiça) pelos senhores, retirou ao poder central a supremacia da jurisdição sobre as terras destes.  A imunidade (isenção fiscal e autonomia administrativa e judicial) passa, a partir do séc. VIII, para as mãos de alguns senhores nobres e para a Igreja.  Este processo de dependências múltiplas conduziu à criação de um sistema designado por Homenagem Lígia (ou seja, a fidelidade era devida ao mais importante dos senhores, o rei) como forma de proteger o poder central.
  • 30. Dependências  Para além dos laços de dependência entre senhores, existiam ainda os laços de família, que constituíam as solidariedades horizontais. As famílias organizavam-se em torno das necessidades de constituir um bom feudo, ocupar um bom cargo ou obter benefícios importantes.  A criação do sistema de herança de linhagem ou agnático (só o filho mais velho, varão é que herda), cria uma classe de filhos segundos, cuja sobrevivência passa pela incursão na vida religiosa, na cavalaria ou pela criação de laços de dependência verticais, contraídos com o membro mais poderoso da família.
  • 31. Senhorios  Na Europa da Alta Idade Média, o cultivo da terra ocupava a maior parte da população. Esta terra encontrava-se, na sua maior parte, nas mãos dos grandes senhores da Igreja e da Nobreza. A estas terras pertencentes ao senhor, chamamos Senhorio ou Domínio Feudal. Segundo os historiadores, o senhorio feudal resulta da apropriação dos direitos de bannus e à transformação da imunidade.  É a base da sociedade da época: • Unidade de produção fundamental, • Abastece o mercado local e inter-regional; • Garante a imposição e fortalecimento das elites.
  • 32.
  • 33.  Este senhorio era constituído por duas partes distintas: • a reserva - explorada diretamente pelo senhor. Cultivada por servos (trabalhadores rurais não livres; sujeitos à terra onde trabalhavam, podiam ser vendidos ou doados com ela e só obtém a sua liberdade no séc. XIII) e criados permanentes e pelos camponeses-vassalos sob a forma de trabalho gratuito. A reserva compreendia o castelo, os campos de cultivo do senhor, os prados, bosques, o forno, o moinho e o lagar (normalmente era metade da área do domínio, correspondendo à zona mais fértil).
  • 34. • Os mansos - parcelas do senhorio que o senhor concedia aos camponeses para que estes explorassem, em troca de uma parte da produção sob a forma de rendas e do trabalho gratuito na reserva. Estes mansos podiam ser livres (dados a camponeses livres) ou concedidos a servos ou escravos (mansos servis).
  • 35.
  • 36.  Os camponeses livres ou colonos, que exploravam as terras arrendadas encontravam-se na dependência do senhor. Tinham que explorar a terra e guardar parte da produção, bem como deviam aos senhores determinadas obrigações: • pagamento de rendas pelo aluguer das terras (em géneros); • pagamento de peagens (tributo sobre o trânsito de mercadorias que passavam pelas terras do senhor); • pagamento da talha (para assegurar a proteção do senhor); • cumprimento de corveias (trabalho de um certo número de dias por semana na reserva do senhor); • cumprimento de banalidades (utilização do moinho, forno… do senhor em troca da entrega de parte do produto obtido).
  • 37. Senhorio banal O senhor feudal: • Possuía jurisdição sobre os seus habitantes (direito de banus). • Exercia todos os domínios senhoriais (justiça, impostos, guerra). • Tinha, a partir do séc. VIII, imunidade fiscal. • Detinha grande autonomia. Este poder alargou-se progressivamente a outros senhores, conduzindo à divisão dos senhores feudais em duas categorias: • Grandes senhores (com direito de bannus, como condes, príncipes, abades…); • Pequenos senhores (fidalgos e monges) sujeitos ao poder banal da justiça, tal como os camponeses.
  • 38.  A expansão do senhorio banal por todo o Ocidente Europeu permitiu aos seus detentores - a aristocracia guerreira e as altas hierarquias da Igreja - tomarem virtualmente as rédeas da vida pública.  Os senhores constituíram-se como as únicas autoridades administrativas, judiciais e fiscais. Deles dependia a sobrevivência material das comunidades rurais, as famílias dos cavaleiros sem terra e a pequena nobreza empobrecida.  O senhorio agravou a vida das populações que, em resultado do clima de guerras constantes e de insegurança, se colocava sob a sua dependência. Os poucos que conseguiam resistir eram os habitantes dos núcleos urbanos.
  • 39.  As dependências senhoriais pressupunham a criação de uma rede de dependências servis (populares) contra as quais cedo se procurou pôr fim: • Camponeses que trabalham em regime de subserviência; • Criação de associações de vizinhos ou comunas rurais em que os camponeses juravam apoio mútuo e se organizavam para uma resistência contra os senhores (solidariedades horizontais) detentores dos direitos sobre a cidade; • Luta camponesa por documentos escritos que estipulassem os direitos e deveres das duas partes (ex. cartas comunais ou cartas de foral);
  • 40. A IGREJA: CRENÇA OU PODER
  • 41.  O Papa governa em nome de Deus e é o chefe da hierarquia eclesiástica: • Clero regular: que vive segundo uma regra (nos Mosteiros) – abades, monges. • Clero secular: que vive junto à população – padres, bispos e cardeais.  A área de influência da igreja romana foi sendo sucessivamente alargada, quer com a reconquista cristã, com a evangelização do norte da Europa ou com o movimento das cruzadas. A Igreja Romana
  • 42. O Monaquismo  Este movimento tem origem no séc IV - no Oriente - Egipto, Síria, Ásia Menor.  Nasceu de iniciativas individuais e ligado ao desejo de isolamento do mundo profano (fuga mundi) e do ascetismo.  Posteriormente, surgiram comunidades de monges/monjas que seguiam o seu mestre.  No Ocidente surge no séc. V, por iniciativa de bispos e no séc. seguinte apareceram os primeiros legisladores, como S. Bento de Núrsia.
  • 43.  Os mosteiros beneditinos e os seus monges copistas, ao assumirem o papel de guardiães do saber, ao serviço da difusão do Evangelho e da conservação da herança cultural greco-latina, tiveram um papel fundamental na unificação cultural do ocidente:  recolheram as “ heranças do conhecimento antigo”,  procuraram “estruturar uma sociedade arrasada, territorialmente disseminada e culturalmente debilitada”.  Neste processo, o papel dos monges beneditinos foi essencial, obrigados que estavam, pela regra, não só à oração e à leitura das Escrituras, mas também ao trabalho intelectual.
  • 44. Ordens monasteriais  Ordem de São Bento (Beneditinos) – séc. VI.  Ordem de Cluny (séc. X a XII, influência moralizadora dos seus membros no seio da Igreja, conhecido por reforma de Cluny).  Ordem de Cister (fundação da Abadia de Cister, por Roberto de Champagne, abade de Molesme para retomar a regra beneditina e o ascetismo inicial – ex. Mosteiro de Alcobaça).  S. Bernardo do Claraval e a reforma de Cister. Os seus ideais de construção religiosa apontam para a simplicidade. Forte impulsionador do canto gregoriano, que deriva do cantochão, prática monofónica de canto utilizada nas liturgias cristãs, originalmente desacompanhada .
  • 45. A Reforma Gregoriana  A fragmentação do poder real e a ascensão do poder dos senhores conduz a uma crise na Igreja:  O comprtamento de alguns clérigos não é condizente com a religião (comportam-se como verdadeiros senhores laicos),  Existência da prática de Simonia;  Enriquecimento de Mosteiros e Abadias;  Interferência dos reis na escolha de abades e bispos;  Desenvolvimento de movimentos heréticos…  Gregório VII procura restaurar o poder da Igreja e erradicar esyes fenómenos de heresia e simonia, afirmando a autoridade papal.
  • 46. A Questão das Investiduras  O Papa decretal a proibição de nomeação de bispos e abades por parte dos reis, reforçando a sua autoridade e levando a um conflito com o rei do império germane-romano, Henrique IV.  A questão das Investiduras, como ficou conhecida, apenas se resolverá com a Concordata de Worms em 1122.
  • 47. O Bispo de Roma  O Bispo de Roma torna-se o líder da comunidade cristã, passando a ser designado por Papa: • Sacralizou, educou as populações e evangelizou os invasores; • Controlou a nobreza guerreira, instituindo a paz de Deus, a Trégua de Deus e a instituição da Cavalaria; • Sacralizou e ritualizou todos os atos da vida quotidiana (calendário organizado com dias santos, integração das festividades pagãs no catolicismo…) • Criou instituições de caridade e de ensino (escolas monacais e episcopais)… • Manteve viva a cultura (monges copistas).
  • 48.  A crescente influência espiritual da Igreja durante a Idade Média efetuou-se em dois sentidos: • estabilizar as instituições feudais; • como suavizadora dos costumes e das mentalidades.  Desenvolveu-se um novo conceito de paz, que veio a modificar as características da própria guerra: a Paz de Deus e a Trégua de Deus. Através dos concílios de Paz (reuniões promovidas pelos Bispos em cada distrito), a Igreja procurou refrear a violência e estabelecer regras de conduta, normas morais e espirituais a que todos se obrigavam por juramento coletivo.
  • 49.  O poder da Igreja atinge o seu ponto máximo com o Concílio Ecuménico de Latrão (1215), onde são aprovadas um conjunto de medidas que mudarão o curso da história:  a criação do Tribunal da Inquisição;  a comunhão e confissão obrigatórias;  a pregação só com autorização papal;  a condenação da Simonia;  a organização de uma nova Cruzadas.  Inocêncio III reconhece a existência de um poder temporal. Todavia, este seria sempre fiscalizado pelo poder spiritual: “Um só Deus, Uma só Fé; Uma só Igreja, Uma única Soberania”.