Hesitações do crescimento
As crises económicas
Tal como no séc. XIV, a Europa conhece novamente uma crise que,
embora não se possa afirmar geral, atinge diversas regiões ao longo
do séc. XVII:
• As guerras europeias marcam pela desolação, miséria, fome e
epidemias de que são responsáveis;
• inúmeras revoltas populares lançam na vagabundagem e
banditismo muitos camponeses;
• nos domínios coloniais algumas tribos indígenas revoltam-se,
enquanto alastra a fuga de escravos.
O séc. XVII foi um século de estagnação ou baixa generalizada no
movimento dos preços. Esta situação justifica-se pela ação
coordenada de:
• maus anos agrícolas que provocam a sucessão de más colheitas e
baixa da produtividade;
• a quebra demográfica e os movimentos migratórios da população.
Quando os preços estavam em alta, os beneficiados eram os
cobradores de dízimas, os grandes proprietários e os grandes
rendeiros. Os prejudicados eram sempre os serventes, camponeses,
os artífices e os pequenos camponeses.
Estas crises ou períodos de estagnação manifestam-se de diversas
formas, dando origem a um quadro económico-social distinto (ou
inverso) do que se apresentava no século anterior:
• Fomes, epidemias e altas taxas de mortalidade;
• baixa generalizada dos preços;
• diminuição do crédito e dos investimentos;
• guerras de religião e outras;
• aumento das cargas fiscais sobre a população;
• quebra demográfica generalizada;
• revoltas populares…
As crises demográficas
A maioria dos países conhece uma paragem ou estagnação e,
nalguns casos, um refluxo do crescimento demográfico. Apesar de
tudo, é neste século que se acelera a evolução para um regime
demográfico novo que irá marcar o séc. XVIII: casamentos tardios,
diminuição do número de filhos e, mais tarde, a quebra da
mortalidade.
Decrescem as taxas de natalidade e aumentam as taxas de
mortalidade:
• A França, Espanha e Itália são os países mais afetados;
• As Províncias Unidas e a Inglaterra são a exceção à tendência
geral.
• Na América Latina, a descoberta do ouro intensifica os fluxos
migratórios e o consequente aumento populacional;
• O continente Norte-Americano mantém uma fraca densidade
populacional;
• A China e a Índia continuam a acusar um progressivo aumento da
população.
O processo de centralização do poder real, bem como o advento
do estado moderno, acarretaram um considerável aumento das
despesas públicas. Era necessário dinheiro para custear:
• a vasta máquina administrativa;
• a vida luxuosa que levavam os membros da corte (e os seus
servidores mais próximos);
• as diversas guerras e as despesas de manutenção do exército.
As despesas suplantam as receitas: dificuldades em manter o
orçamento estatal. O Estado tenta equilibrar a situação:
• aumento da carga fiscal sobre a população;
• endividamento do Rei junto da Burguesia.
Esta necessidade de dinheiro e a ideia de uma unificação da
sociedade e do estado desenvolve a vontade de crescimento e
dinamização do mercado nacional e do enriquecimento dos estados,
conduzindo ao que se chamará de sistema Mercantilista.
MERCANTILISMO
“A riqueza de um país é proporcional ao montante de metais preciosos
entesourados que este possui”.
Defende:
- O intervencionismo e dirigismo do estado;
- O protecionismo da economia;
- A obtenção de uma balança comercial favorável.
Justificação:
• Aumento das despesas (guerras e funcionários);
• Gastos da corte (Absolutismo e fausto);
• Redução do afluxo de prata americana;
• Incremento do comércio externo;
• Redução das receitas provenientes dos impostos;
• Decadência do Senhorialismo e crescente afirmação do Capitalismo.
Aspetos positivos:
• Desenvolve sentimentos de unidade nacional;
• Emancipa as economias nacionais;
• Contribui para o fim do Senhorialismo;
• Possibilita o desenvolvimento do capitalismo…
Aspetos negativos:
• Desenvolve companhias comerciais estatais;
• Secundariza a agricultura (exceto a Inglaterra);
• Desenvolve um nacionalismo exacerbado;
• Conduz a antagonismos e guerras:
- anglo-holandesa;
- franco-holandesa;
- anglo-francesa…
Na agricultura:
• Taxas aduaneiras flexíveis (baixas ou elevadas consoante os anos de
abundância ou carência);
• Promoção das exportações;
• Elevados índices de produção (para
precaver contra as fomes)…
MERCANTILISMO INGLÊS
No comércio:
• Estimulou a marinha mercante (Atos de Navegação);
• Construiu navios;
• Desenvolveu as companhias comerciais;
• Autorizou a criação de companhias privadas (ex. Índias Orientais);
• Promoveu a colonização e o desenvolvimento das colónias...
Na indústria:
• Publicou os atos de navegação (promoção da indústria naval);
• Controlou a qualidade dos produtos;
• Concedeu às manufaturas benefícios vários (empréstimos; isenções
fiscais…);
• Regulamentou o trabalho;
• Aplicou taxas alfandegárias às importações...
Política colonial:
• Colónias como fontes de matéria-prima e mercado;
• Alargamento do seu território:
- Nova Amesterdão (NY) em 1664;
- expansão para as Antilhas;
- Golfo da Guiné;
- Índia.
• Pacto colonial (reforçado pelos atos de navegação).
MERCANTILISMO FRANCÊS
Desenvolve-se com Colbert, que:
• Incrementou a indústria manufatureira;
• Desenvolveu as culturas industriais (ex. linho);
• Concedeu às manufaturas diversos benefícios, como os empréstimos
sem juros, isenções fiscais…;
• Procurou garantir a qualidade da produção;
• Tabelou salários e preços (mais produção);
• Aplicou taxas alfandegárias às importações (guerra com a Holanda)...
É o chamado Mercantilismo Intervencionista ou Industrial.
• Formou grandes companhias de comércio:
- Índias Orientais (Pacífico e Índico);
- Índias Ocidentais (Europa- África-América);
- Companhia do Norte (Báltico);
- Companhia do Levante (império turco).
• Reclamou a posse de vários territórios coloniais (Canadá, Martinica,
São Domingos…);
• Impôs o exclusivo colonial.
Razões do insucesso colbertiano:
• Excessiva dependência do estado;
• Inibição do espírito negociante (debilidade da Burguesia e Nobreza –
não investem);
• Sistema financeiro contrário ao investimento particular;
• Aumento da miséria e da perda de poder de compra por parte dos
camponeses;
• Sistema bancário frágil.
CONCORRÊNCIAS E CONFLITOS
Anglo-Holandeses:
. 1651 – Ato de navegação contra a Holanda;
. Proibição de importação de matérias-primas de interesse para as
manufaturas inglesas;
. Aumento das taxas alfandegárias às importações;
. Ocupação de zonas de domínio holandês (ex. Nova Amesterdão)
. Contestação ao Mare Liberum holandês.
- 1652/54 a 1659 – 1ª guerra e derrota holandesa;
- 1665 – 2ª guerra (Tratado de Breda – NY);
- 1672 a 1674 – 3ª guerra (Tratado da União contra França).
CONCORRÊNCIAS E CONFLITOS
Anglo-Franceses:
- 1701 a 1714 – guerra de sucessão de Espanha. Para impedir a
formação de um grande império surge uma aliança contra a França
(Inglaterra, Portugal, Prússia, Alemanha…Termina com a divisão de
terras espanholas (Tratado de Utrecht – Antilhas, Gibraltar…);
- 1756 a 1763 – guerra dos 7 anos (emigração inglesa para o Canadá
(que obtém, após o Tratado de Paris). O império colonial francês é
arruinado e a hegemonia britânica é assegurada, apoiada numa
complexa rede de feitorias por todo o Atlântico, Índico e Pacífico.

3. hesitações do crescimento

  • 1.
  • 2.
    As crises económicas Talcomo no séc. XIV, a Europa conhece novamente uma crise que, embora não se possa afirmar geral, atinge diversas regiões ao longo do séc. XVII: • As guerras europeias marcam pela desolação, miséria, fome e epidemias de que são responsáveis;
  • 3.
    • inúmeras revoltaspopulares lançam na vagabundagem e banditismo muitos camponeses; • nos domínios coloniais algumas tribos indígenas revoltam-se, enquanto alastra a fuga de escravos.
  • 4.
    O séc. XVIIfoi um século de estagnação ou baixa generalizada no movimento dos preços. Esta situação justifica-se pela ação coordenada de: • maus anos agrícolas que provocam a sucessão de más colheitas e baixa da produtividade; • a quebra demográfica e os movimentos migratórios da população. Quando os preços estavam em alta, os beneficiados eram os cobradores de dízimas, os grandes proprietários e os grandes rendeiros. Os prejudicados eram sempre os serventes, camponeses, os artífices e os pequenos camponeses.
  • 5.
    Estas crises ouperíodos de estagnação manifestam-se de diversas formas, dando origem a um quadro económico-social distinto (ou inverso) do que se apresentava no século anterior: • Fomes, epidemias e altas taxas de mortalidade; • baixa generalizada dos preços; • diminuição do crédito e dos investimentos; • guerras de religião e outras; • aumento das cargas fiscais sobre a população; • quebra demográfica generalizada; • revoltas populares…
  • 6.
    As crises demográficas Amaioria dos países conhece uma paragem ou estagnação e, nalguns casos, um refluxo do crescimento demográfico. Apesar de tudo, é neste século que se acelera a evolução para um regime demográfico novo que irá marcar o séc. XVIII: casamentos tardios, diminuição do número de filhos e, mais tarde, a quebra da mortalidade.
  • 7.
    Decrescem as taxasde natalidade e aumentam as taxas de mortalidade: • A França, Espanha e Itália são os países mais afetados; • As Províncias Unidas e a Inglaterra são a exceção à tendência geral. • Na América Latina, a descoberta do ouro intensifica os fluxos migratórios e o consequente aumento populacional; • O continente Norte-Americano mantém uma fraca densidade populacional; • A China e a Índia continuam a acusar um progressivo aumento da população.
  • 8.
    O processo decentralização do poder real, bem como o advento do estado moderno, acarretaram um considerável aumento das despesas públicas. Era necessário dinheiro para custear: • a vasta máquina administrativa; • a vida luxuosa que levavam os membros da corte (e os seus servidores mais próximos); • as diversas guerras e as despesas de manutenção do exército. As despesas suplantam as receitas: dificuldades em manter o orçamento estatal. O Estado tenta equilibrar a situação: • aumento da carga fiscal sobre a população; • endividamento do Rei junto da Burguesia.
  • 9.
    Esta necessidade dedinheiro e a ideia de uma unificação da sociedade e do estado desenvolve a vontade de crescimento e dinamização do mercado nacional e do enriquecimento dos estados, conduzindo ao que se chamará de sistema Mercantilista.
  • 10.
    MERCANTILISMO “A riqueza deum país é proporcional ao montante de metais preciosos entesourados que este possui”. Defende: - O intervencionismo e dirigismo do estado; - O protecionismo da economia; - A obtenção de uma balança comercial favorável.
  • 12.
    Justificação: • Aumento dasdespesas (guerras e funcionários); • Gastos da corte (Absolutismo e fausto); • Redução do afluxo de prata americana; • Incremento do comércio externo; • Redução das receitas provenientes dos impostos; • Decadência do Senhorialismo e crescente afirmação do Capitalismo.
  • 13.
    Aspetos positivos: • Desenvolvesentimentos de unidade nacional; • Emancipa as economias nacionais; • Contribui para o fim do Senhorialismo; • Possibilita o desenvolvimento do capitalismo…
  • 14.
    Aspetos negativos: • Desenvolvecompanhias comerciais estatais; • Secundariza a agricultura (exceto a Inglaterra); • Desenvolve um nacionalismo exacerbado; • Conduz a antagonismos e guerras: - anglo-holandesa; - franco-holandesa; - anglo-francesa…
  • 15.
    Na agricultura: • Taxasaduaneiras flexíveis (baixas ou elevadas consoante os anos de abundância ou carência); • Promoção das exportações; • Elevados índices de produção (para precaver contra as fomes)… MERCANTILISMO INGLÊS
  • 16.
    No comércio: • Estimuloua marinha mercante (Atos de Navegação); • Construiu navios; • Desenvolveu as companhias comerciais; • Autorizou a criação de companhias privadas (ex. Índias Orientais); • Promoveu a colonização e o desenvolvimento das colónias...
  • 17.
    Na indústria: • Publicouos atos de navegação (promoção da indústria naval); • Controlou a qualidade dos produtos; • Concedeu às manufaturas benefícios vários (empréstimos; isenções fiscais…); • Regulamentou o trabalho; • Aplicou taxas alfandegárias às importações...
  • 18.
    Política colonial: • Colóniascomo fontes de matéria-prima e mercado; • Alargamento do seu território: - Nova Amesterdão (NY) em 1664; - expansão para as Antilhas; - Golfo da Guiné; - Índia. • Pacto colonial (reforçado pelos atos de navegação).
  • 19.
    MERCANTILISMO FRANCÊS Desenvolve-se comColbert, que: • Incrementou a indústria manufatureira; • Desenvolveu as culturas industriais (ex. linho); • Concedeu às manufaturas diversos benefícios, como os empréstimos sem juros, isenções fiscais…;
  • 20.
    • Procurou garantira qualidade da produção; • Tabelou salários e preços (mais produção); • Aplicou taxas alfandegárias às importações (guerra com a Holanda)... É o chamado Mercantilismo Intervencionista ou Industrial.
  • 21.
    • Formou grandescompanhias de comércio: - Índias Orientais (Pacífico e Índico); - Índias Ocidentais (Europa- África-América); - Companhia do Norte (Báltico); - Companhia do Levante (império turco). • Reclamou a posse de vários territórios coloniais (Canadá, Martinica, São Domingos…); • Impôs o exclusivo colonial.
  • 22.
    Razões do insucessocolbertiano: • Excessiva dependência do estado; • Inibição do espírito negociante (debilidade da Burguesia e Nobreza – não investem); • Sistema financeiro contrário ao investimento particular; • Aumento da miséria e da perda de poder de compra por parte dos camponeses; • Sistema bancário frágil.
  • 23.
    CONCORRÊNCIAS E CONFLITOS Anglo-Holandeses: .1651 – Ato de navegação contra a Holanda; . Proibição de importação de matérias-primas de interesse para as manufaturas inglesas; . Aumento das taxas alfandegárias às importações; . Ocupação de zonas de domínio holandês (ex. Nova Amesterdão) . Contestação ao Mare Liberum holandês. - 1652/54 a 1659 – 1ª guerra e derrota holandesa; - 1665 – 2ª guerra (Tratado de Breda – NY); - 1672 a 1674 – 3ª guerra (Tratado da União contra França).
  • 24.
    CONCORRÊNCIAS E CONFLITOS Anglo-Franceses: -1701 a 1714 – guerra de sucessão de Espanha. Para impedir a formação de um grande império surge uma aliança contra a França (Inglaterra, Portugal, Prússia, Alemanha…Termina com a divisão de terras espanholas (Tratado de Utrecht – Antilhas, Gibraltar…); - 1756 a 1763 – guerra dos 7 anos (emigração inglesa para o Canadá (que obtém, após o Tratado de Paris). O império colonial francês é arruinado e a hegemonia britânica é assegurada, apoiada numa complexa rede de feitorias por todo o Atlântico, Índico e Pacífico.