OLHARES HOLÍSTICOS NA AÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR

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MONOGRAFIA DE LUZ MARY PADILHA DIAS APRESENTADA PARA QUALIFICAÇÃO EM SUPERVISÃO ESCOLAR LATO SENSU PELA FIJ.

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OLHARES HOLÍSTICOS NA AÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR

  1. 1. FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ – FIJ Curso de Pós-Graduação em Supervisão Escolar Luz Mary Padilha Dias OLHARES HOLÍSTICOS NA AÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR Porto Alegre
  2. 2. 2 2012FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ – FIJ OLHARES HOLÍSTICOS NA AÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR Monografia apresentada à Faculdade Integrada de Jacarepaguá-FIJ como requisito parcial para a conclusão do curso de pós-graduação lato sensu em Supervisão Escolar Por Luz Mary Padilha Dias Professora Orientadora Kátia Cruz Ponce Porto Alegre 2012
  3. 3. 3 RESUMOEste trabalho de conclusão de curso trata da visão holística que o supervisor escolarpode vir a se apropriar para um entendimento diferenciado dos percalços notórios no diaa dia da vida dos integrantes do planeta em geral, que acabam de certa forma recaindona escola por ser um espaço destinado ao desenvolvimento humano. Devido a tantasincertezas e inquietudes advindas de todo o entrave globalizado é que se tornanecessária uma mudança paradigmática, para dar conta desses novos tempos que por orase apresentam no mundo. A visão holística pode colaborar nesse novo entendimento eatuação mais significativa, trazendo em sua visão um enfoque integral do ser, umenriquecimento de olhares colaboradores para o acolhimento da natureza como um todo.Através dessa concepção tem-se presente uma interconexão entre os seres em todas assuas formas, resguardando-se valores de cuidado e sensibilidade para com todos. Aholística é um passo à frente na busca de parcerias que alicercem melhor o ser humano eresgatem valores e concepções de vida muito mais significativas e prazerosas. Por esseviés, para um melhor entendimento desta pesquisa, será apresentado primeiramente umapanhado sobre a história da supervisão escolar - que é o ator principal dessamonografia -, para depois haver uma busca dos significados da holística juntamentecom alguns teóricos estudiosos do assunto. Como conclusão poderia dizer-se que aapropriação desse conhecimento novo, alternativo e ecológico torna-se viável nos diasde hoje, objetivando o crescimento de todos os envolvidos com a escola eprincipalmente com bem-estar planetário, objetivando a integralidade do ser.PALAVRAS-CHAVES: Holística. Novos tempos. Supervisão Escolar.
  4. 4. 4 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO............................................................................................................52 JUSTIFICATIVA.........................................................................................................83 OBJETIVOS GERAIS...............................................................................................11 OBJETIVOS ESPECÍFICOS....................................................................................114 METODOLOGIA DA PESQUISA...........................................................................125 CAPÍTULO I – DA ORIGEM DA PALAVRA À HISTÓRIA DA SUPERVISÃOESCOLAR......................................................................................................................13 5.1 – A AÇÃO DO SUPERVISOR NOS TEMPOS ATUAIS...................................166 CAPÍTULO II – NOVOS TEMPOS QUE SE APRESENTAM: PINCELADASHOLÍSTICAS DE ENTENDIMENTO.......................................................................23 6.1 – O PAPEL DA EDUCAÇÃO NOS DIAS ATUAIS........................................27 6.2 – A PERSPECTIVA QUÂNTICA E SUA COLABORAÇÃO NO RESGATE DO SER HUMANO........................................................................................307 CAPÍTULO III – COMO ARTICULAR OS SABERES DA HOLÍSTICA COMA SUPERVISÃO ESCOLAR......................................................................................348 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................43REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................45
  5. 5. 5 1 - INTRODUÇÃO “Olhares holísticos na ação do supervisor escolar” prevê um olhar um poucomais abrangente em termos de educação, porque se vive um momento onde cresce otrabalho da direção pedagógica em termos de conscientização desse novo tempo.Momento histórico de incertezas e a velocidade crescente de diferentes valores não maistão interpretáveis como antigamente. Nesse atual contexto, onde predominam os valores ambivalentes, torna-sepontual uma atenção especial às idéias alternativas de entendimento para que se possatornar a educação bem mais prazerosa e principalmente contextualizada com o todo. O Supervisor Escolar é um profissional especializado que além de manter amotivação do corpo docente, deve ser um idealista, definindo claramente que caminhostomar, que papéis se propõe a desempenhar, buscando constantemente sertransformador, trabalhando em parceria, integrando a escola e a comunidade na qual seinsere. No momento atual, para além dessas qualidades tão importantes para o seu dia-a-dia também se pode pensar numa parceria de entendimento dos acontecimentoscotidianos buscando-se uma nova consciência, capaz de captar mais globalmente osmovimentos presentes na atmosfera em que está inserido. Um dos assuntos mais discutidos na atualidade é a educação no seu sentido deformação humana, pois educar não é uma tarefa muito fácil, e ter-se a compreensão deque esse humano é um ser integral ainda não está completamente entendido nos meiosacadêmicos e profissionais. Existem possibilidades de mudanças, muitas vezes necessitando somente de umenvolver-se mais e efetivamente buscar um clima bem mais tranqüilo nos ambientesescolares. Essa tarefa de liderar tendo presente outros olhares alternativos exigecomprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. As mudanças não sepropagam em um tempo imediato, por isso, as transformações são decorrentes de ações.
  6. 6. 6 O começo dessa nova consciência pode advir do supervisor, pois ele tem emsuas mãos um cotidiano onde pode auferir diferentes concepções para exercer suastarefas profissionais, apostando que essas estratégias de entendimento podem ajudar emudar alguns cenários com sérios problemas. Assim dessa maneira, com esse pensamento bem mais alargado, o supervisorescolar terá suas ações consequentemente ampliadas, podendo apoiar e sugerir novosparadigmas de cotidiano para que tudo fique mais articulado com a realidadeapresentada nessa nova era que se apresenta. O desenvolvimento da sociedade moderna representa motivos de muita reflexão,principalmente pelo fato de que a área educacional possui muitos problemas e quediretamente vinculam-se as demais atividades. Com uma preocupação mais humana percebe-se também um conhecimentocientífico satisfatório, acreditando-se que para além dos conteúdos escolares tambémexistem outros valores intrínsecos à formação do sujeito. Confia-se também naviabilidade de fazer do ambiente escolar um espaço construtivo, que desperte o interessedo educando para aprender e fazer do professor um mediador do saber. Não se trata de ignorar as velhas práticas educacionais e sim despertar paranovas aquisições de melhorias para entender o aluno e os envolvidos no processo deensino/aprendizagem com mais discernimento e integralidade, para que se possaconstruir uma sociedade onde a pessoa que está vivendo nesse ambiente tenhaconsciência do seu papel e da importância de tudo que o rodeia. Nesse linear, o supervisor escolar pode promulgar o início de uma nova eraeducacional, onde haja mais consciência do todo e o ensino seja buscado comqualidade, priorizando o aluno e valorizando as experiências significativas. Muitos são os benefícios obtidos com esse novo olhar, assegurando umaabertura para um mundo mais sensível e ao mesmo tempo consistente, construído commais respeito e valoração ao meio em que se vive.
  7. 7. 7 Este trabalho de conclusão de curso tem como expectativa, promover umentendimento do que se espera desse novo momento em termos de nova era e de comoum supervisor escolar pode conscientizar seu olhar para enfim poder captar asmensagens emanadas dos componentes da escola onde exerce seu trabalho, acatandoessas linguagens e tornando possível um caminho diferente para um mundo melhor.
  8. 8. 8 2 - JUSTIFICATIVA Perceber o outro por vários ângulos na tentativa de explorar suas habilidades ecompreender seu momento seria o ideal para entender melhor a dinâmica da vida, enessa pesquisa, entender melhor a dinâmica da escola e todos os seus envolvidos. Dessa maneira trago à tona um tema que não tem muito apoio bibliográfico nomomento, tendo em vista ser algo cientificamente novo e ainda estudado e questionado.Tentarei juntar apoio no que esses diferentes olhares podem contribuir para que existarealmente um caminho carregado de boas intenções para um mundo melhor em termosde educação. Conveniente fazer essa ligação entre esses conhecimentos dessa nova erapreparando, quem sabe, o corpo diretivo da escola, em especial os supervisoresescolares, para direcionar melhor esse movimento de instabilidades ou múltiplosacontecimentos presentes no dia-a-dia das pessoas. Podemos observar que a tarefa do supervisor não pode ser mais única. O mundorequer outro tipo de profissional. Um profissional que perceba a integralidade dosacontecimentos que ora se apresentam a ele, não deixando que eles sejam vistos de umamaneira estanque para então poder haver uma intervenção bem melhor intencionada. Um supervisor escolar para estar em equilíbrio com esses novos tempos precisacompreender essa mudança de paradigma, ou melhor, essa provisoriedade deentendimentos bem mais relacionados ao contexto em que se vive. Para esse entendimento o supervisor escolar precisa estar aberto, buscandosubsídios que possam realçar esses novos aportes, inter-relacionando sua liderança econhecimento com essa nova consciência para que isso complete sua melhor ação nassituações que se apresentem. Os tempos atuais pulsam por pessoas sensíveis e ao mesmo tempo competentesna sua ação, por vias do diálogo mais humano e inteligível.
  9. 9. 9 Esse olhar humanizador e holístico tende a contribuir com a máxima buscada naatualidade que é o bem-viver, estando ligado aos relacionamentos em geral, na tentativade compreender o que se é apresentado com mais abrangência e pluralidade. Nesse novo milênio é notório esse movimento de atitudes múltiplas e olharesmúltiplos, necessitando-se preeminentemente que essa sensibilidade seja buscada econtemplada, aprimorando melhor os entendimentos dos acontecimentos cotidianos. O supervisor escolar, para além de seus conhecimentos acadêmicos eprofissionais precisa pensar e deter-se nesses novos tempos e nessas mudançasconstantes, para poder intervir nesse processo planetário de inquietações apresentados. As mudanças são necessárias para o crescimento do ser humano, e osapoiadores, mediadores, como sejam chamados, tem que ter essa maneira diferentede olhar para poderem realizar com clareza e equilíbrio suas tarefas. Muitas situações vão se apresentar durante o cotidiano do supervisor escolar,apresentando-se de uma maneira muitas vezes inexplicáveis, porém esse profissional aoter um olhar mais “apurado”, mais global e integral, poderá ressignificar essas situações,tornando, porque não, sua atuação bem mais completa e certeira. Minha inquietação acerca dessa pesquisa é relacionada com esse novoparadigma emergencial e a contribuição do supervisor escolar, ou seja, de que maneiraesse profissional deverá entender esses novos tempos que ora se apresentam. Muitos são os desafios apresentados e serão apresentados tantos outros, por issoessa minha preocupação em ver esses novos conceitos e contribuir de uma maneira maissignificativa com a sociedade educativa e a tarefa da supervisão escolar. Pretendo então através dessa monografia trazer um pouco desse novo olhar emeducação, percorrendo primeiramente a história do supervisor escolar, como elepresenciava seu cotidiano, tarefas e adjacências, após farei um relato sobre os novostempos que se apresentam e chegam à escola e por último descreverei os papéis queesses novos supervisores vão percorrer e como isso pode ser visto e articulado.
  10. 10. 10 Penso ser de extrema valia esse estudo, tendo em vista a pulsão que se apresentanos tempos atuais, tornando necessária uma prática mais significativa e humana em setratando de bancos escolares.
  11. 11. 11 3 – OBJETIVOS O objetivo geral deste trabalho é identificar como o supervisor escolar deve agirlevando em consideração o novo contexto mundial que se apresenta de uma maneiramuito ambígua e imperfeita, observando holisticamente esse novo movimento. Os objetivos específicos são os seguintes:- Relatar historicamente como é a caminhada da supervisão escolar em se tratando decontextos tanto antigos quanto atuais- Identificar qual o novo tempo que ora é vivenciado pela humanidade, em termos demeio ambiente e relações sociais- Relacionar alternativas de entendimento e valoração dos tempos atuais com asupervisão escolar
  12. 12. 12 4 - METODOLOGIA DE PESQUISA Esta pesquisa será de cunho bibliográfico, exploratório e qualitativo, ondeprocurei junto à teoria um suporte para defender as idéias que por ora foram permeadas.Será também uma pesquisa básica, porque objetiva criar um conhecimento novo para oavanço da ciência.
  13. 13. 13 5 - CAPÍTULO I DA ORIGEM DA PALAVRA À HISTÓRIA DA SUPERVISÃO ESCOLAR Ao pesquisar-se o termo supervisão, segundo vários dicionários, se podeperceber que o mesmo refere-se a dirigir, orientar, inspecionar. Quanto a origem dapalavra encontramos o supervisor como aquele que revisa, aquele que vê, que tem uma“super visão”. Encontramos também a origem etimológica da palavra supervisionar, ondetemos: SUPERVISIONAR = SUPERVISAR’ e ‘SUPERVISAR = dirigir ou orientar emplano superior; superintender, supervisionar’. FERREIRA (1993 p.520). Dentro desta perspectiva, Nérici (1974, p. 29), afirma que Supervisão Escolar é a“visão sobre todo o processo educativo, para que a escola possa alcançar os objetivos daeducação e os objetivos específicos da própria escola”. Este olhar exclui os sujeitos envolvidos no processo educativo, ou seja, a‘escola’ e os‘objetivos da educação’ são o foco do trabalho, sem que sejamconsiderados os professores, alunos, especialistas, demandas sociais ou qualquer outravariável dentro desse processo. Alguns anos depois, já se percebe um avanço em termos de conceituação deSupervisão Escolar, quando Rangel (2001), reconhece a necessidade de relação destecom os outros profissionais da escola: “um trabalho de assistência ao professor, emforma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação eatualização do desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem”. Esta conceituação propõe que a Supervisão seja percebida levando-se em contaduas outras dimensões: a relação entre os sujeitos, Supervisor – Professor, e o ensino-aprendizagem, objeto de trabalho desses profissionais, ultrapassando a simplesexecução de tarefas e a ‘fiscalização’ do trabalho realizado.
  14. 14. 14 Seguindo nesta linha, Alonso (2003, p. 175) afirma que a Supervisão, dentro deuma perspectiva relacional e construída no cotidiano da escola, (...) vai muito além deum trabalho meramente técnico-pedagógico, como é entendido com freqüência, umavez que implica uma ação planejada e organizada a partir de objetivos muito claros,assumidos por todo o pessoal escolar, com vista ao fortalecimento do grupo e ao seuposicionamento responsável frente ao trabalho educativo. Desvela-se, assim, a função do Supervisor como referência frente ao grupo efrente ao todo da escola. Este profissional enquanto responsável pela ‘coordenação’ do trabalhopedagógico assume uma liderança, um papel de responsável pela articulação dos saberesdos professores e sua relação com a proposta de trabalho da escola. Alarcão (2004, p. 35), refere-se a este profissional como líder, definindo comoobjeto de seu trabalho “o desenvolvimento qualitativo da organização escolar e dos quenela realizam seu trabalho de estudar, ensinar ou apoiar a função educativa por meio deaprendizagens individuais e coletivas”. Estas definições revelam um enriquecimento nasatribuições do Supervisor Escolar. Mostra-se na história que a supervisão é uma das atividades mais antigas com afunção de ensinar/aprender. Desde a Grécia Antiga, supervisão era considerada comoum “treinamento para estudantes” e na Idade Média ela servia para controlar as tarefasrealizadas pela escola no sentido de garantir que aspectos religiosos e morais fossemincluídos nos conteúdos ensinados pelos professores aos alunos, considerada dessamaneira como certificadora de execução de ações. O conceito e a ação supervisora sofreram singular evolução ao longo dos anos,até chegar à atual consideração. Pode-se dizer então que as fases distintas queorientaram o trabalho do Supervisor Educacional o fez conduzir sua inserção na Escola,no sistema educacional e junto ao professor sob a forma de distintas concepções. Nérici (1973) estudioso da área da supervisão prevê em sua teoria trêsconcepções/fases históricas de evolução da ação dessa profissão que sãorelatadas a seguir: ação fiscalizadora, ação construtiva e ação criativa.
  15. 15. 15 A fase fiscalizadora foi a primeira a se confundir com inspeçãoEscolar, interessada mais no c u m p r i m e n t o das leis de ensino,condições do prédio, situação legal dos professores,cumprimento de datas e prazos de a tos Escolares, como provas,transferências, matrículas, férias, documentação dos educandos, etc. (NÉRICI,1973, p. 30-31). Esta modalidade de Supervisão (também considerada inspeçãoEscolar) seguia padrões rígidos, inflexíveis e padrão para todo o país, não havendoconsideração para as peculiaridades e necessidades de cada região e muito menos asdiferenças individuais dos educandos. Sobre a segunda fase, a fase construtiva ou de supervisão orientada, é a quereconhece a necessidade de melhorar a atuação dos professores. Os inspetoresEscolares, então, passaram a promover cursos de aperfeiçoamento e atualização dosprofessores. O Supervisor Escolar deste período era imbuído e responsabilizado por examinaras falhas na atuação dos professores e essas falhas serviram como motivo para arealização de trabalhos e estudos visando à remoção e à solução das mesmas. A concepção que orientou a tercei ra fase, a criativa – tambémreconhecida como a atual – é aquela em que a Supervisão Educacional se separa dainspeção para montar um serviço que tenha em foco o aperfeiçoamento de todo oprocesso ensino-aprendizagem, envolvendo todas as pessoas implicadas no mesmo.Pode ser considerada também como uma atuação democrática. A atuação democrática do supervisor, modifica o panorama “sombrio” antescaracterizado, criando um ambiente de compreensão, liberdade, respeito e criatividadeque muito facilita o trabalho da supervisão Escolar e do professor, consequentemente. Por isso justifica-se considerar que a Supervisão Educacional, hoje, urge sercriativa, democrática, inovadora, compartilhada e atualizada, a fim de romper comparadigmas e ações fiscalizadoras, autoritárias, alienantes e conservadoras. Como diz Marquez (1970 apud Medina, 1973, p. 31): “supervisão criadoraestimula e orienta, de maneira democrática e científica, os mestres, a fim e que se
  16. 16. 16desenvolvam profissionalmente e sejam cada vez mais capazes de obter o maior grau deeficiência no processo de ensino”. O ideal de Supervisão Educacional é promover atividades de crescimentoprofissional e ambiente de estudo e de estímulo, que incitem os professores asuperarem-se constantemente, consequentemente o aluno será privilegiado através deum profissional mais consciente de seus atos e atitudes perante o todo. O mesmo autor está de acordo com as diferentes concepções evolutivasapresentadas por Nérici, e defende que no último momento, o Supervisor Educacionalassume um papel mais dedutivo, mais inovador, mais atualizado, onde ele é umpesquisador dentro da escola e da comunidade compreendendo o movimento queenvolve as relações entre o professor, aluno e o próprio Supervisor, de formasimultânea. Tem-se, a partir daí, uma Supervisão Educacional que busca reciclar-se paraassumir novas funções, novas visões, novos paradigmas, tentando superar o modeloconservador, autoritário e burocrático. 5.1) A AÇÃO DO SUPERVISOR NOS TEMPOS ATUAIS O supervisor, pretende-se entender, que é alguém que vê, olha, contempla. Alguém consciente, acordado, atento. A visão, porém se dá numa amplitude dehorizontes que apanha toda a circunstância educativa. Supervisionar implica, portanto, numa posição que possibilite a compreensão deuma abrangência que alcance a realidade educativa global. O profissional se constituipela sua forma de agir, portanto, o agir determina o ser, pois é na ação concreta que sepode vislumbrar a essência da natureza do agente ativo em uma profissão (GIRARDI,1982).
  17. 17. 17 O seu campo de atuação que é a escola já não é mais o mesmo. O cenário que seapresenta é bem diferente do que existia há tempos atrás. Os alunos e a função social daescola estão bem mais exigente em virtude da realidade a que se está inserida. Nesse âmbito, são necessários supervisores bem mais qualificados, que estejamà altura dessa nova sociedade em transformação. O papel do Supervisor Educacional já passou por muitos caminhos, com açõesquestionadas e criticadas, mas com uma contribuição especificamente importante a darno processo educativo. O supervisor escolar dentro desse momento de transformação necessitadesempenhar um papel de “intelectual transformador” articulado com uma perspectivadialógica, a fim de correlacionar àquilo que se apresenta com aquilo que se pode fazerpara resolver diferentes situações cotidianas e adjacentes a sua tarefa. Desta maneira concordo com Ferreira (2002) quando diz que “ (...) o ser humanovai construindo sua visão de mundo como uma totalidade sempre provisória, porqueestá sempre em construção e transformação, e, desta forma, vai tornando-se sujeito”. Historicamente, a função do Supervisor Escolar modificou-se. Seuobjeto de trabalho e suas ações, inicialmente voltados para o controle e para ainspeção, passam a ser mais complexos e desafiadores, pois dizem respeito à formação,à orientação, ao acompanhamento do trabalho pedagógico dos professores em serviço,sem contar as novas tecnologias e esses novos “atores” que chegam até a escolavislumbrando um movimento bem mais prazeroso do que aquele outrora encontrado. Ferreira (2002) argumenta que é necessário repensar, redefinir e assumir aeducação na realidade (...) é a tarefa mais urgente em busca de um sabercrítico que possibilite desenvolver em cada ser humano o que ele possui demais humano. (Ferreira, 2002 p.20). Consequentemente, nos dias atuais, levarmos o termo supervisão ao “pé daletra”, seria um ato de autoritarismo que colaboraria para que o supervisionadoaumentasse seu medo frente ao novo processo, e retornássemos à Idade Média.
  18. 18. 18 Supervisionar implica a cooperação em uma reflexão acerca do trabalhorealizado, encontrar pontos de preocupação, de angústia que estejam impedindo arealização de tarefas, solucionar dificuldades e tentar ultrapassá-las apesar dos pontosnegativos. Dessa maneira, o supervisor deve ampliar os significados do seu olhar, daescuta e ajudar a vencer esses momentos de turbulências que podem surgir no decorrerde todo o processo educativo e seus envolvidos. Assim, pensando na ação do profissional Supervisor Educacional, conformeGirardi (1982), algumas qualidades e aptidões indicam e determinam o seu exercer aação supervisora, uma vez que destes atributos depende a consecução dos objetivos quepermeiam a profissão em si de especialista em Educação:a) Lucidez quanto à Educação O supervisor Educacional é aquele profissional que possui ideias clarasquanto à Educação, e opta por uma filosofia para poder saber o que a escola quer obtercom seu processo educativo. Para agir corretamente é preciso saber oscaminhos de ação.b) Segurança O conhecimento da problemática da educação faz com que o supervisor atuecom segurança no planejamento, no assessoramente e na execução dos projetoseducativos. Sem ser dono da verdade, o Supervisor Educacional não pode ser apenasopinador, mas, a partir de sua lucidez e conhecimento de suas funções, posiciona-se emotiva para que, estando certo, possa ser seguido tendo em vista sua solidez.c) Consciência do papel das suas funções No plano educacional de uma escola há o lugar específico do supervisoreducacional. É preciso que este profissional tenha bem claro qual o espaço aser ocupado para o exercício de suas funções, pois assim obterá o respeito de outrosprofissionais, inclusive do professor, obtendo, dessa forma, ah a r m o n i a d e u m t r a b a l h o coletivo.
  19. 19. 19d) Espírito crítico O ser humano se torna mais humano e mais digno de suanatureza à medida que o pensamento rege a sua vida. A capacidadede julgar, de emitir juízo, de a n a l i s a r a p a r t i r d e p r e s s u p o s t o sracionais é que traduz o que seja espírito crítico. OSupervisor Educacional, como profissional da Educação, deveráp o s s u i r t a l e s p í r i t o p a r a também saber transmiti-lo, provocando em suaequipe a capacidade de reflexão e de revisão constante. Ao contribuir para aformação de um professor reflexivo, crítico, pensante, este docente orientaráseus alunos na mesma linha de formação, o que resultará na formação de u mser realmente instruído e capaz de, pelo conhecimento, interferir nar e a l i d a d e e n e l a conviver com sucesso.e) Racionalidade Dada a sua estratégica posição de mediador entre ocorpo docente, educandos e Direção, o Supervisor Educacional precisa seconstituir no profissional que tem por hábito usar sua razão para não complicar oque é simples, não pulverizar o planejamento de tal forma que perca osentido de globalidade e não disper sando o trabalho coletivo, que é a b a s epara a consecução dos objetivos educacionais. É necessário, assim,que esse profissional seja um agente simplificador dast a r e f a s e d u c a t i v a s d e t a l f o r m a q u e s u a preocupação fundamentalseja alcançar as finalidades e objetivos do processo educativo e não ostécnicos em detrimento dos primeiros.f) Diligência Todo o trabalho do Supervisor Educacional exige a marca da dimensão deamor e a f e t o q u e d e v e p e r m e a r t o d a a a t i v i d a d e e d u c a t i v a . S eE d u c a ç ã o é o b r a d e a m o r , d e afetos, de compreensão, a incumbência doSupervisor Educacional é a dimensão amorosa que imprime um trabalho jovial,alegre, estimulante e cooperativo, sem aplausos ou recriminações, a p e n a s p a u t a d ono reconhecimento, na motivação ou na reavaliação ereplanejamento de atividades quando necessário.
  20. 20. 20g) Liderança O Supervisor Educacional, na medida em que é capaz de comandar, orientar eestimular toda uma equipe na busca dos objetivos educacionais estará automaticamenteexercendo sua liderança, não de forma autoritária, como ser absoluto em suas ideias epreceitos, mas como um profissional seguro das orientações, sugestões e concepçõesdefendidas. O espírito de liderança por competência supõe uma aceitação detodos aqueles com quem compartilha suas ações, uma vez que não se tratade atos impositivos, mas de diálogo e orientação. Torna-se necessário então que o profissional Supervisor traduza esse novopanorama pedagógico e educativo que está em curso na sociedade em promoções earticulações a fim de construir alternativas que ponham a educação a serviço dodesenvolvimento real das relações entre as pessoas. É urgente a pensar e fazerconcretizar-se em todos os “espaços” possíveis do “espaço globalizado” o projetohumano de uma sociedade humanizada. (FERREIRA, 2002 p.23). Ferreira (2003) elucida que o supervisor precisa ser um constantepesquisador, é necessário que ele antecipe conhecimentos para o grupo deprofessores, lendo muito, não só sobre conteúdos específicos, mas tambémlivros e diferentes jornais e revistas. Entre suas tarefas estão também a aplicabilidades do projeto daescolar, dar orientações gerais e atuar na formação contínua dos professores. É diante destas responsabilidades que se faz emergir mudançassignificativas na formação e postura do supervisor escolar, e com issoreconhecendo seus aspectos gerais, onde Ferreira (2003, p.75) diz: Ressignificar e revalorizar a supervisão, reconceitua-se, de modo a compreendê-la, na sua ação de natureza educativa e, portanto sociopedagógica, no campo didático e curricular do seu trabalho, no seu encaminhamento de coordenador.
  21. 21. 21 O Supervisor escolar atual precisa ser um observador da realidadeescolar ressignificando seu trabalho através da pesquisa do cotidiano dacomunidade onde sua escola está inserida para que possa realizar umtrabalho de qualidade. Medina (2002, p. 51) afirma que: [...] é indispensável a ação de um profissional que, além de possuir competência teórica, técnica humana, política, disponha de tempo necessário para tornar possível a relação entre vivencias dos alunos fora da escola e o trabalho do ensinar e aprender na escola. Esse profissional é o pedagogo, que define sua função pedagógica quando contribui para a melhoria do processo de ensinar e aprender por meio de ações que articulam as demandas dos professores com os conteúdos e as disciplinas. Dessa forma, o supervisor escolar precisa verificar analisar e buscarnovas propostas de ressignificação do papel da escola, objetivando, atravésdas ações pedagógicas, reflexos positivos na qualidade de ensino ofertadapela instituição de forma coletiva e democrática. Ferreira(apud RANGEL, 2002, p. 09) alerta que: O trabalho dos profissionais da educação – em especial da supervisão educacional – é traduzir o novo processo pedagógico em curso na sociedade mundial, elucidar a quem ele serve, explicitar suas contradições e, com base nas condições concretas dadas, promover necessárias articulações para construir alternativas que ponham a educação a serviço do desenvolvimento de relações verdadeiramente democráticas. A Supervisão Escolar passa então a ser uma ferramenta de atuação etem como principio o fazer, o agir, o movimentar, o envolver-se, omodificar e para isto é necessário que o supervisor tenha confiança eprestigio com o grupo de trabalho para que o sucesso e a qualidade daeducação sejam alcançados. O desafio para o profissional da Supervisão Escolar é enorme, ele teráque muitas vezes estar sintonizado com as necessidades da comunidade epropor projetos que atendam aos anseios de todos que almejam futuromelhor. A escola como espaço social e publico necessita ter esta
  22. 22. 22característica de servir a todos os que a procuram, bem como envolveroutros segmentos da sociedade em suas atividades. O Supervisor Escolar, portanto, deve ser esta ponte de acesso entretodos, possibilitando promover a integração dos profissionais da educaçãoverificando as facilidades e dificuldades encontradas pelos mesmos eincentivando e promovendo a formação de pessoas para a sociedade. É indispensável que o supervisor da escola se expresse como educador eespecialista. Do supervisor espera-se que aja como “o cimento possível” da passagempara a coletividade dos educadores daquelas iniciativas e realizações que os pequenosgrupos das escolas conseguirão produzir por seu apoio e orientação. Do caos teórico – político – institucional com que hoje se debate o supervisor,deverá emergir uma práxis essencialmente pedagógica na qual o ponto obrigatório dereferência constituir-se-á no encaminhamento das soluções possíveis para as grandesquestões do cotidiano do ensino. Vivem-se momentos onde são necessárias respostas às necessidades hodiernas eatravés da dinâmica do trabalho em supervisão advindas destas necessidades, presencia-se certa fragilidade. (FERREIRA, 2002). Por isso é notória a inclusão de um repensar naprática dos profissionais da educação.
  23. 23. 23 6 - CAPÍTULO IINOVOS TEMPOS QUE SEM APRESENTAM: PINCELADAS HOLÍSTICAS DE ENTENDIMENTO Uma crise existencial está sendo vista na atualidade, onde desconfortos,violências, “corrida desenfreada pelo dinheiro”, banalismo da sexualidade e diferentesdevastações estão destruindo o planeta. Percebe-se uma erosão de alicerces levando por diante todo o tipo deintencionalidade que não seja a de aumentar a produtividade, o consumo e riqueza,dissociado de emoções. Existe uma visão predominantemente utilitária, onde o homem tem que ter umamente técnica e um “coração vazio”, onde prevalece todo o tipo de manipulação paraque aumente o desejo por concorrência e corrida pelo consumo desmesurado, nãolevando em conta que esse pensamento está tomando conta dos sujeitos que povoamesse mesmo território, tornando-se quase que sem controle e conduzindo para o caos. Problemas críticos de ordem social e global estão presentes nesse momento,tornando-se necessário um repensar para uma reconstrução da humanidade em novasbases, principalmente levando-se em conta o que está sendo esquecido e forjado, que éa conexão entre o corpo, mente e alma. Para podermos compreender que algo precisa ser mudado ou transformadotorna-se necessária uma desacomodação por parte de todos os integrantes pertencentes aeste mesmo solo. Essa desacomodação pode gerar maneiras mais criativas deentendimento, ocasionando novas ações e atitudes de conscientização. Portanto, se vivemos um momento em que todos os seres vivos e não vivoscorrem o risco do extermínio total, são necessários novos caminhos de tratamento eentendimento dos mesmos, adequando-se ao um olhar mais integral do ser, compreendo
  24. 24. 24que somos pertencentes ao mesmo local de vida e, para que ela sobreviva sãonecessárias novas concepções. É necessário um novo estilo de vida para que se possa almejar uma novasociedade. Novas reflexões precisam ser contempladas para além de conceitos epreconceitos preconcebidos no mundo globalizado atual. Moraes (2003) descreve: (...)se queremos formar indivíduos intelectual e humanamente competentes e bem formados, capazes de aceitar desafios, construir e reconstruir teorias, discutir hipóteses, confrontá-las com o real, formar seres em condições de influenciar na construção de uma ciência no futuro ou participar dela, então, necessariamente, o paradigma educacional precisa ser revisto. Pensando em como se poderiam rever alguns conceitos tão arraigados pelotempo é que surgiu a visão holística de vida, para tentar mudar o paradigma existentepor outra visão de mundo, tornando-o um pouco mais contemplativo e coletivo, comoalternativa de entendimento e de qualidade. O olhar holístico nada mais é do que perceber que está se vivendo um momentoem que uma nova consciência deve ser primada e priorizada que é a consciência docoletivo, do ser integral. Essa nova consciência integra a pessoa ao social e ao ambiental, em todos osseus aspectos, tornando-a realmente parte do todo. Dessa maneira haverá umatransformação da lei da separatividade, tornando-a uma pessoa relacionada, um mesmoser, o próprio universo. Retomando na história, o homem desde os primórdios da civilização procuraentender sua existência e o ambiente em que o cerca, principalmente em relação a razão,sendo que para tudo havia de existir uma explicação. Nessa perspectiva, tinha-se a visãode que tudo poderia ser reduzido a uma fórmula, a um cálculo, a um procedimento – emais do que reduzido, poderia ser dominado. Dominação que passou a ser aplicadatanto à natureza quanto ao próprio homem. Em sua busca pelo poder, o ser humanotransformou a essência das coisas em mero substrato de dominação e a natureza torna-se
  25. 25. 25também algo matemático. Trata-se do materialismo físico, formando o paradigmareducionista, predominante até hoje na terra. Em resposta a esse abuso de poder surgem diferentes questionamentos,principalmente em relação ao cuidado com esse espaço que não é só dos homens e simde todos os seres que nela habitam. Uma crise no paradigma existente está sendopontuada, deixando de lado a posição de seres superiores, pois está se perdendo o lugarnela. Grande parte dessa problemática advém do antropocentrismo que é levado até asúltimas conseqüências. Esse “homem” considera-se possuidor de grande valor,desvalorizando todas as outras espécies do planeta, causando devastação e destruiçãopsíquica, social e ambiental do planeta. Quando o ser humano encara o mundo e o seu lugar no mundo como sendo sóseu, ele pode através de seu poder realizar todo o tipo de alteração no equilíbrio doambiente. Notícias difundem as conseqüências dessa falta de ética entre os homens,mostrando uma natureza excludente, predatória e miserável que inclusive já está nolimite da sua própria autodestruição. Segundo Moraes (2003) “a crise atual é também decorrente de uma crise doconhecimento, da ignorância de como ocorre o processo de construção doconhecimento”. Dentro desse pensamento, percebe-se que as mudanças necessitam ser feitas,novos paradigmas precisam de um olhar urgente em relação a toda essa turbulência ecomplexidade. O homem necessita reconhecer essa realidade, encontrar formas, caminhos detratamento mais integrados, sendo pertinente entender-se como sendo parte do mesmoser, almejando outro tipo de sociedade, cultivando essa coletividade tão desconhecidanesse paradigma mecanicista que separa do meio e divide em partes, não oportunizandomudanças. Nesses novos momentos pelo qual o mundo está passando, o panorama já não émais tão estanque como era na antiguidade, os paradigmas estão mudando, uma novapostura está chegando para gerar mais conhecimento e principalmente coesão entre os
  26. 26. 26seres e sua essência. Abre-se então novos debates e discussões a fim de se levantarnovos fundamentos, princípios e idéias que dêem conta de solucionar os emergentesproblemas. As mudanças conceituais são provenientes dessas novas discussões, o que acabanomeando a chamada crise dos paradigmas. No entender de Moraes (1996, 2003) “acrise provoca sempre um mal estar na comunidade envolvida, visto que muitosintelectuais resistem a levantar novos fundamentos, princípios e idéias que dêem contade solucionar os emergentes problemas”. Por esse viés de pensamento, para poder dinamizar essa forma de entendimentocom relação a esse momento atual, é que se precisa conhecer um pouco mais da visãoholística, pois ela pode tornar-se uma aliada a uma reconstrução da humanidade,objetivando principalmente a pacificação dessa agonia planetária presente. A palavra holística vem do grego holon – e significa inteiro, integral, totalidade,realidade, que faz referência a um universo feito de conjuntos integrados que não podeser reduzida a soma de suas partes, por isso tão necessário se colocar em prática essaconcepção de vida onde existe uma visão mais integrada do ser. Dentro de um olhar holístico são consideradas todas as facetas da experiênciahumana, não somente o intelecto racional e as responsabilidades de vocação ecidadania, mas também os aspectos físicos, emocionais, sociais, estéticos, criativos,intuitivos e espirituais inatos da natureza do ser humano. Existe dentro dessa visão, um novo modo de relação com o ser humano,percebendo-o como ser relacional com o mundo, onde ele está concebido dentro de umcosmos, da natureza, da sociedade, do outro e de si mesmo, ou seja, existe uma relaçãobem mais complexa do macro com o micro onde tudo se funde, tudo se mistura e secompleta. A visão holística é fundamentada em uma concepção sistêmica onde vê o mundoatravés de relações e de integração, considerando todos os fenômenos como interligadose que se interligam de uma maneira global, interdependente e inter-relacionado. Nessa concepção é demonstrado o interesse em despertar e desenvolver a razão,os sentimentos e as emoções. Tudo de uma maneira interligada, percebendo-se que
  27. 27. 27cada situação constitui uma oportunidade de aprender e principalmente desenvolver acooperação possibilitando o entendimento de que é necessária uma visão completa doser. É necessária uma compreensão do mundo que seja mais adequada àsobrevivência humana. (MORAES, 2003). Diante das exigências cada vez mais complexas desse mundo em contínuodesenvolvimento é que se torna de extrema importância procurar novas saídas, possíveistransformações, tendo a educação como eixo fundamental de um forte processo derecomposição da humanidade. 6.1- O PAPEL DA EDUCAÇÃO NOS DIAS ATUAIS São muitos os desafios que a humanidade enfrenta nos tempos atuais, emconsonância com as constantes transformações sofridas pela sociedade globalizada.Dentre esses desafios pode-se citar a educação, pois se percebe que ela também estásendo manipulada por essa esfera globalizadora, norteada por mídias, marketing eatenções mais direcionadas ao material e não à essência do ser. Constata-se um forte apelo ao consumo, com promessas de resoluções “mágicase instantâneas” para todo o tipo de problema enfrentado no cotidiano, gerando umaprisionamento ideológico e disseminando cada vez mais os valores humanos comosendo primordiais para a convivência e sobrevivência no planeta em que se vive. A sociedade e os modelos contemporâneos acabam por valorizar aquilo que équantificável, ou melhor, tudo aquilo que são adquiridos como bens materiais, gerandoobsessão por tecnologias “de ponta” e tudo que gera prazer “instantâneo”. Assim é revelado esse cenário sem pilares básicos, com essa exacerbação darenovação constante e essa sede de consumismo desenfreado, onde se compra não maiscomo uma atividade para suprir necessidades e sim mais por compulsão e hábitoestimulado pela classe dominante.
  28. 28. 28 Diante dessa postulação torna-se necessário um repensar no que se estárealmente contribuindo para que essa concepção continue em andamento, dessa maneiratão “audaciosa” e avalizada por todos. Morin (1996) destaca que “reforma de pensamento significa reforma deeducação”, portanto ao pensar-se em novas concepções de entendimento de vida está sefalando também em educação. Ao fazer-se essa análise em relação ao momento presenciado denotandodiferentes aspectos, pode-se perceber que a educação pode colaborar para a inserção deum novo olhar tratando tudo que está em fluxo e refluxo de um modo “mais sublime esensível” nascendo então uma concepção mais engrenada com o cosmos, alertando queé imprescindível para a sobrevivência humana essa renovada compreensão de mundo. Segundo Freire (1980 apud Moraes 2003) “uma educação para ser válida precisaconsiderar a vocação ontológica do homem, vocação de ser sujeito e as condições emque vive: neste exato lugar, (...), neste determinado contexto”. A visão dentro da totalidade indica que o mundo é dinâmico e nele todos osobjetos estão interconectados em virtude das interações energéticas existentes entre asdiferentes entidades, constituindo uma teia, uma estrutura única de elos invisíveis, demodo que o universo deve ser pensado com um todo. (MORAES, 2003). Portanto, ummovimento total explica o fato de que todos os aspectos da existência não podem serseparados uns dos outros e que não há fragmentação e separatividade. Destaca-se através dessa visão a necessidade de ver o mundo com um todoindiviso, no qual todas as partes se fundem, incluindo tanto o observador quanto osinstrumentos que ali estão, em movimento fluente, caracterizando o ir e vir tãonecessários para a existência. A totalidade é onde há movimento de energia, total eininterrupta e apregoa que os fenômenos não podem ser separados uns dos outros, nãoexistindo a fragmentação tão praticada pelo homem atual. A visão antes defendida pelo principio da separatividade estabelecido peloparadigma cartesiano nextoniano já não tem mais sentido, pois nem a mente não sesepara do corpo, do cérebro e do espírito e nem a natureza.
  29. 29. 29 Através da totalidade tem-se a compreensão de que existem interconexões entreobjetos, sujeitos, corpos que se movimentam, mentes, facilitando diálogos entre todo ocontexto existente na face da terra e também tudo se relaciona e está em renovaçãocontínua. O todo se torna fundamental e todas as propriedades acabem fluindo atravésdesse todo e fluem dessa relação. Dessa maneira pode-se entender que o mundo é umarede de relações e não algo fragmentado (Capra, 1997). Moraes (2003) destaca: “se o mundo é concebido em termos de totalidades/partes que se relacionam e na existência de um movimento constante, um fluxo de energia em processo de mudança, então nada é definitivo. Tudo é apenas provável.Em decorrência, é preciso compreender que também o pensamento deve ser entendido como uma atividade estando em processo de vir-a-ser (...) Diferentes aspectos vêm afetando a vida das pessoas, gerando problemas emtodos os âmbitos, provocando transtornos e dificuldades que muitas vezes a escola nãosabe como proceder. Todos os envolvidos na área da educação estão “assustados” com a violênciadentro e fora da escola, com toda essa instabilidade existente em relação a futuro e aprópria finalidade de sua existência. Para Morin (1996): “A mundialização, aindustrialização, atinge a todos, por esses motivos compartilhamos dos mesmosproblemas e medos”. Nota-se uma juventude sem grandes perspectivas, sem condição de pensar emuma vida diferente – digna e segura, por ventura, enredados no sistema estático que seapresenta. A educação dentro de uma visão de totalidade deixa de ver essa perspectivaestática e enfoca um procedimento de conhecimento menor para um conhecimentomaior e mais completo.
  30. 30. 30 6.2 - A PERSPECTIVA QUÂNTICA E SUA COLABORAÇÃO NORESGATE DO SER HUMANO A Teoria Quântica é a tentativa mais completa de desenvolvimento de umaabordagem global do funcionamento das leis do universo relacionadas à matéria e aoseu movimento. Segundo David Böhm (1992), é o meio mais básico disponível naFísica para entender as leis do universo. É uma teoria que nos dá as leis dastransformações elementares, o que acontece no micromundo das partículas atômicas e,desta forma, descreve também o funcionamento interno de tudo o que vemos e, tambémfisicamente, como nos afirma Danah Zohar (1994), cientista americana formada emfísica e filosofia pelas universidades do MIT e Harvard. Este paradigma nos levar a pensar na percepção do mundo comocontextualizado, dentro de uma visão mais ampla e abrangente, destacando acompreensão ecossistêmica da vida que enfatiza as relações do todo com as partes. Éuma visão ecológica que reconhece a interdependência fundamental de todos osfenômenos e o perfeito entrosamento dos indivíduos e das sociedades nos processoscíclicos da natureza. Através desta percepção ecológica, podemos reconhecer aexistência de uma consciência de unidade da teia da vida, a interdependência de suasmúltiplas manifestações, seus ciclos de mudanças e de transformações. É enfatizada por este modelo uma nova consciência, uma consciência de estadode inter-relação e de interdependência essencial a todos os fenômenos - físicos,biológicos, psicológicos, sociais e culturais. E, desta forma, também os educacionais,que transcendem fronteiras disciplinares e conceituais. Para a cosmovisão quântica no nível individual o importante é o diálogo criativoentre “mente” e “corpo”, interior e exterior, sujeito e objeto, cérebro direito e esquerdo,consciente e inconsciente, indivíduo e contexto, e um novo diálogo entre ser humano enatureza. Através dessa visão de totalidade é imposta à educação a tarefa de substituircompartimentação por integração, desarticulação por articulação, descontinuidade porcontinuidade, tanto na parte teórica quanto na práxis da educação. Em termos de macro-planejamento, esse pensamento evita a concepção de uma política fragmentada,desarticulada, descontínua e compartimentada. Pressupõem novos estilos de
  31. 31. 31diagnósticos, novos procedimentos metodológicos mais adequados à investigação quese pretende e que permitem apreender o real em suas múltiplas dimensões, em toda asua complexidade, para que possamos identificar necessidades concretas capazes desubsidiarem a construção de uma política educacional congruente e uma práticapedagógica mais de acordo com a realidade. O indivíduo é compreendido com um ser indiviso, um “aluno-aprendiz” queconstrói conhecimento usando as sensações, as emoções, a razão e a intuição. Tambémreconhece a unidualidade cérebro-espírito, o imbricamento da razão com a emoção, aintegração de todo o ser, sua reintegração à sociedade e ao mundo da natureza do qual éparte. Entende a construção do conhecimento a partir da cooperação dos doishemisférios cerebrais, que unidos, apesar da singularidade de cada parte, sãofuncionalmente complementares. Permite uma visão mais ampla do mundo e da vida, oque requer a colaboração da educação no sentido de propiciar uma dialética maisequilibrada entre ambos, condição fundamental para sobrevivência da humanidade nabusca de soluções aos problemas que nos afligem. Compreende a relação dialéticaexistente entre sujeito-objeto e processo de construção do conhecimento. Outro aspecto relevante a constar deste novo paradigma científico é oreconhecimento de que a matéria, às vezes, comporta-se ou como onda ou comopartícula, de maneira complementar. É um estado do “ser” e outro do “vir-a-ser”,constituindo as ondas invisíveis de probabilidade em tudo que cerca a natureza. Conseqüentemente, nada no universo opera de modo linear, determinista,caminha passo a passo e é logicamente reversível. O que se sabe é que todo o universo éimprevisível, turbulento e criativo. Nada é estático ou fixo e a ocorrência de qualqueracontecimento ou evento é sempre uma questão de probabilidade. Para atendimento do público que está presente nas escolas atuais torna-senecessário terem-se novos horizontes que possam dar conta dessa caminhada econsciência, demonstrando novas possibilidades de vida futura, porque a missão daescola mudou, tornando-se necessário um enfoque mais individual no sujeito com todassuas singularidades, dotado de inteligências múltiplas e além de tudo um sujeito queprecisa ser coletivo e que está inserido numa ecologia cognitiva rodeado por outroshumanos também integrantes do mesmo ambiente.
  32. 32. 32 Essa proposta percebe a educação como propagadora do sujeito coletivo, aquelereconhecedor da importância do outro, da relevância do relacionamento social e com anatureza, favorecendo também o conhecimento interdisciplinar, da intuição e dacriatividade. O sujeito indivíduo por sua vez é percebido como constituído de corpo, mente,sentimento e espírito, dotado de diferentes dimensões que precisam de educação paradesenvolver-se não apenas fisicamente, mas também interiormente, de uma maneiraqualitativa e multidimensional. A partir dessa visão ecológica se faz a leitura de mundo em termos de relações ede integrações, reconhecendo que todos os sistemas naturais estão inseridos numatotalidade maior, onde a natureza e o eu constituem uma unidade. Esse tipo de compreensão provoca profundas mudanças em termos de nossaspercepções e valores, ao perceber o ser humano como parte de uma grande teia, um serautônomo, mas integrado e integrante de totalidades maiores, um fio particular numateia da qual todos fazemos parte. É o entendimento da existência de uma totalidade indivisível que traz uma novaconsciência de encaixamento no Cosmo, que leva à compreensão de uma fraternidade esolidariedade mais acentuadas, sinalizando a emergência do espiritual como um dositens significativos desta nova consciência. O despertar dessa consciência emerge a partir de uma nova cosmologia queoferece uma visão de um mundo unificado, integrado, yin e yang, dinâmico, holístico,não-hierarquizado, masculino, feminino e espiritual no qual os fenômenos estãorelacionados, vibrando num espaço cheio de energia e vida, onde tudo está em profundacomunhão. Matéria e espírito já não mais se separam, são partes integrantes de umaTotalidade Indivisível.
  33. 33. 33 Essa nova consciência reconhece a existência de uma Última Realidade,popularmente conhecida como Deus, que habita o coração do universo e que, ao mesmotempo, está dentro do sagrado existente em cada um de nós. Para Paschoalini (2011): O despertar da consciência é algo que não pode ser quantificado ou qualificado, nem mesmo agendado ou prometido. (...)é o caminho sem volta da evolução do Cosmos, do Universo, da vida, do Criador. Todos nós passamos ou passaremos, em algum momento de nossa existência, por essa metamorfose. Fugir de esse despertar é apenas adiar sua chegada. E quanto mais se foge, mais muralhas terão que ser destruídas, mais trincheiras terão que ser suplantadas dentro de você mesmo para alcançar essa dádiva. A visão ecológica apregoa também a importância do contexto e na maneiracomo as competências humanas evoluem. Ao mesmo tempo, nos mostra “que somoscriaturas de nossa cultura, assim como somos criaturas de nosso cérebro” (Gardner,1994:37). Reconhece os papéis que desempenham no desenvolvimento das inteligênciashumanas, nas estruturas mentais, na evolução das competências intelectuais e,conseqüentemente, no desenvolvimento individual e grupal. Essa nova percepção pode dar origem a uma matriz educacional que vai alémdas paredes da escola à procura de uma escola expandida, que amplia os espaços deconvivência e de aprendizagem, que quebra as paredes da escola em direção àcomunidade. Ao mesmo tempo, sinaliza a importância da superação das barreirasexistentes entre escola e comunidade, aluno e professor, escola e escola, país e país.Reconhece a ampliação dos espaços onde trafega o conhecimento e as mudanças nossaberes ocasionados pelos avanços das tecnologias da informação e suas diversaspossibilidades de associações, o que vem exigindo novas formas de simbolização e derepresentação do conhecimento, geradoras de novos modos de conhecer, quedesenvolvem muito mais a imaginação e a intuição.
  34. 34. 34 7 -CAPÍTULO III COMO ARTICULAR OS SABERES DA HOLÍSTICA COM A SUPERVISÃO EDUCACIONAL Relacionar os saberes da holística com a supervisão escolar pode-se dizer que éalgo inovador por tratar de um tema ainda em discussão e em estudo. Entretanto ao entender-se que a holística está interligada com o meio no qual sevive de uma maneira global e abrangente já dá para ter-se uma idéia do que se esperaem termos de amplitude de olhar com relação ao ser e suas peculiaridades. Trata-se da inferência para além do “ter”, priorizando-se o “ser” propriamentedito, com todas suas potencialidades inerentes e compreendendo a relação que neleexiste com o cosmos. Sabedor dessa nova concepção, ponderando suas particularidades, saberes einterconexões que os seres experimentam, o supervisor pode entender a holística comoaliada para um nova visão de homem, tratando-o como um ser singular que se constrói ese transforma, que tem sentimentos, pensa e age, mas que também pode usar a intuição,pode usar todas as energias que estão disponíveis no universo para o bem coletivo, e nãosomente o seu. As complexas questões que por ventura assombram os bancos escolares aoserem reorganizadas de uma maneira holística levarão em conta a totalidade e acumplicidade que necessita estar presente em todos os seres que vivem no planeta,devolvendo à comunidade humana a paz e o bem viver tão vislumbrado e visto comoutopia por alguns. Moraes (2004) diz o seguinte a respeito da seriedade dessas questões: Como educadores, temos que pensar seriamente nestas questões se pretendemos educar visando à restauração da inteireza humana, onde pensamentos, emoções intuições e sentimentos estejam em constante diálogo
  35. 35. 35 em prol da evolução da consciência humana. Portanto é necessário que busquemos novas teorias, novas referências que explicitem, com maior clareza, as questões epistemológicas imbricadas no ato de educar. Em prol desse novo conhecimento, o supervisor escolar terá em suas mãos umamudança paradigmática, dando margens a um novo entendimento de mundo econsequentemente novas formulações para a realização humana. Para tanto seu olhar e percepção devem partir para o lado da essencialidade e daexistencialidade do ser humano, priorizando a consciência da integralidade do ser e desua espiritualidade cósmico-universal, onde aquele olhar tecnicista não pode prevalecere sim algo bem mais globalizador e integral. Por esse viés de pensamento, argumentaMoraes (2004) “(...) ao mudar a emoção, modifica-se o domínio de ação (...)”. O ser “essência”, tanto discente quanto docente, quando chega ao supervisor,não poderá ser visto somente com aquele “momento-situação” e sim como um“momento-existencial”. Ao mudar o olhar de situação para existência, têm-se uma novaconotação prevendo-se um todo e não somente uma determinada situação. Ibid p.56complementa esse pensamento relatando que “as realizações humanas resultam,portanto, dessa dinâmica relacional provocada pelas mudanças estruturais geradas nofluir de uma emoção a outra”. Torna-se um tanto difícil para o supervisor direcionar seu olhar para alémdaquilo tudo que lhe foi apregoado nos meios acadêmicos convencionais, porém aopartir para esse novo referencial será necessário que ele faça a interiorização dessaconcepção, caminhando em direção de uma consciência mais ecológica eprincipalmente geradora da paz no mundo, sentindo assim que algo precisa ser mudadoe sentido em sua totalidade. (Sheldrake, 1990 apud Moraes, 2004) explicita que “nabase dos processos de mudança e de transformação presentes na natureza existe umfluxo energético onde “a energia é o princípio da mudança, é o princípio causativo dequalquer processo de transformação”. Uma educação holística prevê a integração do ser humano com todos os seresque convive no planeta, entendendo que para todos há um espaço e um valor. Dessamaneira dá-se a tranqüilidade de uma vida com paz interior e convivência humanamuito mais significativa.
  36. 36. 36 A ousadia de levar em consideração o paradigma holístico levará a muitasrupturas e também a busca de valores muito mais universais, principalmente pela noçãode correlação transcendental e ontológica do ser. Na holística são apresentadas outras formas de entendimento e compreensão devida, unindo ocidente e oriente, e tudo que está na natureza, até mesmo a matéria maisdensa, pois tudo é vibração energética (WEIL, 1997). Tudo que flui no universo é advindo da mesma fonte que é a Energia CósmicaUniversal, sendo que ela cria, une, cria e recria, demonstrando que se é pura energiaintegrativa. Consequentemente, se os seres são integrados, torna-se evidente uma percepçãodiferente daqueles que chegam até o supervisor escolar; predominantemente deve serpercebido o ser com todo o seu panorama de vida e sua história, atendo-se a afirmaçãode quanto o ser humano é interdependente ecologicamente. Moraes (2004) especifica essa percepção diferente descrevendo o seguinte: Dentro de cada ser humano existe uma ordem implicada onde se encontram os sentimentos, as emoções e os pensamentos em processo, onde estão as alegrias e as tristezas responsáveis pelo colorido da vida. Algo que é mais sutil que a matéria densa que constitui a nossa corporalidade, mas que pertence a uma ordem implicada que se revela mediantes processos reflexivos gerados pela mente, pelas emoções, pelos sentimentos e afetos em constante estado de fluxo. Com essa nova visão é de se ressignificar também a ética, entendendo-se acondição humana como provisória e incerta e sua sobrevivência resultará da emergênciade valores bem mais qualitativos do que quantitativos. O especialista supervisor ao caminhar por essa abordagem e entendimento devida, se aproximará de outras evidências tão esquecidas pelos seres humanosconsumistas que assim foram doutrinados pelo capitalismo. Tais evidências tornarão seu trabalho bem mais proposital e existencial,realizando realmente sua tarefa para o bem comum e não para somente alguns.
  37. 37. 37 Ao tornar sua prática mais reflexiva ele poderá trabalhar para desenvolver aspotencialidades do ser humano, estimular os seres a aprender a aprender, buscar suaintegração totalizadora, também unificar razão, sensação, sentimento e intuição, eprincipalmente despertar uma consciência bem mais transcendental para além do euindividual passando para uma espiritualidade cósmica e comunitária. Haverá para tanto um novo compromisso de respeito à diversidade eprincipalmente ao diálogo, buscando um consenso democrático para uma vida maisdigna a todos. A visão holística busca uma educação para a paz que requer uma superação dediferentes valores já preconcebidos como sendo modelos em nossa cultura, levando-seem conta o tributo a não-violência (nem simbólica, nem física). Moraes (1997) avaliaessa visão como sendo “ uma proposta global, sistêmica, que compreende o perfeitoentrosamento dos indivíduos nos processos cíclicos da natureza, uma proposta capaz degerar um novo sistema ético”. A assunção vigente nessa concepção será a de se adquirir valores como orespeito à vida, a cooperatividade social, a harmonia com a natureza, a compaixão, oamor, a alegria, a sabedoria pessoal e a cultura social fundada na verdade, na justiça, nabeleza e principalmente na solidariedade. Ter esse olhar holístico não invalida nenhum conhecimento, respeita adiversidade cultural e busca o diálogo com todas as culturas, diferentemente da culturamoderna predominante que vê a cultura oriental como algo inferior. Também se pode ponderar que nessa visão o educador e todos os envolvidos naeducação são mediadores da aprendizagem e que todos estão aqui neste planeta paraaprender uns com os outros, dessa maneira todos aprendem e trocam conhecimento,portanto há de se pensar na atuação dos envolvidos nesse processo porque ela traduz suavisão de educação. (Moraes, 1997). A partir do próprio exemplo com práticas e atuações coerentes em relação atotalidade, os encontros com os envolvidos com a educação deve levar em contaalgumas singularidades, assim citadas como de extrema valia para esse tipo de
  38. 38. 38concepção e entendimento de vida: inclusividade (tudo é significante); ter um espaçointerior aberto retirando as verdades absolutas e abrindo-se para o novo; ser um sercaminhante, flexível, com plena atenção a tudo e a todos; ter um bom desenvolvimentodo humor, bastante paciência, humildade, disponibilidade, compromisso e muitorespeito a tudo desde o mais sensível ao mais denso, ecologicamente falando. Muito viável essa retomada dos valores humanos para se pôr fim aos enormesproblemas que assolam a sociedade hoje, como por exemplo, o individualismoexacerbado, a indiferença em relação ao próximo e ao meio ambiente, a violência e aagressividade tão presente em todos os níveis de relações humanas (ex. entre colegas,pais e filhos, marido e mulher, patrão e empregado). Os valores como honestidade, justiça, compaixão, coragem, respeito se fazemmais necessários do que nunca no mundo de hoje, tanto para a paz mundial quanto paraa própria paz interior de cada ser que habita esse planeta tão mutilado pelo capitalismo evalores obsoletos. O supervisor escolar precisa ter um entendimento bem mais diferenciado dentrodessa linha, para poder muitas vezes resgatar os reais propósitos da existência dos serese o que isso significa ao cosmos, referenciando a beleza de conviver com as pessoas ede viver no mundo e fazendo perceber que existe uma interconexão entre os mesmo e omeio ambiente e um compromisso para com o equilíbrio e o bem estar dos mesmos, abusca da transcendência e do transcendente, uma atitude de abertura para a vida e odesenvolvimento de valores universais. Por esse viés de raciocínio Moraes (1997) dizque “uma educação sem vida produz seres incompetentes, incapazes de pensar,construir e reconstruir conhecimentos e realizar descobertas científicas”. Esse movimento de entendimento de vida, demanda tanto um trabalho interior,direcionado ao auto-desenvolvimento do indivíduo, como também um trabalho exterior,ou seja, as ações concretas do mesmo para a melhoria da realidade em que vive. Dentro da perspectiva atual, levando-se em conta todo o cenário de miséria esofrimento que se está vivendo no planeta, é de extrema urgência pensar-se nessa novaconcepção como uma aliança que veio colaborar com o não extermínio da humanidade.
  39. 39. 39 Pode-se pensar também num currículo diferenciado levando-se em conta essesnovos olhares de vida em grupo, para tanto alguns teóricos da área elencaram algumassugestões, a seguir descritas: • Modelar, através do exemplo, uma forma de ser menos materialista e maiscentrada no nosso desenvolvimento interior e na qualidade das nossas relações com opróximo e com o meio onde vivemos (ELKIND, 1992; WOODS e WOODS, 1994;GANG et al., 1992, STEINER, 1995) • Demonstrar um senso de respeito nas relações com as pessoas (ELKIND,1992) e com o mundo à sua volta. • Promover um senso crítico nos alunos de forma a ajudá-los a perceber o quantoo contexto social e cultural influencia e limita o seu olhar sobre suas possibilidades(HUEBNER, 1995), necessidades e propósitos. • Promover momentos de reflexão onde os alunos busquem a sua verdadeiraidentidade e respostas aos seus dilemas, o que pode ser feito, por exemplo, através daescrita de um diário ou de redações livres (J. MILLER, 2000). • Demonstrar, através de nosso exemplo, a importância de se ter a presença nomomento e de se apreciar a beleza das pessoas e do mundo a sua volta. • Proporcionar contato com os diferentes tipos de manifestações artísticasverdadeiramente criativas para contrabalançar o impacto da cultura de massa e estimulara expressão da criatividade dos alunos (GRIFFIN, 1981). • Incentivar o desenvolvimento de atividades artísticas, na medida em que estaspotencialmente promovem autoconhecimento (J. MILLER, 1988) e sugerem diferentes“formas de se ver e de se ser” (HUEBNER, 1995, p.19). • Promover o desenvolvimento de valores humanos universais. • Promover leituras e discussões que busquem resgatar um significado profundopara nossas vidas ao invés de desenvolver temas destituídos de relevância para afelicidade humana (GRIFFIN, 1981; R. MORAES, 2002).
  40. 40. 40 Com base em tais considerações, o supervisor escolar tem ao seu dispor umaprática inovadora com o propósito de se construir um “ser-homem” com consciência doseu papel e da sua importância perante a natureza e vice-versa. Sabe-se que existem falhas no sistema educacional e a maneira mais adequada,tendo em vista esses novos tempos, é aquela em que se redimensiona o trabalho, vendotudo que está ao seu redor de maneiras múltiplas e interdisciplinarmente, assumindoassim um real compromisso com o cosmos. Deixa claro essa argumentação Moraes(1997) quando explica: Acreditamos na necessidade uma construção e reconstrução do homem e do mundo, tendo como um dos eixos fundamentais a educação, reconhecendo a importância de diálogos que precisam ser restabelecidos, com base em um enfoque mais holístico e em um modo menos fragmentado de ver o mundo e nos posicionarmos diante dele. Já não podemos prescindir de uma visão mais ampla, global, para que a mente humana funcione de modo mais harmonioso no sentido de colaborar para a construção de uma sociedade mais ordenada, justa, humana, fraterna e estável. Esse compromisso é transformador porque institucionaliza uma maneira novabem mais abrangente de entender por quais movimentos se está passando e como agirnos momentos de turbulência ou questionamentos. As velhas políticas de submissão da classe dominante tornam-se inadequadas nopresente momento, pois seu entendimento limita-se a referenciais consumistasdesvinculados de todo o tipo de espiritualidade, fragmentando as pessoas em aspectosestritamente de interesse próprio e em nenhum momento de cooperação e união. Urgeum repensar nas práticas educativas com outros tipos de conhecimentos que preenchamais o “vazio existencial”. Desta maneira IBID (1997) argumenta “que a educação podecontribuir para corrigir distorções visíveis no mundo de hoje, decorrentes de umprocesso de fragmentação de pensamentos permeado por diferença, distinções eseparações que nos leva a ver o mundo em partes desconectadas (...)”.
  41. 41. 41 A pulsão pela união entre razão e sensibilidade presencia-se nesses temposatuais, tornando-se algo veementemente necessário para gerar um viver maiscompensador, solidário e competente. O envolvimento do supervisor escolar terá que ir para além de seus manuscritosarrecadados durante seus estudos até então, utilizando muito bom senso e uma liderançacom multiplicidade de olhares, tornando sua ação mais abrangente e ecológica. Ferreira(2002) orienta que “a esse ser humano – como profissional – cabe a responsabilidade eo compromisso de tornar o mundo mais humano – ou desumano. Daí a importância desua formação e das responsabilidades decorrentes”. Quando se fala em ecologia logo se pensa em vida e é esse mesmo oentendimento dessa ação ecológica, uma ação pela vida como um todo e para todos osque vivem no planeta Terra. A articulação desses saberes holísticos com a supervisão escolar pode e deveampliar os horizontes de paradigmas pré-existentes, tornando o cotidiano escolar bemmais preparado para todas as situações que se apresentem. Para que isso aconteça é necessária uma parceria com os mesmos interesses deinterconexão com a essência do ser e para que isso aconteça serão necessários algunsestudos com todos os envolvidos no processo educativo, levando-os a entender como,por que e para que modificar seu pensamento/reflexão acerca de todo esse processo.Nesse sentindo também colabora Mello (2011) acrescentando a importância doprofessor e sua ação “a grande questão que se coloca ao supervisor em nossas escolas éencontrar alternativas de ação que possibilitem ao professor viver a práxis (...) rever aprópria prática”. Humanamente será percebido o significado dessa nova concepção, denotandooutros valores para além do conhecimento de conteúdos, que são os valores intrínsecosà formação do sujeito. Ferreira (2002) sublinha que “neste processo contínuo deincorporação e superação, o ser humano vai construindo sua visão de mundo como umatotalidade sempre provisória, porque sempre está em construção e transformação e,dessa forma vai tornando-se sujeito”.
  42. 42. 42 O mundo escolar não será mais visto como algo engessado em receitas e semconsistência. Será denotada uma percepção bem mais sensível com tudo e com todosque pertencem e vivem nesse mesmo meio ambiente. A tarefa da supervisão vai deixar então de entender o ser humano como umindivíduo único e o verá como um ser integral e necessitado de relacionamento social eambiental. Consequentemente na hora de apoiar seus posicionamentos em hipóteses deentendimento poderá captar sinais bem mais sublimes, no intuito de identificarcaminhos para tornar todo o processo de ensino-aprendizagem bem mais prazeroso,alegre e principalmente com a intencionalidade da construção de um mundo bemmelhor para todo o ser que ali chegar, dando condições para que todos os objetivossejam atendidos. O propósito de todos os envolvidos no processo educativo deve ser revisto,oportunizando-se um momento de troca de experiências, rever e repensar no que já foifeito e todos juntos encontrarem alternativas de ação. (Mello, 2011). A tarefa magna do supervisor que é a de planejar, acompanhar, avaliar eaperfeiçoar o curso das ações educativas levando-se em conta que tipo de “homem” sedeseja formar?” será pautada respeitando o contexto e não inibindo o desenvolvimentodas potencialidades criadoras do ser. Cardoso (2011) relata em relação a esse tipo de homem que: Queremos um homem capaz de se transformar num ser responsável por seu próprio destino, a ser realizado mediante um projeto que reflita decisões de autodeterminação, ainda que contingencialmente tomadas; queremos um homem dotado de uma consciência que o impulsione à ação. Dessa maneira, constata-se uma real necessidade desse olhar mais alicerçado nosvalores humanos, para que não aconteça novamente o holocausto entendendo-se queessa possibilidade tornará a vida mais significativa e cooperativa.
  43. 43. 43 8 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Através dessa pesquisa percebi que o ser humano encontra-se num momento demuitas mudanças e transformações, advindas de toda uma inconstância planetária eprincipalmente pela aceleração das informações comandadas pelo mundo globalizado,alienando as pessoas no seu individualismo, consumismo e solidão. Consequentementeo que chega à escola são frutos de toda essa hipnose coletiva e obscura. Para tentar mudar esse paradigma de incompletude e incertezas, “entra em cena”a concepção holística como uma forte aliada, buscando oferecer reflexões acerca detodas essas questões/problemas e outros que se encontram sem respostas devido aosnovos tempos apresentados hoje em dia. É um passo à frente, porém sem esquecer o queficou para trás. Um “limite/alerta” ecoa entrar em ação nesse novo momento para que o risco deextermínio de tudo e de todos os habitantes da Terra não se aproxime com tantavelocidade. Na escola, ao se deparar com os frutos desse “quase colapso”, por motivos deinserção nesse contexto social de embelezamento exterior e não interior, os sujeitosatuantes acabam por não deixar fluir ideias e intuições advindas do cosmos e tambémdessa base científica holística, gerando mais e mais frustrações e nenhumaresolução/atitude sadia para a melhora desse quadro. O supervisor escolar, por ter em suas mãos uma liderança, a partir desse novoolhar poderá contribuir para uma significativa melhoria nesse contexto, construindonovos pilares de sustentação e principalmente criando situações de reavaliação de ideiase premissas de viver saudavelmente e feliz com todos os que partilham a vida nesseplaneta.
  44. 44. 44 Entende-se que essa transformação é lenta, pois vai exigir um pensamentosensível coletivo que é um grande desafio para esse momento tão arraigado ao poderdominante. A eficiência dessa liderança holística somente será alcançada se realmente forcalcada na abertura de novos caminhos de flexibilidade, ética e coletividade, primandopela vida e pelo espaço concernente a cada ser que se apresenta em sua totalidade. Finalizando, poderia concluir que a apropriação dessa nova visão pelo supervisorescolar certamente o levará a entender de uma maneira integral aquele que a ele chegare também compreenderá que “apesar de diferentes, todos, sem exceção, somos iguais”.
  45. 45. 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAGUIAR, Márcia Ângela da S. e Naura Syria Carapeto Ferreira (orgs.) Para onde vãoa orientação educacional e a supervisão educacional? Campinas: Papirus, 2002– Coleção Magistério Formação e Trabalho Pedagógico)ALARCÃO, Isabel. Do olhar supervisivo ao olhar sobre supervisão. In: Supervisãopedagógica: princípios e práticas. 4. ed. Campinas: 2004, p. 11-55.ALONSO, Myrtes. A supervisão e o desenvolvimento profissional do professor. In:FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org.). Supervisão educacional para uma escolade qualidade: da formação à ação. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2003.ALVES, Nilda. (coord.) Guiomar N.Mello.Teresa Roserley Neubauer da Silva. AntonioCarlos Caruso Ronca. Carlos Luiz M. S. Gonçalves. Newton Cesar Balzan. MariaVioleta Villas Boas. Heloisa Cardoso. Celestino Alves da Silva Junior. Educação esupervisão: o trabalho coletivo na escola. 13 ed. São Paulo: Cortez, 2011.BOHN, David. A totalidade e a ordem implicada: Uma nova percepção darealidade. São Paulo: Cultrix, 1992.BRANDÃO, Denis; CREMA, Roberto. O novo paradigma holístico: Ciência,Filosofia, Arte e Mística. São Paulo: Summus, 1991CAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação. A Ciência, a Sociedade e a CulturaEmergente. 12ª edição, São Paulo, Cultrix, 1991._____________. O Tao da Física.Um Paralelo entre a Física Moderna e oMisticismo Oriental. 11ª edição, São Paulo, Cultrix, 1990._____________. A Teia da Vida. Uma Nova Compreensão dos Sistemas Vivos. 9ªedição, São Paulo, Cultrix, 1997.CARDOSO, Clodoaldo. A canção da inteireza: uma visão holística da educação. SãoPaulo: Summus, 1995.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 3ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.FERREIRA, Naura Syria Carapeto. Supervisão educacional: uma reflexão crítica. 12ed., Petrópolis: Vozes, 1987.
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