Construtivismo na Educacao Infantil

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Confiram minha monografia sobre o Construtivismo que fiz para a conclusão da Pós Graduação.

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Construtivismo na Educacao Infantil

  1. 1. UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO Mayara Vellardi Pinheiro O CONSTRUTIVISMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Uma reflexão sobre a aplicação da proposta construtivista em sala de aula São Paulo 2010 0
  2. 2. Mayara Vellardi Pinheiro O CONSTRUTIVISMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Uma reflexão sobre a aplicação da proposta construtivista em sala de aula Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pós- Graduação em Especialização em Técnicas da Estrutura Gramatical e Textual da Língua Portuguesa, ministrado pela Universidade Nove de Julho, como requisito para o término do curso. Orientador Acadêmico Professor Murilo Jardelino da Costa São Paulo 2010 1
  3. 3. UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO Mayara Vellardi Pinheiro O CONSTRUTIVISMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Uma reflexão sobre a aplicação da proposta construtivista em sala de aula Banca Examinadora _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ Conceito:________________________________ São Paulo,____de_______________de 2010. 2
  4. 4. A Deus, pela vida. Aos meus queridos marido e filha, pelo amor e apoio. Aos familiares, pela superação. Aos amigos, pelas trocas de experiências. 3
  5. 5. AGRADECIMENTOS Acima de tudo, a Deus por ter me proporcionado a vida, as oportunidades, as experiências vividas, os conhecimentos adquiridos e as pessoas ao meu redor. Ao meu marido Wilson pela força e paciência, a minha filha Yasmim pelo amor incondicional, aos familiares e amigos pelo apoio e também aos meus pais biológicos e adotivos, pois todos são parte da minha história. Aos professores, funcionários e colegas que me ensinaram muito no decorrer desta etapa, em especial ao meu orientador Professor Murilo Jardelino da Costa pelas trocas de experiências, aproveito ainda, para agradecer a Universidade Nove de Julho pela oportunidade. 4
  6. 6. “A humildade exprime, uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém.” Paulo Freire 5
  7. 7. RESUMO Este trabalho visa reconhecer e compreender os benefícios trazidos pela prática do construtivismo na Educação Infantil. O trabalho demonstrará pontos favoráveis a esse processo no início da alfabetização, mais especificamente nos primeiros anos da Educação Infantil. Tendo como objetivo, uma analise crítica e reflexiva sobre a postura e a formação de educadores, para que estejam aptos à aplicação de um ensino de qualidade e métodos de avaliação construtivistas. A aplicação deste nas salas de aulas no dia a dia exige consciência e comprometimento por parte dos envolvidos, para que se tenha como resultado excelência em educação. Palavras-chave: Construtivismo, Educação Infantil, Métodos de Avaliação 6
  8. 8. ABSTRACT This paper aims to recognize and understand the benefits of the practice of constructivism in early childhood education. The work will demonstrate the positive points of this process in early literacy, specifically in the early years of childhood education. Aiming at a critical analysis and reflective stance and teacher training so that they are suitable for application of a quality teaching and assessment methods constructivist. The application of the classroom on a daily basis requires awareness and commitment by those involved, so that it will result excellence in education. Keywords: Constructivism, Early Childhood Education, Assessment Methods 7
  9. 9. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO........................................................................................................09 INTRODUÇÃO.............................................................................................................11 CAPÍTULO I – O construtivismo..................................................................................12 CAPÍTULO II – Construtivismo X método tradicional................................................16 CAPÍTULO III – O construtivismo, o professor e o aluno............................................20 CAPÍTULO IV – Métodos de avaliação........................................................................25 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................34 ANEXOS........................................................................................................................37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................49 WEBGRAFIA................................................................................................................50 8
  10. 10. APRESENTAÇÃO Preocupada com a educação das crianças no Brasil, propus-me a estudar este tema que tanto aprecio, pois creio que aprender não é apenas decorar conceitos e depois esquecer ou aprender a ler, mas não compreender. Além da questão pedagógica, há a questão emocional da criança, um fator de extrema importância que acompanhará aquele ser pelo resto de sua vida, podendo acarretar sentimentos agradáveis e desagradáveis. Lembro-me de quando comecei a frequentar a escola e das consequências psicológicas que me foram causadas. Alguns professores por não terem consciência de que ensinar é uma troca de experiências e uma constante participação de ambas as partes, acabam prejudicando seus alunos, impedindo que estes consigam ter um melhor rendimento de aprendizagem. Por uma atitude de preconceito dos professores e da coordenação do colégio em que estudei, fui forçada a deixar de pegar na caneta com a mão esquerda e começar com a direita. Eu era canhota e me forçaram a ser destra e isso me ocasionou problemas de coordenação motora e dificuldades que trago comigo até hoje. Também passei por alguns problemas com alguns profissionais da área da educação em relação à aprendizagem, por subestimarem minha capacidade intelectual e considerarem- me um problema, deixando-me de lado ao invés de me apoiarem e auxiliarem a solucionar essas questões. Psicologicamente sou uma pessoa insegura e por muitas vezes sinto-me incapaz de concretizar parte dos meus estudos, devido às atitudes desses profissionais da área da educação, mesmo assim, me formei no Ensino Médio, na Universidade e agora estou concluindo a Pós-Graduação, esforço-me todos os dias para seguir adiante e para esquecer o mal que profissionais despreparados me fizeram. 9
  11. 11. Muitas pessoas podem ter passado por uma situação semelhante ou ainda passam por tal, por isso defendo a prática construtivista e um pensamento inovador no momento de educar. A troca de experiências, a inovação dos métodos de ensino, a proximidade entre professor e aluno, a aplicação de atividades e avaliações corrigindo o aluno, mas sem fazê-lo sentir-se ignorante, são fatores importantíssimos psicológica e pedagogicamente para que este não tenha medo de arriscar e não bloqueie sua capacidade, sentindo segurança. 10
  12. 12. INTRODUÇÃO O trabalho tem como objetivo esclarecer o que é o construtivismo, quais são suas funções, seus benefícios e como pode ser aplicado no dia a dia nas instituições de ensino, auxiliando na prática de ensino-aprendizagem. No primeiro capítulo será explanado o que é o construtivismo, sua função educacional, seus benefícios e o porquê tornar-se adepto a tal. O segundo capítulo fará uma comparação para diferenciar o construtivismo do método tradicional que correspondem a dois lados opostos. Para que seja perceptível quando é utilizado um ou o outro. Já no terceiro capítulo, o tema será a relação entre o professor e o construtivismo, como este pode ser aplicado, como aprender a utilizar o método e como será a atuação deste em sala de aula, também serão abordados tipos de jogos e brinquedos que podem ser utilizados para auxiliar no processo de ensino-aprendizagem fazendo com que estudar e aprender, tornem-se um prazer e um estímulo para as crianças. O quarto e último capítulo pretende demonstrar as dificuldades encontradas por professores e alunos nas aplicações de avaliações e modos distintos de avaliar, como um modo de visão liberal e outro de visão libertadora. Após as explicações e pesquisas, serão apresentadas as considerações finais que têm como finalidade defender a prática do construtivismo em alunos de Educação Infantil, demonstrando seus benefícios. 11
  13. 13. CAPÍTULO I CONSTRUTIVISMO “É compreensível que os professores estejam a procura de um novo „método‟. As dificuldades a serem enfrentadas na escola e, mais precisamente dentro da sala de aula, são tantas que a grande expectativa é a de encontrar um jeito milagroso de melhorar o desempenho dos alunos. Ao depararem-se com a abordagem construtivista, a tendência foi transformar o desejo em conceito. Foi assim que essa nova concepção de aprendizagem transformou-se, para muitos, num „método‟. O problema é que não é. E o problema maior é que a rigor, os “métodos” têm de ser reinventados a cada nova situação, pelo próprio professor. (ROSA, 2002, p. 48) O construtivismo não é considerado um método, pois não é algo repetitivo e igual, por exemplo, para a realização de um método, existem técnicas e estas são sempre as mesmas a serem utilizadas. Na realidade, pode-se dizer que o construtivismo é uma teoria que tem como preocupação diagnosticar, julgar e tomar decisões fundamentais sobre o ensino. Compõe o movimento iluminista, que acredita na capacidade humana de conduzir-se pela razão e através desta criar e recriar o mundo. Alega que a relação do sujeito com o meio determina o desenvolvimento intelectual. “(...) é preciso tematizar aquilo que ficou automático, que se justifica por si mesmo, porque continua igual. „É a força do hábito‟, costumamos dizer. Por isso é importante tematizar os automatismos do hábito, criticá-los, atualizar sua justificativa.” (MACEDO, 1994, p. 31) 12
  14. 14. O hábito é algo que com o tempo se torna algo rígido, portanto para o construtivismo não é algo positivo, afinal não é benéfico ter as mesmas atitudes perante situações diferentes. Algo importante a ser feito é questionar e criticá-los, pesquisando novas possibilidades, construindo novos hábitos, diante de uma nova realidade. “A ação pedagógica envolve dois pólos: o ensino e a aprendizagem, representados, respectivamente, pelo professor e pelo aluno. Os teóricos construtivistas não têm em princípio, como preocupação científica pensar o pólo “ensino” e sim, o pólo “aprendizagem”. De modo mais preciso, não estão voltados à questão do „como ensinar‟, mas ao „como o indivíduo aprende‟. O „como ensinar‟ é tarefa a que devem se dedicar os especialistas em educação, aproveitando os avanços teóricos conquistados por esses pesquisadores.” (ROSA, 2002, p. 48) A teoria construtivista traz consigo inovação em deixando de lado o tradicional, na realidade é a vontade de edificar a aprendizagem consistente como um desafio na arte de ensinar, em uma ação pedagógica que envolve o ensino e a aprendizagem, representados, respectivamente pelo professor e pelo aluno. Na realidade, o aluno deve ser o sujeito da sua própria aprendizagem, atuando com inteligência em busca de compreensão e aprendizado. Os educadores devem atuar, criando e descobrindo caminhos e alternativas junto com o aluno. Quando um indivíduo sofre um estímulo, este não atua diretamente sobre o sujeito, ele é assimilado, interpretado para depois ser posto em prática ou causar uma reação, ou seja, quando o conhecimento é transmitido ao aluno, ele precisa primeiro absorvê-lo da maneira mais fácil para ele, para depois colocá-lo em prática. Um bom exemplo para ilustrar o que foi citado acima é um trecho do texto de Fernando Becker: “O sujeito age sobre o objeto, assimilando-o: essa ação assimiladora transforma o objeto. O objeto, ao ser assimilado, resiste aos instrumentos de assimilação de que o sujeito dispõe no momento. Por isso, o sujeito reage refazendo esses instrumentos ou construindo novos instrumentos, mais poderosos, com os quais se torna capaz de assimilar, isto é, de transformar objetos cada vez mais complexos. Essas transformações dos 13
  15. 15. instrumentos de assimilação constituem a ação de acomodação. O processo educacional que nada transforma está negando a si mesmo. O conhecimento não nasce com o indivíduo, nem é dado pelo meio social. O sujeito constrói seu conhecimento na interação com o meio tanto físico como social. Essa construção depende, portanto, das condições do sujeito - indivíduo sadio, bem-alimentado, sem deficiências neurológicas, etc. - das condições do meio - na favela é extremamente mais difícil construir conhecimentos, e progredir nessas construções, do que nas classes média e alta.” (Becker, Fernando. – http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf). Na visão construtivista, o humano não nasce inteligente, mas também não é totalmente moldado pelo meio, ele interage com este respondendo aos estímulos externos e de acordo com seu desenvolvimento, analisa, organizando e constrói seu conhecimento. Piaget explica como e por que ocorre o desenvolvimento cognitivo através de quatro conceitos básicos, mas antes vamos entender o que é cognição para melhor compreender e acompanhar o raciocínio dele. “(...) a cognição é mais do que simplesmente a aquisição de conhecimento e consequentemente, a nossa melhor adaptação ao meio - mas é também um mecanismo de conversão do que é captado para o nosso modo de ser interno. Ela é um processo pelo qual o ser humano interage com os seus semelhantes e com o meio em que vive, sem perder a sua identidade existencial. Ela começa com a captação dos sentidos e logo em seguida ocorre a percepção. É portanto, um processo de conhecimento, que tem como material a informação do meio em que vivemos e o que já está registrado na nossa memória.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cogni%C3%A7%C3%A3o) - site Wikipedia - pesquisa sobre cognição. “Para explicar como e por que ocorre o desenvolvimento cognitivo, Piaget usa quatro conceitos básicos: 1- esquema; 2- assimilação; 3- acomodação e 4- equilibração. 1- „Esquemas são estruturas mentais com que os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o ambiente.‟ (...) 2- A assimilação „consiste em encaixar um novo objeto num esquema mental ou sensório-motor já existente‟. (...) 3- (...) Na acomodação, a pessoa é „forçada‟ a mudar seus esquemas ou criar novos esquemas para acomodar novos estímulos. (...) 4- Equilibração „é um processo ativo pelo qual uma pessoa reage a distúrbios ocorridos em sua maneira comum de pensar, através de um sistema de compensações; isto resulta em uma nova compreensão e satisfação, ou seja, em equilíbrio‟. (...)” (BARROS, 2002, p. 44 / 45 / 46) 14
  16. 16. Resumindo, os quatro conceitos podem ser entendidos da seguinte forma: 1- dos esquemas, brotam os comportamentos, ou seja, é algo que vai além do físico, são maneiras comportamentais para se adequar a determinadas situações. 2- a assimilação é uma forma de absorção de estímulos que se adaptam aos esquemas pré-existentes, ampliando-os. 3- na acomodação, ocorre a mudança e/ou criação de esquemas para a adaptação aos estímulos. 4- equilibração é o processo, pelo qual o indivíduo busca atingir um estado de equilíbrio e satisfação. Concluindo, todos possuem condições de aprender, porém não são condições iguais, existe a parte física, psicológica, moral, classe social, entre outros fatores que interferem nesse processo. Cada indivíduo lê o meio em que vive e interage com este de uma maneira distinta, portanto não há uma fórmula específica para a construção do conhecimento. 15
  17. 17. CAPÍTULO II CONSTRUTIVISMO X MÉTODO TRADICIONAL Charge retirada de: (http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf). O humor utilizado no quadrinho acima, remete ao método tradicional de ensino, em oposição à teoria construtivista. Uma amiga minha que é professora do Ensino Fundamental, é favorável ao uso do construtivismo e comentou que as crianças estavam com dificuldades no aprendizado de Matemática, na multiplicação e na divisão, então ela explicou para as crianças de uma forma que elas conseguiram entender, como em uma situação de divisão do número oito pelo número dois: “ „– Imaginem que vocês têm oito figurinhas e querem dividi-las para dois amigos.‟ No momento as crianças entenderam e falaram: „Ah, tia, por que você não disse antes?‟.” Outro exemplo foi na realização de contas de multiplicação: “ „– Pessoal, multiplicar é como somar de um jeito bem mais fácil, é como somar aquele número o tanto de vezes que ele aparece. Por exemplo, duas vezes o quatro é igual a oito, ou seja, se vocês somarem o quatro duas vezes, quatro mais quatro, o resultado é oito e assim é com o restante dos números.‟ „Nossa, tia, ficou bem mais fácil agora!‟.” 16
  18. 18. “Visões não-construtivistas do conhecimento valorizam a transmissão; por isso mesmo, a linguagem é seu instrumento mais primoroso. Não poderia ser diferente. Quando uma pessoa ou uma comunidade supõem ter produzido (não importa se pela experiência ou pela reflexão) um conhecimento sobre algumas coisas e julgam importante transmiti-lo para alguém que – por hipótese – não possui esse conhecimento, fazem-no pela via da linguagem. Esta é de fato o recurso mais poderoso, econômico e analógico, que conhecemos para compartilhar um acontecimento com alguém que só pode ter acesso a ele por via indireta. A linguagem é poderosa porque nos transporta para um espaço e tempo desconhecido para nós; porque nos faz pensar, tirar conclusões, rever pontos de vista uma vez que, dado seu caráter irreversível, certos acontecimentos só podem ser „revividos‟ por meio da palavra.” (MACEDO, 1994, p.14) Quando um fato acontece, posso transmiti-lo às outras pessoas de algumas maneiras, tirando fotos, gravando, escrevendo, ou mesmo narrando e descrevendo. Dependendo da informação, a linguagem ainda é o único ou o melhor meio para transmissão. Porém em um método tradicional, ela ocupa um espaço mais importante do que outros recursos que também têm suas finalidades e são tão importantes quanto. “Não se trata (...) de negar o papel da linguagem, que por muitas vezes é o melhor ou único meio de transmitirmos certas informações. O problema é o lugar que ela ocupa na produção de um conhecimento. Na perspectiva não- construtivista, seu lugar é o mais importante. Ao construtivismo interessam as ações do sujeito que conhece. Estas, organizadas enquanto esquemas de assimilação, possibilitam classificar, estabelecer relações, na ausência das quais aquilo que, por exemplo, se fala ou escreve perde seu sentido. Ou seja, o que importa é a ação de ler ou interpretar o texto e não apenas aquilo que, por ter se tornado linguagem, pôde ser transmitido por ele.” (MACEDO, 1994, p.14/15) 17
  19. 19. Em uma visão tradicional do conhecimento, ocorre um processo, no qual o conteúdo não é visto de uma maneira geral, dentro de um contexto específico, ele é visto como apenas uma parte separada e acaba sem sentido por si só. Essa visão opera através de paradigmas, ou seja, padrões pré-estabelecidos há muito. Já a visão construtivista realiza um trabalho de reconstituição ou tematização, ou seja, ocorre a descentralização e coordenação de diferentes pontos de vista. “Uma visão não-construtivista do conhecimento é, necessariamente formalizada. Se nele há presença de conteúdo, este só interessa como exemplo ou descrição de algo que possa, cada vez mais, ser abstraído de seu contexto. Ou seja, a forma tende a se tornar independente do conteúdo. Exemplo disso temos nas clássicas frases das cartilhas. A maioria delas corresponde a algo sem sentido, porque provavelmente jamais as ouviríamos em um diálogo real entre duas crianças ou entre adultos. O autor da cartilha „sabia disso‟. Mas sentiu-se, talvez, autorizado a escrevê-la porque quis valorizar, por exemplo a formação silábica „va,ve,vi,vo,vu‟, recorrendo a um conteúdo qualquer para praticá-la A produção construtivista do conhecimento é formalizante, mas não é formalizada. Nela, forma e conteúdo, ainda que não confundidos, são indissociáveis. Daí, por exemplo, preferir-se, na aprendizagem da leitura e escrita da criança, trabalhar a partir do nome dela ou de textos que tenham sentido ou valor funcional em sua cultura.” (MACEDO, 1994, p.15) Algo que ocorre frequentemente no método tradicional de ensino é fazer com que o aluno repita fielmente os conhecimentos transmitidos pelo professor, fazendo assim, com que estes não absorvam realmente o conteúdo, não havendo interação alguma, afinal, o estudante não busca formas de obter o conhecimento, ele simplesmente o recebe de uma forma robótica, mecânica e repetitiva, fazendo com que este apenas decore, mas não aprenda, esquecendo grande parte do conteúdo após certo tempo, ou mesmo que se recorde, provavelmente não entenderá onde se aplica, qual sua função ou o porquê de aprender aquele conteúdo. 18
  20. 20. Já no construtivismo, o professor não deve fazer com que o aluno simplesmente reproduza suas atitudes ou conhecimentos, como no tradicional, mas fazer com que este interaja com o meio, apresentando-o diversas formas de aprendizagem, podendo ser em forma de passeios culturais, feiras, trabalhos, leituras, vídeos, enfim há uma gama de instrumentos que podem ser utilizados para fins educativos. “Ao professor não basta dizer: „faça como eu‟, mas „faça comigo‟. O professor de natação não pode ensinar o aluno a nadar na areia fazendo-o imitar seus gestos, mas leva-o a lançar-se na água em sua companhia para que aprenda a nadar lutando contra as ondas, fazendo seu corpo co-existir com o corpo ondulante que o acolhe e repele, revelando que o diálogo do aluno não se trava com seu professor de natação, mas com a água. O diálogo do aluno é com o pensamento, com a cultura corporificada nas obras e nas práticas sociais e transmitidas pela linguagem e pelos gestos do professor, simples mediador.” (ROSA, 2002, p.54) Concluindo, o método tradicional não é o mais indicado, tanto para a alfabetização, ou para a obtenção de outros conhecimentos, pois este acaba tornando o conhecimento algo superficial, cansativo e decorativo, quando na realidade, deveria ser o oposto, como a teoria construtivista, que é flexível, ensina a raciocinar e a interagir com o meio e com os diversos instrumentos, tornando o processo de ensino-aprendizagem mais eficaz. 19
  21. 21. CAPÍTULO III O CONSTRUTIVISMO, O PROFESSOR E O ALUNO “É claro que a concepção construtivista não serve igualmente para tudo que configura uma escola nem para todas as tarefas de um professor. Também está claro que, mesmo naquelas para as quais parece mais adequada – as formativas, em sua dimensão individual e coletiva, não é uma aproximação exclusiva nem excludente. Parece-nos que sua utilidade está em permitir formular determinadas perguntas nucleares para a educação, permitir respondê-las a partir de um referencial explicativo articulado e coerente, e oferecer critérios para enriquecer respostas que requerem informações mais específicas. Mas a concepção construtivista é útil por algo mais. Porque se explicita, contribuindo assim para o exercício de comparação com as „teorias‟ dos professores. Porque não é um referencial excludente, mas aberto, na medida em que ainda deve aprofundar muito em seus próprios postulados e na medida em que necessita enriquecer-se, em geral e para cada situação educativa correta, com contribuições de outras disciplinas. E, se nos for permitido, porque é uma aproximação otimista, que parte daquilo que se possui e entende que, deste ponto de partida, é possível ir progredindo à medida que as condições o permitam, e porque aponta o sentido em que essas condições devem ser estabelecidas.” (SOLÉ; COLL, 2006, p.27 / 28) Os professores devem se atentar a algumas questões para tomar decisões sobre quais atitudes tomar em relação ao ensino, como, questionarem a si mesmos sobre, o que significa aprender? O que ocorre quando um aluno aprende e quando um aluno não aprende? E como se pode ajudá-lo? 20
  22. 22. Também devem levar em consideração, como realizar a interação do meio social com o educacional e o cultural, auxiliando na construção do conhecimento do aluno. Outro fator a ser observado é a questão da diversidade, ligada à tarefa de ensinar, definindo um ensino de qualidade. No construtivismo em relação à criança, podem ser utilizadas diferentes formas der interação, como jogos, por exemplo. Piaget classifica em três tipos os jogos que as crianças apresentam após a aquisição da linguagem. São eles: jogos de exercício, jogos simbólicos e jogos de regras. “Os jogos de exercício são os primeiros a aparecer. Surgem antes mesmo do aparecimento da linguagem. Esses exercícios lúdicos correspondem a uma espécie de simples funcionamento por prazer. Predominam por dois anos, mas reaparecem durante toda a infância e mesmo no adulto. (...) Vejamos, como exemplo, uma das muitas observações realizadas por Piaget: (...) „quando uma pessoa pula um riacho pelo prazer de saltar e volta ao ponto de partida para recomeçar, etc., executa os mesmos exercícios que se saltasse por necessidade de passar para a outra margem‟. (...) Piaget divide os jogos de exercício em duas categorias: a) jogos de exercícios simples, que se conservam puramente sensório- motores (correr, pular, jogar bola, etc.); b) jogos de exercício que envolvem o próprio pensamento (fazer perguntas só por perguntar, etc.)” (BARROS, 2002, p.189 / 190) Os jogos de exercício são interessantes de certa maneira para o aprendizado, na medida em que se repete aquilo que se aprende e se aprende fazendo, interagindo, traço do construtivismo. Nos jogos de exercícios simples, são realizadas atividades físicas repetitivas, por exemplo, no meu caso, quando vou à academia e malho, repito o mesmo movimento diversas vezes e no dia seguinte vou novamente e todo o processo se repete. Há também os jogos de exercício que envolvem o próprio pensamento, no qual são formuladas questões pelo prazer de perguntar, como um exemplo da minha filha Yasmim, aos três anos: “ – Mamãe o que é isso? – É uma torneira! – O que ela faz? – Quando a abrimos, sai água. – Por quê? – Porque temos uma caixa d‟água para poder enchê-la, sempre que 21
  23. 23. precisarmos. – Para quê? – Para podermos tomar banho, lavar a roupa, lavar a louça, limpar a casa... – Para que fazer tudo isso? – Para podermos ficar limpos e deixar as nossas coisas que sujamos limpas também! – Por quê? – Porque se ficarmos sujos ou nossas coisas ficarem sujas, podemos ficar doentes, além de ficarmos com cheiro ruim.” Ela já possuía o conhecimento sobre o que era uma torneira e de que dela sai água, porém ela quis questionar e ir além, pelo prazer de perguntar. “Jogos simbólicos são brincadeiras em que um objeto qualquer representa um objeto ausente. Por exemplo, uma criança que brinca de automóvel deslocando uma caixa está simbolicamente representando o automóvel pela caixa. Ela está imaginando, está „fazendo de conta‟ que a caixa é um automóvel. Em crianças bem novas (de 1 a 2 anos), esses brinquedos de „faz de conta‟ apresentam-se numa forma que Piaget chamou de „esquema simbólico‟. A criança limita-se a fazer de conta que exerce uma de suas ações habituais: faz de conta que dorme, que se lava, que está comendo, etc. (...) O „esquema simbólico‟ é um exercício de atividades próprias, uma auto-imitação.” (BARROS, 2002, p.192) Os jogos simbólicos são interessantes para a imaginação da criança, eles estimulam a criação de situações diárias, ela realiza atos de autoimitação, tendo consciência de suas atitudes, reafirmando seu espaço, é interessante, pois a criança percebe o que ela consegue fazer e esta terá interesse em novos aprendizados para juntar aos que já possui. Outro exemplo de Yasmim, aos dois anos, ela prestava atenção nos meus atos com as tarefas do lar, eu arrumava a mesa para o café da manhã e chamava todos para o desjejum, certo dia, eu estava concentrada nos meus estudos, quando ouvi barulhos vindos da cozinha, percebi que ela estava mexendo nas coisas, mas deixei para ver até onde ela ia, então permaneci na sala e aguardei que ela me chamasse, quando fui à cozinha, ela tinha pegado seus brinquedos, o leite, a manteiga, o pão, as bolachas, pratinhos, copinhos, todos de plástico, de sua caixa de brinquedos, fazendo de conta que eram reais, então disse: “– Agora eu sou a mamãe, vamos 22
  24. 24. tomar café, filhinha?” Nesse caso, ela imitou minhas atitudes, mas como se fossem dela, ou ainda, como se ela quisesse ser a mãe, a dona de casa. “Os jogos de regras consistem em combinações sensório- motoras (corridas, saltos, futebol, etc.) ou intelectuais (xadrez, cartas, etc.) com competição entre os participantes (sem o que a regra seria inútil) e regulamentados, quer por um código transmitido de geração a geração, quer por acordos momentâneos. (...) O jogo de regras só é possível após um certo desenvolvimento da inteligência e é característico do indivíduo socializado.” (BARROS, 2002, p.194) Os jogos de regras são importantes para que as crianças tenham noção de que é necessário seguir as normas estipuladas não somente em um jogo, mas na vida social, como o que o governo estipula, ou o que a mãe estipula para seu filho, por exemplo, horário para estudar, tomar banho, se alimentar, etc. Certa vez, eu, meu marido e alguns amigos, estávamos jogando um jogo de tabuleiro com duas crianças, com cerca de oito e nove anos, então elas perguntaram por que haviam regras e por que deveríamos obedecê-las, então respondemos, que sem regras, o jogo viraria uma bagunça e todos fariam o que quisessem, então não haveria um vencedor. Então elas foram mais adiante, perguntaram por que deveriam obedecer as regras nos lugares, como fazer silêncio no hospital ou tomar multa se passar no farol vermelho. Respondemos que se fizerem barulho no hospital, vão atrapalhar o descanso das pessoas doentes que precisam se recuperar e que a multa seria um tipo de punição se eles passassem no farol vermelho, pois eles poderiam bater em outro carro ou atropelar alguém, causando um acidente grave, inclusive, podendo ter vítimas fatais. 23
  25. 25. “Os jogos infantis apresentam uma evolução até se aproximarem, por transições quase insensíveis, do trabalho. Vejamos a interferência e as diversas relações entre os jogos de construção ou de criação. 1. Ao armar uma pilha de cubos por suas dimensões crescentes ou decrescentes, uma criança começa a se atribuir tarefas precisas, e seu jogo de exercício, se torna jogo de construção. Da construção lúdica, ela passará, muito gradualmente, às atividades adaptadas à vida real. 2. Com a idade, vai-se enfraquecendo o simbolismo lúdico. A criança passa a satisfazer suas necessidades de expansão do eu, de compensação e de liquidação de conflitos na sua própria vida real (se esta for normal), e não mais o fará, por meio de sua imaginação, nos jogos. 3. A criança vai aos poucos se tornando mais exigente com seus símbolos. Ela procura cada vez mais aproximá-los do real. Passam, então de símbolos da realidade à imitação desta. Isso leva à transformação dos jogos de exercício simbólicos em jogo de construção, que, mais tarde, serão o trabalho. Piaget termina seu capítulo sobre a Classificação dos jogos afirmando que somente os jogos de regras escapam a essa lei de involução e desenvolvem-se com a idade. São quase os únicos que subsistem no adulto.” (BARROS, 2002, p.196) Concluindo, todos esses jogos fazem parte de etapas da vida das crianças até a fase adulta. Todos são benéficos, na medida em que trabalham paralelamente com a construção do conhecimento, auxiliando de uma forma divertida na descoberta de habilidades, na construção de atitudes comportamentais e aquisição de conhecimento de mundo. 24
  26. 26. CAPÍTULO IV MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Charge retirada de: (http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf). “(...) Tenho solicitado a esses professores, no início de nossos encontros, que relacionem a palavra „avaliação‟ a algum personagem. É um jogo interessante, cujas respostas revelam imagens de dragões, monstros de várias cabeças, guilhotina (...) Outras imagens evocam objetos-surpresa ou de controle: bolo de faz-de-conta, embrulho de presente, radar (...) Raras vezes surgem imagens de cunho positivo relacionadas à palavra. As justificativas da escolha dessas imagens, representativas de avaliação, expressam com intensidade a concepção pejorativa inerente ao termo. O jogo é revelador e desestabilizador. Desvela individualmente e ao grupo suas contradições, duvidas e, ao mesmo tempo, suscita um sem- número de questões. (...)” (HOFFMANN,1997, p.13) Abaixo seguem quatro imagens retiradas do livro: Avaliação Mito & Desafio (HOFFMANN, 1997, p.110/111/112/113), para demonstrar o que grupos de professores designaram a palavra avaliação: 25
  27. 27. Fonte: (HOFFMANN, 1997, p.113) 26
  28. 28. Fonte:(HOFFMANN, 1997, p.112) 27
  29. 29. Fonte:(HOFFMANN, 1997, p.111) 28
  30. 30. Fonte: (HOFFMANN, 1997, p.110) 29
  31. 31. A maior parte das opiniões denota um sentimento negativo em relação à avaliação, a discussão é a seguinte, o que pode ser feito para melhorar essa situação? Com base na concepção construtivista de educação pré-escolar, foi realizada uma proposta de avaliação por Jussara Hoffmann: “Princípios construtivistas: – Oportunização de vivências através das quais a criança possa ampliar suas descobertas sobre o mundo. – Ação educativa baseada na confiança nas possibilidades das crianças e valorização de suas manifestações e interesses. – Organização de oportunidades de: - conhecimento social, - conhecimento físico, - conhecimento lógico-matemático, - conhecimento espaço- temporal, - representação, - desenvolvimento motor. Concepção de criança: – criança como ser político e social, sujeito de seu próprio desenvolvimento. – Autônoma (com capacidade e liberdade de tomar decisões). – Crítica e criativa (observadora, questionadora, curiosa e inventiva). – Participativa (agindo com cooperação e reciprocidade). Proposta de avaliação: – Avaliação como acompanhamento no processo de desenvolvimento. – Observação da criança fundamentada no conhecimento de suas etapas de desenvolvimento. – Oportunização de novos desafios com base na observação e reflexão teórica. – Registro das manifestações das crianças e de aspectos significativos de seu desenvolvimento. – Diálogo frequente e sistemático entre os adultos que lidam com a criança e os pais ou responsáveis.” (HOFFMANN,1999, p.95) É importante considerar que a avaliação não deve propiciar um clima de tensão e limitação. Porém, quando o professor se afasta do modelo de avaliação do ensino regular e realiza essa perspectiva, confiando no desenvolvimento das crianças, este deve saber como não confundir essa atitude com permissividade de qualquer ação e saber como valorizar e contribuir com as descobertas dos alunos. 30
  32. 32. Algo interessante que pode ser feito para auxiliar nos relatórios de avaliação é um exercício de reflexão sobre cada um dos alunos individualmente: “-Localize uma criança do seu grupo. -Reflita sobre ela: sua idade, algumas características individuais, sua família, suas preferências quanto a pessoas ou brincadeiras... -Recorde fatos do seu cotidiano: -de que forma brincou com determinado material? -o que contou ou perguntou durante a história narrada? -o que fez ao acordar da sesta? - Pense em alguma relação curiosa dessa criança. -Reflita sobre suas conversas com ela, suas brincadeiras, cuidados necessários.” (HOFFMANN, 1997, p.97) Acompanhar as crianças individualmente auxilia no processo de desenvolvimento dessas, percebendo suas limitações, suas habilidades e como ajudá-las com suas dificuldades. No momento de corrigir seus erros, é importante que seja feito de uma forma que estas não sintam-se incapazes ou inferiores. Algo benéfico é buscar formas de modificar e atenuar a tensão e pressão que as crianças sentem, para que estas consigam desenvolverem-se de uma forma mais completa, sem medo de errar. 31
  33. 33. “Grupos cada vez mais numerosos de professores reúnem-se para discutir essa prática nas escolas e universidades. Percebo, sem dúvida, que eles não se satisfazem mais em repetir os métodos tradicionais de avaliação e passam a contestá-los quanto ao seu significado social e político. (...) A oposição que se estabelece em termos de avaliação a serviço de uma sociedade liberal, capitalista e uma perspectiva de avaliação libertadora poderia ser delineada em relação a alguns contrários: Avaliação numa visão liberal: - Ação individual e competitiva - Concepção classificatória, sentenciva - Intenção de reprodução das classes sociais - Postura disciplinadora e diretiva do professor - Privilégio à memorização - Exigência burocrática periódica Avaliação numa visão libertadora: - Ação coletiva e consensual - Concepção investigativa, reflexiva - Proposição de conscientização das desigualdades sociais e culturais - Postura cooperativa entre os elementos da ação educativa - Privilégio à compreensão - Consciência crítica e responsável de todos, sobre o cotidiano” (HOFFMANN,1997, p.101) Segundo Hoffmann, conclui-se que: 32
  34. 34. “Os professores estão por demais preocupados com suas metodologias. Seguidamente solicitam „receitas de avaliação‟. No entanto, de nada valem as orientações metodológicas se não estiverem fundamentadas em uma concepção libertadora de avaliação. O „como fazer‟ é decorrente do „por que fazer‟. Então a pergunta fundamental é: „Por que avaliamos?‟ ou „A serviço de quem avaliamos?‟ Se a resposta a essas questões não tiver como enfoque principal o educando enquanto ser social e político, sujeito do seu próprio desenvolvimento, de nada valerão as inovações que vierem a ser introduzidas. Da mesma forma, se a resposta a essas questões for uma preocupação de indivíduos isolados, pequenos grupos ou de alguns administradores, o esforço poderá ser em vão. A reconstrução da avaliação não acontecerá por experiências isoladas ou fragmentadas, mas por uma ação continuada e que ultrapasse os muros das instituições.” (HOFFMANN,1997, p.105) 33
  35. 35. CONSIDERAÇÕES FINAIS A forma de ensinar, de fazer com que ocorra o aprendizado e os métodos de avaliação, há muito tempo coagem e confundem os alunos. Os princípios construtivistas surgem para auxiliar com que essa situação mude. A proposta é fazer com que o aluno sinta-se satisfeito ao aprender e que este não apenas decore conceitos, mas realmente absorva um conteúdo e saiba onde e como aplicá-lo. Agregar conhecimentos, da vida pessoal, social, escolar, pois tudo está interligado. Não se deve castigar alunos, devido a uma nota baixa e sim entender suas dificuldades e modificar a forma de passar o conteúdo quantas vezes for necessário para que este consiga aprender totalmente. Uma maneira muito importante é fazer com que o aluno se interesse pelos estudos e que estes não sejam realizados apenas por obrigação, sem um sentido específico na cabeça do aluno, mas que sejam maneiras divertidas e instigantes na busca pela aprendizagem e na aquisição de conhecimentos. Quando uma criança questiona o porquê ela deve ir à escola, os pais falam que é para que ela tenha uma profissão quando crescer para conseguir ser alguém na vida e ganhar dinheiro para ter uma vida estável. Em partes pode ser verdade, mas isso não basta, afinal não é isso que a criança necessita ouvir. É necessário mostrar à criança que ela deve adquirir conhecimentos para saber como as coisas funcionam, o que ela é capaz de fazer, onde ela pode chegar e também para que ela possa perceber qual área ela tem mais afinidade para poder seguir uma carreira no futuro e ser uma pessoa feliz, realizada e bem-sucedida. 34
  36. 36. As crianças precisam de incentivo, carinho e paciência e não serem julgadas por um erro ou uma dificuldade no momento da aprendizagem. Elas precisam sentir segurança e confiança em seus instrutores. O aluno não deve ter medo de ser avaliado, nem de errar, afinal ele deve perceber que é através dos erros que se aprende e que se descobrem coisas novas. Certa vez, eu estava na aula de Matemática e a professora ensinou de uma forma na lousa, mas não consegui compreender bem, então ela passou exercícios para que resolvêssemos e eu consegui aprender de uma forma diferente do que ela passou, então ela disse que a outra que usei era menos utilizada, mas que se eu consegui dessa maneira, foi muito bom, porque realmente aprendi. O construtivismo faz parte de uma forma de ensino inovadora, que demonstra que o professor não é o único detentor do conhecimento, ele pode aprender com seus alunos e que a melhor forma de ensino é a interação, a troca, a prática e não somente jogar conceitos na lousa, sem maiores explicações. Eu tive um professor de Química que ao ser questionado sobre o porquê de uma fórmula ser daquele jeito determinado ou um elemento químico não poder realizar ações que outro realizava, ele respondia: “Foi porque DEUS quis assim!” e não respondia às nossas dúvidas, consequentemente, muitos alunos tinham dúvidas na matéria dele e não o consideravam um bom professor. Tempos depois, tivemos outro professor de Química que para passar para o módulo seguinte teve que recapitular o que o outro tinha deixado a desejar e por incrível que pareça, a maior parte da sala conseguiu entender melhor a matéria. Por exemplo, se um aluno questionar o porquê de se aprender a fazer um cálculo matemático, uma boa resposta, dependendo do tipo de cálculo, seria: “Para que você possa calcular a quantidade de dinheiro que você ganha em um mês e o quanto você gasta, ou ainda, para que você saiba calcular a porcentagem de desconto que obterá em uma peça de roupa, ou também, para que os engenheiros verifiquem as medidas corretas na construção de um prédio, para que este seja bem construído e não caia.”, enfim, poderia responder inúmeras justificativas dependendo do cálculo ao que o aluno se referiu ao questionar. Outro exemplo, se um aluno questionar o porquê de realizar uma correção ortográfica ou porque deve saber fazer uma boa redação, uma resposta interessante seria: “Para você conseguir comunicar-se bem, assim todos o entenderão melhor e consequentemente você 35
  37. 37. pode destacar-se, tanto em sua vida pessoal, educacional ou profissional. Afinal, há diversas formas de comunicar-se e para cada ambiente e circunstância há uma maneira mais ou menos adequada para tal. Vamos supor que você vai a uma entrevista de emprego, a linguagem que será utilizada é formal, ou se você for a um bar encontrar seus amigos, a linguagem utilizada será informal, podendo até ter gírias. Por isso é importante saber comunicar-se bem, pois vivenciamos diversos ambientes e precisamos saber qual é a melhor forma para cada local.” Portanto, é possível juntar a prática à teoria e quando isso ocorre é benéfico para ambos, professores e alunos. Formas interessantes de fazer com que isso ocorra é a elaboração de projetos, passeios, atividades dentro e fora da sala de aula, utilização de materiais, como vídeos, internet, músicas, livros de histórias, além dos livros didáticos. Um bom modo de aplicação do processo de ensino-aprendizagem é a interação e a busca por diversas maneiras de ensinar, desconsiderando a prática de métodos determinados, deixando com que a prática do ensino seja mais livre, para que esta possa adaptar-se a cada contexto da melhor forma e os princípios construtivistas correspondem bem a essas situações. 36
  38. 38. ANEXOS Pesquisei alguns projetos baseados no construtivismo, utilizados em alguns colégios particulares para diferentes faixas etárias, com diferentes finalidades para o aprendizado de diversas matérias e conhecimentos, mas todas com algo em comum, o enfoque na teoria construtivista, ou seja, fazer a criança aprender através da interação com o meio. 1- Projeto Jornal Mural – Colégio Arts Dei É importante para que as crianças aprendam a buscar conhecimentos de mundo, em jornais e se mantenham atualizadas sobre o que está acontecendo. 2- Projeto Folclore – Colégio Almanaque Ao invés das crianças ficarem ouvindo a professora contar histórias, elas “colocam a mão na massa” e constroem a história, participando ativamente. 3- Projeto Valores – Colégio Nova Geração Auxilia as crianças a conhecerem o que é viver em sociedade e o mais importante, a não ter preconceitos ou discriminações, isso faz com que percebam que nem todos possuem as mesmas chances, mas todos possuem capacidades. 4- Projeto Direitos das Crianças – Colégio Atena As crianças não só conhecem seus direitos, como participam de um divertido trabalho, para que não se esqueçam deles. É diferente de ler um folheto e esquecer dias depois, é a interação que dá resultados. 37
  39. 39. 5- Projeto Matemática – Colégio Luce Prima É muito interessante, pois as crianças entendem na prática o porquê de estudar Matemática e como aplicar os conceitos e ainda se divertem em um passeio fora do ambiente escolar. 6- Projeto Profissão / Hobby – Escola Vira Virou É uma forma de aproximar os alunos de seus pais e ao mesmo tempo é muito bom para que eles conheçam diversas profissões, para que conheçam com qual área possuem mais afinidade. 7- Projeto O que é História? – Colégio Desafio Os alunos aprendem o que é História e ainda percebem que todos os dias fazem parte dela. É uma maneira interativa e divertida de pesquisa e autoconhecimento. 8- Projeto Literatura Brasileira – Núcleo Infantil LIP Estimula a leitura de livros de todas as áreas e tem como função conscientizar os alunos do quão importante é ler para se obter conhecimentos e também para momentos de lazer. 9- Projeto Com as mãos na terra – Escola Carinha Suja Além de fazer com que as crianças conheçam melhor a terra e os animais que nela vivem, ajuda na socialização das crianças e também em questões como a coordenação motora. 10- Projeto Formando Leitores – Escola Bakhita As crianças ouvem as histórias dos livros na biblioteca, escolhem os livros que desejam ler, acompanham em casa com suas famílias e aprendem o quão importante é a leitura em reuniões semanais. 38
  40. 40. Fonte: Colégio Arts Dei 39
  41. 41. Fonte: Colégio Almanaque 40
  42. 42. Fonte: Colégio Nova Geração 41
  43. 43. Fonte: Colégio Atena 42
  44. 44. Fonte: Colégio Luce Prima 43
  45. 45. Fonte: Escola Vira Virou 44
  46. 46. Fonte: Colégio Desafio 45
  47. 47. Fonte: Núcleo Infantil LIP 46
  48. 48. PROJETO “COM AS MÃOS NA TERRA” – 3º BIMESTRE/2009 / MINIMATERNAL É sabido que os momentos lúdicos proporcionam às crianças maiores possibilidades de descobertas e construção de conhecimento. Sendo assim, o projeto “Com as mãos na terra” busca proporcionar esses momentos tão valiosos para as crianças e a terra está sendo, ao longo do bimestre, o foco principal do projeto. Através de atividades lúdicas previamente elaboradas proporcionamos momentos ricos de descobertas, trabalho em grupo, socialização e de desenvolvimento das habilidades. Objetivos: Conhecer e explorar a terra; Promover a socialização entre as crianças; Desenvolver a coordenação motora e a criatividade; Proporcionar momentos de relaxamento; Utilizar as sensações de forma abrangente; Estimular a exploração de objetos e brinquedos em situações organizadas para que possam sentir e descobrir suas características (texturas, cor, forma e tamanho); Explorar o ambiente escolar; Nomear e reconhecer alguns animais que vivem na terra; Fonte: Escola Carinha Suja 47
  49. 49. Projeto na Educação Infantil - G2 ao G5 - Com o projeto “Formando Leitores”, conseguimos estabelecer uma relação de cumplicidade entre alunos da Educação Infantil, livros e literatura, pois quando se tem a preocupação de formar leitores não se pode ter a pretensão de esperar que as crianças aprendam a ler primeiro. Escutar histórias é o começo do processo, pois o encantamento pela literatura envolve o contato com textos de boa qualidade, a liberdade de folhear as páginas de um livro e descobrir seus segredos, ouvir a recomendação de um amigo, desfrutar de momentos preciosos junto à pessoa querida ouvindo as modulações de sua voz ao contar as façanhas de um pirata perna- de-pau em busca de um tesouro ou simplesmente observar ilustrações. Os alunos da Educação Infantil ouvem histórias diariamente e frequentam a biblioteca semanalmente, onde escutam histórias contadas pela bibliotecária, retiram livros para ler com a família, fazem recomendações dos livros que leram e até mesmo têm suas editoras preferidas. Fonte: Escola Bakhita 48
  50. 50. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Rosa, Sanny S. da. – Construtivismo e mudança; [prefácio de Antônio Joaquim Severino]. – 8.ed. – São Paulo, Cortez, 2002. (Coleção Questões da Nossa Época; v. 29) (p.48/54) Barros, Célia Silva Guimarães. – Psicologia e Construtivismo. – 1.ed. – São Paulo, Editora Ática, 2002. (p.44/45/46/189/190/192/194/196) Coll, César.; Martín, Elena.; Mauri, Teresa.; Miras, Mariana.; Onrubia, Javier.; Solé, Isabel.; Zabala, Antoni. – O Construtivismo na Sala de Aula. – 6.ed. – São Paulo, Editora Ática, 2006. (p.27/28) Macedo, Lino de. – Ensaios Construtivistas. – 5.ed. – São Paulo, Casa do Psicólogo, 2002. (p.14/15/31) Hoffmann, Jussara Maria Lerch. – Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. – 27.ed. – Porto Alegre, Editora Mediação, 1999. (p.13/95/97/101/105/110/111/112/113) 49
  51. 51. WEBGRAFIA (http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf) - Becker, Fernando. (Professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Doutor em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo, Coordenador do Programe de Pós-graduação em Educação da UFRGS.) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cogni%C3%A7%C3%A3o) - site Wikipedia - pesquisa sobre cognição. 50

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