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TESTE DE AVALIAÇÃO DE PORTUGUÊS – 9.º ANO
Nome: _______________________________________________________________________ Nº _____ Turma: ___
Classificação: _______________________________________ Prof. ________________________
Encarregado de Educação: _______________________________
GRUPO I - LEITURA
PARTE A
Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
CARONTE Filho imortal de Érebo e da Noite, este ancião mal vestido, de figura sombria e sinistra, tem por
função passar as almas dos mortos nos rios que os separam do mundo dos Infernos. Duro e inflexível, o
barqueiro infernal não permite a nenhum vivente subir para a sua barca e realizar a menor travessia. Avaro
acima de tudo, ele exige aos passageiros um óbulo1
. É por isso que sempre se coloca uma pequena moeda
na boca do morto, antes de o entregar à pira2
. Mas, para os que, defuntos, permanecem sobre a terra sem
sepultura, Caronte mostra-se impiedoso. Afastadas brutalmente, as suas almas são obrigadas a errar,
durante cem anos, até que se decida sobre o seu destino. Segundo Homero e Hesíodo3
, as almas
atravessam, elas mesmas, os rios lamacentos e pantanosos dos Infernos, guiadas por Hermes. Mas é
essencialmente a especulação4
romana que, inspirando-se no espírito alado5
, condutor dos mortos na
religião etrusca, forjou a personagem Caronte, um pouco incerta na mitologia grega. Eneias, por exemplo,
conseguiu convencê-lo, ao apresentar-lhe um ramo de ouro, que lhe oferecera previamente a Sibila de
Cumas, ramo consagrado a Proserpina. Pôde, sem dificuldade, atravessar o primeiro rio infernal. Quanto a
Héracles, que descera aos Infernos ainda vivo, encheu Caronte de socos e forçou-o a aceitá-lo na sua
barca. O velho devia ser punido por esta infração à lei dos Infernos: foi, durante um ano, banido da morada
dos mortos.
Joël Schmidt, Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Edições 70, 1994
1. óbulo: pequena moeda da antiga Grécia. 2. pira: fogueira onde se queimavam os cadáveres. 3. Homero e Hesíodo: escritores gregos,
autores, respetivamente, de A Odisseia e Teogonia. 4. especulação: suposição, conjetura. 5. alado: com asas.
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. As afirmações apresentadas de (A) a (G) correspondem a ideias-chave do texto. Escreve a sequência de
letras que corresponde à ordem pela qual essas ideias aparecem no texto. Começa pela letra (E).
(A) Estratégia utilizada por Eneias para ultrapassar o primeiro rio infernal.
(B) Outra versão do que sucederia às almas, de acordo com dois famosos escritores.
(C ) Castigo de Caronte ao permitir a entrada de um vivente nos Infernos.
(D) Indicação do que sucedia aos mortos que não eram sepultados.
(E ) Caracterização de Caronte.
(F) Motivo por que o barqueiro consentiu a entrada de Héracles na sua barca.
(G) Requisito exigido aos que pretendiam efetuar a passagem.
1
5
10
15
2. Seleciona, em cada item (2.1. a 2.4.), a opção correta relativamente ao sentido do texto.
2.1. Caronte só permite a passagem às almas se
(A) não tiverem cometido nenhum pecado.
(B) não tiverem sido enterradas.
(C) lhe derem uma compensação.
(D) estas tiverem sido cremadas numa pira.
2.2. A palavra “errar” (linha 6) pode ser substituída por
(A) vaguear.
(B) enganar-se.
(C) pecar.
(D) perder-se.
2.3. Para os escritores gregos referidos, a travessia das almas
(A) fazia-se em duas barcas: a do Inferno e a da Glória.
(B) era guiada por Hermes.
(C) era orientada por Caronte.
(D) só dependia delas mesmas.
2.4. Os dois heróis referidos no texto (Eneias e Héracles) convenceram Caronte a deixá-los passar o
primeiro rio infernal,
(A) oferecendo-lhe presentes: um ramo de ouro e um par de socos.
(B) dando-lhe uma prenda ou através da força física.
(C) seguindo os conselhos da Sibila de Cumas.
(D) adorando Proserpina.
3. Seleciona a única afirmação falsa, de acordo com o sentido do texto.
(A) “os” (linha 2) substitui “mortos”.
(B) “ele” (linha 4) substitui “o barqueiro infernal”.
(C) “o” (linha 5) substitui “óbulo”.
(D) “lhe” em “que lhe oferecera” (linha 11) substitui “Eneias”.
2
PARTE B
Lê o excerto seguinte do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, consultando as notas
apresentadas.
Cena II
5
10
15
20
25
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
Ó precioso Dom Anrique!
Cá vindes vós? Que cousa é esta?!
Vem o Fidalgo e, chegando ao batel infernal, diz:
Esta barca onde vai ora,1
que assi está apercebida?2
Vai pera a Ilha Perdida
e há de partir logo essora.3
Pera lá vai a senhora?4
Senhor, a vosso serviço.
Parece-me isso cortiço.5
Porque a vedes lá de fora.
Porém, a que terra passais?
Pera o Inferno, senhor.
Terra é bem sem-sabor.
Quê?! E também cá zombais?!
E passageiros achais
pera tal habitação?
Vejo-vos eu em feição
pera ir ao nosso cais…6
Parece-te a ti assi!
Em que esperas ter guarida?7
Que leixo8
na outra vida
quem reze sempre por mi.
Quem reze sempre por ti?!
Hi hi hi hi hi hi hi!…
E tu viveste a teu prazer,
cuidando cá guarecer,9
porque rezam lá por ti?!
Embarca ou embarcai,
que haveis de ir à derradeira.10
1. agora.
2. aparelhada, pronta para a partida.
3. sem demora.
4. tendo sido tomado por “senhora”, o
Diabo retifica, no verso seguinte.
5. coisa sem valor, embarcação pobre.
6. o Inferno.
7. defesa, proteção.
8. deixo.
9. salvar-te.
3
30
35
40
45
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
DIA.
FID.
Mandai meter a cadeira,
que assi passou vosso pai.
Quê, quê, quê?… Assi lhe vai?!11
Vai ou vem! Embarcai prestes!12
Segundo lá escolhestes,
assi cá vos contentai.
Pois que já a morte passastes,
haveis de passar o rio.13
Não há aqui outro navio?
Não, senhor, que este fretastes,
e primeiro que espirastes,14
me destes logo sinal.
Que sinal foi esse tal?
Do que vós vos contentastes.15
A estoutra barca me vou.
Hou da barca!… Pera onde is?…
Ah, barqueiros! Não me ouvis?
Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno,
edição de Mário Fiúza, Porto Editora
10. por fim.
11. É mesmo verdade?
12. de imediato.
13. segundo a mitologia, os mortos tinham
de atravessar o rio Letes, numa barca
conduzida por Caronte, e pagavam a
viagem com uma moeda (óbulo).
14. no momento em que morreste.
15. os pecados que lhe tinham dado prazer,
de que gozara em vida.
Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem, com base no excerto acima
reproduzido e no teu conhecimento da obra.
1. Identifica o local onde decorre a ação.
2. Indica os elementos cénicos caracterizadores do Fidalgo e o seu significado.
3. O Diabo recebe o Fidalgo com palavras irónicas.
3.1 Explica em que consiste a ironia contida nas palavras da primeira fala do Arrais do Inferno.
4. Diz qual o recurso expressivo presente na segunda fala do Diabo e comenta o seu valor expressivo.
“Vai pera a Ilha Perdida
e há de partir logo essora.” (vv. 5-6)
5. Refere o argumento de defesa que o Fidalgo apresenta ao Diabo para não entrar no batel infernal.
6. Transcreve os versos que apontam o critério indicado pelo Diabo para que as almas se salvem ou sejam
condenadas.
7. A condenação do Fidalgo ao Inferno é um destino esperado.
7.1 Tendo em conta tudo o que estudaste sobre esta cena, indica as acusações que são feitas a Dom
Anrique e que determinam a sentença final.
8. Explicita a intenção crítica desta cena, justificando a tua resposta com a transcrição de dois versos que
comprovam a extensão dessa crítica.
4
PARTE C
Lê o excerto do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e responde, de forma completa e bem
estruturada, ao item que se segue.
5
10
15
ONZ.
ANJO
ONZ.
ANJO
ONZ.
ANJO
ONZ.
ANJO
ONZ.
[Vai-se à barca do Anjo, e diz:]
Hou da barca, oulá, hou!…
Haveis logo de partir?
E onde queres tu ir?
Eu pera o Paraíso vou.
Pois cant’eu mui fora estou
de te levar pera lá.
Essoutra te levará:
vai pera quem te enganou!
Porquê?
Porque esse bolsão
tomará todo o navio.
Juro a Deus que vai vazio!
Não já no teu coração.
Lá me ficam, de rondão,1
vinte e seis milhões n’u˜a arca.
Pois que onzena2
tanto abarca,3
não lhe dais embarcação?4
Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno,
edição de Mário Fiúza, Porto Editora
1. de roldão, precipitadamente, em
confusão.
2. juro excessivo (de onze por
cento).
3. arrecada, amealha.
4. jogo de palavras entre “abarca” e
“embarcação”.
1. Escreve um texto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes
linhas fundamentais de leitura do excerto da cena do Onzeneiro acima reproduzido.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de
conclusão.
Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos apresentados a
seguir.
• Apresentação das personagens intervenientes.
• Referência ao local onde as personagens se encontram.
• Indicação de um argumento utilizado pelo Onzeneiro para entrar na barca da Glória.
• Explicitação da personagem a quem se refere o Anjo ao dizer: “vai pera quem te enganou!” (linha 8).
• Referência à acusação efetuada pelo Anjo a esta personagem.
• Indicação da simbologia do bolsão.
• Explicação da intenção de crítica social, feita através do Onzeneiro.
GRUPO II - GRAMÁTICA
5
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Os arcaísmos e outras formas antigas abaixo reproduzidas foram retiradas do excerto da cena do
Fidalgo que analisaste. Escreve a forma atual correspondente a cada uma delas.
a) pera ___________________
b) assi ____________________
c) leixo ___________________
d) is _____________________
2. Observa a palavra destacada nas frases seguintes:
a. Neste auto, as personagens são julgadas pelo Diabo e pelo Anjo.
b. O Fidalgo não teve um comportamento são, por isso é condenado ao Inferno.
Nos dois casos, a origem da palavra “são” é diferente:
- a forma verbal “são” deriva do étimo latino sunt;
- o adjetivo “são” tem origem no étimo latino sanu.
2.1 Como se designam as palavras que apresentam a mesma forma, mas têm origem em étimos diferentes?
3. Identifica a função sintática dos elementos sublinhados nas frases seguintes.
a) O Fidalgo, personagem vicentina, surge acompanhado de um pajem.
b) Esta personagem é o representante da nobreza.
c) A cadeira do Fidalgo simboliza o seu estatuto social.
d) Gil Vicente criticou a sociedade nos seus autos.
e) Entrei no teatro para ver o “Auto da Barca do Inferno”.
f) Enviaram-nos dois bilhetes para esse espetáculo teatral.
4. Classifica o sujeito da frase e), do exercício anterior.
5. Indica a subclasse a que pertencem os verbos das alíneas b), d), f), do exercício 3.
6. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no tempo e
no modo indicados.
a) Sei que tu ________________ ( comprar – Pretérito Perfeito do Indicativo) duas obras de Gil Vicente.
b) Se ___________________ (haver – Pretérito Imperfeito do Conjuntivo) tempo, todos leriam esta frase
outra vez.
c) Pedro, onde é que __________________ (pôr – Pretérito Perfeito do Indicativo) o exemplar do Auto da
Barca do Inferno que te emprestei?
d) Já encontraste o bilhete que _________________ (perder – Pretérito mais-que-perfeito composto do
Indicativo)? Bom trabalho!
6

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  • 1. TESTE DE AVALIAÇÃO DE PORTUGUÊS – 9.º ANO Nome: _______________________________________________________________________ Nº _____ Turma: ___ Classificação: _______________________________________ Prof. ________________________ Encarregado de Educação: _______________________________ GRUPO I - LEITURA PARTE A Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado. CARONTE Filho imortal de Érebo e da Noite, este ancião mal vestido, de figura sombria e sinistra, tem por função passar as almas dos mortos nos rios que os separam do mundo dos Infernos. Duro e inflexível, o barqueiro infernal não permite a nenhum vivente subir para a sua barca e realizar a menor travessia. Avaro acima de tudo, ele exige aos passageiros um óbulo1 . É por isso que sempre se coloca uma pequena moeda na boca do morto, antes de o entregar à pira2 . Mas, para os que, defuntos, permanecem sobre a terra sem sepultura, Caronte mostra-se impiedoso. Afastadas brutalmente, as suas almas são obrigadas a errar, durante cem anos, até que se decida sobre o seu destino. Segundo Homero e Hesíodo3 , as almas atravessam, elas mesmas, os rios lamacentos e pantanosos dos Infernos, guiadas por Hermes. Mas é essencialmente a especulação4 romana que, inspirando-se no espírito alado5 , condutor dos mortos na religião etrusca, forjou a personagem Caronte, um pouco incerta na mitologia grega. Eneias, por exemplo, conseguiu convencê-lo, ao apresentar-lhe um ramo de ouro, que lhe oferecera previamente a Sibila de Cumas, ramo consagrado a Proserpina. Pôde, sem dificuldade, atravessar o primeiro rio infernal. Quanto a Héracles, que descera aos Infernos ainda vivo, encheu Caronte de socos e forçou-o a aceitá-lo na sua barca. O velho devia ser punido por esta infração à lei dos Infernos: foi, durante um ano, banido da morada dos mortos. Joël Schmidt, Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Edições 70, 1994 1. óbulo: pequena moeda da antiga Grécia. 2. pira: fogueira onde se queimavam os cadáveres. 3. Homero e Hesíodo: escritores gregos, autores, respetivamente, de A Odisseia e Teogonia. 4. especulação: suposição, conjetura. 5. alado: com asas. Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas. 1. As afirmações apresentadas de (A) a (G) correspondem a ideias-chave do texto. Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas ideias aparecem no texto. Começa pela letra (E). (A) Estratégia utilizada por Eneias para ultrapassar o primeiro rio infernal. (B) Outra versão do que sucederia às almas, de acordo com dois famosos escritores. (C ) Castigo de Caronte ao permitir a entrada de um vivente nos Infernos. (D) Indicação do que sucedia aos mortos que não eram sepultados. (E ) Caracterização de Caronte. (F) Motivo por que o barqueiro consentiu a entrada de Héracles na sua barca. (G) Requisito exigido aos que pretendiam efetuar a passagem. 1 5 10 15
  • 2. 2. Seleciona, em cada item (2.1. a 2.4.), a opção correta relativamente ao sentido do texto. 2.1. Caronte só permite a passagem às almas se (A) não tiverem cometido nenhum pecado. (B) não tiverem sido enterradas. (C) lhe derem uma compensação. (D) estas tiverem sido cremadas numa pira. 2.2. A palavra “errar” (linha 6) pode ser substituída por (A) vaguear. (B) enganar-se. (C) pecar. (D) perder-se. 2.3. Para os escritores gregos referidos, a travessia das almas (A) fazia-se em duas barcas: a do Inferno e a da Glória. (B) era guiada por Hermes. (C) era orientada por Caronte. (D) só dependia delas mesmas. 2.4. Os dois heróis referidos no texto (Eneias e Héracles) convenceram Caronte a deixá-los passar o primeiro rio infernal, (A) oferecendo-lhe presentes: um ramo de ouro e um par de socos. (B) dando-lhe uma prenda ou através da força física. (C) seguindo os conselhos da Sibila de Cumas. (D) adorando Proserpina. 3. Seleciona a única afirmação falsa, de acordo com o sentido do texto. (A) “os” (linha 2) substitui “mortos”. (B) “ele” (linha 4) substitui “o barqueiro infernal”. (C) “o” (linha 5) substitui “óbulo”. (D) “lhe” em “que lhe oferecera” (linha 11) substitui “Eneias”. 2
  • 3. PARTE B Lê o excerto seguinte do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, consultando as notas apresentadas. Cena II 5 10 15 20 25 DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. Ó precioso Dom Anrique! Cá vindes vós? Que cousa é esta?! Vem o Fidalgo e, chegando ao batel infernal, diz: Esta barca onde vai ora,1 que assi está apercebida?2 Vai pera a Ilha Perdida e há de partir logo essora.3 Pera lá vai a senhora?4 Senhor, a vosso serviço. Parece-me isso cortiço.5 Porque a vedes lá de fora. Porém, a que terra passais? Pera o Inferno, senhor. Terra é bem sem-sabor. Quê?! E também cá zombais?! E passageiros achais pera tal habitação? Vejo-vos eu em feição pera ir ao nosso cais…6 Parece-te a ti assi! Em que esperas ter guarida?7 Que leixo8 na outra vida quem reze sempre por mi. Quem reze sempre por ti?! Hi hi hi hi hi hi hi!… E tu viveste a teu prazer, cuidando cá guarecer,9 porque rezam lá por ti?! Embarca ou embarcai, que haveis de ir à derradeira.10 1. agora. 2. aparelhada, pronta para a partida. 3. sem demora. 4. tendo sido tomado por “senhora”, o Diabo retifica, no verso seguinte. 5. coisa sem valor, embarcação pobre. 6. o Inferno. 7. defesa, proteção. 8. deixo. 9. salvar-te. 3
  • 4. 30 35 40 45 FID. DIA. FID. DIA. FID. DIA. FID. Mandai meter a cadeira, que assi passou vosso pai. Quê, quê, quê?… Assi lhe vai?!11 Vai ou vem! Embarcai prestes!12 Segundo lá escolhestes, assi cá vos contentai. Pois que já a morte passastes, haveis de passar o rio.13 Não há aqui outro navio? Não, senhor, que este fretastes, e primeiro que espirastes,14 me destes logo sinal. Que sinal foi esse tal? Do que vós vos contentastes.15 A estoutra barca me vou. Hou da barca!… Pera onde is?… Ah, barqueiros! Não me ouvis? Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno, edição de Mário Fiúza, Porto Editora 10. por fim. 11. É mesmo verdade? 12. de imediato. 13. segundo a mitologia, os mortos tinham de atravessar o rio Letes, numa barca conduzida por Caronte, e pagavam a viagem com uma moeda (óbulo). 14. no momento em que morreste. 15. os pecados que lhe tinham dado prazer, de que gozara em vida. Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem, com base no excerto acima reproduzido e no teu conhecimento da obra. 1. Identifica o local onde decorre a ação. 2. Indica os elementos cénicos caracterizadores do Fidalgo e o seu significado. 3. O Diabo recebe o Fidalgo com palavras irónicas. 3.1 Explica em que consiste a ironia contida nas palavras da primeira fala do Arrais do Inferno. 4. Diz qual o recurso expressivo presente na segunda fala do Diabo e comenta o seu valor expressivo. “Vai pera a Ilha Perdida e há de partir logo essora.” (vv. 5-6) 5. Refere o argumento de defesa que o Fidalgo apresenta ao Diabo para não entrar no batel infernal. 6. Transcreve os versos que apontam o critério indicado pelo Diabo para que as almas se salvem ou sejam condenadas. 7. A condenação do Fidalgo ao Inferno é um destino esperado. 7.1 Tendo em conta tudo o que estudaste sobre esta cena, indica as acusações que são feitas a Dom Anrique e que determinam a sentença final. 8. Explicita a intenção crítica desta cena, justificando a tua resposta com a transcrição de dois versos que comprovam a extensão dessa crítica. 4
  • 5. PARTE C Lê o excerto do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e responde, de forma completa e bem estruturada, ao item que se segue. 5 10 15 ONZ. ANJO ONZ. ANJO ONZ. ANJO ONZ. ANJO ONZ. [Vai-se à barca do Anjo, e diz:] Hou da barca, oulá, hou!… Haveis logo de partir? E onde queres tu ir? Eu pera o Paraíso vou. Pois cant’eu mui fora estou de te levar pera lá. Essoutra te levará: vai pera quem te enganou! Porquê? Porque esse bolsão tomará todo o navio. Juro a Deus que vai vazio! Não já no teu coração. Lá me ficam, de rondão,1 vinte e seis milhões n’u˜a arca. Pois que onzena2 tanto abarca,3 não lhe dais embarcação?4 Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno, edição de Mário Fiúza, Porto Editora 1. de roldão, precipitadamente, em confusão. 2. juro excessivo (de onze por cento). 3. arrecada, amealha. 4. jogo de palavras entre “abarca” e “embarcação”. 1. Escreve um texto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes linhas fundamentais de leitura do excerto da cena do Onzeneiro acima reproduzido. O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão. Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos apresentados a seguir. • Apresentação das personagens intervenientes. • Referência ao local onde as personagens se encontram. • Indicação de um argumento utilizado pelo Onzeneiro para entrar na barca da Glória. • Explicitação da personagem a quem se refere o Anjo ao dizer: “vai pera quem te enganou!” (linha 8). • Referência à acusação efetuada pelo Anjo a esta personagem. • Indicação da simbologia do bolsão. • Explicação da intenção de crítica social, feita através do Onzeneiro. GRUPO II - GRAMÁTICA 5
  • 6. Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas. 1. Os arcaísmos e outras formas antigas abaixo reproduzidas foram retiradas do excerto da cena do Fidalgo que analisaste. Escreve a forma atual correspondente a cada uma delas. a) pera ___________________ b) assi ____________________ c) leixo ___________________ d) is _____________________ 2. Observa a palavra destacada nas frases seguintes: a. Neste auto, as personagens são julgadas pelo Diabo e pelo Anjo. b. O Fidalgo não teve um comportamento são, por isso é condenado ao Inferno. Nos dois casos, a origem da palavra “são” é diferente: - a forma verbal “são” deriva do étimo latino sunt; - o adjetivo “são” tem origem no étimo latino sanu. 2.1 Como se designam as palavras que apresentam a mesma forma, mas têm origem em étimos diferentes? 3. Identifica a função sintática dos elementos sublinhados nas frases seguintes. a) O Fidalgo, personagem vicentina, surge acompanhado de um pajem. b) Esta personagem é o representante da nobreza. c) A cadeira do Fidalgo simboliza o seu estatuto social. d) Gil Vicente criticou a sociedade nos seus autos. e) Entrei no teatro para ver o “Auto da Barca do Inferno”. f) Enviaram-nos dois bilhetes para esse espetáculo teatral. 4. Classifica o sujeito da frase e), do exercício anterior. 5. Indica a subclasse a que pertencem os verbos das alíneas b), d), f), do exercício 3. 6. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no tempo e no modo indicados. a) Sei que tu ________________ ( comprar – Pretérito Perfeito do Indicativo) duas obras de Gil Vicente. b) Se ___________________ (haver – Pretérito Imperfeito do Conjuntivo) tempo, todos leriam esta frase outra vez. c) Pedro, onde é que __________________ (pôr – Pretérito Perfeito do Indicativo) o exemplar do Auto da Barca do Inferno que te emprestei? d) Já encontraste o bilhete que _________________ (perder – Pretérito mais-que-perfeito composto do Indicativo)? Bom trabalho! 6
  • 7. Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas. 1. Os arcaísmos e outras formas antigas abaixo reproduzidas foram retiradas do excerto da cena do Fidalgo que analisaste. Escreve a forma atual correspondente a cada uma delas. a) pera ___________________ b) assi ____________________ c) leixo ___________________ d) is _____________________ 2. Observa a palavra destacada nas frases seguintes: a. Neste auto, as personagens são julgadas pelo Diabo e pelo Anjo. b. O Fidalgo não teve um comportamento são, por isso é condenado ao Inferno. Nos dois casos, a origem da palavra “são” é diferente: - a forma verbal “são” deriva do étimo latino sunt; - o adjetivo “são” tem origem no étimo latino sanu. 2.1 Como se designam as palavras que apresentam a mesma forma, mas têm origem em étimos diferentes? 3. Identifica a função sintática dos elementos sublinhados nas frases seguintes. a) O Fidalgo, personagem vicentina, surge acompanhado de um pajem. b) Esta personagem é o representante da nobreza. c) A cadeira do Fidalgo simboliza o seu estatuto social. d) Gil Vicente criticou a sociedade nos seus autos. e) Entrei no teatro para ver o “Auto da Barca do Inferno”. f) Enviaram-nos dois bilhetes para esse espetáculo teatral. 4. Classifica o sujeito da frase e), do exercício anterior. 5. Indica a subclasse a que pertencem os verbos das alíneas b), d), f), do exercício 3. 6. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no tempo e no modo indicados. a) Sei que tu ________________ ( comprar – Pretérito Perfeito do Indicativo) duas obras de Gil Vicente. b) Se ___________________ (haver – Pretérito Imperfeito do Conjuntivo) tempo, todos leriam esta frase outra vez. c) Pedro, onde é que __________________ (pôr – Pretérito Perfeito do Indicativo) o exemplar do Auto da Barca do Inferno que te emprestei? d) Já encontraste o bilhete que _________________ (perder – Pretérito mais-que-perfeito composto do Indicativo)? Bom trabalho! 6