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Grelha de análise do auto da barca do inferno 9º

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Auto da barca do inferno

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Grelha de análise do auto da barca do inferno 9º

  1. 1. Auto da barca do inferno, de Gil Vicente Personagem Símbolos caracterizadores/ características/comportame ntos Argumentos de acusação Argumentos de defesa Movimentação Cénica e Motivo da condenação Tipos de cómico Variedades (situacionais ) da língua Recursos expressivos FIDALGO - Pajem - Cadeira - Rabo (cauda do manto) . símbolos do poder, da tirania, da riqueza e da vaidade; . o Pajem serve como “prova judicial” para a condenação e é um elemento que destaca a categoria social do Fidalgo. * tirano, vaidoso, infiel, altivo, presunçoso, ingénuo (era traído e não sabia). - Utilizados pelo Diabo: Viveu uma vida de prazer «Vejo-vos eu em feição pêra ir ao nosso cais» Tu viveste a teu prazer» . «Segundo lá escolheste» - Utilizados pelo Anjo: . Tirano e opressor dos mais fracos «Não se embarca tirania neste batel divinal» «Pêra vossa fantasia mui estreita é esta barca» «Não vindes vós de maneira pêra ir neste navio» «com fumosa senhoria, cuidando na tirania do pobre povo queixoso; e porque, de generoso, desprezastes os pequenos, achar-vos-ês tanto menos quanto mais fostes fumoso» .Deixa na terra quem reze pela sua alma «Que leixo na outra vida quem reze sempre por mim» . «pois parti tão sem aviso» . Pertence a uma classe social elevada «Sou fidalgo de solar, é bem que me recolhais.» «Pêra senhor de tal marca nom há aqui mais cortesia?» - Entra, dirige-se à barca do Diabo, depois vai à barca do Anjo e por fim regressa à barca do Diabo, onde entra. . É condenado devido à sua vaidade, tirania, desprezo pelos pequenos e por causa da vida imoral que levava (infidelidade) - Cómico de situação: . «Pêra lá vai a senhora» - Cómico de linguagem: . «Que giricocins, salvanor» - Cómico de carácter: . «tornarei à outra vida ver minha dama querida que se quer matar por mi» .«Dá-me licença, te peço, que vá ver minha mulher». - Registo corrente: . «Isso bem certo o sei eu.» - Registo popular: «Par Deus, aviado estou!» - Registo cuidado: «Porém, a que terra passais?» - Eufemismo: . «vai para a ilha perdida» - Ironia; . «ò poderoso dom Amrique» . «Embarqu’a vossa doçura, que cá nos entederemos» - Antítese: .«Segundo lá escolhestes,, assi cá vos contentai» - Metáfora: . «Oh! Que maré tão de prata» . «Ó barca, como és ardente!» ONZENEIRO - Bolsão . símbolo de avidez, de ganância, da ambição pela riqueza; símbolo da sua atividade e dos seus pecados. *cobiçoso, avarento, ambicioso, agiota (cobrava 11% de juros) - Utilizados pelo Diabo: . «onzeneiro meu parente» . «Irás servir Satanás porque sempre te ajudou» - Utilizados pelo Anjo: Avarento (depois de morto, só se preocupa com o dinheiro que deixou em terra) . «Porque esse bolsão tomará todo o navio» . «Não já no teu coração» . «Ó onzena, como és fea e filha de maldição!» . A bolsa está vazia, pelo que precisa de regressar à terra para ir buscar dinheiro para pagar a passagem «Solamente pêra o barqueiro nom me leixaram nem tanto» «Juro a Deus que vai vazio!» «Lá me fica de ródão minha fazenda e alhea» - Entra, dirige-se à barca do Diabo, depois vai à barca do Anjo e por fim regressa à barca do Diabo, onde entra. . É condenado porque cobrava juros muito altos e por ser demasiado ambicioso - Cómico de carácter: . «Quero lá tornar ao mundo e trarei o meu dinheiro» - Cómico de linguagem: . «dá-me tanta borregada como arrais lá no Barreiro» - Cómico de situação: . «Dar-vos-ei tanta pancada com um remo, que renegueis!» - Registo corrente . presente em todo o texto - Registo popular: . «Pesar de São Pimen-tel, nunca tanta pressa vi» - Ironia: . «Ora mui muito me espanto nom vos livrar o dinheiro» . «Oh! Que gentil recear» - Eufemismo: . «me deu Saturno quebranto» . «Pera a infernal comarca.» - Metáfora: . «onzeneiro meu parente» • Acrescentar uma coluna: Classe/grupo socioprofissional. Fidalgo: nobreza; Onzeneiro: Burguesia.
  2. 2. Personagem Símbolos caracterizadores características/com portamentos Argumentos de acusação Argumentos de defesa Movimentação cénica e Motivo da condenação Tipos de cómico Variedades (situacionais) da língua Recursos expressivosPersonagem Símbolos caracterizadores características/comp ortamentos Argumentos de acusação Argumentos de defesa Movimentação cénica e Motivo da condenação Tipos de cómico Variedades (situacionais) da língua Recursos expressivos SAPATEIRO1 - Avental - Formas . símbolos da sua profissão, com a qual roubava o povo, as formas são os seus pecados. O sapateiro é um falso católico (má consciência religiosa), ladrão e malcriado. - Utilizados pelo Diabo: . Confessou-se sem revelar os seus pecados «E tu morreste escomungado nom o quiseste dizer» . «calaste dous mil enganos. . Roubou o povo durante 30 anos sem qualquer problema d consciência «Tu roubaste bem trint’anos o povo com teu mister» . «Ouvir missa, então roubar é caminho per’aqui» . «E os dinheiros mal levados, que foi da satisfação?» - Utilizados pelo Anjo: . As formas que o acompanham simbolizam o seu pecado «a carrega t’embraça» . «Essa barca que lá está leva quem rouba na praça as almas embraçadas» . «Se tu viveras direito» . Morreu confessado e comungado- «Os que morreram confessados, onde têm sua passagem?» . «confessado e comungado» . Ouviu muitas missas - «Quantas missas eu ouvi, nom me hão elas de prestar . Fez donativos à igreja e rezou pelos mortos - «E as ofertas, que darão? E as horas de finados? . Acha que as formas cabem na barca - «Isto uxiquer irá» . «quatro forminhas cagadas que podem bem ir i chentadas num cantinho desse leito - Entra, dirige-se à barca do Diabo, depois vai à barca do Anjo e por fim regressa à barca do Diabo, onde entra. . É condenado porque morreu excomungado, é mentiroso e roubou o povo durante trinta anos com a sua profissão (daí a sua prática religiosa não lhe valer de nada). - Cómico de linguagem: .«e da puta da barcagem» .«nem à puta da badana» - Cómico de carácter: «Mandaram-me vir assi…». - Gíria: «cordovão», «badana», «forminhas» - Linguagem popular: . «é esta boa traquitana» - Calão: «puta», «cagadas» - Linguagem corrente: . sobretudo na fala do Anjo - Ironia: . «Santo sapateiro honrado!» - Eufemismo: . «lago dos danados» - Hipérbole: «calaste dous mil enganos» - Jogo de linguagem . «que vá cozer o Inferno» - Antítese: . «...comungado? E tu morreste escomungado» - Metáfora: . «almas embaraçadas»
  3. 3. • Grupo social: povo/artesãos (burguesia dos ofícios ou pequena burguesia) 1. Joanantão. Através desta personagem, Gil Vicente critica todas as rezas, a forma superficial como os católicos praticavam a religião (julgavam que as rezas, missas e comunhões tinham mais valor do que praticar o bem). Personage m Símbolos caracterizadores características/compo rtamentos Argumentos de acusação Argumentos de defesa Movimentação Cénica e Motivo da condenação Tipos de cómico Variedades (situacionai s) da língua Recursos expressivos
  4. 4. FRADE1 - Moça2 - Florença (simboliza a luxúria e a imoralidade) - Espada - Casco (capacete) - Broquel (escudo) [símbolos da sua dedicação às coisas do mundo («padre munda-nal», «Frei Capacete») e de não praticar do celibato («padre marido») – vivia uma vida dissoluta e desregrada] - Hábito (capelo: capuz do hábito) – indica a sua classe social - Utilizados pelo Diabo: . «Pêra aquele fogo ardente que nom temestes vivendo» . «padre mundanal»- é folgazão, sabe cantar, dançar e esgrimir. . «padre marido» . «padre Frei Capacete» . «Som cortesão» . Fez o mesmo que os outros - «E eles fazem outro tanto!» . O hábito salvá-lo-á «E est’hábito no me vale?» . «Um padre … tanto dado à virtude?» . O facto de ser frade garante-lhe entrada no Paraíso - «Nom ficou isso n’avença.» . Rezou muitos salmos - «com tanto salmo rezado?» . «Sabê que fui da pessoa! Esta espada é roloa e este broquel Rolão» .«Padre que tal aprendia no Inferno há-de haver pingos?» . «minha reverença» - Entra, dirige-se à barca do Diabo, depois vai à barca do Anjo, que não o atende e, por fim, regressa à barca do Diabo, onde entra. . É condenado porque se dedicava às coisas do mundo (esgrima, dança) e não praticava o celibato (traz uma moça pela mão que «Por minha la tenho eu»). É significativo o facto de o Anjo nem sequer lhe dirigir a palavra, o que revela o desprezo por esta figura! - Cómico de situação e - Cómico de carácter: . quando entra em cena a cantar e a dançar (ainda por cima, com uma moça pela mão!) e quando dá uma lição de esgrima - Cómico de linguagem: .«Furtaste o trinchão, frade?» - Gíria: . da liturgia «Deo gratias»; termos técnicos de esgrima - «sus», «um fendente», «levada», «talho largo», «revés», «colher os pés» e «segunda guarda», etc. - Linguagem popular: «palha n’albarda», «Ah! nom praza a São Domingos» - Ironia « Fezeste bem, que é fermosa!» «Devoto padre», «Dê…lição d’esgrima, que é cousa boa!» «Que cousa tão preciosa!» - Eufemismo «fogo ardente» - Antítese «padre mundanal», «padre marido» - Comparação: «Tão bem guardado como a palha n’albarda» • Grupo social: clero. É criticada a falsa religiosidade e a quebra dos sacramentos por parte dos membros do clero (votos de castidade e de pobreza), bem como o comportamento ilícito e mundano dos homens da igreja. 1 – Dominicano, Frei Gabriel (“Frei Babriel”). 2 – Florença é, tal como o companheiro do Diabo, uma personagem secundária. É cúmplice do pecado e segue para o Inferno. COVITEIRA1 Símbolos caracterizadores características/comp ortamentos Argumentos de acusação Argumentos de defesa Movimentação Cénica e Motivo da condenação Tipos de cómico Variedades (situacionai s) da língua Recursos expressivos Vários instrumentos do seu ofício: _________________ São as palavras da alcoviteira que a condenam. .Ao Diabo diz que é uma mártir, pois já foi açoitada várias vezes, suportou vários tormentos, por ser - Entra, dirige-se à barca do Diabo, depois vai à barca do Anjo e por fim - Cómico de linguagem: .«Cuidas que trago piolhos» Registo popular “Barqueiro - Ironia «Que saboroso arrecear»; “Ora entrai, minha

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