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Quer saber mais?Colégio Santa Cruz, Av. Arruda Botelho, 255, 05466-000, São Paulo, SP, tel. (011)3024-5199Escola Estadual ...
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Como ensinar microbiologia

  1. 1. Como ensinar microbiologia, com ou sem laboratório Os alunos vão aprender que microorganismosinvisíveis, como bactérias e fungos, causam doenças ou ajudam a ter saúdePaola GentileFotos: Daniel Aratangy Os biólogos já catalogaram mais de 1,5 milhão de espécies de seres vivos. Pelomenos 10% deles são invisíveis a olho nu, mas estão presentes em nossa vida desde quenascemos. A microbiologia faz parte do conteúdo de Ciências Naturais em todos osníveis de ensino, mas fica mais atraente a partir da 6ª série, quando os alunosconseguem desenvolver experiências e atividades que provam a existência dos pequenosseres. Maria Teresinha Figueiredo, selecionadora do Prêmio Victor Civita ProfessorNota 10, afirma que relacionar os microorganismos às questões de saúde pode ser umadas entradas para o mundo da microbiologia: "Ao explicar a necessidade de hábitossaudáveis, o professor mostra formas de contágio de doenças transmitidas por bactérias,por exemplo, e as maneiras de evitá-las". História e vídeo para um aprendizado dinâmico . Se sua escola tem laboratório de Ciências bem montado, ótimo! Mas a falta demicroscópio não vai impedir você de tratar desse conteúdo. "Nas primeiras séries, oprofessor pode ensinar regras de higiene, contar histórias que tenham germes como
  2. 2. personagens ou passar vídeos ", sugere Gláucia Colli Inglez, do Museu deMicrobiologia do Instituto Butantan, em São Paulo. Para os mais velhos, ela indicaexperiências com materiais alternativos, como as cinco sugeridas nesta reportagem. Em qualquer caso, coloque os alunos em contato com a história da ciência. Deacordo com Antônio Carlos Amorim, da Sociedade Brasileira de Ensino de Biologia,localizar no tempo as descobertas dessa área ajuda os jovens a entender como asquestões sociais motivaram os cientistas. O médico alemão Robert Koch (1843-1910),por exemplo, ganhou um microscópio quando uma doença provocada por bactériasestava matando pessoas e animais no Leste Europeu. Ao examinar sangue de carneiros,ele descobriu bastonetes que não existiam no sistema circulatório de seres saudáveis.Seus estudos levaram a postulados que fundamentaram a microbiologia e, mais tarde, àdescoberta do bacilo causador da tuberculose. É interessante ainda contar à garotada que os micróbios foram os primeiros seresvivos a habitar nosso planeta. Apesar da antigüidade, só foi possível confirmar aexistência desse pequeno ser em meados do século 17, quando o holandês Antony vanLeeuwenhoek começou a divertir-se derretendo vidro para fazer lentes. Ele produziumais de 400 e usou-as para descrever bactérias, algas e protozoários. Daí à invenção domicroscópio foi um passo, o que trouxe avanços na microbiologia e na medicina. Com a constatação de que microorganismos existiam e afetavam os sereshumanos, percebeu-se a necessidade de adotar medidas de higiene e políticas públicasde saúde que, a longo prazo, duplicariam nossa expectativa de vida. Hoje ainda morremcerca de 20 milhões de pessoas por ano vítimas de infecções. Mas a vacinação emmassa já erradicou doenças como a varíola e diminuiu o número de casos detuberculose, raiva e outros males. Para conhecer melhor os micróbios Os alunos vão entender que também existem microorganismos que ajudam noequilíbrio do meio ambiente e de nosso corpoTIPO DE CARACTERÍSTICA ALGUNS DO BEM ALGUNS DO MALMICROORGANISMO Microorganismos sem célula, Não existe. Influenza (gripe); Herpes zoster considerados parasitas intracelulares, pois (catapora); Rhinovirus (resfriado);VÍRUS só têm ação no interior de outras células. Ébola (febre hemorrágica); HIV (Aids); Flavivirus sp.(Dengue); Morbilliviirus (sarampo). Organismos unicelulares, sem núcleo Rhizobium (ajudam na fixação Mycobacterium tuberculosisBACTÉRIAS definido e geralmente com apenas uma de nitrogênio em raízes de (tuberculose); Corynebacterium
  3. 3. molécula de DNA. Podem ser esféricas plantas leguminosas); diphtheriae (difteria); Salmonella (cocos), em forma de bastão (bacilos), Lactobacillus e alguns tipos de typhi (febre tifóide); espiral (espiroqueta e espirilo) e vírgula Streptococcus (produção de Streptococcus pneumoniae (vibrião). queijo, iogurte e requeijão). (pneumonia); Vibrio cholerae (cólera). Constituídos de hifas (filamentos) Agaricus campestris (cogumelo Trichophyton sp (micose ou pé- multicelulares nucleadas com exceção das comestível); Saccharomyces de- atleta);candida albicans leveduras, que são unicelulares. cerevisae (fabricação de pão e (candidíase); Aspergillus spFUNGOS de bebidas alcoólicas); (aspergilose). Penicillium sp (produção de antibióticos e de queijos). Seres unicelulares nucleados com Triconympha sp (vivem nos Entamoeba histolytica (disenteria estruturas locomotoras, com exceção dos cupins, auxiliando na digestão). amebiana); Trypanosoma cruziPROTOZOÁRIOS esporozoários. (doença de Chagas); Plasmodium sp (malária); Giardia lamblia (giardíase). Vivem no mar, em lagos, rios. Elas fazem Planctônicas (realizam 90% da Dinoflagelados (algas vermelhas fotossíntese e com isso transformam luz fotossíntese do planeta); causadoras da maré vermelhaALGAS solar em energia. diatomáceas (com carapaças de quando proliferamUNICELULARES sílica, constituem rochas excessivamente). usadas como abrasivos). Cinco experiências que não precisam de microscópio Marcos Engelstein, professor de Ciências do Colégio Santa Cruz, em São Paulo,desenvolve em laboratório, com seus alunos de 7ª série, as experiências 1, 2, 4 e 5. Já aEscola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Loteamento Gaivotas 3, também nacapital paulista, não tem laboratório. Em suas aulas, o professor Fábio Pereira usamateriais alternativos e desenvolve atividades lúdicas, como a de número 3. 1. Cultivando bactériasObjetivoMostrar a existência de micróbios e como eles contaminam o meio de cultura.Material (para o meio de cultura)1 pacote de gelatina incolor1 xícara de caldo de carne
  4. 4. 1 copo de águaDissolver a gelatina incolor na água, conforme instruções do pacote. Misturar ao caldode carneMaterial (para a experiência)Duas placas de petri (ou duas tampas de margarina ou dois potinhos rasos), com o meiode cultura cobrindo o fundoCotonetesFilme plásticoEtiquetas adesivasCanetaProcedimentoOs alunos passam o cotonete no chão ou entre os dentes, ou ainda entre os dedos dospés (de preferência depois de eles ficarem por um bom tempo fechados dentro dostênis!). Há ainda outras opções, como usar um dedo sujo ou uma nota de 1 real. Ocotonete é esfregado levemente sobre o meio de cultura para contaminá-lo. Tampe asplacas de petri ou envolva as tampas de margarina com filme plástico. Marque nasetiquetas adesivas que tipo de contaminação foi feita. Depois de três dias, observe asalterações.ExplicaçãoAo encontrar um ambiente capaz de fornecer nutrientes e condições para odesenvolvimento, os microorganismos se instalam e aparecem.Esse ambiente pode ser alimentos mal-embalados ou guardados em local inadequado. O
  5. 5. mesmo acontece com o nosso organismo: sem as medidas básicas de higiene, ele torna-se um excelente anfitrião para bactérias e fungos. 2. Testando produtos de limpezaObjetivoProvar a eficácia de desinfetantes e outros produtos que prometem acabar com osmicroorganismos.MaterialBactérias criadas na experiência no 1, Cultivando Bactérias (com sujeira do chão oucom a placa bacteriana dentária)1 placa de petri limpa (ou tampa de margarina), com meio de cultura1 pedaço de filtro de papel1 pinça1 tubo de ensaio1 copo de desinfetante, água sanitária ou anti-séptico bucal1 estufa (é possível improvisar uma com caixa de papelão e lâmpada de 40 ou 60 watts,como a da foto acima) Água
  6. 6. ProcedimentoRaspe um pouco das bactérias que estão nas placas já contaminadas, dilua-as emalgumas gotas de água (use um tubo de ensaio) e espalhe a mistura de água combactérias na placa de petri com meio de cultura. Com a pinça, molhe o filtro de papel nodesinfetante (se usar as bactérias criadas com a sujeira do chão, do dedo ou da nota depapel) ou no anti-séptico bucal (se usar as originadas da placa bacteriana dentária).Coloque o filtro no meio da placa contaminada por bactérias e guarde-a na estufa.Aguarde alguns dias. Quanto melhor o produto, maior será a auréola transparente queaparecerá em volta do papel; se for ruim, nada acontecerá.Auréola transparente: quanto mais eficiente o produto, maior ela será pega-pega contraos germes.ExplicaçãoPara ser eficientes, os produtos devem impedir o crescimento dos microorganismos. Osbons desinfetantes usam compostos com cloro ou outros produtos químicos tóxicos paraalguns micróbios. 3. Pega-pega contra os germesObjetivoAnalisar o funcionamento do sistema imunológico, como o corpo se cura e como asdoenças ocorrem.Material (para 30 alunos)10 cartões retangulares brancos representando os anticorpos
  7. 7. 15 cartões retangulares coloridos representando os antígenos (microorganismosinvasores)5 cartões coloridos com formatos diferentes dos anterioresObservaçãoVocê pode trabalhar com doenças causadas por vírus e/ou bactérias. Veja, no quadro dapágina anterior, sugestões de doenças a ser trabalhadas.ProcedimentoDistribua os cartões entre os alunos. Os que estão com cartões brancos procuram oscolegas que estão com cartões coloridos. Cada aluno dono de cartão branco podeencontrar somente um aluno de cartão colorido. Depois que os pares são formados, parea brincadeira e converse com os alunos sobre a simulação do sistema imunológico queacabaram de fazer.ExplicaçãoOs cartões brancos representam os anticorpos, que têm a função de combater osdiversos antígenos, causadores de doenças. Para cada antígeno existe um anticorpo.Quando o aluno com cartão branco encontra o colega com cartão colorido do mesmoformato, representa a vitória do corpo sobre o germe.Mas, quando o par é formado por cartões com formatos diferentes, está representadoque o organismo não conseguiu produzir o anticorpo necessário ou não produziu emquantidade suficiente para combater aquela doença. 4. Estragando o mingauObjetivoPerceber a necessidade de guardar bem os alimentos para que eles não se contaminem.Material
  8. 8. 5 copinhos de café numerados1 saco plástico ou filme plástico2 colheres de amido de milho ou outro tipo de farinha1 colher de óleo1 colher de sopa1 panela pequena1 copo de vidro1 colher de vinagreáguaProcedimentoPrepare o mingau com o amido de milho e um copo de água. Misture bem e leve aofogo até engrossar. Coloque o mingau ainda quente até a metade dos copinhos. Deixe ocopo 1 aberto, em cima da pia do laboratório. Cubra o 2 com o filme plástico, vede-o, edeixe-o também sobre a pia. O 3 é completado com óleo e o 4, com vinagre.O 5 é colocado na geladeira, sem cobertura. Observe com a turma em qual mingauapareceram as primeiras alterações. Depois de uma semana, peça a todos para descrevera aparência de cada copo e fazer desenhos coloridos, seguindo o que viram noscopinhos.ExplicaçãoA temperatura alta, usada no cozimento do mingau, matou os microorganismos. Já ocalor que ultrapassa os 30 graus Celsius deixa o ambiente propício para a proliferação
  9. 9. de micróbios, que se depositam no mingau deixado ao ar livre.Observe o que acontece com cada copo de mingau.1. É o que apresenta mais alteração, pois ficou na temperatura ambiente e sem proteção,exposto aos microorganismos. 2. Está menos estragado que o primeiro, porque o filmeplástico impede que os micróbios se depositem sobre ele. 3. O óleo funciona comocobertura ou embalagem, impedindo qualquer contato com o ar e, por conseqüência,com os micróbios. 4. A acidez do vinagre impede o aparecimento de microorganismos(é o princípio de preparação de algumas conservas). 5. As baixas temperaturas são asque mais retardam o aparecimento de fungos, por isso a geladeira é o melhor lugar paraconservar alimentos.Para ir alémPeça pesquisas sobre técnicas antigas de conservação de alimentos como a salga e adefumação de carnes e as modernas, como a pasteurização, a esterilização, ocongelamento, a desidratação e a radiação. 5. Mãos limpas?ObjetivoMostrar que mãos aparentemente limpas podem conter microorganismos.Material1 colher de fermento biológico diluído em um copo de águaÁgua com açúcar em uma tigela1 tubo de ensaio
  10. 10. 1 funil1 rolha para fechar o tubo de ensaio1 chumaço de algodãoAlgumas gotas de azul de bromotimolProcedimentoPeça para a turma lavar bem as mãos. Divida a classe em grupos de cinco. Um alunojoga o fermento biológico na mão direita e cumprimenta um colega com um aperto demão. Esse cumprimenta outro e assim por diante.O último lava as mãos na tigela com água e açúcar.Com o funil, coloque um pouco dessa água no tubo de ensaio. Molhe o algodão no azulde bromotimol e coloque-o na boca do tubo de ensaio, sem encostar no líquido. Feche-ocom a rolha e espere alguns dias.O azul vira amarelo: ação dos fungos.ExplicaçãoDentro do tubo de ensaio, a água com açúcar fornece o alimento necessário para osmicroorganismos no caso, fungos se desenvolverem. Os fungos respiram e soltam gáscarbônico, o que torna o ambiente do tubo ácido. Com isso, o azul de bromotimol,sensível à alteração de pH, muda sua cor para amarelo. Ressalte que medidas de higienepessoal, feitas com regularidade, evitam uma série de doenças.
  11. 11. Quer saber mais?Colégio Santa Cruz, Av. Arruda Botelho, 255, 05466-000, São Paulo, SP, tel. (011)3024-5199Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Loteamento Gaivotas 3, R. SãoPaulo, 53, 04849-308, São Paulo, SP, tel. (11) 5933-4973Museu de Microbiologia do Instituto Butantan, Av. Vital Brazil, 1500, 05503-001,São Paulo, SP, tel. (11) 3726-7222BIBLIOGRAFIAAventuras da Microbiologia, Isaias Raw e Oswaldo Augusto SantAnna, 170 págs.,Ed. Hacker, tel. (11) 3733-7912 , 25 reaisEpidemias no Brasil Uma Abordagem Biológica e Social, Rodolpho Telarolli Júnior,120 págs., Ed. Moderna, tel. (11) 6090-1500 , 26 reaisPequenos Seres Vivos, Gilberto Martho, 48 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-1777 ,18,50 reaisFILMOGRAFIASérie Nosso Corpo: Os Germes e o que Causam e Como o Corpo Cura a si Mesmo,Didak Tecnologia Educacional, 22 min., tel. 0800-175233, didak@didak.com.br, 70reais (VCD ou VHS)Publicado em NOVA ESCOLAEdição 183, Junho 2005,

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