Cidades Invisíveis Essencial

8.125 visualizações

Publicada em

Cidades Invisíveis Essencial é um resumo do famoso livro de Ítalo Calvino. Cada cidade tem ao menos uma frase representativa e todos os capítulos de diálogo entre Kublai Khan e Marco Polo encontram-se representados, ainda que sumariamente. Um livro que todo arquiteto e urbanista deveria ler? Evidentemente. Mas é um livro tão maravilhoso que todos deveriam ler, mesmo os analfabetos!

Publicada em: Educação, Tecnologia
0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
8.125
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
105
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Cidades Invisíveis Essencial

  1. 1. AS CIDADES INVISÍVEISItalo Calvino<br />Essencial<br />
  2. 2. “O homem que cavalga longamente por terrenos selváticos sente o desejo de uma cidade.”<br />
  3. 3. “Existe um momento na vida dos imperadores que se segue ao orgulho... À melancolia e ao alívio de saber que em breve desistiremos... Uma sensação de vazio que surge no calar da noite... É o desesperado momento em que se descobre que... O triunfo sobre os soberanos adversários nos fez herdeiros de suas prolongadas ruínas.”<br />
  4. 4. DIOMIRA <br />De um terraço chega-se a ouvie-se a voz de uma mulher que grita “Uh!”<br />Onde se é levado a invejar aqueles que imaginam ter vivido uma noite igual a esta e que na ocasião se sentiram felizes.<br />
  5. 5. ISIDORA <br />O homem que cavalga longamente por terrenos selváticos sente o desejo de uma cidade.<br />A cidade sonhada o possuíajovem. Em Isidora chega em idade avançada.<br />
  6. 6. DOROTÉIA <br />Aquela manhã em Dorotéia senti que não havia bem que não pudesse esperar da vida.<br />Esta é apenas uma das muitas estradas que naquela manhã se abriam para mim em Dorotéia. <br />
  7. 7. ZAÍRA <br />A cidade é feita das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado. Ela se embebe como uma esponja que reflui destas recordações e se dilata. <br />A cidade não conta o seu passado, ela o contém na linha da sua mão, escrito nos ângulos da rua, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas.<br />
  8. 8. ANASTÁCIA <br />Onde nenhum desejo é desperdiçado.<br />Você acha que está se divertindo em Anastácia, quando não passa de seu escravo.<br />
  9. 9. TAMARA <br />É impossível saber como realmente é a cidade, sob o invólucro de símbolos que a contém e que a esconde.<br />
  10. 10. ZORA <br />A cidade da qual não se pode esquecer – onde o olhar percorre as figuras que se sucedem, num ritmo musical.<br />
  11. 11. DESPINA <br />Dois pontos de vista, conforme se chegue de navio ou de camelo. <br />Cada cidade recebe a forma do deserto a que se opõe.<br />
  12. 12. ZIRMA<br />A cidade é redundante: repete-se para fixar alguma imagem na mente. <br />Repete os símbolos, para que a cidade comece a existir.<br />
  13. 13. ISAURA<br />Sob um lago, duas religiões.<br />A surpresa daquilo que você deixou de ser revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.<br />Futuro que não teve, mas que poderia ser seu.<br />
  14. 14. “Deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguardo por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa.”<br />“Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.”<br />“Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá.”<br />
  15. 15. MAURÍLIA<br />Cartões postais – de outra Maurília<br />Deuses antigos partiram, trocados pelos novos. Foram embora sem avisar e em seu lugar acomodaram-se deuses estranhos.<br />
  16. 16. FEDORA<br />Na cidade bolas de cristal contém a cidade sonhada e outras.<br />Uma reúne o que é considerado necessário, mas não o é; as outras o que se imagina possível e um minuto depois deixa de sê-lo.<br />
  17. 17. ZOÉ<br />Qualquer lugar se faz qualquer coisa, sem distinção entre as funções.<br />Se a existência em todos os momentos é única, a cidade de Zoé é o lugar da existência indivisível...<br />...Então, qual é o motivo da cidade?<br />
  18. 18. ZENÓBIA<br />Palafitas e estandartes: padrão feliz para o que mora nela.<br />Deve-se dividir as cidades em duas categorias: aquelas que continuam ao longo dos anos e das mutações a dar forma aos desejos e aquelas em que os desejos conseguem cancelar a cidade ou são por estas cancelados.<br />
  19. 19. EUFÊMIA<br />A cidade em que se troca de memória em todos os solstícios e equinócios.<br />
  20. 20. “Cidades, como os sonhos, são constituídas por desejos e medos. Ainda que suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas e que todas as coisas escondam uma outra coisa.”<br />“De uma cidade não aproveitamos as suas maravilhas, mas as respostas que dá às nossas perguntas.” <br />
  21. 21. ZOBEIDE<br />O sonho da mulher perseguida, nunca encontrada: um labirinto, uma armadilha.<br />Fundada por homens de diversas nações que tiveram o mesmo sonho.<br />
  22. 22. ISPÁSIA<br />Compreendi que devia me liberar das imagens que até ali haviam anunciado as coisas que procurava: só então seria capaz de entender a linguagem de Ispásia.<br />Linguagem trocada: musica nos túmulos, saída de navio no alto das torres.<br />
  23. 23. ARMILA<br />Os cursos de água canalizadas no encanamento de Armila permanecem sob o domínio de ninfas e náiades.<br />Agora parecem contentes essas moças: cantam de manhã.<br />
  24. 24. CLOÉ<br />Vibração luxuriosa na mais casta das cidades.<br />Se as pessoas vivessem seu sonhos efêmeros, todos os fantasmas se tornariam reais e começaria uma história de perseguições, de desentendimentos, e o carrossel das fantasias teria fim.<br />
  25. 25. VALDRADA<br />As duas Valdradas vivem uma para a outra, olhando-se nos olhos continuamente, mas sem se amar.<br />
  26. 26. “Prescutando os vestígios de felicidade que ainda se antevêem, posso medir o grau da penúria.”<br />
  27. 27. “Perdão, meu senhor: sem dúvida cedo ou tarde embarcarei nesse molhe, mas não voltarei para referi-lo... <br />...A cidade existe é possui um segredo muito simples: só conhece partidas e não retornos.”<br />
  28. 28. “Para descobrir quanta escuridão existe em torno é preciso se concentrar o olhar nas luzes fracas e distantes.”<br />
  29. 29. “Eu recolho as cinzas das outras cidades possíveis que desaparecem para ceder-lhe lugar e que agora não poderão nem ser reconstruídas nem recordadas.<br />“Somente conhecendo o resíduo da infelicidade que nenhuma pedra poderá ressarcir é que se pode computar o número exato de quilates que o diamante final deve conter.”<br />
  30. 30. OLÍVIA<br />Cidades diferem do discurso sobre elas.<br />A mentira não está no discurso, mas nas coisas.<br />
  31. 31. SOFRÔNIA<br />Duas metades: circo e pedra; a de pedra é desmontável <br />
  32. 32. EUTRÓPIA<br />No dia em que os habitantes se sentem acometidos pelo tédio, e ninguém suporta mais o próprio trabalho, os parentes, as ruas, os débitos e as pessoas que deve cumprimentar...<br />... Nesse momento todos os cidadãos decidem deslocar-se para a cidade vizinha que está ali à espera, vazia, onde cada um escolherá um novo trabalho, uma outra mulher, amizades e impropérios.<br />
  33. 33. ZEMRUDE<br />É o humor de quem a olha que dá forma à cidade.<br />
  34. 34. AGLAURA<br />Nada do que se diz é verdadeiro. <br />Tudo que se fala dela aprisiona as palavras e obriga a rir, ao invés de falar.<br />
  35. 35. “Imaginei uma cidade feita só de exceções, impedimentos, contradições, incongruências, contra-sensos.”<br />“Não posso conduzir minha operação além de um certo limite: obteria cidades verossímeis demais para sererm verdadeiras.”<br />
  36. 36. LALAGE<br />De modo que a lua em sua viagem possa pousar ora num pináculo, ora noutro.<br />A lua concedeu à Lalage um privilégio raro: crescer com leveza.<br />
  37. 37. OTÁVIA<br />Suspensa sobre o abismo a vida em Otávia é menos incerta que a de outras cidades...<br />...Sabem que a rede não resistirá mais que isso.<br />
  38. 38. ERCÍLIA<br />Viajando-se no seu território depara-se com as ruínas de cidades abandonadas: teias de aranhas de relações intrincadas à procura de uma forma.<br />
  39. 39. BAUCI<br />Os habitantes raramente são vistos em terra: têm todo o necessário lá em cima e preferem não descer.<br />
  40. 40. LEANDRA<br />Deuses de duas espécies protegem a cidade. <br />São tão pequenos que não se consegue vê-los e tão numerosos que é impossível contá-los.<br />Penates e Lares: zombam e discutem a verdadeira essência da cidade.<br />
  41. 41. MELÂNIA<br />Diálogos que nunca morrem.<br />Quem comparece à praça em momentos consecutivos nota que o diálogo muda de ato em ato, ainda que a vida dos habitantes de Melânia seja breve demais para que possam percebê-lo.<br />
  42. 42. “A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra, mas pela curva do arco que estas formam.”<br />“Sem pedras o arco não existe.”<br />
  43. 43. “Todas as vezes que descrevo uma cidade digo algo a respeito de Veneza.”<br />“Pode ser que eu tenha medo de repentinamente perder Veneza, se falar a respeito dela. Ou pode ser que, falando de outras cidades, já a tenha perdido pouco a pouco.”<br />
  44. 44. ESMERALDINA<br />O caminho mais curto entre 2 pontos é o zigue zague. <br />Mesmo a mais rotineira das vidas ocorre sem se repetir.<br />É difícil fixar no papel os caminhos das andorinhas, que cortam o ar acima dos telhados.<br />
  45. 45. FÍLIDE<br />Se entre dois pórticos um continua a parecer mais alegre é porque trinta anos atrás ali passava uma moça de largas mangas bordadas.<br />Muitas cidades são como essa, que evita o olhar, exceto quando pega de surpresa.<br />
  46. 46. PIRRA<br />O nome de Pirra evoca essa vista, essa luz, esse zumbido, esse ar no qual paira uma poeira amarelada.<br />
  47. 47. ADELMA<br />Lugar onde cada um chega morrendo e reencontra as pessoas que conheceu. <br />Cada face lembra alguém falecido.<br />Sinal de que estou morto. E de que o além, não é feliz.<br />
  48. 48. EUDÓXIA<br />Cidade que se reflete num tapete, inclusive as soluções para as angústias de cada um.<br />O que você contrabandeia: estados de ânimos, estados de graças, elegias.<br />O cheiro queimado das vidas queimadas.<br />
  49. 49. MORIANA<br />Inteiramente de vidro, como um aquário onde dançam sombras. <br />O viajante sabe que cidades como essa tem um avesso.<br />Como uma folha de papel, com uma figura aqui e outra ali, que não podem se separar nem se encarar.<br />
  50. 50. CLARISSE<br />Cidade “cenográfica”, do outro lado do semicírculo há o lado feio. Faces de um papel que não podem se separar e nem se encarar.<br />A Clarisse imprestável toma a forma da Clarisse da sobrevivência. Nova suntuosidade: a Clarisse borboleta saía da Clarisse crisálida. Ruínas em potes de vidro.<br />Que existiu uma primeira Clarisse é uma crença muito difundida, mas não há provas para demonstrá-lo.<br />
  51. 51. EUSÁPIA<br />Cadáveres dessecados, amarelos, conservam-se cumprindo momentos de despreocupações. Uma necrópole. Só a confraria dos encapuzados faz o contato entre a cidade dos vivos e a dos mortos – com a ajuda destes. Na cidade dos mortos ocorre lenta evolução, que a cidade de cima tenta copiar. Dizem que na verdade, foram os mortos que criaram a cidade de cima. <br />É impossível saber quem são os vivos e quem são os mortos.<br />
  52. 52. BERSABÉIA<br />Uma cidade fecal de extremidades tortuosas. <br />Não sabe que seus únicos momentos de abandono generosos são aqueles em que se desprende, deixa cair, se expande.<br />Só quando caga não é avara calculadora interesseira.<br />
  53. 53. LEÔNIA<br />Cidade que se refaz todos os dias. <br />Talvez seu maior prazer não seja o de comprar coisas novas, mas se livrar das velhas – expurgar uma impureza recorrente. <br />Montanha de refugos circunda a cidade ameaçando-a de um cataclismo.<br />
  54. 54. “Por mais longe que nossa atribulada função de comandantes e de mercador nos levem, ambos tutelamos dentro de nós esta sombra silenciosa, essa conversação pausada, esta tarde sempre idêntica.”<br />
  55. 55. “Klubai refletia sobre a ordem invisível que governa as cidades. Conclui, jogando xadrez, que suas conquistas de cidades resultam num mero quadrado sob o rei derrotado: branco ou preto: nada.”<br />
  56. 56. IRENE<br />Às vezes o vento traz uma música. A cidade de quem passa sem entrar é uma; é outra para quem é aprisionado e não sai mais dali; é uma cidade à qual se chega pela primeira vez, outra é a que se abandona para nunca mais retornar; cada uma merece um nome diferente; talvez eu já tenha falado de Irene sob outros nomes; talvez eu só tenha falado de Irene.<br />
  57. 57. ARGIA<br />No lugar de ar, existe terra. <br />Convém permanecerem parados, de tão escuro.<br />Às vezes se ouve uma porta que bate.<br />
  58. 58. TECLA<br />Interminável construir – sob o medo de desmoronamento se pararem. <br />Ao por-do-sol o trabalho se interrompe e, sob o céu estrelado, dizem: este é o projeto.<br />
  59. 59. TRUDE<br />O mundo é recoberto por uma única Trude que não tem começo nem fim; só muda o nome no aeroporto.<br />
  60. 60. OLINDA<br />Cresce em círculos concêntricos, o novo centro expulsa o antigo para a periferia, ininterruptamente.<br />
  61. 61. “Eu falo, falo, mas quem me ouve retém somente as palavras que deseja. Quem comanda a narração não é a voz, mas o ouvido.”<br />
  62. 62. “As razões invisíveis pelas quais existiam as cidades e talvez pelas quais, após a morte, voltarão a existir.”<br />“O grande Kahn possui um Atlas com todas as cidades do mundo, mesmo as que ainda vão existir.”<br />
  63. 63. LAUDÔMIA<br />Tem ao lado um cemitério e um outro: os dos não nascidos. Os viventes de Laudômia freqüentam a casa dos não nascidos, interrogando-os. <br />Os nascituros de Laudômia aparecem perfilados como grãos de poeira, entre o antes e o depois. A passagem entre a vida e a morte é o gargalo de uma ampulheta.<br />
  64. 64. PERÍNZIA<br />O pior não se vê: gritos guturais irrompem nos porões e nos celeiros, onde as famílias escondem os filhos com três cabeças ou seis pernas.<br />O dilêma dos astrônomos que projetaram a cidade: admitir que estavam errados ou que talvez a ordem dos deuses seja o que se espelha na cidade dos monstros.<br />
  65. 65. PROCÓPIA<br />Todos os anos abria a cortina e contava algumas caras a mais.<br />No meu quarto somos 26 pessoas. Todas gentis, felizmente.<br />
  66. 66. RAÍSSA<br />Em Raíssa, cidade triste, também corre um fio invisível que, por um instante, liga um ser vivo ao outro...<br />... Desenhando rapidamente novas figuras de modo que a cada segundo a cidade infeliz contém uma cidade feliz que nem mesmo sabe que existe.<br />
  67. 67. ÂNDRIA<br />Cada alteração vai afetar o movimento do céu. <br />A inteira cidade reflete a ordem celeste.<br />
  68. 68. CECÍLIA<br />Os espaços se misturam. <br />Cecília está em todos os lugares.<br />
  69. 69. MARÓSIA<br />Basta que alguém faça alguma coisa pelo simples prazer de fazê-las para que isto se torne um prazer para outros.<br />Cidade dos ratos e cidade das andorinhas: a segunda está para libertar-se da primeira.<br />
  70. 70. PENTESILÉIA<br />É apenas uma periferia de si mesma. <br />Fora de Pentesiléia existe um lado de fora?<br />
  71. 71. TEODORA<br />Eliminaram todas as pragas e animais. <br />A outra fauna retornava à luz da biblioteca: grifos, dragões harpias e quimeras.<br />
  72. 72. BERENICE<br />A cidade justa e a cidade injusta: dentro da justa há um embrião de injustiça. Como semente dentro de uma camada que a recobre.<br />
  73. 73. Há duas maneiras de não sofrer no inferno: <br />
  74. 74. Tornar-se parte dele até não percebe-lo. <br />
  75. 75. A segunda é descobrir quem e o que dentro do inferno, não é inferno, <br />
  76. 76. ...e preservá-lo, e abrir espaço.<br />
  77. 77. AS CIDADES INVISÍVEISItalo Calvino<br />Essencial<br />
  78. 78. Le città invisibile -1972<br />Tradução: <br />Diogo Mainardi<br />Biblioteca Folha<br />Resumo livre <br />Carlos Elson Cunha - fev/2011<br />criarefazer@hotmail.com<br />

×