Metadesign e city hacking

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Apresentação sobre as relações entre complexidade, metadesign, cidade distribuída, teoria e epistemologia do projeto (para cidades). [Presentation about the relationships between complexity theory, metadesign, the distributed city, design theory and epistemology (in urban design).]

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Metadesign e city hacking

  1. 1. Caio Vassão http://caiovassao.com.br/ Metadesign e Cidade Distribuída Red Bull Station – Maio 2015.
  2. 2.     http://www.opte.org/maps/ Internet Mapping Project http://www.opte.org/maps/ “Blue Marble” (NASA) natureza/biologia http://popartmachine.com/item/pop_art/LOC+1567152/%5BWORM New York City (fish-eye lens) Ecologia: um novo paradigma “Complexidade Organizada”, sistemas interrelacionados. cidade/cultura tecnologia/informação
  3. 3. Crescimento Insustentável – Crescimento exponencial... Crescimento da tecnologia... http://thenextwavefutures.wordpress.com/2009/08/02/the-end-of-moores-law/
  4. 4. http://www.informationweek.com/thebrainyard/news/strategy/232300595 Crescimento Insustentável – Diferentes taxas de crescimento... Crescimento das Cidades X Crescimento das Corporações http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0013541 Urban Scaling and Its Deviations: Revealing the Structure of Wealth, Innovation and Crime across Cities superlinear sublinear linear Geoffrey West
  5. 5. http://www.flickr.com/photos/walkingsf/5912946760/in/set-72157627140310742 red=flickr / blue=twitter
  6. 6. América do Norte segundo as postagens de Twitter e Flickr Eric Fischer http://www.flickr.com/photos/walkingsf/5912385701/in/set-72157627140310742/ red=flickr / blue=twitter
  7. 7. América do Sul e Brasil segundo as postagens de Twitter e Flickr Eric Fischer http://www.flickr.com/photos/walkingsf/5912385701/in/set-72157627140310742 red=flickr / blue=twitter
  8. 8. São Paulo (RMSP) segundo as postagens de Twitter e Flickr Eric Fischer http://www.flickr.com/photos/walkingsf/4671446659/ red=flickr / blue=twitter
  9. 9. Urbanização Dispersa Segundo Goulart, et al. Macro-Metrópole: Campinas – São Paulo – São José – Taubaté – Rio de Janeiro... GOULART REIS, Nestor. Notas Sobre Urbanizaç ão Dispersa e Novas Formas de Tecido Urbano. São Paulo, Via das Artes, 2006.
  10. 10. Urbanização Dispersa Segundo Goulart, et al. Macro-Metrópole: Campinas – São Paulo – São José – Taubaté – Rio de Janeiro... GOULART REIS, Nestor. Notas Sobre Urbanizaç ão Dispersa e Novas Formas de Tecido Urbano. São Paulo, Via das Artes, 2006.
  11. 11. Mega-Regiões Emergentes - EUA Regional Plan Association http://en.wikipedia.org/wiki/File:MapofEmergingUSMegaregions.png
  12. 12. Arquitetura móvel. Arquitetura efêmera. Arquitetura leve. Arquitetura para o corpo. Arquitetura ancestral. Estruturas leves. Sistemas de configuração de habitações. Sistemas de configuração de identidades e relações. Cidade/Acampamento. Mobilidade de si, das coisas, do mundo.
  13. 13. http://www.flickr.com/photos/luiz_stapassoli/5072919851/ Arquitetura Móvel Tradicional – Oca – nativos brasileiros.
  14. 14. Arquitetura Móvel Tradicional – Yurte mongol. http://natgeotv.com/pt/photo-of-the-day/2012/janeiro A mongolian nomadic woman at her yurt in Erdene Soum. Alison Wright
  15. 15. Arquitetura Móvel Tradicional – Tipi – nativos norte-americanos. http://www.wallpaperpimper.com/wallpaper/download-wallpaper-Tepee_On_The_Range_Wyoming-size-1600x1200-id-142662.htm
  16. 16. Arquitetura Móvel Tradicional – Vardo – ciganos tradicionais (Romani). http://cleaningbird.blogspot.com.br/2009/09/yarrrrr-cleaning-post-ahoy.html
  17. 17. Arquitetura Móvel Tradicional – Barco Bajau – “ciganos do mar” da Indonésia e Filipinas. http://www.asianoffbeat.com/photos/the-last-bajau-sea-nomads/the-last-bajau-sea-nomads-images_5884.jpg
  18. 18. Arquitetura Móvel Contemporânea – Espetáculos/Eventos Culturais. http://cleaningbird.blogspot.com.br/2009/09/yarrrrr-cleaning-post-ahoy.html http://www.architekturmuseum.de/ausstellungen/bild.php?impress=&which=26&img=4&show=
  19. 19. Arquitetura Móvel Contemporânea – Arquitetura de e com Containeres. http://www.treehugger.com/sustainable-product-design/freitag-recycled-shipping-container-store-in-zurich.html http://www.jetsongreen.com/2008/12/lot-ek-puma-cit.html http://deathtoarchitecture.blogspot.com.br/2011/04/wes-jones.html
  20. 20. Arquitetura Móvel Contemporânea – Trailers e Motorhomes. http://www.chevytalk.org/fusionbb/showtopic.php?tid/275013/ http://ramchargercentral.com/diesel-talk/classic-winnebago-diesel/
  21. 21. A “Forma Acampamento” – Urbanidade ancestral, recuperada para um novo momento... Aerial view of 500 trailers drawn by heavy cars, mostly Cadillacs, Chryslers & Osmobiles, parked in concentric circles as their 1,500 Amer. vacationing owners camp for the night during 3,000 mile tour fr. Nogales to Alcapulco & back. Location: Guyannas, Mexico Date Taken: January 12, 1955 Photographer: Loomis Dean http://www.airforums.com/forums/f47/historic-rally-photos-nogales-rendezvous-1957-a-10477.html Trailer (ou Recreational Vehicle, “RV”) Rally http://www.rearviewsafety.com/blog/2011/back-up-camera-system/rv-back-up-camera-for-your-cross-country-trips/ Acampamento Militar Romano http://www.shutterstock.com/pic-47842864/stock-vector-roman-camp.html
  22. 22. Recreational Vehicle Rally - 2011 http://ratedrv13thenextchapter.blogspot.com.br/2011_07_01_archive.html
  23. 23. Burning Man 2010 (GeoEye-1 Earth observation satellite) http://www.thehighdefinite.com/2010/09/burning-man-2010-the-smokes-perspective/
  24. 24. Burning Man Camp - Tristan Savatier http://www.loupiote.com/burningman/photos/237497891.shtml Burning Man 1991 http://remedyarn.com/?attachment_id=337 Hailey, Charlie. Camps: A Guide to 21st-Century Space http://web.dcp.ufl.edu/clhailey/
  25. 25. http://www.flickr.com/photos/walkingsf/5912946760/in/set-72157627140310742 red=flickr / blue=twitter
  26. 26. Novas Urbanidades – Centro Auto-Regenerativo (1996).
  27. 27. Caio Vassão © 2011
  28. 28. Novas Urbanidades – Centro Auto-Regenerativo (1996).
  29. 29. Caio Vassão © 2010
  30. 30. Caio Vassão © 2011
  31. 31. Caio Vassão © 2011
  32. 32. Caio Vassão © 2011
  33. 33. CaioVassão©2011
  34. 34. Novas Urbanidades – Pocket Car (2002) (Marcus Del Mastro, EPI).
  35. 35. Teoria do Projeto (Design) Teoria do Projeto Retomada de uma noção primordial de arte (poiésis) em prol da inovação. Complexidade e Sistemas Emergentes (projeta-se o incontrolável?) Arquitetura Móvel X Arquitetura da Mobilidade É criar um “Meta-Espaço”, uma “Meta-Cidade” de relações sociais e tecnológicas. Metadesign e Arquitetura Livre Banalização da tecnologia digital (Computação Ubíqua) O “Meta-Espaço” é um ambiente de telecomunicação pessoal avançado! Como projetar a complexidade contemporânea e futura, de modo efetivo e ético... Filosofia pós-estruturalista, em especial Deleuze e Guattari nomadologia, teoria e prática do nomadismo...
  36. 36. A cidade não é um “LOCAL”, ela é um processo de interação social! Os ‘locais’ (ruas, edifícios, parques, casas, etc.) são apenas “cascas” que construímos e utilizamos. A motivação de sua existência é sustentar essa interação social...
  37. 37. A cidade não é uma “infra-estrutura FRIA, SEM NOME” ela é uma entidade poético-estética! Entender a cidade como obra de arte coletiva, colaborativa, co-evolutiva, sempre incompleta, sempre precária, sempre sedutora, sempre frustrante, sempre mais e menos do que esperamos dela.
  38. 38. A cidade poderia ser muito mais do que “CAPITAL ESPECULATIVO”. ela é pode ser um campo de experimentação coletiva. Construir a cidade como entidade virtual-corpórea, da cultura e da presença concreta dos cidadãos, de suas invenções e formas de habitar e ocupar o espaço.
  39. 39. Divórcio Político –Estético entre Positivismo e Romantismo Positivismo: Ciência e Tecnologia Lógica Instrumental Destruição do Ambiente, da natureza e da humanidade. Romantismo: Estética e obra de arte como objeto de fruição Proibição do convívio da arte no cotidiano Teoria do Projeto (Design) REFERÊNCIAS TRADICIONAIS
  40. 40. Filosofia pós-estruturalista, em especial Deleuze e Guattari Nomadologia – o comportamento basal da humanidade é nômade Somos nômades que aprenderam a viver como sendentários. Esse aprendizado é re-afirmado todos os dias pelo ambiente urbano. Nomadismo é uma postura subjetiva, não é sinônimo de “viajar bastante”... O Estado é a forma política do sedentarismo. O capitalismo se apropria da mutabilidade do nomadismo para ampliar sua adaptabilidade – “o Capitalismo se faz à medida que se desfaz...” Deleuze e Guattari previram a retomada do comportamento Nômade Sistemas Centralizados (industriais) = Árvore Sistemas Distribuídos (telecomunicação digital) = Rizoma Teoria do Projeto (Design) NOVAS REFERÊNCIAS
  41. 41. Design como Controle do Futuro Espectador Ativo Destruição do Ambiente Injustiça Social e Política Lógica Instrumental Filosofia Esquizofrênica da Fratura Positivismo X Romantismo Utilitarismo Pragmatismo Cibernética como controle Projeto (Design) “dialoga com a Arte” Meta do Projeto e controlar a realidade Teoria do Projeto (Design) NOVAS REFERÊNCIAS Design como Co-Criação Agente Passivo Convívio com o Ambiente Práticas sócio-ambientais Corporalidade Ferramental Filosofia Precária Ecologia Profunda Pós-estruturalismo Fenomenologia Cibernética como convívio Projeto (Design) “é Arte” Oportunidade do Projeto é descobrir, desvendar, co-criar uma realidade X METADESIGN
  42. 42. Facsimile dos Pergaminhos do Mar Morto www.facsimile-editions.com/en/ds/   ?Biblia de Gutenberg (Harry Ransom Center) http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/permanent/gutenberg/ Hypertext (Ted Nelson) Ecologia da Informação – Hipertexto (Nelson)
  43. 43. Vista do terraço Italia (“Viaje na viagem”) “The Naked City”, Guy DebordCidade de Český Krumlov, Boemia   Ecologia Urbana – Cidade Distribuída (Vassão, 2011)
  44. 44. Árvore Sistemas Centralizados Estado Sedentarismo Jornais, TV, Rádio, etc. Telecomunicação tradicional Indústria vitoriana Cidade Industrial e “de Condomínio” CaioVassão,EPI Rizoma (gramíneas) Sistemas Distribuídos Tribo Nomadismo Internet (Web) Telecomunicação pessoal Indústria just-in-time Cidade Compacta e Distribuída
  45. 45. ©CaioVassão/EPI
  46. 46. Cidade Centralizada Sistemas Centralizados Planejada Grande/Monumental Insustentável Desintegrada Cidade Distribuída Sistemas Distribuídos Emergente Pequeno/Local Sustentável Integrada
  47. 47. ©CaioVassão/EPI
  48. 48. Publicação 2015 “Cidade Distribuída” (edição bilíngüe).
  49. 49. Ferramentas conceituais: (1) Níveis de Abstração (2) Diagramas (3) Procedimentos (4) Emergência Metadesign
  50. 50. Metadesign Criar a Simplicidade a partir da Complexidade. Compreender a complexidade  “Compactar” a complexidade  Construir a simplicidade Ferramentas do Metadesign: 1 – Abstração 2 – Diagramas 3 – Procedimentos 4 – Emergência
  51. 51. Metadesign Ferramentas do Metadesign: 1 – Abstração Processo de construção do conhecimento Criação de “Ontologias”, taxonomias e categorias Criação de uma “linguagem comum” Montar “Máquinas Abstratas” - ações desejadas - componentes - inputs e outputs - encapsulamento Abordagem Lúdica: - metáforas - suspensão do repertório - criação de um novo repertório - Imaginar uma máquina e seu funcionamento
  52. 52. Metadesign Ferramentas do Metadesign: 2 – Diagramas Visualização da complexidade por meio de diagramas de tipos variados Tornar comum a acessível a complexidade promovendo o trabalho colaborativo Visualizar as oportunidades de relacionamento Diagramas das “Máquinas Abstratas” Diagramas das ontologias e taxonomias Mapear os talentos e oportunidades Diagramas para visualização da ecologia GIS – Geographical Information Systems Diagramas Miméticos (“mímicos”) Diagramas de Sankey
  53. 53. Metadesign Ferramentas do Metadesign: 3 – Procedimentos Criação de procedimentos Experimentação com procedimentos Aplicação e ajuste dos procedimentos “Regras do Jogo” Mudar as regras é mudar o jogo... Torná-lo mais interessante, mais direcionado, mais lúdico, mais divertido, mais conseqüente, mais responsável... Descrever processos de acordo com diretrizes e comportamentos do sistema Jogar o jogo...
  54. 54. Metadesign Ferramentas do Metadesign: 4 – Emergência Detectar as Oportunidades Emergentes, ou seja, imprevistas, mas muito poderosas. Todo processo acarreta situações imprevistas Tirar proveito delas, direcioná-las e, Aprender com elas. Aceitar e potencializar as “Pontas Soltas” do processo, aquilo que depende das comunidades e do uso concreto, da vida...
  55. 55. Nichos de Interação – Emergência de um nicho de interação...
  56. 56. Pesquisa e Processos da Arte Existe uma disposição para o desenvolvimento de "projetos teóricos”, "pensar projetando", "questionar projetando”… A proposta enquanto uma "sonda", um experimento, um "Gedankenexperiment" – tremendo papel na física, assim como na Arte Conceitual.
  57. 57. Étienne-Louis Boullée – Cenotáfio para Isaac Newton
  58. 58. Fun Palace – Cedric Price (1961)
  59. 59. Centro Pompidou – Beauborg – Piano + Rogers (1970-1979)
  60. 60. Pesquisa e Processos da Arte Projeto como pergunta, mobilização ontológica: Do mesmo modo que a Arte, o projeto como pergunta levanta essa mesma mobilização – por a Realidade em questão.
  61. 61. Fratura Romântico-Positivista Origens na educação escolástica. Continuação de uma separação entre produção (poiesis) entendida como "trabalho" e "poética”. Constituição dos campos opostos e complementares: da "técnica" da "arte” Esquecimento da dimensão polissêmica, polivalente e política do "artificial”.
  62. 62. Fratura Romântico-Positivista Positivismo cria a tecno-ciência e corre solto, construindo o mundo anti-ecológico de hoje. Maior sintoma de que vivemos em um mundo esquizofrênico é a insustentabilidade do mundo industrial.
  63. 63. Fratura Romântico-Positivista Romantismo cria a arte e define-a como sendo a expressão de uma monstruosidade da psique, de algo indomável, irrepresentável enquanto razão e, por esse motivo, absolutamente distinta do cotidiano A arte é aceita em toda a sua potência polissêmica, e está livr para cumprir um papel de questionamento profunda da ontologias reinantes em determinado período.
  64. 64. Fratura Romântico-Positivista Parceria tensa e esquizóide entre Positivismo e Romantismo cria o lugar sócio-político tanto da tecno-ciência, como da arte. E deixa para o passado: a obra de arte entendida como entidade holonômica e polissêmica a ação poiética comunitária = "artesanato"
  65. 65. Fratura Romântico-Positivista Sintomas problemáticos da Fratura: especialização das áreas da tecno-ciência. rejeição formal de abordagens de pesquisa e produção que não sejam positivistas (ciência, especialização, produção de bem estar-social e bens de consumo).
  66. 66. Fratura Romântico-Positivista Tentativas sucessivas de costurar os dois fragmentos: Artes Aplicadas Arts and Crafts Movimento Moderno - arquitetura e design Bauhaus/Ulm Arte Total Situacionismo Arte de Rua/Performance/Arte-conceitual/Meta-Arte Design Interrogativo (Wodiczko) Movimento Colaborativo (web, Software Livre, etc.)
  67. 67. Fratura Romântico-Positivista Mas, dificilmente consegue-se superar a Fratura, pois ela está codificada em: legislação práticas do mercado da arte estrutura curricular das especializações profissionais e acadêmicas estatuto "monstruoso" da obra de arte – queda (questionamento, incômodo, o Outro) estatuto "redentor" da obra tecnológica – ascensão (repetição, conforto, o Mesmo) Enfim… na cosmologia reinante hoje, em nossa episteme
  68. 68. Fratura Romântico-Positivista Ciência Nômade e Ciência Régia De saída, Deleuze e Guattari, em Mil-platôs, expõem a ciência fora da Fratura, entendendo-a em dois níveis: ciência nômade é descrita como ação poiética singular, intransferível, incodificável . ciência régia é um processo normativo e de captura, não produz nada universal, transferível, sobrecodificada. Aceitar a dimensão polissêmica e antropológica (Latour) da tecnologia é assumir seus aspectos monstruosos. Aceitar a dimensão cotidiana da arte é assumir sua possibilidade redentora.
  69. 69. O que é Arte? Arte na Antiguidade Arte, do latim “ARS”  origem etimológica próxima de “arma”, “arm” (“braço”, ing.), “armar”, etc. Arte  artifício, artificial, ARTEFATO, articulação... Mas, na origem da cultura latina (Roma), a Arte descende do grego TECHNÉ, “arte” em grego.
  70. 70. O que é Arte? Arte na Antiguidade Grega Techné incluia astronomia, matemática, medicina, gastronomia, retórica, etc... além da pintura, música, poesia, arquitetura, escultura, etc... Poiesis  “Criar”, “Produzir”, no sentido de “fazer existir”, em grego. Aesthesis  “Perceber”, no sentido de percepção bruta, e não categorizada, como na “percepção visual”, “percepção auditiva”, ou seja, a percepção sinestésica. Techné é também o “conhecimento quanto à produção”, a arte entendida como “forma de conhecimento”
  71. 71. O que é Arte? Arte na Antiguidade Grega Importante dicotomia: Logos x Techné Para Platão, a arte (Techné) é o caminho para se chegar no conhecimento válido (Logos), como uma escada que pode ser descartada ao atingir-se o objetivo de conheci- mento. O mundo sensorial/perceptivo é domínio da Aesthesis, e pode apenas ser ilusório/mentiroso. Alguns artefatos, produzidos (poiesis) com habilidade, podem promover essa compreensão que vai além do mundo, o transcendem.
  72. 72. O que é Arte? Arte na Antiguidade Grega Para Aristóteles, a arte (Techné) é um modo de conhecimento, mas de tipo específico: é da ordem do “possível”*; enquanto o conhecimento válido, certeiro (Logos) é aquele da ordem do “necessário”**. Logos x Techné necessário x possível **Necessário diz respeito ao que deve ser de um modo, e não pode ser diferente. (ex. 2 + 2 = 4; uma base somada a um ácido resulta em uma solução salina, etc.) *Possível diz respeito ao que pode ser de diversas formas, e pode ser apreendido ainda de muitas formas diferentes. (ex. uma pintura pode ser feita de infinitas formas diferentes, assim como pode ser percebida de formas igualmente infindáveis – subjetividade, estética.)
  73. 73. O que é Arte? Arte na cultura Escolástica Medieval Cultura relacionada com o clero e fundamentada na teologia (estudo do sagrado, de Deus). No currículo escolástico, existe a dicotomia entre: - “artes Liberais” e As artes que promovem a liberação do mundo sensorial, corpóreo. Matemática, música, pintura, astronomia, etc. - “artes Servis” As artes que servem ao corpo, promovem conforto e proteção, ou seja, tornam a vida terrena mais tolerável – potencialmente distanciando-nos da vida eterna e da salvação. Medicina, arquitetura, artesanato em geral, etc.
  74. 74. O que é Arte? Arte durante o Renascimento Retomada da influência da filosofia antiga quanto à indução, e da importância de se dedicar ao estudo do mundo para a produção de conhecimento. Temporariamente, surge uma sobreposição entre aquilo que seria posteriormente considerado “Ciência” (a partir do Positivismo) e “Arte” (em sua acepção tradicional). Leonardo disseca corpos, mas também é pintor, músico e arquiteto. Por outro lado, as distinções entre “Artes Liberais” e “Artes Servis” vão se aprofundando, à medida que a produção e a economia mercantil vão se consolidando.
  75. 75. O que é Arte? Arte do Renascimento à Rev. Industrial Neste período vai surgindo o termo “técnica” como o conhecimento preciso quanto à produção, o “domínio” das formas de produção. “Saber fazer”. Ou seja, do grego “techné” como forma de conhecimento quanto à produção em geral, surge o termo “técnica” conhecimento quanto aos “meios de produção”, independentemente das intenções que venham a ser expressas. Até aqui, o “saber fazer” estava sempre entremeado com um “modo poético” de ver as coisas e a produção. Passa a ser um modo “técnico”, preciso.
  76. 76. O que é Arte? Arte e a Revolução Industrial Neste momento, o termo “produção” começa a abandonar a esfera ampla e antiga da Poiesis, e passa gradualmente a designar a produção controlada cientificamente das indústrias, o processo racionalizado. É neste momento que a idéia de “utilidade” se instaura como mote geral para a sociedade.
  77. 77. O que é Arte? Positivismo Movimentos filosóficos como o Empirismo e o Utilitarismo já vinham conclamando o abandono da filosofia como forma suprema de conhecimento. Mas é o Positivismo que propõe a ciência como essa forma privilegiada de conhecimento – sendo ali que surgem as ciências como a conhecemos. Biologia, Geologia, Geografia, Física, Sociologia, e principalmente a Tecnologia. O termo “arte” não é excluído, mas passa a ter a denominação que depois será da “Tecnologia”: conhecimento quanto à produção.
  78. 78. O que é Arte? Romantismo Movimentos filosóficos idealistas vinham retomando a idéia de uma natureza transcendente do ser humano. Com o Romantismo, essa natureza se iguala à Estética. Baumgarten propôe o termo “Estética” a partir do grego “Aesthesis” – inicialmente como “ciência do belo”, e depois como “estudo filosófico do belo”, posteriormente o “estudo filosófico da percepção”. Surge com o Romantismo a noção estrita e restritiva de ARTE que utilizamos ainda hoje: “Arte é a produção e a fruição de obras de cunho estético, sem nenhum compromisso ou relação direta com a vida cotidiana.” obs.: Se houver alguma relação entre arte e cotidiano, como foi muito comum durante o séc. XX, isso se dá como uma “ponte”, não como um “dado inicial”.
  79. 79. O que é Arte? Romantismo e Positivismo As noções de Arte e Ciência que surgem aí são complementares e mutuamente excludentes: Logos x Techné necessário x possível Ciência x Arte O Positivismo propõe uma área de conhecimento que relaciona os dois campos: a tecnologia: -logia x tecno- Ocorre a “Fratura Romântico-Positivista”, via a qual surgem as ciências e as artes, ambas alienadas do cotidiano, e divorciadas entre si.
  80. 80. Arte e Design? 2ª Revolução Industrial Neste momento, as relações entre ciência (logos) e produção (techné) tornam-se cada vez mais estreitas, Com a denominação estrita de Arte Romântica, a maioria das antigas “artes” tornam-se ciências ou tecnologias, Em específico, surge a noção de “Arte Aplicada”, uma ponte entre as Artes, no sentido romântico, e o Cotidiano: a arquitetura, o urbanismo e o design. O que está implícito é que há conhecimentos “certos” e “imutáveis” (“necessários”), e estes são produzidos pela Ciência. Assim sendo, a Arte não tem nada a contribuir nestes campos.
  81. 81. Arte e Design? 2ª Revolução Industrial e Positivismo O que está implícito é que há conhecimentos “certos” e “imutáveis” (“necessários”), e estes são produzidos pela Ciência. Assim sendo, a Arte não tem nada a contribuir nestes campos. *Assim sendo, a Arte pode apenas cobrir os produtos da indústria com uma patina estética, tornando-o aprazíveis para o público consumidor – adequando a “indústria” ao “gosto” popular. **Outra abordagem (Bonsiepe) é a de compreender o Design como Tecno-Logia, ou seja, um conhecimento sistemático quanto à produção, não necessariamente científico.
  82. 82. Arte e Design? Arte Contemporânea – Arte, Ciência e Tecnologia Ao longo do séc. XX, percebe-se diversos meios de questionar essa situação: - fim da Arte Romântica – Modernismo (não quebra efetivamente com o romantismo, apenas encontra novas formas de expressão, dentro do mesmo esquema conceitual, mesmas categorias) - a ciência depende da arte – a “intuição” é um modo importante para o desenvolvimento científico (não quebra com o romantismo, apenas indica que o diálogo entre ambos é importante) - ciência não é definitiva e infalível – a ciência é tão incerta quanto a Arte, mas funciona de modo mais formal e previsível (há uma quebra efetiva com a Fratura Romantico-Positivista...)
  83. 83. Arte e Design? Arte Contemporânea – Arte, Ciência e Tecnologia - ciência não é definitiva e infalível – a ciência é tão incerta quanto a Arte, mas funciona de modo mais formal e previsível (há uma quebra efetiva com a Fratura Romantico-Positivista...) Essa é a abordagem de novos movimentos filosóficos: - Fenomenologia - Pós-Estruturalismo - Filosofia Crítica (“Escola de Frankfurt”) O que diriam: “As ciências utilizam imagens, conceitos, sensações, intuições, e têm história de produção, envolvem a subjetividade e incerteza, assim como as artes. “
  84. 84. Arte e Design? Arte Contemporânea – Design Neste sentido, o Design seria uma forma de construção da realidade industrial que não passa pela “ditadura” da ciência – ele pode compreender que a ciência produz conhecimentos úteis, mas não se submete às categorias científicas. Além disso, o Design reconhece que o modo de produção artística pode fazer parte da vida cotidiana, que aquele modo subjetivo de compreender o mundo e o “saber fazer” pode ser um modo válido de conceber itens de consumo de massa.
  85. 85. Arte e Design? Arte Contemporânea – Design O Metadesign promoveria a compreensão mais ágil de como essa subjetividade está em jogo. Já que não há “conhecimento definitivo”, a criação de ontologias deixa de ser a ação apenas do filósofo ou do cientista, e passa a ser um modo de perceber oportunidades criativas.
  86. 86. Design Interrogativo  Krzysztof Wodiczko
  87. 87. Lucy Orta – Refuge Wear (2001)
  88. 88. Joep Van Lieshout
  89. 89. Hundertwasser – Cinco Peles.
  90. 90. Metadesign – Design de Ecossistemas Ecologia Profunda indistinção entre "mundo do homem" e "mundo natural” ecologia é um processo de totalização que transcende a cognição aceitação da incompletude do conhecimento e do projeto
  91. 91. Metadesign – Design de Ecossistemas Totalização é impossível para a cognição Pode-se conhecer e projetar apenas fragmentos Paradoxal com o senso de "todo" (holos) que temos frente ao “mundo bom” e à felicidade (sentir-se pleno, parte do todo) Totalização pela cognição é impossível, mas o senso holonômico é acessível à percepção (fenômeno, estética, poética)
  92. 92. Metadesign – Design de Ecossistemas Devir não há "objetos" apenas "processos" problema do "artefato eterno" e sua superação pelo ecossistema aberto o que é "essência" ou "substância" se há apenas devir?
  93. 93. Metadesign – Design de Ecossistemas Emergência não-determinismo projeto sempre inacabado projeto com "ocos" para desenvolver-se wabi-sabi (cultura japonesa)
  94. 94. Metadesign – Design de Ecossistemas Polissemia do sentido Todo projeto é aberto Todo sentido é um diálogo entre imanência holonômica e intencionalidade fragmentária, ou seja esquizóide-esquizofrênica dois caminhos: diálogo sensível (agente passivo) situação rizoma corporidade ferramental sistemas distribuídos holonômico dinâmico diálogo insensível (espectador ativo) espetáculo árvore lógica instrumental sistemas (des)centralidos esquizofrênico estático
  95. 95. Metadesign – Design de Ecossistemas Intencionalidade poética do projeto inovação, invenção, positivação como ação poética projeto como pergunta superação da Fratura Romântico-Positivista
  96. 96. Obrigado! http://caiovassao.com.br/ caio@caiovassao.com.br

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