Aula 11 Marshall McLuhan - O meio é a mensagem

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Marshall McLuhan divide os meios de comunicação de massa em duas espécies, distinguíveis pela “temperatura”:
- Meios quentes, prolongam um único (ou preferencialmente algum) dos sentidos humanos, e em “alta definição”.
- Meios frios, acionam simultaneamente vários sentidos humanos, em baixa saturação de informação.

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Aula 11 Marshall McLuhan - O meio é a mensagem

  1. 1. Teorias da Comunicação Marshall McLuhan – O meio é a mensagem Prof. Ms. Elizeu Silva
  2. 2. O MEIO É A MENSAGEM De partida, Marshall McLuhan divide os meios de comunicação de massa em duas espécies, distinguíveis pela “temperatura”: a) Meios quentes: prolongam um único (ou preferencialmente algum) dos sentidos humanos, e em “alta definição”. Alta definição significa um estado de alta saturação de dados. O rádio é quente, a fotografia é quente, o cinema é quente.
  3. 3. O MEIO É A MENSAGEM b) Meios frios: acionam simultaneamente vários sentidos humanos, em baixa saturação de informação. Permite maior interação com o meio, ou exigem que o indivíduo complete as lacunas de informação.
  4. 4. O MEIO É A MENSAGEM “Há um princípio básico pelo qual se pode distinguir um meio quente, como o rádio, de um meio frio, como o telefone: O meio quente é aquele que prolonga um único dos nossos sentidos e em alta definição (ou alta saturação de dados).
  5. 5. O MEIO É A MENSAGEM O telefone é um meio frio, de baixa definição, porque muito pouco é fornecido e muita coisa deve ser preenchida pelo ouvinte.  Quentes ou frios, os meios têm efeitos muito diferentes sobre seus usuários.
  6. 6. O MEIO É A MENSAGEM Paulo Serra: a concepção de McLuhan pode ser resumida em três afirmações fundamentais: I. A primeira – e primária – dessas afirmações, é a de que os media são “extensões do homem”. McLuhan dá a este termo um sentido muito amplo, incluindo não só os media propriamente ditos – os meios de comunicação – como os meios tecnológicos em geral.
  7. 7. O MEIO É A MENSAGEM Os media, longe de serem meros “meios” ou “instrumentos” de que o homem se serve, nomeadamente para “comunicar” uma “mensagem”, são uma espécie de prolongamento do homem sobre o que o rodeia.
  8. 8. O MEIO É A MENSAGEM Ao prolongar o corpo humano, os sentidos, os membros, o próprio sistema nervoso de uma certa maneira, cada meio acaba por também configurar, de certa maneira, a “realidade”.
  9. 9. O MEIO É A MENSAGEM Assim, por si só e independentemente do seu “conteúdo” configura uma certa forma de conhecimento da realidade.
  10. 10. O MEIO É A MENSAGEM Se os meios são uma espécie de prolongamento do homem sobre o que o rodeia, eles também são, inevitavelmente, um prolongamento do que rodeia o homem sobre si próprio. Com efeito, contemplar, usar ou perceber qualquer extensão tecnológica de nós próprios é “abraçá-la”.
  11. 11. O MEIO É A MENSAGEM Ouvir o rádio ou ler o jornal é aceitar estas extensões de nós próprios no nosso sistema pessoal, e suportar os efeitos que em nós provocam automaticamente; é relacionarmo-nos com elas como seus servomecanismos:
  12. 12. O MEIO É A MENSAGEM “Um índio é o servomecanismo da sua canoa, tal como o cowboy o é do seu cavalo ou o executivo do seu relógio”*, e o indivíduo contemporâneo de seu smartphone. * Marshall McLuhan, Understanding Media. The Extensions of Man, Londres, Nova Iorque, Ark Paperbacks, 1987
  13. 13. O MEIO É A MENSAGEM Apesar de todos os meios ou tecnologias serem “extensões do homem”, só com a tecnologia elétrica, que permite a extensão do seu sistema nervoso central, transferindo as funções de conhecimento consciente para o mundo físico, o homem se dá plenamente conta de que os media são extensões de si próprio, do seu corpo físico.
  14. 14. O MEIO É A MENSAGEM A segunda afirmação de McLuhan em destaque: II. “O meio é a mensagem” (the medium is the message). Segundo o autor, (em Understanding Media) “as consequências pessoais e sociais de qualquer media (. . .) resultam da nova escala que é introduzida na nossa circunstância* por cada extensão de nós próprios, ou seja, por qualquer nova tecnologia”. * Conjunto de fatores materiais ou não que acompanham ou circundam alguém ou alguma coisa; contexto. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.
  15. 15. O MEIO É A MENSAGEM McLuhan cita como exemplo a automação, a eletricidade, a ferrovia, o avião: todos eles são meios ou tecnologias que, independentemente da sua utilização – do seu “conteúdo” ou “mensagem” –, alteraram profundamente a sociedade e o indivíduo humano, de formas muitas vezes imprevisíveis para os seus criadores.
  16. 16. O MEIO É A MENSAGEM A eletricidade é particularmente importante para McLuhan, na medida em que ela é “informação pura”, “meio sem mensagem” e, apesar disso, revolucionou toda a nossa existência, levando, nomeadamente, à eliminação das barreiras do tempo e do espaço.
  17. 17. O MEIO É A MENSAGEM A importância da eletricidade é tal que McLuhan, repetidas vezes ao longo da sua obra, se refere ao nosso tempo como “idade da eletricidade” (electric age). Para o pesquisador canadense, aqueles que se preocupam com o “conteúdo” do meio e com os seus “efeitos”, e não com o próprio meio, fazem lembrar o médico que se preocupa com a “doença”, esquecendo o doente.
  18. 18. O MEIO É A MENSAGEM McLuhan nota que o conteúdo de um meio é sempre outro meio: • O conteúdo do cinema é a fotografia, • O da novela é a escrita, etc. O essencial não é, portanto, o conteúdo do meio, argumenta McLuhan, mas o meio em si próprio.
  19. 19. O MEIO É A MENSAGEM Os efeitos dos media, para McLuhan, não ocorrem no nível intelectual, das opiniões e dos conceitos, mas no nível mais primário dos sentidos, dos modos de sentir e perceber.
  20. 20. O MEIO É A MENSAGEM Por fim, McLuhan afirma que: III. Os media são uma espécie de “motor da história”. Segundo o autor, toda a história pode ser vista como uma evolução dos meios de comunicação – uma tese em virtude da qual ele é visto, habitualmente, como um “determinista tecnológico”.
  21. 21. O MEIO É A MENSAGEM Na concepção do determinismo tecnológico, a história da humanidade desenvolveu-se em três fases fundamentais, a saber: • “Sociedade tribal”, dominada pela voz. A comunicação envolve todos os sentidos. • “Galáxia de Gutenberg”, dominada pela escrita e, sobretudo pela imprensa. A comunicação privilegia o olhar.
  22. 22. O MEIO É A MENSAGEM • “Galáxia de Marconi”, dominada pelos media eletrônicos. A comunicação volta a envolver todos os sentidos, configurando uma verdadeira “aldeia global” ou “tribo planetária”.
  23. 23. O MEIO É A MENSAGEM McLuhan estabelece um contraste entre o nosso tempo – a “idade da eletricidade” – e a época que o precedeu, em termos de “explosão” versus ”implosão”: • Depois de três milênios de explosão, provocada pelos meios mecânicos e fragmentários, o Mundo Ocidental está, há mais de um século, a implodir por efeito da tecnologia elétrica.
  24. 24. O MEIO É A MENSAGEM • A eletricidade permite a extensão do nosso sistema nervoso central, abolindo espaço e tempo, aproximando- nos da fase final da extensão do homem: a simulação tecnológica da consciência.
  25. 25. O MEIO É A MENSAGEM Ao contrair-se eletricamente, “o globo não é mais do que uma aldeia”; a velocidade é a da luz. No contexto das tecnologias elétricas, os computadores representarão, segundo McLuhan, um passo decisivo:
  26. 26. O MEIO É A MENSAGEM • “Tendo estendido ou traduzido o nosso sistema nervoso central na tecnologia eletromagnética, a transferência da nossa consciência para o computador não é senão um estádio a mais”, um passo rumo a uma nova era.
  27. 27. O MEIO É A MENSAGEM A possibilidade de “programar a consciência” permitiria à humanidade escapar do “entorpecimento” dos outros media. Ao traduzirmos todas as nossas vidas “na forma espiritual da informação”, o globo tornar-se-á como que uma imensa consciência única.
  28. 28. O MEIO É A MENSAGEM
  29. 29. O MEIO É A MENSAGEM Bibliografia recomendada MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensão do homem. Trad.: Décio Pignatari. Editora Cultrix, São Paulo, 1979 SERRA, Paulo J. Manual de teoria da comunicação. Ed. Universidade da Beira Interior, Covilha, 2007.

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