A AFIRMAÇÃO DA MONARQUIA E A  CENTRALIZÃO DO PODER REAL
<ul><li>Durante os séculos XIII e XIV, são  frequentes as tentativas de concentração do poder real e de limitação das ambi...
Desde o início, os primeiros reis portugueses viram-se frequentemente na necessidade de refrear  os abusos da Alta Nobreza...
<ul><li>Quando  esta ordem era perturbada, o resultado era quase sempre o mesmo. </li></ul><ul><li>As arruaças entre as fa...
<ul><li>A afirmação da Monarquia em Portugal foi-se fazendo assim. De forma lenta e conflituosa. </li></ul><ul><li>Nalguns...
<ul><li>Estes conflitos, que algumas vezes explodiam no seio da própria família real, semeavam um clima de desordem que at...
<ul><li>Seu irmão, D. Afonso </li></ul><ul><li>(  O Bolonhês )  , que vivia em França, casado com uma nobre Bolonhesa , é ...
<ul><li>Durante o seu reinado que reúnem em Leiria as primeiras” Cortes” com a participação do” terceiro estado “ – O Povo...
<ul><li>A Guerra civil terminou numa espécie de compromisso. </li></ul><ul><li>A autoridade do rei sobre essas terras era ...
Perante a nobreza quando esta a punha em causa, mas também perante a gente dos concelhos ,quando se tratava de cobrar os i...
Mas o período a que geralmente chamamos de centralização do poder real, inicia-se verdadeiramente com D. Afonso III ,conso...
Com as “ Inquirições Gerais” decretadas por D. Afonso III, a ocupação indevida e abusiva de terra alheia, pela nobreza e c...
<ul><li>Como já foi dito, com tais medidas, pretendia-se, sobretudo desde  </li></ul><ul><li>D. Afonso II , inventariar e ...
<ul><li>Agora com o pais em paz, concluída a conquista do Algarve, era preciso  afirmá-la perante Castela que lutava igual...
Havia entretanto condições para desenvolver  o reino. Ordeiramente e de acordo com a lei.  Condições para se começar a erg...
<ul><li>A Guerra civil que, entre 1320-1324, opôs  D. Dinis (  O Lavrador  )  ao seu filho primogénito , o infante Afonso,...
<ul><li>No primeiro caso, o infante D. Afonso acusava o pai, D. Dinis, de favorecer um filho bastardo, Afonso Sancho, prep...
<ul><li>Mas D. Dinis é  reconhecido principalmente pela atenção que dedicou ao desenvolvimento da agricultura, incentivand...
<ul><li>… a atenção dada ás actividades que na época floresciam e  eram vitais para o desenvolvimento do reino, como a con...
<ul><li>Um reino que quanto mais se desenvolvia mais precisava de ser defendido. E D. Dinis fê-lo ,construindo e reparando...
<ul><li>No reinado seguinte , no episódio, que Camões transformou na versão portuguesa de Romeu e Julieta, rei e filho vol...
<ul><li>Inês de Castro pretendeu envolver Portugal nessa disputa através de D. Pedro, seu amante, pedindo-lhe que tomasse ...
<ul><li>No entanto a razão determinante para este desfecho, teve sobretudo a ver com o casamento não anunciado mas que tod...
<ul><li>Tal perspectiva punha, para o rei, em perigo, o direito de sucessão ao trono de D. Fernando, seu neto , filho legi...
<ul><li>Mas foram a poesia, a literatura e, sobretudo, o imaginário popular que tornaram a  “Lenda de Pedro e Inês”, um do...
<ul><li>No meio de todo este drama e  turbulência, o reinado de D. Afonso IV, foi historicamente  marcado pela vitória do ...
<ul><li>No século seguinte, em 1492 , sob o signo do fanatismo e da intolerância religiosa  instalados em Castela , durant...
<ul><li>D. Pedro I, com a lei do “Beneplácito Régio”, retomou  a  política de afirmação e centralização do poder real inic...
Tal aconteceu, por exemplo,  com a nomeação  do infante D. João, filho bastardo de D. Pedro I, para Mestre da Ordem Milita...
<ul><li>O “ Príncipe de Boa – Memória “como ficou conhecido, foi o pai da Ínclita Geração, que os infantes D. Duarte D. He...
<ul><li>Nestes tempos o  trajecto centralizador do poder real pode de uma forma simplista, ser medido  pela  frequência co...
<ul><li>Se exceptuarmos os períodos de verdadeiras crises nacionais, tanto económicas como políticas, a convocação das Cor...
<ul><li>Como vimos durante todo este período eram costumeiros os conflitos que  estalavam entre o rei e alguns nobres mais...
<ul><li>A Lei das Sesmarias, decretada  em 1375 , por D. Fernando para combater o abandono do campo e a quebra de rendimen...
Estes eram ainda obrigados a aceitar os salários que os Homens – Bons das vilas e os grandes proprietários de terras previ...
<ul><li>Tendo como pano de fundo todas estas contradições e conflitos, os século XIII e a primeira metade do século XIV,  ...
<ul><li>Entretanto as cidades tinham crescido e sobretudo tinham-se tornado mais dinâmicas. As trocas internas e externas ...
<ul><li>Os séculos XIII e XIV, são   também a época das” Cantigas de  amor e de Amigo”. </li></ul><ul><li>Dos jograis  tro...
<ul><li>Os finais do séc. XIV foram , em Portugal,  ainda assinalados por uma série de infelizes aventuras  e alianças mil...
<ul><li>Na primeira guerra , o pretexto foi a candidatura de D. Fernando </li></ul><ul><li>(  O Belo  ), como neto legítim...
<ul><li>O conflito entre os dois reinos terminará com a assinatura  em Salvaterra de Magos ,de um tratado paz,  logo refor...
<ul><li>A revolução de 1383/85, tendo a crise económica e social como fundo, e as convulsões sociais que se seguiram foi e...
<ul><li>De facto, a quebra dos laços de serventia e submissão tinha-se já instalado. </li></ul><ul><li>Os ganha - dinheiro...
<ul><li>A “ Lei das Sesmarias “, ao remar contra os tempos, ao pretender defender a todo o custo o poder dos grandes propr...
<ul><li>As revoltas e motins sucederam-se, o país “dividiu-se “, como de costume, e agora, com a morte de D. Fernando, em ...
No conjunto das lutas fratricidas que tinham desde o inicio percorrido toda a nossa História. os acontecimentos que estive...
<ul><li>A  Alta nobreza mais conservadora que sempre tinha influenciado fortemente a educação do jovem infante, convence-o...
<ul><li>O confronto do jovem monarca com o seu tio que se sentia humilhado e maltratado pelo rei e pelas principais famíli...
<ul><li>A tomada pelos turcos de Constantinopla , (1453) o ultimo reduto do  Sacro Império Romano do Oriente , gerou em to...
<ul><li>O reinado de D. Afonso V é ainda assinalado pela derrota portuguesa na </li></ul><ul><li>“ Batalha de Toro “, uma ...
<ul><li>Mártires que nos piores momentos ajudavam a manter vivo o ânimo de um povo.  </li></ul><ul><li>Na Batalha de ”Toro...
<ul><li>Com a derrota portuguesa não se concretizou o sonho de Henrique IV rei de Leão e Castela em unir os dois reinos pe...
<ul><li>Por isso recusavam-se a acatar a vontade do rei.  </li></ul><ul><li>Os conflitos e a luta pelo poder eclodiram . <...
<ul><li>A” Beltraneja” como lhe chamava o povo casou-se de facto com D. Afonso V, cumprindo-se o desejo de Henrique IV. </...
<ul><li>Mas apesar de  convencido a desistir da ideia,  todo o  comportamento de D. Afonso V apressou a passagem do poder ...
<ul><li>É ainda no reinado de D. Afonso V que é assinado o” Tratado de Alcáçovas”  fazendo a paz entre Portugal e Castela ...
<ul><li>O tratado de Tordesilhas , assinado após a descoberta da América, surgirá da necessidade em actualizar, este trata...
<ul><li>Mas foi sem dúvida durante o reinado de D. João II, que o centralismo e autoritarismo reais atingiram um dos seus ...
As Conspirações  que cedo  se multiplicaram, como resposta de sectores da alta nobreza aos excessos de autoridade do rei ,...
<ul><li>Esta determinação e crueldade que D. João II exibia perante os seus adversários reais ou potenciais, semeou um per...
<ul><li>Aos mesmos processos recorrerá mais tarde  </li></ul><ul><li>o “ Marquês de Pombal  em pleno apogeu do Absolutismo...
<ul><li>Precedendo o Absolutismo ,  D. João II, rapidamente impôs, pelo  seu carácter determinado e  autoritário, e pelos ...
D. Manuel tentou governar de forma menos autoritária e cruel do que o seu antecessor, D. João II. As grandes famílias nobr...
<ul><li>De facto, a enorme riqueza acumulada pela Coroa com o Monopólio das descobertas, e o sistema burocrático que ele c...
<ul><li>As “ Ordenações Manuelinas”, publicadas entre 1514 e 1521,  eram uma recolha sistematizada das leis e foros disper...
<ul><li>Mas o reinado de D Manuel é, também, tristemente recordado pela aliança envergonhada com a Inquisição, responsável...
Os chamados Cristãos - Novos, que resultaram da apressada conversão dos Judeus portugueses e castelhanos  mais influentes ...
<ul><li>A Inquisição, há muito que se tinha instalado em Castela, com  o fervoroso apoio da rainha Isabel “a Católica”, co...
<ul><li>Pouco depois ,a morte prematura  do herdeiro da coroa de Castela, o príncipe João, colocava, de repente, a rainha ...
<ul><li>O sonho continuou velho, pois tal união nunca se concretizou. </li></ul><ul><li>Dona Isabel morre, e pouco depois ...
<ul><li>Condenações arbitrárias à morte,  falsas ou forçadas conversões, fugas em massa do país e a criação de um clima de...
<ul><li>Assim , a maioria dos Judeus convertidos em Cristãos–Novos conservou, secretamente, a sua religião,  símbolos e co...
<ul><li>Pedro Nunes , matemático, cartógrafo e inventor do nónio; e Garcia da Horta, botânico que se estabeleceu na Índia ...
<ul><li>Muitos outros homens das artes da ciência  e do saber  em geral, fugiram, nesta altura, de Portugal e de Castela, ...
<ul><li>Lutero começou por criticar abertamente a venda de Indulgências que a igreja Romana recorria cada vez mais para ma...
<ul><li>Reunida no “Concilio de Trento”,entre 1545 e 1563, a igreja de romana e papal ,tentou  contrariar o movimento refo...
Assim foi  instituído o Tribunal do Santo Oficio  e criado o célebre” Índex  Librorum  Proibitorum “ visando impedir a div...
<ul><li>Em 1540,  tinha já entrado em Portugal  a” Companhia de Jesus ,“ aquela que será a mais importante ordem religiosa...
Nos tempos seguintes ,os Jesuítas, controlarão todo o ensino incluindo o Universitário, e toda a actividade missionária em...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

9 A Afirmação da Monarquia e a Centralização do Poder Real

24.995 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
6 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
24.995
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
794
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
462
Comentários
0
Gostaram
6
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

9 A Afirmação da Monarquia e a Centralização do Poder Real

  1. 1. A AFIRMAÇÃO DA MONARQUIA E A CENTRALIZÃO DO PODER REAL
  2. 2. <ul><li>Durante os séculos XIII e XIV, são frequentes as tentativas de concentração do poder real e de limitação das ambições dos grandes terratenentes (nobres proprietários de terras) .Estas tendências de centralização do poder real vinham, de resto, dos tempos da Reconquista. </li></ul><ul><li>A Monarquia Hereditária que então tinha nascido procurava agora afirmar-se e reforçar o seu poder. </li></ul>
  3. 3. Desde o início, os primeiros reis portugueses viram-se frequentemente na necessidade de refrear os abusos da Alta Nobreza, exercendo pela força a sua autoridade, sempre que sentiam em perigo, o equilíbrio social, ou o seu próprio poder Neste equilíbrio baseado no respeito pelas relações de vassalagem e na obediência que todos deviam ao rei, assentava seu poder e a natureza do regime feudal.
  4. 4. <ul><li>Quando esta ordem era perturbada, o resultado era quase sempre o mesmo. </li></ul><ul><li>As arruaças entre as famílias nobres mais poderosas multiplicavam-se, os abusos contra os mais desprotegidos sucediam-se e a autoridade do rei era ameaçada . </li></ul><ul><li>A violência era tanta e tão frequente que muitos camponeses pobres preferiam entregar “de livre vontade “as suas terras ao senhor local em troca de protecção, antes que pela força e muitas vezes à custa da própria vida, vissem as suas terras saqueadas e ocupadas. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>A afirmação da Monarquia em Portugal foi-se fazendo assim. De forma lenta e conflituosa. </li></ul><ul><li>Nalguns casos, estes conflitos degeneraram em guerras civis que tiveram como oponentes os adversários esperados : </li></ul><ul><li>A antiga Nobreza tradicional personificando o mundo feudal “românico”… </li></ul><ul><li>… e uma Nobreza, a que podemos chamar de ” gótica “, mais ligada à modernidade da época, às transformações sociais e aos novos valores, que lenta mas solidamente se instalavam na sociedade portuguesa. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Estes conflitos, que algumas vezes explodiam no seio da própria família real, semeavam um clima de desordem que atingiu o seu ponto mais alto no triste e curto reinado de D. Sancho II </li></ul><ul><li>( O Capêlo ). </li></ul><ul><li>Tendo sido excomungado pelo Papa, dado como incompetente para governar o reino, tal o caos instalado no país pela Alta Nobreza, mais bélica e impulsiva, da qual era um mero joguete, D. Sancho II conduziu o reino para uma guerra civil que se se estendeu de 1245 a 1247. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Seu irmão, D. Afonso </li></ul><ul><li>( O Bolonhês ) , que vivia em França, casado com uma nobre Bolonhesa , é designado pelo Papa em 1245 como novo rei , e ocupará nesse mesmo ano o trono de Portugal, depois de vencer definitivamente a oposição de D. Sancho II e seus partidários . </li></ul><ul><li>A D. Afonso III, deve-se a conquista definitiva do Algarve (1249),mas também as primeiras tentativas bem sucedidas de estender de forma duradoura todo o reino a lei e a ordem. Com D. Afonso III nasce em Portugal algo parecido com o Estado moderno. Mais do que um personagem o rei torna-se finalmente numa instituição que se faz reconhecer e respeitar por todos. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Durante o seu reinado que reúnem em Leiria as primeiras” Cortes” com a participação do” terceiro estado “ – O Povo. O facto de D. Afonso precisar de um amplo apoio popular para impor junto dos mais poderosos a sua autoridade, serve para explicar este inédito acontecimento. </li></ul><ul><li>Mas já antes, no início do reinado de D. Afonso II ( O Gordo ), a guerra civil de 1211-1216 tinha dividido os portugueses. </li></ul><ul><li>Este conflito que opôs o rei a suas irmãs e à Alta Nobreza, teve origem no testamento de D. Sancho I( O Povoador ), que doava às suas infantas algumas terras do património real, em relação às quais, D. Afonso II se achava com direito de exercer a autoridade real. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>A Guerra civil terminou numa espécie de compromisso. </li></ul><ul><li>A autoridade do rei sobre essas terras era assegurada, mas não o seu usufruto que seria reservado aos proprietários. </li></ul><ul><li>A convocação das primeiras Cortes, reunidas em Coimbra no ano de 1211, efectuou-se durante o curto mas atribulado governo de D. Afonso II, muito marcado pela guerra de 1211-1216. Destas cortes saiu o primeiro conjunto de leis que visavam assegurar o direito de propriedade e o exercício da justiça civil </li></ul><ul><li>As leis Afonsinas foram, antes de mais, uma das consequências desta guerra e da necessidade por parte do rei em afirmar perante todos, a sua autoridade : .” O Gordo “ como ficou conhecido ,não conquistou terras aos muçulmanos ,não se intrometeu com Castela, mas que tentou como poucos impor no reino a ordem e o direito. </li></ul>
  10. 10. Perante a nobreza quando esta a punha em causa, mas também perante a gente dos concelhos ,quando se tratava de cobrar os impostos e assegurar os direitos do rei. As “Leis Gerais “ Afonsinas foram o primeiro esboço da politica de centralização real ,que será interrompida durante o curto e atribulado reinado de seu filho D. Sancho II, mas retomada nos reinados seguintes.
  11. 11. Mas o período a que geralmente chamamos de centralização do poder real, inicia-se verdadeiramente com D. Afonso III ,consolidando-se durante o reinado de seu filho D. Dinis. É neste período que nasce e se afirma em Portugal um verdadeiro aparelho de Estado que por todo o pais zela pelos direitos do rei e pelo cumprimento da sua vontade. Juízes, funcionários cobradores de impostos, lembram a toda a gente ,e por todo o pais que os direitos do rei serão assegurados, as suas leis respeitadas e os abusos de nobres e concelhos punidos . D. DINIS
  12. 12. Com as “ Inquirições Gerais” decretadas por D. Afonso III, a ocupação indevida e abusiva de terra alheia, pela nobreza e clero, incluindo os baldios, passou a ser legalmente punida, regressando as terras à posse dos seus legítimos donos. E, como a maior parte das terras usurpadas e agora recuperadas, pertenciam à Coroa, enquanto esta aumentava o seu património, refreava as ambições da Nobreza, enfraquecendo-a .A nobreza tornou-se assim mais dependente da Coroa, e dos cargos títulos e outras dádivas e privilégios que o rei passou a poder distribuir pelos que lhe eram mais fieis.
  13. 13. <ul><li>Como já foi dito, com tais medidas, pretendia-se, sobretudo desde </li></ul><ul><li>D. Afonso II , inventariar e saber a origem das propriedades do reino (Inquirições), submetendo-as depois à aprovação real (Confirmações). Pretendia-se conhecer melhor um país que nascia ,e nele fazer respeitar o direito de propriedade e paralelamente afirmar a autoridade real. </li></ul><ul><li>Pretendia-se mas até D. Afonso III, pouco se conseguiu ,pois faltavam aos reis os meios e as condições para aplicar e fiscalizar a aplicação das suas ordens. Os abusos sucediam-se por todo o lado. Os grandes senhores feudais acabavam sempre por ditar a sua própria lei, nas terras que dominavam. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Agora com o pais em paz, concluída a conquista do Algarve, era preciso afirmá-la perante Castela que lutava igualmente pela posse deste território. E pior que isso, reclamava direitos Históricos sobre essas terras. </li></ul><ul><li>Os desentendimentos entre os dois reinos só terminarão formalmente , dezoito anos depois, pela assinatura do tratado de Badajoz no ano de 1467 . </li></ul>Portugal no tempo de D. Afonso III
  15. 15. Havia entretanto condições para desenvolver o reino. Ordeiramente e de acordo com a lei. Condições para se começar a erguer um Estado , que espelhasse e fizesse respeitar a autoridade real. Um Estado como os de hoje: Com um governo e um exército. Com leis juízes e tribunais e prisões. Um Estado com Serviços , Repartições burocratas, fiscais e outros funcionários… OS TRIBUNAIS NO SÉC. XIII
  16. 16. <ul><li>A Guerra civil que, entre 1320-1324, opôs D. Dinis ( O Lavrador ) ao seu filho primogénito , o infante Afonso, futuro D. Afonso IV ( O Bravo ) e os conflitos que opuseram este a seu filho e sucessor D. Pedro I, na sequência do assassinato de Inês de Castro, foram em termos sociais pouco relevantes. Serviram no entanto para demonstrar que no país a paz nunca foi coisa que durasse muito. Quando não eram os Castelhanos a complicar as coisas, éramos nós a fazê-lo . </li></ul>D. Afonso IV
  17. 17. <ul><li>No primeiro caso, o infante D. Afonso acusava o pai, D. Dinis, de favorecer um filho bastardo, Afonso Sancho, preparando-se para ilegitimamente o fazer seu sucessor. </li></ul><ul><li>A Guerra alastrou , então , por todo o reino, entre 1320 e 1324. </li></ul><ul><li>Perante a oposição da maior parte da população e de sua mulher, Dona Isabel, D. Dinis é obrigado a recuar. </li></ul><ul><li>Afonso Sancho abandona o reino, e o infante D. Afonso assegura a sucessão ao trono </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Mas D. Dinis é reconhecido principalmente pela atenção que dedicou ao desenvolvimento da agricultura, incentivando o aumento quer da área agrícola quer da área florestal. </li></ul><ul><li>Foi também um “rei – poeta” protector das artes e da cultura . </li></ul><ul><li>A ele se deve a introdução do Português como língua oficial do reino e a criação da primeira Universidade “ Os Estudos gerais”,em Lisboa no ano de1290. </li></ul><ul><li>Se a tudo isto juntarmos… </li></ul><ul><li>o incremento dado á criação de vilas e concelhos que se multiplicam pelo país nesta altura… </li></ul>“ Os Estudos - Gerais”
  19. 19. <ul><li>… a atenção dada ás actividades que na época floresciam e eram vitais para o desenvolvimento do reino, como a construção naval ,e o comércio interno e externo, </li></ul><ul><li>teremos a dimensão aproximada da contribuição de D. Dinis para o desenvolvimento que a todos os níveis se verificou em Portugal durante o seu reinado . </li></ul><ul><li>A criação da Bolsa de Mercadores, o impulso dado à realização das feiras francas, a isenção de impostos concedida à madeira destinada à construção dos navios de maior tonelagem, foram medidas que de facto animaram economicamente o reino. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Um reino que quanto mais se desenvolvia mais precisava de ser defendido. E D. Dinis fê-lo ,construindo e reparando muralhas e fortificações, ao longo de toda a linha de fronteira . </li></ul><ul><li>É ainda no seu tempo que é assinado o tratado de Alcanizes que estabelecia a nossa fronteira oriental com Castela. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>No reinado seguinte , no episódio, que Camões transformou na versão portuguesa de Romeu e Julieta, rei e filho voltam a desentender - se. Desta vez é Pedro que luta contra seu pai D. Afonso IV para vingar a morte da amante, Inês de Castro. </li></ul><ul><li>Inês de Castro era aia - mor de Dona Constança, mulher de D. Pedro. Mas era também uma fidalga oriunda de um poderosa família galega empenhada na luta pelo poder, tentando derrubar o então rei de Leão e Castela, Pedro “O Cruel”. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>Inês de Castro pretendeu envolver Portugal nessa disputa através de D. Pedro, seu amante, pedindo-lhe que tomasse o partido da sua família. </li></ul><ul><li>Em troca desse apoio em caso de vitória as terras da Galiza seriam suas. Portugal poderia enfim alargar-se para norte. Mas o pais precisava de paz. </li></ul><ul><li>O gesto foi visto como traição. E assim Inês de Castro apressou a sua morte. Pena a que foi implacavelmente sentenciada por D. Afonso IV. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>No entanto a razão determinante para este desfecho, teve sobretudo a ver com o casamento não anunciado mas que todos adivinhavam e temiam. </li></ul><ul><li>O casamento de D. Pedro, já viúvo de Dona Constança, com Dona Inês, de quem tinha já dois filhos . </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Tal perspectiva punha, para o rei, em perigo, o direito de sucessão ao trono de D. Fernando, seu neto , filho legitimo de D. Pedro e Dona Constança. </li></ul><ul><li>A morte cruel de Inês de Castro, o comportamento impulsivo e quase melodramático de D. Pedro </li></ul><ul><li>( O Justiceiro ), quando se torna rei, manifestado na reabilitação da defunta amante e na implacável perseguição e execução dos seus assassinos, reservaram na História a Pedro e Inês um lugar particular. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>Mas foram a poesia, a literatura e, sobretudo, o imaginário popular que tornaram a “Lenda de Pedro e Inês”, um dos mais poderosos e duradouros episódios da nossa História. </li></ul>
  26. 26. <ul><li>No meio de todo este drama e turbulência, o reinado de D. Afonso IV, foi historicamente marcado pela vitória do Salado, e pela ocupação das ilhas Canárias. </li></ul><ul><li>A batalha do Salado, unindo portugueses e castelhanos, foi o golpe definitivo nas pretensões muçulmanas em restabelecer na Península Ibérica, o há muito perdido “al –andaluz”. </li></ul>A BATALHA DO SALADO
  27. 27. <ul><li>No século seguinte, em 1492 , sob o signo do fanatismo e da intolerância religiosa instalados em Castela , durante o reinado de Fernando e Isabel, “Os reis Católicos “, cairá o califado de Granada. </li></ul><ul><li>O último baluarte muçulmano na Península Ibérica. O que restava de uma conquista , iniciada 800 anos antes. </li></ul>A CONQUISTA DE GRANADA
  28. 28. <ul><li>D. Pedro I, com a lei do “Beneplácito Régio”, retomou a política de afirmação e centralização do poder real iniciada no século anterior com D. Afonso III. Desta vez o alvo foi o Clero. </li></ul><ul><li>Com o “Beneplácito Régio”, as Bulas Papais e outros documentos eclesiásticos passaram a só poder ser publicadas, depois de lidas, assinadas e aprovadas pelo monarca. </li></ul><ul><li>Foi, também, durante este reinado que a Coroa portuguesa iniciou um processo de maior controlo da actividade das ordens militares religiosas, intervindo directamente ou indirectamente, na nomeação dos seus dirigentes . </li></ul>
  29. 29. Tal aconteceu, por exemplo, com a nomeação do infante D. João, filho bastardo de D. Pedro I, para Mestre da Ordem Militar de Avis. Ordem religiosa em que tinha ingressado aos sete anos e que como filho do rei estava predestinado a dirigir quando atingisse a idade certa. Aos dezassete anos. Com o estalar da crise de 1383-85, sairá da obscuridade e do anonimato. O Mestre de Aviz, o filho bastardo do rei, o mais improvável candidato ao trono, será proclamado rei, nesses tempos de exaltação nacional .”
  30. 30. <ul><li>O “ Príncipe de Boa – Memória “como ficou conhecido, foi o pai da Ínclita Geração, que os infantes D. Duarte D. Henrique D. Fernando e D. Pedro personificaram. Uma geração de homens que projectaram Portugal para o futuro. Uma geração que antecipou mesmo em relação ao resto da Europa a visão e os comportamentos que anunciavam já a emergência do Mundo Moderno. Descobridores e conquistadores mas também homens da cultura . Arautos da Globalização mas também do Humanismo. Para o mal e para o bem.. </li></ul>
  31. 31. <ul><li>Nestes tempos o trajecto centralizador do poder real pode de uma forma simplista, ser medido pela frequência com que eram convocadas as Cortes. E em Portugal esse nunca foi um costume. Foi antes uma excepção. </li></ul><ul><li>Na verdade, sempre que os reis sentiam a sua posição consolidada, sempre que os apoios que reuniam, ora junto do Povo, ora no seio da Alta Nobreza, lhes conferiam uma autoridade quase incontestada, as tendências centralizadoras instalavam-se e o reino era cada vez menos ouvido. Tal como agora era tudo uma questão de maiorias… </li></ul>
  32. 32. <ul><li>Se exceptuarmos os períodos de verdadeiras crises nacionais, tanto económicas como políticas, a convocação das Cortes obedecia, quase sempre, mais a necessidades de afirmação do poder pessoal dos reis do que propriamente a necessidades reais de consulta dos que representavam a população, para resolver consensualmente problemas do reino. </li></ul>
  33. 33. <ul><li>Como vimos durante todo este período eram costumeiros os conflitos que estalavam entre o rei e alguns nobres mais impulsivos e poderosos. Mas mais do que atacar a Nobreza, classe de que eram as mais destacadas figuras, os reis pretendiam controlar as ambições das famílias mais influentes, e assegurar o frágil equilíbrio entre os diferentes grupos sociais. </li></ul><ul><li>Assim, quando as dificuldades surgiam, não hesitavam em tomar as medidas mais injustas e impopulares para proteger os seus interesses e os dos grandes proprietários. </li></ul>
  34. 34. <ul><li>A Lei das Sesmarias, decretada em 1375 , por D. Fernando para combater o abandono do campo e a quebra de rendimentos do Clero e Nobreza, não só condenava a trabalho forçado nos campos, os desempregados e mendigos recrutados nas cidades, como também obrigava a regressar aos trabalhos rurais todos os que exercendo uma nova profissão já tivessem sido camponeses. </li></ul>
  35. 35. Estes eram ainda obrigados a aceitar os salários que os Homens – Bons das vilas e os grandes proprietários de terras previamente fixavam. A lei das Sesmarias estabelecia também que todas as terras deixadas ao abandono pelos proprietários ,seriam confiscadas e arrendadas àqueles que se dispusessem a fazê-lo . Em nome do combate à fome minimizavam-se os prejuízos que atingiam os grandes senhores feudais. Como sempre camponeses, mendigos, servos e escravos pagavam a factura
  36. 36. <ul><li>Tendo como pano de fundo todas estas contradições e conflitos, os século XIII e a primeira metade do século XIV, foram, no entanto, para Portugal um período de desenvolvimento ininterrupto, como o atestam o desenvolvimento demográfico e produtivo do reino. </li></ul><ul><li>Subtraídas as arruaças entre portugueses e as habituais guerrilhas com os castelhanos, o reino crescia e afirmava-se. Mas as coisas iriam mudar com a entrada da Peste negra no País no ano de1348.. </li></ul>
  37. 37. <ul><li>Entretanto as cidades tinham crescido e sobretudo tinham-se tornado mais dinâmicas. As trocas internas e externas multiplicavam-se e, através dos impostos que cresciam, na mesma medida, os recursos da Coroa aumentaram significativamente. </li></ul><ul><li>As inúmeras fortalezas, igrejas e catedrais que se construíram nestes tempos, e a crescente atenção dada pelos reis aos assuntos da cultura, da arte e do ócio, reflectem esta realidade. </li></ul><ul><li>A cultura e as artes tinham de facto, desde há muito, deixado de ser coisas de monges ,damas e burgueses. Eram agora a medida da sofisticação e do desenvolvimento dos reinos, </li></ul>
  38. 38. <ul><li>Os séculos XIII e XIV, são também a época das” Cantigas de amor e de Amigo”. </li></ul><ul><li>Dos jograis trovadores e poetas que ganhavam a vida nos palácios na corte ,nas feiras e mercados e animavam um mundo por algum tempo em paz . </li></ul><ul><li>Podia dizer-se que tudo corria bem. Com tempo e oportunidade para pensar criar e gozar. E o país foi mais ou menos assim até à chegada da Peste. </li></ul>
  39. 39. <ul><li>Os finais do séc. XIV foram , em Portugal, ainda assinalados por uma série de infelizes aventuras e alianças militares que mais não fizeram do que agravar a crise económica e social em que Portugal estava atolado. </li></ul><ul><li>D. Fernando, primeiro por ambição pessoal e, depois pressionado por uma Nobreza decadente e sedenta de saque, envolveu-se em três guerras sucessivas com Castela que esgotaram rapidamente as parcas energias e recursos do reino. </li></ul>
  40. 40. <ul><li>Na primeira guerra , o pretexto foi a candidatura de D. Fernando </li></ul><ul><li>( O Belo ), como neto legítimo de D. Sancho IV, à coroa de Castela. </li></ul><ul><li>As duas guerras seguintes desencadearam - se no contexto mais vasto da Guerra dos Cem Anos que opunha a França e a Inglaterra .Em ambos os casos tomando sempre, neste conflito, o partido oposto ao dos Castelhanos, Portugal acabou por sofrer, às mãos destes, duas sucessivas derrotas. </li></ul>GUERRA DOS CEM ANOS
  41. 41. <ul><li>O conflito entre os dois reinos terminará com a assinatura em Salvaterra de Magos ,de um tratado paz, logo reforçado, pelo casamento de Dona Beatriz, filha de D. Fernando, com D. João I, rei de Castela. </li></ul><ul><li>Nos termos desse tratado, a sucessão ao trono de Portugal seria assegurada por Dona Leonor como regente, até que do casamento de Dona Beatriz com D. João de Castela resultasse um filho. Nos “trautos” ( condições ) do acordo de casamento, esse filho ou filha herdaria aos catorze anos o trono de Portugal. </li></ul>Dona Leonor
  42. 42. <ul><li>A revolução de 1383/85, tendo a crise económica e social como fundo, e as convulsões sociais que se seguiram foi em grande medida despoletada pelas consequências deste casamento. </li></ul><ul><li>Mas foi, principalmente, o resultado do descontentamento popular que se seguiu à aplicação da “Lei das Sesmarias”. </li></ul>
  43. 43. <ul><li>De facto, a quebra dos laços de serventia e submissão tinha-se já instalado. </li></ul><ul><li>Os ganha - dinheiros tinham nascido, e os servos estavam lentamente a desaparecer. </li></ul><ul><li>Quem trabalhava, fazia-o agora por dinheiro e, já não, por préstimo em troca da segurança e da subsistência que os senhores feudais lhe asseguravam. </li></ul>
  44. 44. <ul><li>A “ Lei das Sesmarias “, ao remar contra os tempos, ao pretender defender a todo o custo o poder dos grandes proprietários, restaurando pela força da lei , os moribundos costumes de servidão, opondo-se ao progresso, pôs-se do lado errado da História e perdeu. </li></ul>
  45. 45. <ul><li>As revoltas e motins sucederam-se, o país “dividiu-se “, como de costume, e agora, com a morte de D. Fernando, em 1383, a independência do reino estava em perigo. </li></ul><ul><li>E nos dois anos seguintes, a guerra civil e as invasões Castelhanas irão devastar, por terra e mar, o território português e a sua população. </li></ul>
  46. 46. No conjunto das lutas fratricidas que tinham desde o inicio percorrido toda a nossa História. os acontecimentos que estiveram na origem da Batalha da Alfarrobeira(1448) que opôs o ex regente D. Pedro a seu sobrinho e novo rei D. Afonso V , tiveram em termos históricos uma importância particular. Mal atinge os dezasseis anos , o jovem Afonso é imposto como rei, pela alta nobreza, terminando com a regência de seu tio D. Pedro. Este , dois anos antes, tinha formalmente transmitido a coroa ao jovem infante mas como pessoa de confiança mais experiente e avisada, tinha continuado a assegurar o governo do reino. O INFANTE D. PEDRO
  47. 47. <ul><li>A Alta nobreza mais conservadora que sempre tinha influenciado fortemente a educação do jovem infante, convence-o através da mentira e da intriga, a prescindir do apoio e dos conselhos de seu tio D. Pedro. D. Afonso V , ( O Africano ) vai governar como um rei feudal nostálgico dos ideais da honra e cavalaria que os tempos pareciam ter já esbatido. </li></ul>
  48. 48. <ul><li>O confronto do jovem monarca com o seu tio que se sentia humilhado e maltratado pelo rei e pelas principais famílias, foi sobretudo um ajuste de contas do passado com o presente. E por algum tempo o passado pareceu ganhar . </li></ul><ul><li>As incursões a Africa regressaram em força, e após a morte do Infante D. Henrique , as explorações africanas foram entregues a particulares . </li></ul><ul><li>Só no reinado seguinte com D. João II, ( O Príncipe Perfeito ), o país se vira novamente para o futuro e o progresso </li></ul>
  49. 49. <ul><li>A tomada pelos turcos de Constantinopla , (1453) o ultimo reduto do Sacro Império Romano do Oriente , gerou em toda a Cristandade da época uma sensação de perda , humilhação e raiva que não podiam em nome de Deus e da Honra ficar impunes. </li></ul><ul><li>As repetidas incursões a Africa. surgem neste contexto e foram sem duvida facilitadas, pelo o espírito de cavalaria e pelo carácter profundamente religioso de D. Afonso V. </li></ul>QUEDA DE CONSTANTINOPLA
  50. 50. <ul><li>O reinado de D. Afonso V é ainda assinalado pela derrota portuguesa na </li></ul><ul><li>“ Batalha de Toro “, uma espécie de Aljubarrota ao contrário, que põe fim ás aspirações de rei português à coroa espanhola. Mas até nas mais humilhantes derrotas os portugueses descobriram sempre entre os seus, personagens que pelo seu suposto sofrimento ou bravura se erguiam acima de qualquer desaire . </li></ul>
  51. 51. <ul><li>Mártires que nos piores momentos ajudavam a manter vivo o ânimo de um povo. </li></ul><ul><li>Na Batalha de ”Toro “ quem assumiu esse papel foi o Porta –Estandarte , alferes –mor de D. Afonso V, Duarte de Almeida </li></ul><ul><li>( O decepado ) ,que se serviu da boca para segurar a bandeira portuguesa quando já não lhe restavam as mãos que tinha perdido durante a batalha. </li></ul>
  52. 52. <ul><li>Com a derrota portuguesa não se concretizou o sonho de Henrique IV rei de Leão e Castela em unir os dois reinos peninsulares. Nem o de D. Afonso V que ambicionava tornar-se imperador do norte de África e de toda a Península. </li></ul><ul><li>Sonho também alimentado pela mulher do rei castelhano , Joana de Portugal, irmã de D. Afonso V. </li></ul><ul><li>Uma mulher forte que reinava sobre um rei fraco. </li></ul><ul><li>Tudo começou quando D. Henrique designou como sucessora , a infanta dona Joana, a sua predilecta, a todos apresentada como sua filha . No entanto , em Castela , nem a nobreza nem o povo acreditavam nesta versão e consideravam a infanta o resultado das relações ilegítimas da rainha com um nobre de nome Beltran. </li></ul>DONA JOANA HENRIQUE IV
  53. 53. <ul><li>Por isso recusavam-se a acatar a vontade do rei. </li></ul><ul><li>Os conflitos e a luta pelo poder eclodiram . </li></ul><ul><li>Para defender a honra da irmã , e fazer prevalecer a vontade de Henrique IV, que de resto coincidia com as suas próprias ambições, D. Afonso V casa com a sobrinha Dona Joana , e mal o rei morre, invade Castela, com o objectivo de ocupar o trono que outros lhe disputavam : Os que sempre se tinham oposto à escolha da infanta Joana como futura rainhas e se agrupavam em torno da Infanta Dona Isabel, esposa de </li></ul><ul><li>D. Fernando rei de Aragão. </li></ul>DONA JOANA “A BELTRANEJA”
  54. 54. <ul><li>A” Beltraneja” como lhe chamava o povo casou-se de facto com D. Afonso V, cumprindo-se o desejo de Henrique IV. </li></ul><ul><li>Mas a derrota de “ Toro”, frente ao exercito de Dona Isabel afastou ainda mais os dois reinos e contribuiu para o progressivo desânimo de um rei a quem já não apetecia reinar. </li></ul><ul><li>Um rei que pensou em abdicar em favor do filho , tornando-se romeiro ,juntando-se a outros que se dirigiam a Jerusalem. A Terra Santa. </li></ul>
  55. 55. <ul><li>Mas apesar de convencido a desistir da ideia, todo o comportamento de D. Afonso V apressou a passagem do poder para as mãos do seu filho. </li></ul><ul><li>O futuro D. João II passou a familiarizar-se com os assuntos da governação mesmo antes de ter chegado o seu tempo. </li></ul><ul><li>E durante o seu reinado “ O Príncipe Perfeito” saberá usar essa vantagem. </li></ul><ul><li>A vantagem de conhecer melhor que ninguém os mecanismos da governação e do poder. </li></ul>
  56. 56. <ul><li>É ainda no reinado de D. Afonso V que é assinado o” Tratado de Alcáçovas” fazendo a paz entre Portugal e Castela que desde Afonso IV disputavam entre si, a posse das ilhas Canárias. </li></ul><ul><li>Dividia-se pela primeira vez o mundo entre os dois reinos , através de um meridiano que passava horizontalmente a sul das ilhas Canárias. </li></ul><ul><li>As regiões para baixo dessa linha seriam portuguesas. </li></ul>
  57. 57. <ul><li>O tratado de Tordesilhas , assinado após a descoberta da América, surgirá da necessidade em actualizar, este tratado que conferia a posse dos novos territórios a Portugal tal como reivindicava D. João II . </li></ul><ul><li>O poder e influencia que Castela gozava junto de Roma, levaram o Papa a intervir tomando o partido castelhano . </li></ul><ul><li>Castela garantia em Tordesilhas, a posse dos territórios descobertos. Mas um novo meridiano desta, vez vertical, passava a dividir o mundo, com as consequências que Portugueses e Brasileiros bem conhecem… </li></ul>
  58. 58. <ul><li>Mas foi sem dúvida durante o reinado de D. João II, que o centralismo e autoritarismo reais atingiram um dos seus pontos mais altos, confundindo-se com a tirania. </li></ul><ul><li>D. João II governará de facto ,“como um déspota iluminado”, precedendo os absolutismos católicos, que de Portugal a França se instalarão por mais de um século na Europa. </li></ul><ul><li>A execução do duque de Bragança a pretexto de uma conspiração nunca provada , foi apenas o pretexto para o rei se apoderar da imensa riqueza da sua família ao mesmo tempo que eliminava o seu principal rival. </li></ul>
  59. 59. As Conspirações que cedo se multiplicaram, como resposta de sectores da alta nobreza aos excessos de autoridade do rei , foram implacavelmente reprimidas e seguidas da execução publica dos seus autores e cúmplices . O clero , com a eliminação do bispo de Évora, envenenado na prisão, com a confiscação de bens e limitação de privilégios de que foi alvo, não guardou também boas recordações deste período. D. João II
  60. 60. <ul><li>Esta determinação e crueldade que D. João II exibia perante os seus adversários reais ou potenciais, semeou um período de terror entre toda a nobreza. </li></ul><ul><li>A autoridade do rei, rodeado de um implacável aparelho repressivo que assentava na vigilância, denúncia e tortura, tornou-se rapidamente incontestada. </li></ul>
  61. 61. <ul><li>Aos mesmos processos recorrerá mais tarde </li></ul><ul><li>o “ Marquês de Pombal em pleno apogeu do Absolutismo no reinado de D. José I. </li></ul><ul><li>Desta vez as vítimas serão “ Os Távora “.A sombra do explendor do rei .A mais poderosa e influente família do país que verá os seus patriarcas serem publicamente executados, depois de sob tortura terem confessado conspirar contra o rei. </li></ul>
  62. 62. <ul><li>Precedendo o Absolutismo , D. João II, rapidamente impôs, pelo seu carácter determinado e autoritário, e pelos recursos de que dispunha, a sua vontade a todos os grupos sociais . Entretanto num eficaz” corpo” de informadores ,juízes e carrascos também ajudava. </li></ul><ul><li>E para esmagar a competição ,os grandes terratenentes (nobres e clérigos) não teve sequer que se apoiar na burguesia, com quem era de resto igualmente implacável. Entretanto o povo venerava-o… </li></ul><ul><li>Os crescentes proventos ( ouro prata marfim escravos) oriundos das feitorias Africanas de Arguim e da Mina tinham tornado a coroa, numa entidade que já não dependia dos impostos e da riqueza gerada no reino . </li></ul>
  63. 63. D. Manuel tentou governar de forma menos autoritária e cruel do que o seu antecessor, D. João II. As grandes famílias nobres sentiam-se menos hostilizadas, apesar de vigiadas e controladas . E a lealdade era recompensada. Esta política mais “suave” foi facilitada pelo desmantelamento das principais famílias da Alta Nobreza, acusadas de conspiração, que ocorreu no reinado de D. João II.
  64. 64. <ul><li>De facto, a enorme riqueza acumulada pela Coroa com o Monopólio das descobertas, e o sistema burocrático que ele criou, permitiram ao rei uma generosa distribuição de dinheiro, cargos, e privilégios que facilitaram uma paz social duradoura. </li></ul>
  65. 65. <ul><li>As “ Ordenações Manuelinas”, publicadas entre 1514 e 1521, eram uma recolha sistematizada das leis e foros dispersos pelo reino. </li></ul><ul><li>Uma versão revista e melhorada das “Ordenações Afonsinas”, com ligeiras adaptações ao estilo da época. </li></ul><ul><li>Mais do que introduzirem alterações jurídicas significativas, as “Ordenações Manuelinas” pretendiam engrandecer a figura do Monarca, que se servia da recém-descoberta Imprensa (Gutenberg) para aumentar o seu prestígio. </li></ul>LIVRO DAS ORDENAÇÔES MANUELINAS
  66. 66. <ul><li>Mas o reinado de D Manuel é, também, tristemente recordado pela aliança envergonhada com a Inquisição, responsável pela perseguição e morte de milhares de judeus. O tribunal da “inquisição” ou do Santo Oficio só será formalmente criado em 1545 no Concilio de Trento, no tempo de D. João III, mas a prática da tortura , da condenação à morte “ pelo fogo dos hereges era antiga .Tinha-se refinado ao longo dos tempos, tolerada ou alimentada pelos reis , de acordo com as conveniências. As suas e as da Igreja, que de resto eram quase sempre coincidentes. </li></ul>
  67. 67. Os chamados Cristãos - Novos, que resultaram da apressada conversão dos Judeus portugueses e castelhanos mais influentes e ricos, que desta forma escapavam à fogueira ou ao exílio, foram apenas um sinal da má consciência do Rei.
  68. 68. <ul><li>A Inquisição, há muito que se tinha instalado em Castela, com o fervoroso apoio da rainha Isabel “a Católica”, com cuja filha D. Manuel pensava casar. </li></ul><ul><li>A rainha punha no entanto uma condição para que a união se concretizasse : </li></ul><ul><li>que fossem expulsos de Portugal todos os judeus , incluindo os castelhanos que para aqui tinham fugido à Inquisição. </li></ul><ul><li>A conversão forçada dos judeus foi a forma encontrada por D. Manuel, neste contexto, para evitar a fuga do país de gente rica influente e de mérito, de resto bem representada na sua corte, respeitando as condições impostas pelo contrato pré-matrimonial . </li></ul>
  69. 69. <ul><li>Pouco depois ,a morte prematura do herdeiro da coroa de Castela, o príncipe João, colocava, de repente, a rainha Isabel casada com D. Manuel I, na linha directa da sucessão ao trono. </li></ul><ul><li>O velho sonho de muitos reis peninsulares ,a criação de um grande império católico que resultaria da união de Portugal e Castela , parecia finalmente estar próxima. </li></ul>D. MANUEL I ISABEL DE CASTELA
  70. 70. <ul><li>O sonho continuou velho, pois tal união nunca se concretizou. </li></ul><ul><li>Dona Isabel morre, e pouco depois o mesmo acontece ao infante D. Miguel da Paz ,ainda criança, que estava destinado a herdar a coroa dos três reinos: Portugal, Castela e Aragão. </li></ul><ul><li>Foi pois neste contexto pré e pós – matrimonial, de aproximação dos reinos peninsulares, que a Inquisição entrou em força em Portugal. </li></ul><ul><li>Como em Castela, a Inquisição foi utilizada por D. Manuel I ,como instrumento e suporte do centralismo real, com os resultados que se conhecem: </li></ul>INQUISIÇÃO E TORTURA
  71. 71. <ul><li>Condenações arbitrárias à morte, falsas ou forçadas conversões, fugas em massa do país e a criação de um clima de medo que atingiu todas as minorias religiosas. </li></ul><ul><li>A conversão por “decreto”dos judeus em Portugal não passou de uma farsa, montada por D. Manuel. A “solução milagrosa “ para evitar que o país sofresse as consequências desastrosas, que resultariam da fuga de algumas famílias judias. </li></ul><ul><li>Homens de negócios, altos funcionários do reino ,e proeminentes cientistas e intelectuais de que o país não podia prescindir. </li></ul>
  72. 72. <ul><li>Assim , a maioria dos Judeus convertidos em Cristãos–Novos conservou, secretamente, a sua religião, símbolos e costumes. </li></ul><ul><li>Designados pelos Cristãos -Velhos de Marranos ou Cripto-Judeus, foram sendo empurrados para zonas específicas das cidades (as Judiarias) onde eram alvo de uma apertada vigilância por parte da Igreja, assente na denúncia dos que invejavam a sua relativa riqueza e instrução. </li></ul>A MENORAH A ESTRELA DE DAVID Cerimónia secreta Marrana
  73. 73. <ul><li>Pedro Nunes , matemático, cartógrafo e inventor do nónio; e Garcia da Horta, botânico que se estabeleceu na Índia fugindo à Inquisição, contam-se entre os mais ilustres Judeus, vítimas da intolerância religiosa que então reinava em Portugal e Castela. </li></ul><ul><li>Apesar de ambos terem sobrevivido às perseguições, o mesmo não se passou com vários membros das respectivas famílias que foram torturados e mortos pela roda ou pela fogueira. </li></ul>
  74. 74. <ul><li>Muitos outros homens das artes da ciência e do saber em geral, fugiram, nesta altura, de Portugal e de Castela, exilando-se nos países do norte da Europa ( protestante, anti - papal) , onde reinava um clima de tolerância estabelecido pela Reforma Luterana. </li></ul><ul><li>O Movimento da Reforma iniciado no século XVI insurgia-se contra o fausto e o poder terreno que a Igreja Romana exibia, defendendo um retorno à contemplação, à simplicidade e às boas acções preconizadas pelas sagradas escrituras. E sobretudo um regresso à Fé. A única via para a salvação. </li></ul>Martinho Lutero
  75. 75. <ul><li>Lutero começou por criticar abertamente a venda de Indulgências que a igreja Romana recorria cada vez mais para manter o poder e o fausto que exibia. Mas foi mais longe. Considerou a usura e a noção de lucro como conceitos anti - cristãos . </li></ul><ul><li>Condenou o culto das imagens e defendeu a revogação do celibato que era imposto aos sacerdotes. Ainda por cima considerava que o Anti - Cristo tinha chegado. Era o Papa. </li></ul><ul><li>A reforma luterana nascida pela abertura nas mentalidades que o movimento do renascimento possibilitou, teve no Calvinismo a sua versão Francesa . </li></ul><ul><li>Com Henrique VIII, em ruptura com o papa , por motivos mais pessoais e políticos do que religiosos, estende-se também a Inglaterra. </li></ul>
  76. 76. <ul><li>Reunida no “Concilio de Trento”,entre 1545 e 1563, a igreja de romana e papal ,tentou contrariar o movimento reformista através de uma doutrinação ainda mais dogmática e culpabilizante , de que encarregou os Jesuítas. Na Europa, e nos territórios colonizados mundo fora , pelos países Católicos. </li></ul><ul><li>A “Inquisição “ notabilizou-se, nesses tempos , como instrumento da reacção do Papa contra as “novas heresias “, no contexto mais amplo da Contra - Reforma que se instalou na Europa do sul (católica e papal) na segunda metade do século XVI </li></ul>O CONCÌLIO DE TRENTO-1545-1563
  77. 77. Assim foi instituído o Tribunal do Santo Oficio e criado o célebre” Índex Librorum Proibitorum “ visando impedir a divulgação das ideias reformistas, consideradas heréticas pelo Papa. Uma lista do que não se podia ler. A divisão dos cristãos entre católicos e protestantes estava definitivamente instalada . E do clima de intolerância e fanatismo que por estas bandas passou a reinar, muito aproveitaram os países Reformistas que, de braços abertos, recebiam estes exilados com todo o seu saber experiência e, muitas vezes, considerável riqueza.
  78. 78. <ul><li>Em 1540, tinha já entrado em Portugal a” Companhia de Jesus ,“ aquela que será a mais importante ordem religiosa dos séculos XVI e XVII. </li></ul><ul><li>Enquanto a inquisição se dedicava a erradicar pela fogueira heresias , superstições, e bruxarias várias, aos jesuítas interessava sobretudo a prevenção. </li></ul><ul><li>Por isso os mais jovens eram o seu alvo e uma educação canónica, o meio, para cimentarem “a verdadeira mensagem de Cristo”. </li></ul>Homem condenado à morte pelo fogo
  79. 79. Nos tempos seguintes ,os Jesuítas, controlarão todo o ensino incluindo o Universitário, e toda a actividade missionária em Portugal e nos novos territórios de além-mar, até serem extintos pelo Marquês de Pombal no séc. XVIII. Competindo entre si no poder na riqueza e sobretudo na influencia que exerciam junto da coroa , as relações entre a inquisição e os Jesuítas nunca foram muito cordiais. Em 1640 entrarão mesmo em conflito quando ao contrário da inquisição os jesuítas se colocam do lado de D. João IV e da Restauração da Independência. A Expulsão dos Jesuítas

×