O Neolítico

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O Neolítico

  1. 1. 2 - O Neolítico As Comunidades Agro-Pastoris
  2. 2. <ul><li>Há aproximadamente 12 000 anos , com o final da Idade do Gelo , as condições climatéricas mudaram significativamente na Europa. </li></ul><ul><li>Com isto, mudaram também a paisagem, as espécies animais e vegetais e as condições de vida em geral. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>As espécies vegetais adaptaram-se ou foram substituídas por outras mais adaptadas às novas condições climáticas. </li></ul><ul><li>Tal aconteceu, também, com os animais, sobretudo com os de grande porte. </li></ul><ul><li>Mamutes, ursos gigantes, grandes felinos, vítimas de verdadeiros massacres no período final do Paleolítico por parte do “Homo-Sapiens ”, não conseguiram sobreviver às mudanças climáticas. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>As lebres, os veados, os javalis e os ursos da floresta eram as novas presas do Homo Sapiens . </li></ul><ul><li>A caça disponível era, agora, pouca e de pequeno e médio porte . </li></ul>
  5. 5. <ul><li>O mesmo aconteceu com as técnicas de caça (a força deu lugar à astúcia) e com as ferramentas, agora mais leves e cortantes, feitas de pedra pacientemente polida . </li></ul><ul><li>Este facto está na origem do nome dado a este período da História - Neolítico ou Idade da Pedra Polida. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Com o Degelo , a temperatura subiu, a quantidade de água disponível nos rios aumentou e, por acção das chuvas, as terras tornaram-se mais férteis. </li></ul><ul><li>O homem desceu, então, das montanhas, abandonou as grutas e fixou-se nas regiões onde a vida era mais fácil: no litoral e nos vales junto dos rios . </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Aí , os homens ergueram com materiais duráveis as suas casas, formaram as primeiras aldeias e povoados, e descobriram novas actividades que anunciavam um novo modo de vida: o sedentarismo . </li></ul><ul><li>O vestuário alterou-se, tornando-se mais leve. O algodão, a lã e o linho juntam-se às peles dos animais. </li></ul><ul><li>A descoberta da agricultura e da pastorícia , que se pode explicar pela crescente escassez das espécies de caça, permitiu ao homem fixar-se numa determinada região, pois o alimento podia agora ser permanentemente obtido em qualquer sítio. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Neste período, o tempo livre entre sementeira e colheita abundava e, para o preencher, o homem pensava em formas de tornar a sua vida mais fácil. </li></ul><ul><li>A cestaria , a olaria , a tecelagem surgiram, possivelmente, nestas circunstâncias. </li></ul><ul><li>O trabalho especializou-se assim cada vez mais, distribuindo-se de acordo com as aptidões e capacidades de cada membro do grupo. </li></ul><ul><li>Estava em curso a passagem de uma economia de sobrevivência para uma economia de produção. </li></ul><ul><li>A produção de bens diversificava-se e crescia .E tudo o que não era consumido, era agora trocado por outros excedentes. A economia de mercado estava a nascer. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>É neste período que surge um fenómeno a que se chama Megalitismo . </li></ul><ul><li>Este estende-se por um longo período em que, por toda a Europa, se ergueram construções feitas com enormes blocos de pedra , com fim religioso ou cerimonial. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>As antas ou dólmenes (estruturas funerárias), os menires (símbolos da fertilidade), os cromeleques e alinhamentos (espécies de mapas astronómicos) são as manifestações culturais e religiosas mais importantes, desta altura, na Península Ibérica. </li></ul><ul><li>No entanto, a arte do Neolítico não se esgota no Megalitismo. O costume de pintar ou gravar as rochas e grutas persiste desde o final do Paleolítico. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>As formas menos realistas são, agora, mais simbólicas, estilizadas e abstractas, prenunciando as primeiras preocupações e manifestações religiosas. </li></ul><ul><li>Continuam a produzir-se, neste período, as pequenas estatuetas femininas conhecidas por “ Vénus ”, relacionadas com o culto da fertilidade prestado à Mãe–Natureza, tal como já o faziam as populações paleolíticas. Mas são agora tão minimalistas e depuradas que se aproximam da abstracção. </li></ul>
  12. 12. A Cultura Megalítica que teve início no Neolítico, prolongou-se por séculos e perdurou mesmo durante a Idade dos Metais. O enterramento e o culto dos mortos é feito pela primeira vez nesta altura em sepulturas colectivas , as Antas ou Dólmenes .
  13. 13. <ul><li>Os Hipogeus , sepulturas escavadas nas rochas, são também encontrados neste período por todo o lado. Do norte ao sul, do ocidente ao oriente. </li></ul><ul><li>A disseminação por diferentes regiões e continentes do fenómeno megalitico , a cultura campaniforme (assim chamada pela forma de campânula da sua cerâmica), comum a várias e distantes regiões da Europa, atestam os contactos frequentes que, apesar de tudo, se verificavam entre diferentes povos e regiões, por vezes geograficamente separados por distâncias e obstáculos naturais quase intransponíveis. </li></ul>
  14. 14. No entanto, também é verdade que o isolamento em que viviam os habitantes da Península Ibérica, num contexto geográfico próximo da insularidade, fez com que, neste território, as formas culturais mais arcaicas persistissem durante mais tempo que noutra regiões. O nosso território foi, para citar o caso mais significativo, o local onde o Homem de Neandertal encontrou durante milhares de anos o seu último abrigo, depois de extinto por toda a Europa, vitima do Homo Sapiens-Sapiens que, por todo o lado, se impôs. Homem de Neandertal
  15. 15. <ul><li>Foi também um território como de resto toda a Europa, que só muito tardiamente assimilou as transformações que entretanto ocorriam noutras regiões e que iriam alterar a face do mundo. </li></ul><ul><li>Enquanto a Europa permanecia Neolítica, ou dava os primeiros passos na Idade dos Metais, outras regiões entravam directamente na História. No mundo da escrita, das primeiras grandes cidades e civilizações. </li></ul>ESCRITA CUNEIFORNE
  16. 16. O mundo da economia de produção que gerou a abundância, acelerou as trocas comerciais, especializou ainda mais o trabalho e abriu as portas ao ócio, às artes e à urbanidade. Jardins Suspensos da Babilónia
  17. 17. Um mundo que tinha directamente passado do Neolítico para a Civilização, sem passar pelo longo período intermédio da Proto-História que a maior parte das regiões conheceu: a Idade dos Metais. A Era dos povos guerreiros e tribais, de pastores e agricultores e metalúrgicos que perpetuavam nas suas lendas, transmitidas oralmente de geração em geração, uma história feita de bravura e honra e conquista.
  18. 18. <ul><li>De facto, alguns povos saltaram estas etapas, atingindo mais rapidamente patamares superiores em termos de civilização. </li></ul><ul><li>Empacotaram tudo em pouco tempo. </li></ul><ul><li>Sumérios, Assírios, Babilónios, Egípcios, Creto - Minóicos e os povos que construíram junto ao vele do Indo as cidades de Mohenjo- Daro e Harappa, berços da civilização Hindu na India, foram os pioneiros. </li></ul>Harappa- selo Mohenjo -Daro( reconstituição )
  19. 19. <ul><li>Os construtores das primeiras grandes cidades e civilizações criaram e aperfeiçoaram um modelo de desenvolvimento económico, social e cultural que só mais tarde será assimilado por outros povos. Povos que ainda viviam o seu Neolítico ou a sua Idade dos Metais . </li></ul><ul><li>E tal não aconteceu sempre da forma mais pacífica, numa altura em que estas culturas “superiores” se começaram a constituir em grandes impérios, baseados na conquista territorial ,na pilhagem e na submissão dos povos vencidos. </li></ul><ul><li>Futuros escravos que ajudaram a perpetuar impérios e a manter o modo de vida dos vencedores. </li></ul>PETRA- Cidade romana em África
  20. 20. Essa revolução teve início há aproximadamente 5000 anos na Ásia, na antiga Mesopotâmia, e no vale do Indo, a oriente, e a sul, no Egipto. Estas civilizações explodiram em áreas que tinham em comum o facto de se situarem junto de grandes rios que transbordavam, ciclicamente, das suas margens.
  21. 21. <ul><li>Os rios foram sempre uma importante fonte natural de riqueza, e o principal meio de comunicação entre as mais distantes regiões do “ mundo conhecido”. </li></ul><ul><li>A Mesopotâmia , região situada entre os rios Tigre e Eufrates, e o Egipto, situado junto ao delta do Nilo, deviam na época a sua prosperidade e abundância às cheias que, regularmente, inundavam e fertilizavam as terras em redor destes grandes cursos de água. </li></ul><ul><li>Ao reverterem a seu favor estes desastres naturais, canalizando a água para as áreas agrícolas, através de complexos e eficazes sistemas de canais, garantiram a abundância que tornou possível tudo o resto a que chamamos civilização. </li></ul>O NILO
  22. 22. <ul><li>As cidades e as suas instituições e serviços. Os templos, os mercados, os espaços públicos…a noção de cidadania, mas também formas de poder cada vez mais sofisticadas, autoritárias, que acabaram por conduzir naturalmente à divinização dos governantes. </li></ul><ul><li>Primeiro na Mesopotâmia dos sumérios, assírios e babilónios e, depois, no Egipto, poder e religião confundiam-se. No entanto, tanto progresso, baseado fundamentalmente na exploração intensiva dos recursos naturais das regiões que dominavam, rapidamente conduziu à erosão dos solos e a uma brusca queda na produção. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Os recursos destes imensos Impérios já não chegavam para os gastos. </li></ul><ul><li>E quando a guerra deixou de ser solução, quando as dificuldades, a fome, as desigualdades, o descontentamento e a revolta se instalaram, acabaram todos por cair. </li></ul><ul><li>Nenhum aprendeu com as lições do outro. </li></ul>O Zigurate de Babel Conquista da Gália
  24. 24. <ul><li>Na realidade a historia da humanidade nunca foi linear. Nem cronologicamente nem espacialmente. </li></ul><ul><li>Foi-se fazendo. Desigualmente. Por saltos e empurrões. Ditados pelo contexto, ou pela urgência. Pela capacidade que o Homem revelou em reverter em seu favor necessidades e oportunidades. </li></ul>

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