Realismo
GENI E O ZEPELLIM CHICO BUARQUE De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes É de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atrás do tanque, no mato É a rainha dos detentos Das loucas, dos lazarentos Dos moleques do internato E também vai amiúde Co'os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir Joga pedra na Geni Joga pedra na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante Entre as nuvens, flutuante Um enorme zepelim Pairou sobre os edifícios Abriu dois mil orifícios Com dois mil canhões assim A cidade apavorada Se quedou paralisada Pronta pra virar geléia Mas do zepelim gigante Desceu o seu comandante Dizendo - Mudei de idéia - Quando vi nesta cidade - Tanto horror e iniqüidade - Resolvi tudo explodir - Mas posso evitar o drama - Se aquela formosa dama - Esta noite me servir Essa dama era Geni Mas não pode ser Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni Mas de fato, logo ela Tão coitada e tão singela Cativara o forasteiro O guerreiro tão vistoso Tão temido e poderoso Era dela, prisioneiro Acontece que a donzela - e isso era segredo dela Também tinha seus caprichos E a deitar com homem tão nobre Tão cheirando a brilho e a cobre Preferia amar com os bichos Ao ouvir tal heresia A cidade em romaria Foi beijar a sua mão O prefeito de joelhos O bispo de olhos vermelhos E o banqueiro com um milhão Vai com ele, vai Geni Vai com ele, vai Geni Você pode nos salvar Você vai nos redimir Você dá pra qualquer um Bendita Geni Foram tantos os pedidos Tão sinceros, tão sentidos Que ela dominou seu asco Nessa noite lancinante Entregou-se a tal amante Como quem dá-se ao carrasco Ele fez tanta sujeira Lambuzou-se a noite inteira Até ficar saciado E nem bem amanhecia Partiu numa nuvem fria Com seu zepelim prateado Num suspiro aliviado Ela se virou de lado E tentou até sorrir Mas logo raiou o dia E a cidade em cantoria Não deixou ela dormir Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
Iniciaremos nosso estudo sobre o Realismo-Naturalismo fazendo uma análise de alguns versos da letra da música Geni e o Zepelim, composta por   Chico Buarque. Nesta canção, ele desmistifica a sociedade, criticando algumas instituições sociais, tais como o Estado, a Igreja, o sistema capitalista e, por extensão, todas as pessoas que dela fazem parte e, de alguma forma, compactuam com os seus vícios. Observe:  “ A cidade em romaria Foi beijar a sua mão O prefeito de joelhos O bispo de olhos vermelhos E o banqueiro com um milhão Vai com ele, vai Geni Vai com ele, vai Geni Você pode nos salvar Você vai nos redimir Você dá pra qualquer um Bendita Geni ............................................... E a cidade em cantoria Não deixou ela dormir Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni.”
Os britadores de pedra, de Courbet:   a fidelidade à realidade, princípio do Realismo .
O vocábulo  Realismo  vem do latim  res,  rei   (= coisa ou fato), através do baixo latim  reale. Portanto,  é a tentativa de  analisar a realidade sem deformá-la, considerando todos os seus elementos, ou seja, tal como se apresentam a quem os observa.
Realismo-Naturalismo O Realismo-Naturalismo no Brasil surge com a poesia social e o liberalismo dos  condoreiros  e, principalmente, logo após a Guerra do Paraguai, com o desenrolar  das campanhas abolicionista e republicana. Tal período marca a decadência da sociedade imperial, carregada ainda de posturas existenciais românticas, e a ascensão do regime republicano; Início oficial (1881): Memórias Póstumas de Brás Cubas  (Machado de Assis) — dando início ao Realismo;  O Mulato  (Aluísio de Azevedo) — inaugurando o Naturalismo;
Superação (1893): quando Cruz e Souza publica  Missal  e  Broquéis,  iniciando o Simbolismo. A partir daí, o Realismo-Naturalismo  coexiste com outras correntes literárias, estendendo-se até o século XX . Só em 1922, com a Semana de Arte Moderna, é que se dá o fim de todos os estilos literários do fim do século passado. Influenciadores do Realismo-Naturalismo no Brasil: Balzac, Flaubert, George Sand, Eça de Queiroz e Antero de Quental,  Émile Zola e Eça de Queirós.
Causas determinantes do Realismo: 1) reação contra o subjetivismo, exagero de imaginação e sentimentalismo românticos; 2) cansaço e esgotamento dos processos românticos; 3) o desenvolvimento científico e industrial: surgem a lâmpada elétrica, o telefone, o telégrafo, o elevador, o automóvel, a máquina rio escrever, o cinema, o microfone, o aço, o telégrafo sem fio, a máquina a vapor, o concreto armado e   os primeiros poços de petróleo; 4) o Capitalismo se afirma, dando lugar a uma era de progresso material, luxo e requinte, a  qual se denominou  Belle Époque  (1886 - 1914); 5) o despertar do operariado, o surgimento de sindicatos e movimentos de massa; 6) desenvolvimento da Biologia e da Medicina experimental; 7) ascensão e valorização da psicologia científica.
Características Gerais do Realismo: 1) preocupação com o mundo exterior, que é apresentado através do relato fiel das personagens: 2) isolamento  do  sujeito  (= o autor) em relação ao  objeto  (= a obra de arte): o autor despreza os  sentimentalismos, desdenha do estado emotivo dos personagens, comportando-se como narrador impessoal e imparcial, indiferente à dor, aos sofrimentos, às paixões humanas; 3)  objetividade:  a vida é analisada à luz da ciência, através da seleção e síntese de fatos observados; 4) retrato da vida contemporânea, da corrupção moral da sociedade, dos conflitos entre o homem e   a realidade;
5) ao poder do dinheiro e   à ambição social, já  que elevam ou corrompem o indivíduo, transformando-o em simples joguete das condições reais; 6) preocupação com a análise imparcial e o recorte fiel da realidade, evidenciando destaque a clareza, a harmonia e o equilíbrio da composição; 7) universalismo: busca do perene humano, das verdades eternas, no tempo e no espaço, no que tange ao homem, à Natureza e   ao Universo (aproximação com o Classicismo); 8) narrativa lenta, porque os pormenores específicos despertam significativo interesse na observação e captação fiel da realidade.
ROMANTISMO X REALISMO ROMANTISMO   fantasia e imaginação criadora;  improviso e exagero;  retrata o  eu  do artista;  sensibilidade excessiva e melancólica;  idealismo e religiosidade;  espírito deísta;  ideais rnonárquicos.  preferência por temas históricos;  personagens extraordinárias: semideuses;  sentimentos nobres  dignidade moral do homem;  heróis virtuosos, puros, honestos;  predomínio do lirismo.  REALISMO   documentação da realidade;  criação reflexiva e análise crítica:  retrata a vida social;  impassibilidade (= anti-sentimentalismo);  positivismo e materialismo;  espírito científico;  ideais republicanos  temas contemporâneos: atualidades (séc. XIX);  personagens vulgares: o homem comum;  instintos perversos ou sádicos;  fragilidade e relativismo moral;  heróis ambiciosos, egoístas, desumanos;  predomínio da novela, do romance documental.
Características do Naturalismo: realismo fortalecido pelo cientificismo, hereditariedade e determinismos sociais;  homem  como escravo das paixões e dos instintos, do sangue e dos nervos, estando  preso a forças fatais e superiores que lhe determinam o comportamento. Personagens e enredos submetem-se às  leis naturais , a uma análise rigorosamente científica;
preferência pela exploração de casos anormais, como anomalias sexuais, vulgaridades, temas-tabu - chocantes e degradantes; mundo como um amplo laboratório social: o ser humano é  nivelado a animais inferiores (zoomorfização, como se o homem fosse cobaia em experiência científicas);  preocupação reformadora, visando à melhoria das condições do meio e dos homens:
determinismo radical, com ênfase no homem, na raça, no meio e no momento, ou seja, com o fatalismo das forças naturais e sociais pesando sobre o destino das pessoas;  aproveitamento de  tudo( diferente do realista, que seleciona), não se preocupando em escandalizar, em agredir moralmente o leitor.
Influências filosóficas e científicas:  —  Determinismo  ( H. Taine )  :  analisa-se o homem em função da raça, do meio e do momento histórico: —  Materialismo  — a vontade fisiológica determina o comportamento psicológico: a realidade é de natureza exclusivamente material —  Positivismo( Augusto  Comte ) :  só o conhecimento científico tem condições de explicar a realidade. Despreza-se tudo o que possa sugerir milagre,  mistério ,misticismo. —  Mecanicismo : supervalorizam-se as leis da natureza, da Física e da Biologia. Nega-se a superioridade da criatura humana no universo. —  Evolucionismo  ( Charles Darwin ) :   transformação progressiva das espécies e seleção natural dentro de um sistema de leis naturais absolutamente definidas.
 
Realismo x Naturalismo:    método de observação da realidade;  acumula documentos para retratar a realidade;  arte sem compromissos reformistas;  cria o romance documental;  sentido seletivo e aspiração estética;  estilo requintado;  retrato tanto o mundo   exterior como o interior (análise psicológica);  preferência pela narração.  NATURALISMO método de experimentação científica;  percebe o mundo como um laboratório biossocial;  tem preocupação de reformas sociais;  desenvolve o romance experimental ou de tese  aspectos deploráveis e vulgares da realidade;  mais do que a forma, o importante é oferecer “pedaços de vida”  apóia-se no mundo exterior e nas ciências naturais, (análise patológica);  preferência pela descrição.  REALISMO
 
Machado de Assis Considerado por críticos nacionais e internacionais como um dos dez maiores escritores de todos os tempos, Machado de Assis proveio de família humilde, era mestiço e epiléptico e saiu do Morro do Livramento para tornar-se o maior romancista brasileiro, admirado e analisado por gerações sucessivas como exemplo de equilíbrio entre o homem e o espírito.
 
Foi tipógrafo, revisor de editora e mais tarde funcionário público, Machado foi autodidata e um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Como poeta, não chegou a ser espetacular, embora suas poesias Círculo Vicioso, A Mosca Azul e a Carolina constem de quase todas as   antologias do gênero. Sua vasta obra divide-se em duas fases:  Fase Romântica  (1861—1878) e  Fase Realista  (1881—1908).
 
Obras: f ase romântica  (1861—1878). Romances: Ressurreição  (1872).  A Mão e a Luva  (1874),  helena  (1876) e  Iaiá Garcia  (1S78). Contos: Contos Fluminenses  (1870) e  Histórias da Meia-Noite  (1873). Poesias: Crisálidas  (1861),  Falenas  (1670) e  Americanas  (1870). Teatro:  Queda  que as Mulheres têm para os Tolos  (1861),  Caminho da Porta  (1863),  Quase Ministro  (1864),  O Protocolo  (1864),  Os Deuses de Casaca  (1868), etc.
Machado de Assis romântico:   –  evita excessos de sentimentalismo, imprimindo às suas obras uma certa contenção emocional, substituindo o amor pela ambição, pela razão e pelo calculismo das atitudes humanas. –  já demonstra algumas características que seriam aprofundados posteriormente, como o gosto psicológico, a análise de costumes, o erotismo e o sensualismo; –  as poesias caracterizam-se pela preocupação formal e pelo desprezo ao sentimentalismo piegas dos românticos; –  preocupa-se em demasia com a trama romanesca, com as peculiaridades estruturais do enredo.
 
B)  fase realista  (1881—1908) Romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas  (1881),  Quincas Borba  (1891),  Dom Casmurro  (1899),  Esaú  e  Jacó  (1904), Memorial de Aires (1908). Contos: Papéis Avulsos  (1882).  Histórias sem Data  (1884),  Várias histórias  (1896),  Páginas Recolhidas  (1899) e  Relíquias da Casa Velha  (1906). Poesias: Ocidentais. Crônica:  (póstuma):  A Semana  (1914). Critica:  (póstuma):  Crítica Literária  (1937),  Crítica Teatral  (1937).
Machado de Assis realista:   o enredo de seus romances é relegado a segundo plano, porque a ação se transfere para o mundo interior para a historia profunda do comportamento humano (análise psicológica); seus personagens deixam-se consumir pelo egoísmo e pela ambição desenfreada;  cada personagem constitui um mundo fechado que só se revela quando o autor, procedendo ironicamente, retira a capa de hipocrisia com que as pessoas escondem a verdadeira personalidade;
Romances realistas de Machado de Assis      Memórias Póstumas de Brás Cubas   (1881) – narrado supostamente por um defunto autor, através do qual  o  verdadeiro autor revela o que pensa da vida e dos homens.      Quincas Borba   (1891)  – narrado em 3 ª  pessoa, retrata o fim de um filósofo demente e seu amor por um cão a quem empresta  o  nome. Rubião, o herdeiro   de Quincas Borba, é simplesmente um ingênuo e vaidoso rico que se acaba na miséria, depois de ter sido explorado por amigos, principalmente pelo esposo de Sofia, a mulher que o levou à destruição.    Dom Casmurro   (1899) – suposto caso de adultério que narrado pelo protagonista — Bentinho — que ,  consumido pela idéia de ter sido traído por Capitu — sua esposa — com o melhor amigo do casal — Escobar — reconstrói sua vida unindo as duas pontas da existência — a infância e a velhice.  
  Esaú e Jacó   (1904) – história de um casal de gêmeos rivais, suas relações familiares, sentimentais e envolvimentos amorosos. Culmina com o juramento de amizade que ambos fazem à mãe enferma.    Memorial de Aires  (1908) – narrado em forma de diário pelo Conselheiro Aires, Machado humaniza-se e espiritualiza-se, retratando a felicidade e a vida cotidiana de um casal.
Características de Machado de Assis:   introspecção, análise sutil dos problemas psicológicos; uso clássico do idioma, estilo conciso e cristalino, simplicidade, harmonia e colocação precisa das palavras;  preocupação com as angústias e com os problemas morais do ser humano;  ironia e humor, que podem provocar risos e lágrimas;  pessimismo: ridiculariza a vida e mostra-se desencantado diante dela;  uso da ironia como arma para desvendar a verdadeira personalidade de seus personagens;  antecipação do romance modernista pelas autocríticas que faz como narrador e pelo rompimento da estrutura linear da narrativa.
a intriga nos romances realistas gira quase sempre em torno a ocorrências banais; temas principais: o adultério; a preocupação com a opinião pública e os valores sociais; o parasitismo social; o egoísmo, a vaidade, o interesse; a hipocrisia – a aparência sobrepondo-se à realidade; a sordidez e mediocridade do homem, na impossibilidade de agir com dignidade; a sensibilidade ou dissimulação feminina; a confusão entre a razão e a loucura; o instinto e o subconsciente como forças determinantes dos atos humanos.

Realismo

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  • 2.
    GENI E OZEPELLIM CHICO BUARQUE De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes É de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atrás do tanque, no mato É a rainha dos detentos Das loucas, dos lazarentos Dos moleques do internato E também vai amiúde Co'os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir Joga pedra na Geni Joga pedra na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
  • 3.
    Um dia surgiu,brilhante Entre as nuvens, flutuante Um enorme zepelim Pairou sobre os edifícios Abriu dois mil orifícios Com dois mil canhões assim A cidade apavorada Se quedou paralisada Pronta pra virar geléia Mas do zepelim gigante Desceu o seu comandante Dizendo - Mudei de idéia - Quando vi nesta cidade - Tanto horror e iniqüidade - Resolvi tudo explodir - Mas posso evitar o drama - Se aquela formosa dama - Esta noite me servir Essa dama era Geni Mas não pode ser Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni Mas de fato, logo ela Tão coitada e tão singela Cativara o forasteiro O guerreiro tão vistoso Tão temido e poderoso Era dela, prisioneiro Acontece que a donzela - e isso era segredo dela Também tinha seus caprichos E a deitar com homem tão nobre Tão cheirando a brilho e a cobre Preferia amar com os bichos Ao ouvir tal heresia A cidade em romaria Foi beijar a sua mão O prefeito de joelhos O bispo de olhos vermelhos E o banqueiro com um milhão Vai com ele, vai Geni Vai com ele, vai Geni Você pode nos salvar Você vai nos redimir Você dá pra qualquer um Bendita Geni Foram tantos os pedidos Tão sinceros, tão sentidos Que ela dominou seu asco Nessa noite lancinante Entregou-se a tal amante Como quem dá-se ao carrasco Ele fez tanta sujeira Lambuzou-se a noite inteira Até ficar saciado E nem bem amanhecia Partiu numa nuvem fria Com seu zepelim prateado Num suspiro aliviado Ela se virou de lado E tentou até sorrir Mas logo raiou o dia E a cidade em cantoria Não deixou ela dormir Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
  • 4.
    Iniciaremos nosso estudosobre o Realismo-Naturalismo fazendo uma análise de alguns versos da letra da música Geni e o Zepelim, composta por Chico Buarque. Nesta canção, ele desmistifica a sociedade, criticando algumas instituições sociais, tais como o Estado, a Igreja, o sistema capitalista e, por extensão, todas as pessoas que dela fazem parte e, de alguma forma, compactuam com os seus vícios. Observe: “ A cidade em romaria Foi beijar a sua mão O prefeito de joelhos O bispo de olhos vermelhos E o banqueiro com um milhão Vai com ele, vai Geni Vai com ele, vai Geni Você pode nos salvar Você vai nos redimir Você dá pra qualquer um Bendita Geni ............................................... E a cidade em cantoria Não deixou ela dormir Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni.”
  • 5.
    Os britadores depedra, de Courbet: a fidelidade à realidade, princípio do Realismo .
  • 6.
    O vocábulo Realismo vem do latim res, rei (= coisa ou fato), através do baixo latim reale. Portanto, é a tentativa de analisar a realidade sem deformá-la, considerando todos os seus elementos, ou seja, tal como se apresentam a quem os observa.
  • 7.
    Realismo-Naturalismo O Realismo-Naturalismono Brasil surge com a poesia social e o liberalismo dos condoreiros e, principalmente, logo após a Guerra do Paraguai, com o desenrolar das campanhas abolicionista e republicana. Tal período marca a decadência da sociedade imperial, carregada ainda de posturas existenciais românticas, e a ascensão do regime republicano; Início oficial (1881): Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) — dando início ao Realismo; O Mulato (Aluísio de Azevedo) — inaugurando o Naturalismo;
  • 8.
    Superação (1893): quandoCruz e Souza publica Missal e Broquéis, iniciando o Simbolismo. A partir daí, o Realismo-Naturalismo coexiste com outras correntes literárias, estendendo-se até o século XX . Só em 1922, com a Semana de Arte Moderna, é que se dá o fim de todos os estilos literários do fim do século passado. Influenciadores do Realismo-Naturalismo no Brasil: Balzac, Flaubert, George Sand, Eça de Queiroz e Antero de Quental, Émile Zola e Eça de Queirós.
  • 9.
    Causas determinantes doRealismo: 1) reação contra o subjetivismo, exagero de imaginação e sentimentalismo românticos; 2) cansaço e esgotamento dos processos românticos; 3) o desenvolvimento científico e industrial: surgem a lâmpada elétrica, o telefone, o telégrafo, o elevador, o automóvel, a máquina rio escrever, o cinema, o microfone, o aço, o telégrafo sem fio, a máquina a vapor, o concreto armado e os primeiros poços de petróleo; 4) o Capitalismo se afirma, dando lugar a uma era de progresso material, luxo e requinte, a qual se denominou Belle Époque (1886 - 1914); 5) o despertar do operariado, o surgimento de sindicatos e movimentos de massa; 6) desenvolvimento da Biologia e da Medicina experimental; 7) ascensão e valorização da psicologia científica.
  • 10.
    Características Gerais doRealismo: 1) preocupação com o mundo exterior, que é apresentado através do relato fiel das personagens: 2) isolamento do sujeito (= o autor) em relação ao objeto (= a obra de arte): o autor despreza os sentimentalismos, desdenha do estado emotivo dos personagens, comportando-se como narrador impessoal e imparcial, indiferente à dor, aos sofrimentos, às paixões humanas; 3)  objetividade: a vida é analisada à luz da ciência, através da seleção e síntese de fatos observados; 4) retrato da vida contemporânea, da corrupção moral da sociedade, dos conflitos entre o homem e a realidade;
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    5) ao poder dodinheiro e à ambição social, já que elevam ou corrompem o indivíduo, transformando-o em simples joguete das condições reais; 6) preocupação com a análise imparcial e o recorte fiel da realidade, evidenciando destaque a clareza, a harmonia e o equilíbrio da composição; 7) universalismo: busca do perene humano, das verdades eternas, no tempo e no espaço, no que tange ao homem, à Natureza e ao Universo (aproximação com o Classicismo); 8) narrativa lenta, porque os pormenores específicos despertam significativo interesse na observação e captação fiel da realidade.
  • 12.
    ROMANTISMO X REALISMOROMANTISMO   fantasia e imaginação criadora; improviso e exagero; retrata o eu do artista; sensibilidade excessiva e melancólica; idealismo e religiosidade; espírito deísta; ideais rnonárquicos. preferência por temas históricos; personagens extraordinárias: semideuses; sentimentos nobres dignidade moral do homem; heróis virtuosos, puros, honestos; predomínio do lirismo. REALISMO   documentação da realidade; criação reflexiva e análise crítica: retrata a vida social; impassibilidade (= anti-sentimentalismo); positivismo e materialismo; espírito científico; ideais republicanos temas contemporâneos: atualidades (séc. XIX); personagens vulgares: o homem comum; instintos perversos ou sádicos; fragilidade e relativismo moral; heróis ambiciosos, egoístas, desumanos; predomínio da novela, do romance documental.
  • 13.
    Características do Naturalismo:realismo fortalecido pelo cientificismo, hereditariedade e determinismos sociais; homem como escravo das paixões e dos instintos, do sangue e dos nervos, estando preso a forças fatais e superiores que lhe determinam o comportamento. Personagens e enredos submetem-se às leis naturais , a uma análise rigorosamente científica;
  • 14.
    preferência pela exploraçãode casos anormais, como anomalias sexuais, vulgaridades, temas-tabu - chocantes e degradantes; mundo como um amplo laboratório social: o ser humano é nivelado a animais inferiores (zoomorfização, como se o homem fosse cobaia em experiência científicas); preocupação reformadora, visando à melhoria das condições do meio e dos homens:
  • 15.
    determinismo radical, comênfase no homem, na raça, no meio e no momento, ou seja, com o fatalismo das forças naturais e sociais pesando sobre o destino das pessoas; aproveitamento de tudo( diferente do realista, que seleciona), não se preocupando em escandalizar, em agredir moralmente o leitor.
  • 16.
    Influências filosóficas ecientíficas: —  Determinismo ( H. Taine ) : analisa-se o homem em função da raça, do meio e do momento histórico: —  Materialismo — a vontade fisiológica determina o comportamento psicológico: a realidade é de natureza exclusivamente material —  Positivismo( Augusto Comte ) : só o conhecimento científico tem condições de explicar a realidade. Despreza-se tudo o que possa sugerir milagre, mistério ,misticismo. —  Mecanicismo : supervalorizam-se as leis da natureza, da Física e da Biologia. Nega-se a superioridade da criatura humana no universo. —  Evolucionismo ( Charles Darwin ) :  transformação progressiva das espécies e seleção natural dentro de um sistema de leis naturais absolutamente definidas.
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  • 18.
    Realismo x Naturalismo:   método de observação da realidade; acumula documentos para retratar a realidade; arte sem compromissos reformistas; cria o romance documental; sentido seletivo e aspiração estética; estilo requintado; retrato tanto o mundo exterior como o interior (análise psicológica); preferência pela narração. NATURALISMO método de experimentação científica; percebe o mundo como um laboratório biossocial; tem preocupação de reformas sociais; desenvolve o romance experimental ou de tese aspectos deploráveis e vulgares da realidade; mais do que a forma, o importante é oferecer “pedaços de vida” apóia-se no mundo exterior e nas ciências naturais, (análise patológica); preferência pela descrição. REALISMO
  • 19.
  • 20.
    Machado de AssisConsiderado por críticos nacionais e internacionais como um dos dez maiores escritores de todos os tempos, Machado de Assis proveio de família humilde, era mestiço e epiléptico e saiu do Morro do Livramento para tornar-se o maior romancista brasileiro, admirado e analisado por gerações sucessivas como exemplo de equilíbrio entre o homem e o espírito.
  • 21.
  • 22.
    Foi tipógrafo, revisorde editora e mais tarde funcionário público, Machado foi autodidata e um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Como poeta, não chegou a ser espetacular, embora suas poesias Círculo Vicioso, A Mosca Azul e a Carolina constem de quase todas as antologias do gênero. Sua vasta obra divide-se em duas fases: Fase Romântica (1861—1878) e Fase Realista (1881—1908).
  • 23.
  • 24.
    Obras: f aseromântica (1861—1878). Romances: Ressurreição (1872). A Mão e a Luva  (1874), helena (1876) e Iaiá Garcia (1S78). Contos: Contos Fluminenses (1870) e Histórias da Meia-Noite (1873). Poesias: Crisálidas (1861), Falenas (1670) e Americanas (1870). Teatro:  Queda que as Mulheres têm para os Tolos  (1861), Caminho da Porta (1863), Quase Ministro (1864), O Protocolo (1864), Os Deuses de Casaca (1868), etc.
  • 25.
    Machado de Assisromântico: –  evita excessos de sentimentalismo, imprimindo às suas obras uma certa contenção emocional, substituindo o amor pela ambição, pela razão e pelo calculismo das atitudes humanas. –  já demonstra algumas características que seriam aprofundados posteriormente, como o gosto psicológico, a análise de costumes, o erotismo e o sensualismo; –  as poesias caracterizam-se pela preocupação formal e pelo desprezo ao sentimentalismo piegas dos românticos; –  preocupa-se em demasia com a trama romanesca, com as peculiaridades estruturais do enredo.
  • 26.
  • 27.
    B) faserealista (1881—1908) Romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas  (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó  (1904), Memorial de Aires (1908). Contos: Papéis Avulsos (1882). Histórias sem Data (1884), Várias histórias (1896), Páginas Recolhidas (1899) e Relíquias da Casa Velha (1906). Poesias: Ocidentais. Crônica:  (póstuma): A Semana (1914). Critica:  (póstuma): Crítica Literária (1937), Crítica Teatral (1937).
  • 28.
    Machado de Assisrealista: o enredo de seus romances é relegado a segundo plano, porque a ação se transfere para o mundo interior para a historia profunda do comportamento humano (análise psicológica); seus personagens deixam-se consumir pelo egoísmo e pela ambição desenfreada; cada personagem constitui um mundo fechado que só se revela quando o autor, procedendo ironicamente, retira a capa de hipocrisia com que as pessoas escondem a verdadeira personalidade;
  • 29.
    Romances realistas deMachado de Assis      Memórias Póstumas de Brás Cubas   (1881) – narrado supostamente por um defunto autor, através do qual o verdadeiro autor revela o que pensa da vida e dos homens.      Quincas Borba (1891)  – narrado em 3 ª pessoa, retrata o fim de um filósofo demente e seu amor por um cão a quem empresta o nome. Rubião, o herdeiro de Quincas Borba, é simplesmente um ingênuo e vaidoso rico que se acaba na miséria, depois de ter sido explorado por amigos, principalmente pelo esposo de Sofia, a mulher que o levou à destruição.    Dom Casmurro (1899) – suposto caso de adultério que narrado pelo protagonista — Bentinho — que , consumido pela idéia de ter sido traído por Capitu — sua esposa — com o melhor amigo do casal — Escobar — reconstrói sua vida unindo as duas pontas da existência — a infância e a velhice.  
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      Esaú eJacó (1904) – história de um casal de gêmeos rivais, suas relações familiares, sentimentais e envolvimentos amorosos. Culmina com o juramento de amizade que ambos fazem à mãe enferma.    Memorial de Aires (1908) – narrado em forma de diário pelo Conselheiro Aires, Machado humaniza-se e espiritualiza-se, retratando a felicidade e a vida cotidiana de um casal.
  • 31.
    Características de Machadode Assis:   introspecção, análise sutil dos problemas psicológicos; uso clássico do idioma, estilo conciso e cristalino, simplicidade, harmonia e colocação precisa das palavras; preocupação com as angústias e com os problemas morais do ser humano; ironia e humor, que podem provocar risos e lágrimas; pessimismo: ridiculariza a vida e mostra-se desencantado diante dela; uso da ironia como arma para desvendar a verdadeira personalidade de seus personagens; antecipação do romance modernista pelas autocríticas que faz como narrador e pelo rompimento da estrutura linear da narrativa.
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    a intriga nosromances realistas gira quase sempre em torno a ocorrências banais; temas principais: o adultério; a preocupação com a opinião pública e os valores sociais; o parasitismo social; o egoísmo, a vaidade, o interesse; a hipocrisia – a aparência sobrepondo-se à realidade; a sordidez e mediocridade do homem, na impossibilidade de agir com dignidade; a sensibilidade ou dissimulação feminina; a confusão entre a razão e a loucura; o instinto e o subconsciente como forças determinantes dos atos humanos.