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REALISMO E NATURALISMO
O mundo de cavaleiros destemidos, de 
virgens ingênuas e frágeis, e o ideal de uma vida 
primitiva, distante da civilização, tudo isso 
terminara. A segunda metade do século XIX 
presencia profundas modificações no modo de 
pensar e agir das pessoas. No plano das idéias, 
surgem inúmeras correntes científicas, que 
procuram explicar fenômenos sociais, naturais e 
psicológicos à luz de teorias materialistas. No plano 
da ação, vive-se a segunda etapa da Revolução 
Industrial, cujas contradições sociais começam a 
aparecer.
A arte e a literatura refletem essas mudanças. 
Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um 
enorme interesse em descrever, analisar e até em 
criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da 
realidade é substituída pela visão que procura ser 
objetiva, fiel, sem distorções. Em lugar de fugir à 
realidade, os realistas procuram apontar suas falhas 
como forma de estimular a mudança das instituições e 
dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, 
surgem pessoas comuns, cheias de problemas e 
limitações como qualquer um de nós.
Na Europa, esses movimentos tiveram 
início, respectivamente, com a publicação do 
romance realista Madame Bovary (1857), de 
Gustave Flaubert e do romance naturalista 
Thérèse Raquin (1867), de Émile Zola. 
No Brasil, esses movimentos tiveram 
início, respectivamente, com a publicação do 
romance realista Memórias póstumas de Brás 
Cubas (1881), de Machado de Assis e do 
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Azevedo
O estilo realista fixa-se na realidade do 
homem em sociedade, cercado de problemas 
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científicas da época (Positivismo, Determinismo, 
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Realismo, focalizando o homem como produto de 
leis físicas e sociais. O romance naturalista é 
marcado pela análise social a partir de grupos 
marginalizados em que o homem se torna produto 
do meio. Denunciou a hipocrisia e a degradação 
dos seres humanos, a decadência das instituições 
e as lutas sociais. O homem nessa perspectiva é 
caracterizado como animal cujo destino é 
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que vive. Impossibilitado de direcionar sua vida, 
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REALISMO E NATURALISMO

  • 2. O mundo de cavaleiros destemidos, de virgens ingênuas e frágeis, e o ideal de uma vida primitiva, distante da civilização, tudo isso terminara. A segunda metade do século XIX presencia profundas modificações no modo de pensar e agir das pessoas. No plano das idéias, surgem inúmeras correntes científicas, que procuram explicar fenômenos sociais, naturais e psicológicos à luz de teorias materialistas. No plano da ação, vive-se a segunda etapa da Revolução Industrial, cujas contradições sociais começam a aparecer.
  • 3. A arte e a literatura refletem essas mudanças. Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse em descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão que procura ser objetiva, fiel, sem distorções. Em lugar de fugir à realidade, os realistas procuram apontar suas falhas como forma de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações como qualquer um de nós.
  • 4. Na Europa, esses movimentos tiveram início, respectivamente, com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert e do romance naturalista Thérèse Raquin (1867), de Émile Zola. No Brasil, esses movimentos tiveram início, respectivamente, com a publicação do romance realista Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis e do romance naturalista O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo
  • 5. O estilo realista fixa-se na realidade do homem em sociedade, cercado de problemas cotidianos e rotineiros. O foco de atenção é a estrutura social, descrita em todas as suas peculiaridades, identificando interesses, valores e mudanças. A preocupação em conhecer a sociedade, revelar seu funcionamento e os conflitos que ela gera torna a produção artística e literária analítica, desconfiada e desmistificadora.
  • 6. Características da linguagem da prosa realista © Objetivismo © Precisão do tempo e espaço © Narrativa lenta © Tipos concretos não idealizados © Introspecção psicológica © Desmistificação do amor romântico © Universalismo © Contemporaneidade © Valoriza a família (triângulo amoroso) © de observação © Casamento como arranjo conveniente © O protagonista é “anti-herói” © Os valores entram em crise perante o mundo degradado © Crítica aos valores e às instituições decadentes da sociedade burguesa
  • 7. Realismo Romantismo Objetivismo Subjetivismo Descrição e adjetivação objetivas, tentando captar o real como ele é Descrições e adjetivação idealizantes Mulher não idealizada Mulher idealizada Amor e outros sentimentos subordinados aos interesses sociais. Amor sublime e puro, acima de qualquer interesse Herói problemático, cheio de fraquezas, manias e incertezas Herói íntegro Narrativa lenta, acompanhando o tempo psicológico Narrativa de ação e aventura Personagens trabalhadas psicologicamente Personagens planas Universalismo Individualismo, culto do eu
  • 8. O estilo naturalista, baseado em teorias científicas da época (Positivismo, Determinismo, Darwinismo), irá aprofundar alguns aspectos do Realismo, focalizando o homem como produto de leis físicas e sociais. O romance naturalista é marcado pela análise social a partir de grupos marginalizados em que o homem se torna produto do meio. Denunciou a hipocrisia e a degradação dos seres humanos, a decadência das instituições e as lutas sociais. O homem nessa perspectiva é caracterizado como animal cujo destino é determinado pela hereditariedade e pelo meio em que vive. Impossibilitado de direcionar sua vida, fica a mercê das influências sociais que o cercam.
  • 9. Característica da linguagem da prosa naturalista ¨Determinismo do meio e do momento ¨Determinismo do instinto ¨Determinismo da hereditariedade ¨Determinismo patológico ¨Crítica social ¨Exatidão nas descrições ¨Apelo à minúcia ¨Linguagem simples e coloquial ¨Descrição e narrativa lentas ¨Impessoalidade ¨Zoomorfismo
  • 10. Realismo Naturalismo Origem na França (1857) Origem na França (1867) Romance documental Romance experimental Acumula documentos, fotografa a realidade Imagina experiência que remetem a conclusões Arte desinteressada, impassibilidade Arte engajada, de denúncia Seleciona temas Detém-se nos aspectos mais degradantes Reproduz a realidade exterior, bem como a interior, análise psicológica Centra-se nos aspectos exteriores: atos, gestos, ambientes Volta-se para a psicologia do indivíduo Prefere a biologia, a patologia, centra-se no social
  • 11. Retrata as classes dominantes, a alta burguesia urbana. Espelha as camadas inferiores, o proletariado, os marginais. É indireto na interpretação: o leitor tira as suas conclusões. É direto na interpretação: expõe conclusões, cabendo ao leitor aceitá-las ou discuti-las. Grande preocupação com o estilo. O estilo é relegado a segundo plano: no primeiro, a denúncia.
  • 12. Representantes e Obras + Machado de Assis Memórias póstumas de Brás Cubas Quincas Borba Dom Casmurro Esaú e Jacó Memorial de Aires
  • 13. +Aluísio Azevedo O Mulato Casa de Pensão O Cortiço +Raul Pompéia O Ateneu Canções sem Metro