Parnasianismo e Simbolismo
Características e principais autores
Parnasianismo e principais autores no Brasil
Contexto (final da década de 1870)
• Parnassus: morada das musas (mitologia):
▫ Antiguidade clássica (greco-romana).
• Ideais antirromânticos:
▫ Objetividade no trato dos temas;
▫ Culto da forma.
• Traços:
▫ Descrição nítida;
▫ Visão tradicionalista da forma (metro, rima,
ritmo);
▫ Ideal da impessoalidade → realismo.
 Mimese pela mimese = arte pela arte.
Características
• Objetividade temática:
▫ Negação do sentimentalismo romântico;
• Impassibilidade + Impessoalidade;
• Perfeição formal → racionalismo:
▫ Fatos, paisagens, objetos exóticos;
▫ Amor carnal;
▫ Preferência pelo soneto.
Principais autores (Brasil)
• Alberto de Oliveira (poeta dos vasos);
• Raimundo Correia (poeta das pombas);
• Olavo Bilac (nacionalista);
• Francisca Júlia (musa impassível);
• Vicente Carvalho (poeta do mar).
Tríade
Parnasiana
Alberto de Oliveira
• Composição do quadro: cena/retrato;
• Arte pela arte → tentativa de desfazer-se do
compromisso com os níveis da existência (busca
pela impessoalidade):
▫ Concentra-se na reprodução de objetos
decorativos;
• Fidelidade a leis métricas;
• Fetichismo do objeto;
• Alheio a problemas nacionais.
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio;
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio [...]
(Vaso Chinês)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
(Vaso Grego)
É um velho paredão, todo gretado.
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco musgo em cada fenda.
(O muro)
Temática decorativa
(objetos ornamentais).
Descrição objetiva, mas não
completamente impassível.
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio;
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio [...]
(Vaso Chinês)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
(Vaso Grego)
É um velho paredão, todo gretado.
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco musgo em cada fenda.
(O muro)
Temática decorativa
(objetos ornamentais).
Descrição objetiva, mas não
completamente impassível.
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio;
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio [...]
(Vaso Chinês)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
(Vaso Grego)
É um velho paredão, todo gretado.
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco musgo em cada fenda.
(O muro)
Temática decorativa
(objetos ornamentais).
Descrição objetiva, mas não
completamente impassível.
OBJETO
DESCRIÇÃO
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio;
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio [...]
(Vaso Chinês)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
(Vaso Grego)
É um velho paredão, todo gretado.
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco musgo em cada fenda.
(O muro)
Temática decorativa
(objetos ornamentais).
Descrição objetiva, mas não
completamente impassível.
OBJETO
DESCRIÇÃO
A
B
A
B
Esquema de rimas
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio;
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio [...]
(Vaso Chinês)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
(Vaso Grego)
É um velho paredão, todo gretado.
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco musgo em cada fenda.
(O muro)
Temática decorativa
(objetos ornamentais).
Descrição objetiva, mas não
completamente impassível.
OBJETO
DESCRIÇÃO
A
B
A
B
Esquema de rimas
Busca por rimas preciosas: Pronome + adjetivo
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio;
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio [...]
(Vaso Chinês)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
(Vaso Grego)
É um velho paredão, todo gretado.
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco musgo em cada fenda.
(O muro)
Temática decorativa
(objetos ornamentais).
Descrição objetiva, mas não
completamente impassível.
OBJETO
DESCRIÇÃO
A
B
A
B
Esquema de rimas
Busca por rimas preciosas: Pronome + adjetivo
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Versos decassílabos
Ser palmeira! Existir num píncaro azulado,
Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando;
Dar ao sopro do mar o seio perfumado,
Ora os leques abrindo, ora os leques fechando;
[...]
E isto que aqui não digo então dizer: - que te amo,
Mãe natureza! Mas de modo tal que o entendas,
Como entendes a voz do pássaro no ramo
E o eco que têm no oceano as borrascas tremendas.
(Aspiração)
Natureza exaltada → visão trazida pela tradição romântica.
Descrição da paisagem (tema parnasiano), rigidez da forma
+ fascínio poético pela natureza.
Raimundo Correia
• + “sensível” → combinações semânticas e
musicais;
▫ Sensações / sinestesia;
▫ Pessimismo;
▫ Cadências pré-simbolistas.
Raia sanguínea e fresca a madrugada (As pombas)
As cabeleiras líquidas ondulam (Missa Universal)
Por céus de ouro e de púrpura raiados (Anoitecer)
De um sanguinoso abutre a rubra garra viva (O povo)
Esta, de fel mesclada e de doçura,
Melancolia augusta e vespertina,
Que, com a sombra, avulta, cresce, invade
E enche de luto a natureza inteira...
Esse outro bardo, o sabiá, não trina
Nos galhos de cheirosa laranjeira;
E, ao silêncio e ao torpor cedendo, cerra
O dia os olhos no Ocidente absortos;
E fuma um negro incenso,
Que envolve toda a terra
- Sepultura comum, túmulo imenso,
Dos vivos e dos mortos...
[...]
(Harmonias de uma noite de verão)
Olavo Bilac
• Exaltado nacionalismo;
• “Indiferença” → viabiliza o trato de diferentes
temas como exercício literário;
• “Chave de ouro” → fim do poema = acorde de
efeito.
• Real fantasia artística + sentimento da condição
humana sob um prisma descritivo.
Na maior alegria andar chorando (son. VI)
Capaz de ouvir e de entender estrelas (XIII)
Saiba, chorando, traduzir no verso (XXV)
Como um jorro de lágrimas ardentes(XXIX)
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase, e enfim,
No verso de ouro engasta a rima.
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito.
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena forma.
(Profissão de Fé)
Poema metalinguístico.
Fechamento de “efeito”
Francisca Júlia
• Fidelidade e rigidez;
• + próxima da impassibilidade parnasiana.
Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
(Musa Impassível)
Vicente de Carvalho
• Parnasiano convicto → rigor formal + atitude
antirromântica;
• Poeta naturista (visão da natureza).
Ao pôr do Sol, pela tristeza
Da meia-luz crepuscular,
Tem a toada de uma reza
A voz do mar.
Aumenta, alastra e desce pelas
Rampas dos morros, pouco a pouco,
O ermo de sombra, vago e oco,
Do céu sem sol e sem estrelas.
Tudo amortece; a tudo invade
Uma fadiga, um desconforto...
Como a infeliz serenidade
Do embaciado olhar de um morto.
(Sugestões do crepúsculo)
Vicente de Carvalho
• Parnasiano convicto → rigor formal + atitude
antirromântica;
• Poeta naturista (visão da natureza).
Ao pôr do Sol, pela tristeza
Da meia-luz crepuscular,
Tem a toada de uma reza
A voz do mar.
Aumenta, alastra e desce pelas
Rampas dos morros, pouco a pouco,
O ermo de sombra, vago e oco,
Do céu sem sol e sem estrelas.
Tudo amortece; a tudo invade
Uma fadiga, um desconforto...
Como a infeliz serenidade
Do embaciado olhar de um morto.
(Sugestões do crepúsculo)
Imagens da natureza +
ressonâncias psicológicas.
Situação objetiva (crepúsculo)
Reação diversa (estímulo
exterior, resposta humana)
Simbolismo e principais autores no Brasil
Simbolismo
• Reação ao positivismo e ao materialismo:
▫ Parnasianismo: representava o pensamento da
classe burguesa + privilegiada. Estilo das camadas
dirigentes.
▫ Simbolismo: movimento de oposição ao
pensamento vigente.
• Valorização do interior humano e de valores
transcendentais:
▫ O Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado.
• Contra a “objetificação” do sujeito;
• Resgate do símbolo.
• Brasil → pouca repercussão.
Além do significado.
Evoca, traz à imaginação,
admite interpretação.
Antecipa movimentos de vanguarda (modernistas)
Características
• Subjetividade → íntimo, interior;
• Intuição, espiritualidade, místico;
• Anseios, estados da alma;
• “Religião do verbo”:
▫ Musicalidade:
▫ Assonância/aliteração, ritmo, ecos, rimas
internas;
▫ Sinestesia → mistura de sentidos;
• Referências ao vago, misterioso, místico,
nebuloso;
• “Poesia existencial”.
Cruz e Sousa
• Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas
dificuldades e pela doença (tuberculose);
• Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano;
• Jogos de sons, sentidos e palavras
Vozes, veladas, veladoras, vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vogam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
(Violões que choram)
E fria, fluente, frouxa claridade
flutua como as brumas de um letargo...
(Lua)
Cruz e Sousa
• Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas
dificuldades e pela doença (tuberculose);
• Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano;
• Jogos de sons, sentidos e palavras
Vozes, veladas, veladoras, vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vogam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
(Violões que choram)
E fria, fluente, frouxa claridade
flutua como as brumas de um letargo...
(Lua)
ALITERAÇÃO
Cruz e Sousa
• Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas
dificuldades e pela doença (tuberculose);
• Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano;
• Jogos de sons, sentidos e palavras
Vozes, veladas, veladoras, vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vogam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
(Violões que choram)
E fria, fluente, frouxa claridade
flutua como as brumas de um letargo...
(Lua)
ALITERAÇÃO
RIMAS INTERNAS
Alphonsus de Guimaraens
• Pouca variação temática:
▫ Presença constante da morte da amada;
▫ Natureza, arte e religião;
▫ Amor e misticismo.
Meus pobres sonhos que sonhei, já tão sonhados,
Que vento de desdita e de luto vos leva?
Que fúria de pavor, sedenta de pecados,
Vos guia em turbilhões de poeira e treva?
(Pobres sonhos)
Ontem, à meia-noite, estando junto
A uma igreja, lembrei-me de ter visto
Um velho que levava às costas isto:
Um caixão de defunto.
(O Leito)
Cynthia Funchal
http://www.portuguesatodaprova.com.br
• A reprodução, alteração e utilização dos slides e textos é livre para fins
didáticos, porém, recomenda-se a citação da fonte. É expressamente
proibida, para distribuição comercial, a veiculação deste material.

Parnasianismo e Simbolismo

  • 1.
  • 2.
    Parnasianismo e principaisautores no Brasil
  • 3.
    Contexto (final dadécada de 1870) • Parnassus: morada das musas (mitologia): ▫ Antiguidade clássica (greco-romana). • Ideais antirromânticos: ▫ Objetividade no trato dos temas; ▫ Culto da forma. • Traços: ▫ Descrição nítida; ▫ Visão tradicionalista da forma (metro, rima, ritmo); ▫ Ideal da impessoalidade → realismo.  Mimese pela mimese = arte pela arte.
  • 4.
    Características • Objetividade temática: ▫Negação do sentimentalismo romântico; • Impassibilidade + Impessoalidade; • Perfeição formal → racionalismo: ▫ Fatos, paisagens, objetos exóticos; ▫ Amor carnal; ▫ Preferência pelo soneto.
  • 5.
    Principais autores (Brasil) •Alberto de Oliveira (poeta dos vasos); • Raimundo Correia (poeta das pombas); • Olavo Bilac (nacionalista); • Francisca Júlia (musa impassível); • Vicente Carvalho (poeta do mar). Tríade Parnasiana
  • 6.
    Alberto de Oliveira •Composição do quadro: cena/retrato; • Arte pela arte → tentativa de desfazer-se do compromisso com os níveis da existência (busca pela impessoalidade): ▫ Concentra-se na reprodução de objetos decorativos; • Fidelidade a leis métricas; • Fetichismo do objeto; • Alheio a problemas nacionais.
  • 7.
    Estranho mimo aquelevaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível.
  • 8.
    Estranho mimo aquelevaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível.
  • 9.
    Estranho mimo aquelevaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO
  • 10.
    Estranho mimo aquelevaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO A B A B Esquema de rimas
  • 11.
    Estranho mimo aquelevaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO A B A B Esquema de rimas Busca por rimas preciosas: Pronome + adjetivo
  • 12.
    Estranho mimo aquelevaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO A B A B Esquema de rimas Busca por rimas preciosas: Pronome + adjetivo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Versos decassílabos
  • 13.
    Ser palmeira! Existirnum píncaro azulado, Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando; Dar ao sopro do mar o seio perfumado, Ora os leques abrindo, ora os leques fechando; [...] E isto que aqui não digo então dizer: - que te amo, Mãe natureza! Mas de modo tal que o entendas, Como entendes a voz do pássaro no ramo E o eco que têm no oceano as borrascas tremendas. (Aspiração) Natureza exaltada → visão trazida pela tradição romântica. Descrição da paisagem (tema parnasiano), rigidez da forma + fascínio poético pela natureza.
  • 14.
    Raimundo Correia • +“sensível” → combinações semânticas e musicais; ▫ Sensações / sinestesia; ▫ Pessimismo; ▫ Cadências pré-simbolistas. Raia sanguínea e fresca a madrugada (As pombas) As cabeleiras líquidas ondulam (Missa Universal) Por céus de ouro e de púrpura raiados (Anoitecer) De um sanguinoso abutre a rubra garra viva (O povo)
  • 15.
    Esta, de felmesclada e de doçura, Melancolia augusta e vespertina, Que, com a sombra, avulta, cresce, invade E enche de luto a natureza inteira... Esse outro bardo, o sabiá, não trina Nos galhos de cheirosa laranjeira; E, ao silêncio e ao torpor cedendo, cerra O dia os olhos no Ocidente absortos; E fuma um negro incenso, Que envolve toda a terra - Sepultura comum, túmulo imenso, Dos vivos e dos mortos... [...] (Harmonias de uma noite de verão)
  • 16.
    Olavo Bilac • Exaltadonacionalismo; • “Indiferença” → viabiliza o trato de diferentes temas como exercício literário; • “Chave de ouro” → fim do poema = acorde de efeito. • Real fantasia artística + sentimento da condição humana sob um prisma descritivo. Na maior alegria andar chorando (son. VI) Capaz de ouvir e de entender estrelas (XIII) Saiba, chorando, traduzir no verso (XXV) Como um jorro de lágrimas ardentes(XXIX)
  • 17.
    Torce, aprimora, alteia,lima A frase, e enfim, No verso de ouro engasta a rima. Como um rubim. Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina Sem um defeito. Assim procedo. Minha pena Segue esta norma, Por te servir, Deusa serena, Serena forma. (Profissão de Fé) Poema metalinguístico. Fechamento de “efeito”
  • 18.
    Francisca Júlia • Fidelidadee rigidez; • + próxima da impassibilidade parnasiana. Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero Luto jamais te afeie o cândido semblante! Diante de Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero. Em teus olhos não quero a lágrima; não quero Em tua boca o suave e idílico descante. Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante, Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero. (Musa Impassível)
  • 19.
    Vicente de Carvalho •Parnasiano convicto → rigor formal + atitude antirromântica; • Poeta naturista (visão da natureza). Ao pôr do Sol, pela tristeza Da meia-luz crepuscular, Tem a toada de uma reza A voz do mar. Aumenta, alastra e desce pelas Rampas dos morros, pouco a pouco, O ermo de sombra, vago e oco, Do céu sem sol e sem estrelas. Tudo amortece; a tudo invade Uma fadiga, um desconforto... Como a infeliz serenidade Do embaciado olhar de um morto. (Sugestões do crepúsculo)
  • 20.
    Vicente de Carvalho •Parnasiano convicto → rigor formal + atitude antirromântica; • Poeta naturista (visão da natureza). Ao pôr do Sol, pela tristeza Da meia-luz crepuscular, Tem a toada de uma reza A voz do mar. Aumenta, alastra e desce pelas Rampas dos morros, pouco a pouco, O ermo de sombra, vago e oco, Do céu sem sol e sem estrelas. Tudo amortece; a tudo invade Uma fadiga, um desconforto... Como a infeliz serenidade Do embaciado olhar de um morto. (Sugestões do crepúsculo) Imagens da natureza + ressonâncias psicológicas. Situação objetiva (crepúsculo) Reação diversa (estímulo exterior, resposta humana)
  • 21.
    Simbolismo e principaisautores no Brasil
  • 22.
    Simbolismo • Reação aopositivismo e ao materialismo: ▫ Parnasianismo: representava o pensamento da classe burguesa + privilegiada. Estilo das camadas dirigentes. ▫ Simbolismo: movimento de oposição ao pensamento vigente. • Valorização do interior humano e de valores transcendentais: ▫ O Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado. • Contra a “objetificação” do sujeito; • Resgate do símbolo. • Brasil → pouca repercussão. Além do significado. Evoca, traz à imaginação, admite interpretação. Antecipa movimentos de vanguarda (modernistas)
  • 23.
    Características • Subjetividade →íntimo, interior; • Intuição, espiritualidade, místico; • Anseios, estados da alma; • “Religião do verbo”: ▫ Musicalidade: ▫ Assonância/aliteração, ritmo, ecos, rimas internas; ▫ Sinestesia → mistura de sentidos; • Referências ao vago, misterioso, místico, nebuloso; • “Poesia existencial”.
  • 24.
    Cruz e Sousa •Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas dificuldades e pela doença (tuberculose); • Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano; • Jogos de sons, sentidos e palavras Vozes, veladas, veladoras, vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vogam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram) E fria, fluente, frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo... (Lua)
  • 25.
    Cruz e Sousa •Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas dificuldades e pela doença (tuberculose); • Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano; • Jogos de sons, sentidos e palavras Vozes, veladas, veladoras, vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vogam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram) E fria, fluente, frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo... (Lua) ALITERAÇÃO
  • 26.
    Cruz e Sousa •Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas dificuldades e pela doença (tuberculose); • Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano; • Jogos de sons, sentidos e palavras Vozes, veladas, veladoras, vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vogam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram) E fria, fluente, frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo... (Lua) ALITERAÇÃO RIMAS INTERNAS
  • 27.
    Alphonsus de Guimaraens •Pouca variação temática: ▫ Presença constante da morte da amada; ▫ Natureza, arte e religião; ▫ Amor e misticismo. Meus pobres sonhos que sonhei, já tão sonhados, Que vento de desdita e de luto vos leva? Que fúria de pavor, sedenta de pecados, Vos guia em turbilhões de poeira e treva? (Pobres sonhos) Ontem, à meia-noite, estando junto A uma igreja, lembrei-me de ter visto Um velho que levava às costas isto: Um caixão de defunto. (O Leito)
  • 28.
    Cynthia Funchal http://www.portuguesatodaprova.com.br • Areprodução, alteração e utilização dos slides e textos é livre para fins didáticos, porém, recomenda-se a citação da fonte. É expressamente proibida, para distribuição comercial, a veiculação deste material.