GESTÃO DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

            PROFESSOR DOUTOR JORGE SERRANO




 MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO NA ESPECIALIDADE DE
                   EDUCAÇÃO ESPECIAL

      ESCOLA SUPERIOR DE EDUCÃO ALMEIDA GARRET

      MESTRANDA: Maria Cândida de Amorim Gomes da Cruz

                        abril de 2012
INTRÓITO (Decreto-lei nº 3/2008 de 7 de janeiro, Artigo 9º,ponto 2):

     “ O modelo do programa educativo individual integra os indicadores de
     funcionalidade, bem como os factos ambientais que funcionam como facilitadores ou
     como barreiras à actividade e participação do aluno na vida escolar, obtidos por
     referência à Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, em
     termos que permitam identificar o perfil concreto de funcionalidade.”



                         AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FREI GONÇALO DE AZEVEDO

                     MATRIZ PARA ELABORAÇÃO DO PROGRAMA EDUCATIVO INDIVIDUAL

                                                    Ano letivo 2012/2013




 Elementos a ter em conta na elaboração do P.E.I.                     Indicadores           Observações




Identificação do Aluno                                       Nome

                                                             Data de Nascimento

                                                             Morada

                                                             Nível de ensino

                                                             Ano de escolaridade

                                                             Turma




História Escolar                                             Resumo da história escolar e
                                                             pessoal

                                                             Antecedentes relevantes
Perfil de funcionalidade do aluno     Nível de aquisições

                                      Nível de dificuldades

                                      Nível de participação nas
                                      atividades educativas

                                      Fatores ambientais*
                                                                        *facilitadores
                                                                        ou impeditivos
                                                                        da participação
                                                                        e
                                                                        aprendizagem




Medidas educativas a implementar no   Adequações curriculares
processo de ensino aprendizagem       individuais

                                      Apoio Pedagógico personalizado

                                      Currículo específico individual

                                      Outras adequações, de acordo
                                      com o perfil do aluno




Responsáveis pelas respostas          Identificação dos profissionais
educativas
                                      Funções que desempenham

                                      Distribuição horária



Implementação e avaliação do P.E.I.   Início da implementação do        *Avaliação:
                                      P.E.I.
                                                                        explicitação de
                                      Avaliação do P.E.I. *             critérios;
                                                                        intervenientes;
                                      Indicação de estratégias          instrumentos
                                      promotoras de uma adequada        de avaliação;
                                      transição entre ciclos            datas de
                                                                        atualização
Elaboração e homologação                         Identificação e assinatura do
                                                 profissional

                                                 Identificação e assinatura do
                                                 responsável pela coordenação
                                                 do P.E.I.

                                                 Assinatura do presidente do
                                                 Conselho Pedagógico

                                                 Homologação pela Direção
                                                 Escolar

                                                 Assinatura do Encarregado de       *O E.E. faz
                                                 Educação*                          parte integrante
                                                                                    do processo,
                                                                                    por isso o seu
                                                                                    acordo é
                                                                                    fundamental




    Definição de Aprendizagem:

    “Qualquer mudança relativamente permanente no comportamento, que ocorre como
    resultado da experiência”

                                                                  ( Robbins 1996)




        As cinco fases do Arco da Aprendizagem

        No quadro de entendimento da aprendizagem como sistema de processamento de
        informação, importa enunciar e descrever brevemente as cinco fases do Arco da
        Aprendizagem. São elas:

       a) Receção da informação. Consiste na entrada de informação na memória de
           curto prazo através das vias sensoriais;
b) Compreensão. Consiste na transposição da informação da memória de curto
   prazo para a memória de longo prazo, atribuindo-se-lhe um significado pessoal.
   A compreensão é essencial para a aprendizagem, implicando a aprendizagem
   significativa uma memorização significativa.
c) Integração. Consiste na passagem da informação da aprendizagem da memória
   de curto prazo para a memória de longo prazo, cumprindo-se assim o primeiro
   ciclo da aprendizagem: o ciclo da aquisição da informação.
d) Evocação. Consiste na seleção da informação mais adequada, “armazenada” na
   memória de longo prazo, para responder a perguntas ou resolver problemas. Este
   processo implica a utilização das subclasses cognitivas (memória e raciocínio)
   que asseguram o tratamento interno da informação. Destas duas subclasses, os
   processos do raciocínio (mais rico que a memória) são a seleção da informação e
   a seleção e a combinação da informação. O raciocínio hipotético, por oposição
   ao raciocínio linear, é, em termos de desenvolvimento cognitivo, mais rico na
   medida em que gera hipótese de resposta.
e) Resposta e desempenho. Consiste na exteriorização do trabalho mental
   desenvolvido pelo raciocínio, na fase da evocação. Este trabalho mental é
   interno e não é observável.




   Conceito de Necessidades educativas especiais
   O ser humano, para aprender, tem que lidar com capacidades vocacionadas para
   processar a informação. Quando, de alguma forma, ao processar essa
   informação, não o faz eficazmente, podemos então dizer que apresenta uma
   necessidade educativa especial. As capacidades cognitivas, motoras e sensoriais
   possibilitam que se faça uma aprendizagem dita “normal”, uma vez que estas
   capacidades dão entrada respetivamente à informação e asseguram a aplicação
   da informação (são estes os três grandes tipos de processamento da informação).
   Quando, de alguma forma, o aluno apresenta dificuldades num destes três
   processos, pode afirmar-se que tem necessidades educativas especiais. É
   imperativo então que se encontrem as necessárias estratégias de compensação ou
   estratégias alternativas para que o aluno assegure, no caso de apresentar
   problemas sensoriais, a entrada da informação; no caso de manifestar problemas
   cognitivos, o tratamento da informação; caso o seu problema seja motor, a
aplicação da informação. Podemos afirmar que as necessidades educativas
especiais configuram problemas decorrentes de disfunções nas capacidades de
aprendizagem (motoras, cognitivas e sensoriais).


Recurso às estratégias de compensação junto de alunos com necessidades
educativas especiais
O recurso às estratégias de compensação junto de alunos com necessidades
educativas especiais tem por finalidade permitir a inclusão, “derrubando
barreiras à participação”. É fundamental igualizar oportunidades de participação
que permitam colmatar os efeitos das disfunções de uma ou mais capacidades no
seu processo de aprendizagem. Esta igualização de oportunidades de
participação passa inevitavelmente pela adoção de procedimentos didáticos na
prática letiva ( e não letiva) a levar a cabo junto dos alunos com necessidades
educativas especiais.


Existem múltiplas estratégias de compensação junto destes alunos que permitem
minimizar os efeitos das disfunções de uma ou mais capacidade no processo de
aprendizagem.


As capacidades sensoriais servem para assegurar a entrada da informação, as
capacidades cognitivas e suas subclasses asseguram o tratamento interno da
informação. De entre as subclasses cognitivas, a atenção irá assegurar a
compreensão; a memória a integração (armazenamento da informação) e o
raciocínio irá assegurar a invocação.


As capacidades motoras são igualmente importantes na medida em que
asseguram a aplicação da informação (a resposta). A motrocidade (fonadora,
manual e global) permite essa resposta ou desempenho em boas condições. Por
outro lado, a disfunção presente numa destas três capacidades pode
comprometer o processo de aprendizagem, uma vez que não permite que se
estabeleça a comunicação, processo no qual circula a informação que irá ser ou
não processada através das capacidades sensoriais, cognitivas e motoras que dão
entrada a essa informação. Asseguram o seu tratamento e a sua aplicação.
Junto dos alunos com problemas na entrada da informação (problemas
sensoriais), as estratégias de compensação podem passar pelo recurso à
valorização de outros canais opcionais. Para as crianças surdas, por exemplo, a
visão e/ou o tato podem funcionar como canais de receção da informação e
facultar-lhes a participação e a aprendizagem. No primeiro caso, a receção da
informação far-se-á à distância e, no segundo caso, a receção da informação
processa-se através do contato.


Já os alunos com disfunções cognitivas têm dificuldades no processamento
interno da informação (na compreensão, integração e evocação). Estas
disfunções comprometem mais as aprendizagens do que as disfunções
sensoriais, já que uma deficiente compreensão, memorização e organização das
respostas põem em causa o processo, devido a problemas na atenção, memória
e/ou raciocínio. As estratégias de compensação para os alunos com disfunções
do domínio cognitivo passam pelo desenvolvimento das capacidades motoras e
sensoriais, valorizando-se mais estas capacidades, com a implementação de
estratégias (figurativas, por exemplo) que permitam ao aluno partir do concreto
para o abstrato, possibilitando-se consequentemente a apropriação dos saberes
escolares.


Por fim, as disfunções motoras (convém não esquecer que a motrocidade
assegura a aplicação da informação, logo um bom desempenho) contribuem para
as dificuldades de resposta (oral ou escrita), independentemente de o aluno
apresentar as outras duas capacidades bastante desenvolvidas. Para estes casos, é
fundamental que o espaço de aprendizagem disponha de meios técnicos ou
outros que permitam a sua inclusão. As escolas inclusivas adaptam o seu
funcionamento e organização às características destes alunos, permitindo desta
forma o acesso à informação e a consequente aprendizagem.


Relevância da fase da compreensão no processo de aprendizagem


No processo de aprendizagem, todas as cinco fases são importantes, sendo a
última fase aquela em que, através da resposta ou do desempenho, se
consubstancia a aprendizagem. No entanto, a fase da compreensão no processo
de aprendizagem torna-se bastante relevante porque, ao atribuirmos um
significado pessoal à informação que recebemos, estamos a compreender, logo a
aprender.


Por vezes, quando existem dificuldades a este nível por parte dos alunos, torna-
se necessário encontrar estratégias, proporcionando por exemplo mais
informação de modo a que o aluno consiga de facto atribuir à sua aprendizagem
um significado pessoal. Enquanto a memória a longo prazo retém uma grande
quantidade de informação de forma inconsciente, a memória de curto prazo
guarda a informação (através das vias sensoriais) de forma consciente, sendo
necessárias as duas no processo da aprendizagem. Importa contudo procurar
selecionar a informação contida na memória de longo prazo e torná-la
consciente na memória de curto prazo. Por outro lado, “aprender” implica
estratégias que permitam a passagem da informação para a memória a longo
prazo, através da compreensão (atribuição de significado pessoal). Se assim não
for, a informação pode perder-se, situação que, dadas as políticas educativas em
vigor (com o fim previsível do Estudo Acompanhado, por exemplo) pode vir a
tornar-se uma realidade mais constrangedora, na medida em que o aluno é
desresponsabilizado pelas suas próprias estratégias de aprendizagem.


Ao professor cabe pois o desafio de, pese embora as grandes dificuldades com
que se depara diariamente e as características dos programas, encontrar formas
de dinamizar a tarefa de “aprender a aprender”, procurando imprimir ao
processo de aprendizagem estratégias conducentes não apenas à compreensão,
como também à integração (com a passagem da informação da memória de curto
prazo para a memória a longo prazo). Só então ficará concluído o primeiro ciclo
da aprendizagem, o chamado ciclo “da aquisição da informação”. Neste âmbito,
perspetivam-se no panorama do ensino mudanças que ditam o fim das
competências, o que nos leva a concluir que se irá reforçar a memorização em
detrimento do raciocínio e do “saber em uso”. O raciocínio, sendo “ informação
em movimento”, permite resolver um problema, provando-se assim que é uma
subcapacidade mais rica do que a memória. No entanto, estas duas
subcapacidades estão interligadas e são indissociáveis.
Alunos com disfunções cognitivas versus dificuldades significativas nas
aprendizagens escolares


Sendo a compreensão uma fase essencial na aprendizagem implicando, por parte
do aluno, a utilização das suas capacidades cognitivas, esta ficará seriamente
comprometida quando, ao invés, o aluno revela alguma disfunção cognitiva
causadora de dificuldades significativas nas aprendizagens escolares. Estas
dificuldades cognitivas nas aprendizagens podem ser, como já foi dito
anteriormente, consequência de um mau processamento interno da informação
(compreensão), de problemas de integração (memória) e de uma evocação
deficiente (organização das respostas). Quando o aluno, por exemplo, apresenta
dificuldades de concentração indicia que a sua atenção não será suficiente para
assegurar uma boa compreensão da informação. A concentração exige o uso
simultâneo da atenção percetiva e da atenção cognitiva. O aluno que não
controla a atenção percetiva, não priorizando o estímulo que vai ser trabalhado
na memória a curto prazo, pode revelar-se hiperativo, portanto vulnerável aos
estímulos exteriores que acabam por pôr em causa a sua concentração e também
a atribuição de um significado pessoal à aprendizagem, ao não trabalhar sobre
ela mentalmente. Por oposição, temos os alunos sobredotados que dão entrada à
informação e lhe atribuem significado pessoal.


Cabe à escola que se pretende inclusiva, face às múltiplas dificuldades
manifestadas pelos alunos com necessidades educativas especiais, igualizar as
oportunidades de participação derrubando barreiras e adaptando-se às
características de todo e qualquer aluno, independentemente da sua disfunção.


Educação inclusiva
Excerto de 20 linhas


Síntese reflexiva sobre o impacto formativo da sessão


Do meu ponto de vista, a sessão ministrada pelo professor Jorge Serrano teve e
terá bastante impacto na minha formação profissional por me abrir horizontes no
domínio das necessidades educativas especiais e por me permitir estar doravante
mais atenta e sensível às questões relacionadas com esta temática. A formação
neste   domínio    é,   parece-me,   fundamental   para   qualquer   professor,
independentemente do tipo de ensino em que atua( regular ou na educação
especial), por proporcionar as ferramentas técnicas à compreensão das
problemáticas inerentes aos alunos e por permitir uma atuação mais tempestiva e
eficaz quando confrontado, na sua atividade diária, com determinadas
dificuldades e disfunções do público com quem lida diariamente. Esta formação
irá contribuir, creio eu, para o sucesso dos meus alunos, na medida em que
estarei mais atenta às suas necessidades específicas e também às suas
potencialidades.


“BOA FORMAÇÃO, BOAS AULAS, BONS ALUNOS”

G.n.e.e. trabalho

  • 1.
    GESTÃO DE NECESSIDADESEDUCATIVAS ESPECIAIS PROFESSOR DOUTOR JORGE SERRANO MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO NA ESPECIALIDADE DE EDUCAÇÃO ESPECIAL ESCOLA SUPERIOR DE EDUCÃO ALMEIDA GARRET MESTRANDA: Maria Cândida de Amorim Gomes da Cruz abril de 2012
  • 2.
    INTRÓITO (Decreto-lei nº3/2008 de 7 de janeiro, Artigo 9º,ponto 2): “ O modelo do programa educativo individual integra os indicadores de funcionalidade, bem como os factos ambientais que funcionam como facilitadores ou como barreiras à actividade e participação do aluno na vida escolar, obtidos por referência à Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, em termos que permitam identificar o perfil concreto de funcionalidade.” AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FREI GONÇALO DE AZEVEDO MATRIZ PARA ELABORAÇÃO DO PROGRAMA EDUCATIVO INDIVIDUAL Ano letivo 2012/2013 Elementos a ter em conta na elaboração do P.E.I. Indicadores Observações Identificação do Aluno Nome Data de Nascimento Morada Nível de ensino Ano de escolaridade Turma História Escolar Resumo da história escolar e pessoal Antecedentes relevantes
  • 3.
    Perfil de funcionalidadedo aluno Nível de aquisições Nível de dificuldades Nível de participação nas atividades educativas Fatores ambientais* *facilitadores ou impeditivos da participação e aprendizagem Medidas educativas a implementar no Adequações curriculares processo de ensino aprendizagem individuais Apoio Pedagógico personalizado Currículo específico individual Outras adequações, de acordo com o perfil do aluno Responsáveis pelas respostas Identificação dos profissionais educativas Funções que desempenham Distribuição horária Implementação e avaliação do P.E.I. Início da implementação do *Avaliação: P.E.I. explicitação de Avaliação do P.E.I. * critérios; intervenientes; Indicação de estratégias instrumentos promotoras de uma adequada de avaliação; transição entre ciclos datas de atualização
  • 4.
    Elaboração e homologação Identificação e assinatura do profissional Identificação e assinatura do responsável pela coordenação do P.E.I. Assinatura do presidente do Conselho Pedagógico Homologação pela Direção Escolar Assinatura do Encarregado de *O E.E. faz Educação* parte integrante do processo, por isso o seu acordo é fundamental Definição de Aprendizagem: “Qualquer mudança relativamente permanente no comportamento, que ocorre como resultado da experiência” ( Robbins 1996) As cinco fases do Arco da Aprendizagem No quadro de entendimento da aprendizagem como sistema de processamento de informação, importa enunciar e descrever brevemente as cinco fases do Arco da Aprendizagem. São elas: a) Receção da informação. Consiste na entrada de informação na memória de curto prazo através das vias sensoriais;
  • 5.
    b) Compreensão. Consistena transposição da informação da memória de curto prazo para a memória de longo prazo, atribuindo-se-lhe um significado pessoal. A compreensão é essencial para a aprendizagem, implicando a aprendizagem significativa uma memorização significativa. c) Integração. Consiste na passagem da informação da aprendizagem da memória de curto prazo para a memória de longo prazo, cumprindo-se assim o primeiro ciclo da aprendizagem: o ciclo da aquisição da informação. d) Evocação. Consiste na seleção da informação mais adequada, “armazenada” na memória de longo prazo, para responder a perguntas ou resolver problemas. Este processo implica a utilização das subclasses cognitivas (memória e raciocínio) que asseguram o tratamento interno da informação. Destas duas subclasses, os processos do raciocínio (mais rico que a memória) são a seleção da informação e a seleção e a combinação da informação. O raciocínio hipotético, por oposição ao raciocínio linear, é, em termos de desenvolvimento cognitivo, mais rico na medida em que gera hipótese de resposta. e) Resposta e desempenho. Consiste na exteriorização do trabalho mental desenvolvido pelo raciocínio, na fase da evocação. Este trabalho mental é interno e não é observável. Conceito de Necessidades educativas especiais O ser humano, para aprender, tem que lidar com capacidades vocacionadas para processar a informação. Quando, de alguma forma, ao processar essa informação, não o faz eficazmente, podemos então dizer que apresenta uma necessidade educativa especial. As capacidades cognitivas, motoras e sensoriais possibilitam que se faça uma aprendizagem dita “normal”, uma vez que estas capacidades dão entrada respetivamente à informação e asseguram a aplicação da informação (são estes os três grandes tipos de processamento da informação). Quando, de alguma forma, o aluno apresenta dificuldades num destes três processos, pode afirmar-se que tem necessidades educativas especiais. É imperativo então que se encontrem as necessárias estratégias de compensação ou estratégias alternativas para que o aluno assegure, no caso de apresentar problemas sensoriais, a entrada da informação; no caso de manifestar problemas cognitivos, o tratamento da informação; caso o seu problema seja motor, a
  • 6.
    aplicação da informação.Podemos afirmar que as necessidades educativas especiais configuram problemas decorrentes de disfunções nas capacidades de aprendizagem (motoras, cognitivas e sensoriais). Recurso às estratégias de compensação junto de alunos com necessidades educativas especiais O recurso às estratégias de compensação junto de alunos com necessidades educativas especiais tem por finalidade permitir a inclusão, “derrubando barreiras à participação”. É fundamental igualizar oportunidades de participação que permitam colmatar os efeitos das disfunções de uma ou mais capacidades no seu processo de aprendizagem. Esta igualização de oportunidades de participação passa inevitavelmente pela adoção de procedimentos didáticos na prática letiva ( e não letiva) a levar a cabo junto dos alunos com necessidades educativas especiais. Existem múltiplas estratégias de compensação junto destes alunos que permitem minimizar os efeitos das disfunções de uma ou mais capacidade no processo de aprendizagem. As capacidades sensoriais servem para assegurar a entrada da informação, as capacidades cognitivas e suas subclasses asseguram o tratamento interno da informação. De entre as subclasses cognitivas, a atenção irá assegurar a compreensão; a memória a integração (armazenamento da informação) e o raciocínio irá assegurar a invocação. As capacidades motoras são igualmente importantes na medida em que asseguram a aplicação da informação (a resposta). A motrocidade (fonadora, manual e global) permite essa resposta ou desempenho em boas condições. Por outro lado, a disfunção presente numa destas três capacidades pode comprometer o processo de aprendizagem, uma vez que não permite que se estabeleça a comunicação, processo no qual circula a informação que irá ser ou não processada através das capacidades sensoriais, cognitivas e motoras que dão entrada a essa informação. Asseguram o seu tratamento e a sua aplicação.
  • 7.
    Junto dos alunoscom problemas na entrada da informação (problemas sensoriais), as estratégias de compensação podem passar pelo recurso à valorização de outros canais opcionais. Para as crianças surdas, por exemplo, a visão e/ou o tato podem funcionar como canais de receção da informação e facultar-lhes a participação e a aprendizagem. No primeiro caso, a receção da informação far-se-á à distância e, no segundo caso, a receção da informação processa-se através do contato. Já os alunos com disfunções cognitivas têm dificuldades no processamento interno da informação (na compreensão, integração e evocação). Estas disfunções comprometem mais as aprendizagens do que as disfunções sensoriais, já que uma deficiente compreensão, memorização e organização das respostas põem em causa o processo, devido a problemas na atenção, memória e/ou raciocínio. As estratégias de compensação para os alunos com disfunções do domínio cognitivo passam pelo desenvolvimento das capacidades motoras e sensoriais, valorizando-se mais estas capacidades, com a implementação de estratégias (figurativas, por exemplo) que permitam ao aluno partir do concreto para o abstrato, possibilitando-se consequentemente a apropriação dos saberes escolares. Por fim, as disfunções motoras (convém não esquecer que a motrocidade assegura a aplicação da informação, logo um bom desempenho) contribuem para as dificuldades de resposta (oral ou escrita), independentemente de o aluno apresentar as outras duas capacidades bastante desenvolvidas. Para estes casos, é fundamental que o espaço de aprendizagem disponha de meios técnicos ou outros que permitam a sua inclusão. As escolas inclusivas adaptam o seu funcionamento e organização às características destes alunos, permitindo desta forma o acesso à informação e a consequente aprendizagem. Relevância da fase da compreensão no processo de aprendizagem No processo de aprendizagem, todas as cinco fases são importantes, sendo a última fase aquela em que, através da resposta ou do desempenho, se consubstancia a aprendizagem. No entanto, a fase da compreensão no processo
  • 8.
    de aprendizagem torna-sebastante relevante porque, ao atribuirmos um significado pessoal à informação que recebemos, estamos a compreender, logo a aprender. Por vezes, quando existem dificuldades a este nível por parte dos alunos, torna- se necessário encontrar estratégias, proporcionando por exemplo mais informação de modo a que o aluno consiga de facto atribuir à sua aprendizagem um significado pessoal. Enquanto a memória a longo prazo retém uma grande quantidade de informação de forma inconsciente, a memória de curto prazo guarda a informação (através das vias sensoriais) de forma consciente, sendo necessárias as duas no processo da aprendizagem. Importa contudo procurar selecionar a informação contida na memória de longo prazo e torná-la consciente na memória de curto prazo. Por outro lado, “aprender” implica estratégias que permitam a passagem da informação para a memória a longo prazo, através da compreensão (atribuição de significado pessoal). Se assim não for, a informação pode perder-se, situação que, dadas as políticas educativas em vigor (com o fim previsível do Estudo Acompanhado, por exemplo) pode vir a tornar-se uma realidade mais constrangedora, na medida em que o aluno é desresponsabilizado pelas suas próprias estratégias de aprendizagem. Ao professor cabe pois o desafio de, pese embora as grandes dificuldades com que se depara diariamente e as características dos programas, encontrar formas de dinamizar a tarefa de “aprender a aprender”, procurando imprimir ao processo de aprendizagem estratégias conducentes não apenas à compreensão, como também à integração (com a passagem da informação da memória de curto prazo para a memória a longo prazo). Só então ficará concluído o primeiro ciclo da aprendizagem, o chamado ciclo “da aquisição da informação”. Neste âmbito, perspetivam-se no panorama do ensino mudanças que ditam o fim das competências, o que nos leva a concluir que se irá reforçar a memorização em detrimento do raciocínio e do “saber em uso”. O raciocínio, sendo “ informação em movimento”, permite resolver um problema, provando-se assim que é uma subcapacidade mais rica do que a memória. No entanto, estas duas subcapacidades estão interligadas e são indissociáveis.
  • 9.
    Alunos com disfunçõescognitivas versus dificuldades significativas nas aprendizagens escolares Sendo a compreensão uma fase essencial na aprendizagem implicando, por parte do aluno, a utilização das suas capacidades cognitivas, esta ficará seriamente comprometida quando, ao invés, o aluno revela alguma disfunção cognitiva causadora de dificuldades significativas nas aprendizagens escolares. Estas dificuldades cognitivas nas aprendizagens podem ser, como já foi dito anteriormente, consequência de um mau processamento interno da informação (compreensão), de problemas de integração (memória) e de uma evocação deficiente (organização das respostas). Quando o aluno, por exemplo, apresenta dificuldades de concentração indicia que a sua atenção não será suficiente para assegurar uma boa compreensão da informação. A concentração exige o uso simultâneo da atenção percetiva e da atenção cognitiva. O aluno que não controla a atenção percetiva, não priorizando o estímulo que vai ser trabalhado na memória a curto prazo, pode revelar-se hiperativo, portanto vulnerável aos estímulos exteriores que acabam por pôr em causa a sua concentração e também a atribuição de um significado pessoal à aprendizagem, ao não trabalhar sobre ela mentalmente. Por oposição, temos os alunos sobredotados que dão entrada à informação e lhe atribuem significado pessoal. Cabe à escola que se pretende inclusiva, face às múltiplas dificuldades manifestadas pelos alunos com necessidades educativas especiais, igualizar as oportunidades de participação derrubando barreiras e adaptando-se às características de todo e qualquer aluno, independentemente da sua disfunção. Educação inclusiva Excerto de 20 linhas Síntese reflexiva sobre o impacto formativo da sessão Do meu ponto de vista, a sessão ministrada pelo professor Jorge Serrano teve e terá bastante impacto na minha formação profissional por me abrir horizontes no domínio das necessidades educativas especiais e por me permitir estar doravante
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    mais atenta esensível às questões relacionadas com esta temática. A formação neste domínio é, parece-me, fundamental para qualquer professor, independentemente do tipo de ensino em que atua( regular ou na educação especial), por proporcionar as ferramentas técnicas à compreensão das problemáticas inerentes aos alunos e por permitir uma atuação mais tempestiva e eficaz quando confrontado, na sua atividade diária, com determinadas dificuldades e disfunções do público com quem lida diariamente. Esta formação irá contribuir, creio eu, para o sucesso dos meus alunos, na medida em que estarei mais atenta às suas necessidades específicas e também às suas potencialidades. “BOA FORMAÇÃO, BOAS AULAS, BONS ALUNOS”