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Baixar para ler offline
1
do estudanteNúm. 59 - ANO VII Maio – Junho /2018
Folhetim do estudante é uma
publicação de cunho cultural e
educacional com artigos e textos de
Professores, alunos, membros de
comunidades das Escolas Públicas
do Estado de SP e pensadores
humanistas.
Acesse o BLOG do folhetim
http://folhetimdoestudante.blogspot.com.br
Sugestões e textos para:
prof.valter.gomes@gmail.com
É LENDO QUE SE CRESCE !
Prof. Eduardo Paulo Berardi Jr
“Vocês precisam ler !” – diz o professor
O que será que o aluno entende pelo que
seja ler ?
“Ler não é traduzir o código secreto da
escrita ? Então, se consigo traduzir todas
as formas de palavras, se já aprendi a ler,
porque devo continuar o treinamento de
leitura ?” – pensa o aluno.
Assim, quando seu professor disser que
você precisa ler ele está na realidade
dizendo que você precisa descobrir na
literatura o mundo maravilhoso que
existe à espera de poder ser explorado.
Literatura ? O que é isso ? – perguntaria
o aluno
Literatura é o nome dado ao conjunto da
produção universal de textos dos mais
variados autores. Existe a literatura
científica, técnica e a literatura que
compreende as obras de arte, isto é, dos
livros escritos pelos autores doe
romances, contos, crônicas, poesias.
Todo livro é sempre uma fotografia da
época em que seu autor viveu e expressa
sempre uma parte do próprio autor.
Assim, a literatura é também um meio de
conhecer pessoas, países, épocas.
Ler um livro é de certa forma viajar no
tempo. Encontrar o mundo descrito pelo
autor que nos permite exercitar a
imaginação.
Você se lembra de quando era menor ?
Lembra de quando pegava um
brinquedo, um objeto, e fazia de conta
que era uma arma, ferramenta,
peça...sabe-se lá o que mais...lembra ?
Pois bem...você estava trabalhando sua
imaginação, alimentando seu cérebro
com fantasias, com coisas irreais para o
mundo mas que existiam dentro de sua
cabeça – chegando mesmo a sonhar com
elas. Você crescia por dentro,
silenciosamente, preparando seu cérebro,
exercitando seus neurônios para a carga
de informações que durante o resto da
vida teriam que receber e trabalhar.
Ler um livro de poesias, de contos ou um
romance é além de tudo uma forma de
lazer, isto é, uma oportunidade de
desligar da realidade por um período e
“ficar conversando consigo mesmo”
como se falasse com o escritor, pondo-se
no lugar dele, querendo ter sido você o
autor daquelas idéias ou de ter vivido
aquelas aventuras. Além disso, ao
visitarmos a imaginação dos outros
estamos sempre ampliando nosso arquivo
de coisas conhecidas e com base nelas
podemos criar novas formas de expressar
nossas idéias. É desse modo que
recebemos influências e que também a
transmitirmos.
Além do mais, quanto mais investigamos
o comportamento dos personagens –
como ocorre com as novelas de televisão
– mais questionamos as verdades em que
acreditávamos como fruto das
observações feitas sobre o mundo, com a
maior segurança para emitirmos
opiniões. Afinal, uma idéia que por
acaso tivemos, quando a encontramos
descrita num livro, podemos defendê-la
melhor, ou mesmo nega-la conforme
sejam os argumentos do autor.
Normalmente nas escolas oferecemos
para leitura livros infantis desejando com
isso que nossos alunos aprendam a gostar
de ler sem desanimarem com uma obra
densa. Nesses livros breves a narrativa
quase não envolve a descrição em
detalhes de cenas que estimulem nossa
imaginação. Daí talvez não termos
conseguido oferecer aos alunos o gosto
de “passear” pelo universo mágico da
fantasia.
Quando jovens todos queremos ser
famosos, ou queremos resolver graves
problemas do mundo e com isso
alimentamos grandes esperanças.
Quantos não quererão ser grandes
escritores, ganhar muito dinheiro
escrevendo novelas para a televisão, por
exemplo? Muitos talvez queiram, mas
apenas uns poucos poderão conseguir.
Para escrever bem é preciso bem ler. É
preciso aprender com os outros autores
como eles constroem seus personagens,
como montam as tramas, o enredo. Bons
poetas aprenderam com os que antes
escreveram poemas, captando-lhes o
estilo, tomando para si um tipo de
construção de rima, de versos, a maneira
como formam uma imagem.
Para a maioria das profissões de maior
valorização no mercado de trabalho é
fundamental escrever bem. Quanto
melhor escreverem, maiores serão as
chances de se darem bem na vida.
Quanto mais puderem ler, melhor se
tornará sua bagagem interior, facilitando
sua comunicação com os outros,
inclusive por meio da escrita.
No mundo de hoje em que prevalece a
comunicação da imagem no vídeo, as
pessoas tendem a falar todas as mesmas
coisas, parecendo ser todas iguais, o que
se chama de comportamento de massa.
Sabendo como pensa uma, saberemos o
que pensam as demais. O elemento
diferenciador entre cada um de nós é a
riqueza interior que temos e que
podemos mostrar. Para tanto, primeiro
teremos que construir em nós mesmos
essa riqueza. Depois poderemos mostrá-
la. A leitura é uma das maneiras que
temos de nos fazermos diferentes e sendo
de nossa livre escolha, tenderá a ser no
futuro, o caminho para deixarmos de ser
como todos e essa diferença poderá ser a
fronteira que precisaremos atravessar
para obtermos sucesso. Daí porque será
preciso ler. Leia ...é lendo que se cresce !
________________________________
Folhetim
2
do estudante ano VII Maio-Junho/2018
EDUCAÇÃO
A elite do atraso e a
Base Nacional
Curricular Comum
(BNCC)
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
O sociólogo brasileiro, Jessé Souza, a
cada dia mais tem se afirmado no lugar
que reivindica para si, equidistante da
sociologia liberal clássica e da
sociologia de matiz marxista. É uma
reivindicação justíssima e oportuna,
porém difícil na medida em que,
epistemologicamente, se afasta pouco
dos mesmos liberais que critica,
inscrevendo-se no âmbito do
estruturalismo de prima hora de Pierre
Bourdieu. Mas, até aí, nenhum
problema; é sua a escolha.
Contudo, a despeito das críticas
possíveis à sua obra já extensa, Souza
tem grandes contribuições que incitam
a novas e mais complexas mediações, a
começar pela sua principal tese: “o
problema central do país deixa de ser a
corrupção supostamente herdada de
Portugal para se localizar no abandono
secular de classes estigmatizadas,
humilhadas e perseguidas” (Souza,
2017, p. 84). São as elites do atraso, de
origem latifundiária, escravista e
agroexportadora, que mantém as
classes trabalhadoras e a “ralé de
novos escravos” condenados ao
desamparo, desemprego, insegurança e
pobreza. Mas, não apenas, isto: a
permanência do Brasil, como país
periférico aos centros hegemônicos do
capital, muito se deve a estas elites, o
que aliás, há muito já foi observado
por Florestan Fernandes. Numa
passagem do livro “Capitalismo
dependente e classes sociais na
América Latina” (Zahar, 1975),
Fernandes, com muita perspicácia,
afirmou que os interesses
particularistas das nossas sabujas
elites, não apenas eram considerados
como os interesses da sociedade
brasileira, mas resultavam em
estruturas internas sujeitas às piores
manipulações de fora. Em seguida,
logo abaixo na mesma página,
arrematou: “trata-se de um componente
dinâmico da tradição colonial de
subserviência, baseada em fins
econômicos, mas também da cegueira
nacional até certo ponto estimulada e
controlada a partir de fora”.
Souza e Fernandes estão certos,
nomeadamente quando são muitas as
comprovações no campo de políticas
públicas de educação, contrárias aos
oprimidos e excluídos, que lhes
interditam seus projetos de ascensão
social. A Base Nacional Curricular
Comum (BNCC), aprovada pelo
Conselho Nacional de Educação e
homologada pelo Ministério da
Educação em dezembro de 2017 talvez
seja o exemplo mais atual de limitação
do potencial das nossas crianças e
jovens. Vejamos isto mais de perto.
A BNCC, conceitualmente, é
a principal norma editada pelo
Ministério da Educação com o
objetivo de definir as áreas do
conhecimento integrantes dos
currículos e propostas pedagógicas de
todas as escolas públicas e particulares
de Educação Infantil e Fundamental,
assim como os conhecimentos,
competências e habilidades em cada
disciplina escolar aplicados a situações
da vida real. Como política
educacional é editada como referência
norteadora da reformulação dos
currículos escolares e dos processos
nacionais de avaliação. Ela estabelece
dez competências gerais que são
consideradas básicas ao tratamento
didático proposto para a Educação
Infantil e Fundamental. Um leitor de
fora do campo educacional talvez
tenha dificuldade com o termo
competência, daí a necessidade de
definir o que são. As competências
traduzem a capacidade de alguém
adquirir conhecimentos que serão
expressos por meio de habilidades,
atitudes e valores diante das
“demandas complexas da vida
cotidiana, do pleno exercício da
cidadania e do mundo do trabalho”
(Brasil, 1917, p.8). Em sentido amplo,
são produtos das mediações, isto é, das
operações mentais que alguém faz em
processos de conhecimento frente à
realidade concreta. O desenvolvimento
delas permite passar da situação de
desconhecimento para a de
conhecimento, domínio. Fazer
mediações, ou simplesmente mediar,
supõe, portanto, movimentos
cognitivos e metacognitivos realizados
pelos indivíduos, e somente por eles,
que os tornam outros, diferentes do
que eram. Se no princípio são seres em
sua efetividade existencial, simples,
imediatos, desconhecedores ou com
conhecimentos superficiais das coisas,
com a reflexão ou mediação mudam de
estágio após produzirem outros níveis
de consciência ou conhecimento para
si. Ninguém pode realizar mediações
senão para si mesmo. O processo
pedagógico desenvolvido pelas escolas
e professores consiste, pois, em situar
os alunos diante de coisas
sistematicamente escolhidas como
objetos de mediações. Quanto mais
mediações alguém é capaz de fazer,
tanto maior será a sua capacidade de
transitar conscientemente na vida
cotidiana, exercer sua cidadania e
realizar o seu trabalho. As habilidades,
isto é o conjunto de qualificações,
desenvolvidas ou adquiridas em
decorrência do desenvolvimento das
competências é que permitirão aos
indivíduos se distinguirem socialmente
como virtuosos ou não na solução dos
desafios que lhes são apresentados.
São elas que se tornam perceptíveis
concretamente nos processos de
aprendizagem e são possíveis de serem
avaliadas. As competências, sempre
circunscritas ao ambiente mental,
como estruturas mentais, expressam-se
por meio das habilidades, quanto mais
superiores, maiores as manifestações
externas em termos de habilidades.
___________________________
folhetim
3
do estudante ano VII Maio-Junho/2018
Procure saber sobre as bases de outros
países para perceber como o BNCC
coloca o aluno e a aluna do Brasil em
desvantagem
As competências adquiridas e
desenvolvidas são, portanto,
determinantes de um perfil de alunos
ao fim da escolaridade de níveis
infantil e fundamental e, ao mesmo
tempo, apontam para o tipo de cidadão
e sociedade que se pretende
coletivamente construir. São elas que
permitirão aos alunos se apropriarem
dos conhecimentos construídos
historicamente, desfrutarem as
manifestações artísticas e culturais,
promoverem o entendimento mútuo,
entenderem as relações sociais de
produção, o exercício da cidadania e os
seus próprios projetos de vida. Por um
lado, constituem-se como expectativas
de aprendizagem; mas que, por outro,
são direitos de aprendizagem que
precisam ser garantidos a todos os
alunos. A ordem em que aparecem não
pressupõe, entretanto, quaisquer
hierarquias entre elas e tampouco
privilegia alguma área curricular
específica. Elas se complementam, se
inter-relacionam e se desdobram no
processo didático, sempre de modo
articulado e com influências
recíprocas. Todas pressupõem o
desenvolvimento de literacias,
numeracias e utilização das novas
tecnologias de informação e
comunicação.
São dez as competências gerais
consideradas básicas ao tratamento
didático proposto para a Educação
Infantil e Fundamental pela BNCC.
Elas também, é preciso enfatizar, são
conformadoras do perfil dos alunos.
Assim, a expectativa de aprendizagem,
ou a atenção aos direitos de
aprendizagem dos alunos, torna
imperativo que o processo de formação
dos futuros cidadãos e trabalhadores e
eles próprios como sujeitos sociais
sejam capazes de: 1)valorizar e utilizar
os conhecimentos construídos para
entender e explicar a realidade,
continuar a aprender, alargar os limites
da democracia e superar as estruturas
produtoras e reprodutoras de injustiça
e exclusão social; 2) ser curiosos,
criativos e apegados às abordagens
próprias das ciências para determinar
as causas dos fenômenos, elaborar e
testar hipóteses, resolver problemas,
criar soluções e inovações; 3) valorizar
e fruir as manifestações artísticas e
culturais como consumidores e
produtores; 4) usar diferentes
linguagens em suas expressões,
informações, experiências, ideias e
sentimentos em diferentes contextos de
modo a promover o entendimento
mútuo; 5) que se tornem protagonistas,
individuais ou coletivos, na utilização,
compreensão e criação de novas
tecnologias de informação e
comunicação; 6)valorizar a diversidade
de saberes e vivências culturais de
modo a melhor entender
responsavelmente, com liberdade,
autonomia e consciência crítica, as
relações sociais de produção, o
exercício da cidadania e os seus
próprios projetos de
vida; 7) desenvolver argumentos bem
fundamentados, novas ideias e pontos
de vista com base na ética e no respeito
aos direitos humanos, meio ambiente, a
si mesmos, aos outros e ao próprio
planeta; 8) conhecer, apreciar-se e
cuidar das suas saúdes físicas e
emocionais, sem desprezo ao
conhecimento do outro e dos
outros; 9) exercitar a empatia, isto é, o
colocar-se no lugar do outro, o diálogo,
a cooperação, o respeito mútuo, os
direitos humanos, a diversidade de
indivíduos e grupos sociais, os
diferentes saberes, as identidades,
culturas e potencialidades humanas,
livre de preconceitos de qualquer
natureza; 10) agir como indivíduos ou
grupos com ética, autonomia,
responsabilidade, flexibilidade e
determinação, pautados por princípios
democráticos, inclusivos, sustentáveis
e solidários (Brasil/MEC, 2017).
Uma leitura desprovida de argúcia
impede ver na BNCC qualquer
problema referente a interdições ou
limitação do potencial dos nossos
estudantes. Somente quando
comparada a edições estrangeiras é que
começam a emergir as limitações que
são impostas. Mas, antes de
demonstrar o que estou afirmando,
devo dizer que a sua tramitação no
Congresso Nacional durante dois anos,
foi tensionada pelos defensores da
educação pública de qualidade
socialmente referenciada (associações,
organizações e sindicatos docentes) e
todos os demais que lutaram pela
adequação do sistema educacional
brasileiro às determinações do sistema
mundial de produção em bases
capitalistas e ao ideário neoliberal
(grandes fundações empresariais e
sociais – Lemann, Maria Cecilia Souto
Vidigal, Roberto Marinho), institutos
(Ayrton Senna, Inspirare, Natura,
Unibanco) e movimentos e
organizações (Todos Pela Educação,
Movimento pela Base Nacional
Comum, União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação,
Movimento Escola Sem Partido e
outros). O consenso que se conseguiu
produzir é ativo em torno de uma
concepção fragmentada de educação e
das normas que a orientam.
folhetim
4
do estudante ano VII Maio-Junho/2018
Assim, comparando-se a BNCC
brasileira com a “Nova Agenda de
Competências Para a Europa” editada
pela Comissão Europeia (2016, p. 2)
as diferenças emergem em desfavor
aos nossos estudantes. A expectativa
europeia é a de que os futuros cidadãos
e trabalhadores, a partir das
competências de base, desenvolvam
com espírito crítico outras
competências mais elevadas voltadas
ao empreendedorismo, mundo digital e
à cultura financeira. Para tanto, espera
que o futuro cidadão e trabalhador –
livre, autônomo, democrático, despido
de preconceitos, criativo, responsável e
consciente de si e do mundo em que se
insere – seja capaz de rejeitar todas as
formas de discriminação e exclusão
social, reconhecer a importância e os
desafios colocados pelas Artes,
Humanidades, Ciência e Tecnologia
“para a sustentabilidade social,
cultural, econômica e ambiental” do
seu país e do mundo, lidar “com a
mudança e a incerteza num mundo em
rápida transformação”, “valorizar o
respeito pela dignidade humana, pelo
exercício da cidadania plena, pela
solidariedade com os outros, pela
diversidade cultural e pelo debate
democrático” (Portugal, 2017).
O perfil de aluno esperado pela BNCC
apenas aparentemente é o mesmo. A
incorporação desigual das expectativas
europeias em nossa BNCC,
considerando-se as influências que a
União Europeia exerce a partir de
acordos firmados em diversas
instâncias supranacionais, cria um
futuro cidadão e trabalhador brasileiro,
incapaz, por exemplo, de reconhecer
os desafios colocados, sobretudo, pelas
Artes e Humanidades, e também pelas
diversidades cultural, de gênero e de
sexo, tantas são as pressões exercidas
pelos integrantes e simpatizantes do
Movimento Escola Sem Partido e de
segmentos religiosos fundamentalistas
às disciplinas de Artes, Filosofia,
História e Sociologia e às questões
ligadas a gênero e diversidade sexual.
Os direitos de aprendizagem dos
alunos brasileiros, ainda que
garantidos de forma democrática,
acabam por constituir um perfil de
aluno ao fim da escolaridade infantil e
fundamental pouco competente e hábil
para conviver num mundo que se torna
digital e financeirizado. As restrições
aos conteúdos por ventura
ideologizados, assim como às questões
filosóficas, sociológicas, de gênero e
sexo impedem que se abram ao mundo
fora dos seus locais de trabalho de
forma livre, ativa, criativa, consciente
de si e do mundo em que se inserem.
Como sempre, a nossa elite do atraso
avança para inglês ver, preservando as
classes populares na incapacidade de
se emanciparem. Quando elas
adquirirão competências que as
possam levar à construção de uma
vontade coletiva autônoma, às cisões
que contestam e liquidam a
subalternidade, à superação da cultura
da velha elite do atraso? Enfim,
quando poderão alcançar igual estatuto
de construtores de uma nova
civilização?
Como eu queria que o sociólogo Jessé
Souza estivesse errado!
Zacarias Gama é Professor Associado
da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Membro do quadro
permanente de docentes do Programa
de Pós-graduação em Políticas
Públicas e Formação Humana.
Artigo extraído da CARTA CAPITAL
EDUCAÇÃO QUE
TRANSFORMA!!!
Encontros estão ocorrendo, como esse
do dia 23/06 na região do Campo
Limpo, e em todo o País para que o
debate seja ampliado sobre essa
questão de importância vital para a
educação nacional.
Prof. Valter Gomes
folhetim
5
do estudante ano VII Maio-Junho/2018
RESENHA
Cultura tradicional,
festa popular,
folclore nacional.
Tradicionalmente, as Festas
Juninas começam no dia 12 de junho,
véspera do dia de Santo Antônio e
encerram no dia 29 de junho, dia de
São Pedro. Já nos dias 23 e 24 é
celebrado o dia de São João. Esses são
os três santos populares lembrados no
mês de junho.
A origem das Festas Juninas é pagã.
Ainda antes da Idade Média, as
celebrações anunciavam o solstício de
verão e de inverno e homenageavam os
deuses da natureza e da fertilidade.
A igreja acabou aderindo às festas
atribuindo-lhes um caráter religioso,
uma vez que não conseguia acabar
com a sua popularidade.
Em Portugal, em virtude da
coincidência de datas, passou-se a
comemorar o São João, chamando-lhe
de festas joaninas. No país lusitano, a
Festa de São João na cidade do Porto é
muito famosa e atrai milhares de
pessoas que todos os anos festejam nas
ruas.
No Brasil, as festas juninas foram
introduzidas pelos portugueses no
período colonial e, desde então, a
comemoração sofreu influências das
culturas africanas e indígenas e, por
isso, possui características peculiares
em cada parte do Brasil.
As festas caipiras, como são também
conhecidas, são típicas da região
nordeste, onde a maior festa de São
João do mundo acontece em Campina
Grande, no Estado da Paraíba.
Nas festas juninas ouve-se e dança-se
forró. A quadrilha é, todavia, a dança
típica da festa. Ela tem origem nas
danças de salão na França e consiste
numa bailada de casais caracterizados
com vestimenta tipicamente caipira.
Uma coreografia chamada
de casamento caipira é feita em
homenagem a Santo Antônio, o santo
casamenteiro.
Os balões são tradicionais, embora
atualmente existam restrições por
questões de segurança.
Tradicionalmente, a soltura de balões
indica o início das comemorações.
A fogueira também faz parte do
cenário da festa. De origem pagã, ela
simboliza a proteção contra os maus
espíritos.
A tradição foi mantida pelos católicos,
que dedicaram uma forma de fogueira
diferente para cada santo: a quadrada é
de Santo Antônio; a redonda de São
João; e a triangular de São Pedro.
FESTAS JUNINAS
É o mês de junho Chegando
Mudando a cor do sertão.
Sertanejos fervorosos,
Demonstram sua devoção.
Fazem festa para São Pedro,
Santo Antônio e São João.
O “arraia” é enfeitado
com bandeiras multicor.
Aluá, cachaça e quentão,
Dão a festa aroma e sabor.
Fogos fogueira e fagulhas,
Encanto, magia e fulgor.
© 2016 Militão dos Santos, artista plástico
brasileiro. Todos os direitos reservados
A obra acima, “Noite de São João”, é
de autoria do artista pernambucano de
Caruaru, Militão dos Santos.
Representante da chamada “arte naïf”
(ingênuo, em francês), o pintor tem
como um de seus temas históricos e
cotidianos as festas juninas, sobretudo
a voltada a São João. Sobre ela, o
artista diz: “Nenhuma outra festividade
é tão receptiva pelo povo, que a
comemora com fogueiras, balões,
fogos, comidas típicas de milho
(canjica, pamonha), bebidas como
quentão, quadrilhas, casamento
caipiras, adivinhações. Sem faltar,
claro, cerimônias litúrgicas, numa
simbiose entre religiosidade e
ludicidade que cantam e dançam ao
som de zabumba, sanfona e triângulo.”
Caruaru é protagonista da disputa –
com a cidade de Campina Grande, na
Paraíba – pelo maior forró do mundo.
A cidade pernambucana leva o título
de “a capital do forró” a sério e tem
intensa programação junina durante os
dias próximos ao de São João.
E. E. Com. Miguel Maluhy
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Folhetim do Estudante - Ano VII - Núm. 59

  • 1. 1 do estudanteNúm. 59 - ANO VII Maio – Junho /2018 Folhetim do estudante é uma publicação de cunho cultural e educacional com artigos e textos de Professores, alunos, membros de comunidades das Escolas Públicas do Estado de SP e pensadores humanistas. Acesse o BLOG do folhetim http://folhetimdoestudante.blogspot.com.br Sugestões e textos para: prof.valter.gomes@gmail.com É LENDO QUE SE CRESCE ! Prof. Eduardo Paulo Berardi Jr “Vocês precisam ler !” – diz o professor O que será que o aluno entende pelo que seja ler ? “Ler não é traduzir o código secreto da escrita ? Então, se consigo traduzir todas as formas de palavras, se já aprendi a ler, porque devo continuar o treinamento de leitura ?” – pensa o aluno. Assim, quando seu professor disser que você precisa ler ele está na realidade dizendo que você precisa descobrir na literatura o mundo maravilhoso que existe à espera de poder ser explorado. Literatura ? O que é isso ? – perguntaria o aluno Literatura é o nome dado ao conjunto da produção universal de textos dos mais variados autores. Existe a literatura científica, técnica e a literatura que compreende as obras de arte, isto é, dos livros escritos pelos autores doe romances, contos, crônicas, poesias. Todo livro é sempre uma fotografia da época em que seu autor viveu e expressa sempre uma parte do próprio autor. Assim, a literatura é também um meio de conhecer pessoas, países, épocas. Ler um livro é de certa forma viajar no tempo. Encontrar o mundo descrito pelo autor que nos permite exercitar a imaginação. Você se lembra de quando era menor ? Lembra de quando pegava um brinquedo, um objeto, e fazia de conta que era uma arma, ferramenta, peça...sabe-se lá o que mais...lembra ? Pois bem...você estava trabalhando sua imaginação, alimentando seu cérebro com fantasias, com coisas irreais para o mundo mas que existiam dentro de sua cabeça – chegando mesmo a sonhar com elas. Você crescia por dentro, silenciosamente, preparando seu cérebro, exercitando seus neurônios para a carga de informações que durante o resto da vida teriam que receber e trabalhar. Ler um livro de poesias, de contos ou um romance é além de tudo uma forma de lazer, isto é, uma oportunidade de desligar da realidade por um período e “ficar conversando consigo mesmo” como se falasse com o escritor, pondo-se no lugar dele, querendo ter sido você o autor daquelas idéias ou de ter vivido aquelas aventuras. Além disso, ao visitarmos a imaginação dos outros estamos sempre ampliando nosso arquivo de coisas conhecidas e com base nelas podemos criar novas formas de expressar nossas idéias. É desse modo que recebemos influências e que também a transmitirmos. Além do mais, quanto mais investigamos o comportamento dos personagens – como ocorre com as novelas de televisão – mais questionamos as verdades em que acreditávamos como fruto das observações feitas sobre o mundo, com a maior segurança para emitirmos opiniões. Afinal, uma idéia que por acaso tivemos, quando a encontramos descrita num livro, podemos defendê-la melhor, ou mesmo nega-la conforme sejam os argumentos do autor. Normalmente nas escolas oferecemos para leitura livros infantis desejando com isso que nossos alunos aprendam a gostar de ler sem desanimarem com uma obra densa. Nesses livros breves a narrativa quase não envolve a descrição em detalhes de cenas que estimulem nossa imaginação. Daí talvez não termos conseguido oferecer aos alunos o gosto de “passear” pelo universo mágico da fantasia. Quando jovens todos queremos ser famosos, ou queremos resolver graves problemas do mundo e com isso alimentamos grandes esperanças. Quantos não quererão ser grandes escritores, ganhar muito dinheiro escrevendo novelas para a televisão, por exemplo? Muitos talvez queiram, mas apenas uns poucos poderão conseguir. Para escrever bem é preciso bem ler. É preciso aprender com os outros autores como eles constroem seus personagens, como montam as tramas, o enredo. Bons poetas aprenderam com os que antes escreveram poemas, captando-lhes o estilo, tomando para si um tipo de construção de rima, de versos, a maneira como formam uma imagem. Para a maioria das profissões de maior valorização no mercado de trabalho é fundamental escrever bem. Quanto melhor escreverem, maiores serão as chances de se darem bem na vida. Quanto mais puderem ler, melhor se tornará sua bagagem interior, facilitando sua comunicação com os outros, inclusive por meio da escrita. No mundo de hoje em que prevalece a comunicação da imagem no vídeo, as pessoas tendem a falar todas as mesmas coisas, parecendo ser todas iguais, o que se chama de comportamento de massa. Sabendo como pensa uma, saberemos o que pensam as demais. O elemento diferenciador entre cada um de nós é a riqueza interior que temos e que podemos mostrar. Para tanto, primeiro teremos que construir em nós mesmos essa riqueza. Depois poderemos mostrá- la. A leitura é uma das maneiras que temos de nos fazermos diferentes e sendo de nossa livre escolha, tenderá a ser no futuro, o caminho para deixarmos de ser como todos e essa diferença poderá ser a fronteira que precisaremos atravessar para obtermos sucesso. Daí porque será preciso ler. Leia ...é lendo que se cresce ! ________________________________ Folhetim
  • 2. 2 do estudante ano VII Maio-Junho/2018 EDUCAÇÃO A elite do atraso e a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil O sociólogo brasileiro, Jessé Souza, a cada dia mais tem se afirmado no lugar que reivindica para si, equidistante da sociologia liberal clássica e da sociologia de matiz marxista. É uma reivindicação justíssima e oportuna, porém difícil na medida em que, epistemologicamente, se afasta pouco dos mesmos liberais que critica, inscrevendo-se no âmbito do estruturalismo de prima hora de Pierre Bourdieu. Mas, até aí, nenhum problema; é sua a escolha. Contudo, a despeito das críticas possíveis à sua obra já extensa, Souza tem grandes contribuições que incitam a novas e mais complexas mediações, a começar pela sua principal tese: “o problema central do país deixa de ser a corrupção supostamente herdada de Portugal para se localizar no abandono secular de classes estigmatizadas, humilhadas e perseguidas” (Souza, 2017, p. 84). São as elites do atraso, de origem latifundiária, escravista e agroexportadora, que mantém as classes trabalhadoras e a “ralé de novos escravos” condenados ao desamparo, desemprego, insegurança e pobreza. Mas, não apenas, isto: a permanência do Brasil, como país periférico aos centros hegemônicos do capital, muito se deve a estas elites, o que aliás, há muito já foi observado por Florestan Fernandes. Numa passagem do livro “Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina” (Zahar, 1975), Fernandes, com muita perspicácia, afirmou que os interesses particularistas das nossas sabujas elites, não apenas eram considerados como os interesses da sociedade brasileira, mas resultavam em estruturas internas sujeitas às piores manipulações de fora. Em seguida, logo abaixo na mesma página, arrematou: “trata-se de um componente dinâmico da tradição colonial de subserviência, baseada em fins econômicos, mas também da cegueira nacional até certo ponto estimulada e controlada a partir de fora”. Souza e Fernandes estão certos, nomeadamente quando são muitas as comprovações no campo de políticas públicas de educação, contrárias aos oprimidos e excluídos, que lhes interditam seus projetos de ascensão social. A Base Nacional Curricular Comum (BNCC), aprovada pelo Conselho Nacional de Educação e homologada pelo Ministério da Educação em dezembro de 2017 talvez seja o exemplo mais atual de limitação do potencial das nossas crianças e jovens. Vejamos isto mais de perto. A BNCC, conceitualmente, é a principal norma editada pelo Ministério da Educação com o objetivo de definir as áreas do conhecimento integrantes dos currículos e propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e particulares de Educação Infantil e Fundamental, assim como os conhecimentos, competências e habilidades em cada disciplina escolar aplicados a situações da vida real. Como política educacional é editada como referência norteadora da reformulação dos currículos escolares e dos processos nacionais de avaliação. Ela estabelece dez competências gerais que são consideradas básicas ao tratamento didático proposto para a Educação Infantil e Fundamental. Um leitor de fora do campo educacional talvez tenha dificuldade com o termo competência, daí a necessidade de definir o que são. As competências traduzem a capacidade de alguém adquirir conhecimentos que serão expressos por meio de habilidades, atitudes e valores diante das “demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (Brasil, 1917, p.8). Em sentido amplo, são produtos das mediações, isto é, das operações mentais que alguém faz em processos de conhecimento frente à realidade concreta. O desenvolvimento delas permite passar da situação de desconhecimento para a de conhecimento, domínio. Fazer mediações, ou simplesmente mediar, supõe, portanto, movimentos cognitivos e metacognitivos realizados pelos indivíduos, e somente por eles, que os tornam outros, diferentes do que eram. Se no princípio são seres em sua efetividade existencial, simples, imediatos, desconhecedores ou com conhecimentos superficiais das coisas, com a reflexão ou mediação mudam de estágio após produzirem outros níveis de consciência ou conhecimento para si. Ninguém pode realizar mediações senão para si mesmo. O processo pedagógico desenvolvido pelas escolas e professores consiste, pois, em situar os alunos diante de coisas sistematicamente escolhidas como objetos de mediações. Quanto mais mediações alguém é capaz de fazer, tanto maior será a sua capacidade de transitar conscientemente na vida cotidiana, exercer sua cidadania e realizar o seu trabalho. As habilidades, isto é o conjunto de qualificações, desenvolvidas ou adquiridas em decorrência do desenvolvimento das competências é que permitirão aos indivíduos se distinguirem socialmente como virtuosos ou não na solução dos desafios que lhes são apresentados. São elas que se tornam perceptíveis concretamente nos processos de aprendizagem e são possíveis de serem avaliadas. As competências, sempre circunscritas ao ambiente mental, como estruturas mentais, expressam-se por meio das habilidades, quanto mais superiores, maiores as manifestações externas em termos de habilidades. ___________________________ folhetim
  • 3. 3 do estudante ano VII Maio-Junho/2018 Procure saber sobre as bases de outros países para perceber como o BNCC coloca o aluno e a aluna do Brasil em desvantagem As competências adquiridas e desenvolvidas são, portanto, determinantes de um perfil de alunos ao fim da escolaridade de níveis infantil e fundamental e, ao mesmo tempo, apontam para o tipo de cidadão e sociedade que se pretende coletivamente construir. São elas que permitirão aos alunos se apropriarem dos conhecimentos construídos historicamente, desfrutarem as manifestações artísticas e culturais, promoverem o entendimento mútuo, entenderem as relações sociais de produção, o exercício da cidadania e os seus próprios projetos de vida. Por um lado, constituem-se como expectativas de aprendizagem; mas que, por outro, são direitos de aprendizagem que precisam ser garantidos a todos os alunos. A ordem em que aparecem não pressupõe, entretanto, quaisquer hierarquias entre elas e tampouco privilegia alguma área curricular específica. Elas se complementam, se inter-relacionam e se desdobram no processo didático, sempre de modo articulado e com influências recíprocas. Todas pressupõem o desenvolvimento de literacias, numeracias e utilização das novas tecnologias de informação e comunicação. São dez as competências gerais consideradas básicas ao tratamento didático proposto para a Educação Infantil e Fundamental pela BNCC. Elas também, é preciso enfatizar, são conformadoras do perfil dos alunos. Assim, a expectativa de aprendizagem, ou a atenção aos direitos de aprendizagem dos alunos, torna imperativo que o processo de formação dos futuros cidadãos e trabalhadores e eles próprios como sujeitos sociais sejam capazes de: 1)valorizar e utilizar os conhecimentos construídos para entender e explicar a realidade, continuar a aprender, alargar os limites da democracia e superar as estruturas produtoras e reprodutoras de injustiça e exclusão social; 2) ser curiosos, criativos e apegados às abordagens próprias das ciências para determinar as causas dos fenômenos, elaborar e testar hipóteses, resolver problemas, criar soluções e inovações; 3) valorizar e fruir as manifestações artísticas e culturais como consumidores e produtores; 4) usar diferentes linguagens em suas expressões, informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos de modo a promover o entendimento mútuo; 5) que se tornem protagonistas, individuais ou coletivos, na utilização, compreensão e criação de novas tecnologias de informação e comunicação; 6)valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais de modo a melhor entender responsavelmente, com liberdade, autonomia e consciência crítica, as relações sociais de produção, o exercício da cidadania e os seus próprios projetos de vida; 7) desenvolver argumentos bem fundamentados, novas ideias e pontos de vista com base na ética e no respeito aos direitos humanos, meio ambiente, a si mesmos, aos outros e ao próprio planeta; 8) conhecer, apreciar-se e cuidar das suas saúdes físicas e emocionais, sem desprezo ao conhecimento do outro e dos outros; 9) exercitar a empatia, isto é, o colocar-se no lugar do outro, o diálogo, a cooperação, o respeito mútuo, os direitos humanos, a diversidade de indivíduos e grupos sociais, os diferentes saberes, as identidades, culturas e potencialidades humanas, livre de preconceitos de qualquer natureza; 10) agir como indivíduos ou grupos com ética, autonomia, responsabilidade, flexibilidade e determinação, pautados por princípios democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários (Brasil/MEC, 2017). Uma leitura desprovida de argúcia impede ver na BNCC qualquer problema referente a interdições ou limitação do potencial dos nossos estudantes. Somente quando comparada a edições estrangeiras é que começam a emergir as limitações que são impostas. Mas, antes de demonstrar o que estou afirmando, devo dizer que a sua tramitação no Congresso Nacional durante dois anos, foi tensionada pelos defensores da educação pública de qualidade socialmente referenciada (associações, organizações e sindicatos docentes) e todos os demais que lutaram pela adequação do sistema educacional brasileiro às determinações do sistema mundial de produção em bases capitalistas e ao ideário neoliberal (grandes fundações empresariais e sociais – Lemann, Maria Cecilia Souto Vidigal, Roberto Marinho), institutos (Ayrton Senna, Inspirare, Natura, Unibanco) e movimentos e organizações (Todos Pela Educação, Movimento pela Base Nacional Comum, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Movimento Escola Sem Partido e outros). O consenso que se conseguiu produzir é ativo em torno de uma concepção fragmentada de educação e das normas que a orientam. folhetim
  • 4. 4 do estudante ano VII Maio-Junho/2018 Assim, comparando-se a BNCC brasileira com a “Nova Agenda de Competências Para a Europa” editada pela Comissão Europeia (2016, p. 2) as diferenças emergem em desfavor aos nossos estudantes. A expectativa europeia é a de que os futuros cidadãos e trabalhadores, a partir das competências de base, desenvolvam com espírito crítico outras competências mais elevadas voltadas ao empreendedorismo, mundo digital e à cultura financeira. Para tanto, espera que o futuro cidadão e trabalhador – livre, autônomo, democrático, despido de preconceitos, criativo, responsável e consciente de si e do mundo em que se insere – seja capaz de rejeitar todas as formas de discriminação e exclusão social, reconhecer a importância e os desafios colocados pelas Artes, Humanidades, Ciência e Tecnologia “para a sustentabilidade social, cultural, econômica e ambiental” do seu país e do mundo, lidar “com a mudança e a incerteza num mundo em rápida transformação”, “valorizar o respeito pela dignidade humana, pelo exercício da cidadania plena, pela solidariedade com os outros, pela diversidade cultural e pelo debate democrático” (Portugal, 2017). O perfil de aluno esperado pela BNCC apenas aparentemente é o mesmo. A incorporação desigual das expectativas europeias em nossa BNCC, considerando-se as influências que a União Europeia exerce a partir de acordos firmados em diversas instâncias supranacionais, cria um futuro cidadão e trabalhador brasileiro, incapaz, por exemplo, de reconhecer os desafios colocados, sobretudo, pelas Artes e Humanidades, e também pelas diversidades cultural, de gênero e de sexo, tantas são as pressões exercidas pelos integrantes e simpatizantes do Movimento Escola Sem Partido e de segmentos religiosos fundamentalistas às disciplinas de Artes, Filosofia, História e Sociologia e às questões ligadas a gênero e diversidade sexual. Os direitos de aprendizagem dos alunos brasileiros, ainda que garantidos de forma democrática, acabam por constituir um perfil de aluno ao fim da escolaridade infantil e fundamental pouco competente e hábil para conviver num mundo que se torna digital e financeirizado. As restrições aos conteúdos por ventura ideologizados, assim como às questões filosóficas, sociológicas, de gênero e sexo impedem que se abram ao mundo fora dos seus locais de trabalho de forma livre, ativa, criativa, consciente de si e do mundo em que se inserem. Como sempre, a nossa elite do atraso avança para inglês ver, preservando as classes populares na incapacidade de se emanciparem. Quando elas adquirirão competências que as possam levar à construção de uma vontade coletiva autônoma, às cisões que contestam e liquidam a subalternidade, à superação da cultura da velha elite do atraso? Enfim, quando poderão alcançar igual estatuto de construtores de uma nova civilização? Como eu queria que o sociólogo Jessé Souza estivesse errado! Zacarias Gama é Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Membro do quadro permanente de docentes do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas e Formação Humana. Artigo extraído da CARTA CAPITAL EDUCAÇÃO QUE TRANSFORMA!!! Encontros estão ocorrendo, como esse do dia 23/06 na região do Campo Limpo, e em todo o País para que o debate seja ampliado sobre essa questão de importância vital para a educação nacional. Prof. Valter Gomes folhetim
  • 5. 5 do estudante ano VII Maio-Junho/2018 RESENHA Cultura tradicional, festa popular, folclore nacional. Tradicionalmente, as Festas Juninas começam no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio e encerram no dia 29 de junho, dia de São Pedro. Já nos dias 23 e 24 é celebrado o dia de São João. Esses são os três santos populares lembrados no mês de junho. A origem das Festas Juninas é pagã. Ainda antes da Idade Média, as celebrações anunciavam o solstício de verão e de inverno e homenageavam os deuses da natureza e da fertilidade. A igreja acabou aderindo às festas atribuindo-lhes um caráter religioso, uma vez que não conseguia acabar com a sua popularidade. Em Portugal, em virtude da coincidência de datas, passou-se a comemorar o São João, chamando-lhe de festas joaninas. No país lusitano, a Festa de São João na cidade do Porto é muito famosa e atrai milhares de pessoas que todos os anos festejam nas ruas. No Brasil, as festas juninas foram introduzidas pelos portugueses no período colonial e, desde então, a comemoração sofreu influências das culturas africanas e indígenas e, por isso, possui características peculiares em cada parte do Brasil. As festas caipiras, como são também conhecidas, são típicas da região nordeste, onde a maior festa de São João do mundo acontece em Campina Grande, no Estado da Paraíba. Nas festas juninas ouve-se e dança-se forró. A quadrilha é, todavia, a dança típica da festa. Ela tem origem nas danças de salão na França e consiste numa bailada de casais caracterizados com vestimenta tipicamente caipira. Uma coreografia chamada de casamento caipira é feita em homenagem a Santo Antônio, o santo casamenteiro. Os balões são tradicionais, embora atualmente existam restrições por questões de segurança. Tradicionalmente, a soltura de balões indica o início das comemorações. A fogueira também faz parte do cenário da festa. De origem pagã, ela simboliza a proteção contra os maus espíritos. A tradição foi mantida pelos católicos, que dedicaram uma forma de fogueira diferente para cada santo: a quadrada é de Santo Antônio; a redonda de São João; e a triangular de São Pedro. FESTAS JUNINAS É o mês de junho Chegando Mudando a cor do sertão. Sertanejos fervorosos, Demonstram sua devoção. Fazem festa para São Pedro, Santo Antônio e São João. O “arraia” é enfeitado com bandeiras multicor. Aluá, cachaça e quentão, Dão a festa aroma e sabor. Fogos fogueira e fagulhas, Encanto, magia e fulgor. © 2016 Militão dos Santos, artista plástico brasileiro. Todos os direitos reservados A obra acima, “Noite de São João”, é de autoria do artista pernambucano de Caruaru, Militão dos Santos. Representante da chamada “arte naïf” (ingênuo, em francês), o pintor tem como um de seus temas históricos e cotidianos as festas juninas, sobretudo a voltada a São João. Sobre ela, o artista diz: “Nenhuma outra festividade é tão receptiva pelo povo, que a comemora com fogueiras, balões, fogos, comidas típicas de milho (canjica, pamonha), bebidas como quentão, quadrilhas, casamento caipiras, adivinhações. Sem faltar, claro, cerimônias litúrgicas, numa simbiose entre religiosidade e ludicidade que cantam e dançam ao som de zabumba, sanfona e triângulo.” Caruaru é protagonista da disputa – com a cidade de Campina Grande, na Paraíba – pelo maior forró do mundo. A cidade pernambucana leva o título de “a capital do forró” a sério e tem intensa programação junina durante os dias próximos ao de São João. E. E. Com. Miguel Maluhy folhetim