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DO MUNDO DA LEITURA PARA A LEITURA DO MUNDO
(Marisa Lajolo)
"Do mundo da Leitura para a Leitura do Mundo" é uma obra composta por dois títulos. O primeiro, "No Mundo da
Leitura", é comporto por sete capítulos. O segundo, "Leituras do Mundo", por quatro. Cada capítulo é um ensaio
específico que só guarda relação com os demais em razão do tema do livro:- leitura, livro didático e Escola. Outro
elemento que unifica os capítulos é a linguagem expressiva (quase literária) e a constante citação de poetas e
escritores para a justificação das posições teóricas adotadas pela autora. É assim que ele estreita as relações entre
ciência e arte como que querendo provar que a leitura situa-se na confluência do sério e lúdico. Fruição e
aprendizado, a leitura depende tanto do conhecimento de mundo do leitor quanto da capacidade do escritor de
seduzi-lo.
A primeira grande questão colocada pela obra é a semelhança nas práticas dos professores que tem e não tem
sucesso no desenvolvimento do hábito de ler nos alunos. Ambos constrangem os alunos a lerem. A leitura, assim,
torna-se um fardo e, mesmo quando se acostuma a ler, o aluno encara esta atividade como um fardo e não desfruta
o prazer que poderia resultar de seu ato. Entre a leitura obrigatória e a facultativa, a autora opta pela última. Segundo
ela, o aluno deve ter o direito de escolher o que ler e de desistir se o livro não agradar-lhe.
A seguir, Lajolo serve-se de alguns fragmentos para ilustrar a história das relações entre literatura infantil e a Escola.
Os fragmentos selecionados provam que o ensino de língua materna e de literatura é precário há muito tempo.
Assim, em parte fica prejudicada a conclusão da autora de que as crenças atuais decorrem da vulgarização de uma
autêntica vontade democrática. Afinal, o problema tem raízes históricas e nunca deixou de existir, quer o Brasil
estivesse passando por um período democrático quer estivesse sob uma ditadura.
O fragmento de carta do autor português reproduzida no livro não foi explorado adequadamente. Com efeito,
desconsiderando-se a qualidade da cartilha mencionada, o texto evidencia um critério pouco convencional e nada
pedagógico para a edição e utilização de material didático. O autor não apela para a criteriosa análise do seu
material, mas para a amizade lhe dedicada pelo destinatário da missiva "... e sendo tu o que és na repartição da
Instrução Pública dessa província e meu amigo..." (grifos nossos).
Ainda nesse capítulo, em apenas três parágrafos a autora emprega o vocábulo "deve" seis vezes ao definir o papel
do professor de língua e literatura. Vimos que para ela o aluno "pode" escolher o que e até quando ler. Assim, a
autora trata a questão de uma maneira ambígua. Parece que Lajolo esqueceu-se que o professor aprende dando
aula, lendo, se reciclando, etc. Se ele for coagido a fazer isto ou aquilo continuará achando válido obrigar seus alunos
a ler (algo inadequado).
Depois de definir autoritariamente o papel do professor, a autora retoma a questão da literatura infantil. No texto "A
leitura literária na Escola" ela afirma que os editores chamam para si a competência para indicar que tipo de texto
literário deve ser utilizado pelo professor. Fica parecendo que o professor pode escolher seguir a orientação das
editoras ou a dela no sentido de que eles mesmos chamar para si esta responsabilidade, que teriam liberdade de
escolha. Liberdade? Como, se não definiram as opções? Deve-se desconfiar daqueles que tentam nos convencer de
que a liberdade resume-se a optar entre dois termos. Eles suprimem a liberdade de escolha dos termos, que podem
muito bem ser outros e diferentes dos propostos.
No capítulo seguinte, Marisa afirma que devemos considerar infância, adolescência ou juventude como construções
sociais. Desconsidera a autora que mesmo a ciência está fadada a reproduzir erros como se fossem acertos. O fato
do conceito de infância e adolescência como construção social funcionar não quer dizer que ele seja verdadeiro. Só
que ele funciona segundo os pressupostos teóricos que embasaram sua elaboração teórica. O sistema geocêntrico
também funciona, desde que admitamos que a terra está no centro no universo. Mas isso não quer dizer que ele seja
considerado verdadeiro após as observações de Galileu Galilei. Ao tratar dos catálogos de livros juvenis, a autora
esbarra num iceberg:- a oposição entre o "discurso de autoridade" e a "autoridade do discurso". No entanto, a autora
passou pela montanha de gelo e não percebeu que a maior parte dela estava debaixo da água. Com efeito, as
editoras publicam livros, logo pode-se concluir que entendem do seu produto melhor que os consumidores (alunos e
professores) e podem definir os critérios de sua utilização. No extremo oposto, só a autoridade do discurso de um
leitor privilegiado pode desvelar a qualidade do livro e a adequação do critério estabelecido pela editora para sua
circulação. Nesta disputa, a "autoridade do discurso" está sempre em desvantagem, pois é necessário que o livro
entre em circulação para que ele seja avaliado. Também não ocorreu a Lajolo que o livro adquire diversas
caracterizações segundo o enfoque. Para o editor ele é apenas uma mercadoria a ser vendida e sua qualidade
depende de sua capacidade de entrar em circulação. Para o educador, o livro é um suporte de conhecimentos que
auxiliam o processo educativo, sua qualidade depende da linguagem e conteúdo da obra.
No capítulo seguinte, "Os leitores, esses temíveis desconhecidos", a autora levanta importantes questionamentos
sobre o texto e sua chave. Não lhe ocorreu, entretanto, que a chave depende da leitura que se faça do texto, do
conhecimento prévio do leitor, de sua experiência de leitura. Da maneira que colocou a questão, Lajolo supõe uma
leitura unívoca do texto, aquela que verificará se ele trouxe ou não sua chave. Sua posição é defensável, mas
certamente colide com a defesa que fez da leitura polissêmica no começo do livro.
Mais adiante, a autora afirma que todo texto tem intenção de convencer o leitor. Ela não faz, portanto, distinção entre
a "apologia" e o "elogio", duas modalidades discursivos conhecidas pelos gregos. A "apologia", em cujos domínios se
inserem o discurso político e jurídico, tem por finalidade o convencimento. Seu conteúdo e forma é determinado,
portanto, pela necessidade importa pela platéia a que se destina. O "elogio", ao contrário, não visa o convencimento,
mas a expressão do belo, bom e justo. Se identifica, portanto, com a filosofia. O "elogio" é determinado apenas pela
consciência do autor e sua capacidade de expressar seus ideais. Ao identificar estes dois tipos de discurso, Lajolo
colocou-se a serviço das editoras. Afinal, elas é que consideram o texto uma mercadoria que só merece circulação se
for rentável, se convencer o público. A propósito, se todo texto defende algo, segue-se que todos são indispensáveis,
pois todas as causas são justas, inclusive as injustas. E isso mesmo que a defesa seja inadequada e precária. Sem
querer a autora defendeu a publicação de textos de péssima qualidade ou qualidade duvidosa que atacou
anteriormente. Influenciada por Voltaire - a quem se atribui a autoria da máxima "Discordo de suas palavras mas
defendo seu direito de dizê-las." - não soube respeitar o princípio da não contradição aristotélico.
No capítulo seguinte, Lajolo não faz distinção entre a crítica de Bilac e a de Alceu Amoroso. O primeiro defende as
idéias parnasianas (rigor formal, metrificação, etc.), enquanto o segundo ataca a superficialidade do parnasianismo.
Assim, os críticos partem de pressupostos estéticos diferentes. Se as concepções estéticas, que estão sujeitas à
constante modificação, influenciarem a educação, segue-se que a noção do que deve ser considerado material
adequado para o ensino também se modificará constantemente. Como a educação não deve ficar ao sabor dos
modismos, podemos concluir que o material didático deve atender um critério menos volátil que o estético. A questão
então é saber qual seria este critério. Todavia, a autora não se deteve sobre este ponto. A autora afirma que o "...
leitor e o texto precisão participar de uma mesma esfera de cultura." É claro que o leitor deste final de século pode
entender os textos de Machado de Assis, mas não se pode dizer que partilhe da mesma cultura que o Bruxo do
Cosmo Velho. A língua portuguesa e a sociedade brasileira mudaram muito desde o final do século passado. Ao ler
Machado de Assis penetramos na sua esfera cultural e ao fazê-lo sempre temos por referencial a nossa. Portanto, é
questionável a afirmação da autora. Nem que o leitor tivesse a mesma história de leitura que o escritor ela seria
verdadeira, dado o abismo que existe entre o Brasil de hoje e o de ontem.
A propósito da leitura dos clássicos, a autora cita Lobato que afirma "Hoje usamos a linguagem mais simplificada
possível, como a de Machado de Assis, que é nosso grande mestre". Este comentário data da primeira metade do
século XX e poderia até ser considerado verdadeiro à época. Mas nos dias de hoje, ele esbarra na maior
simplificação da língua portuguesa. Atualmente, para o leitor médio, a linguagem de Machado de Assis é muito
elaborada e cheia de arcaísmos. De certa maneira Machado também se tornou um clássico. Por isso não
participamos mais da mesma esfera cultural que a dele ou que a de Lobato que o considerava senhor de uma
linguagem simplificada. Ainda no ensaio "Poesia uma vítima frágil da escola", Lajolo admite que é uma leitora
privilegiada. Certamente foi privilegiadissíma a leitura que fez do poema de Cecília Meireles. Contudo, isto não lhe dá
o direito de exigir que o professor e o aluno tenham tanta proficiência. É inadequada a comparação entre sua análise
crítica especializada e a sugerida pelo material didático que ela cita e procura demonstrar ser inadequado. A nota de
rodapé informa que o livro de onde foi retirado o fragmento é de 1º grau e a análise de Lajolo é digna de um aluno de
graduação ou pós-graduação em Literatura. Note-se que a autora faz sua análise do poema (p. 46/48), cita e critica o
material didático (p. 49/50) e só depois de ter enterrado a proposta do livro completa sua análise (p. 50/51). Na
construção do texto Lajolo emprega uma técnica tão apurada que certamente até o leitor menos experiente é capaz
de perceber o exagero de sua crítica ao livro.
Ao tratar especificamente das relações entre o livro didático e o ensino, a autora enfatiza como a história revela a
inadequação desta parceria no Brasil. Cita o Ateneu de Raul Pompéia, em que os livros elementares são
abertamente criticados. É posta em evidência "... o desencontro entre métodos, objetivos e clientela da disciplina de
Língua Portuguesa." Só que o texto não aponta caminhos para a solução do problema. O ensino de língua materna
continua sendo confundido com o de gramática e a lingüística - que deveria recuperar o trabalho com o texto -
transformou-se em mais uma carga de conhecimentos abstratos a ser carregada pelo aluno. Ao tratar da proscrição
dos livros jesuíticos, Lajolo se esquece de mencionar que a reforma Pombalina não mudou a tradição autoritária do
ensino patrocinado pelos jesuítas. A Igreja tinha seu próprio Index Librorum Proibitorum e o Marques de Pombal
apenas criou outro. Assim, os alunos que antes não tinham acesso a livros leigos considerados perigosos ficaram
sem ter acesso às boas obras escritas por clérigos.
Apesar da requintada análise do poema de Cecília Meireles (p. 46/48), Tereza Lajolo não deu a devida importância
ao poema de Patativa do Assaré. De certa maneira, referido poema ironiza profundamente a incapacidade do Brasil
de educar suas crianças quer pelo conteúdo (o eu lírico revela que foi obrigado a abandonar a escola) quer pela
forma (reprodução da oralidade na escrita). Preconceito? No capítulo seguinte, ainda tratando do livro infantil, é
analisada a obra de Olavo Bilac. O livro infantil escrito pelo poeta parnasiano propunha-se a formar o educando
segundo um modelo de excelência de conduta moral. O texto é profundo, mas deixa de lado uma questão crucial.
Bilac não partiu da realidade, não procurou conhecer sua clientela tomando-a como massa informe que deveria ser
apenas modelada. Ficamos sem saber se o livro didático deve doutrinar ou formar o jovem. Se deve partir de um
modelo ideal de conduta a ser copiada pelo aluno ou se, partindo de suas características e necessidades concretas,
ajudá-lo a escolher seu próprio caminho.
Ao citar o depoimento de João Carlos Marinho, que informa que os professores exigiram a ficha de leitura de seu
livro, a autora passa ao largo da posição ambígua adotada pelo autor. Mesmo admitindo-se que a ficha sugere uma
leitura unívoca (algo inadequado), o escritor providenciou a elaboração da mesma para sua obra. Ele seria mais
coerente se justificasse não sua elaboração, mas sua não elaboração. Note-se que Lajolo considera verdadeiro o
argumento do autor, o qual pode ter apenas apresentado uma justificativa esfarrapada para a confecção do encarte,
o qual certamente implicou no aumento do preço do livro e do lucro da editora. Sobre a leitura na escola, escapou à
autora uma questão essencial. A maioria dos textos que os alunos lêem na escola são de história, geografia,
sociologia, filosofia, psicologia, ciências, etc. pressentes nos livros didáticos daqueles disciplinas. Na verdade, como
o ensino de Língua Portuguesa concentra-se nos tópicos de gramática, segue-se que os alunos na verdade
aprendem a ler nas outros disciplinas e sem a orientação de um leitor privilegiado (o professor de Língua
Portuguesa). Esta talvez seja a razão para as distorções reconhecidas pela autora.
O primeiro capitulo do segundo título do livro é dedicado a Machado de Assis. A exemplo do procedimento adotado
em relação a Cecília Meireles, a autora utiliza toda sua perícia de leitora para demonstrar como Machado era um
leitor privilegiado. Como já vimos, não pode esperar o mesmo de seu leitor, jogando com ele como se fosse o Bruxo
do Cosme Velho ao escrever o conto "Miss Dolar". A autora cita Machado, que creditava a pobreza da oferta literária
à "... falta de gosto formado no espírito do leitor." Perfeito, só que o texto de Lajolo não procura uma solução para o
dilema da leitura: é a falta de gosto do leitor que justifica a escassa publicação de boas obras literárias ou é a
escassa publicação delas que determina a falta de gosto do leitor? No capítulo seguinte, ao tratar das relações entre
literatura e política ao analisar a obra de Pepetela, Lajolo tem o mérito de colocar o leitor brasileiro face a face com a
literatura africana. Entretanto, escapou-lhe que quando a literatura adquire finalidades políticas é óbvia a doutrinação
do leitor. Projetos como o de Pepetela tendem a valorizar uma leitura unívoca. Assim, quando surtem efeito, livros
como "As aventuras de Ngunga" empobrecem a leitura.
No último capítulo, a autora utiliza a obra de Lobato para discutir a leitura. Logo de cara ficamos sabendo que o
criador do Visconde de Sabugosa sempre teve como objetivo ganhar dinheiro no gênero paradidático. Mas ao
contrário dos outros autores, ele teria escrito livros de melhor qualidade. Foi Lobato que, acreditando na inadequação
dos clássicos para o público infantil, passou a adaptá-los numa linguagem mais legível. Sua tese ganharia corpo e o
resultado é a profusão de adaptações de péssima qualidade criticada pela autora. Para Lajolo, uma entusiasta da
proposta de Lobato, Dona Benta arma os leitores. A leitura depende do conhecimento de mundo, algo que só se
adquire vivendo e lendo. Assim, a leitura dos clássicos não é e não pode ser considerada inadequada. O que é
inadequada é a leitura sem a supervisão de um leitor privilegiado, o qual não precisa mediar o contato entre o leitor e
a obra através de uma adaptação, mas sanar as dúvidas que forem surgindo.
Em um dos fragmentos citados, Lobato sugere que a leitura é um processo contínuo. Por isso, defende a tese de que
o D. Quixote original deve ser lido quando as personagens se tornarem leitores proficientes. Talvez Lobato tenha
razão. Mas para que sua tese surtisse efeito, seria necessário que o sistema educacional, que serve-se de
adaptações, estivesse organizado de forma a possibilitar a leitura dos clássicos no início da idade adulta (algo que
não ocorre). Além disso, devemos considerar um fato inusitado. Lobato tornou-se um leitor proficiente sem ter sido
exposto a adaptações dos clássicos. Certamente leu-os na íntegra. Logo, seria mais adequado proporcionar aos
alunos as mesmas condições que possibilitaram ao escritor tornar-se escritor.
A adaptação dos clássicos sugere uma questão não discutida pelo livro:- o que é um clássico. Se considerarmos a
dificuldade da linguagem como um critério a exemplo de Lobato (citado por Lajolo anteriormente), devemos admitir
que Machado de Assis já tornou-se um clássico porque sua linguagem do final do século XIX é difícil e cheia de
arcaísmos. Portanto, suas obras deveriam ser adaptadas para se tornarem mais acessíveis aos alunos deste final do
século XX início do XXI. Será que Lajogo teria coragem de admitir esta hipótese?
Somente no último capítulo do livro a autora esbarra na questão da autoridade da leitura. Escapa-lhe, entretanto, que
esta pode ser a razão pela qual os clássicos acabam ficando "distantes" do grande público a que se destinam. No
extremo oposto, livros considerados de qualidade inferior (e que às vezes podem ter virtudes não percebidos pelos
críticos) deveriam ser excluídos de circulação. Assim, de certa maneira Lajolo sugere a ditadura da crítica, algo que
também sufoca a leitura polissêmica.
Ela afirma que "A precariedade da situação que essa pobreza de repertório indica é grave." Portanto, o professor
deve iniciar o aluno na leitura. Como fará isso se ele mesmo não tiver sido iniciado ou sua iniciação tiver sido
deficiente? Como vimos ao longo deste trabalho, o livro de Marisa Lajolo apresenta sérios problemas. A propósito de
valorizar a leitura polissêmica acaba, por via obliqua, privilegiando a leitura unívoca. Procura ressaltar o papel da
atividade docente, mas por outro lado adota uma perspectiva arbitrária impondo ao professor deveres. A autora
soube levantar material qualitativa e quantitativamente adequada ao seu estudo, mas algumas vezes não soube
explorar todas suas possibilidades. A obra critica a qualidade dos livros didáticos e paradidáticos, mas,
paradoxalmente considera louvável a proposta de Lobato de vulgarização dos clássicos através de adaptações,
quando apenas o contato com os clássicos dariam uma maior visão de mundo ao leitor. Por fim, Lajolo valoriza
demais o papel do mediador, quando sabe-se que a leitura é um ato solitário que, no máximo, deve ser orientado
pelo professor.
Apesar de tudo isso, o livro analisado tem alguns méritos. Um deles é a linguagem colorida, quase literária, que
transforma sua leitura numa atividade agradável. O outro é possibilitar o amplo debate do tema a partir da história do
ensino de Português, da leitura e das relações entre o livro didático e paradidático e a Educação no Brasil.
BIBLIOGRAFIA
LAJOLO, Marisa Do mundo da Leitura praa a Leitura do
Mundo, ática, 5ª edição, São Paulo, 1999.

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  • 1. DO MUNDO DA LEITURA PARA A LEITURA DO MUNDO (Marisa Lajolo) "Do mundo da Leitura para a Leitura do Mundo" é uma obra composta por dois títulos. O primeiro, "No Mundo da Leitura", é comporto por sete capítulos. O segundo, "Leituras do Mundo", por quatro. Cada capítulo é um ensaio específico que só guarda relação com os demais em razão do tema do livro:- leitura, livro didático e Escola. Outro elemento que unifica os capítulos é a linguagem expressiva (quase literária) e a constante citação de poetas e escritores para a justificação das posições teóricas adotadas pela autora. É assim que ele estreita as relações entre ciência e arte como que querendo provar que a leitura situa-se na confluência do sério e lúdico. Fruição e aprendizado, a leitura depende tanto do conhecimento de mundo do leitor quanto da capacidade do escritor de seduzi-lo. A primeira grande questão colocada pela obra é a semelhança nas práticas dos professores que tem e não tem sucesso no desenvolvimento do hábito de ler nos alunos. Ambos constrangem os alunos a lerem. A leitura, assim, torna-se um fardo e, mesmo quando se acostuma a ler, o aluno encara esta atividade como um fardo e não desfruta o prazer que poderia resultar de seu ato. Entre a leitura obrigatória e a facultativa, a autora opta pela última. Segundo ela, o aluno deve ter o direito de escolher o que ler e de desistir se o livro não agradar-lhe. A seguir, Lajolo serve-se de alguns fragmentos para ilustrar a história das relações entre literatura infantil e a Escola. Os fragmentos selecionados provam que o ensino de língua materna e de literatura é precário há muito tempo. Assim, em parte fica prejudicada a conclusão da autora de que as crenças atuais decorrem da vulgarização de uma autêntica vontade democrática. Afinal, o problema tem raízes históricas e nunca deixou de existir, quer o Brasil estivesse passando por um período democrático quer estivesse sob uma ditadura. O fragmento de carta do autor português reproduzida no livro não foi explorado adequadamente. Com efeito, desconsiderando-se a qualidade da cartilha mencionada, o texto evidencia um critério pouco convencional e nada pedagógico para a edição e utilização de material didático. O autor não apela para a criteriosa análise do seu material, mas para a amizade lhe dedicada pelo destinatário da missiva "... e sendo tu o que és na repartição da Instrução Pública dessa província e meu amigo..." (grifos nossos). Ainda nesse capítulo, em apenas três parágrafos a autora emprega o vocábulo "deve" seis vezes ao definir o papel do professor de língua e literatura. Vimos que para ela o aluno "pode" escolher o que e até quando ler. Assim, a autora trata a questão de uma maneira ambígua. Parece que Lajolo esqueceu-se que o professor aprende dando aula, lendo, se reciclando, etc. Se ele for coagido a fazer isto ou aquilo continuará achando válido obrigar seus alunos a ler (algo inadequado). Depois de definir autoritariamente o papel do professor, a autora retoma a questão da literatura infantil. No texto "A leitura literária na Escola" ela afirma que os editores chamam para si a competência para indicar que tipo de texto literário deve ser utilizado pelo professor. Fica parecendo que o professor pode escolher seguir a orientação das editoras ou a dela no sentido de que eles mesmos chamar para si esta responsabilidade, que teriam liberdade de escolha. Liberdade? Como, se não definiram as opções? Deve-se desconfiar daqueles que tentam nos convencer de que a liberdade resume-se a optar entre dois termos. Eles suprimem a liberdade de escolha dos termos, que podem muito bem ser outros e diferentes dos propostos. No capítulo seguinte, Marisa afirma que devemos considerar infância, adolescência ou juventude como construções sociais. Desconsidera a autora que mesmo a ciência está fadada a reproduzir erros como se fossem acertos. O fato do conceito de infância e adolescência como construção social funcionar não quer dizer que ele seja verdadeiro. Só que ele funciona segundo os pressupostos teóricos que embasaram sua elaboração teórica. O sistema geocêntrico também funciona, desde que admitamos que a terra está no centro no universo. Mas isso não quer dizer que ele seja considerado verdadeiro após as observações de Galileu Galilei. Ao tratar dos catálogos de livros juvenis, a autora esbarra num iceberg:- a oposição entre o "discurso de autoridade" e a "autoridade do discurso". No entanto, a autora passou pela montanha de gelo e não percebeu que a maior parte dela estava debaixo da água. Com efeito, as editoras publicam livros, logo pode-se concluir que entendem do seu produto melhor que os consumidores (alunos e professores) e podem definir os critérios de sua utilização. No extremo oposto, só a autoridade do discurso de um leitor privilegiado pode desvelar a qualidade do livro e a adequação do critério estabelecido pela editora para sua circulação. Nesta disputa, a "autoridade do discurso" está sempre em desvantagem, pois é necessário que o livro entre em circulação para que ele seja avaliado. Também não ocorreu a Lajolo que o livro adquire diversas caracterizações segundo o enfoque. Para o editor ele é apenas uma mercadoria a ser vendida e sua qualidade depende de sua capacidade de entrar em circulação. Para o educador, o livro é um suporte de conhecimentos que auxiliam o processo educativo, sua qualidade depende da linguagem e conteúdo da obra. No capítulo seguinte, "Os leitores, esses temíveis desconhecidos", a autora levanta importantes questionamentos sobre o texto e sua chave. Não lhe ocorreu, entretanto, que a chave depende da leitura que se faça do texto, do conhecimento prévio do leitor, de sua experiência de leitura. Da maneira que colocou a questão, Lajolo supõe uma
  • 2. leitura unívoca do texto, aquela que verificará se ele trouxe ou não sua chave. Sua posição é defensável, mas certamente colide com a defesa que fez da leitura polissêmica no começo do livro. Mais adiante, a autora afirma que todo texto tem intenção de convencer o leitor. Ela não faz, portanto, distinção entre a "apologia" e o "elogio", duas modalidades discursivos conhecidas pelos gregos. A "apologia", em cujos domínios se inserem o discurso político e jurídico, tem por finalidade o convencimento. Seu conteúdo e forma é determinado, portanto, pela necessidade importa pela platéia a que se destina. O "elogio", ao contrário, não visa o convencimento, mas a expressão do belo, bom e justo. Se identifica, portanto, com a filosofia. O "elogio" é determinado apenas pela consciência do autor e sua capacidade de expressar seus ideais. Ao identificar estes dois tipos de discurso, Lajolo colocou-se a serviço das editoras. Afinal, elas é que consideram o texto uma mercadoria que só merece circulação se for rentável, se convencer o público. A propósito, se todo texto defende algo, segue-se que todos são indispensáveis, pois todas as causas são justas, inclusive as injustas. E isso mesmo que a defesa seja inadequada e precária. Sem querer a autora defendeu a publicação de textos de péssima qualidade ou qualidade duvidosa que atacou anteriormente. Influenciada por Voltaire - a quem se atribui a autoria da máxima "Discordo de suas palavras mas defendo seu direito de dizê-las." - não soube respeitar o princípio da não contradição aristotélico. No capítulo seguinte, Lajolo não faz distinção entre a crítica de Bilac e a de Alceu Amoroso. O primeiro defende as idéias parnasianas (rigor formal, metrificação, etc.), enquanto o segundo ataca a superficialidade do parnasianismo. Assim, os críticos partem de pressupostos estéticos diferentes. Se as concepções estéticas, que estão sujeitas à constante modificação, influenciarem a educação, segue-se que a noção do que deve ser considerado material adequado para o ensino também se modificará constantemente. Como a educação não deve ficar ao sabor dos modismos, podemos concluir que o material didático deve atender um critério menos volátil que o estético. A questão então é saber qual seria este critério. Todavia, a autora não se deteve sobre este ponto. A autora afirma que o "... leitor e o texto precisão participar de uma mesma esfera de cultura." É claro que o leitor deste final de século pode entender os textos de Machado de Assis, mas não se pode dizer que partilhe da mesma cultura que o Bruxo do Cosmo Velho. A língua portuguesa e a sociedade brasileira mudaram muito desde o final do século passado. Ao ler Machado de Assis penetramos na sua esfera cultural e ao fazê-lo sempre temos por referencial a nossa. Portanto, é questionável a afirmação da autora. Nem que o leitor tivesse a mesma história de leitura que o escritor ela seria verdadeira, dado o abismo que existe entre o Brasil de hoje e o de ontem. A propósito da leitura dos clássicos, a autora cita Lobato que afirma "Hoje usamos a linguagem mais simplificada possível, como a de Machado de Assis, que é nosso grande mestre". Este comentário data da primeira metade do século XX e poderia até ser considerado verdadeiro à época. Mas nos dias de hoje, ele esbarra na maior simplificação da língua portuguesa. Atualmente, para o leitor médio, a linguagem de Machado de Assis é muito elaborada e cheia de arcaísmos. De certa maneira Machado também se tornou um clássico. Por isso não participamos mais da mesma esfera cultural que a dele ou que a de Lobato que o considerava senhor de uma linguagem simplificada. Ainda no ensaio "Poesia uma vítima frágil da escola", Lajolo admite que é uma leitora privilegiada. Certamente foi privilegiadissíma a leitura que fez do poema de Cecília Meireles. Contudo, isto não lhe dá o direito de exigir que o professor e o aluno tenham tanta proficiência. É inadequada a comparação entre sua análise crítica especializada e a sugerida pelo material didático que ela cita e procura demonstrar ser inadequado. A nota de rodapé informa que o livro de onde foi retirado o fragmento é de 1º grau e a análise de Lajolo é digna de um aluno de graduação ou pós-graduação em Literatura. Note-se que a autora faz sua análise do poema (p. 46/48), cita e critica o material didático (p. 49/50) e só depois de ter enterrado a proposta do livro completa sua análise (p. 50/51). Na construção do texto Lajolo emprega uma técnica tão apurada que certamente até o leitor menos experiente é capaz de perceber o exagero de sua crítica ao livro. Ao tratar especificamente das relações entre o livro didático e o ensino, a autora enfatiza como a história revela a inadequação desta parceria no Brasil. Cita o Ateneu de Raul Pompéia, em que os livros elementares são abertamente criticados. É posta em evidência "... o desencontro entre métodos, objetivos e clientela da disciplina de Língua Portuguesa." Só que o texto não aponta caminhos para a solução do problema. O ensino de língua materna continua sendo confundido com o de gramática e a lingüística - que deveria recuperar o trabalho com o texto - transformou-se em mais uma carga de conhecimentos abstratos a ser carregada pelo aluno. Ao tratar da proscrição dos livros jesuíticos, Lajolo se esquece de mencionar que a reforma Pombalina não mudou a tradição autoritária do ensino patrocinado pelos jesuítas. A Igreja tinha seu próprio Index Librorum Proibitorum e o Marques de Pombal apenas criou outro. Assim, os alunos que antes não tinham acesso a livros leigos considerados perigosos ficaram sem ter acesso às boas obras escritas por clérigos. Apesar da requintada análise do poema de Cecília Meireles (p. 46/48), Tereza Lajolo não deu a devida importância ao poema de Patativa do Assaré. De certa maneira, referido poema ironiza profundamente a incapacidade do Brasil de educar suas crianças quer pelo conteúdo (o eu lírico revela que foi obrigado a abandonar a escola) quer pela forma (reprodução da oralidade na escrita). Preconceito? No capítulo seguinte, ainda tratando do livro infantil, é analisada a obra de Olavo Bilac. O livro infantil escrito pelo poeta parnasiano propunha-se a formar o educando segundo um modelo de excelência de conduta moral. O texto é profundo, mas deixa de lado uma questão crucial. Bilac não partiu da realidade, não procurou conhecer sua clientela tomando-a como massa informe que deveria ser apenas modelada. Ficamos sem saber se o livro didático deve doutrinar ou formar o jovem. Se deve partir de um
  • 3. modelo ideal de conduta a ser copiada pelo aluno ou se, partindo de suas características e necessidades concretas, ajudá-lo a escolher seu próprio caminho. Ao citar o depoimento de João Carlos Marinho, que informa que os professores exigiram a ficha de leitura de seu livro, a autora passa ao largo da posição ambígua adotada pelo autor. Mesmo admitindo-se que a ficha sugere uma leitura unívoca (algo inadequado), o escritor providenciou a elaboração da mesma para sua obra. Ele seria mais coerente se justificasse não sua elaboração, mas sua não elaboração. Note-se que Lajolo considera verdadeiro o argumento do autor, o qual pode ter apenas apresentado uma justificativa esfarrapada para a confecção do encarte, o qual certamente implicou no aumento do preço do livro e do lucro da editora. Sobre a leitura na escola, escapou à autora uma questão essencial. A maioria dos textos que os alunos lêem na escola são de história, geografia, sociologia, filosofia, psicologia, ciências, etc. pressentes nos livros didáticos daqueles disciplinas. Na verdade, como o ensino de Língua Portuguesa concentra-se nos tópicos de gramática, segue-se que os alunos na verdade aprendem a ler nas outros disciplinas e sem a orientação de um leitor privilegiado (o professor de Língua Portuguesa). Esta talvez seja a razão para as distorções reconhecidas pela autora. O primeiro capitulo do segundo título do livro é dedicado a Machado de Assis. A exemplo do procedimento adotado em relação a Cecília Meireles, a autora utiliza toda sua perícia de leitora para demonstrar como Machado era um leitor privilegiado. Como já vimos, não pode esperar o mesmo de seu leitor, jogando com ele como se fosse o Bruxo do Cosme Velho ao escrever o conto "Miss Dolar". A autora cita Machado, que creditava a pobreza da oferta literária à "... falta de gosto formado no espírito do leitor." Perfeito, só que o texto de Lajolo não procura uma solução para o dilema da leitura: é a falta de gosto do leitor que justifica a escassa publicação de boas obras literárias ou é a escassa publicação delas que determina a falta de gosto do leitor? No capítulo seguinte, ao tratar das relações entre literatura e política ao analisar a obra de Pepetela, Lajolo tem o mérito de colocar o leitor brasileiro face a face com a literatura africana. Entretanto, escapou-lhe que quando a literatura adquire finalidades políticas é óbvia a doutrinação do leitor. Projetos como o de Pepetela tendem a valorizar uma leitura unívoca. Assim, quando surtem efeito, livros como "As aventuras de Ngunga" empobrecem a leitura. No último capítulo, a autora utiliza a obra de Lobato para discutir a leitura. Logo de cara ficamos sabendo que o criador do Visconde de Sabugosa sempre teve como objetivo ganhar dinheiro no gênero paradidático. Mas ao contrário dos outros autores, ele teria escrito livros de melhor qualidade. Foi Lobato que, acreditando na inadequação dos clássicos para o público infantil, passou a adaptá-los numa linguagem mais legível. Sua tese ganharia corpo e o resultado é a profusão de adaptações de péssima qualidade criticada pela autora. Para Lajolo, uma entusiasta da proposta de Lobato, Dona Benta arma os leitores. A leitura depende do conhecimento de mundo, algo que só se adquire vivendo e lendo. Assim, a leitura dos clássicos não é e não pode ser considerada inadequada. O que é inadequada é a leitura sem a supervisão de um leitor privilegiado, o qual não precisa mediar o contato entre o leitor e a obra através de uma adaptação, mas sanar as dúvidas que forem surgindo. Em um dos fragmentos citados, Lobato sugere que a leitura é um processo contínuo. Por isso, defende a tese de que o D. Quixote original deve ser lido quando as personagens se tornarem leitores proficientes. Talvez Lobato tenha razão. Mas para que sua tese surtisse efeito, seria necessário que o sistema educacional, que serve-se de adaptações, estivesse organizado de forma a possibilitar a leitura dos clássicos no início da idade adulta (algo que não ocorre). Além disso, devemos considerar um fato inusitado. Lobato tornou-se um leitor proficiente sem ter sido exposto a adaptações dos clássicos. Certamente leu-os na íntegra. Logo, seria mais adequado proporcionar aos alunos as mesmas condições que possibilitaram ao escritor tornar-se escritor. A adaptação dos clássicos sugere uma questão não discutida pelo livro:- o que é um clássico. Se considerarmos a dificuldade da linguagem como um critério a exemplo de Lobato (citado por Lajolo anteriormente), devemos admitir que Machado de Assis já tornou-se um clássico porque sua linguagem do final do século XIX é difícil e cheia de arcaísmos. Portanto, suas obras deveriam ser adaptadas para se tornarem mais acessíveis aos alunos deste final do século XX início do XXI. Será que Lajogo teria coragem de admitir esta hipótese? Somente no último capítulo do livro a autora esbarra na questão da autoridade da leitura. Escapa-lhe, entretanto, que esta pode ser a razão pela qual os clássicos acabam ficando "distantes" do grande público a que se destinam. No extremo oposto, livros considerados de qualidade inferior (e que às vezes podem ter virtudes não percebidos pelos críticos) deveriam ser excluídos de circulação. Assim, de certa maneira Lajolo sugere a ditadura da crítica, algo que também sufoca a leitura polissêmica. Ela afirma que "A precariedade da situação que essa pobreza de repertório indica é grave." Portanto, o professor deve iniciar o aluno na leitura. Como fará isso se ele mesmo não tiver sido iniciado ou sua iniciação tiver sido deficiente? Como vimos ao longo deste trabalho, o livro de Marisa Lajolo apresenta sérios problemas. A propósito de valorizar a leitura polissêmica acaba, por via obliqua, privilegiando a leitura unívoca. Procura ressaltar o papel da atividade docente, mas por outro lado adota uma perspectiva arbitrária impondo ao professor deveres. A autora soube levantar material qualitativa e quantitativamente adequada ao seu estudo, mas algumas vezes não soube explorar todas suas possibilidades. A obra critica a qualidade dos livros didáticos e paradidáticos, mas, paradoxalmente considera louvável a proposta de Lobato de vulgarização dos clássicos através de adaptações, quando apenas o contato com os clássicos dariam uma maior visão de mundo ao leitor. Por fim, Lajolo valoriza
  • 4. demais o papel do mediador, quando sabe-se que a leitura é um ato solitário que, no máximo, deve ser orientado pelo professor. Apesar de tudo isso, o livro analisado tem alguns méritos. Um deles é a linguagem colorida, quase literária, que transforma sua leitura numa atividade agradável. O outro é possibilitar o amplo debate do tema a partir da história do ensino de Português, da leitura e das relações entre o livro didático e paradidático e a Educação no Brasil. BIBLIOGRAFIA LAJOLO, Marisa Do mundo da Leitura praa a Leitura do Mundo, ática, 5ª edição, São Paulo, 1999.