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Nº 66 - Abril / Junho de 2018
b o l e t i m d a F R A T E R N I T A S M O V I M E N T O

Renovação
Tudo muda, só Deus é, só Ele permanece.
Por isso, por muito bom que tenha sido o
passado, não podemos ficar amarrados a ele, pre-
cisamos de nos voltar para o futuro, precisamos
de nos converter. Esta é uma atitude verdadeira-
mente cristã, porque assente no projecto de Jesus
que rompe com o estabelecido e Se lança ao sa-
bor do Espírito que sopra onde quer.
Gastar esforços em manter estruturas caducas
é condenar-se ao fracasso, à desilusão. O organis-
mo vivo é dinâmico e a sua reprodução não é uma
mera cópia do seu ascendente: terá uma identida-
de própria , embora com raízes no que lhe dá ori-
gem.
Assim a Igreja: ou se descobre corpo de Cris-
to, organismo vivo em que os baptizados entre-
tecem células dinâmicas abertas ao Espírito e são
fermento e sal no seu meio, ou a clonagem de um
cristianismo ritualizado e cristalizado em sacra-
mentos “mágicos” que se petrifica em estruturas
bolorentas e carcomidas pelo desejo do poder, da
ostentação, da cega obediência ao legalismo.
AFraternitas não nasceu para a reprodu-
ção do modelo tridentino, em que a supe-
restrutura carece de funcionários que a alimen-
tem, nem sequer para a contestação balofa de uma
forma que não corresponde às necessidadesde um
mundo sedento do Deus vivo.
Sentimo-nos Igreja, corpo vivo de baptizados,
povo sacerdotal, radicalmente iguais a todos os
outros, não reivindicando qualquer supermacia,
nem favores. O caminho não tem sido fácil, mas
também não atiramos a toalha ao chão.
Novos corpos sociais foram há pouco eleitos.
Não para continuarem simplesmente os passos
dados, mas, sem esquecerem os caminhos já tri-
lhados, ousarem abrir novas sendas, deixarem-se
seduzir por Aquele que, sendo imutável, é sem-
pre novo.
Ânimo! Ele quer ser nosso companheiro de
jornada. Saibamos acolhê-l’O, aceitá-l’O,
vivê-l’O, partilhá-l’O!
S. J. Madeira, 9 de Junho de 2018
Alberto Osório
«Eu renovo todas as coisas.» (Ap 21,5)
Correspondência dos leitores 2
43º Encontro Nacional
Porque não disse isto às pessoas,
senhor papa? 4
O nosso eco 5
Comunicado da Direcção 12
Testemunhas, hoje! 7
In Memoriam... JOÃO SIMÃO
Carta aberta a todos nós 8
Homem de muito saber, e muita Fé 9
Celebrar a Vida 9
O Homem que continuava a ser Padre 11
Obrigado. Gostei de ler.
Com a amizade e a bênção episcopal de
† António Vitalino, carmelita, bispo emérito de
Beja
[dantasantonio110@gmail.com] (9 de março de 2018)
Meu bom amigo Dr. Alberto Osório de Castro
Muito obrigado pela gentileza do envio de
ESPIRAL nº 65. Acabo de o receber mesmo
agora mas já li a Carta dos Padres Casados da
América Latina ao Papa Francisco. Gostei.
Aproveito para desejar uma Páscoa muito feliz,
na novidade do Senhor Ressuscitado.
Grato, com amizade
† António Taipa
[domantoniotaipa@diocese-porto.pt] (9 de março de
2018)
Bom dia caríssimo Pe. Alberto Osório de
Castro,
Acuso a recepção do boletim Espiral que vou
imprimir e farei chegar ao Dom António Braga.
Em seu nome aproveito para lhe agradecer a
atenção. Bem haja, muito obrigado.
Aproveitamos a ocasião para lhe desejar a
continuação de uma Santa Quaresma, rica em
frutos espirituais e uma Feliz Páscoa cheia das
graças do Ressuscitado.
Receba os nossos melhores cumprimentos no
Coração de Cristo.
Pel' O superior,
Ir. José Joaquim Mendes da Costa
[alfragide@dehonianos.org] (9 de março de 2018)
Pax
Muito agradecido.
Cordialmente em Cristo,
† D. José Cordeiro
[djosecordeiro@gmail.com] (10 de março de 2018)
Caríssimo José Alves Rodrigues
[...] Peço a toda a Direcção que não estranhem
as minhas ausências nos encontros. Acontece
que a minha saúde me tem sido bastante ma-
drasta em várias frentes: diabetes, doença
cardíaca (males antigos) e, ultimamente, uma
neuropatia diabética progressiva nos membros
inferiores, o que já me retirou a carta de condu-
ção e apenas me permite uma mobilidade
reduzida devido aos constantes desequilíbrios.
Felizmente estou bem medicado com muito
bons médicos e a vida vai-se levando graças à
preciosa ajuda da minha esposa Maria Teresa.
Aproveito para enviar um forte abraço ao
Alberto Osório a quem dou os parabéns pelo
magnífico trabalho no Espiral. Acabei de ler
com muito agrado o último número.
Para ti um abraço especial do amigo
Paulo Tunes Eufrásio
[pt.eufrasio@gmail.com] (12 de março de 2018)
Prezados Amigos:
Acabo de receber, via electrónica, o vosso
boletim.
Já conhecia a posição do Padre Anselmo
Borges, acerca do caso do Padre da Madeira.
Relembrei, ainda, pelo seu depoimento, o
itinerário de Justino Santos. Segui de perto todo
esse caso e a repercussão, mercê de certos
contornos, que o caso teve, a que não foi alheio
um nada exemplar sacerdote da paróquia, onde
foi precisamente coadjutor o Justino.
Já tornei pública a minha posição, quanto ao
celibato, através de "O Celibato Não é Dogma
de Fé", publicado em Setembro de 2014.
Permito-me remeter dois exemplares, que
seguem pela mesma via. Ainda me permito
transcrever as palavras finais do Senhor Cónego
Jorge Teixeira da Cunha, Professor de Teologia
Moral, na Universidade Católica, aquando da
apresentação do livro, a 19 de Setembro de
2014, na Feira do Livro, do Porto:
«É muito bom que exista este livro, caro Dr.
Pereira Pinto.
É um corajoso testemunho. É destemido. É
um grito no deserto. Uma pedrada no maras-
mo.
É um doloroso alerta. Contra a cilada (…)
O seu maior valor é chamar a atenção para o
sofrimento de muitos (e muitas).
(continua na pág. seguinte)
É um libelo justo sobre o modo como se trata
a pedofilia na Igreja. É lembrado aos bispos o
seu dever de ser muito frontais com o assunto.
São confrontados com a justa normativa do
Direito Canónico sobre a matéria e sobre o
doloroso incumprimento.
É uma lufada de aguarrás sobre a hipocrisia
que rodeia a questão do celibato.»
Um abraço do
José Nuno Pereira Pinto
(Matosinhos, 09/03/2018)
Caríssimo Dr. Alberto Osório de Castro
Ainda há dias lhe desejava as melhoras do Dr.
João Simão… e venho hoje a tomar conheci-
mento, pelo "Correio de Coimbra" que ele nos
deixou no corrente dia 9.
À "Fraternitas", que foi sempre uma família a
que ele se devotou com toda a convicção, e à
sua queridíssima família de sangue (senhora sua
mulher e demais membros, os quais não tive o
prazer de conhecer), as minhas sentidas condo-
lências.
Na Igreja aqui do Seminário de Vilar — na rua
do mesmo nome — hoje, às 19 horas, tê-lo-ei
muito presente na sua ressurreição.
Os companheiros de todas as horas
† Januário Torgal Ferreira
(Porto, 20 de Março de 2018)
Caros amigos,
Saudações cordiais e votos de Saúde, Paz e
Bem!
Muito obrigado pelo envio do Boletim “Espi-
ral”.
Grato pelo gesto oportuno e útil e pelo sinal de
amizade. Votos da continuação de um luminoso
tempo pascal.
Com a mais elevada estima e consideração.
† Francisco Senra Coelho, bispo auxiliar de Braga
(12 de Abril de 2018)
(continuação da página 2)
so, imobilizando-o e colocando-
-o, assim esterilizado, ao nosso
serviço como propriedade nos-
sa, exibindo-o como bandeira,
conquista, ou "valor da Civili-
zação" e erguendo uma estátua
vistosa, no centro da nossa Ci-
dade, àquele nosso irmão, agora
ali imóvel e calado.
A Civilização nunca fez ou-
tracoisasenão imobilizaraVida,
matando-a. No lugar onde ela
crescia está agora a nossa Obra,
de onde mais nenhuma Prima-
vera brotará. Passamos um ter-
ço da nossa vida a levantá-la e
dois terços a conservá-la de pé,
no meio de um de todo inex-
plicável cansaço e sofrimento.A
Civilização não nos desenvol-
veu; embruteceu-nos. Quanto
mais a perfeiçoarmos, maisVida
ela destruirá.ACivilização é in-
trinsecamente perversa.
Senhor Papa Francisco! Por-
que não disse isto às pessoas?
Nunca tinha visto as coisas as-
sim? Teve medo? Como é pos-
sível ter, mais uma vez, atribuí-
do à Civilização o poder de nos
salvar? Não sei se perguntou a
Francisco de Assis se poderia
adoptar o seu nome. Se o fez,
imagino que ele lhe mostrou um
estranho ar abatido e melancoli-
camente lhe respondeu: Sabe
que nunca eu me atreveria a in-
terferir na sua escolha, senhor
Papa.
Salomão Morgado
(Associado nº 40)
Porque não disse isto às
pessoas, senhor papa?
(conclusão da pág. 6)
tãos. Conversa, expõe as tuas
dúvidas, as tuas angústias. Abre
o teu coração e deixa o Espírito
agir. Maria arriscou na aventu-
ra. Foi rebelde? Por isso é bem-
-aventurada. Vai, vamos com
Maria! Dás conta da força a que
teve de recorrer para vencer o
medo? Para isso, procurou o
apoio de Isabel, talvez para ca-
laras comadres,as vigilantesdos
bons costumes... Ela venceu!
Tu... nós também venceremos,
porque o Espírito éo mesmo. Dá
credibilidade ao Espírito Santo
que vive em ti: não O deixes fi-
car mal!
Joaquim Soares
(Associado nº 72)
Testemunhas, hoje!
(conclusão da pág. 7)
 
Este periódico da diocese de
Coimbra, publicou, na pág. 2 da
sua edição do dia 15 de Março, a
notícia do falecimento do João
Simão, que pertencera ao seu
clero, o que apraz aqui registar.
Os nossos Encontros podem
servir para muita coisa. Para
mimvalem sobretudo por si pró-
prios: por permitirem encon-
trarmo-nos. Nascemos de uma
rotura institucional: para perma-
necermos dentro não podería-
mos casar. Optámos todos por
romper com esse vínculo. E foi
essa atitude que nos uniu no iní-
cio e que alimenta a nossa união
até hoje; sentimo-nos iniciado-
res de algo de novo.
Não são, portanto, as pales-
tras que nos unem: umas (cada
vez menos, honra seja feita aos
responsáveis) adormecem-nos;
outras informam-nos, sem que,
a maior parte das vezes, favore-
çam o discernimento; as
assembleias gerais, essas, são
sempre o momento mais longo
e mais chato,mais desagregador,
mais inútil. Seria forçoso, tam-
bém aqui, fazer a rotura que ain-
da não aconteceu.
As palestras do último En-
contro quase poderiam dispen-
sar-se; bastava que alguns de
nós, os de mais clara e expressi-
va voz, nos lessem os vários ca-
pítulos da encíclica do Papa
Francisco "Laudato Si’". Fez
isso por nós, e muito bem, o Frei
Porque não disse isto às pessoas, senhor Papa?
A propósito do nosso último Encontro
Lopes Morgado, resumindo, es-
miuçando comalíneas, para cha-
mar a atenção.
Foi assim que, quanto mais a
atenção me era chamada para a
encíclica, mais ela se me pren-
dia a uma coisa só: àquele títu-
lo. "Laudato Si’". Por não ser
Latim, desta vez, mas italiano
medieval. Trata-se do início do
famosíssimo "Cântico das Cria-
turas", de alguém que sempre
muito me disse e julgo que ouvi:
Francisco de Assis. "Louvado
sejas, meu Senhor, por todas as
Tuas criaturas, especialmente o
senhor irmão sol…". Na verda-
de, quando aponta as patifarias
que vimos fazendo à nossa
"Casa comum", quando fala das
consequências alarmantes deste
massacre ininterrupto e vertigi-
nosamente acelerado nos últi-
mos tempos, até quando aponta
soluções,o "senhor Papa",como
dizia Francisco, o deAssis, nada
mais faz senão repetir lugares-
-comuns, de que toda a Comu-
nicação Social se faz um eco en-
surdecedor entrando-nos pela
casa dentro sem mesmo pedir
licença.
E era necessário que o senhor
Papa dissesse a única coisa que
parece ninguém ter dito ainda,
talvez porque ninguém a viu,ou,
se viu, pensa, impotente, que
nada adianta falar nisso. Trata-
-se, de facto, de uma Utopia ab-
soluta, nunca alcançável "em
tempo útil". De uma Impossibi-
(continua na pág. 6)
Visão parcelar do atento auditório.
O último fim de se-
manadeAbrillevou-nos
até Fátima e, se os mo-
tivos habituais para a
deslocação a este lugar
são suficientes, muitos
mais motivos encontra-
mos para acedermos ao
convite de participar no
encontro dos padres ca-
sados e suas famílias.
Por isso, agradecemos
ao casal Judite e Manu-
el Paiva o convite que
nos fizeram.
Encontramos um
ambiente acolhedor, in-
formal, de pessoas que vivem o
seu dia a dia na maior paz e tran-
quilidade com Deus. O Criador
está acima de tudo, não fosse
esse o grande tema desenvolvi-
do durante o fim de semana.
Inicialmente, o Dr. Francisco
Ferreira apresentou-nos uma re-
flexão interessante sobre a visão
da sociedade sobre o ambiente e
o Planeta. Chamou à atenção
para os perigos que corremos se
não olharmos com outros olhos
para aquilo que fazemos à Na-
tureza. No dia seguinte, em vá-
rias sessões, superiormente ori-
entadas pelo Frei Lopes Morga-
do, uma reflexão sobre a Carta
Encíclica "Laudato Si’",
intitulada da "ecologia integral"
O NOSSO ECO
à "conversão integral" sobre o
cuidado da Casa Comum.
Se estes temas e a oração nos
encheram a alma, o convívio
entre todos foi excelente.Amai-
or parte dos participantes já se
conhecia, mas não tivemos qual-
quer problema em nos integrar-
mos no grande grupo. Observa-
mos o particular carinho com
quenosfalavam,mas registamos
no coração a "sabedoria" que
permanece indelével em cada
um daqueles que hoje revive um
passado de educação humana e
religiosa sem precedentes. Ape-
sar de alguns sentirem na pele
alguma mágoa em relação a esse
tempo,nãofoicomazedumeque

o recordamos, antes pelo contrá-
rio, tratamos dele como se qui-
séssemos dizer "oxalá que a
Igreja olhe com outros olhos
aqueles que a serviram, servem
e servirão".
A minha esposa também fi-
cou muito encantada com o gru-
po e promete voltar sempre, pois
foi importante conversar com
outras senhoras que passaram
pelosmesmosproblemas queela
passou nos primeiros anos de
casamento.
Um abraço para todos. Bre-
vemente, havemos de nos en-
contrar novamente.
Rosa Teorgas e
Abílio Rodrigues
Foto de “família” (não se conseguiu juntar toda a gente...)
página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 fraternitasmovim
lidadepura.Paramais,e piorque
tudo, de um Espectro aterrador.
Vejamos então. No Princípio,
em pleno desabrochar feliz da
Inocência Universal, apareceu
no Paraíso uma estranha Entida-
de que a Bíblia chama Serpente
e disse isto à nossa despreocu-
pada e feliz mãe Eva: Se come-
res aquele Fruto, abrem-se-te os
olhos e ficas igual a Deus. Mas
Deus tinha dito, carinhosamen-
te, ao jeito de informação: Se
comeres deste Fruto, morres.
Cega de curiosidade e de uma
repentina ambição, o facto é que
Eva comeu. De coração aos pu-
los, descontrolado, logo o levou
a Adão. E Adão comeu.
Estava feito. E porque
Yahveh nunca volta atrás de uma
palavra que saia da Sua boca,
obviamente, inexoravelmente,
logo aí seiniciou nosnossos pro-
genitores a Decomposição pró-
pria da morte. Só depois tiveram
filhos e foi justamente isso que
lhes transmitiram: seriam iguais
a Deus. Era preciso, portanto,
que isso começasse imediata-
mente a ver-se. Era preciso cri-
ar, como Deus. Fazer uma Obra
alternativa à de Yahveh.
Foi assim que, em progressi-
va decomposição por dentro,
eles, melhor dizendo, nós, inca-
pazes de tirar do Nada a nossa
Obra, como Deus, não tivemos
outro remédio senão roubar, ao
nosso Criador e Criador de
Tudo, a matéria-prima necessá-
ria à execução do nosso Projec-
to,que haveria de ser,obviamen-
te, gigantesco. E assim começou
a Decomposição fora de nós, le-
vada a cabo sofregamente, furi-
osamente, pelas nossas mãos
impenitentes. E ai de quem se
interpusesse entre nós e o nosso
Destino. Por isso Abel, o nóma-
da amigo da Natureza, teve que
morrer às mãos de Caim, o se-
dentário "construtor de cidades".
Foi por esta via que nasceu e
cresceu a nossa Polis, a nossa
Cidade ou, de forma mais
abrangente, a Civilização. Aí
está ela hoje, o nosso rutilante
Ídolo Universal, de quem, cada
vez mais exclusivamente, espe-
ramos a solução para todos os
nossos problemas. Mas atenção:
por cada móvel da nossa sala,
uma árvore foi assassinada. Por
cada prédio da nossa Cidade,
milhões de ervinhas,centenas de
plantas, dezenas de árvores tive-
ram que morrer às nossas mãos
assassinas. Por cada jantar que
tomamos em família um animal
nosso irmão é abatido pelos nos-
sos corações insensíveis de car-
rascos. Por cada Carisma de um
nosso irmão que nos deu nasvis-
tas por ter dado origem a um
Movimento vasto, vivo e
regenerador, nós elaborámos
uma Doutrina a régua e compas-
(conclui na pág. 3)
Igreja: uma casa aberta a todos, acolhedora, transparente.
Porque não disse isto às pessoas, senhor papa?
(continuação da pág. 4)
mento@gmail.com página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05
No tempo da Páscoa, a ora-
ção oficial da Igreja abre com o
refrão: "Jesus ressuscitou verda-
deiramente. Aleluia!"
É uma afirmação de Fé! Não
há provas físicas deste mistério
que a nossa fé afirma. Há certe-
za espiritual que a fé aguenta e
robustece. Olhando para os
Sinópticos , o que diz respeito à
ressurreição é muito vago.
Todavia este mistério é cen-
tral no credo. Vale a pena irmos
mais longe. Não vamos desco-
brir mais certezas ou verdades,
mas fundamentamos a fé n'A-
quele em Quem acreditamos.
A vida de Jesus não foi tarefa
fácil. Os fariseus, os saduceus e
outros grupos, com palavrinhas
mansas, dissimulavam a agres-
sividade e mesmo o ódio que
destilavam. Por outro lado, o
grupinho dos discípulos fazia a
sua caminhada a leste do que o
Mestre ia mentalizando. Entre-
tanto, houve momentos especi-
ais de ternura — no Batismo, no
Tabor, no encontro com a
Samaritana, em casa de Mateus,
na revivência de Lázaro, etc…
Estes momentos aliviaram a
pressão social e religiosa e abri-
ram caminho.
Olhemos para a última ceia e
cenas subsequentes… Frustra-
mo-nos!O mestreestá só;osdis-
cípulos dispersam, medrosos,
acobardados... apenas algumas
mulheres O acompanham. A
Testemunhas, hoje!
vida de Cristo é um desastre!
Todos cantam vitória, os adver-
sários! E o sonho de Jesus? Foi
porágua abaixo:"Tudo está con-
sumado!" É o fim!
Não! O Pentecostes dá a vol-
ta. E agora encontramos homens
corajosos, destemidos.Vão com
uma força imprevista até às últi-
mas consequências. São teste-
munhas! Fundamentam a nossa
fé. Na escolha de Matias há pre-
ocupação de escolher quem
acompanhou Jesus desde o
Batismo de João (At 1,21ss).
Estas testemunhas não preci-
sam de provas físicas. Há certe-
zas profundas que se tornam
ontológicas, ultrapassam os
olhos,ficamexperiência de vida.
Os cristãos são as testemu-
nhas vivas de Cristo. Como os
discípulos, também fraquejamos
e nos acobardamos. Temos de
viver convictamente:"Jesus res-
suscitou verdadeiramente.
Aleluia"! Transformamos, pelo
Espírito, as dúvidas que nos as-
solam, em certezas vividas e em
comportamentos assumidos.
Não é fácil!
Somos testemunhas! Não a
uma fidelidade de acontecimen-
tos ultrapassados. Jesus está
vivo, presente. Interventivo…
De forma visível, na vida dos
cristãos. Somos testemunhas,
porque 'vimos Cristo, convive-
mos com Ele'.
Como dar a volta a esta roti-
na, que nos esmaga? Não há so-
luções à mão de semear…
Tudo parte da convicção.
Experimenta. Ouve o Espírito.
Corre o risco. Atreve-te 'por ca-
minhos não andados'. Vence o
torpor da inércia, o sempre foi
assim. Já demos passos impor-
tantes. Precisamos de ir mais
longe, não por vedetismo, nem
por moda, mas por fidelidade
ao Evangelho e ao Espírito de
Jesus. É caminho a descobrir
pela Igreja,quesãotodos os cris-
(conclui na pág. 3)
In Memoriam...
JOÃO EVANGELISTA DE JESUS SIMÃO
1929 - 2018
8 de Março
Trazemos em nós, desde o
instante primeiro, duas dinâmi-
casquese acompanhamcomoir-
mãs gémeas — AVida e a Mor-
te…
Esquecemos isso demasiadas
vezese, mesmo quando dizemos
que a Morte faz parte da vida,
estamos a pensar que "é só lá
para o fim da vida que a morte é
uma parte dela".
Mas… A Biologia diz-nos
que parece que não é bem assim.
E a Fé faz-nos acreditar que,
fazendo da nossa Vida um Dom,
quando ela acabar, também aca-
bou a morte — não haverá mais
nada em nós para morrer e a
Morte ficará de mãos vazias…
Todos,maiscedo ou maistar-
de somos confrontados com a
despedida dos que amamos…
Porque "toca a todos".
E todos morremos, sim, mas
não da mesma maneira.
Porque a maneira de morrer
tem tudo a ver com a maneira
como vivemos.
A despedida daqueles cujas
vidas cruzam a nossa vida dei-
Carta aberta a todos nós,
os vivos debaixo deste sol…
Meditando no Dies Natalis do nosso João Simão, o Sábio, como o nosso filho mais novo João, lhe
chamava.
xando nela uma marca de Bele-
za,Alegria e Paz não pode acon-
tecer como ausência — "morrer
é só não ser visto", diz Sophia, e
os poetas sabem o que dizem…
Àqueles que se apaixonam,
acontece a MELHOR, a MAIS
PRECIOSA de todas as riquezas
—apaixonarmo-nosde verdade,
amar de verdade, faz-nos inca-
pazes de viver sozinhos, de nos
centramos em nós, de fechar os
nossos olhos por dentro e os ou-
vidos à Humanidade…
Na Fé, acreditamos que o mi-
lagre maior das nossas vidas é
sermos passados dos braços de
quem mais amamos para os bra-
ços de quem mais nos ama —
um PaiTodo PoderosoemAmor.
Porque a nossa Esperança e
a nossa Fé estão em Jesus re-
Suscitado. N'Ele está a nossa
Salvação! N'Ele vivemos e nos
movemos!
É esse Jesus que nos acolhe e
nos lava os pés à entrada do
GRANDE Banquete onde TO-
DOS temos o lugar marcado
com uma "pedrinha branca".
Nela está escrito o nosso verda-
deiro nome, o nome que só nes-
se DIA saberemos. E esse é o
DIA sem entardecer…o DIA da
nossa Páscoa. O PRIMEIRO
DIA!
Na outra margem da Vida,
não mais nos magoaremos uns
aos outros, não haverá mais
morte, nem sofrimento, nem
luto, nem lágrimas…Toda a dor
e toda a angústia foram vencidas
pela Vida sem confins.
Porque Deus SÓ é BOM!
E…"porque aVida está cheia
de milagres; e a morte é o maior
e maisestranho deles todos" (diz
o nosso companheiro Rui Santi-
ago).
(conclui na pág. 10)
Fui aluno do Sr. Padre João,
mais tarde Prof. Doutor João
Evangelista Simão, e meu cole-
ga no Departamento de Quími-
ca da Universidade de Coimbra,
bem como na Universidade em
Lourenço Marques, hoje Mapu-
to.
Assisti, na Sala dos Capelos
da Universidade de Coimbra, às
suas provas de Doutoramento e,
mais tarde, às suas brilhantes
provas deAgregação. Colaborá-
mos na fundação da Sociedade
Portuguesa de Electroquímica,
sendo ambos Sócios Fundado-
JOÃO SIMÃO:
homem de muito saber, e muita fé
res. Foi o primeiro Editor da res-
pectiva revista científica, a
Portugaliae Electrochimica
Acta, elevando-a a um elevado
nível de prestígio; agora tenho a
grande honra de ser, há mais de
15 anos, o seu sucessor como
Editor dessa publicação.
Homem de muito saber: sim!
Foi professor de grego e latim
no Seminário de Coimbra, e fez
o Doutoramento na Alemanha,
isto é, tinha uma profunda cul-
tura do saber clássico, de portu-
guês, francês, alemão, inglês, de
teologia, e sobre tudo, de quími-
ca, e ciência em geral.
O que mais me marca no re-
lacionamento com este notável
Professor Catedrático, é a ajuda
que sempre me deu: era sempre
o meu conselheiro para tudo o
que eu planeasse fazer na vida
académica, fez uma cuidadosa
revisão de todos os textos para
as minhas provas deAgregação,
ensinou-me muito de química e
de português, enfim, ajudou-me
a ser homem. A sua profunda fé
também muito me ajudou.
Victor M. M. Lobo

A Celebração da Palavra, no
dia do funeral do nosso querido
amigo João Simão, na paróquia
de Esgueira (Aveiro), a que ele
pertencia, foi mesmo à sua me-
dida: simples, despretensiosa,
mas profunda e prenhe de signi-
ficado e sentido.
Presidiu o pároco, Pe. Ar-
mando Baptista da Silva, SCJ
(Dehoniano). Na homilia, após
as leituras bíblicas, em abertura,
deu a possibilidade a que, quem
o quisesse, pudesse partilhar vi-
vências havidas com o João Si-
mão. E, como pérolas, desfia-
João Simão
Celebrar a Vida
ram: a Fraternitas (através do
José Serafim),a Universidade de
Coimbra (seu antigo aluno e, de-
pois, colega), a Universidade de
Braga (colega enviada expressa-
mente pela reitoria), a Universi-
dade de Aveiro, onde terminou
o seu percurso académico (um
amigo e colega de departamen-
to), um vizinho (testemunho
simples, vital e intenso), o Mo-
vimento Vida Ascendente, a que
também pertencera, e o pároco,
que testemunhou a vivência pa-
roquial do João. Foi um louvar
a Deus pelas belas coisas que o
Senhor fez através da vida do
Simão.
A Eucaristia (Acção de Gra-
ças) de corpo presente celebra-
da em Penela, onde foi a sepul-
tar, foi presidida pelo Vigário-
-geral da diocese de Coimbra a
cujo presbitério pertencia.
A Fraternitas Movimento es-
teve presente nestes actos atra-
vés de elementos da Direcção e
outros associados, como já ha-
via estado mesmo no período de
doença incapacitante que o atin-
gira.
(conclui na pág. 10)

OJoão Simão,associado fun-
dador da Fraternitas, foi o seu
primeiro Presidente. E sempre
pautou a sua actuação por uma
grande humildade, abertura, ser-
viço, acolhimento.
Só no seu funeral eu soube,
por exemplo, que, na altura da
sua comissão de serviço como
professor universitário em Mo-
çambique (Lourenço Marques,
hoje Maputo), havia sido sonda-
do para bispo, a que renunciou
firmemente, por não querer ser
pago pelo Estado para um servi-
ço eclesial. E aqui se iniciou o
novelo que o levaria àsuarenún-
cia ao exercício do ministério
presbiteral.
Como nem todos conhecem,
permito-me fazer uma brevís-
sima resenha do seu percurso de
vida,com destaque especial para
o académico:
- nasceu em 28 de Fevereiro
de 1929, no Corticeiro de
Cima (Cantanhede);
- foi ordenado em 22 de Se-
tembro de 1951, na diocese
de Coimbra;
- licenciou-se em Ciências
Físico-Químicas pela Fa-
culdadedeCiênciasdaUni-
versidade de Coimbra, em
1959;
- doutorou-se em Químicana
conversar,masele próprio ia-nos
anunciando que dentro de dias
já não poderia deslocar-se.
O seu aspeto físico manteve-
-se, mas o seu olhar começou a
ser distante e vazio.
Não foi fácil deixarmos de o
ter junto de nós mas por uma
questão de mantermos a sua dig-
nidade e a sua imagem o Dr. Si-
mão recolheu-se em casa, onde
a sua cuidadora Judite o
acarinhava e tratava com muito
amor.
Passei a telefonar-lhe sema-
nalmente e parecia que continu-
ava a conhecer-me, pois eu fala-
va-lhe sobre as nossasatividades
e ele, embora não desenvolves-
se o tema ia dizendo que sim,
qua achava bem... mas a Judite
dizia-me que, depois de poisar
o telefone, lhe perguntava quem
era?
Ainda o fui ver à Clínica 48h
antes da sua morte. Já não fala-
va mas olhou para mim e con-
tei-lhe todas as atividades que
realizámos nessa semana e res-
pondeu-me com duas grossas
lágrimas que se soltaram dos seu
olhos humildes, serenos e sãos.
Aí é que eu senti que já não ti-
nha o meu grande Amigo Dr.
Simão.
Perdemoso Homemque nun-
ca deixou de ser padre!
Maria de Fátima Gonçalves
O Homem que continuava a ser Padre

(conclusão da pág. 11)
Universidade de Bona,
RFA, em 1967;
- na sua docência percorreu
os diversos graus, desde
Assistente a Professor Ca-
tedrático (de 1960 a 1999),
integrando o corpo docen-
te das Universidades de
Coimbra, de Lourenço
Marques, de Braga e de
Aveiro, onde se jubilou;
- ocupou diversos cargos,
desde responsável de De-
partamento, membro e Pre-
sidente de Conselho Peda-
gógico,coordenadordeCo-
missão Cientifica do De-
partamento de Química,
membro deSenado Univer-
sitário, editor de revistas da
especialidade (Química).
Todavia, a sua humildade e
modéstia sempre "esconderam"
estes e muitos outros "galões",
que nunca quis ostentar. Verda-
deiramente, um santo entre nós.
Disto não tenho dúvidas.
Alberto Osório
(Associado nº 20)
Celebrar a Vida
(conclusão da pág. 9)

Por isso, sempre que Celebramos a Vida, a Graça, o Perdão e a
Alegria, Celebramos COM todos os que amámos e tendo desapare-
cido dos nossos olhos estão VIVOS e vivem entre nós com Cristo
ressuscitado! À luz de OUTRO SOL!!!
Glória e Carlos
(Associados nº 22)
Carta aberta a todos nós
(conclusão da pág. 8)
Estávamos no ano 2010, pelo
mês de Setembro, data do início
das atividades do Movimento
Vida Ascendente — Movimen-
to Cristão de Reformados na
diocese de Aveiro.
Era a primeira reunião após a
minha nomeação como presi-
dentedesteMovimento.Deu ini-
cio à sessão o Bispo Emérito, na
altura, D. António Baltazar
Marcelino, quando a porta se
abre e entra na sala um senhor
com ar humilde, simples e mo-
desto de pasta na mão e delica-
damente se senta na última fila
da sala.
D.António Marcelino fez-lhe
um cumprimento muito famili-
ar :
— Então, João Simão, tu por
aqui?
— Sim. Vim procurar inte-
grar-me no grupo do qual fez
parte a minha mulher que fale-
ceu há dois meses.
— Podes apresentar-te ao
grupo — pediu-lhe D. António.
— Sou João Simão, profes-
sor universitário reformado,mas
sou padre, embora não possa
exercer essa função.
No grupo ninguém o conhe-
cia, mas a curiosidade foi mui-
ta. Comecei, de imediato, a per-
ceber que era de gente como o
Dr. Simão que aquele grupo pre-
cisava.
Nesta mesma reunião foi-lhe
feito o convite para ser o secre-
tário do Movimento. Dr. Simão
aceitou o convite dizendo que
7 anos com o Dr. João Simão
O HOMEM QUE CONTINUAVA A SER PADRE!
não sabia se seria capaz mas, se
era preciso, esforçar-se-ia para
fazer o seu melhor.
Começámos a trabalhar,
juntávamo-nos em minha casa
para prepararmos as reuniões e
fazermos as atas. Para mim, as
horas eram minutos quando o
escutava.
Em seguida acumulou o car-
go de animador de um grupo.
Foram sessões de aperfeiçoa-
mento da nossa fé, de cultura
religiosa, de conhecimentos pes-
soais e vivenciados...
O Movimento começou a
crescer. Tínhamos já muita gen-
te que ia ao grupo para aprender
com o dr. Simão. Já em ambien-
te mais familiar e integrado no
grupo contava as suas histórias
e a sua vida de padre mostran-
do, muitas vezes a sua mágoa,
pela forma como a Igreja o co-
meçou a ver quando teve que
abandonar a missão de padre
porque o seu coração bateu apai-
xonadamente pela Enfermeira
Fernanda com quem casou e
com viveu 20 anos muito feli-
zes.
Quando nos falava sobre a
Bíblia, falava de tal maneira que
associando ao seu tempo de pa-
dre nós enganávamo-nos ao
dirigirmo-nos a ele tratando-o
por padre e de imediato, pedía-
mos desculpa, à qual ele respon-
dia: "podem tratar-me por padre,
porque continuo a ser padre".
Era realmente um homem
bom! Por modestas que fossem
as pessoas com quem falava, ele
tinha sempre muita serenidade e
muita paciência para as esclare-
cer/ensinar.
Quis estar sempre presente
nasatividadesque fazíamos,fos-
sem elas de caráter mais religio-
so ou mais divertido. Ia connos-
co para Fátima nos momentos
de Encontro Nacional, aos Re-
tiros, à Assembleia Nacional e,
se, em qualquer momento, des-
se a sua opinião, facilmente to-
dos se apercebiam que era um
opinião a considerar, a registar
e a sobressair. Não era fácil a sua
capa de timidez, a sua simplici-
dade e a sua modéstia encobri-
rem um dom de sabedoria úni-
co.
Mas, ao fim de cinco anos
connosco demos conta da sua
decadência. Ele próprio nos ia
anunciando que se sentia esque-
cido, que tinha preparado o tema
e já não se lembrava. Nós, tão
apoiadas nele, achávamos que
era asimplicidade/modéstia dele
e não a doença.
Eis que um dia, no início da
sessão, começa por dizer que
gostava muito de estar connos-
co e que nos considerava a sua
família e, por esse facto, ia de-
sabafar a triste notícia que rece-
bera nesse dia que o médico lhe
diagnosticara a doença de
Alzheimer.
Ainda veio às reuniões du-
rante um ano depois deste desa-
bafo. Procurava integrar-se e
(conclui na pág. 8)
Rua Dr. Sá Carneiro, 182 - 1º Dtº
3700-254 S. JOÃO DA MADEIRA
e-mail: espiral.fraternitas@gmail.com
boletim de
fr a t er n it a s m o v im en t o
Responsável: Alberto Osório de Castro
Nº 66 - Abril/Junho de 2018
Decorreu em Fátima, na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, entre os dias 27 e 29 de Abril,
o nosso 43º Encontro Nacional. A presença e participação de Associados foi muito significativa.
O tema de reflexão foi a Encíclica do papa Francisco, Laudato Si'.
Abriu esta reflexão, no dia 27, o Doutor Francisco Ferrei-
ra, presidente da Associação "Zero", com uma conferência
intitulada "O Cuidado da Casa Comum". O dia 28 foi ocupado
com três palestras de frei Lopes Morgado, OFMCap, que se
debruçou sobre as linhas de força da Encíclica e os eixos teo-
lógico-bíblicos da mesma. O visionamento do filme
documentário
"HOME - O Mun-
do É a Nossa
Casa", no serão
do dia, consolidou os conhecimentos que os palestrantes mi-
nistraram. Os participantes manifestaramexpressamente o seu
agrado com a temática abordada e a qualidade dos conferen-
tes.
No domingo, dia 29, teve lugar a Assembleia Geral da
FRATERNITAS bem como a Eucaristia de Encerramento.
A Assembleia Geral, este ano também electiva, pois terminava o mandato dos órgãos sociais (2015-
2018), foi muito participada. Foram debatidas e aprovadas as Contas e os Relatórios da Direcção de 2017. O
Plano de Actividades e o Orçamento para 2018 foram também aprovados.
A eleição dos novos corpos sociais teve uma massiva participação dos associados. Houve, apenas,
uma lista candidata. Ela vai gerir a Fraternitas nos próximos quatro anos (2018-2022).
A Assembleia exarou um agradecimento especial aos membros da Direcção que cessaram funções,
Luís Salgueiro, como Presidente, e Ana Marta, como Secretária, sublinhando a dedicação e o sacrifício
pessoal que significou a sua entrega ao longo destes três últimos anos.
AAssembleia vincou, ainda, a necessidade de se apostar nas relações pessoais, procurando privilegi-
ar os encontros locais, bem como incrementar o esforço de aproximação aos presbíteros que, recentemente,
deixaram o exercício do ministério presbiteral.
O Encontro encerrou com a Eucaristia presidida pelo frei Lopes Morgado que tinha orientado a refle-
xão do dia anterior. Foi uma celebração dinâmica e viva. Nela celebramos o que vivenciámos, nos dois
últimos dias, à volta da Laudato Si'.
Como gesto simbólico e compromisso comum real gerado pela reflexão deste importante documento
do papa Francisco, foi proposto e aceite que a partilha do Ofertório celebrado na nossa Eucaristia, consis-
tente com o Rito Penitencial em que reconhecemos explicitamente os nossos erros contra a Criação, se
aplique na compra de árvores para a reflorestação de alguma das zonas atingidas pelos incêndios de 15 de
Outubro passado.
Salienta-se, igualmente, a participação de elementos novos que expressamente manifestaram a sua
vontade em aderir à Fraternitas Movimento — um casal e um ministro ordenado dispensado viúvo propuse-
ram-se a membros associados.
O almoço foi o ponto final do Encontro rico e muito interpelante, que a todos deixou vivamente
satisfeitos.
Fátima, 29 de Abril de 2018
A Direcção

43º Encontro Nacional da
FRATERNITAS Movimento
O Dr. Francisco Ferreira fazendo a
sua exposição.
Frei Lopes Morgado, numa das suas
comunicações.

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  • 1. Nº 66 - Abril / Junho de 2018 b o l e t i m d a F R A T E R N I T A S M O V I M E N T O  Renovação Tudo muda, só Deus é, só Ele permanece. Por isso, por muito bom que tenha sido o passado, não podemos ficar amarrados a ele, pre- cisamos de nos voltar para o futuro, precisamos de nos converter. Esta é uma atitude verdadeira- mente cristã, porque assente no projecto de Jesus que rompe com o estabelecido e Se lança ao sa- bor do Espírito que sopra onde quer. Gastar esforços em manter estruturas caducas é condenar-se ao fracasso, à desilusão. O organis- mo vivo é dinâmico e a sua reprodução não é uma mera cópia do seu ascendente: terá uma identida- de própria , embora com raízes no que lhe dá ori- gem. Assim a Igreja: ou se descobre corpo de Cris- to, organismo vivo em que os baptizados entre- tecem células dinâmicas abertas ao Espírito e são fermento e sal no seu meio, ou a clonagem de um cristianismo ritualizado e cristalizado em sacra- mentos “mágicos” que se petrifica em estruturas bolorentas e carcomidas pelo desejo do poder, da ostentação, da cega obediência ao legalismo. AFraternitas não nasceu para a reprodu- ção do modelo tridentino, em que a supe- restrutura carece de funcionários que a alimen- tem, nem sequer para a contestação balofa de uma forma que não corresponde às necessidadesde um mundo sedento do Deus vivo. Sentimo-nos Igreja, corpo vivo de baptizados, povo sacerdotal, radicalmente iguais a todos os outros, não reivindicando qualquer supermacia, nem favores. O caminho não tem sido fácil, mas também não atiramos a toalha ao chão. Novos corpos sociais foram há pouco eleitos. Não para continuarem simplesmente os passos dados, mas, sem esquecerem os caminhos já tri- lhados, ousarem abrir novas sendas, deixarem-se seduzir por Aquele que, sendo imutável, é sem- pre novo. Ânimo! Ele quer ser nosso companheiro de jornada. Saibamos acolhê-l’O, aceitá-l’O, vivê-l’O, partilhá-l’O! S. J. Madeira, 9 de Junho de 2018 Alberto Osório «Eu renovo todas as coisas.» (Ap 21,5) Correspondência dos leitores 2 43º Encontro Nacional Porque não disse isto às pessoas, senhor papa? 4 O nosso eco 5 Comunicado da Direcção 12 Testemunhas, hoje! 7 In Memoriam... JOÃO SIMÃO Carta aberta a todos nós 8 Homem de muito saber, e muita Fé 9 Celebrar a Vida 9 O Homem que continuava a ser Padre 11
  • 2. Obrigado. Gostei de ler. Com a amizade e a bênção episcopal de † António Vitalino, carmelita, bispo emérito de Beja [dantasantonio110@gmail.com] (9 de março de 2018) Meu bom amigo Dr. Alberto Osório de Castro Muito obrigado pela gentileza do envio de ESPIRAL nº 65. Acabo de o receber mesmo agora mas já li a Carta dos Padres Casados da América Latina ao Papa Francisco. Gostei. Aproveito para desejar uma Páscoa muito feliz, na novidade do Senhor Ressuscitado. Grato, com amizade † António Taipa [domantoniotaipa@diocese-porto.pt] (9 de março de 2018) Bom dia caríssimo Pe. Alberto Osório de Castro, Acuso a recepção do boletim Espiral que vou imprimir e farei chegar ao Dom António Braga. Em seu nome aproveito para lhe agradecer a atenção. Bem haja, muito obrigado. Aproveitamos a ocasião para lhe desejar a continuação de uma Santa Quaresma, rica em frutos espirituais e uma Feliz Páscoa cheia das graças do Ressuscitado. Receba os nossos melhores cumprimentos no Coração de Cristo. Pel' O superior, Ir. José Joaquim Mendes da Costa [alfragide@dehonianos.org] (9 de março de 2018) Pax Muito agradecido. Cordialmente em Cristo, † D. José Cordeiro [djosecordeiro@gmail.com] (10 de março de 2018) Caríssimo José Alves Rodrigues [...] Peço a toda a Direcção que não estranhem as minhas ausências nos encontros. Acontece que a minha saúde me tem sido bastante ma- drasta em várias frentes: diabetes, doença cardíaca (males antigos) e, ultimamente, uma neuropatia diabética progressiva nos membros inferiores, o que já me retirou a carta de condu- ção e apenas me permite uma mobilidade reduzida devido aos constantes desequilíbrios. Felizmente estou bem medicado com muito bons médicos e a vida vai-se levando graças à preciosa ajuda da minha esposa Maria Teresa. Aproveito para enviar um forte abraço ao Alberto Osório a quem dou os parabéns pelo magnífico trabalho no Espiral. Acabei de ler com muito agrado o último número. Para ti um abraço especial do amigo Paulo Tunes Eufrásio [pt.eufrasio@gmail.com] (12 de março de 2018) Prezados Amigos: Acabo de receber, via electrónica, o vosso boletim. Já conhecia a posição do Padre Anselmo Borges, acerca do caso do Padre da Madeira. Relembrei, ainda, pelo seu depoimento, o itinerário de Justino Santos. Segui de perto todo esse caso e a repercussão, mercê de certos contornos, que o caso teve, a que não foi alheio um nada exemplar sacerdote da paróquia, onde foi precisamente coadjutor o Justino. Já tornei pública a minha posição, quanto ao celibato, através de "O Celibato Não é Dogma de Fé", publicado em Setembro de 2014. Permito-me remeter dois exemplares, que seguem pela mesma via. Ainda me permito transcrever as palavras finais do Senhor Cónego Jorge Teixeira da Cunha, Professor de Teologia Moral, na Universidade Católica, aquando da apresentação do livro, a 19 de Setembro de 2014, na Feira do Livro, do Porto: «É muito bom que exista este livro, caro Dr. Pereira Pinto. É um corajoso testemunho. É destemido. É um grito no deserto. Uma pedrada no maras- mo. É um doloroso alerta. Contra a cilada (…) O seu maior valor é chamar a atenção para o sofrimento de muitos (e muitas). (continua na pág. seguinte)
  • 3. É um libelo justo sobre o modo como se trata a pedofilia na Igreja. É lembrado aos bispos o seu dever de ser muito frontais com o assunto. São confrontados com a justa normativa do Direito Canónico sobre a matéria e sobre o doloroso incumprimento. É uma lufada de aguarrás sobre a hipocrisia que rodeia a questão do celibato.» Um abraço do José Nuno Pereira Pinto (Matosinhos, 09/03/2018) Caríssimo Dr. Alberto Osório de Castro Ainda há dias lhe desejava as melhoras do Dr. João Simão… e venho hoje a tomar conheci- mento, pelo "Correio de Coimbra" que ele nos deixou no corrente dia 9. À "Fraternitas", que foi sempre uma família a que ele se devotou com toda a convicção, e à sua queridíssima família de sangue (senhora sua mulher e demais membros, os quais não tive o prazer de conhecer), as minhas sentidas condo- lências. Na Igreja aqui do Seminário de Vilar — na rua do mesmo nome — hoje, às 19 horas, tê-lo-ei muito presente na sua ressurreição. Os companheiros de todas as horas † Januário Torgal Ferreira (Porto, 20 de Março de 2018) Caros amigos, Saudações cordiais e votos de Saúde, Paz e Bem! Muito obrigado pelo envio do Boletim “Espi- ral”. Grato pelo gesto oportuno e útil e pelo sinal de amizade. Votos da continuação de um luminoso tempo pascal. Com a mais elevada estima e consideração. † Francisco Senra Coelho, bispo auxiliar de Braga (12 de Abril de 2018) (continuação da página 2) so, imobilizando-o e colocando- -o, assim esterilizado, ao nosso serviço como propriedade nos- sa, exibindo-o como bandeira, conquista, ou "valor da Civili- zação" e erguendo uma estátua vistosa, no centro da nossa Ci- dade, àquele nosso irmão, agora ali imóvel e calado. A Civilização nunca fez ou- tracoisasenão imobilizaraVida, matando-a. No lugar onde ela crescia está agora a nossa Obra, de onde mais nenhuma Prima- vera brotará. Passamos um ter- ço da nossa vida a levantá-la e dois terços a conservá-la de pé, no meio de um de todo inex- plicável cansaço e sofrimento.A Civilização não nos desenvol- veu; embruteceu-nos. Quanto mais a perfeiçoarmos, maisVida ela destruirá.ACivilização é in- trinsecamente perversa. Senhor Papa Francisco! Por- que não disse isto às pessoas? Nunca tinha visto as coisas as- sim? Teve medo? Como é pos- sível ter, mais uma vez, atribuí- do à Civilização o poder de nos salvar? Não sei se perguntou a Francisco de Assis se poderia adoptar o seu nome. Se o fez, imagino que ele lhe mostrou um estranho ar abatido e melancoli- camente lhe respondeu: Sabe que nunca eu me atreveria a in- terferir na sua escolha, senhor Papa. Salomão Morgado (Associado nº 40) Porque não disse isto às pessoas, senhor papa? (conclusão da pág. 6) tãos. Conversa, expõe as tuas dúvidas, as tuas angústias. Abre o teu coração e deixa o Espírito agir. Maria arriscou na aventu- ra. Foi rebelde? Por isso é bem- -aventurada. Vai, vamos com Maria! Dás conta da força a que teve de recorrer para vencer o medo? Para isso, procurou o apoio de Isabel, talvez para ca- laras comadres,as vigilantesdos bons costumes... Ela venceu! Tu... nós também venceremos, porque o Espírito éo mesmo. Dá credibilidade ao Espírito Santo que vive em ti: não O deixes fi- car mal! Joaquim Soares (Associado nº 72) Testemunhas, hoje! (conclusão da pág. 7)   Este periódico da diocese de Coimbra, publicou, na pág. 2 da sua edição do dia 15 de Março, a notícia do falecimento do João Simão, que pertencera ao seu clero, o que apraz aqui registar.
  • 4. Os nossos Encontros podem servir para muita coisa. Para mimvalem sobretudo por si pró- prios: por permitirem encon- trarmo-nos. Nascemos de uma rotura institucional: para perma- necermos dentro não podería- mos casar. Optámos todos por romper com esse vínculo. E foi essa atitude que nos uniu no iní- cio e que alimenta a nossa união até hoje; sentimo-nos iniciado- res de algo de novo. Não são, portanto, as pales- tras que nos unem: umas (cada vez menos, honra seja feita aos responsáveis) adormecem-nos; outras informam-nos, sem que, a maior parte das vezes, favore- çam o discernimento; as assembleias gerais, essas, são sempre o momento mais longo e mais chato,mais desagregador, mais inútil. Seria forçoso, tam- bém aqui, fazer a rotura que ain- da não aconteceu. As palestras do último En- contro quase poderiam dispen- sar-se; bastava que alguns de nós, os de mais clara e expressi- va voz, nos lessem os vários ca- pítulos da encíclica do Papa Francisco "Laudato Si’". Fez isso por nós, e muito bem, o Frei Porque não disse isto às pessoas, senhor Papa? A propósito do nosso último Encontro Lopes Morgado, resumindo, es- miuçando comalíneas, para cha- mar a atenção. Foi assim que, quanto mais a atenção me era chamada para a encíclica, mais ela se me pren- dia a uma coisa só: àquele títu- lo. "Laudato Si’". Por não ser Latim, desta vez, mas italiano medieval. Trata-se do início do famosíssimo "Cântico das Cria- turas", de alguém que sempre muito me disse e julgo que ouvi: Francisco de Assis. "Louvado sejas, meu Senhor, por todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão sol…". Na verda- de, quando aponta as patifarias que vimos fazendo à nossa "Casa comum", quando fala das consequências alarmantes deste massacre ininterrupto e vertigi- nosamente acelerado nos últi- mos tempos, até quando aponta soluções,o "senhor Papa",como dizia Francisco, o deAssis, nada mais faz senão repetir lugares- -comuns, de que toda a Comu- nicação Social se faz um eco en- surdecedor entrando-nos pela casa dentro sem mesmo pedir licença. E era necessário que o senhor Papa dissesse a única coisa que parece ninguém ter dito ainda, talvez porque ninguém a viu,ou, se viu, pensa, impotente, que nada adianta falar nisso. Trata- -se, de facto, de uma Utopia ab- soluta, nunca alcançável "em tempo útil". De uma Impossibi- (continua na pág. 6) Visão parcelar do atento auditório.
  • 5. O último fim de se- manadeAbrillevou-nos até Fátima e, se os mo- tivos habituais para a deslocação a este lugar são suficientes, muitos mais motivos encontra- mos para acedermos ao convite de participar no encontro dos padres ca- sados e suas famílias. Por isso, agradecemos ao casal Judite e Manu- el Paiva o convite que nos fizeram. Encontramos um ambiente acolhedor, in- formal, de pessoas que vivem o seu dia a dia na maior paz e tran- quilidade com Deus. O Criador está acima de tudo, não fosse esse o grande tema desenvolvi- do durante o fim de semana. Inicialmente, o Dr. Francisco Ferreira apresentou-nos uma re- flexão interessante sobre a visão da sociedade sobre o ambiente e o Planeta. Chamou à atenção para os perigos que corremos se não olharmos com outros olhos para aquilo que fazemos à Na- tureza. No dia seguinte, em vá- rias sessões, superiormente ori- entadas pelo Frei Lopes Morga- do, uma reflexão sobre a Carta Encíclica "Laudato Si’", intitulada da "ecologia integral" O NOSSO ECO à "conversão integral" sobre o cuidado da Casa Comum. Se estes temas e a oração nos encheram a alma, o convívio entre todos foi excelente.Amai- or parte dos participantes já se conhecia, mas não tivemos qual- quer problema em nos integrar- mos no grande grupo. Observa- mos o particular carinho com quenosfalavam,mas registamos no coração a "sabedoria" que permanece indelével em cada um daqueles que hoje revive um passado de educação humana e religiosa sem precedentes. Ape- sar de alguns sentirem na pele alguma mágoa em relação a esse tempo,nãofoicomazedumeque  o recordamos, antes pelo contrá- rio, tratamos dele como se qui- séssemos dizer "oxalá que a Igreja olhe com outros olhos aqueles que a serviram, servem e servirão". A minha esposa também fi- cou muito encantada com o gru- po e promete voltar sempre, pois foi importante conversar com outras senhoras que passaram pelosmesmosproblemas queela passou nos primeiros anos de casamento. Um abraço para todos. Bre- vemente, havemos de nos en- contrar novamente. Rosa Teorgas e Abílio Rodrigues Foto de “família” (não se conseguiu juntar toda a gente...)
  • 6. página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 fraternitasmovim lidadepura.Paramais,e piorque tudo, de um Espectro aterrador. Vejamos então. No Princípio, em pleno desabrochar feliz da Inocência Universal, apareceu no Paraíso uma estranha Entida- de que a Bíblia chama Serpente e disse isto à nossa despreocu- pada e feliz mãe Eva: Se come- res aquele Fruto, abrem-se-te os olhos e ficas igual a Deus. Mas Deus tinha dito, carinhosamen- te, ao jeito de informação: Se comeres deste Fruto, morres. Cega de curiosidade e de uma repentina ambição, o facto é que Eva comeu. De coração aos pu- los, descontrolado, logo o levou a Adão. E Adão comeu. Estava feito. E porque Yahveh nunca volta atrás de uma palavra que saia da Sua boca, obviamente, inexoravelmente, logo aí seiniciou nosnossos pro- genitores a Decomposição pró- pria da morte. Só depois tiveram filhos e foi justamente isso que lhes transmitiram: seriam iguais a Deus. Era preciso, portanto, que isso começasse imediata- mente a ver-se. Era preciso cri- ar, como Deus. Fazer uma Obra alternativa à de Yahveh. Foi assim que, em progressi- va decomposição por dentro, eles, melhor dizendo, nós, inca- pazes de tirar do Nada a nossa Obra, como Deus, não tivemos outro remédio senão roubar, ao nosso Criador e Criador de Tudo, a matéria-prima necessá- ria à execução do nosso Projec- to,que haveria de ser,obviamen- te, gigantesco. E assim começou a Decomposição fora de nós, le- vada a cabo sofregamente, furi- osamente, pelas nossas mãos impenitentes. E ai de quem se interpusesse entre nós e o nosso Destino. Por isso Abel, o nóma- da amigo da Natureza, teve que morrer às mãos de Caim, o se- dentário "construtor de cidades". Foi por esta via que nasceu e cresceu a nossa Polis, a nossa Cidade ou, de forma mais abrangente, a Civilização. Aí está ela hoje, o nosso rutilante Ídolo Universal, de quem, cada vez mais exclusivamente, espe- ramos a solução para todos os nossos problemas. Mas atenção: por cada móvel da nossa sala, uma árvore foi assassinada. Por cada prédio da nossa Cidade, milhões de ervinhas,centenas de plantas, dezenas de árvores tive- ram que morrer às nossas mãos assassinas. Por cada jantar que tomamos em família um animal nosso irmão é abatido pelos nos- sos corações insensíveis de car- rascos. Por cada Carisma de um nosso irmão que nos deu nasvis- tas por ter dado origem a um Movimento vasto, vivo e regenerador, nós elaborámos uma Doutrina a régua e compas- (conclui na pág. 3) Igreja: uma casa aberta a todos, acolhedora, transparente. Porque não disse isto às pessoas, senhor papa? (continuação da pág. 4)
  • 7. mento@gmail.com página oficial na Internet: http://fraternitasmovimento.blogspot.com NIF: 504 602 136 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 No tempo da Páscoa, a ora- ção oficial da Igreja abre com o refrão: "Jesus ressuscitou verda- deiramente. Aleluia!" É uma afirmação de Fé! Não há provas físicas deste mistério que a nossa fé afirma. Há certe- za espiritual que a fé aguenta e robustece. Olhando para os Sinópticos , o que diz respeito à ressurreição é muito vago. Todavia este mistério é cen- tral no credo. Vale a pena irmos mais longe. Não vamos desco- brir mais certezas ou verdades, mas fundamentamos a fé n'A- quele em Quem acreditamos. A vida de Jesus não foi tarefa fácil. Os fariseus, os saduceus e outros grupos, com palavrinhas mansas, dissimulavam a agres- sividade e mesmo o ódio que destilavam. Por outro lado, o grupinho dos discípulos fazia a sua caminhada a leste do que o Mestre ia mentalizando. Entre- tanto, houve momentos especi- ais de ternura — no Batismo, no Tabor, no encontro com a Samaritana, em casa de Mateus, na revivência de Lázaro, etc… Estes momentos aliviaram a pressão social e religiosa e abri- ram caminho. Olhemos para a última ceia e cenas subsequentes… Frustra- mo-nos!O mestreestá só;osdis- cípulos dispersam, medrosos, acobardados... apenas algumas mulheres O acompanham. A Testemunhas, hoje! vida de Cristo é um desastre! Todos cantam vitória, os adver- sários! E o sonho de Jesus? Foi porágua abaixo:"Tudo está con- sumado!" É o fim! Não! O Pentecostes dá a vol- ta. E agora encontramos homens corajosos, destemidos.Vão com uma força imprevista até às últi- mas consequências. São teste- munhas! Fundamentam a nossa fé. Na escolha de Matias há pre- ocupação de escolher quem acompanhou Jesus desde o Batismo de João (At 1,21ss). Estas testemunhas não preci- sam de provas físicas. Há certe- zas profundas que se tornam ontológicas, ultrapassam os olhos,ficamexperiência de vida. Os cristãos são as testemu- nhas vivas de Cristo. Como os discípulos, também fraquejamos e nos acobardamos. Temos de viver convictamente:"Jesus res- suscitou verdadeiramente. Aleluia"! Transformamos, pelo Espírito, as dúvidas que nos as- solam, em certezas vividas e em comportamentos assumidos. Não é fácil! Somos testemunhas! Não a uma fidelidade de acontecimen- tos ultrapassados. Jesus está vivo, presente. Interventivo… De forma visível, na vida dos cristãos. Somos testemunhas, porque 'vimos Cristo, convive- mos com Ele'. Como dar a volta a esta roti- na, que nos esmaga? Não há so- luções à mão de semear… Tudo parte da convicção. Experimenta. Ouve o Espírito. Corre o risco. Atreve-te 'por ca- minhos não andados'. Vence o torpor da inércia, o sempre foi assim. Já demos passos impor- tantes. Precisamos de ir mais longe, não por vedetismo, nem por moda, mas por fidelidade ao Evangelho e ao Espírito de Jesus. É caminho a descobrir pela Igreja,quesãotodos os cris- (conclui na pág. 3)
  • 8. In Memoriam... JOÃO EVANGELISTA DE JESUS SIMÃO 1929 - 2018 8 de Março Trazemos em nós, desde o instante primeiro, duas dinâmi- casquese acompanhamcomoir- mãs gémeas — AVida e a Mor- te… Esquecemos isso demasiadas vezese, mesmo quando dizemos que a Morte faz parte da vida, estamos a pensar que "é só lá para o fim da vida que a morte é uma parte dela". Mas… A Biologia diz-nos que parece que não é bem assim. E a Fé faz-nos acreditar que, fazendo da nossa Vida um Dom, quando ela acabar, também aca- bou a morte — não haverá mais nada em nós para morrer e a Morte ficará de mãos vazias… Todos,maiscedo ou maistar- de somos confrontados com a despedida dos que amamos… Porque "toca a todos". E todos morremos, sim, mas não da mesma maneira. Porque a maneira de morrer tem tudo a ver com a maneira como vivemos. A despedida daqueles cujas vidas cruzam a nossa vida dei- Carta aberta a todos nós, os vivos debaixo deste sol… Meditando no Dies Natalis do nosso João Simão, o Sábio, como o nosso filho mais novo João, lhe chamava. xando nela uma marca de Bele- za,Alegria e Paz não pode acon- tecer como ausência — "morrer é só não ser visto", diz Sophia, e os poetas sabem o que dizem… Àqueles que se apaixonam, acontece a MELHOR, a MAIS PRECIOSA de todas as riquezas —apaixonarmo-nosde verdade, amar de verdade, faz-nos inca- pazes de viver sozinhos, de nos centramos em nós, de fechar os nossos olhos por dentro e os ou- vidos à Humanidade… Na Fé, acreditamos que o mi- lagre maior das nossas vidas é sermos passados dos braços de quem mais amamos para os bra- ços de quem mais nos ama — um PaiTodo PoderosoemAmor. Porque a nossa Esperança e a nossa Fé estão em Jesus re- Suscitado. N'Ele está a nossa Salvação! N'Ele vivemos e nos movemos! É esse Jesus que nos acolhe e nos lava os pés à entrada do GRANDE Banquete onde TO- DOS temos o lugar marcado com uma "pedrinha branca". Nela está escrito o nosso verda- deiro nome, o nome que só nes- se DIA saberemos. E esse é o DIA sem entardecer…o DIA da nossa Páscoa. O PRIMEIRO DIA! Na outra margem da Vida, não mais nos magoaremos uns aos outros, não haverá mais morte, nem sofrimento, nem luto, nem lágrimas…Toda a dor e toda a angústia foram vencidas pela Vida sem confins. Porque Deus SÓ é BOM! E…"porque aVida está cheia de milagres; e a morte é o maior e maisestranho deles todos" (diz o nosso companheiro Rui Santi- ago). (conclui na pág. 10)
  • 9. Fui aluno do Sr. Padre João, mais tarde Prof. Doutor João Evangelista Simão, e meu cole- ga no Departamento de Quími- ca da Universidade de Coimbra, bem como na Universidade em Lourenço Marques, hoje Mapu- to. Assisti, na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, às suas provas de Doutoramento e, mais tarde, às suas brilhantes provas deAgregação. Colaborá- mos na fundação da Sociedade Portuguesa de Electroquímica, sendo ambos Sócios Fundado- JOÃO SIMÃO: homem de muito saber, e muita fé res. Foi o primeiro Editor da res- pectiva revista científica, a Portugaliae Electrochimica Acta, elevando-a a um elevado nível de prestígio; agora tenho a grande honra de ser, há mais de 15 anos, o seu sucessor como Editor dessa publicação. Homem de muito saber: sim! Foi professor de grego e latim no Seminário de Coimbra, e fez o Doutoramento na Alemanha, isto é, tinha uma profunda cul- tura do saber clássico, de portu- guês, francês, alemão, inglês, de teologia, e sobre tudo, de quími- ca, e ciência em geral. O que mais me marca no re- lacionamento com este notável Professor Catedrático, é a ajuda que sempre me deu: era sempre o meu conselheiro para tudo o que eu planeasse fazer na vida académica, fez uma cuidadosa revisão de todos os textos para as minhas provas deAgregação, ensinou-me muito de química e de português, enfim, ajudou-me a ser homem. A sua profunda fé também muito me ajudou. Victor M. M. Lobo  A Celebração da Palavra, no dia do funeral do nosso querido amigo João Simão, na paróquia de Esgueira (Aveiro), a que ele pertencia, foi mesmo à sua me- dida: simples, despretensiosa, mas profunda e prenhe de signi- ficado e sentido. Presidiu o pároco, Pe. Ar- mando Baptista da Silva, SCJ (Dehoniano). Na homilia, após as leituras bíblicas, em abertura, deu a possibilidade a que, quem o quisesse, pudesse partilhar vi- vências havidas com o João Si- mão. E, como pérolas, desfia- João Simão Celebrar a Vida ram: a Fraternitas (através do José Serafim),a Universidade de Coimbra (seu antigo aluno e, de- pois, colega), a Universidade de Braga (colega enviada expressa- mente pela reitoria), a Universi- dade de Aveiro, onde terminou o seu percurso académico (um amigo e colega de departamen- to), um vizinho (testemunho simples, vital e intenso), o Mo- vimento Vida Ascendente, a que também pertencera, e o pároco, que testemunhou a vivência pa- roquial do João. Foi um louvar a Deus pelas belas coisas que o Senhor fez através da vida do Simão. A Eucaristia (Acção de Gra- ças) de corpo presente celebra- da em Penela, onde foi a sepul- tar, foi presidida pelo Vigário- -geral da diocese de Coimbra a cujo presbitério pertencia. A Fraternitas Movimento es- teve presente nestes actos atra- vés de elementos da Direcção e outros associados, como já ha- via estado mesmo no período de doença incapacitante que o atin- gira. (conclui na pág. 10)
  • 10.  OJoão Simão,associado fun- dador da Fraternitas, foi o seu primeiro Presidente. E sempre pautou a sua actuação por uma grande humildade, abertura, ser- viço, acolhimento. Só no seu funeral eu soube, por exemplo, que, na altura da sua comissão de serviço como professor universitário em Mo- çambique (Lourenço Marques, hoje Maputo), havia sido sonda- do para bispo, a que renunciou firmemente, por não querer ser pago pelo Estado para um servi- ço eclesial. E aqui se iniciou o novelo que o levaria àsuarenún- cia ao exercício do ministério presbiteral. Como nem todos conhecem, permito-me fazer uma brevís- sima resenha do seu percurso de vida,com destaque especial para o académico: - nasceu em 28 de Fevereiro de 1929, no Corticeiro de Cima (Cantanhede); - foi ordenado em 22 de Se- tembro de 1951, na diocese de Coimbra; - licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Fa- culdadedeCiênciasdaUni- versidade de Coimbra, em 1959; - doutorou-se em Químicana conversar,masele próprio ia-nos anunciando que dentro de dias já não poderia deslocar-se. O seu aspeto físico manteve- -se, mas o seu olhar começou a ser distante e vazio. Não foi fácil deixarmos de o ter junto de nós mas por uma questão de mantermos a sua dig- nidade e a sua imagem o Dr. Si- mão recolheu-se em casa, onde a sua cuidadora Judite o acarinhava e tratava com muito amor. Passei a telefonar-lhe sema- nalmente e parecia que continu- ava a conhecer-me, pois eu fala- va-lhe sobre as nossasatividades e ele, embora não desenvolves- se o tema ia dizendo que sim, qua achava bem... mas a Judite dizia-me que, depois de poisar o telefone, lhe perguntava quem era? Ainda o fui ver à Clínica 48h antes da sua morte. Já não fala- va mas olhou para mim e con- tei-lhe todas as atividades que realizámos nessa semana e res- pondeu-me com duas grossas lágrimas que se soltaram dos seu olhos humildes, serenos e sãos. Aí é que eu senti que já não ti- nha o meu grande Amigo Dr. Simão. Perdemoso Homemque nun- ca deixou de ser padre! Maria de Fátima Gonçalves O Homem que continuava a ser Padre  (conclusão da pág. 11) Universidade de Bona, RFA, em 1967; - na sua docência percorreu os diversos graus, desde Assistente a Professor Ca- tedrático (de 1960 a 1999), integrando o corpo docen- te das Universidades de Coimbra, de Lourenço Marques, de Braga e de Aveiro, onde se jubilou; - ocupou diversos cargos, desde responsável de De- partamento, membro e Pre- sidente de Conselho Peda- gógico,coordenadordeCo- missão Cientifica do De- partamento de Química, membro deSenado Univer- sitário, editor de revistas da especialidade (Química). Todavia, a sua humildade e modéstia sempre "esconderam" estes e muitos outros "galões", que nunca quis ostentar. Verda- deiramente, um santo entre nós. Disto não tenho dúvidas. Alberto Osório (Associado nº 20) Celebrar a Vida (conclusão da pág. 9)  Por isso, sempre que Celebramos a Vida, a Graça, o Perdão e a Alegria, Celebramos COM todos os que amámos e tendo desapare- cido dos nossos olhos estão VIVOS e vivem entre nós com Cristo ressuscitado! À luz de OUTRO SOL!!! Glória e Carlos (Associados nº 22) Carta aberta a todos nós (conclusão da pág. 8)
  • 11. Estávamos no ano 2010, pelo mês de Setembro, data do início das atividades do Movimento Vida Ascendente — Movimen- to Cristão de Reformados na diocese de Aveiro. Era a primeira reunião após a minha nomeação como presi- dentedesteMovimento.Deu ini- cio à sessão o Bispo Emérito, na altura, D. António Baltazar Marcelino, quando a porta se abre e entra na sala um senhor com ar humilde, simples e mo- desto de pasta na mão e delica- damente se senta na última fila da sala. D.António Marcelino fez-lhe um cumprimento muito famili- ar : — Então, João Simão, tu por aqui? — Sim. Vim procurar inte- grar-me no grupo do qual fez parte a minha mulher que fale- ceu há dois meses. — Podes apresentar-te ao grupo — pediu-lhe D. António. — Sou João Simão, profes- sor universitário reformado,mas sou padre, embora não possa exercer essa função. No grupo ninguém o conhe- cia, mas a curiosidade foi mui- ta. Comecei, de imediato, a per- ceber que era de gente como o Dr. Simão que aquele grupo pre- cisava. Nesta mesma reunião foi-lhe feito o convite para ser o secre- tário do Movimento. Dr. Simão aceitou o convite dizendo que 7 anos com o Dr. João Simão O HOMEM QUE CONTINUAVA A SER PADRE! não sabia se seria capaz mas, se era preciso, esforçar-se-ia para fazer o seu melhor. Começámos a trabalhar, juntávamo-nos em minha casa para prepararmos as reuniões e fazermos as atas. Para mim, as horas eram minutos quando o escutava. Em seguida acumulou o car- go de animador de um grupo. Foram sessões de aperfeiçoa- mento da nossa fé, de cultura religiosa, de conhecimentos pes- soais e vivenciados... O Movimento começou a crescer. Tínhamos já muita gen- te que ia ao grupo para aprender com o dr. Simão. Já em ambien- te mais familiar e integrado no grupo contava as suas histórias e a sua vida de padre mostran- do, muitas vezes a sua mágoa, pela forma como a Igreja o co- meçou a ver quando teve que abandonar a missão de padre porque o seu coração bateu apai- xonadamente pela Enfermeira Fernanda com quem casou e com viveu 20 anos muito feli- zes. Quando nos falava sobre a Bíblia, falava de tal maneira que associando ao seu tempo de pa- dre nós enganávamo-nos ao dirigirmo-nos a ele tratando-o por padre e de imediato, pedía- mos desculpa, à qual ele respon- dia: "podem tratar-me por padre, porque continuo a ser padre". Era realmente um homem bom! Por modestas que fossem as pessoas com quem falava, ele tinha sempre muita serenidade e muita paciência para as esclare- cer/ensinar. Quis estar sempre presente nasatividadesque fazíamos,fos- sem elas de caráter mais religio- so ou mais divertido. Ia connos- co para Fátima nos momentos de Encontro Nacional, aos Re- tiros, à Assembleia Nacional e, se, em qualquer momento, des- se a sua opinião, facilmente to- dos se apercebiam que era um opinião a considerar, a registar e a sobressair. Não era fácil a sua capa de timidez, a sua simplici- dade e a sua modéstia encobri- rem um dom de sabedoria úni- co. Mas, ao fim de cinco anos connosco demos conta da sua decadência. Ele próprio nos ia anunciando que se sentia esque- cido, que tinha preparado o tema e já não se lembrava. Nós, tão apoiadas nele, achávamos que era asimplicidade/modéstia dele e não a doença. Eis que um dia, no início da sessão, começa por dizer que gostava muito de estar connos- co e que nos considerava a sua família e, por esse facto, ia de- sabafar a triste notícia que rece- bera nesse dia que o médico lhe diagnosticara a doença de Alzheimer. Ainda veio às reuniões du- rante um ano depois deste desa- bafo. Procurava integrar-se e (conclui na pág. 8)
  • 12. Rua Dr. Sá Carneiro, 182 - 1º Dtº 3700-254 S. JOÃO DA MADEIRA e-mail: espiral.fraternitas@gmail.com boletim de fr a t er n it a s m o v im en t o Responsável: Alberto Osório de Castro Nº 66 - Abril/Junho de 2018 Decorreu em Fátima, na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, entre os dias 27 e 29 de Abril, o nosso 43º Encontro Nacional. A presença e participação de Associados foi muito significativa. O tema de reflexão foi a Encíclica do papa Francisco, Laudato Si'. Abriu esta reflexão, no dia 27, o Doutor Francisco Ferrei- ra, presidente da Associação "Zero", com uma conferência intitulada "O Cuidado da Casa Comum". O dia 28 foi ocupado com três palestras de frei Lopes Morgado, OFMCap, que se debruçou sobre as linhas de força da Encíclica e os eixos teo- lógico-bíblicos da mesma. O visionamento do filme documentário "HOME - O Mun- do É a Nossa Casa", no serão do dia, consolidou os conhecimentos que os palestrantes mi- nistraram. Os participantes manifestaramexpressamente o seu agrado com a temática abordada e a qualidade dos conferen- tes. No domingo, dia 29, teve lugar a Assembleia Geral da FRATERNITAS bem como a Eucaristia de Encerramento. A Assembleia Geral, este ano também electiva, pois terminava o mandato dos órgãos sociais (2015- 2018), foi muito participada. Foram debatidas e aprovadas as Contas e os Relatórios da Direcção de 2017. O Plano de Actividades e o Orçamento para 2018 foram também aprovados. A eleição dos novos corpos sociais teve uma massiva participação dos associados. Houve, apenas, uma lista candidata. Ela vai gerir a Fraternitas nos próximos quatro anos (2018-2022). A Assembleia exarou um agradecimento especial aos membros da Direcção que cessaram funções, Luís Salgueiro, como Presidente, e Ana Marta, como Secretária, sublinhando a dedicação e o sacrifício pessoal que significou a sua entrega ao longo destes três últimos anos. AAssembleia vincou, ainda, a necessidade de se apostar nas relações pessoais, procurando privilegi- ar os encontros locais, bem como incrementar o esforço de aproximação aos presbíteros que, recentemente, deixaram o exercício do ministério presbiteral. O Encontro encerrou com a Eucaristia presidida pelo frei Lopes Morgado que tinha orientado a refle- xão do dia anterior. Foi uma celebração dinâmica e viva. Nela celebramos o que vivenciámos, nos dois últimos dias, à volta da Laudato Si'. Como gesto simbólico e compromisso comum real gerado pela reflexão deste importante documento do papa Francisco, foi proposto e aceite que a partilha do Ofertório celebrado na nossa Eucaristia, consis- tente com o Rito Penitencial em que reconhecemos explicitamente os nossos erros contra a Criação, se aplique na compra de árvores para a reflorestação de alguma das zonas atingidas pelos incêndios de 15 de Outubro passado. Salienta-se, igualmente, a participação de elementos novos que expressamente manifestaram a sua vontade em aderir à Fraternitas Movimento — um casal e um ministro ordenado dispensado viúvo propuse- ram-se a membros associados. O almoço foi o ponto final do Encontro rico e muito interpelante, que a todos deixou vivamente satisfeitos. Fátima, 29 de Abril de 2018 A Direcção  43º Encontro Nacional da FRATERNITAS Movimento O Dr. Francisco Ferreira fazendo a sua exposição. Frei Lopes Morgado, numa das suas comunicações.