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Janeiro de 2022
Por Renato Rebelo, Diretor de Projetos do IDIS
ESG E O “S” BRASILEIRO
NOTA TÉCNICA
O que empresas brasileiras devem
fazer para evoluir na pauta Social em
suas práticas ESG
A pauta ESG (sigla para Environmental, Social
and Governance, no português, Ambiental,
Social e Governança) ganha a cada ano mais
espaço entre investidores e empresas. Mas o
que vem sendo mensurado de fato? Com
detalhes da pauta ainda em definição pelo
mundo, estudos apontam uma falta de
padrões consistentes, principalmente sociais.
O “S” é, inclusive, apontado como o mais
difícil de se analisar e incorporar a estratégias
corporativas, isto de acordo com 51% dos
investidores entrevistados pelo BNP Paribas -
um dos maiores bancos da Europa.
No caso brasileiro, a pauta ESG vem sendo
absorvida por investidores, reguladores e
empresas a partir do modelo dos Estados
Unidos e países europeus. Entretanto, para
que o movimento seja efetivo é necessário
estabelecer uma visão do “S” que considere
as especificidades e prioridades do nosso
País. Nesta Nota Técnica, elaborada por
Renato Rebelo, diretor de Projetos do IDIS,
apresentamos dados e conceitos refletindo o
que mais necessita de atenção quando
pensamos em pautas sociais em ESG.
A pauta ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou ainda, Ambiental,
Social e Governança) tem ganhado cada vez mais espaço entre investidores e
empresas. Apesar dos avanços e melhorias, os parâmetros de boas práticas ainda
estão sendo estabelecidos e, em especial sobre o aspecto social, boa parte dos
agentes do mercado têm dificuldades em interpretar e compreender os relatórios e
indicadores que dizem respeito ao 'S', e como estes influenciam o desempenho da
empresa e a sua integração nas decisões de investimento.
Uma pesquisa da BNP Paribas (ESG Global 2021) revelou que 51% dos investidores
consultados consideraram o ‘S’ o mais difícil de analisar e incorporar às estratégias
de investimento (BNP Paribas, 2021). Outra análise, feita pela Global Reporting
Initiative (GRI) em parceria com o Deutsche Bank, mostra que apenas 14% das
classificações “sociais” compiladas pela GRI são direcionadas a investidores. Em
contraste, 97% das classificações ambientais e 80% das classificações de governança
têm investidores como seu público principal (MÜLLER e KUSEN, 2020).
Esta percepção também foi compartilhada pela Principles for Responsible
Investment (PRI) - rede internacional de investidores apoiada pelas Nações Unidas.
De acordo com a PRI, “ao contrário das questões ambientais e de governança, que
são mais facilmente definidas e tem um histórico estabelecido de dados de mercado
muitas vezes acompanhados por uma regulamentação robusta, as questões sociais
são menos tangíveis, com dados menos maduros para demonstrar como podem
impactar o desempenho de uma empresa” (SLOGGET e REINBOTH, 2017).
Os padrões que definem o “S” foram estabelecidos com base em instrumentos
internacionais, incluindo a Declaração Universal dos Direitos Humanos e as Convenções
Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Mais recentemente,
também pelo documento “Guiding Principles on Business and Human Rights”
promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). (O’CONNOR e LABOWITZ,
2017).
IMPACTO DURAÇÃO
AFINAL, DE QUE "S" ESTAMOS FALANDO?


Atualmente, além dos direitos humanos e questões trabalhistas, os
fatores "S" também incorporam questões de segurança e qualidade
dos produtos e serviços, impactos das cadeias de suprimentos,
relação com as comunidades locais, diversidade e inclusão e
privacidade de dados.
ESG E O “S” BRASILEIRO
A despeito de tais padrões estarem presentes nos principais frameworks de divulgação
ESG há algum tempo, os indicadores 'S' não recebiam muita visibilidade até então.
Com a pandemia de Covid-19, no entanto, o “S” virou o centro das atenções para a
grande maioria dos investidores, chamando a atenção também de agentes públicos,
reguladores e consumidores. Para as empresas, este cenário elevou a pressão das
partes interessadas, exigindo ações e compromissos concretos, bem como maior
transparência na comunicação e progresso de suas atividades no que diz respeito aos
seus indicadores sociais.
DESAFIOS DO "S"


mensuração do “S” avalia o que é mais conveniente, não o que é mais significativo;
as abordagens atuais de divulgação provavelmente não produzirão as informações
necessárias para identificar os líderes sociais;
a falta de padrões consistentes que sustentam a mensuração social aumenta os
custos e cria um “ruído” confuso em todo o setor de ESG;
a medição existente não prepara os investidores para responder à crescente
demanda por estratégias e produtos de investimentos socialmente responsáveis.
Neste contexto, investidores e empresas têm intensificado seus esforços na busca de
soluções para preencher as lacunas ao medir e integrar o “S” às suas decisões de
investimento. Dentre os principais desafios, tem-se a forma como se apresentam os
relatórios atualmente (conformidades e processos ao invés de efetividade), o volume e
inconsistência dos padrões e métricas e a natureza qualitativa de muitas das avaliações
sociais.
No que se refere à forma de se apresentar os indicadores do “S”, vale destacar um
estudo feito pela que revisou o relatório
de 12 das principais organizações que divulgam informações atreladas ao “S”, dentre
elas GRI, SASB, Bloomberg, Dow Jones, FTSE e CHRB. O estudo chegou às seguintes
conclusões:
O mesmo estudo, ao analisar mais de 1.750 métricas sociais dos 12 modelos, mostra
que apenas 8% dos indicadores ‘S’ avaliaram os efeitos das práticas ‘S’ da empresa; a
maioria, 92%, mediu apenas os esforços e atividades da empresa (O’CONNOR e
LABOWITZ, 2017).
NYU Stern Center for Business & Human Rights,
ESG E O “S” BRASILEIRO
Outro aspecto identificado como desafio por investidores e empresas é a natureza
qualitativa de muitos programas sociais, o que dificulta a tradução dos resultados para
indicadores a serem utilizados de forma mais eficaz pelos investidores. Juntamente a
isso, a falta de padrões dos relatórios faz com que os provedores de dados ESG criem
combinações de fatores de tal forma a produzirem suas próprias suposições e
atribuições de peso aos seus modelos de avaliação. Como resultado, há pouca
correlação entre os dados fornecidos pelos diferentes provedores de informação ESG
para os investidores. Isso reduz a confiança nos indicadores por parte dos investidores e
faz com que eles internalizem as suas próprias avaliações (BNP Paribas, 2019).
Ainda, de acordo com a pesquisa Rate the Raters 2020, que tem como objetivo
esclarecer como as classificações ESG estão sendo usadas por grandes gestores de
fundos de investimento, os investidores desejam que as empresas se concentrem no
que é material para os negócios, integrem mais as informações ESG nas demonstrações
financeiras e melhorem a divulgação de dados ESG. Além de dados melhores, os
investidores buscam informações sobre como a administração pensa sobre ESG e
como o ESG se encaixa na sua estratégia corporativa (WONG e PETROY, 2020).
UM PASSO IMPORTANTE PARA O "S" NO BRASIL
Existe uma demanda pela definição de padrões e indicadores que reflitam a realidade
local. Em alguma medida, o Brasil e demais países em desenvolvimento têm absorvido o
modelo ESG dos países ricos, onde a pauta está mais avançada, mas não
necessariamente tem uma agenda comum de desenvolvimento e problemas sociais. É
preciso estabelecer uma visão do S que considere as especificidades, parâmetros e
prioridades do país.
A articulação da sociedade civil tem se mostrado importante para a construção de
agendas que reflitam a realidade nacional e subsidiem investidores com parâmetros e
indicadores sociais que os apoiem na avaliação de riscos e criação de valor das
empresas. Para tais condições, é importante a formalização para o estabelecimento de
instâncias de governança, processos de transparência, colaboração, coinvestimento,
monitoramento, certificação e avaliação dos indicadores.
Um bom exemplo de solução para este desafio é proposto pelo Pacto de Promoção da
Equidade Racial, uma iniciativa da sociedade civil que propõe implementar um
Protocolo ESG Racial para o Brasil. O Pacto funciona com adesão voluntária das
empresas, que disponibilizam seus dados demográficos e avaliam, por meio do Índice
ESG de Equidade Racial (IEER), o quão equilibradas estão em termos raciais, levando
em conta a distribuição do seu quadro de colaboradores por ocupação, salários e
distribuição racial na região que atuam.
ESG E O “S” BRASILEIRO
COMO EMPRESAS PODEM SE ENGAJAR
Não é de hoje que o setor corporativo no Brasil tem ações voltadas ao
desenvolvimento social, seja por meio do investimento em causas como Educação,
Saúde ou Pobreza, ou adotando práticas de natureza social junto ao público interno. O
que muda com a agenda ESG é a cobrança de atitudes intencionais, recorrentes,
alinhadas às reais demandas do país e capazes de gerar impacto positivo e contribuir
para avanços sociais.
A mudança de chave acontecerá quando essa questão for elevada à estratégia das
organizações. Empresas terão que agir de maneira proativa e colaborativa,
demostrando para a sociedade e investidores seu comprometimento, com
transparência e materialidade de suas ações sociais. Deverão fomentar e construir
alianças, fazer compromissos e definir parâmetros. Deverão investir em tecnologias
para mapeamento e monitoramento da sua cadeia de suprimentos, dos territórios onde
atuam e aprimorar a objetividade de suas métricas qualitativas.
Nesta trajetória, devem envolver as OSCs e, mais do que isso, aprender com elas.
Devem colaborar para o desenvolvimento de projetos e criar linhas de investimento
direto, pois as OSCs podem ter mais influência e capacidade de execução e
transformação junto aos beneficiários que as empresas.
Feita a lição de casa, os avanços e desafios devem ser comunicados aos investidores,
criando um círculo virtuoso de transparência e influência.
O IDIS NA AGENDA "S" DO ESG
Vemos na agenda ESG uma grande oportunidade para repensar a maneira como as
empresas planejam e alocam o seu investimento social levando em conta sua
capacidade de promover transformações sociais e o alinhamento com o negócio. Neste
sentido, temos atuado gerando conhecimento, concebendo parâmetros e indicadores
Sociais da agenda ESG adequados à realidade brasileira, e também oferecendo apoio
técnico para a construção de soluções e mecanismos de investimento social.
Ao aderir ao Pacto, as empresas se comprometem em adotar ações afirmativas e
passam a calcular o seu índice de equidade. O índice é objetivo e simples para
comunicar, demonstrando o nível de desequilíbrio racial dentro das empresas e sua
evolução, resultado de ações afirmativas e de compromissos de investimentos em
organizações da sociedade civil (OSCs) que atuam para a melhoria da qualidade da
educação pública, formação de profissionais negros e defesa de direitos.
ESG E O “S” BRASILEIRO
A geração e disseminação de conhecimento é um dos
pilares para o atingimento de nossa missão. Por meio de
publicações, notas técnicas, artigos, cursos, capacitações
e eventos, inspiramos, apoiamos e ampliamos o investi-
mento social privado e seu impacto.
Conheça nossa produção em www.idis.org.br
Por meio da consultoria, buscamos definir qual o papel e como o investimento social
corporativo complementa a estratégia ESG geral da empresa, com o levantamento de
boas práticas do setor de atuação, definição de indicadores e ações que demostrem
contribuições materiais para os objetivos estabelecidos para esta agenda.
A criação de veículos financeiros, como Fundo Filantrópicos, também tem se mostrado
um caminho potente para viabilizar projetos de impacto que demandam capital
paciente e envolvem diversos grupos de stakeholders.
O IDIS tem no seu DNA ser uma organização que apoia tecnicamente os investidores
sociais no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social
privado e seu impacto, queremos fazer parte da construção da agenda social do ESG no
Brasil e ampliar o potencial de recursos e impacto do investimento social corporativo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BNP Paribas. "ESG GLOBAL SURVEY 2021: The path to esg: no turning back for asset
owners and managers". Acessado em 24 de janeiro de 2022.
MÜLLER, Markus; KUSEN, Alex. “Exploring the E, S and G in ESG.”Deutsche Bank.
2020. Acessado em 27 de junho de 2021.
SLOGGETT, Justin; REINBOTH, Bettina. ESG integration: how are social issues
influencing investment decisions?. Center for Business and Human Rights, NYU STERN,
Estados Unidos, 2017. Acessado em 27 de junho de 2021.
O’CONNOR, Casey; LABOWITZ, Sarah. “Putting the ‘S’ in ESG: Measuring Human
Rights Performance for Investors.” Center for Business and Human Rights, NYU
STERN, Estados Unidos, 2017. 2017. Acessado em 27 de junho de 2021.
BNP Paribas. "The ‘S’ of ESG -Part 1: A challenging factor". 2019. Acesso em: 04 jun.
2021.
WONG, Christina; PETROY, Erika . “Rate the Raters 2020: Investor Survey and
Interview Results”, 2020. Acessado em 04 de julho de 2021.
ESG E O “S” BRASILEIRO

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
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ESG e o “S” brasileiro | Nota técnica

  • 1. Janeiro de 2022 Por Renato Rebelo, Diretor de Projetos do IDIS ESG E O “S” BRASILEIRO NOTA TÉCNICA O que empresas brasileiras devem fazer para evoluir na pauta Social em suas práticas ESG A pauta ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, no português, Ambiental, Social e Governança) ganha a cada ano mais espaço entre investidores e empresas. Mas o que vem sendo mensurado de fato? Com detalhes da pauta ainda em definição pelo mundo, estudos apontam uma falta de padrões consistentes, principalmente sociais. O “S” é, inclusive, apontado como o mais difícil de se analisar e incorporar a estratégias corporativas, isto de acordo com 51% dos investidores entrevistados pelo BNP Paribas - um dos maiores bancos da Europa. No caso brasileiro, a pauta ESG vem sendo absorvida por investidores, reguladores e empresas a partir do modelo dos Estados Unidos e países europeus. Entretanto, para que o movimento seja efetivo é necessário estabelecer uma visão do “S” que considere as especificidades e prioridades do nosso País. Nesta Nota Técnica, elaborada por Renato Rebelo, diretor de Projetos do IDIS, apresentamos dados e conceitos refletindo o que mais necessita de atenção quando pensamos em pautas sociais em ESG.
  • 2. A pauta ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou ainda, Ambiental, Social e Governança) tem ganhado cada vez mais espaço entre investidores e empresas. Apesar dos avanços e melhorias, os parâmetros de boas práticas ainda estão sendo estabelecidos e, em especial sobre o aspecto social, boa parte dos agentes do mercado têm dificuldades em interpretar e compreender os relatórios e indicadores que dizem respeito ao 'S', e como estes influenciam o desempenho da empresa e a sua integração nas decisões de investimento. Uma pesquisa da BNP Paribas (ESG Global 2021) revelou que 51% dos investidores consultados consideraram o ‘S’ o mais difícil de analisar e incorporar às estratégias de investimento (BNP Paribas, 2021). Outra análise, feita pela Global Reporting Initiative (GRI) em parceria com o Deutsche Bank, mostra que apenas 14% das classificações “sociais” compiladas pela GRI são direcionadas a investidores. Em contraste, 97% das classificações ambientais e 80% das classificações de governança têm investidores como seu público principal (MÜLLER e KUSEN, 2020). Esta percepção também foi compartilhada pela Principles for Responsible Investment (PRI) - rede internacional de investidores apoiada pelas Nações Unidas. De acordo com a PRI, “ao contrário das questões ambientais e de governança, que são mais facilmente definidas e tem um histórico estabelecido de dados de mercado muitas vezes acompanhados por uma regulamentação robusta, as questões sociais são menos tangíveis, com dados menos maduros para demonstrar como podem impactar o desempenho de uma empresa” (SLOGGET e REINBOTH, 2017). Os padrões que definem o “S” foram estabelecidos com base em instrumentos internacionais, incluindo a Declaração Universal dos Direitos Humanos e as Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Mais recentemente, também pelo documento “Guiding Principles on Business and Human Rights” promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). (O’CONNOR e LABOWITZ, 2017). IMPACTO DURAÇÃO AFINAL, DE QUE "S" ESTAMOS FALANDO? Atualmente, além dos direitos humanos e questões trabalhistas, os fatores "S" também incorporam questões de segurança e qualidade dos produtos e serviços, impactos das cadeias de suprimentos, relação com as comunidades locais, diversidade e inclusão e privacidade de dados. ESG E O “S” BRASILEIRO
  • 3. A despeito de tais padrões estarem presentes nos principais frameworks de divulgação ESG há algum tempo, os indicadores 'S' não recebiam muita visibilidade até então. Com a pandemia de Covid-19, no entanto, o “S” virou o centro das atenções para a grande maioria dos investidores, chamando a atenção também de agentes públicos, reguladores e consumidores. Para as empresas, este cenário elevou a pressão das partes interessadas, exigindo ações e compromissos concretos, bem como maior transparência na comunicação e progresso de suas atividades no que diz respeito aos seus indicadores sociais. DESAFIOS DO "S" mensuração do “S” avalia o que é mais conveniente, não o que é mais significativo; as abordagens atuais de divulgação provavelmente não produzirão as informações necessárias para identificar os líderes sociais; a falta de padrões consistentes que sustentam a mensuração social aumenta os custos e cria um “ruído” confuso em todo o setor de ESG; a medição existente não prepara os investidores para responder à crescente demanda por estratégias e produtos de investimentos socialmente responsáveis. Neste contexto, investidores e empresas têm intensificado seus esforços na busca de soluções para preencher as lacunas ao medir e integrar o “S” às suas decisões de investimento. Dentre os principais desafios, tem-se a forma como se apresentam os relatórios atualmente (conformidades e processos ao invés de efetividade), o volume e inconsistência dos padrões e métricas e a natureza qualitativa de muitas das avaliações sociais. No que se refere à forma de se apresentar os indicadores do “S”, vale destacar um estudo feito pela que revisou o relatório de 12 das principais organizações que divulgam informações atreladas ao “S”, dentre elas GRI, SASB, Bloomberg, Dow Jones, FTSE e CHRB. O estudo chegou às seguintes conclusões: O mesmo estudo, ao analisar mais de 1.750 métricas sociais dos 12 modelos, mostra que apenas 8% dos indicadores ‘S’ avaliaram os efeitos das práticas ‘S’ da empresa; a maioria, 92%, mediu apenas os esforços e atividades da empresa (O’CONNOR e LABOWITZ, 2017). NYU Stern Center for Business & Human Rights, ESG E O “S” BRASILEIRO
  • 4. Outro aspecto identificado como desafio por investidores e empresas é a natureza qualitativa de muitos programas sociais, o que dificulta a tradução dos resultados para indicadores a serem utilizados de forma mais eficaz pelos investidores. Juntamente a isso, a falta de padrões dos relatórios faz com que os provedores de dados ESG criem combinações de fatores de tal forma a produzirem suas próprias suposições e atribuições de peso aos seus modelos de avaliação. Como resultado, há pouca correlação entre os dados fornecidos pelos diferentes provedores de informação ESG para os investidores. Isso reduz a confiança nos indicadores por parte dos investidores e faz com que eles internalizem as suas próprias avaliações (BNP Paribas, 2019). Ainda, de acordo com a pesquisa Rate the Raters 2020, que tem como objetivo esclarecer como as classificações ESG estão sendo usadas por grandes gestores de fundos de investimento, os investidores desejam que as empresas se concentrem no que é material para os negócios, integrem mais as informações ESG nas demonstrações financeiras e melhorem a divulgação de dados ESG. Além de dados melhores, os investidores buscam informações sobre como a administração pensa sobre ESG e como o ESG se encaixa na sua estratégia corporativa (WONG e PETROY, 2020). UM PASSO IMPORTANTE PARA O "S" NO BRASIL Existe uma demanda pela definição de padrões e indicadores que reflitam a realidade local. Em alguma medida, o Brasil e demais países em desenvolvimento têm absorvido o modelo ESG dos países ricos, onde a pauta está mais avançada, mas não necessariamente tem uma agenda comum de desenvolvimento e problemas sociais. É preciso estabelecer uma visão do S que considere as especificidades, parâmetros e prioridades do país. A articulação da sociedade civil tem se mostrado importante para a construção de agendas que reflitam a realidade nacional e subsidiem investidores com parâmetros e indicadores sociais que os apoiem na avaliação de riscos e criação de valor das empresas. Para tais condições, é importante a formalização para o estabelecimento de instâncias de governança, processos de transparência, colaboração, coinvestimento, monitoramento, certificação e avaliação dos indicadores. Um bom exemplo de solução para este desafio é proposto pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial, uma iniciativa da sociedade civil que propõe implementar um Protocolo ESG Racial para o Brasil. O Pacto funciona com adesão voluntária das empresas, que disponibilizam seus dados demográficos e avaliam, por meio do Índice ESG de Equidade Racial (IEER), o quão equilibradas estão em termos raciais, levando em conta a distribuição do seu quadro de colaboradores por ocupação, salários e distribuição racial na região que atuam. ESG E O “S” BRASILEIRO
  • 5. COMO EMPRESAS PODEM SE ENGAJAR Não é de hoje que o setor corporativo no Brasil tem ações voltadas ao desenvolvimento social, seja por meio do investimento em causas como Educação, Saúde ou Pobreza, ou adotando práticas de natureza social junto ao público interno. O que muda com a agenda ESG é a cobrança de atitudes intencionais, recorrentes, alinhadas às reais demandas do país e capazes de gerar impacto positivo e contribuir para avanços sociais. A mudança de chave acontecerá quando essa questão for elevada à estratégia das organizações. Empresas terão que agir de maneira proativa e colaborativa, demostrando para a sociedade e investidores seu comprometimento, com transparência e materialidade de suas ações sociais. Deverão fomentar e construir alianças, fazer compromissos e definir parâmetros. Deverão investir em tecnologias para mapeamento e monitoramento da sua cadeia de suprimentos, dos territórios onde atuam e aprimorar a objetividade de suas métricas qualitativas. Nesta trajetória, devem envolver as OSCs e, mais do que isso, aprender com elas. Devem colaborar para o desenvolvimento de projetos e criar linhas de investimento direto, pois as OSCs podem ter mais influência e capacidade de execução e transformação junto aos beneficiários que as empresas. Feita a lição de casa, os avanços e desafios devem ser comunicados aos investidores, criando um círculo virtuoso de transparência e influência. O IDIS NA AGENDA "S" DO ESG Vemos na agenda ESG uma grande oportunidade para repensar a maneira como as empresas planejam e alocam o seu investimento social levando em conta sua capacidade de promover transformações sociais e o alinhamento com o negócio. Neste sentido, temos atuado gerando conhecimento, concebendo parâmetros e indicadores Sociais da agenda ESG adequados à realidade brasileira, e também oferecendo apoio técnico para a construção de soluções e mecanismos de investimento social. Ao aderir ao Pacto, as empresas se comprometem em adotar ações afirmativas e passam a calcular o seu índice de equidade. O índice é objetivo e simples para comunicar, demonstrando o nível de desequilíbrio racial dentro das empresas e sua evolução, resultado de ações afirmativas e de compromissos de investimentos em organizações da sociedade civil (OSCs) que atuam para a melhoria da qualidade da educação pública, formação de profissionais negros e defesa de direitos. ESG E O “S” BRASILEIRO
  • 6. A geração e disseminação de conhecimento é um dos pilares para o atingimento de nossa missão. Por meio de publicações, notas técnicas, artigos, cursos, capacitações e eventos, inspiramos, apoiamos e ampliamos o investi- mento social privado e seu impacto. Conheça nossa produção em www.idis.org.br Por meio da consultoria, buscamos definir qual o papel e como o investimento social corporativo complementa a estratégia ESG geral da empresa, com o levantamento de boas práticas do setor de atuação, definição de indicadores e ações que demostrem contribuições materiais para os objetivos estabelecidos para esta agenda. A criação de veículos financeiros, como Fundo Filantrópicos, também tem se mostrado um caminho potente para viabilizar projetos de impacto que demandam capital paciente e envolvem diversos grupos de stakeholders. O IDIS tem no seu DNA ser uma organização que apoia tecnicamente os investidores sociais no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, queremos fazer parte da construção da agenda social do ESG no Brasil e ampliar o potencial de recursos e impacto do investimento social corporativo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BNP Paribas. "ESG GLOBAL SURVEY 2021: The path to esg: no turning back for asset owners and managers". Acessado em 24 de janeiro de 2022. MÜLLER, Markus; KUSEN, Alex. “Exploring the E, S and G in ESG.”Deutsche Bank. 2020. Acessado em 27 de junho de 2021. SLOGGETT, Justin; REINBOTH, Bettina. ESG integration: how are social issues influencing investment decisions?. Center for Business and Human Rights, NYU STERN, Estados Unidos, 2017. Acessado em 27 de junho de 2021. O’CONNOR, Casey; LABOWITZ, Sarah. “Putting the ‘S’ in ESG: Measuring Human Rights Performance for Investors.” Center for Business and Human Rights, NYU STERN, Estados Unidos, 2017. 2017. Acessado em 27 de junho de 2021. BNP Paribas. "The ‘S’ of ESG -Part 1: A challenging factor". 2019. Acesso em: 04 jun. 2021. WONG, Christina; PETROY, Erika . “Rate the Raters 2020: Investor Survey and Interview Results”, 2020. Acessado em 04 de julho de 2021. ESG E O “S” BRASILEIRO