ELEMENTOS DO CULTO
Os cristãos devem inequivocamente se apegar ao Princípio Regulador do culto sob
pena de o culto não ser aceito por Deus. Pelo contrário, os cristãos podem até mesmo serem
castigados por insistirem em oferecer “fogo estranho” ao Senhor (Lv 10:1-7; 1Co 11:30-32).
Tendo como pano de fundo o nosso dever de seguir o que está ordenado nas
Escrituras, nossa questão agora é saber: Qual é o conteúdo do culto segundo a Bíblia? Quais
elementos devem estar presentes? Apesar dos apóstolos não nos deixarem uma lista clara dos
elementos de culto para o período da Nova Aliança, ainda assim podemos retirar das Escrituras
os elementos de culto ordenados pelo Senhor. Observemos o comentário do escritor Terry L.
Johnson:
Textos como Atos 2:42 nos dão um vislumbre da adoração na igreja primitiva,
com um uso simples da Palavra, dos sacramentos e da oração. Vemos
também o apóstolo Paulo regulamentando a oração (1Co 11:2-16; 14:14-17;
1Tm 2:1-3), os cânticos de louvor (1Co 14:26,27; Cl 3:16; Ef 5:19), a
ministração da Palavra (1Co 14:29-33; 1Tm 4:13; 2Tm 4:1,2), o Ofertório (1Co
16:1,2) e a Santa Ceia (1Co 11:17-34). Esses parecem ter sido os elementos
regulares do culto na igreja apostólica. A oração, a leitura das Escrituras, a
pregação das Escrituras, o cântico de Salmos, a ministração dos sacramentos e
os juramentos religiosos, são todos feitos "de acordo com as Escrituras",
modelados pelo exemplo apostólico, regulados pelas ordenanças apostólicas
e acompanhados pelas divinas promessas de bênçãos.1
Igualmente seguindo as bases bíblicas para o culto foi que a Confissão de Fé de
Westminster em seu Capítulo XXI, Seção V descreve os elementos do culto: “A leitura das
Escrituras, com santo temor; a sã pregação da Palavra e a consciente atenção a ela, em
obediência a Deus, com entendimento, fé e reverência; o cântico de salmos, com gratidão no
coração; bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por
Cristo — são partes do culto comum oferecido a Deus, além dos juramentos religiosos, votos,
jejuns solenes e ações de graça em ocasiões especiais, os quais, em seus vários tempos e
ocasiões próprias, devem ser usados de um modo santo e religioso.”
Bom, os elementos foram apresentados acima, mas ainda devemos entender que
estes elementos são utilizados de forma diferente pela Igreja do Senhor. O teólogo Johannes
Geerhardos Vos em seu comentário do Catecismo Maior de Westminster nos explica esta
diferença:
Nas ordenanças voltadas para o uso regular e nas voltadas para o uso
ocasional. A oração, a pregação e os sacramentos, por exemplo, são dirigidas
ao uso regular. O jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer votos a
Ele são para uso ocasional, isto é, não devem ser realizadas a intervalos de
tempo definidos e regulares, mas quando alguma ocasião especial as exigir.2
O Princípio Regulador do culto nos faz entender que somente estes elementos devem
se fazer presentes no culto ao Senhor. Além do mais, não somente estes elementos devem se
fazer presentes, eles devem ser guiados e cheios do conteúdo da Palavra. Cada elemento do
culto deve expressar as verdades da Escritura:
1
JOHNSON, Terry L. Adoração Reformada. São Paulo: Os Puritanos, 2001. p . 37.
2
GEERHARDUS VOS, Johannes. O Catecismo Maior de Westminster Comentado por Johannes Geerhardos Vos.,
2002, p. 336.
Como a Palavra deve estar presente e encher nossa adoração? Como a Bíblia
mostra, a Palavra está presente de diversas formas... A forma mais óbvia é a
leitura da Palavra. Esta Palavra deve ser uma parte distinta e central da
adoração. Paulo escreveu a Timóteo, “aplica-te à leitura, à exortação, e ao
ensino” (1 Timóteo 4:13). Aqui, à leitura da Bíblia é dada uma importância que
é coordenativa à pregação e ao ensino... A Palavra deve também encher as
nossas orações. As maiores orações da igreja são ricas em linguagens da
própria Bíblia, oferecendo a Palavra de Deus de volta a Ele, em oração. As
palavras da Bíblia devem informar nossas orações com a verdade de Deus, as
promessas de Deus, e as bênçãos de Deus sobre o Seu povo... A Palavra deve
ser a base do nosso cantar. No mínimo, os cânticos da igreja devem relatar as
verdades da obra salvadora de Deus. Atenção primária deve ser dada ao
conteúdo dos cânticos... A Palavra deve estar presente nos sacramentos da
igreja – o batismo e a Ceia do Senhor. Agostinho chamou os sacramentos de
“a palavra visível”, que é uma forma útil de pensar sobre eles. Elas não são
cerimônias estranhas que distraem de Cristo e da Palavra, mas são
precisamente outra maneira na qual Deus comunica Sua Palavra...
Finalmente, a Palavra deve estar presente na pregação da igreja. Pregação é a
comunicação verbal da Palavra de Deus, aplicando-a às vidas do povo de
Deus.
3
Havendo compreendido o que a bíblia diz acerca dos elementos do culto, voltemos
nossa atenção à outra questão de grande importância. A teologia reformada não somente fala
a respeito dos elementos do culto, ela também contempla determinadas circunstâncias
referentes à execução do culto que devem ser consideradas pela Igreja. Estas circunstancias
não são iguais aos elementos de culto, mas devem ser analisados por nós com semelhante
atenção. Estes aspectos são denominados de circunstâncias do culto. Vejamos a diferença
entre as circunstâncias do culto e os elementos de culto:
O que diferencia estas circunstâncias dos elementos do culto é que os
elementos são parte essencial do culto a Deus e foram por ele prescritos em
sua Palavra, sendo meios pelos quais recebemos a sua graça e sua Palavra e
lhe prestamos adoração e louvor. As circunstâncias, por sua vez, dizem
respeito aos passos envolvidos na implementação e aplicação dos elementos
e são dependentes destes. Destarte, as circunstancias não são parte essencial
e intrínseca do culto, podendo ou não estar presentes, de acordo com o
julgamento dos pastores e conselhos das igrejas locais. A presença ou
ausência de determinadas circunstancias não torna um culto mais ou menos
espiritual ou aceitável a Deus.4
A título de exemplo de circunstancias de culto podemos citar: uso do microfone,
púlpito, instrumentos musicais, horário dos cultos, que tipos de móveis deve estar presentes
no templo, decoração, uso de mídia, coral, local da reunião, roupas para o culto, iluminação...
Para todos estes aspectos não possuímos um mandamento bíblico. Todavia, sejam quais forem
as circunstancias, elas não devem ser guiadas pelo prazer e capricho humanos. Observemos
como a Confissão de Fé de Westminster em seu Capítulo I - DA ESCRITURA SAGRADA, Seção VI,
trata das circunstancias de culto: “[...] há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao
governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela
luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da Palavra, que sempre
devem ser observadas” (2Tm 3:15-17; Gl 1:8; 2Ts 2:2; Jo 6:45; 1Co 2:9,10, 12; 1Co 11:13-14).
Assim, mesmo que as circunstancias de culto não estejam prescritas nas Escrituras, elas são
reguladas e delimitadas pelos princípios gerais da Palavra de Deus.
3
GODFREY, Robert. Agradando a Deus em Nossa Adoração, 2013.
4
Carta Pastoral e Teológica sobre Liturgia na IPB. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 18, 19.

Elementos do culto

  • 1.
    ELEMENTOS DO CULTO Oscristãos devem inequivocamente se apegar ao Princípio Regulador do culto sob pena de o culto não ser aceito por Deus. Pelo contrário, os cristãos podem até mesmo serem castigados por insistirem em oferecer “fogo estranho” ao Senhor (Lv 10:1-7; 1Co 11:30-32). Tendo como pano de fundo o nosso dever de seguir o que está ordenado nas Escrituras, nossa questão agora é saber: Qual é o conteúdo do culto segundo a Bíblia? Quais elementos devem estar presentes? Apesar dos apóstolos não nos deixarem uma lista clara dos elementos de culto para o período da Nova Aliança, ainda assim podemos retirar das Escrituras os elementos de culto ordenados pelo Senhor. Observemos o comentário do escritor Terry L. Johnson: Textos como Atos 2:42 nos dão um vislumbre da adoração na igreja primitiva, com um uso simples da Palavra, dos sacramentos e da oração. Vemos também o apóstolo Paulo regulamentando a oração (1Co 11:2-16; 14:14-17; 1Tm 2:1-3), os cânticos de louvor (1Co 14:26,27; Cl 3:16; Ef 5:19), a ministração da Palavra (1Co 14:29-33; 1Tm 4:13; 2Tm 4:1,2), o Ofertório (1Co 16:1,2) e a Santa Ceia (1Co 11:17-34). Esses parecem ter sido os elementos regulares do culto na igreja apostólica. A oração, a leitura das Escrituras, a pregação das Escrituras, o cântico de Salmos, a ministração dos sacramentos e os juramentos religiosos, são todos feitos "de acordo com as Escrituras", modelados pelo exemplo apostólico, regulados pelas ordenanças apostólicas e acompanhados pelas divinas promessas de bênçãos.1 Igualmente seguindo as bases bíblicas para o culto foi que a Confissão de Fé de Westminster em seu Capítulo XXI, Seção V descreve os elementos do culto: “A leitura das Escrituras, com santo temor; a sã pregação da Palavra e a consciente atenção a ela, em obediência a Deus, com entendimento, fé e reverência; o cântico de salmos, com gratidão no coração; bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo — são partes do culto comum oferecido a Deus, além dos juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e ações de graça em ocasiões especiais, os quais, em seus vários tempos e ocasiões próprias, devem ser usados de um modo santo e religioso.” Bom, os elementos foram apresentados acima, mas ainda devemos entender que estes elementos são utilizados de forma diferente pela Igreja do Senhor. O teólogo Johannes Geerhardos Vos em seu comentário do Catecismo Maior de Westminster nos explica esta diferença: Nas ordenanças voltadas para o uso regular e nas voltadas para o uso ocasional. A oração, a pregação e os sacramentos, por exemplo, são dirigidas ao uso regular. O jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer votos a Ele são para uso ocasional, isto é, não devem ser realizadas a intervalos de tempo definidos e regulares, mas quando alguma ocasião especial as exigir.2 O Princípio Regulador do culto nos faz entender que somente estes elementos devem se fazer presentes no culto ao Senhor. Além do mais, não somente estes elementos devem se fazer presentes, eles devem ser guiados e cheios do conteúdo da Palavra. Cada elemento do culto deve expressar as verdades da Escritura: 1 JOHNSON, Terry L. Adoração Reformada. São Paulo: Os Puritanos, 2001. p . 37. 2 GEERHARDUS VOS, Johannes. O Catecismo Maior de Westminster Comentado por Johannes Geerhardos Vos., 2002, p. 336.
  • 2.
    Como a Palavradeve estar presente e encher nossa adoração? Como a Bíblia mostra, a Palavra está presente de diversas formas... A forma mais óbvia é a leitura da Palavra. Esta Palavra deve ser uma parte distinta e central da adoração. Paulo escreveu a Timóteo, “aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino” (1 Timóteo 4:13). Aqui, à leitura da Bíblia é dada uma importância que é coordenativa à pregação e ao ensino... A Palavra deve também encher as nossas orações. As maiores orações da igreja são ricas em linguagens da própria Bíblia, oferecendo a Palavra de Deus de volta a Ele, em oração. As palavras da Bíblia devem informar nossas orações com a verdade de Deus, as promessas de Deus, e as bênçãos de Deus sobre o Seu povo... A Palavra deve ser a base do nosso cantar. No mínimo, os cânticos da igreja devem relatar as verdades da obra salvadora de Deus. Atenção primária deve ser dada ao conteúdo dos cânticos... A Palavra deve estar presente nos sacramentos da igreja – o batismo e a Ceia do Senhor. Agostinho chamou os sacramentos de “a palavra visível”, que é uma forma útil de pensar sobre eles. Elas não são cerimônias estranhas que distraem de Cristo e da Palavra, mas são precisamente outra maneira na qual Deus comunica Sua Palavra... Finalmente, a Palavra deve estar presente na pregação da igreja. Pregação é a comunicação verbal da Palavra de Deus, aplicando-a às vidas do povo de Deus. 3 Havendo compreendido o que a bíblia diz acerca dos elementos do culto, voltemos nossa atenção à outra questão de grande importância. A teologia reformada não somente fala a respeito dos elementos do culto, ela também contempla determinadas circunstâncias referentes à execução do culto que devem ser consideradas pela Igreja. Estas circunstancias não são iguais aos elementos de culto, mas devem ser analisados por nós com semelhante atenção. Estes aspectos são denominados de circunstâncias do culto. Vejamos a diferença entre as circunstâncias do culto e os elementos de culto: O que diferencia estas circunstâncias dos elementos do culto é que os elementos são parte essencial do culto a Deus e foram por ele prescritos em sua Palavra, sendo meios pelos quais recebemos a sua graça e sua Palavra e lhe prestamos adoração e louvor. As circunstâncias, por sua vez, dizem respeito aos passos envolvidos na implementação e aplicação dos elementos e são dependentes destes. Destarte, as circunstancias não são parte essencial e intrínseca do culto, podendo ou não estar presentes, de acordo com o julgamento dos pastores e conselhos das igrejas locais. A presença ou ausência de determinadas circunstancias não torna um culto mais ou menos espiritual ou aceitável a Deus.4 A título de exemplo de circunstancias de culto podemos citar: uso do microfone, púlpito, instrumentos musicais, horário dos cultos, que tipos de móveis deve estar presentes no templo, decoração, uso de mídia, coral, local da reunião, roupas para o culto, iluminação... Para todos estes aspectos não possuímos um mandamento bíblico. Todavia, sejam quais forem as circunstancias, elas não devem ser guiadas pelo prazer e capricho humanos. Observemos como a Confissão de Fé de Westminster em seu Capítulo I - DA ESCRITURA SAGRADA, Seção VI, trata das circunstancias de culto: “[...] há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da Palavra, que sempre devem ser observadas” (2Tm 3:15-17; Gl 1:8; 2Ts 2:2; Jo 6:45; 1Co 2:9,10, 12; 1Co 11:13-14). Assim, mesmo que as circunstancias de culto não estejam prescritas nas Escrituras, elas são reguladas e delimitadas pelos princípios gerais da Palavra de Deus. 3 GODFREY, Robert. Agradando a Deus em Nossa Adoração, 2013. 4 Carta Pastoral e Teológica sobre Liturgia na IPB. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 18, 19.