Do pós moderno ao pós colonial.
E para além de um e de outro.
Texto de Boaventura de Souza Santos.
In: Travessias. Números 6/7. Orgs: Elisio Estanque, Hermes Augusto Costa, Maria Jose Canelo,
Silvia Ferreira, Antonio Casimiro Ferreira e Rui Bebiano. Centro de Estudos Sociais, Coimbra, 2008.
Disponível pelo endereço: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/43227/1/Do%20pos-
moderno%20ao%20pos-colonial.pdf;Do Acessado em 20 de fevereiro de 2019.
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
É essa a nossa tarefa. Uma tarefa complexa porque qualquer que seja o
tema de investigação social sobre que nos debrucemos, estudamo-lo a
partir de quadros teóricos e analíticos que foram construídos pelas
ciências sociais hegemónicas noutros espaços geopolíticos que não o
nosso (P. 35);
durante bastante tempo todos os nossos estudos,
qualquer que seja o tema, serão também estudos
identitários (P. 36)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
na superação da dicotomia natureza/sociedade, na
complexidade da relação sujeito/objecto, na concepção
construtivista da verdade, na aproximação das ciências
naturais às ciências sociais e destas aos estudos
humanísticos…

numa nova articulação, mais equilibrada, entre conhecimento
científico e outras formas de conhecimento com o objectivo
de transformar a ciência num novo senso comum, para o
que propus o conceito de dupla ruptura epistemológica.

P. 16
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Início década de 1990
crises do capitalismo e do socialismo dos países do
Leste europeu levaram- me a ampliar o conceito de
pós-moderno e pós-modernidade que passou então
a designar, não só um novo paradigma
epistemológico, mas um novo paradigma social e
político. (p. 16)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Posição de Boaventura (p. 17)
a designação pós-moderno era inadequada

definia o novo paradigma pela negativa, como também porque pressupunha
uma sequência temporal 

Para contrapor: pós-modernismo de oposição 

vivemos em sociedades a braços com problemas modernos … para os
quais não dispomos de soluções modernas

necessidade de: reinventar a emancipação social; perfilhar o relativismo
epistemológico ou cultural 

==> aprender com o Sul – entendendo o Sul como uma metáfora do
sofrimento humano causado pelo capitalismo 

Estudos e tensões do Pós-colonial
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
O Pós-colonialismo
um conjunto de correntes teóricas e analíticas, com
forte implantação nos estudos culturais, mas hoje
presentes em todas as ciências sociais, que têm em
comum darem primazia teórica e política às relações
desiguais entre o Norte e o Sul na explicação ou na
compreensão do mundo contemporâneo. (p. 18)

A perspectiva pós- colonial parte da ideia de que, a
partir das margens ou das periferias, as estruturas
de poder e de saber são mais visíveis. (p. 19)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Diferenças em relação à concepção
de pós-modernismo de oposição (p. 19)
Em vez de:

renúncia à emancipação social ==> a sua reinvenção

melancolia ==> o optimismo trágico

relativismo ==> a pluralidade e a construção de uma ética a partir de baixo

desconstrução ==> uma teoria crítica pós- moderna, profundamente auto-reflexiva
mas imune à obsessão de desconstruir a própria resistência que ela funda

do fim da política ==> a criação de subjectividades transgressivas ==> da acção
conformista à acção rebelde

sincretismo acrítico ==> a mestiçagem ou a hibridação (obs: N. Canclini, P. Burke,
H. Bhabha também tratam disso)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
O pósmodernismo e o pós-moderno
de oposição partilham (p. 20)
a crítica do universalismo e da unilinearidade da
história, das totalidades hierárquicas e das
metanarrativas; a ênfase na pluralidade, na
heterogeneidade, nas margens ou periferias;
epistemologia construtivista, ainda que não nihilista
ou relativista.
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Criticas ao Pós-modernismo em sua
tentativa de eliminar o eurocentrismo ou
etcnocentrismo ocidental (p. 20)
1. a celebração da fragmentação, da pluralidade e da
proliferação das periferias oculta a relação desigual, central
no capitalismo moderno, entre o Norte e o Sul. A proliferação
das periferias acarreta a proliferação dos centros e com esta
desaparecem as relações de poder entre centro e periferia
que são constitutivas do capitalismo, isto é, desaparecem as
diferenças capitalistas, colonial e imperial.

2. o pós- modernismo dominante mistura frequentemente a
crítica do universalismo ocidental com a reivindicação da
singularidade do Ocidente
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Pós-capitalismo marxista e
o pós-colonialismo (p. 22)
regulação social e emancipação social tensionam do
liberalismo político e o marxismo…

enquanto o liberalismo político confina as possibilidades de
emancipação ao horizonte capitalista, o marxismo concebe
a emancipação social num horizonte pós- capitalista.

ambos concebem o colonialismo no quadro historicista …o
horizonte pós-capitalista desenhado pelo marxismo é
também um horizonte pós-colonial… [por isso] o marxismo
é a que mais tem contribuído para os estudos póscoloniais,
retirando daí parte da sua renovada vitalidade.
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
O conhecimento-regulação e o
conhecimento-emancipação - formas
da modernidade ocidental (p. 22)
conhecimento-regulação é a forma de conhecimento que se
constrói ao longo de uma trajectória entre a ignorância
concebida como caos e o saber concebido como ordem

o conhecimento-emancipação se constrói ao longo de uma
trajectória entre a ignorância concebida como colonialismo e
o saber concebido como solidariedade

a forma de ignorância no conhecimento-emancipação,
o colonialismo, foi recodificado como forma de saber no
conhecimento-regulação, ou seja, o colonialismo como
ordem.
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
só se aprende com o Sul na
medida em que se contribui para a
sua eliminação enquanto produto
do império. (p.23)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Pilares (p. 24)
Da regulação: o princípio da comunidade

Da emancipação: a racionalidade estético-
expressiva

Regulação e emancipação X/= experiências e
expectativas
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
a modernidade ocidental é originariamente
colonialista;

desde o século XV o capitalismo não é pensável sem
o colonialismo, nem o colonialismo sem o
capitalismo. (p. 25)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Capitalismo e colonialismo
(p. 26)
Apesar de mutuamente constituídos, capitalismo e colonialismo
não se confundem:

colonialismo: o conjunto de trocas extremamente desiguais que
assentam na privação da humanidade da parte mais fraca como
condição para a sobreexplorar ou para a excluir como
descartável. 

capitalismo, enquanto formação social, não tem de sobre
explorar todos os trabalhadores e por definição não pode
excluir e descartar todas as populações, mas, por outro lado,
não pode existir sem populações sobre exploradas e sem
populações descartáveis. 
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
P. 27
“mesmo nas sociedades coloniais e ex-coloniais, o
colonialismo e o capitalismo são partes integrantes
da mesma constelação de poderes e, por isso, não
parece adequado privilegiar um deles na explicação
das práticas de discriminação.”
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Diferentes colonialismos (p.
29)
É importante mostrar as especificidades do
colonialismo português ou espanhol em relação ao
colonialismo britânico ou francês 

Portugal - colonia da Inglaterra
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Desafios (p.30-33)
1. pensar a emancipação social sem uma teoria geral da emancipação
social;

2. determinar em que medida a cultura e a filosofia política eurocêntricas
são hoje indispensáveis para reinventar a emancipação social;

3. saber como maximizar a interculturalidade sem subscrever o relativismo
cultural e epistemológico;

4. O pós-colonialismo tem vindo a fazer uma crítica radical ao historicismo
==> o historicismo parte da ideia de que toda a realidade social é
determinada historicamente e deve ser analisada e avaliada em função do
lugar do período que ocupa num processo de desenvolvimento histórico
concebido como unívoco e unidireccional… [e] é hoje criticado tanto pelas
correntes pós- modernas como pelas pós-coloniais.
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
o historicismo torna impossível pensar que os países
menos desenvolvidos sejam mais desenvolvidos que
os desenvolvidos em algumas características
específicas;

Não há emancipação, há emancipações e o que as
define como tal não é uma lógica histórica, são antes
critérios éticos e políticos (P. 33)		
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
CONCLUSÃO
Todo o conhecimento é contextual mas o contexto é uma
construção social, dinâmica, produto de uma história que nada tem
a ver com o determinismo arbitrário da origem;

quem somos nós neste espaço de língua oficial portuguesa, nas
nossas diferenças e cumplicidades integrados num mundo
crescentemente globalizado, segundo uma lógica em cujo desenho
temos, quando muito, uma participação subordinada, uma lógica
que ou trivializa ou, pelo contrário, dramatiza as nossas diferenças,
mas, em qualquer caso, bloqueia a construção das cumplicidades?

(Isso também não valeria para o Brasil em relação a si
mesmo?)
Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
Do pos moderno pos colonial boaventura_santos

Do pos moderno pos colonial boaventura_santos

  • 1.
    Do pós modernoao pós colonial. E para além de um e de outro. Texto de Boaventura de Souza Santos. In: Travessias. Números 6/7. Orgs: Elisio Estanque, Hermes Augusto Costa, Maria Jose Canelo, Silvia Ferreira, Antonio Casimiro Ferreira e Rui Bebiano. Centro de Estudos Sociais, Coimbra, 2008. Disponível pelo endereço: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/43227/1/Do%20pos- moderno%20ao%20pos-colonial.pdf;Do Acessado em 20 de fevereiro de 2019. Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 2.
    É essa anossa tarefa. Uma tarefa complexa porque qualquer que seja o tema de investigação social sobre que nos debrucemos, estudamo-lo a partir de quadros teóricos e analíticos que foram construídos pelas ciências sociais hegemónicas noutros espaços geopolíticos que não o nosso (P. 35); durante bastante tempo todos os nossos estudos, qualquer que seja o tema, serão também estudos identitários (P. 36) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 3.
    CONHECIMENTO CIENTÍFICO na superaçãoda dicotomia natureza/sociedade, na complexidade da relação sujeito/objecto, na concepção construtivista da verdade, na aproximação das ciências naturais às ciências sociais e destas aos estudos humanísticos… numa nova articulação, mais equilibrada, entre conhecimento científico e outras formas de conhecimento com o objectivo de transformar a ciência num novo senso comum, para o que propus o conceito de dupla ruptura epistemológica. P. 16 Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 4.
    Início década de1990 crises do capitalismo e do socialismo dos países do Leste europeu levaram- me a ampliar o conceito de pós-moderno e pós-modernidade que passou então a designar, não só um novo paradigma epistemológico, mas um novo paradigma social e político. (p. 16) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 5.
    Posição de Boaventura(p. 17) a designação pós-moderno era inadequada definia o novo paradigma pela negativa, como também porque pressupunha uma sequência temporal  Para contrapor: pós-modernismo de oposição vivemos em sociedades a braços com problemas modernos … para os quais não dispomos de soluções modernas necessidade de: reinventar a emancipação social; perfilhar o relativismo epistemológico ou cultural ==> aprender com o Sul – entendendo o Sul como uma metáfora do sofrimento humano causado pelo capitalismo  Estudos e tensões do Pós-colonial Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 6.
    O Pós-colonialismo um conjuntode correntes teóricas e analíticas, com forte implantação nos estudos culturais, mas hoje presentes em todas as ciências sociais, que têm em comum darem primazia teórica e política às relações desiguais entre o Norte e o Sul na explicação ou na compreensão do mundo contemporâneo. (p. 18) A perspectiva pós- colonial parte da ideia de que, a partir das margens ou das periferias, as estruturas de poder e de saber são mais visíveis. (p. 19) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 7.
    Diferenças em relaçãoà concepção de pós-modernismo de oposição (p. 19) Em vez de: renúncia à emancipação social ==> a sua reinvenção melancolia ==> o optimismo trágico relativismo ==> a pluralidade e a construção de uma ética a partir de baixo desconstrução ==> uma teoria crítica pós- moderna, profundamente auto-reflexiva mas imune à obsessão de desconstruir a própria resistência que ela funda do fim da política ==> a criação de subjectividades transgressivas ==> da acção conformista à acção rebelde sincretismo acrítico ==> a mestiçagem ou a hibridação (obs: N. Canclini, P. Burke, H. Bhabha também tratam disso) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 8.
    O pósmodernismo eo pós-moderno de oposição partilham (p. 20) a crítica do universalismo e da unilinearidade da história, das totalidades hierárquicas e das metanarrativas; a ênfase na pluralidade, na heterogeneidade, nas margens ou periferias; epistemologia construtivista, ainda que não nihilista ou relativista. Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 9.
    Criticas ao Pós-modernismoem sua tentativa de eliminar o eurocentrismo ou etcnocentrismo ocidental (p. 20) 1. a celebração da fragmentação, da pluralidade e da proliferação das periferias oculta a relação desigual, central no capitalismo moderno, entre o Norte e o Sul. A proliferação das periferias acarreta a proliferação dos centros e com esta desaparecem as relações de poder entre centro e periferia que são constitutivas do capitalismo, isto é, desaparecem as diferenças capitalistas, colonial e imperial. 2. o pós- modernismo dominante mistura frequentemente a crítica do universalismo ocidental com a reivindicação da singularidade do Ocidente Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 10.
    Pós-capitalismo marxista e opós-colonialismo (p. 22) regulação social e emancipação social tensionam do liberalismo político e o marxismo… enquanto o liberalismo político confina as possibilidades de emancipação ao horizonte capitalista, o marxismo concebe a emancipação social num horizonte pós- capitalista. ambos concebem o colonialismo no quadro historicista …o horizonte pós-capitalista desenhado pelo marxismo é também um horizonte pós-colonial… [por isso] o marxismo é a que mais tem contribuído para os estudos póscoloniais, retirando daí parte da sua renovada vitalidade. Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 11.
    O conhecimento-regulação eo conhecimento-emancipação - formas da modernidade ocidental (p. 22) conhecimento-regulação é a forma de conhecimento que se constrói ao longo de uma trajectória entre a ignorância concebida como caos e o saber concebido como ordem o conhecimento-emancipação se constrói ao longo de uma trajectória entre a ignorância concebida como colonialismo e o saber concebido como solidariedade a forma de ignorância no conhecimento-emancipação, o colonialismo, foi recodificado como forma de saber no conhecimento-regulação, ou seja, o colonialismo como ordem. Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 12.
    só se aprendecom o Sul na medida em que se contribui para a sua eliminação enquanto produto do império. (p.23) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 13.
    Pilares (p. 24) Daregulação: o princípio da comunidade Da emancipação: a racionalidade estético- expressiva Regulação e emancipação X/= experiências e expectativas Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 14.
    a modernidade ocidentalé originariamente colonialista; desde o século XV o capitalismo não é pensável sem o colonialismo, nem o colonialismo sem o capitalismo. (p. 25) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 15.
    Capitalismo e colonialismo (p.26) Apesar de mutuamente constituídos, capitalismo e colonialismo não se confundem: colonialismo: o conjunto de trocas extremamente desiguais que assentam na privação da humanidade da parte mais fraca como condição para a sobreexplorar ou para a excluir como descartável. capitalismo, enquanto formação social, não tem de sobre explorar todos os trabalhadores e por definição não pode excluir e descartar todas as populações, mas, por outro lado, não pode existir sem populações sobre exploradas e sem populações descartáveis.  Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 16.
    P. 27 “mesmo nassociedades coloniais e ex-coloniais, o colonialismo e o capitalismo são partes integrantes da mesma constelação de poderes e, por isso, não parece adequado privilegiar um deles na explicação das práticas de discriminação.” Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 17.
    Diferentes colonialismos (p. 29) Éimportante mostrar as especificidades do colonialismo português ou espanhol em relação ao colonialismo britânico ou francês  Portugal - colonia da Inglaterra Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 18.
    Desafios (p.30-33) 1. pensara emancipação social sem uma teoria geral da emancipação social; 2. determinar em que medida a cultura e a filosofia política eurocêntricas são hoje indispensáveis para reinventar a emancipação social; 3. saber como maximizar a interculturalidade sem subscrever o relativismo cultural e epistemológico; 4. O pós-colonialismo tem vindo a fazer uma crítica radical ao historicismo ==> o historicismo parte da ideia de que toda a realidade social é determinada historicamente e deve ser analisada e avaliada em função do lugar do período que ocupa num processo de desenvolvimento histórico concebido como unívoco e unidireccional… [e] é hoje criticado tanto pelas correntes pós- modernas como pelas pós-coloniais. Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 19.
    o historicismo tornaimpossível pensar que os países menos desenvolvidos sejam mais desenvolvidos que os desenvolvidos em algumas características específicas; Não há emancipação, há emancipações e o que as define como tal não é uma lógica histórica, são antes critérios éticos e políticos (P. 33) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno
  • 20.
    CONCLUSÃO Todo o conhecimentoé contextual mas o contexto é uma construção social, dinâmica, produto de uma história que nada tem a ver com o determinismo arbitrário da origem; quem somos nós neste espaço de língua oficial portuguesa, nas nossas diferenças e cumplicidades integrados num mundo crescentemente globalizado, segundo uma lógica em cujo desenho temos, quando muito, uma participação subordinada, uma lógica que ou trivializa ou, pelo contrário, dramatiza as nossas diferenças, mas, em qualquer caso, bloqueia a construção das cumplicidades? (Isso também não valeria para o Brasil em relação a si mesmo?) Profa. Dra. Adriana Rocha Bruno