C O M O L I D A R C O M
U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S
CRIANÇAS SELETIVAS?
MARIA CRISTINA LOPES
MAMAECUIDADORA.COM.BR
MARIA CRISTINA LOPES | MAMAECUIDADORA.COM.BR
PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL
U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S
Um convite à saúde.
Olá! Meu nome é Maria Cristina Lopes. Sou psicóloga e trabalho
com o comportamento alimentar infantil. Hoje gostaria de te
fazer um convite à saúde e me acompanhar ao longo deste e-
book. O que eu quero é que seu filho possa comer normalmente
e que a sua família viva com menos estresse. Mas isso só é
possível com muita informação sobre o tema.
Aqui vou te falar sobre como surge a seletividade, tratamentos e
estratégias possíveis, com quais profissionais contar e o que
realmente vai fazer seu filho comer.
Vamos juntos?
MARIA CRISTINA LOPES | MAMAECUIDADORA.COM.BR
PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL
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O que é a seletividade?
A seletividade é um transtorno
caracterizado por rejeição a
diversos alimentos afetando
estado nutricional,
comportamental e a
socialização.
Antes de diagnosticar a
seletividade devemos investigar
quaisquer fatores orgânicos
atuais que possam interferir no
apetite. Alguns destes fatores
podem ser: nascimento dos
dentes, dor dentária crônica,
condições respiratórias que
causem intenso desconforto,
alergias e intolerâncias
alimentares, refluxo, febre,
estomatite, etc.
Geralmente a seletividade é
ocasionada por algum destes
fatores orgânicos.
Mas como exatamente a
seletividade se inicia?
Durante a refeição algum
desconforto orgânico se
intensifica. Após este mesmo
episódio ocorrer diversas vezes,
a associação entre o desconforto
e a alimentação se inicia. A
associação pode ser mais forte
ou mais fraca de acordo com o
nível de desconforto percebido
pela criança ou pelo tempo de
duração do desconforto (dias,
semanas, meses ou anos).
Além disso, casos de estresse
infantil também afetam a
alimentação. Este estresse pode
não ser facilmente detectado.
Mas algumas situações de vida
podem nos dar sinais. Como:
mudança de rotina, entrada na
creche, falecimento de alguém
próximo, mudança de
residência, entre outros.
Da mesma maneira existem
comorbidades associadas a
seletividade. Isso significa dizer
que alguns transtornos prévios
podem favorecer o aparecimento
da seletividade.
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Os mais comuns são: transtorno
do espectro autista, transtorno
obssessivo compulsivo,
transtorno de ansiedade e
transtorno de atenção e
hiperatividade. Nestes casos é
preciso fazer um tratamentos
associados com outros
profissionais.
Uma outra questão pouco
abordada é a genética.
Percebemos em estudos e na
clínica que pais que já
apresentaram a seletividade tem
mais chances de ter filhos
seletivos.
Quando se inicia a seletividade?
Em geral a seletividade se inicia
a partir de alguns meses de vida
até os quatro anos. Isso não
significa dizer que após os
quatro anos a criança não terá
mais seletividade. Significa
apenas que a idade de início
usual dos sintomas vai até os
quatro anos. O transtorno pode
perdurar por toda a vida.
Existe tratamento para a
seletividade?
Existem diversas formas de
tratar a seletividade. Médicos,
nutricionistas e psicólogos
podem cuidar de crianças
seletivas de diversas formas.
Médicos e nutricionistas irão
cuidar da parte orgânica, se
certificar que não existe
condições médicas atuais (como
refluxo, alergias ou estomatite) e
medicar para que não haja perda
de nutrientes ou peso.
Já o psicólogo atuará na
característica principal do
transtorno: o comportamento de
rejeição alimentar.
É o psicólogo que vai conseguir
orientar sobre formas de
introdução efetiva de alimentos.
Com o objetivo final de que pais
e cuidadores consigam ampliar a
variedade de alimentos no
cardápio da criança.
Afinal, de nada adianta fornecer
um cardápio e os pais não
conseguirem fazer seu filho
comer os alimentos. O objetivo
final é que realmente a criança
tenha uma vida normal e coma
novos alimentos.
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Quais são os tipos de rejeição
possíveis para uma criança
seletiva?
Existem diversos tipos de
rejeição. Aqui vou te falar as
quatro principais formas de
rejeição.
A rejeição pode ser visual – a
ansiedade e o comportamento de
rejeição aparecem quando a
criança vê o alimento. Alimentos
com aspectos muito diferentes
causam estresse.
A rejeição também pode se
referir ao cheiro. Ou seja, a
rejeição é suscitada pelo aroma
do alimento.
Agora falaremos dos dois tipos
de rejeição mais fortes e
comuns. O primeiro é ao sabor.
Ou seja, sabores diferentes
causam repulsa. Portanto, para
este tipo de rejeição o alimento
já deve estar na boca.
O segundo tipo mais comum de
rejeição é à textura. Neste caso o
alimento também deve ser
levado à boca para ocorrer a
rejeição.
Outro tipo de rejeição é pelo
ambiente. Portanto, em
determinados ambientes a
criança aceita alguns alimentos e
em outros não. em geral isso
ocorre pois a criança não se
sente segura. Por exemplo: já foi
forçada a comer naquele local.
Uma das maiores dificuldades
dos pais é identificar o tipo de
rejeição da criança. O
tratamento sempre deve
começar pela identificação da
rejeição.
Em alguns casos as crianças
possuem apenas um dos tipos de
rejeição citadas acima como a
que causa maior ansiedade.
Porém é bem possível que ela
tenha todos os tipos de rejeição.
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Quais são as maneiras mais
comuns de lidar com a
seletividade?
Existem muitas maneiras de
lidar com a seletividade das
crianças. Porém, as mais comuns
não são ideais. Inclusive, podem
piorar a seletividade.
Uma das maneiras mais comuns
de lidar com a seletividade é
com a técnica da distração. Ou
seja, durante a refeição o
cuidador distrai a criança com
televisão, tablet, celular ou
brinquedos, enquanto coloca o
alimento na sua boca.
Apesar de funcionar com
algumas crianças esta técnica
não modifica a alimentação da
criança. Justamente, por que,
distraída, não registra novas
texturas, sabores, visual e
cheiros.
Outra maneira comum de lidar
com a seletividade é forçar a
criança a comer segurando sua
boca, gritando, castigando, etc.
Essa é uma estratégia que
funciona momentaneamente.
Pois a criança irá, naturalmente,
associar este novo estresse ao
alimento novo.
A última estratégia comum é
deixar a criança com fome. Ou
seja, só irá comer se for o
alimento novo. Se não quiser
comer este alimento novo não
irá comer nada.
Esta é uma estratégia que não
funciona em nenhuma ocasião.
Já tive mães de pacientes que
deixaram seus filhso sem comer
por mais de 16 horas.
Se os pais e cuidadores tinham
alguma dúvida sobre a
veracidade do transtorno e
estresse ocasionado não resta
nenhuma. A criança preferirá
passar fome ao invés de comer o
alimento diferente.
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A seletividade é "frescura"?
Não! Como acabamos de ver o
estresse ocasionado pela rejeição
é tão grande que a criança
prefere passar fome a comer.
O estresse ocasionado pela
seletividade é o mesmo que uma
pessoa que tem medo de avião
sentiria ao pegar um vôo de doze
horas para Paris sem
medicamentos. A seletividade é
real!
Então qual é a melhor maneira
de lidar com a seletividade?
Se perceber todas as estratégias
que citei até aqui foram
"inundações". Ou seja,
"inundamos" a criança com
estímulo extremamente
estressor - a comida.
Vários estudos demonstram que
a inundação não é uma técnica
que realmente funciona.
Inclusive, como já foi dito, pode
piorar a ansiedade e estresse.
O que tem mostrado bons
resultados uma técnica contrária
à "inundação". Esta técnica se
chama "exposição graduada".
A estratégia de exposição
graduada é a estratégia que
utilizamos e a mais
cientificamente eficaz para o
tratamento da seletividade. Ela
se baseia em graduar em várias
etapas de exposição ao alimento
até chegarmos ao objetivo final.
Por exemplo: se a criança
consome apenas sopa de cenoura
não posso de uma hora para a
outro oferecer sopa de couve.
Devo escolher um alimento que
se assemelhe visualmente à
cenoura - como a abóbora. E
introduzir o sabor da abóbora
colocando uma porcentagem da
sopa de abóbora junto à sopa de
cenoura. Gradativamente
aumento esta proporção até
chegar ao 100%.
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Bem como se quiser colocar a
textura da abóbora apenas
cozida. Não devo oferecer à
criança seletiva esta textura "de
repente". Devo graduar em
várias etapas de exposição de
textura.
Assim, se a sopa é peneirada
começo a colocar metade
peneirada e metade não
peneirada. Devo aumentar esta
proporção gardativamente até
toda a sopa não ser peneirada.
A partir de então posso começar
a colocar pedaços pequenos e
aumentar esta quantidade até
atingir meu objetivo final. A
exposição graduada pode ser
feita com qualquer alimento.
Lembre-se: quando uma etapa
de exposição não dá certo é sinal
que precisamos graduar mais.
Existem várias formas de
exposição. O essencial é
conhecer o tipo de rejeição
principal do sue filho e começar
sempre pequeno.
Não tenha medo de pedir ajuda.
Quanto mais ficamos sem
tratamento mais a seletividade
se sedimenta.
Quantas vezes devo oferecer o
alimento em uma etapa de
exposição?
A cada etapa de exposição
devemos oferecer no mínimo
cinco vezes. Mas isso pode se
extender até vinte vezes. Ou seja,
durante uma semana você
oferecerá o prato com 50% de
sopa de cenoura e 50% de sopa de
abóbora. Na semana seguinte
posso oferecer a proporção
maior de 80% de sopa de abóbora
e 20% de sopa de cenoura e assim
por diante.
Você não precisa oferecer
somente esta refeição. Os pais e
cuidadores podem variar. Mas
deve ser oferecido com a
frequência mínima de uma vez a
cada três dias. Afinal, é
necessário sedimentar cada etapa
de exposição.
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Que outras estratégias posso
utilizar?
Bem, a exposição graduada será
a base e a fortaleza da mudança
da seletividade do seu filho.
Porém, outras estratégias podem
ser utilizadas para facilitar e
permitir que essa mudança
ocorra.
Levar as crianças para a
cozinha.
É interessante levar seu filho
para a cozinho e pedir sua ajuda.
Favorecer uma relação positiva
com os alimentos pode favorecer
o interesse.
Esse experimento também pode
servir como uma exposição
visual aos alimentos. Porém,
isso só deve ser utilizado em
casos de uma seletividade leve.
Afinal, crianças com uma
seletividade muito forte podem
achar este programa muito
estressor. Esteja atento ao perfil
do seu filho!
Comer à mesa.
Comer a mesa é um
comportamento básico que
permite a criação de hábitos
saudáveis.
Dormir bem.
O sono é algo que interfere
muito no apetite e
comportamento alimentar. Ter
um sono adequado é primordial
Levar brinquedos à mesa.
Levar brinquedos à mesa
também favorece a relação
positiva com o momento da
refeição. Afinal, este é um
momento que geralmente é
recheado de estresse para os
pais, cuidadores e crianças.
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Conversar sobre coisas
positivas.
Permita conversas leves.
Conversas carregadas de
emoções negativas são
prejudiciais por que preenchem
aquele momento de
negatividade.
Mesmo que a conversa seja
entre os adultos da casa a
criança consegue perceber o
teor da conversa. Portanto à
mesa planejem passeios,
conversem sobre coisas boas e
alegres, brinquem e encham a
mesa de coisas positivas. Deixe
a bronca para outro momento.
Colocar pouca comida no prato.
Colocar muita comida no prato
pode causar estresse na criança
na criança seletiva. Colocamos
muita comida e muita
expectativa.
Assim frustramos a nós mesmos
e às crianças. O ideal é colocar
pouco, evitar frustrações
desnecessárias e colocar mais
comida caso a criança peça.
Elogie a cada pequena conquista.
Um dos erros mais comuns dos
pais é ter uma expectativa alta
demais e punir a criança em
pequenos avanços. Por exemplo:
"ele mal colocou na boca",
"comeu algo novo mas não
conta, comeu tão pouco", etc.
Isso é o mesmo que dizer que o
esforço da criança não serviu de
nada.
Cada pequeno avanço é uma
grande conquista para uma
criança seletiva. Vamos
compreendê-la, ir no tempo que
é possível para ela e permitir
que tenha a vida mais normal
possível no meio do caminho.
Afinal, não é isso que os pais
também querem?
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Considerações finais
A seletividade é um transtorno
sério que precisa de atenção
clínica. Existem muitas fases da
seletividade. Há aqueles pouco
seletivos e aqueles hiper
seletivos.
Independente de qual seja o
caso do seu filho não fique sem
ajuda. Existe uma forma
científica e testada de tratar a
seletividade. Ou seja, tem
solução. O psicólogo é o
profissional ideal pois trata as
questões principais da
seletividade: a rejeição e o
comportamento.
É possível ter uma vida normal,
viajar, confraternizar e ter
refeições agradáveis
novamente. Não desista.
Quem sou eu?
Olá! Meu nome é Maria
Cristina Lopes, sou psicóloga
pela PUC-Rio e trabalho com
comportamento alimentar
desde 2013. Já ajudei muitas
famílias melhorando o
comportamento alimentar das
crianças.
Como entrar em contato
comigo?
É só me enviar uma mensagem
ou mesmo me ligar. Vamos
bater um papo. Tenho certeza
que posso te ajudar.
Meu número: 21 99305 3432.
Meu e-mail:
mariacristinalopes@gmail.com
Meu site:
www.mamaecuidadora.com.br
Como lidar com crianças seletivas

Como lidar com crianças seletivas

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    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Um convite à saúde. Olá! Meu nome é Maria Cristina Lopes. Sou psicóloga e trabalho com o comportamento alimentar infantil. Hoje gostaria de te fazer um convite à saúde e me acompanhar ao longo deste e- book. O que eu quero é que seu filho possa comer normalmente e que a sua família viva com menos estresse. Mas isso só é possível com muita informação sobre o tema. Aqui vou te falar sobre como surge a seletividade, tratamentos e estratégias possíveis, com quais profissionais contar e o que realmente vai fazer seu filho comer. Vamos juntos?
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    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S O que é a seletividade? A seletividade é um transtorno caracterizado por rejeição a diversos alimentos afetando estado nutricional, comportamental e a socialização. Antes de diagnosticar a seletividade devemos investigar quaisquer fatores orgânicos atuais que possam interferir no apetite. Alguns destes fatores podem ser: nascimento dos dentes, dor dentária crônica, condições respiratórias que causem intenso desconforto, alergias e intolerâncias alimentares, refluxo, febre, estomatite, etc. Geralmente a seletividade é ocasionada por algum destes fatores orgânicos. Mas como exatamente a seletividade se inicia? Durante a refeição algum desconforto orgânico se intensifica. Após este mesmo episódio ocorrer diversas vezes, a associação entre o desconforto e a alimentação se inicia. A associação pode ser mais forte ou mais fraca de acordo com o nível de desconforto percebido pela criança ou pelo tempo de duração do desconforto (dias, semanas, meses ou anos). Além disso, casos de estresse infantil também afetam a alimentação. Este estresse pode não ser facilmente detectado. Mas algumas situações de vida podem nos dar sinais. Como: mudança de rotina, entrada na creche, falecimento de alguém próximo, mudança de residência, entre outros. Da mesma maneira existem comorbidades associadas a seletividade. Isso significa dizer que alguns transtornos prévios podem favorecer o aparecimento da seletividade.
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    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Os mais comuns são: transtorno do espectro autista, transtorno obssessivo compulsivo, transtorno de ansiedade e transtorno de atenção e hiperatividade. Nestes casos é preciso fazer um tratamentos associados com outros profissionais. Uma outra questão pouco abordada é a genética. Percebemos em estudos e na clínica que pais que já apresentaram a seletividade tem mais chances de ter filhos seletivos. Quando se inicia a seletividade? Em geral a seletividade se inicia a partir de alguns meses de vida até os quatro anos. Isso não significa dizer que após os quatro anos a criança não terá mais seletividade. Significa apenas que a idade de início usual dos sintomas vai até os quatro anos. O transtorno pode perdurar por toda a vida. Existe tratamento para a seletividade? Existem diversas formas de tratar a seletividade. Médicos, nutricionistas e psicólogos podem cuidar de crianças seletivas de diversas formas. Médicos e nutricionistas irão cuidar da parte orgânica, se certificar que não existe condições médicas atuais (como refluxo, alergias ou estomatite) e medicar para que não haja perda de nutrientes ou peso. Já o psicólogo atuará na característica principal do transtorno: o comportamento de rejeição alimentar. É o psicólogo que vai conseguir orientar sobre formas de introdução efetiva de alimentos. Com o objetivo final de que pais e cuidadores consigam ampliar a variedade de alimentos no cardápio da criança. Afinal, de nada adianta fornecer um cardápio e os pais não conseguirem fazer seu filho comer os alimentos. O objetivo final é que realmente a criança tenha uma vida normal e coma novos alimentos.
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    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Quais são os tipos de rejeição possíveis para uma criança seletiva? Existem diversos tipos de rejeição. Aqui vou te falar as quatro principais formas de rejeição. A rejeição pode ser visual – a ansiedade e o comportamento de rejeição aparecem quando a criança vê o alimento. Alimentos com aspectos muito diferentes causam estresse. A rejeição também pode se referir ao cheiro. Ou seja, a rejeição é suscitada pelo aroma do alimento. Agora falaremos dos dois tipos de rejeição mais fortes e comuns. O primeiro é ao sabor. Ou seja, sabores diferentes causam repulsa. Portanto, para este tipo de rejeição o alimento já deve estar na boca. O segundo tipo mais comum de rejeição é à textura. Neste caso o alimento também deve ser levado à boca para ocorrer a rejeição. Outro tipo de rejeição é pelo ambiente. Portanto, em determinados ambientes a criança aceita alguns alimentos e em outros não. em geral isso ocorre pois a criança não se sente segura. Por exemplo: já foi forçada a comer naquele local. Uma das maiores dificuldades dos pais é identificar o tipo de rejeição da criança. O tratamento sempre deve começar pela identificação da rejeição. Em alguns casos as crianças possuem apenas um dos tipos de rejeição citadas acima como a que causa maior ansiedade. Porém é bem possível que ela tenha todos os tipos de rejeição.
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    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Quais são as maneiras mais comuns de lidar com a seletividade? Existem muitas maneiras de lidar com a seletividade das crianças. Porém, as mais comuns não são ideais. Inclusive, podem piorar a seletividade. Uma das maneiras mais comuns de lidar com a seletividade é com a técnica da distração. Ou seja, durante a refeição o cuidador distrai a criança com televisão, tablet, celular ou brinquedos, enquanto coloca o alimento na sua boca. Apesar de funcionar com algumas crianças esta técnica não modifica a alimentação da criança. Justamente, por que, distraída, não registra novas texturas, sabores, visual e cheiros. Outra maneira comum de lidar com a seletividade é forçar a criança a comer segurando sua boca, gritando, castigando, etc. Essa é uma estratégia que funciona momentaneamente. Pois a criança irá, naturalmente, associar este novo estresse ao alimento novo. A última estratégia comum é deixar a criança com fome. Ou seja, só irá comer se for o alimento novo. Se não quiser comer este alimento novo não irá comer nada. Esta é uma estratégia que não funciona em nenhuma ocasião. Já tive mães de pacientes que deixaram seus filhso sem comer por mais de 16 horas. Se os pais e cuidadores tinham alguma dúvida sobre a veracidade do transtorno e estresse ocasionado não resta nenhuma. A criança preferirá passar fome ao invés de comer o alimento diferente.
  • 7.
    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S A seletividade é "frescura"? Não! Como acabamos de ver o estresse ocasionado pela rejeição é tão grande que a criança prefere passar fome a comer. O estresse ocasionado pela seletividade é o mesmo que uma pessoa que tem medo de avião sentiria ao pegar um vôo de doze horas para Paris sem medicamentos. A seletividade é real! Então qual é a melhor maneira de lidar com a seletividade? Se perceber todas as estratégias que citei até aqui foram "inundações". Ou seja, "inundamos" a criança com estímulo extremamente estressor - a comida. Vários estudos demonstram que a inundação não é uma técnica que realmente funciona. Inclusive, como já foi dito, pode piorar a ansiedade e estresse. O que tem mostrado bons resultados uma técnica contrária à "inundação". Esta técnica se chama "exposição graduada". A estratégia de exposição graduada é a estratégia que utilizamos e a mais cientificamente eficaz para o tratamento da seletividade. Ela se baseia em graduar em várias etapas de exposição ao alimento até chegarmos ao objetivo final. Por exemplo: se a criança consome apenas sopa de cenoura não posso de uma hora para a outro oferecer sopa de couve. Devo escolher um alimento que se assemelhe visualmente à cenoura - como a abóbora. E introduzir o sabor da abóbora colocando uma porcentagem da sopa de abóbora junto à sopa de cenoura. Gradativamente aumento esta proporção até chegar ao 100%.
  • 8.
    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Bem como se quiser colocar a textura da abóbora apenas cozida. Não devo oferecer à criança seletiva esta textura "de repente". Devo graduar em várias etapas de exposição de textura. Assim, se a sopa é peneirada começo a colocar metade peneirada e metade não peneirada. Devo aumentar esta proporção gardativamente até toda a sopa não ser peneirada. A partir de então posso começar a colocar pedaços pequenos e aumentar esta quantidade até atingir meu objetivo final. A exposição graduada pode ser feita com qualquer alimento. Lembre-se: quando uma etapa de exposição não dá certo é sinal que precisamos graduar mais. Existem várias formas de exposição. O essencial é conhecer o tipo de rejeição principal do sue filho e começar sempre pequeno. Não tenha medo de pedir ajuda. Quanto mais ficamos sem tratamento mais a seletividade se sedimenta. Quantas vezes devo oferecer o alimento em uma etapa de exposição? A cada etapa de exposição devemos oferecer no mínimo cinco vezes. Mas isso pode se extender até vinte vezes. Ou seja, durante uma semana você oferecerá o prato com 50% de sopa de cenoura e 50% de sopa de abóbora. Na semana seguinte posso oferecer a proporção maior de 80% de sopa de abóbora e 20% de sopa de cenoura e assim por diante. Você não precisa oferecer somente esta refeição. Os pais e cuidadores podem variar. Mas deve ser oferecido com a frequência mínima de uma vez a cada três dias. Afinal, é necessário sedimentar cada etapa de exposição.
  • 9.
    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Que outras estratégias posso utilizar? Bem, a exposição graduada será a base e a fortaleza da mudança da seletividade do seu filho. Porém, outras estratégias podem ser utilizadas para facilitar e permitir que essa mudança ocorra. Levar as crianças para a cozinha. É interessante levar seu filho para a cozinho e pedir sua ajuda. Favorecer uma relação positiva com os alimentos pode favorecer o interesse. Esse experimento também pode servir como uma exposição visual aos alimentos. Porém, isso só deve ser utilizado em casos de uma seletividade leve. Afinal, crianças com uma seletividade muito forte podem achar este programa muito estressor. Esteja atento ao perfil do seu filho! Comer à mesa. Comer a mesa é um comportamento básico que permite a criação de hábitos saudáveis. Dormir bem. O sono é algo que interfere muito no apetite e comportamento alimentar. Ter um sono adequado é primordial Levar brinquedos à mesa. Levar brinquedos à mesa também favorece a relação positiva com o momento da refeição. Afinal, este é um momento que geralmente é recheado de estresse para os pais, cuidadores e crianças.
  • 10.
    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Conversar sobre coisas positivas. Permita conversas leves. Conversas carregadas de emoções negativas são prejudiciais por que preenchem aquele momento de negatividade. Mesmo que a conversa seja entre os adultos da casa a criança consegue perceber o teor da conversa. Portanto à mesa planejem passeios, conversem sobre coisas boas e alegres, brinquem e encham a mesa de coisas positivas. Deixe a bronca para outro momento. Colocar pouca comida no prato. Colocar muita comida no prato pode causar estresse na criança na criança seletiva. Colocamos muita comida e muita expectativa. Assim frustramos a nós mesmos e às crianças. O ideal é colocar pouco, evitar frustrações desnecessárias e colocar mais comida caso a criança peça. Elogie a cada pequena conquista. Um dos erros mais comuns dos pais é ter uma expectativa alta demais e punir a criança em pequenos avanços. Por exemplo: "ele mal colocou na boca", "comeu algo novo mas não conta, comeu tão pouco", etc. Isso é o mesmo que dizer que o esforço da criança não serviu de nada. Cada pequeno avanço é uma grande conquista para uma criança seletiva. Vamos compreendê-la, ir no tempo que é possível para ela e permitir que tenha a vida mais normal possível no meio do caminho. Afinal, não é isso que os pais também querem?
  • 11.
    MARIA CRISTINA LOPES| MAMAECUIDADORA.COM.BR PSICÓLOGA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL U M G U I A P A R A P A I S E M Ã E S D E F I L H O S S E L E T I V O S Considerações finais A seletividade é um transtorno sério que precisa de atenção clínica. Existem muitas fases da seletividade. Há aqueles pouco seletivos e aqueles hiper seletivos. Independente de qual seja o caso do seu filho não fique sem ajuda. Existe uma forma científica e testada de tratar a seletividade. Ou seja, tem solução. O psicólogo é o profissional ideal pois trata as questões principais da seletividade: a rejeição e o comportamento. É possível ter uma vida normal, viajar, confraternizar e ter refeições agradáveis novamente. Não desista. Quem sou eu? Olá! Meu nome é Maria Cristina Lopes, sou psicóloga pela PUC-Rio e trabalho com comportamento alimentar desde 2013. Já ajudei muitas famílias melhorando o comportamento alimentar das crianças. Como entrar em contato comigo? É só me enviar uma mensagem ou mesmo me ligar. Vamos bater um papo. Tenho certeza que posso te ajudar. Meu número: 21 99305 3432. Meu e-mail: mariacristinalopes@gmail.com Meu site: www.mamaecuidadora.com.br