• Eça recomendou a Oliveira Martins que, dos
Maias, lesse as primeiras cem páginas,
alguns episódios (as corridas, a ida a
Sintra, o sarau literário, etc.) e pouco mais.
• Mais do que o peso da Igreja, era o peso
excessivo do Cristianismo que Eça
contestava. [era o contrário]
•Nas obras de Eça, a influência da educação
romântica nota-se ainda mais nos homens do
que nas mulheres. [mais nas mulheres: Monforte,
Gouvarinho, …]
• Isabel Pires de Lima concorda que Eça
fosse misógino [o que tem aversão às
mulheres] e admite que tratasse mais
criticamente as mulheres do que os
homens. [E os homens são bem tratados?]
• Eça de Queirós foi educado pelos avós e
viveu sempre [pouco] entre mulheres.
• O pai de Eça era juiz, tendo trabalhado
nos processos que envolveram Camilo
Castelo Branco.
• Eça de Queirós nasceu em Vila do Conde e
foi baptizado na Póvoa de Varzim. [é o
contrário]
•Nas obras de Eça há sobretudo famílias (e
estruturadas convencionalmente). [famílias
«desestruturadas»: cfr. Afonso/Carlos]
•Eça chegou a viver no Colégio da Lapa, onde
conheceu Ramalho Ortigão, filho do director.
• Para Eça, o avô Queirós era uma figura
tutelar. [cfr. Carlos e avô]
• Carlos da Maia [Ega] integra traços de
Eça, nomeadamente o seu gosto para a
«cavaqueira».
• Para Carlos Reis, nos Maias, Eça quer
sobretudo contar a saga de uma família
nobre. [aponta antes o subtítulo: ‘episódios da
vida romântica’ — é Portugal inteiro]
• Na época de Eça, a vida entre as
classes burguesas estava
condicionada pelo romantismo.
• O grupo que se costuma designar
«geração de 70» integrava António
Feliciano de Castilho. [Castilho era
precisamente contra quem se apresentavam]
• Bom Senso e Bom Gosto foi um
panfleto escrito por Antero de Quental,
em reação a Castilho.
• Em Coimbra, Eça conviveu com Antero.
• A Questão Coimbrã opôs Eça a Antero.
[Antero e outros vs. Castilho]
• Faziam parte da «geração de 70», entre
outros, Eça, Ramalho, Batalha Reis,
Antero, Oliveira Martins.
• Eça foi o sócio n.º 9 [19] do Grémio
Literário, fundado por Garrett.
• Eça viajou pelo Egipto e pela Palestina,
ao serviço do jornal com que colaborava.
Não será melhor
interrogarem a testemunha
que ainda ali está?
Subordinante
Subordinada substantiva completiva não finita
infinitiva
Subordinante
Subordinada adjetiva relativa restritiva
Interrogarem a testemunha que ainda ali está
S u j e i t o
não será melhor?
Predicativo do sujeito
P r e d i c a d o
Afonso perguntou a Pedro para onde
tinham fugido. Perguntou ao filho que
sabia ele e disse que não era só [ou não
bastava] chorar.
Num longo esforço Pedro respondeu
que não sabia nada e acrescentou que
sabia que ela fugira. Disse também que ele
saíra de Lisboa na segunda-feira e que,
naquela mesma noite, ela partira de casa
numa carruagem, com uma maleta, o cofre
de joias, uma criada italiana que tinha há
pouco tempo, e a pequena. Pedro relatou
depois que Maria dissera à governanta e
à ama do filho que ia ter consigo e que
elas tinham estranhado. Exclamou que
não poderiam ter dito outra coisa e disse
que, quando voltara, tinha achado aquela
carta.
Travessão ou dois pontos (a delimitarem
verbo de elocução) dão lugar a
conjunção subordinativa completiva
Eg «— respondeu Pedro» > «Pedro
respondeu que»
Vocativo passa a Complemento indireto
Eg «Pedro» > «ao Pedro»
Trocas de tempo (se o verbo introdutor
estiver no Pretérito Perfeito)
Presente > Imperfeito;
Perfeito > Mais-que-perfeito;
Futuro > Condicional;
Imperativo > Conjuntivo
Trocas de pessoa (se o verbo introdutor
estiver na 3.ª pessoa)
1.ª, 2.ª > 3.ª
Trocas de deíticos
ontem > na véspera;
hoje > naquele dia;
amanhã > no dia seguinte;
aqui > ali;
cá > lá;
este/esse > aquele;
isto/isso > aquilo
Acomodações (apenas as
imprescindíveis) de eventuais marcas de
oralidade
Eg «Não é só chorar...» talvez pudesse
ficar «não bastava chorar»
Mas para onde tinham fugido? Que
sabia ele? Não era só chorar...
Pedro não sabia nada. Sabia que ela
fugira. Ele saíra de Lisboa na segunda-
feira. Nessa mesma noite, ela partira de
casa numa carruagem, com uma maleta, o
cofre de joias, uma criada italiana que
tinha agora, e a pequena. Dissera à
governanta e à ama do pequeno que ia ter
com ele. Elas tinham estranhado, mas que
haviam de dizer?... Quando voltara, achara
aquela carta.
Discurso indireto livre
Narrador relata as falas das personagens
quase as reproduzindo literalmente mas
sem fronteira com a sua própria voz.
Omite-se o verbo introdutor
Conservam-se marcas de oralidade
(interjeições, pontuação expressiva).
Tempos verbais mudam (como num
indireto comum).
Odiando tudo o que fosse inglês, não
consentira que seu filho, o Pedrinho, fosse
estudar ao colégio de Richmond. Debalde
Afonso lhe provou que era um colégio católico.
Não queria: aquele catolicismo sem romarias,
sem fogueiras pelo S. João, sem imagens do
Senhor dos Passos, sem frades nas ruas —
não lhe parecia a religião. A alma do seu
Pedrinho não abandonaria ela à heresia; — e
para o educar mandou vir de Lisboa o padre
Vasques, capelão do conde de Runa.
No trecho já do cap. III, com a ida de Vilaça a
Santa Olávia, que testemunha a educação de
Carlos (contrastada com a de Eusebiozinho,
que, no fundo, replicava a que seguira o pai de
Carlos), temos todo um parágrafo em discurso
indireto livre, o {circunda a melhor opção}
primeiro / segundo / terceiro / quarto / quinto
/nonagésimo segundo. Para nos apercebermos
das características desta maneira de
reproduzir o diálogo, completa com o que lhe
corresponderia nos outros modos de relato do
discurso:
Mas o Teixeira, muito grave, muito
sério, desiludiu o senhor administrador.
Mimos e mais mimos, dizia Sua Senhoria?
Coitadinho dele, que tinha sido educado
com uma vara de ferro! Se ele fosse a
contar ao sr. Vilaça! Não tinha a criança
cinco anos já dormia num quarto só, sem
lamparina; e todas as manhãs, zás, para
dentro de uma tina de água fria, às vezes a
gear lá fora... E outras barbaridades. Se não
se soubesse a grande paixão do avô pela
criança, havia de se dizer que a queria
morta. Deus lhe perdoe, ele, Teixeira,
chegara a pensá-lo... Mas não, parece
que era sistema inglês! Deixava-o correr,
cair, trepar às árvores, molhar-se,
apanhar soalheiras, como um filho de
caseiro. E depois o rigor com as
comidas! Só a certas horas e de certas
coisas... E às vezes a criancinha, com os
olhos abertos, a aguar! Muita, muita
dureza.
Discurso direto:
— Vossa Senhoria, diz «mimos e
mais mimos»? Coitadinho dele, que foi
educado com uma vara de ferro! Se eu
for/fosse a contar ao sr. Vilaça! Não
tinha a criança cinco anos já dormia
num quarto só, sem lamparina; e todas
as manhãs, zás, para dentro de uma
tina de água fria, às vezes a gear lá
fora... E outras barbaridades.
Se não se soubesse a grande paixão
do avô pela criança, havia de se dizer
que a queria morta. Deus me perdoe,
[eu, Teixeira,] cheguei a pensá-lo...
Mas não, parece que é o sistema
inglês. Deixa-o correr, cair, trepar às
árvores, molhar-se, apanhar
soalheiras, como um filho de caseiro.
E depois o rigor com as comidas! Só
a certas horas e de certas coisas... E
às vezes a criancinha, com os olhos
abertos, a aguar! Muita, muita dureza.
— desiludiu o Teixeira, muito grave,
muito sério, Vilaça.
Discurso indireto:
Mas o Teixeira, muito grave, muito
sério, desiludiu Vilaça, retorquindo-lhe
que Carlos não era mimado e que o
coitado fora educado com uma vara de
ferro. Disse ainda que se fosse a contar a
Vilaça como fora a educação de Carlos
este se surpreenderia muito.
direto > indireto livre
• Vossa > Sua
• diz > dizia
• foi > tinha sido
• eu > ele
• me perdoe > lhe perdoe
• cheguei > chegara
• é > era
• deixa-o > deixava-o
Não é discurso indireto puro [gramatical]:
• ausência do «que» e ausência [de reforço]
dos verbos introdutores («E outras
barbaridades»)
• manutenção de marcas de oralidade ou
idiossincrasias da linguagem («mimos e
mais mimos»; «coitadinho»; «senhor
administrador»; «zás»; ...)
• manutenção de pontos de interrogação, de
exclamação; de reticências
• manutenção de tempo («Deus lhe perdoe»,
por «Deus lhe perdoasse»)
a. 2
b. 3
c. 4
d. 5
e. 1
1.1.1 = c.
Os críticos da educação inglesa de
Carlos consideravam-na perniciosa por
carecer de uma orientação religiosa e
não propiciar o estudo das línguas vivas.
mortas
(1) g. presença da cartilha e da religião
(2) j. exercício e do contacto com a natureza
(3) d. os comportamentos e as reações
(4) a. a boémia e o fanatismo
(5) e. estigmas hereditários
(6) i. física e animicamente débil
(7) h. modelo pedagógico britânico
(8) f. os equívocos educacionais
(9) b. melancolia mórbida
(10) c. eticamente irresponsável
[…] Afonso da Maia, como que
procurando afastar de Carlos os estigmas
que haviam destruído Pedro, adota um
modelo educativo britânico regido pelo
precetor Brown:
em vez do latim e da cartilha defendidos
pelo abade Custódio, a educação de
Carlos privilegia agora o exercício físico
e o contacto com a natureza, o que
confere à criança um vigor que contrasta
com a debilidade de Eusebiozinho.
Entretanto, o que a ação d’Os Maias
acaba por mostrar é que nem essa
educação supostamente saudável foi
capaz de levar Carlos a uma existência
fecunda e produtiva.
Algumas das personagens d’Os Maias
[...] reclamam a explicação da
hereditariedade, ainda que por vezes em
termos ambíguos. O desastroso trajeto de
vida de Pedro da Maia pode ser explicado
pela educação recebida, mas ele deve-se
também à presença, no seu
temperamento, de elementos psico-
somáticos herdados da família Runa.
A fraqueza física, os abatimentos, a
melancolia são, assim, efeitos de uma
herança biológica que parece não afetar
Carlos, como se neste se tivesse
recuperado (também devido à educação)
a tal força dos Maias;
e contudo, apesar disso, Carlos acaba
por ser envolvido numa relação amorosa
condenada ao fracasso, [...] como se
essa outra raça, que é a dos Maias
enquanto família antiga e poderosa,
fosse incapaz, afinal, de contrariar a
força de um destino que a transcende.
TPC — Prepara leitura em voz alta
de «Contrariedades» (pp. 307-308).
Procura estudar ficha sobre
«Reprodução do discurso no discurso»
no Caderno de Atividades (pp. 56-58),
que copio também no blogue.
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 115-116

Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 115-116

  • 2.
    • Eça recomendoua Oliveira Martins que, dos Maias, lesse as primeiras cem páginas, alguns episódios (as corridas, a ida a Sintra, o sarau literário, etc.) e pouco mais. • Mais do que o peso da Igreja, era o peso excessivo do Cristianismo que Eça contestava. [era o contrário]
  • 3.
    •Nas obras deEça, a influência da educação romântica nota-se ainda mais nos homens do que nas mulheres. [mais nas mulheres: Monforte, Gouvarinho, …]
  • 4.
    • Isabel Piresde Lima concorda que Eça fosse misógino [o que tem aversão às mulheres] e admite que tratasse mais criticamente as mulheres do que os homens. [E os homens são bem tratados?]
  • 5.
    • Eça deQueirós foi educado pelos avós e viveu sempre [pouco] entre mulheres. • O pai de Eça era juiz, tendo trabalhado nos processos que envolveram Camilo Castelo Branco.
  • 6.
    • Eça deQueirós nasceu em Vila do Conde e foi baptizado na Póvoa de Varzim. [é o contrário]
  • 7.
    •Nas obras deEça há sobretudo famílias (e estruturadas convencionalmente). [famílias «desestruturadas»: cfr. Afonso/Carlos] •Eça chegou a viver no Colégio da Lapa, onde conheceu Ramalho Ortigão, filho do director.
  • 8.
    • Para Eça,o avô Queirós era uma figura tutelar. [cfr. Carlos e avô] • Carlos da Maia [Ega] integra traços de Eça, nomeadamente o seu gosto para a «cavaqueira».
  • 9.
    • Para CarlosReis, nos Maias, Eça quer sobretudo contar a saga de uma família nobre. [aponta antes o subtítulo: ‘episódios da vida romântica’ — é Portugal inteiro]
  • 10.
    • Na épocade Eça, a vida entre as classes burguesas estava condicionada pelo romantismo. • O grupo que se costuma designar «geração de 70» integrava António Feliciano de Castilho. [Castilho era precisamente contra quem se apresentavam]
  • 11.
    • Bom Sensoe Bom Gosto foi um panfleto escrito por Antero de Quental, em reação a Castilho.
  • 12.
    • Em Coimbra,Eça conviveu com Antero. • A Questão Coimbrã opôs Eça a Antero. [Antero e outros vs. Castilho]
  • 13.
    • Faziam parteda «geração de 70», entre outros, Eça, Ramalho, Batalha Reis, Antero, Oliveira Martins.
  • 14.
    • Eça foio sócio n.º 9 [19] do Grémio Literário, fundado por Garrett. • Eça viajou pelo Egipto e pela Palestina, ao serviço do jornal com que colaborava.
  • 16.
    Não será melhor interrogarema testemunha que ainda ali está? Subordinante Subordinada substantiva completiva não finita infinitiva Subordinante Subordinada adjetiva relativa restritiva
  • 17.
    Interrogarem a testemunhaque ainda ali está S u j e i t o não será melhor? Predicativo do sujeito P r e d i c a d o
  • 19.
    Afonso perguntou aPedro para onde tinham fugido. Perguntou ao filho que sabia ele e disse que não era só [ou não bastava] chorar. Num longo esforço Pedro respondeu que não sabia nada e acrescentou que sabia que ela fugira. Disse também que ele saíra de Lisboa na segunda-feira e que, naquela mesma noite, ela partira de casa numa carruagem, com uma maleta, o cofre
  • 20.
    de joias, umacriada italiana que tinha há pouco tempo, e a pequena. Pedro relatou depois que Maria dissera à governanta e à ama do filho que ia ter consigo e que elas tinham estranhado. Exclamou que não poderiam ter dito outra coisa e disse que, quando voltara, tinha achado aquela carta.
  • 21.
    Travessão ou doispontos (a delimitarem verbo de elocução) dão lugar a conjunção subordinativa completiva Eg «— respondeu Pedro» > «Pedro respondeu que»
  • 22.
    Vocativo passa aComplemento indireto Eg «Pedro» > «ao Pedro»
  • 23.
    Trocas de tempo(se o verbo introdutor estiver no Pretérito Perfeito) Presente > Imperfeito; Perfeito > Mais-que-perfeito; Futuro > Condicional; Imperativo > Conjuntivo
  • 24.
    Trocas de pessoa(se o verbo introdutor estiver na 3.ª pessoa) 1.ª, 2.ª > 3.ª
  • 25.
    Trocas de deíticos ontem> na véspera; hoje > naquele dia; amanhã > no dia seguinte; aqui > ali; cá > lá; este/esse > aquele; isto/isso > aquilo
  • 26.
    Acomodações (apenas as imprescindíveis)de eventuais marcas de oralidade Eg «Não é só chorar...» talvez pudesse ficar «não bastava chorar»
  • 28.
    Mas para ondetinham fugido? Que sabia ele? Não era só chorar... Pedro não sabia nada. Sabia que ela fugira. Ele saíra de Lisboa na segunda- feira. Nessa mesma noite, ela partira de casa numa carruagem, com uma maleta, o cofre de joias, uma criada italiana que tinha agora, e a pequena. Dissera à governanta e à ama do pequeno que ia ter com ele. Elas tinham estranhado, mas que haviam de dizer?... Quando voltara, achara aquela carta.
  • 29.
    Discurso indireto livre Narradorrelata as falas das personagens quase as reproduzindo literalmente mas sem fronteira com a sua própria voz. Omite-se o verbo introdutor Conservam-se marcas de oralidade (interjeições, pontuação expressiva). Tempos verbais mudam (como num indireto comum).
  • 31.
    Odiando tudo oque fosse inglês, não consentira que seu filho, o Pedrinho, fosse estudar ao colégio de Richmond. Debalde Afonso lhe provou que era um colégio católico. Não queria: aquele catolicismo sem romarias, sem fogueiras pelo S. João, sem imagens do Senhor dos Passos, sem frades nas ruas — não lhe parecia a religião. A alma do seu Pedrinho não abandonaria ela à heresia; — e para o educar mandou vir de Lisboa o padre Vasques, capelão do conde de Runa.
  • 32.
    No trecho jádo cap. III, com a ida de Vilaça a Santa Olávia, que testemunha a educação de Carlos (contrastada com a de Eusebiozinho, que, no fundo, replicava a que seguira o pai de Carlos), temos todo um parágrafo em discurso indireto livre, o {circunda a melhor opção} primeiro / segundo / terceiro / quarto / quinto /nonagésimo segundo. Para nos apercebermos das características desta maneira de reproduzir o diálogo, completa com o que lhe corresponderia nos outros modos de relato do discurso:
  • 33.
    Mas o Teixeira,muito grave, muito sério, desiludiu o senhor administrador. Mimos e mais mimos, dizia Sua Senhoria? Coitadinho dele, que tinha sido educado com uma vara de ferro! Se ele fosse a contar ao sr. Vilaça! Não tinha a criança cinco anos já dormia num quarto só, sem lamparina; e todas as manhãs, zás, para dentro de uma tina de água fria, às vezes a gear lá fora... E outras barbaridades. Se não se soubesse a grande paixão do avô pela criança, havia de se dizer que a queria
  • 34.
    morta. Deus lheperdoe, ele, Teixeira, chegara a pensá-lo... Mas não, parece que era sistema inglês! Deixava-o correr, cair, trepar às árvores, molhar-se, apanhar soalheiras, como um filho de caseiro. E depois o rigor com as comidas! Só a certas horas e de certas coisas... E às vezes a criancinha, com os olhos abertos, a aguar! Muita, muita dureza.
  • 36.
    Discurso direto: — VossaSenhoria, diz «mimos e mais mimos»? Coitadinho dele, que foi educado com uma vara de ferro! Se eu for/fosse a contar ao sr. Vilaça! Não tinha a criança cinco anos já dormia num quarto só, sem lamparina; e todas as manhãs, zás, para dentro de uma tina de água fria, às vezes a gear lá fora... E outras barbaridades.
  • 37.
    Se não sesoubesse a grande paixão do avô pela criança, havia de se dizer que a queria morta. Deus me perdoe, [eu, Teixeira,] cheguei a pensá-lo... Mas não, parece que é o sistema inglês. Deixa-o correr, cair, trepar às árvores, molhar-se, apanhar soalheiras, como um filho de caseiro.
  • 38.
    E depois origor com as comidas! Só a certas horas e de certas coisas... E às vezes a criancinha, com os olhos abertos, a aguar! Muita, muita dureza. — desiludiu o Teixeira, muito grave, muito sério, Vilaça.
  • 39.
    Discurso indireto: Mas oTeixeira, muito grave, muito sério, desiludiu Vilaça, retorquindo-lhe que Carlos não era mimado e que o coitado fora educado com uma vara de ferro. Disse ainda que se fosse a contar a Vilaça como fora a educação de Carlos este se surpreenderia muito.
  • 40.
    direto > indiretolivre • Vossa > Sua • diz > dizia • foi > tinha sido • eu > ele • me perdoe > lhe perdoe • cheguei > chegara • é > era • deixa-o > deixava-o
  • 41.
    Não é discursoindireto puro [gramatical]: • ausência do «que» e ausência [de reforço] dos verbos introdutores («E outras barbaridades») • manutenção de marcas de oralidade ou idiossincrasias da linguagem («mimos e mais mimos»; «coitadinho»; «senhor administrador»; «zás»; ...) • manutenção de pontos de interrogação, de exclamação; de reticências • manutenção de tempo («Deus lhe perdoe», por «Deus lhe perdoasse»)
  • 43.
    a. 2 b. 3 c.4 d. 5 e. 1
  • 44.
    1.1.1 = c. Oscríticos da educação inglesa de Carlos consideravam-na perniciosa por carecer de uma orientação religiosa e não propiciar o estudo das línguas vivas. mortas
  • 45.
    (1) g. presençada cartilha e da religião (2) j. exercício e do contacto com a natureza (3) d. os comportamentos e as reações (4) a. a boémia e o fanatismo (5) e. estigmas hereditários
  • 46.
    (6) i. físicae animicamente débil (7) h. modelo pedagógico britânico (8) f. os equívocos educacionais (9) b. melancolia mórbida (10) c. eticamente irresponsável
  • 47.
    […] Afonso daMaia, como que procurando afastar de Carlos os estigmas que haviam destruído Pedro, adota um modelo educativo britânico regido pelo precetor Brown:
  • 48.
    em vez dolatim e da cartilha defendidos pelo abade Custódio, a educação de Carlos privilegia agora o exercício físico e o contacto com a natureza, o que confere à criança um vigor que contrasta com a debilidade de Eusebiozinho.
  • 49.
    Entretanto, o quea ação d’Os Maias acaba por mostrar é que nem essa educação supostamente saudável foi capaz de levar Carlos a uma existência fecunda e produtiva.
  • 50.
    Algumas das personagensd’Os Maias [...] reclamam a explicação da hereditariedade, ainda que por vezes em termos ambíguos. O desastroso trajeto de vida de Pedro da Maia pode ser explicado pela educação recebida, mas ele deve-se também à presença, no seu temperamento, de elementos psico- somáticos herdados da família Runa.
  • 51.
    A fraqueza física,os abatimentos, a melancolia são, assim, efeitos de uma herança biológica que parece não afetar Carlos, como se neste se tivesse recuperado (também devido à educação) a tal força dos Maias;
  • 52.
    e contudo, apesardisso, Carlos acaba por ser envolvido numa relação amorosa condenada ao fracasso, [...] como se essa outra raça, que é a dos Maias enquanto família antiga e poderosa, fosse incapaz, afinal, de contrariar a força de um destino que a transcende.
  • 63.
    TPC — Preparaleitura em voz alta de «Contrariedades» (pp. 307-308). Procura estudar ficha sobre «Reprodução do discurso no discurso» no Caderno de Atividades (pp. 56-58), que copio também no blogue.