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O Acolhimento nas Práticas de
Produção de Saúde:
Afinal, do que estamos falando?

Adélia Delfina da Motta Silva Correia,
Oficina de Humanização para a Classe Hospitalar
Hospital Regional de Mato Grosso do Sul
Campo Grande,23 de novembro de 2012
Que tal começarmos
compartilhando nossas
experiências e conceitos...
Quem tal dois causos para aquecer nossa conversa?
O que é acolhimento?
• Acolher é dar acolhida, admitir,
aceitar, dar ouvidos, dar crédito a,
agasalhar, receber, atender,admitir
(FERREIRA, 1975).
• O acolhimento como ato ou efeito
de acolher expressa, em suas
várias definições, uma ação de
aproximação, um “estar com” e um
“estar perto de”, ou seja, uma
atitude de inclusão.
O que é acolhimento?
Acolhimento é uma diretriz da Política
Nacional de Humanização (PNH), que
não tem local nem hora certa para
acontecer, nem um profissional
específico para fazê-lo: faz parte de
todos os encontros do serviço de saúde.
O acolhimento é uma postura éticaestética-política que implica na
escuta do usuário em suas queixas, no
reconhecimento do seu protagonismo
no processo de saúde e adoecimento, e
na responsabilização pela
resolução, com ativação de redes de
compartilhamento de saberes. Acolher
é um compromisso de resposta às
necessidades dos cidadãos que
procuram os serviços de saúde.
Portanto...
O acolhimento é um modo
de operar os processos de
trabalho em saúde
assumindo uma postura
capaz de acolher, escutar e
dar respostas adequadas
aos usuários.
E o Acolhimento com classificação de risco?

• A classificação de risco é um dispositivo
da PNH, uma ferramenta de organização
da "fila de espera" no serviço de saúde,
para que aqueles usuários que precisam
mais sejam atendidos com prioridade, e
não por ordem de chegada.
E como saber quem precisa mais?

• A classificação de risco é feita por enfermeiros,
de acordo com critérios pré-estabelecidos em
conjunto com os médicos e os demais
profissionais. A classificação de risco não tem
como objetivo definir quem vai ser atendido ou
não, mas define somente a ordem do
atendimento. Todos são atendidos, mas há
atenção ao grau de sofrimento físico e psíquico
dos usuários e agilidade no atendimento a partir
dessa análise.
Diretriz Ética-estética-política
• Ética, no que se refere ao compromisso com o
reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo em
suas diferenças, suas dores, suas alegrias, seus modos
de viver, sentir e estar na vida;
• Estética, porque traz para as relações e os encontros
do dia-a-dia a invenção de estratégias que contribuem
para a dignificação da vida e do viver e, assim, para a
construção de nossa própria humanidade;
• Política, porque implica o compromisso coletivo de
envolver-se neste “estar com”, potencializando
protagonismos e vida nos diferentes encontros.
Então, o Acolhimento é...
• Diretriz ética/estética/política constitutiva
dos modos de se produzir saúde e
ferramenta tecnológica de intervenção na
qualificação de escuta, construção de
vínculo, garantia do acesso com
responsabilização e resolutividade nos
serviços.
Tecnologia o Acolhimento?
O acolhimento como uma tecnologia do
encontro, um regime de afetabilidade
encontro
construído a cada encontro e mediante os
encontros, portanto como construção de
redes de conversações afirmadoras de
relações de potência nos processos de
produção de saúde.
Ação técnico-assistencial o
Acolhimento?
O acolhimento possibilita que se analise o
processo de trabalho em saúde com foco nas
relações e pressupõe a mudança da relação
profissional/usuário e sua rede social,
profissional/profissional, mediante parâmetros
técnicos, éticos, humanitários e de
solidariedade, levando ao reconhecimento do
usuário como sujeito e participante ativo no
processo de produção da saúde.
Andamos anestesiados diante da
dor do outro...
• Os processos de “anestesia” de nossa escuta e de
produção de indiferença diante do outro, em relação às
suas necessidades e diferenças, têm-nos produzido a
enganosa sensação de salvaguarda, de proteção do
sofrimento.
• Entretanto, esses processos nos mergulham no
isolamento, entorpecem nossa sensibilidade e
enfraquecem os laços coletivos mediante os quais se
nutrem as forças de invenção e de resistência que
constroem nossa própria humanidade. Pois a vida não é
o que se passa apenas em cada um dos sujeitos, mas
principalmente o que se passa entre os sujeitos, nos
vínculos que constroem e que os constroem como
potência de afetar e ser afetado.
Um dos nossos desafios:
Reativar nos encontros nossa capacidade de
cuidar ou estar atento para acolher, tendo como
princípios norteadores:
• o coletivo como plano de produção da vida;
vida
• o cotidiano como plano ao mesmo tempo de
reprodução, de experimentação e invenção
de modos de vida; e
vida
• a indissociabilidade entre o modo de nos
produzirmos como sujeitos e os modos dese
estar nos verbos da vida (trabalhar,
viver,amar, sentir, produzir saúde...).
Como faço para que o acolhimento
aconteça no serviço de saúde?
•

•

•
•
•

É preciso que a equipe de saúde se reúna para discutir como está sendo feito o
atendimento no serviço: qual o "caminho" do usuário desde que chega ao serviço
serviço
de saúde, por onde entra, quem o recebe, como o recebe, quem o orienta, quem o
atende, para onde ele vai depois do atendimento, enfim, todas as etapas que
percorre e como é atendido em cada uma dessas etapas.
Essa discussão com toda a equipe vai mostrar o que pode ser mudado para
que o usuário seja melhor acolhido. Assim, a partir dessa reunião pode haver
acolhido
mudanças na entrada, na sala de espera, por exemplo, para que haja um profissional
de saúde que acolha o usuário antes da recepção, forneça as primeiras orientações
e o encaminhe para o local adequado.
A recepção também pode mudar, utilizando-se a classificação de risco e
também um pós-consulta, ou seja, uma orientação ao usuário depois da
pós-consulta
consulta, a partir do encaminhamento que tiver sido feito na consulta.
É importante ainda ampliar a qualificação técnica dos profissionais e das
equipes de saúde para proporcionar essa escuta qualificada dos usuários, com
usuários
interação humanizada, cidadã e solidária da equipe, usuários, família e comunidade.
As possibilidades de acolhimento são muitas e o importante é que as melhorias
sejam feitas com a participação de toda a equipe que trabalha no serviço.
serviço
Visitem o Portal da BVS,
na Área Temática da Humanização
Materiais Base para a Produção
desta Apresentação
Acolher é dar ao outro motivos pra
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Luciana Lopes, 2011

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O acolhimento nas práticas de produção de saúde hrms

  • 1. O Acolhimento nas Práticas de Produção de Saúde: Afinal, do que estamos falando? Adélia Delfina da Motta Silva Correia, Oficina de Humanização para a Classe Hospitalar Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Campo Grande,23 de novembro de 2012
  • 2. Que tal começarmos compartilhando nossas experiências e conceitos... Quem tal dois causos para aquecer nossa conversa?
  • 3. O que é acolhimento? • Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, receber, atender,admitir (FERREIRA, 1975). • O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão.
  • 4.
  • 5. O que é acolhimento? Acolhimento é uma diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), que não tem local nem hora certa para acontecer, nem um profissional específico para fazê-lo: faz parte de todos os encontros do serviço de saúde. O acolhimento é uma postura éticaestética-política que implica na escuta do usuário em suas queixas, no reconhecimento do seu protagonismo no processo de saúde e adoecimento, e na responsabilização pela resolução, com ativação de redes de compartilhamento de saberes. Acolher é um compromisso de resposta às necessidades dos cidadãos que procuram os serviços de saúde.
  • 6. Portanto... O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde assumindo uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas adequadas aos usuários.
  • 7.
  • 8.
  • 9.
  • 10.
  • 11. E o Acolhimento com classificação de risco? • A classificação de risco é um dispositivo da PNH, uma ferramenta de organização da "fila de espera" no serviço de saúde, para que aqueles usuários que precisam mais sejam atendidos com prioridade, e não por ordem de chegada.
  • 12.
  • 13. E como saber quem precisa mais? • A classificação de risco é feita por enfermeiros, de acordo com critérios pré-estabelecidos em conjunto com os médicos e os demais profissionais. A classificação de risco não tem como objetivo definir quem vai ser atendido ou não, mas define somente a ordem do atendimento. Todos são atendidos, mas há atenção ao grau de sofrimento físico e psíquico dos usuários e agilidade no atendimento a partir dessa análise.
  • 14. Diretriz Ética-estética-política • Ética, no que se refere ao compromisso com o reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo em suas diferenças, suas dores, suas alegrias, seus modos de viver, sentir e estar na vida; • Estética, porque traz para as relações e os encontros do dia-a-dia a invenção de estratégias que contribuem para a dignificação da vida e do viver e, assim, para a construção de nossa própria humanidade; • Política, porque implica o compromisso coletivo de envolver-se neste “estar com”, potencializando protagonismos e vida nos diferentes encontros.
  • 15. Então, o Acolhimento é... • Diretriz ética/estética/política constitutiva dos modos de se produzir saúde e ferramenta tecnológica de intervenção na qualificação de escuta, construção de vínculo, garantia do acesso com responsabilização e resolutividade nos serviços.
  • 16. Tecnologia o Acolhimento? O acolhimento como uma tecnologia do encontro, um regime de afetabilidade encontro construído a cada encontro e mediante os encontros, portanto como construção de redes de conversações afirmadoras de relações de potência nos processos de produção de saúde.
  • 17. Ação técnico-assistencial o Acolhimento? O acolhimento possibilita que se analise o processo de trabalho em saúde com foco nas relações e pressupõe a mudança da relação profissional/usuário e sua rede social, profissional/profissional, mediante parâmetros técnicos, éticos, humanitários e de solidariedade, levando ao reconhecimento do usuário como sujeito e participante ativo no processo de produção da saúde.
  • 18. Andamos anestesiados diante da dor do outro... • Os processos de “anestesia” de nossa escuta e de produção de indiferença diante do outro, em relação às suas necessidades e diferenças, têm-nos produzido a enganosa sensação de salvaguarda, de proteção do sofrimento. • Entretanto, esses processos nos mergulham no isolamento, entorpecem nossa sensibilidade e enfraquecem os laços coletivos mediante os quais se nutrem as forças de invenção e de resistência que constroem nossa própria humanidade. Pois a vida não é o que se passa apenas em cada um dos sujeitos, mas principalmente o que se passa entre os sujeitos, nos vínculos que constroem e que os constroem como potência de afetar e ser afetado.
  • 19. Um dos nossos desafios: Reativar nos encontros nossa capacidade de cuidar ou estar atento para acolher, tendo como princípios norteadores: • o coletivo como plano de produção da vida; vida • o cotidiano como plano ao mesmo tempo de reprodução, de experimentação e invenção de modos de vida; e vida • a indissociabilidade entre o modo de nos produzirmos como sujeitos e os modos dese estar nos verbos da vida (trabalhar, viver,amar, sentir, produzir saúde...).
  • 20. Como faço para que o acolhimento aconteça no serviço de saúde? • • • • • É preciso que a equipe de saúde se reúna para discutir como está sendo feito o atendimento no serviço: qual o "caminho" do usuário desde que chega ao serviço serviço de saúde, por onde entra, quem o recebe, como o recebe, quem o orienta, quem o atende, para onde ele vai depois do atendimento, enfim, todas as etapas que percorre e como é atendido em cada uma dessas etapas. Essa discussão com toda a equipe vai mostrar o que pode ser mudado para que o usuário seja melhor acolhido. Assim, a partir dessa reunião pode haver acolhido mudanças na entrada, na sala de espera, por exemplo, para que haja um profissional de saúde que acolha o usuário antes da recepção, forneça as primeiras orientações e o encaminhe para o local adequado. A recepção também pode mudar, utilizando-se a classificação de risco e também um pós-consulta, ou seja, uma orientação ao usuário depois da pós-consulta consulta, a partir do encaminhamento que tiver sido feito na consulta. É importante ainda ampliar a qualificação técnica dos profissionais e das equipes de saúde para proporcionar essa escuta qualificada dos usuários, com usuários interação humanizada, cidadã e solidária da equipe, usuários, família e comunidade. As possibilidades de acolhimento são muitas e o importante é que as melhorias sejam feitas com a participação de toda a equipe que trabalha no serviço. serviço
  • 21. Visitem o Portal da BVS, na Área Temática da Humanização
  • 22. Materiais Base para a Produção desta Apresentação
  • 23. Acolher é dar ao outro motivos pra ficar... Luciana Lopes, 2011