Cancer de laringe_diagnostico (1)

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Arquivo-FClinicoFarmaceutica residente em Arquivo-FClinico
1
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal
de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar
condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas neste
projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta
a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente.
Autoria: Sociedade Brasileira de Cirurgia de
Cabeça e Pescoço
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia
e Cirurgia Cérvico-Facial
Colégio Brasileiro de Radiologia
Sociedade Brasileira de Cancerologia
Sociedade Brasileira de Patologia
Elaboração Final:	 30 de março de 2011
Participantes:	 Dedivitis RA, Tincani AJ, Chone CT, Cernea CR, 	
				 Montenegro FLM, Hojaij FC, Teixeira GV, 	
				 Kowalski LP, Cervantes O, Araújo PPC, 		
				 Arap SS, Gebrim EMMS, Lima EM, Altemani A, 	
				 Andrada NC
Câncer de Laringe: Diagnóstico
2 Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
DESCRIÇÃO DE MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA:
Foram revisados artigos nas bases de dados do MEDLINE (PubMed) e outras fontes de
pesquisa, como busca manual, sem limite de tempo. A estratégia de busca utilizada
baseou-se em perguntas estruturadas na forma P.I.C.O. (das iniciais “Paciente”, “In-
tervenção”,“Controle”,“Outcome”). Foram utilizados como descritores (MeSH Terms):
Laryngeal Neoplasms, Carcinoma, Squamous Cell, Head and Neck Neoplasms, Recur-
rence OR Neoplasm Recurrence, Local; Neoplasm Invasiveness, Neoplasm Metastasis,
Lymphatic Metastasis, Neoplasm Staging, Diagnosis, Prevalence, epidemiology, Survival
Rate, Mortality, Risk Assessment, Sensitivity and Specificity, False Negative Reactions,
Laryngoscopy,Videotape Recording, Biopsy, Biopsy, Needle; Larynx/radiography, Head
and Neck Neoplasms/radionuclide imaging, Diagnostic Imagins/methods, Tomogra-
phy, X-Ray Computed; Tomography,Spiral Computed; Magnetic Resonance Imaging,
Positron-Emission Tomography, Fluorodeoxyglucose F18/diagnostic use, Stroboscopy/
methods*, Keratosis/diagnosis, Pathology; Larynx/pathology, Carcinoma, Squamous
Cell/classification; Carcinoma, Squamous Cell/pathology; Radiation Injuries/pathology,
radiation effects, Terminology as Topic.
GRAU DE RECOMENDAÇÕES E FORÇA DE EVIDÊNCIA:
A:	 Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência.
B:	 Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência.
C:	 Relatos de casos (estudos não controlados).
D:	 Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisioló-
gicos ou modelos animais.
OBJETIVO:
Oferecer aos profissionais de saúde generalistas e especialistas, além de estudantes
de medicina, orientações sobre como conduzir o diagnóstico do paciente com câncer
da laringe, baseadas nas melhores evidências disponíveis na literatura sobre o assunto.
CONFLITO DE INTERESSE:
Nenhum conflito de interesse declarado.
3Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
Introdução
O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a
região da cabeça e pescoço, representando cerca de 25% dos
tumores malignos que acometem essa estrutura e 2% de todas
as doenças malignas. O tipo histológico prevalente é o carci-
noma epidermoide.
O Brasil apresenta ocorrência expressiva de câncer de laringe
quando comparado a outros países da América Latina. Cerca
de 8.000 casos novos e 3.000 mortes pela doença atingem
anualmente a população brasileira. Vários fatores de risco são
relacionados ao câncer de laringe. Os mais importantes são
tabagismo1
(B) e etilismo2
(B), porém, exposições a cancerí-
genos ocupacionais, consumo de carne salgada e gorduras e
polimorfismos genéticos estão relacionados com risco de câncer
de laringe. Há possível associação entre câncer de laringe e o
papiloma vírus humano. O refluxo gastrintestinal e antecedente
familiar de tumores de cabeça e pescoço aumentam o risco de
câncer da laringe3
(D).
Aproximadamente dois terços desses tumores acometem
primariamente o andar glótico, daí ser a disfonia persistente
um sinal precoce. O terço restante de tumores atinge a su-
praglote.
Os tumores da laringe são estadiados por meio do exame
clínico e de métodos de imagem e, particularmente, o tumor
primário (T), adicionalmente pela laringoscopia. Um exame
laríngeo completo e detalhado é a base de toda a avaliação do
paciente com queixas vocais. Avanços na tecnologia propor-
cionaram visualização mais detalhada do trato vocal e com-
preensão maior da fisiologia da emissão vocal. A laringoscopia
pode classificar-se em exame indireto (por espelho, fibra óptica
flexível ou laringoscópio rígido) ou direto (por laringoscopia de
suspensão). A confirmação diagnóstica deve ser sempre realizada
por biópsia e exame histopatológico.
Segundo a Classificação TNM, os tumores de laringe são assim
estratificados clinicamente:
4 Câncer de Laringe: Diagnóstico
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T - Tumor Primário
•	 TX-O tumor primário não pode ser 		
avaliado;
•	 T0-Não há evidência de tumor primário;
•	 Tis-Carcinoma in situ.
Supraglote
•	 T1-Tumor limitado a uma sublocalização
anatômica da supraglote, com mobilida-
de normal da prega vocal;
•	 T2-Tumor que invade a mucosa de mais
de uma sublocalização anatômica adja-
cente da supraglote ou a glote ou região
externa à supraglote (por exemplo, a
mucosa da base da língua, a valécula, a
parede medial do recesso piriforme), sem
fixação da laringe;
•	 T3-Tumor limitado à laringe com fixação
dapregavocale/ouinvasãodequalqueruma
dasseguintesestruturas:áreapós-cricoidea,
tecidos pré-epiglóticos, espaço paraglótico
e/ou com erosão mínima da cartilagem
tireoidea (por exemplo, córtex interna);
•	 T4-Tumor que invade toda a cartilagem
tireoide e/ou estende-se aos tecidos além
da laringe, por exemplo, traqueia, partes
moles do pescoço, incluindo músculos
profundos/extrínsecos da língua (genio-
glosso, hioglosso, palatoglosso e estilo-
glosso), alça muscular, tireoide e esôfago;
•	 T4b-Tumor que invade o espaço pré-
vertebral, estruturas mediastinais ou
adjacentes à artéria carótida.
Glote
•	 T1-Tumor limitado à(s) corda(s) vocal
(ais) (pode envolver a comissura anterior
ou posterior), com mobilidade normal
da(s) prega(s);
•	 T1a-Tumor limitado a uma prega vocal;
•	 T1b-Tumor que envolve ambas as pregas
vocais;
•	 T2-Tumor que se estende à supraglote
e/ou infraglote e/ou com mobilidade
diminuída da prega vocal;
•	 T3-Tumor limitado à laringe, com
fixação da corda vocal e/ou que invade
o espaço paraglótico, e/ou com erosão
mínima da cartilagem tireoide (por
exemplo, córtex interna);
•	 T4a-Tumor que invade completamente
a cartilagem tireoidea ou estende-se aos
tecidos além da laringe, por exemplo, tra-
queia, partes moles do pescoço, incluindo
músculos profundos/extrínsecos da lín-
gua (genioglosso, hioglosso, palatoglosso
e estiloglosso), alça muscular, tireoide e
esôfago;
•	 T4b-Tumor que invade o espaço pré-
vertebral, estruturas mediastinais ou
adjacente à artéria carótida.
Infraglote
•	 T1-Tumor limitado à infraglote;
•	 T2-Tumor que se estende à(s) prega(s)
vocal (ais), com mobilidade normal ou
reduzida;
•	 T3-Tumor limitado à laringe, com fixa-
ção da prega vocal;
•	 T4a-Tumor que invade a cartilagem
cricoidea ou tireoidea e/ou estende-
se a outros tecidos além da laringe,
por exemplo, traqueia, partes moles
do pescoço, incluindo músculos
profundos/extrínsecos da língua (ge-
nioglosso, hioglosso, palatoglosso e
estiloglosso), tireoide e esôfago;
•	 T4b-Tumor que invade o espaço pré-
vertebral, estruturas mediastinais ou
adjacente à artéria carótida.
N - Linfonodos Regionais
•	 NX-Os linfonodos regionais não podem
ser avaliados;
5Câncer de Laringe: Diagnóstico
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•	 N0-Ausência de metástase em linfono-
dos regionais;
•	 N1-Metástase em um único linfonodo
homolateral, com 3 cm ou menos em
sua maior dimensão;
•	 N2-Metástase em um único linfonodo
homolateral, com mais de 3 cm até 6 cm
em sua maior dimensão; ou em linfo-
nodos homolaterais múltiplos, nenhum
deles com mais de 6 cm em sua maior
dimensão; ou em linfonodos bilaterais ou
contralaterais, nenhum deles com mais
de 6 cm em sua maior dimensão;
•	 N2a-Metástase em um único linfonodo
homolateral, com mais de 3 cm até 6 cm
em sua maior dimensão;
•	 N2b-Metástase em linfonodos homola-
terais múltiplos, nenhum deles com mais
de 6 cm em sua maior dimensão;
•	 N2c-Metástase em linfonodos bilaterais
ou contralaterais, nenhum deles com
mais de 6 cm em sua maior dimensão;
•	 N3-Metástase em linfonodo com mais
de 6 cm em sua maior dimensão.
Nota: Os linfonodos de linha média são
considerados linfonodos homolaterais.
M - Metástase à distância
•	 MX-A presença de metástase à distância
não pode ser avaliada;
•	 M0-Ausência de metástase à distância;
•	 M1-Metástase à distância.
pTNM - Classificação Patológica
As categorias pT, pN e pM correspondem às
categorias T, N e M.
•	 pN0-O exame histológico do espécime de
um esvaziamento cervical seletivo inclui-
rá, geralmente, 6 ou mais linfonodos. Já
o exame histológico do espécime de um
esvaziamento cervical radical ou modifi-
cado incluirá, geralmente, 10 ou mais lin-
fonodos. Se os linfonodos são negativos,
mesmo que o número usualmente exa-
minado seja não encontrado, classifica-se
como pN0. Quando o tamanho for um
critério para a classificação pN, mede-se
a metástase e não o linfonodo inteiro.
Grupamento por Estadios
•	 Estadio 0-Tis N0 M0
•	 Estadio I-T1 N0 M0
•	 Estadio II-T2 N0 M0
O acompanhamento dos pacientes tra-
tados de câncer de laringe visa à detecção o
mais precoce possível de recidiva, bem como
de segundo tumor primário. O exame clínico
deve ser mensal no primeiro ano, trimestral no
segundo, quadrimestral no terceiro, semestral
após o terceiro ano e anual após o quinto ano,
devendo incluir o exame locorregional completo.
1.	 Em quais pacientes é recomendável a
utilização da tomografia computa-
dorizada (TC) após laringoscopia no
estadiamento de câncer de laringe?
A avaliação da extensão local do câncer de la-
ringe é importante para a decisão mais adequada
quanto ao tipo de tratamento a ser empregado.
A extensão e, consequentemente, o estadiamen-
to do câncer de laringe dependem da correta
localização da lesão nos segmentos laríngeos
(supraglótico, glótico e infraglótico), da invasão
de alguns espaços profundos (pré-epiglótico e
paraglótico), invasão de cartilagens laríngeas e de
planos músculo-adiposos pré-laríngeos. Apesar
da superioridade da laringoscopia em localizar
os tumores na laringe e identificar a fixação de
pregas vocais, em comparação à TC, a avaliação
6 Câncer de Laringe: Diagnóstico
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da extensão dos espaços profundos e o compro-
metimento cartilaginoso são inferiores4
(B). Em
população brasileira, observou-se confirmação
anatomopatológica da laringoscopia em 40,8%
dos casos (40% para T1, 29% para T2, 46%
para T3 e 50% para T4); e 75% de confirmação
anatomopatológica com a TC helicoidal (62%
para T2, 73% para T3 e 88% para T4)4
(B).
A acurácia da avaliação da extensão dos
tumores laríngeos, baseada apenas no exame
físico com laringoscopia, foi estimada em 55%.
Essa baixa porcentagem ocorreu devido à não
identificação de comprometimento dos espaços
cervicais profundos, sobretudo extralaríngeos,
e à invasão de cartilagens. A TC superestimou
o estadiamento do tumor primário (T) em
46% dos casos em um estudo5
(B), contudo a
acurácia elevou-se significativamente para cerca
de 80% a 87% com a correlação por estudos
de imagem como TC e ressonância magné-
tica (RM), respectivamente, sem diferenças
estatísticas entre os dois métodos6
(B). Esse
estudo mostra a superioridade dos métodos de
imagem, como a TC, na avaliação da extensão
dessas lesões6
(B). Entretanto, a superioridade
de um método em relação ao outro quanto ao
estadiamento da neoplasia depende do tamanho
e da localização da lesão4
(B).
As lesões precoces na glote (T1a) que não
interferem com a mobilidade da prega vocal e
que não estejam próximas à comissura ante-
rior são melhor avaliadas pela laringoscopia,
sem a necessidade de complementação de
TC4
(B). Lesões com volume maior e apa-
rentemente mais avançadas à laringoscopia
ou situadas na comissura anterior terão es-
tadiamento mais preciso pela avaliação com
a TC6
(B). A ressonância magnética (RM) é
menos específica que a TC (sensibilidade de
94%, especificidade de 74%), enquanto que
a TC tem maior especificidade (sensibilidade
de 67% e especificidade de 87%)6
(B).
Recomendação
No estadiamento do câncer de laringe, as
lesões precoces na glote (T1a) que não inter-
ferem com a mobilidade da prega vocal e que
não estejam próximas à comissura anterior são
melhor avaliadas pela laringoscopia, sem obri-
gatoriedade de complementação com TC4
(B).
Lesões com volume maior e, aparentemente,
mais avançadas à laringoscopia ou situadas na
comissura anterior terão estadiamento mais
preciso pela avaliação com um método de ima-
gem, que pode ser TC ou RM, não havendo,
até o momento, uma diferença estatisticamente
significativa entre os dois métodos para o ade-
quado estadiamento6
(B). A complementaridade
dos métodos deve ser enfatizada. A associação
da TC à laringoscopia aumentou a acurácia do
estadiamento de 55% para 80% em um estudo
prospectivo6
(B). Entretanto, a TC superestimou
o estadiamento T em 46% dos casos5
(B).
2.	A RM é superior à TC no estadiamento
do câncer de laringe?
A TC e RM têm papel fundamental na
avaliação pré-terapêutica dos tumores laríngeos.
Estudo comparando os achados histopatológicos
aos da TC e RM desses pacientes, quando sub-
metidos à cirurgia, observaram e compararam
os achados histopatológicos com os achados da
TC e RM6
(B). Foi observada acurácia de 80%
dos achados da TC e 87% da RM, sendo que
essa diferença entre os dois métodos não foi
considerada significativa. A acurácia geral na
avaliação de invasão cartilaginosa entre os dois
métodos foi semelhante, apesar de apresentarem
7Câncer de Laringe: Diagnóstico
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diferentes especificidades e sensibilidades. A
RM apresentou sensibilidade mais alta do que
a TC e menor especificidade, pois alterações
inflamatórias peritumorais podem simular
invasão tumoral à RM, apresentado razão de ve-
rossimilhança positiva de 3,62 (IC 2,59-5,05),
permitindo aumentar a certeza diagnóstica de
doença de 10% (prevalência da doença) para
29% diante de RM alterada. Já a TC apresenta
melhor capacidade diagnóstica, pois tem RV+
5,15 (IC 95% 3,05-8,72), aumentando a cer-
teza diagnóstica de doença de 10% para 36%
diante de TC alterada6
(B).
Utilizando-se novo critério para a avaliação
de invasão cartilaginosa na RM, observa-se
aumento significativo (de 74% para 82%) da
especificidade da RM para avaliação de infiltra-
ção tumoral, permitindo melhor diferenciação
da invasão tumoral do processo inflamatório
peritumoral. Portanto, utilizando-se esse novo
critério de invasão cartilaginosa, a RM apresenta
pequena vantagem em relação à TC, apresen-
tando RV + 5,22 (IC 95% 3,43 – 7,96),
aumentando a certeza diagnóstica de 10% para
37%7
(B).
A RM apresenta a desvantagem, em relação
à TC, de ser um exame muito mais demorado.
A aquisição das imagens em TC multislice do
pescoço é bastante rápida (exames podem ser
obtidos em menos de 20 segundos), o que o
torna bastante suportável para doentes que
possam ter algum grau de claustrofobia, redu-
zindo ainda significativamente ou eliminando os
artefatos decorrentes da respiração, deglutição
ou tosse, além de possuir melhor resolução
espacial e melhor contraste e permitir, assim
como a RM, a avaliação multiplanar da laringe.
Por esses motivos, diversos autores têm preco-
nizado a realização da TC para o estadiamento
do carcinoma laríngeo, principalmente quando
está disponível a tecnologia multislice. A TC
fornece, na maioria dos casos, as informações
necessárias para o adequado estadiamento do
carcinoma laríngeo. A RM pode ser realizada
como uma ferramenta complementar quando
o estudo tomográfico não fornecer todas as
informações necessárias para esse8-11
(D).
Recomendação
O estadiamento do carcinoma de larin-
ge pode ser realizado por meio da TC com
administração do meio de contraste iodado,
preferencialmente em tomógrafo multislice (que
reduz o tempo do exame)5-7
(B)8
(D) ou por RM,
utilizando-se novos critérios para diferenciação
da invasão tumoral do processo inflamatório
peritumoral7
(B). A razão de verossimilhança da
TC é de 5,15, permitindo aumentar a certeza
diagnóstica de 10% para 36%, enquanto que
a razão de verossimilhança de RM é de 5,22,
permitindo aumentar a certeza diagnóstica de
10% para 37% diante do exame alterado. Quan-
do a tecnologia multislice não estiver disponível,
não houver impossibilidade de administração
do meio de contraste iodado ou restar dúvidas
quanto à invasão cartilaginosa, recomenda-se o
estadiamento pela RM.
3.	Qual é o melhor método de imagem
para avaliação do pescoço do paciente
N0 clínico em relação à presença de
metástases linfáticas?
O adequado estadiamento quanto ao cri-
tério N tem implicações importantes, tanto
para o planejamento terapêutico, como para o
prognóstico.
8 Câncer de Laringe: Diagnóstico
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A sensibilidade, especificidade e acurácia
foram avaliadas em estudo que comparou o
papel da ultrassonografia (US), TC, RM e
PET-CT, de formas isoladas e associadas, na
avaliação específica de linfonodomegalias nos
pacientes com carcinomas de cabeça e pescoço
(em qualquer classificação). Para a US, 78,4%,
98,5% e 94,5%; para a TC e RM, os resultados
foram semelhantes, 77%, 99,4% e 95,3%; e
81,1%, 98,2% e 95% para o PET-CT. A com-
paração entre as modalidades está relacionada
na Tabela 1. Considerando-se paciente com
probabilidade de doença de 10% (prevalência),
a US alterada aumenta a probabilidade de do-
ença para 81%, o Pet-scan para 82% e a TC
ou RM para 90%12
(B).
Estudos avaliando o papel do PET-CT no
pescoço N0 têm demonstrado resultados con-
traditórios, com alguns trabalhos mostrando
resultados precários, com especificidades varian-
do de 20% a 33%, o que fornece RV+=1,01
ou 1,21, respectivamente, e outros autores
mostrando melhor desempenho do método,
com especificidade de 85% a 92%13,14
(B). Tais
autores comentam que, apesar da acurácia
relativamente alta do PET-CT na avaliação do
pescoço N0, a limitada sensibilidade do método
para detecção de pequenos implantes tumorais e
o número relativamente alto de falsos-negativos
determina que a conduta não deva ser baseada
exclusivamente nos seus achados.
Recomendação
A avaliação de carcinomas espinocelulares
de cabeça e pescoço com N0 clínico em relação
à presença de metástases linfáticas pode ser
feita tanto com US, TC ou RM, pois não há
Tabela 1
Métodos
Ultrassonografia
Tomografia
Ressonância
Pet-Scan
SSB - Sensibilidade
ESP - Especificidade
AC - Acurácia
RV+ - razão da verossimilhança positiva
SSB
78,4%
77,0%
77,0%
81,1%
ESP
98,5%
99,4%
99,4%
98,2%
AC
94,5%
95,3%
95,3%
95,0%
RV+
39 (IC 95% 9,85-154,39)
77 (IC 95%10,92-542,90)
77 (IC 95% 10,92-542,90)
40,5 (IC 95% 10,24-60,23)
Métodos de imagens para avaliação pescoço N0.
Fonte: Yoon DY, 200912
(B)
9Câncer de Laringe: Diagnóstico
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diferenças estatisticamente significativas entre
os métodos12
(B). PET-CT no pescoço N0 tem
mostrado resultados contraditórios13,14
(B), com
RV+ variando de 1,01 até o valor semelhante
encontrado com a US de RV+ de 40,5 com
número relativamente alto de falsos-negativos,
o que não impede um possível esvaziamento
cervical, mesmo com exame normal, pois a
conduta deve ser tomada segundo algoritmos
cirúrgicos bem estabelecidos e baseados no esta-
diamento TNM, recomendação não específica
para a laringe como sítio do tumor primário
e sim para qualquer carcinoma de cabeça e
pescoço15
(D).
4.	A tomografia por emissão de pósitron
(PET-CT) é o melhor método na detec-
ção da recidiva do câncer de laringe
tratado por radioterapia e/ou asso-
ciação de radioterapia e quimioterapia?
O papel do PET-CT no estadiamento do
câncer de cabeça e pescoço é controverso, assim
como quanto tempo depois do tratamento o exa-
me deve ser realizado. As orientações da National
Comprehensive Cancer Network (NCCN) não re-
comendam o PET-CT como parte do protocolo
padrão de estadiamento rotineiro16
(D) e muitas
instituições usam mais a RM do que o PET-
CT. Apesar da falta de aceitação do PET-CT
nesses grupos, há vários estudos demonstrando
seu papel17,18
(B).
A prevalência de recidiva do câncer glótico
(2/3 dos tumores de laringe) é de 10%, mais
comum em tumores T2 e T3 e pouco diferencia-
dos e, em 60% dos casos, reaparecem na região
supraglótica, enquanto que 29% permanecem
confinados na glote19
(C).
No acompanhamento clínico de pacientes
consideradoscuradosdecâncerdecabeçaepescoço,
realizou-sePET-CTcomaintençãodediagnosticar
recidiva da doença com 11,6 meses (± 4,4 meses).
OPET-CTdiagnosticourecidivacomsensibilidade
de100%,especificidadede85%eRV+=6,60(IC
95% 4,14 – 10,53). Considerando-se prevalência
de recidiva de 10%, ter PET-CT alterado aumenta
a probabilidade de câncer de cabeça e pescoço para
42% dos casos18
(B).
Comparando o PET-CT com a TC e RM
na detecção de recidiva de qualquer tumor de
cabeça e pescoço, observaram-se sensibilidade e
especificidade de, respectivamente, 94% e 82%
para o PET-CT, 67% e 78% para a TC e 81%
e 41% para a RM20
(A).
Ao estudar somente a recidiva de câncer de
laringe, esses valores de RV+ para o PET-CT
caem para sensibilidade de 89% e especificidade
de 74%, o que fornece RV+ de 3,42 (IC 95%
2,44-4,80); considerando-se prevalência de
10% para recidiva de câncer de laringe, ter PET-
CT alterado aumenta a probabilidade pós-teste
de doença para somente 28%; mas ainda é uma
alternativa para evitar laringoscopia direta sob
anestesia geral21
(A).
Quando há suspeita de recidiva de câncer de
laringe/faringe após a radioterapia, o PET-CT
alterado aumenta a probabilidade de doença para
28%, enquanto que a TC alterada aumenta a
probabilidade de doença para 25%20
(A). Não é
necessária biópsia para sua confirmação, se o
exame for negativo. Se o exame for positivo e a
biópsia negativa, uma redução na captação de
2-deoxi-2,18 F Fluoro D Glicose (FDG) medi-
da no exame de controle indica que a recorrência
local é improvável22
(B).
10 Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
Recomendação
O PET-CT e a TC são menos específicos
que o exame anatomopatológico por biópsia, para
detecção de recidiva do câncer de laringe após
radioterapia, mas evitam uma biópsia quando
o resultado for negativo21
(A). Considerando-se
prevalência de 10% para recidiva de câncer de
laringe, ter o PET-CT alterado aumenta a pro-
babilidade de doença de 10% para 28% e a TC
para 25%20
(A). Seguindo orientações da National
Comprehensive Cancer Network (NCCN), deve-se
combinar o exame clínico e complementar (la-
ringoscopia com biópsia) com TC ou RM para
diagnosticar recidiva de câncer de laringe16
(D).
5.	A videolaringoestroboscopia tem
indicação no diagnóstico do câncer
glótico comparada à videolaringos-
copia ou laringoscopia indireta?
Comparando de forma prospectiva a
videolaringoestroboscopia com o padrão-
ouro, a laringoscopia direta, em 52 pacientes
consecutivos, e sendo feita análise cegada da
videoestroboscopia por quatro avaliadores
independentes e, posteriormente, compara-
dos aos achados cirúrgicos da laringoscopia
direta e ressecção endoscópica das lesões,
observou-se que a videoestroboscopia não é
método fidedigno para a avaliação de câncer
inicial de laringe, pois a amplitude reduzida
de vibração das pregas vocais e/ou propagação
da onda mucosa associada com queratose não
prevê a presença de câncer e/ou a profundi-
dade de invasão nos casos de câncer, apesar
de a presença de uma onda mucosa flexível
provavelmente indicar que não haja invasão
extensa do ligamento vocal23
(A). Entretanto,
a combinação da videoestroboscopia com
a citologia esfoliativa das células epiteliais
das pregas vocais sob anestesia geral tem a
vantagem de poder ser repetida sem causar
cicatrizes que possam levar à alteração de voz
após biópsias repetidas e permite aumentar a
Tabela 2
Métodos
Tomografia
Ressonância Magnética
Pet-Scan
SSB - sensibilidade
ESP - especificidade
AC - Acurácia
RV+ - razão da verossimilhança positiva
SSB
67,0%
81,0%
94%
ESP
78%
41%
82%
VPP
75%
58%
84%
RV+
3,05 (IC 95%2,05-4,52)
1,37 (IC 95% 1,14-1,66)
5,22 (IC 95% 3,43-7,96)
Métodos de imagens para avaliação recidiva de qualquer tumor de cabeça e pescoço.
Fonte: Isles MG, 200820
(A)
11Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
sensibilidade diagnóstica de 74% (somente
com citologia oncológica) para 97% com a
associação24
(B).
Quanto ao uso de videolaringoscopia
conjuntamente com a biópsia, esta é tão
fidedigna quanto a laringoscopia direta.
Foi realizada laringoscopia direta em 33
pacientes consecutivos, avaliados de forma
duplo-cega para estadiamento das lesões
laríngeas. Nesse grupo, o estadiamento da
lesão foi correto com a laringoscopia indireta
em 96,9% dos casos25
(B).
Recomendação
O uso de laringoscopia indireta é suficiente
para a avaliação diagnóstica de câncer, desde
que haja confirmação histopatológica25
(B), já as
alterações da onda mucosa à videoestroboscopia
não são achados fidedignos de presença de câncer
na laringe23
(A).
6.	A punção aspirativa com agulha fina
(PAAF) em linfonodos cervicais é indi-
cada para o diagnóstico de metástases
de carcinoma de laringe?
Nos pacientes com carcinoma epider-
moide da região de cabeça e pescoço, o
acesso ao diagnóstico de metástases regionais
ainda persiste com uma grande dificuldade,
mesmo nos dias de hoje26
(B). A presença
de metástases cervicais é importante fator
prognóstico27
(D).
Dentre os exames disponíveis, além do exame
físico, pode-se contar com a TC, a RM, a PAAF
(guiada por US), a US com estudo Doppler
colorido (como método isolado) e a PET-CT,
cada um dos exames com suas sensibilidades,
especificidades, valores preditivos (positivos e
negativos) e acurácias27,28
(D).
A PAAF guiada por US apresenta, entre
os exames citados, os melhores resultados,
com alta sensibilidade (92%), especificidade
(100%), valores preditivos positivos (100%)
e negativos (96%) e acurácia (97%)26
(B),
com menor custo e mais acessível26,29-31
(B).
Apresenta RV+=92 (IC 95% 13,08-
647,31), aumentando a probabilidade de
doença pré-teste de 10% para 91% após teste
alterado26
(B). São limitações para a PAAF
guiada por US os nódulos retrofaríngeos,
micrometástases e linfonodos menores que
4 mm30
(B).
Recomendação
Nos pacientes em quem a conduta cirúrgica
já será a linfadenectomia, não há necessidade
de PAAF. Contudo, naqueles com suspeita
de metástases, trata-se do método de maior
acurácia para esclarecimento diagnóstico, com
baixo custo, de fácil acesso e com probabilida-
de de diagnóstico de certeza para recidiva de
91%26,29-31
(B).
7.	Que parâmetros histopatológicos
permitem diferenciar atipias após o tra-
tamento radioterápico dos carcinomas
de laringe?
O tratamento radioterápico para o carci-
noma de laringe pode causar edema, ulcera-
ção, fibrose, pericondrite, necrose cartilagi-
nosa, osteomielite e osteonecrose no órgão.
Histologicamente, além dessas alterações,
podem-se observar atrofia dos ácinos glan-
dulares, hialinização perivascular, hiperplasia
da íntima vascular, metaplasia escamosa do
12 Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
epitélio ductal e atipias estromais, endote-
liais e epiteliais32-34
(C)35
(D). Essas alterações
histológicas pós-radioterapia são significantes
quando comparadas aos tecidos sem trata-
mento e podem persistir por anos33,34
(C). As
atipias epiteliais pós-radioterapia podem aco-
meter o epitélio de revestimento da superfície
mucosa e dos ductos e ácinos glandulares,
simulando neoplasia intraepitelial (displasia
ou carcinoma in situ). Entre as alterações
epiteliais induzidas pela radioterapia estão:
aumento do volume celular (porém, com re-
lação núcleo-citoplasma preservada), nucléolo
evidente, multinucleação e vacuolização nu-
clear e citoplasmática35
(D)36
(C). Entretanto,
na alteração induzida pela radioterapia, a
cromatina nuclear é geralmente homogênea,
ao invés de granulosa e grosseira, como nas
células carcinomatosas.
Recomendação
Nas biópsias laríngeas, as atipias indu-
zidas pela radioterapia nas células epiteliais
benignas necessitam ser distinguidas de
atipias neoplásicas, para que não sejam er-
roneamente interpretadas como carcinoma
persistente ou recorrente após o tratamento
radioterápico. Essa diferenciação pode
ser difícil e a identificação de alterações
compatíveis com radioterapia nas células
estromais (fibroblastos) e endoteliais, além
de outras modificações comuns nesse tipo de
tratamento (hialinização e ectasia vascular),
são importantes para apoiar o diagnóstico
de atipias epiteliais radioterápicas37
(D).
Além disso, é importante lembrar que as
atipias radioterápicas devem estar restritas
ao epitélio de revestimento da mucosa ou
do sistema ducto-glandular, enquanto que
o carcinoma recorrente é uma neoplasia
invasiva, frequentemente observada como
ilhotas tumorais pequenas e dispersas na
região subepitelial33
(C).
8.	Que estruturas anatômicas e margens
cirúrgicas devem ser obrigatoriamen-
te examinadas e referidas em laudos
dos espécimes oncológicos de larin-
gectomia?
O exame anatomopatológico detalhado
das peças cirúrgicas ressecadas por câncer de
laringe fornece informações importantes, com
implicações no prognóstico, estadiamento
e planejamento terapêutico do paciente. É
consenso que as seguintes informações devem
constar no laudo anatomopatológico: sítio do
tumor (supraglótico, glótico, infraglótico ou
transglótico), extensão do comprometimento
neoplásico (enfatizando as estruturas envol-
vidas), condição das margens cirúrgicas, grau
histológico de diferenciação tumoral, presença
ou ausência de comprometimento perineural e
invasão vascular38
(B)39,40
(D).
Em relação às margens cirúrgicas, esta é
considerada comprometida (positiva), quando
envolvida por carcinoma invasivo ou por car-
cinoma in situ ou por displasia grave ou por
carcinoma microinvasivo. A condição dessa
margem cirúrgica, comprometida ou não, tem
sido usada como um indicador potencial para
recidiva tumoral e prognóstico41
(D). Entre-
tanto, deve sempre ser lembrado, tanto pelo
cirurgião como pelo patologista, que o tama-
nho da margem altera-se pelo encolhimento
que o tecido sofre no momento da ressecção
cirúrgica e, posteriormente, também com o
processo de fixação e preparo histológico dos
fragmentos42
(D).
13Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
Recomendação
Independentemente do tipo de laringec-
tomia, recomenda-se que, no laudo anato-
mopatológico, estejam especificadas as áreas
anatômicas envolvidas pelo tumor, visto que
o estadiamento do câncer de laringe é baseado
no comprometimento de estruturas, ao invés
do tamanho da lesão. Recomenda-se incluir
fragmentos da massa tumoral que mostrem
sua relação com as estruturas anatômicas
envolvidas (espaços pré-epiglótico e para-
glótico, pregas vestibulares, pregas vocais,
cartilagens e tecidos moles extralaríngeos)
e na sua área de invasão mais profunda.
Quanto às margens cirúrgicas, recomenda-
se que sejam examinadas todas as margens
mucosas (na hemilaringectomia – superior,
inferior, anterior e posterior; na laringecto-
mia total – hipofaringe à direita, esquerda e
inferior e orofaringe), último anel traqueal
e tecidos moles extralaríngeos. No laudo, as
margens comprometidas devem ser especifi-
cadas quanto à localização e ao tipo de lesão
(neoplasia intraepitelial ou invasiva) e, caso
estejam livres, deve-se colocar a medida da
menor em milímetros38
(B). A comunicação
entre patologista e cirurgião é imprescindível
para esse trabalho, sendo que as peças devem
ser enviadas, sempre que possível, com as
margens críticas marcadas pelo cirurgião.
14 Câncer de Laringe: Diagnóstico
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
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Cancer de laringe_diagnostico (1)

  • 1. 1 Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas neste projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente. Autoria: Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial Colégio Brasileiro de Radiologia Sociedade Brasileira de Cancerologia Sociedade Brasileira de Patologia Elaboração Final: 30 de março de 2011 Participantes: Dedivitis RA, Tincani AJ, Chone CT, Cernea CR, Montenegro FLM, Hojaij FC, Teixeira GV, Kowalski LP, Cervantes O, Araújo PPC, Arap SS, Gebrim EMMS, Lima EM, Altemani A, Andrada NC Câncer de Laringe: Diagnóstico
  • 2. 2 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina DESCRIÇÃO DE MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA: Foram revisados artigos nas bases de dados do MEDLINE (PubMed) e outras fontes de pesquisa, como busca manual, sem limite de tempo. A estratégia de busca utilizada baseou-se em perguntas estruturadas na forma P.I.C.O. (das iniciais “Paciente”, “In- tervenção”,“Controle”,“Outcome”). Foram utilizados como descritores (MeSH Terms): Laryngeal Neoplasms, Carcinoma, Squamous Cell, Head and Neck Neoplasms, Recur- rence OR Neoplasm Recurrence, Local; Neoplasm Invasiveness, Neoplasm Metastasis, Lymphatic Metastasis, Neoplasm Staging, Diagnosis, Prevalence, epidemiology, Survival Rate, Mortality, Risk Assessment, Sensitivity and Specificity, False Negative Reactions, Laryngoscopy,Videotape Recording, Biopsy, Biopsy, Needle; Larynx/radiography, Head and Neck Neoplasms/radionuclide imaging, Diagnostic Imagins/methods, Tomogra- phy, X-Ray Computed; Tomography,Spiral Computed; Magnetic Resonance Imaging, Positron-Emission Tomography, Fluorodeoxyglucose F18/diagnostic use, Stroboscopy/ methods*, Keratosis/diagnosis, Pathology; Larynx/pathology, Carcinoma, Squamous Cell/classification; Carcinoma, Squamous Cell/pathology; Radiation Injuries/pathology, radiation effects, Terminology as Topic. GRAU DE RECOMENDAÇÕES E FORÇA DE EVIDÊNCIA: A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência. B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência. C: Relatos de casos (estudos não controlados). D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisioló- gicos ou modelos animais. OBJETIVO: Oferecer aos profissionais de saúde generalistas e especialistas, além de estudantes de medicina, orientações sobre como conduzir o diagnóstico do paciente com câncer da laringe, baseadas nas melhores evidências disponíveis na literatura sobre o assunto. CONFLITO DE INTERESSE: Nenhum conflito de interesse declarado.
  • 3. 3Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina Introdução O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa estrutura e 2% de todas as doenças malignas. O tipo histológico prevalente é o carci- noma epidermoide. O Brasil apresenta ocorrência expressiva de câncer de laringe quando comparado a outros países da América Latina. Cerca de 8.000 casos novos e 3.000 mortes pela doença atingem anualmente a população brasileira. Vários fatores de risco são relacionados ao câncer de laringe. Os mais importantes são tabagismo1 (B) e etilismo2 (B), porém, exposições a cancerí- genos ocupacionais, consumo de carne salgada e gorduras e polimorfismos genéticos estão relacionados com risco de câncer de laringe. Há possível associação entre câncer de laringe e o papiloma vírus humano. O refluxo gastrintestinal e antecedente familiar de tumores de cabeça e pescoço aumentam o risco de câncer da laringe3 (D). Aproximadamente dois terços desses tumores acometem primariamente o andar glótico, daí ser a disfonia persistente um sinal precoce. O terço restante de tumores atinge a su- praglote. Os tumores da laringe são estadiados por meio do exame clínico e de métodos de imagem e, particularmente, o tumor primário (T), adicionalmente pela laringoscopia. Um exame laríngeo completo e detalhado é a base de toda a avaliação do paciente com queixas vocais. Avanços na tecnologia propor- cionaram visualização mais detalhada do trato vocal e com- preensão maior da fisiologia da emissão vocal. A laringoscopia pode classificar-se em exame indireto (por espelho, fibra óptica flexível ou laringoscópio rígido) ou direto (por laringoscopia de suspensão). A confirmação diagnóstica deve ser sempre realizada por biópsia e exame histopatológico. Segundo a Classificação TNM, os tumores de laringe são assim estratificados clinicamente:
  • 4. 4 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina T - Tumor Primário • TX-O tumor primário não pode ser avaliado; • T0-Não há evidência de tumor primário; • Tis-Carcinoma in situ. Supraglote • T1-Tumor limitado a uma sublocalização anatômica da supraglote, com mobilida- de normal da prega vocal; • T2-Tumor que invade a mucosa de mais de uma sublocalização anatômica adja- cente da supraglote ou a glote ou região externa à supraglote (por exemplo, a mucosa da base da língua, a valécula, a parede medial do recesso piriforme), sem fixação da laringe; • T3-Tumor limitado à laringe com fixação dapregavocale/ouinvasãodequalqueruma dasseguintesestruturas:áreapós-cricoidea, tecidos pré-epiglóticos, espaço paraglótico e/ou com erosão mínima da cartilagem tireoidea (por exemplo, córtex interna); • T4-Tumor que invade toda a cartilagem tireoide e/ou estende-se aos tecidos além da laringe, por exemplo, traqueia, partes moles do pescoço, incluindo músculos profundos/extrínsecos da língua (genio- glosso, hioglosso, palatoglosso e estilo- glosso), alça muscular, tireoide e esôfago; • T4b-Tumor que invade o espaço pré- vertebral, estruturas mediastinais ou adjacentes à artéria carótida. Glote • T1-Tumor limitado à(s) corda(s) vocal (ais) (pode envolver a comissura anterior ou posterior), com mobilidade normal da(s) prega(s); • T1a-Tumor limitado a uma prega vocal; • T1b-Tumor que envolve ambas as pregas vocais; • T2-Tumor que se estende à supraglote e/ou infraglote e/ou com mobilidade diminuída da prega vocal; • T3-Tumor limitado à laringe, com fixação da corda vocal e/ou que invade o espaço paraglótico, e/ou com erosão mínima da cartilagem tireoide (por exemplo, córtex interna); • T4a-Tumor que invade completamente a cartilagem tireoidea ou estende-se aos tecidos além da laringe, por exemplo, tra- queia, partes moles do pescoço, incluindo músculos profundos/extrínsecos da lín- gua (genioglosso, hioglosso, palatoglosso e estiloglosso), alça muscular, tireoide e esôfago; • T4b-Tumor que invade o espaço pré- vertebral, estruturas mediastinais ou adjacente à artéria carótida. Infraglote • T1-Tumor limitado à infraglote; • T2-Tumor que se estende à(s) prega(s) vocal (ais), com mobilidade normal ou reduzida; • T3-Tumor limitado à laringe, com fixa- ção da prega vocal; • T4a-Tumor que invade a cartilagem cricoidea ou tireoidea e/ou estende- se a outros tecidos além da laringe, por exemplo, traqueia, partes moles do pescoço, incluindo músculos profundos/extrínsecos da língua (ge- nioglosso, hioglosso, palatoglosso e estiloglosso), tireoide e esôfago; • T4b-Tumor que invade o espaço pré- vertebral, estruturas mediastinais ou adjacente à artéria carótida. N - Linfonodos Regionais • NX-Os linfonodos regionais não podem ser avaliados;
  • 5. 5Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina • N0-Ausência de metástase em linfono- dos regionais; • N1-Metástase em um único linfonodo homolateral, com 3 cm ou menos em sua maior dimensão; • N2-Metástase em um único linfonodo homolateral, com mais de 3 cm até 6 cm em sua maior dimensão; ou em linfo- nodos homolaterais múltiplos, nenhum deles com mais de 6 cm em sua maior dimensão; ou em linfonodos bilaterais ou contralaterais, nenhum deles com mais de 6 cm em sua maior dimensão; • N2a-Metástase em um único linfonodo homolateral, com mais de 3 cm até 6 cm em sua maior dimensão; • N2b-Metástase em linfonodos homola- terais múltiplos, nenhum deles com mais de 6 cm em sua maior dimensão; • N2c-Metástase em linfonodos bilaterais ou contralaterais, nenhum deles com mais de 6 cm em sua maior dimensão; • N3-Metástase em linfonodo com mais de 6 cm em sua maior dimensão. Nota: Os linfonodos de linha média são considerados linfonodos homolaterais. M - Metástase à distância • MX-A presença de metástase à distância não pode ser avaliada; • M0-Ausência de metástase à distância; • M1-Metástase à distância. pTNM - Classificação Patológica As categorias pT, pN e pM correspondem às categorias T, N e M. • pN0-O exame histológico do espécime de um esvaziamento cervical seletivo inclui- rá, geralmente, 6 ou mais linfonodos. Já o exame histológico do espécime de um esvaziamento cervical radical ou modifi- cado incluirá, geralmente, 10 ou mais lin- fonodos. Se os linfonodos são negativos, mesmo que o número usualmente exa- minado seja não encontrado, classifica-se como pN0. Quando o tamanho for um critério para a classificação pN, mede-se a metástase e não o linfonodo inteiro. Grupamento por Estadios • Estadio 0-Tis N0 M0 • Estadio I-T1 N0 M0 • Estadio II-T2 N0 M0 O acompanhamento dos pacientes tra- tados de câncer de laringe visa à detecção o mais precoce possível de recidiva, bem como de segundo tumor primário. O exame clínico deve ser mensal no primeiro ano, trimestral no segundo, quadrimestral no terceiro, semestral após o terceiro ano e anual após o quinto ano, devendo incluir o exame locorregional completo. 1. Em quais pacientes é recomendável a utilização da tomografia computa- dorizada (TC) após laringoscopia no estadiamento de câncer de laringe? A avaliação da extensão local do câncer de la- ringe é importante para a decisão mais adequada quanto ao tipo de tratamento a ser empregado. A extensão e, consequentemente, o estadiamen- to do câncer de laringe dependem da correta localização da lesão nos segmentos laríngeos (supraglótico, glótico e infraglótico), da invasão de alguns espaços profundos (pré-epiglótico e paraglótico), invasão de cartilagens laríngeas e de planos músculo-adiposos pré-laríngeos. Apesar da superioridade da laringoscopia em localizar os tumores na laringe e identificar a fixação de pregas vocais, em comparação à TC, a avaliação
  • 6. 6 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina da extensão dos espaços profundos e o compro- metimento cartilaginoso são inferiores4 (B). Em população brasileira, observou-se confirmação anatomopatológica da laringoscopia em 40,8% dos casos (40% para T1, 29% para T2, 46% para T3 e 50% para T4); e 75% de confirmação anatomopatológica com a TC helicoidal (62% para T2, 73% para T3 e 88% para T4)4 (B). A acurácia da avaliação da extensão dos tumores laríngeos, baseada apenas no exame físico com laringoscopia, foi estimada em 55%. Essa baixa porcentagem ocorreu devido à não identificação de comprometimento dos espaços cervicais profundos, sobretudo extralaríngeos, e à invasão de cartilagens. A TC superestimou o estadiamento do tumor primário (T) em 46% dos casos em um estudo5 (B), contudo a acurácia elevou-se significativamente para cerca de 80% a 87% com a correlação por estudos de imagem como TC e ressonância magné- tica (RM), respectivamente, sem diferenças estatísticas entre os dois métodos6 (B). Esse estudo mostra a superioridade dos métodos de imagem, como a TC, na avaliação da extensão dessas lesões6 (B). Entretanto, a superioridade de um método em relação ao outro quanto ao estadiamento da neoplasia depende do tamanho e da localização da lesão4 (B). As lesões precoces na glote (T1a) que não interferem com a mobilidade da prega vocal e que não estejam próximas à comissura ante- rior são melhor avaliadas pela laringoscopia, sem a necessidade de complementação de TC4 (B). Lesões com volume maior e apa- rentemente mais avançadas à laringoscopia ou situadas na comissura anterior terão es- tadiamento mais preciso pela avaliação com a TC6 (B). A ressonância magnética (RM) é menos específica que a TC (sensibilidade de 94%, especificidade de 74%), enquanto que a TC tem maior especificidade (sensibilidade de 67% e especificidade de 87%)6 (B). Recomendação No estadiamento do câncer de laringe, as lesões precoces na glote (T1a) que não inter- ferem com a mobilidade da prega vocal e que não estejam próximas à comissura anterior são melhor avaliadas pela laringoscopia, sem obri- gatoriedade de complementação com TC4 (B). Lesões com volume maior e, aparentemente, mais avançadas à laringoscopia ou situadas na comissura anterior terão estadiamento mais preciso pela avaliação com um método de ima- gem, que pode ser TC ou RM, não havendo, até o momento, uma diferença estatisticamente significativa entre os dois métodos para o ade- quado estadiamento6 (B). A complementaridade dos métodos deve ser enfatizada. A associação da TC à laringoscopia aumentou a acurácia do estadiamento de 55% para 80% em um estudo prospectivo6 (B). Entretanto, a TC superestimou o estadiamento T em 46% dos casos5 (B). 2. A RM é superior à TC no estadiamento do câncer de laringe? A TC e RM têm papel fundamental na avaliação pré-terapêutica dos tumores laríngeos. Estudo comparando os achados histopatológicos aos da TC e RM desses pacientes, quando sub- metidos à cirurgia, observaram e compararam os achados histopatológicos com os achados da TC e RM6 (B). Foi observada acurácia de 80% dos achados da TC e 87% da RM, sendo que essa diferença entre os dois métodos não foi considerada significativa. A acurácia geral na avaliação de invasão cartilaginosa entre os dois métodos foi semelhante, apesar de apresentarem
  • 7. 7Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina diferentes especificidades e sensibilidades. A RM apresentou sensibilidade mais alta do que a TC e menor especificidade, pois alterações inflamatórias peritumorais podem simular invasão tumoral à RM, apresentado razão de ve- rossimilhança positiva de 3,62 (IC 2,59-5,05), permitindo aumentar a certeza diagnóstica de doença de 10% (prevalência da doença) para 29% diante de RM alterada. Já a TC apresenta melhor capacidade diagnóstica, pois tem RV+ 5,15 (IC 95% 3,05-8,72), aumentando a cer- teza diagnóstica de doença de 10% para 36% diante de TC alterada6 (B). Utilizando-se novo critério para a avaliação de invasão cartilaginosa na RM, observa-se aumento significativo (de 74% para 82%) da especificidade da RM para avaliação de infiltra- ção tumoral, permitindo melhor diferenciação da invasão tumoral do processo inflamatório peritumoral. Portanto, utilizando-se esse novo critério de invasão cartilaginosa, a RM apresenta pequena vantagem em relação à TC, apresen- tando RV + 5,22 (IC 95% 3,43 – 7,96), aumentando a certeza diagnóstica de 10% para 37%7 (B). A RM apresenta a desvantagem, em relação à TC, de ser um exame muito mais demorado. A aquisição das imagens em TC multislice do pescoço é bastante rápida (exames podem ser obtidos em menos de 20 segundos), o que o torna bastante suportável para doentes que possam ter algum grau de claustrofobia, redu- zindo ainda significativamente ou eliminando os artefatos decorrentes da respiração, deglutição ou tosse, além de possuir melhor resolução espacial e melhor contraste e permitir, assim como a RM, a avaliação multiplanar da laringe. Por esses motivos, diversos autores têm preco- nizado a realização da TC para o estadiamento do carcinoma laríngeo, principalmente quando está disponível a tecnologia multislice. A TC fornece, na maioria dos casos, as informações necessárias para o adequado estadiamento do carcinoma laríngeo. A RM pode ser realizada como uma ferramenta complementar quando o estudo tomográfico não fornecer todas as informações necessárias para esse8-11 (D). Recomendação O estadiamento do carcinoma de larin- ge pode ser realizado por meio da TC com administração do meio de contraste iodado, preferencialmente em tomógrafo multislice (que reduz o tempo do exame)5-7 (B)8 (D) ou por RM, utilizando-se novos critérios para diferenciação da invasão tumoral do processo inflamatório peritumoral7 (B). A razão de verossimilhança da TC é de 5,15, permitindo aumentar a certeza diagnóstica de 10% para 36%, enquanto que a razão de verossimilhança de RM é de 5,22, permitindo aumentar a certeza diagnóstica de 10% para 37% diante do exame alterado. Quan- do a tecnologia multislice não estiver disponível, não houver impossibilidade de administração do meio de contraste iodado ou restar dúvidas quanto à invasão cartilaginosa, recomenda-se o estadiamento pela RM. 3. Qual é o melhor método de imagem para avaliação do pescoço do paciente N0 clínico em relação à presença de metástases linfáticas? O adequado estadiamento quanto ao cri- tério N tem implicações importantes, tanto para o planejamento terapêutico, como para o prognóstico.
  • 8. 8 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina A sensibilidade, especificidade e acurácia foram avaliadas em estudo que comparou o papel da ultrassonografia (US), TC, RM e PET-CT, de formas isoladas e associadas, na avaliação específica de linfonodomegalias nos pacientes com carcinomas de cabeça e pescoço (em qualquer classificação). Para a US, 78,4%, 98,5% e 94,5%; para a TC e RM, os resultados foram semelhantes, 77%, 99,4% e 95,3%; e 81,1%, 98,2% e 95% para o PET-CT. A com- paração entre as modalidades está relacionada na Tabela 1. Considerando-se paciente com probabilidade de doença de 10% (prevalência), a US alterada aumenta a probabilidade de do- ença para 81%, o Pet-scan para 82% e a TC ou RM para 90%12 (B). Estudos avaliando o papel do PET-CT no pescoço N0 têm demonstrado resultados con- traditórios, com alguns trabalhos mostrando resultados precários, com especificidades varian- do de 20% a 33%, o que fornece RV+=1,01 ou 1,21, respectivamente, e outros autores mostrando melhor desempenho do método, com especificidade de 85% a 92%13,14 (B). Tais autores comentam que, apesar da acurácia relativamente alta do PET-CT na avaliação do pescoço N0, a limitada sensibilidade do método para detecção de pequenos implantes tumorais e o número relativamente alto de falsos-negativos determina que a conduta não deva ser baseada exclusivamente nos seus achados. Recomendação A avaliação de carcinomas espinocelulares de cabeça e pescoço com N0 clínico em relação à presença de metástases linfáticas pode ser feita tanto com US, TC ou RM, pois não há Tabela 1 Métodos Ultrassonografia Tomografia Ressonância Pet-Scan SSB - Sensibilidade ESP - Especificidade AC - Acurácia RV+ - razão da verossimilhança positiva SSB 78,4% 77,0% 77,0% 81,1% ESP 98,5% 99,4% 99,4% 98,2% AC 94,5% 95,3% 95,3% 95,0% RV+ 39 (IC 95% 9,85-154,39) 77 (IC 95%10,92-542,90) 77 (IC 95% 10,92-542,90) 40,5 (IC 95% 10,24-60,23) Métodos de imagens para avaliação pescoço N0. Fonte: Yoon DY, 200912 (B)
  • 9. 9Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina diferenças estatisticamente significativas entre os métodos12 (B). PET-CT no pescoço N0 tem mostrado resultados contraditórios13,14 (B), com RV+ variando de 1,01 até o valor semelhante encontrado com a US de RV+ de 40,5 com número relativamente alto de falsos-negativos, o que não impede um possível esvaziamento cervical, mesmo com exame normal, pois a conduta deve ser tomada segundo algoritmos cirúrgicos bem estabelecidos e baseados no esta- diamento TNM, recomendação não específica para a laringe como sítio do tumor primário e sim para qualquer carcinoma de cabeça e pescoço15 (D). 4. A tomografia por emissão de pósitron (PET-CT) é o melhor método na detec- ção da recidiva do câncer de laringe tratado por radioterapia e/ou asso- ciação de radioterapia e quimioterapia? O papel do PET-CT no estadiamento do câncer de cabeça e pescoço é controverso, assim como quanto tempo depois do tratamento o exa- me deve ser realizado. As orientações da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) não re- comendam o PET-CT como parte do protocolo padrão de estadiamento rotineiro16 (D) e muitas instituições usam mais a RM do que o PET- CT. Apesar da falta de aceitação do PET-CT nesses grupos, há vários estudos demonstrando seu papel17,18 (B). A prevalência de recidiva do câncer glótico (2/3 dos tumores de laringe) é de 10%, mais comum em tumores T2 e T3 e pouco diferencia- dos e, em 60% dos casos, reaparecem na região supraglótica, enquanto que 29% permanecem confinados na glote19 (C). No acompanhamento clínico de pacientes consideradoscuradosdecâncerdecabeçaepescoço, realizou-sePET-CTcomaintençãodediagnosticar recidiva da doença com 11,6 meses (± 4,4 meses). OPET-CTdiagnosticourecidivacomsensibilidade de100%,especificidadede85%eRV+=6,60(IC 95% 4,14 – 10,53). Considerando-se prevalência de recidiva de 10%, ter PET-CT alterado aumenta a probabilidade de câncer de cabeça e pescoço para 42% dos casos18 (B). Comparando o PET-CT com a TC e RM na detecção de recidiva de qualquer tumor de cabeça e pescoço, observaram-se sensibilidade e especificidade de, respectivamente, 94% e 82% para o PET-CT, 67% e 78% para a TC e 81% e 41% para a RM20 (A). Ao estudar somente a recidiva de câncer de laringe, esses valores de RV+ para o PET-CT caem para sensibilidade de 89% e especificidade de 74%, o que fornece RV+ de 3,42 (IC 95% 2,44-4,80); considerando-se prevalência de 10% para recidiva de câncer de laringe, ter PET- CT alterado aumenta a probabilidade pós-teste de doença para somente 28%; mas ainda é uma alternativa para evitar laringoscopia direta sob anestesia geral21 (A). Quando há suspeita de recidiva de câncer de laringe/faringe após a radioterapia, o PET-CT alterado aumenta a probabilidade de doença para 28%, enquanto que a TC alterada aumenta a probabilidade de doença para 25%20 (A). Não é necessária biópsia para sua confirmação, se o exame for negativo. Se o exame for positivo e a biópsia negativa, uma redução na captação de 2-deoxi-2,18 F Fluoro D Glicose (FDG) medi- da no exame de controle indica que a recorrência local é improvável22 (B).
  • 10. 10 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina Recomendação O PET-CT e a TC são menos específicos que o exame anatomopatológico por biópsia, para detecção de recidiva do câncer de laringe após radioterapia, mas evitam uma biópsia quando o resultado for negativo21 (A). Considerando-se prevalência de 10% para recidiva de câncer de laringe, ter o PET-CT alterado aumenta a pro- babilidade de doença de 10% para 28% e a TC para 25%20 (A). Seguindo orientações da National Comprehensive Cancer Network (NCCN), deve-se combinar o exame clínico e complementar (la- ringoscopia com biópsia) com TC ou RM para diagnosticar recidiva de câncer de laringe16 (D). 5. A videolaringoestroboscopia tem indicação no diagnóstico do câncer glótico comparada à videolaringos- copia ou laringoscopia indireta? Comparando de forma prospectiva a videolaringoestroboscopia com o padrão- ouro, a laringoscopia direta, em 52 pacientes consecutivos, e sendo feita análise cegada da videoestroboscopia por quatro avaliadores independentes e, posteriormente, compara- dos aos achados cirúrgicos da laringoscopia direta e ressecção endoscópica das lesões, observou-se que a videoestroboscopia não é método fidedigno para a avaliação de câncer inicial de laringe, pois a amplitude reduzida de vibração das pregas vocais e/ou propagação da onda mucosa associada com queratose não prevê a presença de câncer e/ou a profundi- dade de invasão nos casos de câncer, apesar de a presença de uma onda mucosa flexível provavelmente indicar que não haja invasão extensa do ligamento vocal23 (A). Entretanto, a combinação da videoestroboscopia com a citologia esfoliativa das células epiteliais das pregas vocais sob anestesia geral tem a vantagem de poder ser repetida sem causar cicatrizes que possam levar à alteração de voz após biópsias repetidas e permite aumentar a Tabela 2 Métodos Tomografia Ressonância Magnética Pet-Scan SSB - sensibilidade ESP - especificidade AC - Acurácia RV+ - razão da verossimilhança positiva SSB 67,0% 81,0% 94% ESP 78% 41% 82% VPP 75% 58% 84% RV+ 3,05 (IC 95%2,05-4,52) 1,37 (IC 95% 1,14-1,66) 5,22 (IC 95% 3,43-7,96) Métodos de imagens para avaliação recidiva de qualquer tumor de cabeça e pescoço. Fonte: Isles MG, 200820 (A)
  • 11. 11Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina sensibilidade diagnóstica de 74% (somente com citologia oncológica) para 97% com a associação24 (B). Quanto ao uso de videolaringoscopia conjuntamente com a biópsia, esta é tão fidedigna quanto a laringoscopia direta. Foi realizada laringoscopia direta em 33 pacientes consecutivos, avaliados de forma duplo-cega para estadiamento das lesões laríngeas. Nesse grupo, o estadiamento da lesão foi correto com a laringoscopia indireta em 96,9% dos casos25 (B). Recomendação O uso de laringoscopia indireta é suficiente para a avaliação diagnóstica de câncer, desde que haja confirmação histopatológica25 (B), já as alterações da onda mucosa à videoestroboscopia não são achados fidedignos de presença de câncer na laringe23 (A). 6. A punção aspirativa com agulha fina (PAAF) em linfonodos cervicais é indi- cada para o diagnóstico de metástases de carcinoma de laringe? Nos pacientes com carcinoma epider- moide da região de cabeça e pescoço, o acesso ao diagnóstico de metástases regionais ainda persiste com uma grande dificuldade, mesmo nos dias de hoje26 (B). A presença de metástases cervicais é importante fator prognóstico27 (D). Dentre os exames disponíveis, além do exame físico, pode-se contar com a TC, a RM, a PAAF (guiada por US), a US com estudo Doppler colorido (como método isolado) e a PET-CT, cada um dos exames com suas sensibilidades, especificidades, valores preditivos (positivos e negativos) e acurácias27,28 (D). A PAAF guiada por US apresenta, entre os exames citados, os melhores resultados, com alta sensibilidade (92%), especificidade (100%), valores preditivos positivos (100%) e negativos (96%) e acurácia (97%)26 (B), com menor custo e mais acessível26,29-31 (B). Apresenta RV+=92 (IC 95% 13,08- 647,31), aumentando a probabilidade de doença pré-teste de 10% para 91% após teste alterado26 (B). São limitações para a PAAF guiada por US os nódulos retrofaríngeos, micrometástases e linfonodos menores que 4 mm30 (B). Recomendação Nos pacientes em quem a conduta cirúrgica já será a linfadenectomia, não há necessidade de PAAF. Contudo, naqueles com suspeita de metástases, trata-se do método de maior acurácia para esclarecimento diagnóstico, com baixo custo, de fácil acesso e com probabilida- de de diagnóstico de certeza para recidiva de 91%26,29-31 (B). 7. Que parâmetros histopatológicos permitem diferenciar atipias após o tra- tamento radioterápico dos carcinomas de laringe? O tratamento radioterápico para o carci- noma de laringe pode causar edema, ulcera- ção, fibrose, pericondrite, necrose cartilagi- nosa, osteomielite e osteonecrose no órgão. Histologicamente, além dessas alterações, podem-se observar atrofia dos ácinos glan- dulares, hialinização perivascular, hiperplasia da íntima vascular, metaplasia escamosa do
  • 12. 12 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina epitélio ductal e atipias estromais, endote- liais e epiteliais32-34 (C)35 (D). Essas alterações histológicas pós-radioterapia são significantes quando comparadas aos tecidos sem trata- mento e podem persistir por anos33,34 (C). As atipias epiteliais pós-radioterapia podem aco- meter o epitélio de revestimento da superfície mucosa e dos ductos e ácinos glandulares, simulando neoplasia intraepitelial (displasia ou carcinoma in situ). Entre as alterações epiteliais induzidas pela radioterapia estão: aumento do volume celular (porém, com re- lação núcleo-citoplasma preservada), nucléolo evidente, multinucleação e vacuolização nu- clear e citoplasmática35 (D)36 (C). Entretanto, na alteração induzida pela radioterapia, a cromatina nuclear é geralmente homogênea, ao invés de granulosa e grosseira, como nas células carcinomatosas. Recomendação Nas biópsias laríngeas, as atipias indu- zidas pela radioterapia nas células epiteliais benignas necessitam ser distinguidas de atipias neoplásicas, para que não sejam er- roneamente interpretadas como carcinoma persistente ou recorrente após o tratamento radioterápico. Essa diferenciação pode ser difícil e a identificação de alterações compatíveis com radioterapia nas células estromais (fibroblastos) e endoteliais, além de outras modificações comuns nesse tipo de tratamento (hialinização e ectasia vascular), são importantes para apoiar o diagnóstico de atipias epiteliais radioterápicas37 (D). Além disso, é importante lembrar que as atipias radioterápicas devem estar restritas ao epitélio de revestimento da mucosa ou do sistema ducto-glandular, enquanto que o carcinoma recorrente é uma neoplasia invasiva, frequentemente observada como ilhotas tumorais pequenas e dispersas na região subepitelial33 (C). 8. Que estruturas anatômicas e margens cirúrgicas devem ser obrigatoriamen- te examinadas e referidas em laudos dos espécimes oncológicos de larin- gectomia? O exame anatomopatológico detalhado das peças cirúrgicas ressecadas por câncer de laringe fornece informações importantes, com implicações no prognóstico, estadiamento e planejamento terapêutico do paciente. É consenso que as seguintes informações devem constar no laudo anatomopatológico: sítio do tumor (supraglótico, glótico, infraglótico ou transglótico), extensão do comprometimento neoplásico (enfatizando as estruturas envol- vidas), condição das margens cirúrgicas, grau histológico de diferenciação tumoral, presença ou ausência de comprometimento perineural e invasão vascular38 (B)39,40 (D). Em relação às margens cirúrgicas, esta é considerada comprometida (positiva), quando envolvida por carcinoma invasivo ou por car- cinoma in situ ou por displasia grave ou por carcinoma microinvasivo. A condição dessa margem cirúrgica, comprometida ou não, tem sido usada como um indicador potencial para recidiva tumoral e prognóstico41 (D). Entre- tanto, deve sempre ser lembrado, tanto pelo cirurgião como pelo patologista, que o tama- nho da margem altera-se pelo encolhimento que o tecido sofre no momento da ressecção cirúrgica e, posteriormente, também com o processo de fixação e preparo histológico dos fragmentos42 (D).
  • 13. 13Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina Recomendação Independentemente do tipo de laringec- tomia, recomenda-se que, no laudo anato- mopatológico, estejam especificadas as áreas anatômicas envolvidas pelo tumor, visto que o estadiamento do câncer de laringe é baseado no comprometimento de estruturas, ao invés do tamanho da lesão. Recomenda-se incluir fragmentos da massa tumoral que mostrem sua relação com as estruturas anatômicas envolvidas (espaços pré-epiglótico e para- glótico, pregas vestibulares, pregas vocais, cartilagens e tecidos moles extralaríngeos) e na sua área de invasão mais profunda. Quanto às margens cirúrgicas, recomenda- se que sejam examinadas todas as margens mucosas (na hemilaringectomia – superior, inferior, anterior e posterior; na laringecto- mia total – hipofaringe à direita, esquerda e inferior e orofaringe), último anel traqueal e tecidos moles extralaríngeos. No laudo, as margens comprometidas devem ser especifi- cadas quanto à localização e ao tipo de lesão (neoplasia intraepitelial ou invasiva) e, caso estejam livres, deve-se colocar a medida da menor em milímetros38 (B). A comunicação entre patologista e cirurgião é imprescindível para esse trabalho, sendo que as peças devem ser enviadas, sempre que possível, com as margens críticas marcadas pelo cirurgião.
  • 14. 14 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina Referências 1. Ray G, Henson DE, Schwartz AM. Ciga- rette smoking as a cause of cancers other than lung cancer: an exploratory study using the Surveillance, Epidemiology, and End Results Program. Chest 2010;138:491-9. 2. Mayne ST, Cartmel B, Kirsh V, Goodwin WJ Jr. Alcohol and tobacco use prediagnosis and postdiagnosis, and survival in a cohort of patients with early stage cancers of the oral cavity, pharynx, and larynx. Cancer Epide- miol Biomarkers Prev 2009;18:3368-74. 3. Wünsch Filho V. The epidemiology of laryngeal cancer in Brazil. Sao Paulo Med J 2004;122:188-94. 4. Barbosa MM, Araújo Jr VJ, Boasquevisque E, Carvalho R, Romano S, Lima RA, et al. Anterior vocal commissure invasion in laryngeal carcinoma diagnosis. Laryngos- cope 2005;115:724-30. 5. Stadler A, Kontrus M, Kornfehl J, Yous- sefzadeh S, Bankier AA. Tumor staging of laryngeal and hypopharyngeal carcinomas with functional spiral CT: comparison with nonfunctional CT, histopathology, and mi- crolaryngoscopy. J Comput Assist Tomogr 2002;26:279-84. 6. Zbären P, Becker M, Läng H. Staging of laryngeal cancer: endoscopy, computed tomography and magnetic resonance versus histopathology. Eur Arch Otorhinolaryngol 1997;254 (Suppl 1):S117-22. 7. Becker M, Zbaren P, Casselman JW, Kohler R, Dulguerov P, Becker CD. Neoplastic invasion of laryngeal cartilage: reassessment of criteria for diagnosis at MR imaging. Radiology 2008;249:551-9. 8. Hermans R. Staging of laryngeal and hypopharyngeal cancer: value of imaging studies. Eur Radiol 2006;16:2386-400. 9. Becker M, Burkhardt K, Dulguerov P, Allal A. Imaging of the larynx and hypopharynx. Eur J Radiol 2008;66:460-79. 10. Blitz AM, Aygun N. Radiologic evaluation of larynx cancer. Otolaryngol Clin North Am 2008;41:697-713, vi. 11. Rumboldt Z, Gordon L, Gordon L, Bonsall R, Ackermann S. Imaging in head and neck cancer. Curr Treat Options Oncol 2006;7:23-34. 12. Yoon DY, Hwang HS, Chang SK, Rho YS, Ahn HY, Kim JH, et al. CT, MR, US,18F- FDG PET/CT, and their combined use for the assessment of cervical lymph node metas- tases in squamous cell carcinoma of the head and neck. Eur Radiol 2009;19:634-42. 13. Nahmias C, Carlson ER, Duncan LD, Blod- gett TM, Kennedy J, Long MJ, et al. Positron emission tomography/computerized tomogra- phy (PET/CT) scanning for preoperative sta- gingofpatientswithoral/headandneckcancer. J Oral Maxillofac Surg 2007;65:2524-35. 14. Schoder H, Carlson DL, Kraus DH, Stambuk HE, Gonen M, Erdi YE, et al. 18F-FDG PET/CT for detecting nodal metastases in patients with oral cancer staged N0 by clinical examination and CT/ MRI. J Nucl Med 2006;47:755-62.
  • 15. 15Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 15. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. TNM classificação de tumores malignos. 6ª ed. Rio de Janeiro: INCA; 2004. 16. Pfister DG, Ang K, Brockstein B, Colevas AD, Ellenhorn J, Goepfert H,et al. NCCN Practice Guidelines for Head and Neck Cancers. Oncology 2000;14:163-94. 17. Kubicek GJ, Champ C, Fogh S, Wang F, Reddy E, Intenzo C, et al. FDG-PET sta- ging and importance of lymph node SUV in head and neck cancer. Head Neck Oncol 2010;2:19. 18. Abgral R, Querellou S, Potard G, Le Roux PY, Le Duc-Pennec A, Mariano- vski R, et al. Does 18F-FDG PET/CT improve the detection of posttreatment recurrence of head and neck squamous cell carcinoma in patients negative for disease on clinical follow-up? J Nucl Med 2009;50:24-9. 19. Viani L, Stell PM, Dalby JE. Recurrence after radiotherapy for glottic carcinoma. Cancer 1991;67:577-84. 20. Isles MG, McConkey C, Mehanna HM. A systematic review and meta-analysis of the role of positron emission tomography in the follow up of head and neck squamous cell carcinoma following radiotherapy or chemoradiotherapy. Clin Otolaryngol 2008;33:210-22. 21. Brouwer J, Hooft L, Hoekstra OS, Ri- phagen II, Castelijns JA, de Bree R, et al. Systematic review: accuracy of imaging tests in the diagnosis of recurrent laryngeal carcinoma after radiotherapy. Head Neck 2008;30:889-97. 22. Terhaard CH, Bongers V, van Rijk PP, Hordijk GJ. F-18-fluoro-deoxy-glucose positron-emission tomography scanning in detection of local recurrence after radiothe- rapy for laryngeal/ pharyngeal cancer. Head Neck 2001;23:933-41. 23. Colden D, Zeitels SM, Hillman RE, Jarboe J, Bunting G, Spanou K. Stroboscopic assessment of vocal fold keratosis and glottic cancer. Ann Otol Rhinol Laryngol 2001;110:293-8. 24. Gugatschka M, Kiesler K, Beham A, Re- chenmacher J, Friedrich G. Hyperplastic epithelial lesions of the vocal folds: combined use of exfoliative cytology and laryngostro- boscopy in differential diagnosis. Eur Arch Otorhinolaryngol 2008;265:797-801. 25. Bastian RW, Collins SL, Kaniff T, Matz GJ. Indirect videolaryngoscopy versus direct endoscopy for larynx and pharynx cancer staging. Toward elimination of prelimina- ry direct laryngoscopy. Ann Otol Rhinol Laryngol 1989;98:693-8. 26. Cvorović L, Milutinović Z, Strbac M, Ma- rkovski S. What is important for ultrasound evaluation of occult metastatic lymph nodes in laryngeal cancer: size, shape, vascularity or cytological findings? ORL J Otorhino- laryngol Relat Spec 2007;69:172-5. 27. Patel P, Snow GB. Metastases of carcinoma of the larynx. Acta Otorhinolaryngol Belg 1992;46:141-51.
  • 16. 16 Câncer de Laringe: Diagnóstico Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 28. Kau RJ, Alexiou C, Stimmer H, Arnold W. Diagnostic procedures for detection of lymph node metastases in cancer of the la- rynx. ORL J Otorhinolaryngol Relat Spec 2000;62:199-203. 29. van den Brekel MW, Castelijns JA, Stel HV, Luth WJ, Valk J, van der Waal I, et al. Oc- cult metastatic neck disease: detection with US and US-guided fine-needle aspiration cytology. Radiology 1991;180:457- 61. 30. Knappe M, Louw M, Gregor RT. Ultrasono- graphy-guided fine-needle aspiration for the assessment of cervical metastases. Arch Oto- laryngolHeadNeckSurg2000;126:1091-6. 31. Atula TS, Varpula MJ, Kurki TJ, Klemi PJ, Grénman R. Assessment of cervical lymph node status in head and neck cancer patients: palpation, computed tomography and low field magnetic resonance imaging compared with ultrasound-guided fine-needle aspiration cytology. Eur J Radiol 1997;25:152-61. 32. Brandenburg JH, Condon KG, Frank TW. Coronal sections of larynges from radiation-therapy failures: a clinical- pathologic study. Otolaryngol Head Neck Surg 1986;95:213-8. 33. Magi-Galluzzi C, Sanderson H, Epstein JI. Atypia in nonneoplastic prostate glands after radiotherapy for prostate cancer: duration of atypia and relation to type of radiotherapy. Am J Surg Pathol 2003;27:206-12. 34. Moore GH, Schiller JE, Moore GK. Radiation-induced histopathologic changes of the breast: the effects of time. Am J Surg Pathol 2004;28:47-53. 35. Ackerman LV. The pathology of radiation effect of normal and neoplastic tissue. Am J Roentgenol Radium Ther Nucl Med 1972;114:447-59. 36. Peterse JL, Thunnissen FB, van Heerde P. Fine needle aspiration cytology of ra- diation-induced changes in nonneoplastic breast lesions. Possible pitfalls in cytodiag- nosis. Acta Cytol 1989;33:176-80. 37. Wenig BM. Squamous cell carcinoma of the upper aerodigestive tract: precursors and problematic variants. Mod Pathol 2002;15:229-54. 38. King B, Corry J. Pathology reporting in head and neck cancer--snapshot of current status. Head Neck 2009;31:227-31. 39. Barnes L, Johnson JT. Pathologic and clinical considerations in the evaluation of major head and neck specimens resected for cancer. Part I. Pathol Annu 1986;21 Pt 1:173-250. 40. Recommendations for the reporting of specimens containing laryngeal neoplas- ms. Association of Directors of Anato- mic and Surgery Pathology. Mod Pathol 1997;10:384-6. 41. Batsakis JG. Surgical excision margins: a pathologist’s perspective. Adv Anat Pathol 1999;6:140-8. 42. Johnson RE, Sigman JD, Funk GF, Robin- son RA, Hoffman HT. Quantification of surgical margin shrinkage in the oral cavity. Head Neck1997;19:281-6.