Filosofia Grega Clássica ao Helenismo

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Filosofia Grega Clássica ao Helenismo

  1. 1. “Conhece-te a timesmo.” - Inscrição do Oráculo de Delfos
  2. 2. Na Grécia Antiga, o período pré-socrático foi dominado, em grande parte,pela investigação da natureza. Essa investigação consistia na busca deexplicações racionais (cosmologia) para o universo manifestando-se naprocura de um princípio primordial (a arché) de todas as coisas existentes.Seguiu-se a esse período uma nova fase filosófica, caracterizada pelointeresse no próprio homem e nas relações políticas do homem com asociedade. Essa nova fase foi marcada, no início, pelos sofistas.Em uma época de lutas políticas e intensos conflitos de opiniões nasassembléias democráticas, os cidadãos sentiam necessidade de aprender aarte de argumentar em público.Os sofistas eram professores viajantes que vendiam ensinamentos práticosde filosofia: o desenvolvimento da argumentação, da habilidade retórica, doconhecimento de doutrinas divergentes. Ou seja, raciocínios e concepçõesutilizados na arte de convencer pessoas, que favoreceram o surgimento deconcepções filosóficas relativistas.
  3. 3. Etimologicamente, o termo sofista significa “sábio”. Entretanto com odecorrer do tempo ganhou o sentido de “impostor”, por ser a sofística,isto é, a arte dos sofistas, apenas uma atitude viciosa do espírito, uma artede manipular raciocínios, de produzir o falso, de iludir os ouvintes, semqualquer amor pela verdade.A verdade, em grego, se diz aletheia e significa a manifestação daquilo queé, o não-oculto.Aletheia se opõe a pseudos que significa o falso, aquilo que se esconde,que ilude.Os sofistas parecem não buscar a aletheia; se contentam com pseudos.Tanto assim, que se usa a palavra sofisma, derivada de sofista, paradesignar um raciocínio aparentemente correto, mas que na verdade é falsoou inconclusivo, geralmente formulado com p objetivo de enganar alguém.
  4. 4. Nascido em Abdera, Protágoras (480-410 a.C.) é considerado o primeiro e um dos mais importantes sofistas. Ensinou por muito tempo em Atenas, tendo como princípio básico a idéia de que o homem é a medida de tudo que existe. Conforme essa concepção, todas as coisas são relativas às disposições do homem, portanto não haveria verdades absolutas. A filosofia de Protágoras sofreu críticas por dar margem a um grande subjetivismo: tal coisa é“O homem é a medida de todas as coisas; verdadeira se para mim parece verdadeira.daquelas que são, enquanto são; e Qualquer tese poderia ser encarada como falsadaquelas que não são, enquanto não são.” ou verdadeira, dependendo da ótica de cada um.
  5. 5. Górgias de Leontini (487-380 a.C., aproximadamente), considerado um dos grandes oradores da Grécia. Aprofundou o subjetivismo relativista de Protágoras aponto de defender o ceticismo absoluto. Afirmava que: g) Nada existia; h) Se existisse, não poderia ser conhecido; i) Mesmo que fosse conhecido, não poderia ser comunicado a ninguém.“O bom orador é capaz de convencerqualquer pessoa sobre qualquer coisa.”
  6. 6. Nascido em Atenas, Sócrates (469-399 a.C.) é tradicionalmente considerado um marco divisório da história da filosofia grega. Por isso, os filósofos que o antecedem são chamados pré-socráticos e os que sucedem, de pós-socráticos. Sócrates desenvolvia o saber filosófico sempre dando demonstrações de que era preciso unir a vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a consciência intelectual à consciência prática ou moral. Tanto quanto os sofistas Sócrates abandonou a preocupação em explicar a natureza e se concentrou na problemática do homem. No“Ele supõe saber alguma coisa e não entanto, contrariamente aos sofistas, Sócrates opunha-se ao relativismo em relação à questão dasabe, enquanto eu, não sei, tampouco moralidade e ao uso da retórica para atingirsuponho saber. Parece que sou um interesses particulares.pouco mais sábio que ele exatamentepor não supor que saiba o que não sei.”
  7. 7. Sócrates procurava um fundamento último para as interrogações humanas(O que é bom? O que é a virtude? O que é a justiça?), enquanto os sofistassituavam suas reflexões a partir dos dados empíricos, sem se preocuparcom a investigação de uma essência da virtude, a partir da qual a própriarealidade empírica pudesse ser avaliada.A pergunta fundamental que Sócrates tentava responder era: o que é aessência do homem?Ele respondia dizendo que o homem é a sua alma, entende-se “alma”como a sede da razão, o nosso eu consciente, que inclui a consciênciaintelectual e a consciência moral, que distingue o ser humano de todos osoutros seres da natureza.Por isso, o auto conhecimento era um dos pontos básicos da filosofiasocrática. “Conhece-te a ti mesmo”, era a recomendação básica feita porSócrates a seus discípulos.Sua filosofia era desenvolvia mediante diálogos críticos com seusinterlocutores. Esses diálogos podem ser divididos em dois momentosbásicos: a ironia e a maiêutica.
  8. 8. Na linguagem cotidiana, a palavra ironia tem um significado depreciativo,sarcástico ou de zombaria. Mas não é esse o sentido da ironia socrática. Nogrego, ironia quer dizer “interrogação”. De fato Sócrates interrogava seusdiscípulos naquilo que pensavam saber.O que é o bem? O que é a justiça? E a coragem? E a piedade? São exemplos dealgumas perguntas.Sócrates buscava demolir o orgulho, a arrogância e a presunção do saber.A primeira virtude do sábio é adquirir a consciência da própria ignorância.“Sei que nada sei” dizia Sócrates.A ironia socrática tinha, portanto um caráter purificador. Levando seusdiscípulos a confessarem sua próprias contradições e ignorâncias, onde antessó julgavam possuir certezas e clarividências, tomando consciência de suaspróprias respostas e das conseqüências que poderiam ser tiradas de suasreflexões, muitas vezes repletas de conceitos vagos e imprecisos.
  9. 9. Libertos do orgulho e da pretensão de que tudo sabiam, os discípulospodiam então iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias idéias.Novamente, Sócrates lhes propunham uma série de questões habilmentecolocadas.Nesta segunda fase do diálogo, o objetivo de Sócrates era ajudar osdiscípulos a conceberem suas próprias idéias. Assim, transportava para ocampo da filosofia o exemplo de sua mãe, que sendo parteira, ajudava atrazer crianças ao mundo.Por isso, essa face do diálogo, destinada à concepção de idéias, erachamada maiêutica, termo grego que significa “arte de trazer à luz”.
  10. 10. Nascido em Atenas, Platão (427-347 a.C.) foi discípulo de Sócrates. Fundou sua própria escola filosófica Academia. A maior parte do pensamento platônico nos foi transmitida por intermédio da fala de Sócrates, nos diálogos socráticos, escritos por ele mesmo, Platão. Teoria das idéias Um dos aspectos mais importantes da filosofia de Platão é sua teoria das idéias, que procura explicar como se desenvolve o conhecimento humano. Segundo ele, o processo de conhecimento se“Os males não cessarão para os desenvolve por meio da passagem progressiva dohomens antes que a raça dos puros e mundo das sombras e aparências para o mundoautênticos filósofos chegue ao poder.” das idéias e essências. Vejamos:
  11. 11. • A primeira etapa desse processo é dominada pelas impressões ousensações advindas dos sentidos. Essas impressões sensíveis sãoresponsáveis pela opinião que temos da realidade. A opinião que se adquiresem busca metódica.• O conhecimento, entretanto, para ser autêntico, deve ultrapassar a esferadas impressões sensoriais, o plano da opinião, e penetrar na esfera racionalda sabedoria, o mundo das idéias. Para atingir esse mundo, o homem nãopode ter apenas “amor às opiniões” (filodoxia); precisa possuir um “amor aosaber” (filosofia)A opinião nasce, portanto, da percepção da aparência e da diversidade dascoisas. O conhecimento, por sua vez, é elaborado quando se alcança a idéia,que rompe com as aparências e a diversidade ilusória.O método proposto por Platão para realizar essa passagem e atingir oconhecimento autêntico (epistéme) é a dialética. DialéticaConsiste na afirmação de uma tese qualquer seguida de uma discussão enegação desta tese qualquer seguida de uma discussão e negação destatese, com o objetivo de purificá-la dos erros e equívocos.
  12. 12. Nascido em Estagira, na Macedônia, foi discípulo de Platão. Discordava do mestre, em sua teoria das idéias. Para Aristóteles, a partir da observação da realidade da existência do ser, é que atingiríamos sua essência. Realidade essa que seria tudo o que vemos, pegamos, ouvimos e sentimos. Aristóteles entendia que o ser individual, concreto, único não pode ser objeto da ciência. O objeto próprio das ciências é a compreensão do universal.“O ser se exprime de muitos A indução (operação mental que vai do particularmodos, mas nenhum modo para o geral) representa, para Aristóteles, oexprime o ser. O ser se diz em processo básico intelectual de aquisição devários sentidos.” conhecimento.
  13. 13. Para a polêmica entre Heráclito e Parmênides, Aristóteles propôs uma novainterpretação, segundo a qual em todo ser devemos distinguir:• o ato – a manifestação atual do ser, aquilo que já existe;• a potência – as possibilidades do ser (capacidade de ser), aquilo que ainda não é maspode vir a ser.Sendo assim a transitoriedade ou mudança das coisas, se resumiriam na passagem dapotência para o ato.Segundo Aristóteles devemos distinguir também em todos os seres existentes:• a substância – aquilo que é estrutural e essencial do ser;• o acidente – aquilo que é atribuído circunstancial e não-essencial do ser; A causaAristóteles emprega o termo causa em tudo aquilo que determina a realidade de um ser.Distingue, assim, quatro tipos de causas fundamentais:• causa material – refere-se à matéria de que é feita uma coisa;• causa formal – refere-se à forma, à natureza específica, à configuração de uma coisa;• causa eficiente – refere-se ao agente que produziu diretamente a coisa;• causa final – refere-se ao objeto, à intenção, à finalidade ou à razão de ser de umacoisa;
  14. 14. A felicidade humanaAristóteles define o homem como ser racional e considera a atividaderacional, o ato de pensar, como a essência humana, Por conseguinte.Investigando a questão ética, ele diz:“(...) aquilo que é próprio de cada criatura lhe é naturalmente melhor e maisagradável; para o homem, a vida conforme o intelecto (a razão) é melhor e maisagradável, já que o intelecto, mais que qualquer outra parte do homem, é ohomem. Esta vida, portanto, é também a mais feliz.” ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, (1178 a.C.), p.203Para ser feliz, portanto, o homem deve viver de acordo com a sua essência,isto é, de acordo com a sua razão, a sua consciência reflexiva. E, orientandoos seus atos para uma conduta ética, a razão e conduzirá à prática davirtude.Para Aristóteles, a virtude representa o meio-termo, a justa medida deequilíbrio entre o excesso e a falta de um atributo qualquer.Ex: a virtude da coragem é o meio-termo entre a covardia e a valentia insana.
  15. 15. O período helenístico teve início com a conquista da Grécia pelos macedônios (322 a.C.), ecaracterizou-se por um processo de interação entre a cultura grega clássica e a culturados povos orientais conquistados. Na história da filosofia, a produção filosófica doperíodo helenístico corresponde basicamente à continuação das atividades das escolasplatônica e aristotélica.As principais correntes filosóficas desse período vão tratar da intimidade, da vida interiordo homem.Entre as novas tendências desse período, devemos registrar correntes filosóficas como: oepicurismo, o estoicismo, o pirronismo e o cinismo. EpicurismoFundado por Epicuro (324-271 a.C.) propunha que o ser humano deve buscar o prazer pois,segundo ele, o prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz.Os epicuristas buscavam a ataraxia, termo grego usado para designar o estado deausência da dor, quietude, serenidade e imperturbabilidade da alma. Defendendo umaadministração racional e equilibrada do prazer, evitando ceder aos desejos insaciáveisque, inevitavelmente, terminam no sofrimento.
  16. 16. EstoicismoCorrente filosófica de maior influência em seu tempo. Foi fundada por Zenão deCício (336-263 a.C.).Os representantes desta escola, defendiam que toda realidade existente é umarealidade racional.Assim, em vez do prazer dos epicuristas, Zenão propõe o dever da compreensãocomo o melhor caminho para a felicidade.O ideal perseguido era um estado de plena serenidade para lidar com ossobressaltos da existência, fundado na aceitação e compreensão dos “princípiosuniversais” que regem toda a vida. PirronismoO pirronismo, de Pirro de Élida (365-275 a.C.) – segundo suas teorias, nenhumconhecimento é seguro, tudo é incerto.O pirronismo defendia que se deve contentar com as aparências das coisas,desfrutar o imediato captado pelos sentidos e viver feliz e em paz, em vez de selançar à busca de uma verdade plena, pois seria impossível ao homem saber seas coisas são efetivamente como aparecem. Assim o pirronismo é consideradouma forma de ceticismo, pois professa a impossibilidade do conhecimento, daobtenção da verdade absoluta.
  17. 17. CinismoO cinismo vem do grego kynos, que significa “cão”; cínico, do grego kynicos, significa“como um cão”. O termo cinismo designa a corrente dos filósofos que se propuseram aviver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade ou conforto. Levavam ao extremoa filosofia de Sócrates, segundo a qual o homem deve procurar conhecer a si mesmo edesprezar todos os bens materiais.Diógenes, foi o pensador mais destacado dessa escola, questionava os valores e asconvenções sociais e procurava viver estritamente conforme os princípios que consideravamoralmente corretos. Período Greco-romanoO último período da filosofia antiga, conhecido como greco-romano, corresponde, emtermos históricos , à fase de expansão militar de Roma (desde as Guerras Púnicas, iniciadasem 264 a.C., até a decadência do Império Romano, em fins do século V da era cristã). Trata-se de um período longo em anos, mas pouco notável no que diz respeito à originalidade dasidéias filosóficas.Os principais pensadores desse período, como Sêneca, Cícero, Plotino, Plutarco,dedicaram-se muito mais à tarefa de assimilar e desenvolver as contribuições culturaisherdadas principalmente da Grécia clássica do que de criar novos caminhos para a filosofia.A progressiva penetração do cristianismo no decadente Império Romano é uma dascaracterísticas fundamentais desse período. A difusão e a consolidação do cristianismo,através da Igreja Católica, atuaram no sentido de dissolver a força da filosofia grega clássicaque passou a ser qualificada como pagã (própria dos povos não cristãos).

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