SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 27
Baixar para ler offline
A Escola de Atenas é uma
das      mais     famosas
pinturas do renascentista
italiano     Rafael      e
representa a Academia de
Platão. Foi pintada entre
1509 e 1510 na Stanza
della    Segnatura     sob
encomenda do Vaticano. A
obra é um afresco em que
aparecem      ao    centro
Platão    e    Aristóteles.
Platão segura o Timeu e
aponta para o alto, sendo
assim identificado com o
ideal, o mundo inteligível.
Aristóteles segura a Ética
e tem a mão na horizontal,
representando o terreste,
o mundo sensível.
Na Grécia Clássica o homem grego produziu a maioria dos
conhecimentos que circulam por todo o mundo, na atualidade:
filosofia, astronomia,  biologia, teatro, lógica, metafísica,
democracia são alguns dos conhecimentos criados pelo mundo
grego.



                                         Grécia , hoje, via satélite
Na Cosmologia as explicações rompem
                                     com o mito: a arché (princípio) não se
A     Cosmogonia,      típica   do   encontra na ordem do tempo mítico,
pensamento mítico, é descritiva e    mas    significa    princípio    teórico,
explica como do caos surge o         fundamento de todas as coisas. Daí as
cosmo, a aprtir da geração dos       várias    escolas      e     explicações
deuses, identificados às forças da   conceituais, por isto abstratas, sobre a
natureza.                            ordem do universo.
Parmênides de Eléia                  Heráclito de Éfeso
            (c.540-c.470 a.C.)                  (c.544-c.484 a.C.)
           “O ser é e o não ser não é”        “Nunca nos banhamos duas
                                                   vezes no mesmo rio”
                                            Procurou compreender a multiplicidade do
   Ocupou-se em criticar a filosofia        real;
    heraclítica;                            Ao contrário de Parmênides, não rejeita as
                                             contradições e quer entender a realidade
   Propõe a imobilidade do Ser;             na sua mudança, no seu devir;
   É absurdo pensar que uma coisa          Todas as coisas mudam sem cessar;
    pode ser e não ser ao mesmo              O ser é múltiplo, não por existir a
    tempo;
                                         
                                             multiplicidade das coisas, mas é múltiplo
   O Ser é único, imutável e imóvel;        por estar constituído de oposições
   Só o mundo inteligível é                 internas;
    verdadeiro, pois está submetido         A luta dos contrários é que mantém o fluxo
    ao princípio da identidade e de          do movimento: “a guerra é pai de todos, rei
                                             de todos”;
    não-contradição;
                                            É da luta que nasce a harmonia, como
   Identidade entre o ser e o pensar.       síntese dos contrários: Dialética
                                            Metáfora do fogo, símbolo da eterna
                                             agitação do devir: o fogo eterno e vivo, que
                                             ora se ascende e ora se apaga”
Os pensadores do período clássico, embora ainda discutam
 questões referentes á natureza, desenvolvem o enfoque
    antropológico, que abrange a moral e a política.
Os sofistas vivem no Séc. V a. C. e alguns deles são
                          interlocutores de Sócrates. Os mais famosos eram:
                          Protágoras, de Abdera (485-411 a. C.); Górgias, de
                          Leôncio, na Sicília (485-380 a. C.); Híppias, de Élis; e
                          ainda Trasímaco, Prodico, Hipódamos, entre outros.
                          Sofista vem de sophos, sábio, professor de sabedoria.
                          Mas via adquirir um sentido pejorativo, daquele que
                          emprega sofismas, ou seja, alguém que usa de raciocínio
                          capcioso, de má-fé, com intenção de enganar.
                          Os sofistas dão importante contribuição para a
                          sistematização do ensino, formando formando um
                          currículo de estudos: gramática (da qual são os
                          iniciadores), retórica, e dialética; por influência dos
                          pitagóricos, desenvolvem a aritmética, a geometria, a
                          astronomia e a música.
“ O homem é a medida de    Para escândalo de seus contemporâneos, costumavam
     todas as coisas”      cobrar pelas aulas e por este motivo Sócrates os
       Protágoras          acusara de “Prostituição”. Mas as exigências que os
                           sofistas vieram satisfazer é de ordem prática, voltada
                           para vida, pois iniciam os jovens na arte da retórica
                           instrumento imprescindível no debate público.
Sócrates (c.470-399 a.C.) não
                                 escreveu nada. Suas idéias
                                 foram divulgadas pelos dois
                                 principais discípulos, Xenofonte
                                 e Platão;
                                Nos diálogos de Platão Sócrates
                                 figura       como        principal
                                 interlocutor dos Sofistas;
                                Costumava      conversar     com
                                 todos, velhos, moços, nobres,
                                 escravos, investigando por meio
“Sei que nada sei” consiste na de        seu      método        de
  sabedoria de reconhecer a      conhecimentos “quem era sábio
 própria ignorância. É o início ou que pensava ser sábio”;
     Da busca do saber.
 Seu  método começa pela fase
 considerada “destrutiva”, a ironia,
 termo que em grego significa
 “perguntar”. Em seguida passa à
 maiêutica , que em grego
 significa “parto” . Por isto
 Sócrates se dizia o parteiro das
  ideias.
 É uma busca pela definição do
  conceito e não a resposta;
 Privilegia as questões morais: a
  virtude, a coragem, a piedade, a
  covardia, a justiça, entre outros;
 Quer saber o que é o conceito em
  si , o universal que o representa;
 Através do logos,     palavra, que
  passa a significar a razão que se
  dá de algo, o conceito, Sócrates
  inventará palavras e dará sentido
  a palavras antigas;
 Portanto, Sócrates é o primeiro
  moralista .
O que diferencia o pensamento entre Platão
(423-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a. C.) é a
orientação quanto ao método de conhecimento
da essência do real. A busca pelo princípio
(arché) que fundamenta a realidade pautou-se,
na Paidéia Grega Clássica, na disputa entre um
saber adquirido pela Unidade do Ser
(Parmênides, Sócrates e Platão) e outro pela
Multiplicidade do Ser (Heráclito, Sofistas e
Aristóteles). Neste contexto é que podemos
vislumbrar no magnífico afresco do Vaticano, A
Escola de Atenas, pintado pelo renascentista
Rafael de 1508-1511, no centro, lado a lado,
estão Platão e Aristóteles. Interpretando a
obra, poder-se-à perceber a dualidade entre o
realismo idealista (com Platão apontando ao
céu, para o mundo das idéias) e o realismo
naturalista (com Aristóteles apontando à terra
para o mundo sensível
   Platão (428-347 a.C.) viveu em Atenas e
                    Fundou a Escola chamada Academia;
                   Escreveu     sua     obra    filosófica    dando
                    continuidade ao pensamento de seu mestre,
                    Sócrates,    e    procurando      minimizar    a
                    problemática da dicotomia entre a unidade
                    (Parmênides) e a multiplicidade (Heráclito);
                   A maior parte de suas seu trabalho têm uma
                    métrica literária; são os diálogos (de Sócrates
                    contra os Sofistas) os principais estudos
                    filosóficos de Platão e a República a síntese
“O Divino é a       de seu pensamento;
  medida de        São     duas    as    perspectivas      de   seu
   todas as         pensamento: a epistemológica e a política.
    coisas”
 Para  Platão existem dois mundos: O         Dialética:   a alma eleva-se das coisas
  mundo sensível e o mundo inteligível;        múltiplas e mutáveis às ideias unas e
 Aproveitando a noção de logos de             imutáveis;
  Sócrates cria a palavra ideia (eidos)       O Bem Supremo: no topo das ideias
  referindo-se à intuição intelectual          hierarquizadas está a ideia do Bem, a
  distinta da Intuição sensível;               mais alta em perfeição e mais geral de
 Acima do ilusório mundo sensível, há o       todas; é também a suprema Beleza, é o
  mundo das ideias gerais, das essências       Deus de Platão;
  imutáveis,     que     atingimos    pela    Teoria da Participação: o seres e as coisas
  contemplação e pela depuração dos            só existem se participarem da ideia do
  enganos dos sentidos;                        Bem;
 As ideias são a única verdade;              A Superação das Oposições: o mundo

 O mundo dos fenômenos só existem se          das ideias se refere ao ser parmenídeo e
  participarem (teoria da participação) do     o mundo dos fenômenos ao devir
  mundo das ideias;                            heraclítico;
 O mundo sensível é cópia imperfeita         A Teoria da Reminiscência: conhecer é

  das ideias;                                  lembrar das ideias que o puro espírito
                                               contemplou no mundo das ideias que se
                                               degradaram ao tornar-se prisioneiro do
                                               corpo, “o túmulo da alma”. Assim, o
                                               sentidos se constituem para despertar na
                                               alma as lembranças adormecidas
Imaginemos uma grande caverna no solo, cujo único contato com a parte de fora , com o mundo,
é uma estreita fenda que permite a tênue réstia de luz entrar. Dentro estão seres humanos
acorrentados, sentados de costas para a entrada da caverna , sem poder se mexer e de frente
para um paredão que é o fundo da caverna. Não podem ver a realidade, o que acontece no
mundo. Vivem assim desde o nascimento e por muitas gerações. A pouca luminosidade
proporciona no paredão apenas o aparecimento das sombras, de tudo que acontece no exterior.
Os prisioneiros tem uma visão dos seres humanos andando e conversando, dos animais, dos
artefatos variados,..............apenas nas imagens refletidas. Mas certo dia um prisioneiro movido
pela curiosidade, resolve fugir e consegue fabricar um objeto que quebra suas correntes, e sai
da caverna pela pequena passagem. Seu primeiro contato com o exterior é de total cegueira
pela luz do sol, pois seus olhos só conhecem a escuridão e aos poucos se acostumam. È um
momento de encantamento e descobertas, nota que tudo que via antes eram apenas sombras ,
nada era real. Resolve que só volta para a caverna obrigado e vai contar toda a verdade para os
que ficaram levando todos à liberdade.
Foi difícil sair de lá, mas , será muito mais voltar .
Terá que se acostumar novamente com as trevas
e é muito mais fácil se acostumar com a luz. Sem
opção , foi preciso voltar. Não consegue mais se
comportar como antes, é desajeitado. Conta toda
a verdade aos amigos que não acreditam nele e
corre o risco até de ser morto por eles. Para
Platão, grande filósofo é assim que se processa o
conhecimento em cada ser humano. Portanto,
todos somos prisioneiros dos preconceitos, da
falta de opinião, da falta dos sentidos, do medo, da
acomodação,....... Um dia os grilhões são partidos,
escapa, é um filósofo, seu esforço para sair é igual
a uma faísca de conhecimento verdadeiro. È a
libertação mental, a busca da verdade e dos
conhecimentos. Quando volta para a caverna é
para ensinar aos que ficaram, como sair dela,
como procurar as coisas do mundo. Os olhos
podem ver e alma vai conhecer. Ao sair de lá, o
destino é a LUZ, ao pensar o destino são as
IDÉIAS. Esta é a grande importância da procura
do saber, da procura da verdade, da essência da
vida humana. Deixar as TREVAS para encontrar a
LUZ. Deixar a IGNORÂNCIA para encontrar o
CONHECIMENTO.

www.odialético.hpg.com.br marilena chaui
   O Filósofo: é aquele que se
                                 libertou     da    correntes     ao
                                 contemplar a verdadeira realidade
                                 e passando da opinião (doxa) à
                                 ciência (episteme);
                                A Política: Como Influenciar as
                                 pessoas que não vêem?;
                                O Sábio: deve ensinar e governar;
                                Necessidade de transformação das
                                 pessoas e da sociedade, desde que
                                 essa ação seja dirigida pelo
   “o eleatismo não é            modelo ideal contemplado;
idealismo, e sim realismo”      O Estado: para que seja bem
                                 governado é preciso que “os
     Garcia Morente              filósofos se tornem reis, ou os reis
                                 se tornem filósofos”
   Aristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagíria,
“O homem é        na Calcídica (região dependente da Macedônia).
                  Seu pai médico de Felipe I, rei da Macedônia,
 um animal        mais tarde Aristóteles seria preceptor de
                  Alexandre (O Grande) até o momento que
  político”       assumiu precocemente o poder e a expansão
                  do império alexandrino;
                 Frequentou a Academia de Platão em que a
                  fidelidade ao mestre       foi entremeada    por
                  críticas que o levaria a dizer: “Sou amigo de
                  Platão, mas mais amigo da verdade”;
                 Produziu uma extensa obra filosófica que se
                  expressa tanto na abrangência dos assuntos
                  quanto na interligação rigorosa entre as partes
                  constitutivas;
                 Em 340 a.C. fundou o Liceu, em Atenas, assim
                  chamado por ser vizinho do templo de Apolo
                  Lício;
                 Retoma a problemática do conhecimento e
                  define        a    ciência    (epistéme)   como
                  conhecimento verdadeiro, conhecimento pelas
                  causas, capaz de superar os enganos da
                  opinião e de compreender a natureza do devir;
                 Recusa as soluções apresentadas          para a
                  dicotomia entre a unidade e a multiplicidade do
                  real e critica o mundo “separado” das ideias
                  platônicas;
A Epistemologia
Aristotélica se baseia em
      três distinções
      fundamentais:


Substância–Essência–Acidente;
       Forma-Matéria;
        Ato-Potência.
O que é coisa em si?

   Aristóteles “traz as ideias do céu à
    terra”: rejeita o mundo das ideias
    de Platão, fundindo o mundo
    sensível e o inteligível no conceito
    de substância;
   A substância “é aquilo que é em si
                                                                       A essência da Rosa é
    mesmo”, o suporte dos atributos;
                                                                       o seu perfume
   Quando dizemos algo de uma
    substância,     nos    referimos   a
    atributos que lhe convém de tal
    forma que, se lhe faltassem, a
    substância não seria o que é;
   Os Atributos são as essências
    propriamente ditas das coisas em
    si;
   Os acidentes são os atributos que        A Substância individual “este homem” tem como
    a substância pode ter ou não, sem       características essenciais os atributos pelos quais
    deixar de ser o que é.                 este homem é homem (Aristóteles diria , a essência
                                                do ser humano é a racionalidade) e outros
                                                acidentais como ser gordo, velho, ou belo,
                                            atributos que não mudam o ser do homem em si.
Em uma estátua, a matéria (que neste caso é a       Matéria é “aquilo de que é feito algo”;
     matéria segunda, pois já tem alguma
                                                     Matéria é o princípio indeterminado de
 determinação) é o mármore; a forma é a ideia
                                                      que o mundo físico é composto;
       que o escultor realiza na estátua
                                                     Matéria, em Aristóteles, não coincide
                                                      com que se entende por matéria na
                                                      física, como algo indeterminado;
                                                     Forma é “aquilo que faz com que uma
                                                      coisa seja o que é”;
                                                     Todo ser é constituído de matéria e
                                                      forma, princípios indissociáveis;
                                                     Enquanto a forma é o princípio
                                                      inteligível, a essência comum aos
                                                      indivíduos da mesma espécie, pela
                                                      qual todos são o que são, a matéria é
                                                      pura passividade, contendo a forma
                                                      em potência;
                                                     Por meio da noção de matéria e forma
   Em O Mundo de Sofia, Sofia Amhudsem ao             que se explica o devir. Pois todo ser
       encontra-se com Michelangelo, no               tende a tornar atual a forma que tem
Renascimento, lhe pergunta: Como sabe quando          em si como potência.
 parar? E ele a responde: Quando chegar à pele.
Ipê Amarelo e
                                                                    Ipê Roxo e sua
                                                                        semente
   O ato e a potência explicam como
    dois seres diferentes podem entrar
    em relação, agindo um sobre o
    outro;
   Potência     para    Aristóteles   é
    ausência de perfeição e não deve
    ser confundido com força (física);
    Potência é a capacidade de
    tornar-se alguma coisa e, para tal,
    é preciso que sofra a ação de                           O Movimento pode ser
                                                               explicado como a
    outro ser já em ato;                                    passagem da potência
   O Movimento é a passagem da                                   para o ato.
    potência para o ato. É “o ato de                          A semente , quando
    um ser em potência enquanto tal”.                       enterrada, desenvolve-
    É a potência se atualizando;                             se no Carvalho ou Ipê
                                                            que era em Potência. A
                                                             semente que contem
                                                                um carvalho em
                                           Carvalho e sua   potência foi gerada por
                                              semente         um carvalho em ato.
   Educação     é  um
    processo mimético:
    mimésis      é     a
    capacidade de imitar
    o outro
   Todo o Ser Criança
    tem potência a ser
    alguma coisa, a se
    atualizar;
   Na relação com o
    educador em Ato a
    criança se atualiza
    tornando-se     um
    adulto em ato.
   Para    Aristóteles,    portanto,  há
    diversos tipos de movimentos e suas
    causas;
   Aristóteles distingue os movimentos
    e suas causas:
         Causa Material;
         Causa Formal;
         Causa Eficiente;
         Causa Final.                       Estátua de Carlos
   Considerando      o    postulado   de      Drumond de
    Parmenídeo de que o ser é idêntico           Andrade,
    ao pensar, Aristóteles superará             Calçadão de
    Parmênides        e     Platão    por
    compreender a imutabilidade e a            Ipanema - RJ
    mudança , o acidental e o essencial,
    o individual e o universal;
   Se conhecer é lidar com conceitos
    universais, é também aplicar esses                    A estátua de Drumond
    conceitos a cada coisa individual.          A causa material é aquilo de que a coisa é
    Com isto não é necessário justificar a    feita (bronze); a causa eficiente é aquilo com
    imobilidade do ser nem criar o            que a coisa é feita (o escultor); a causa formal
    mundo das essências imutáveis.
                                                é aquilo que a coisa vai ser (a forma que a
                                              estátua adquire); a causa final é aquilo para o
                                               qual a coisa é feita (a finalidade da estátua).
   Toda      estrutura     teórica   de
                                                  Aristóteles desemboca no Divino;
                                                 A descrição das relações entre as
                                                  coisas leva ao reconhecimento da
                                                  existência de um ser superior e
                                                  necessário;
                                                 As coisas são contingentes, já que
                                                  não tem em si mesma a razão de
                                                  sua existência, são produzidas por
                                                  causas     exteriores:    todo   ser
                                                  contingente foi produzido por
                                                  outro ser, também, contingente;
                                                 Para não ir ao infinito na sequência
O Primeiro Motor Imóvel, imóvel por não ser       das causas, Aristóteles, admitiu
 movido por nenhum outro e um puro ato,           existir uma Primeira Causa, por
          sem nenhuma potência.                   sua vez, Incausada, um ser
   Deus, Ato Puro, Ser Necessário, Causa          necessário e não contingente: o
       Primeira de toda existência.               Primeiro Motor Imóvel.
   A Metafísica é a contribuição do pensamento grego, no sentido de buscar
     conceitos que expliquem o ser em geral;
     Aristóteles se referia à Metafísica como a Filosofia Primeira;
    Mas no séc. I a. C. Andrônico de Rodes, ao classificar a obra do filósofo,
     colocou a Filosofia Primeira depois das obras de Física: por isto, meta física,
     “depois da física”. Mas foi considerada, depois, como o “além” da física,
     que ultrapassam os conhecimentos dos mundo sensível.
    “A Filosofia Primeira não é primeira na ordem do conhecer, já que partimos do
conhecimento sensível, mas a que busca as causas mais universais (e, portanto, mais
distante dos sentidos) e que são as mais fundamentais na ordem do real. Trata-se da
parte nuclear da Filosofia, na qual estuda “o ser enquanto ser”, isto é, o ser
independentemente de suas determinações particulares.
    É a metafísica que fornece a todas as outras ciências o fundamento comum, o objeto
que elas investigam e os princípios dos quais dependem . Ou seja, todas as ciências se
referem continuamente ao ser e a diversos conceitos ligados diretamente a ele, tais
como identidade, oposição, diferença, gênero, espécie, todo, parte, perfeição, unidade,
necessidade, possibilidade, realidade, etc.
    Mas nenhuma ciência examina tais conceitos: é nesse sentido que o objeto da
metafísica consiste em examinar o ser e suas propriedades.”

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. PIRES, Maria Helena. Filosofando: introdução à filosofia. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2003. p. 124.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados (20)

Friedrich nietzsche
Friedrich  nietzscheFriedrich  nietzsche
Friedrich nietzsche
 
Nietzsche - alguns conceitos
Nietzsche - alguns conceitosNietzsche - alguns conceitos
Nietzsche - alguns conceitos
 
Aula de filosofia antiga, tema: São Tomás de Aquino
Aula de filosofia antiga, tema: São Tomás de AquinoAula de filosofia antiga, tema: São Tomás de Aquino
Aula de filosofia antiga, tema: São Tomás de Aquino
 
Slides da aula de Filosofia (João Luís) sobre Filosofia, Linguagem, Conhecime...
Slides da aula de Filosofia (João Luís) sobre Filosofia, Linguagem, Conhecime...Slides da aula de Filosofia (João Luís) sobre Filosofia, Linguagem, Conhecime...
Slides da aula de Filosofia (João Luís) sobre Filosofia, Linguagem, Conhecime...
 
Ideologia
IdeologiaIdeologia
Ideologia
 
O que é Filosofia?
O que é Filosofia?O que é Filosofia?
O que é Filosofia?
 
Aula02 - Metafísica
Aula02 - MetafísicaAula02 - Metafísica
Aula02 - Metafísica
 
Filosofia moderna: Contratualismo
Filosofia moderna: ContratualismoFilosofia moderna: Contratualismo
Filosofia moderna: Contratualismo
 
Existencialismo
ExistencialismoExistencialismo
Existencialismo
 
Filosofia Hegel
Filosofia HegelFilosofia Hegel
Filosofia Hegel
 
5 criticismo kantiano slide
5 criticismo kantiano slide5 criticismo kantiano slide
5 criticismo kantiano slide
 
Filosofia moderna
Filosofia moderna Filosofia moderna
Filosofia moderna
 
Filosofia.1º ano
Filosofia.1º anoFilosofia.1º ano
Filosofia.1º ano
 
Filosofia analitica
Filosofia analiticaFilosofia analitica
Filosofia analitica
 
ORIGEM DA FILOSOFIA
ORIGEM DA FILOSOFIA ORIGEM DA FILOSOFIA
ORIGEM DA FILOSOFIA
 
Kant
KantKant
Kant
 
Filosofia moderna e suas características
Filosofia moderna e suas característicasFilosofia moderna e suas características
Filosofia moderna e suas características
 
Platão e sua filosofia
Platão e sua filosofiaPlatão e sua filosofia
Platão e sua filosofia
 
Aula de filosofia
Aula de filosofia Aula de filosofia
Aula de filosofia
 
Schopenhauer: a vontade irrracional
Schopenhauer: a vontade irrracionalSchopenhauer: a vontade irrracional
Schopenhauer: a vontade irrracional
 

Destaque (20)

4 as revoluções da modernidade - agrícola, religiosa e científica
4   as revoluções da modernidade - agrícola, religiosa e científica4   as revoluções da modernidade - agrícola, religiosa e científica
4 as revoluções da modernidade - agrícola, religiosa e científica
 
2. sócrates, sofistas, platão e aristóteles
2. sócrates, sofistas, platão e aristóteles2. sócrates, sofistas, platão e aristóteles
2. sócrates, sofistas, platão e aristóteles
 
Introdução à filosofia
Introdução à filosofiaIntrodução à filosofia
Introdução à filosofia
 
Epistemologia
EpistemologiaEpistemologia
Epistemologia
 
2 helenismo
2   helenismo2   helenismo
2 helenismo
 
3 o mundo medieval
3   o mundo medieval3   o mundo medieval
3 o mundo medieval
 
Os pré socráticos
Os pré socráticosOs pré socráticos
Os pré socráticos
 
Os pré-socráticos
Os pré-socráticosOs pré-socráticos
Os pré-socráticos
 
Pré socráticos
Pré socráticosPré socráticos
Pré socráticos
 
O nascimento da filosofia
O nascimento da filosofiaO nascimento da filosofia
O nascimento da filosofia
 
Abordagem Histórica
Abordagem HistóricaAbordagem Histórica
Abordagem Histórica
 
A física intuitiva
A física intuitivaA física intuitiva
A física intuitiva
 
O estudo do movimento na Idade Média
O estudo do movimento na Idade MédiaO estudo do movimento na Idade Média
O estudo do movimento na Idade Média
 
1 ano
1 ano1 ano
1 ano
 
Omovimento
OmovimentoOmovimento
Omovimento
 
Werner jaeger paidéia - a formação do homem grego copy
Werner jaeger   paidéia - a formação do homem grego copyWerner jaeger   paidéia - a formação do homem grego copy
Werner jaeger paidéia - a formação do homem grego copy
 
Método nas Ciências - Linda Tavares
Método nas Ciências - Linda TavaresMétodo nas Ciências - Linda Tavares
Método nas Ciências - Linda Tavares
 
Filosofia paola 13m p
Filosofia paola 13m pFilosofia paola 13m p
Filosofia paola 13m p
 
Galileu
GalileuGalileu
Galileu
 
Geo 9o homem_espaco_cap_site
Geo 9o homem_espaco_cap_siteGeo 9o homem_espaco_cap_site
Geo 9o homem_espaco_cap_site
 

Semelhante a A disputa entre Platão e Aristóteles

Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.Altair Moisés Aguilar
 
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo
Filosofia Grega Clássica ao HelenismoFilosofia Grega Clássica ao Helenismo
Filosofia Grega Clássica ao HelenismoCarson Souza
 
2 cap.13
2 cap.132 cap.13
2 cap.13edna2
 
História da Filosofia dos Pré Socráticos ao Helenismo
História da Filosofia   dos Pré Socráticos ao HelenismoHistória da Filosofia   dos Pré Socráticos ao Helenismo
História da Filosofia dos Pré Socráticos ao HelenismoLucio Oliveira
 
Captulo13 Em busca da Verdade
Captulo13 Em busca da VerdadeCaptulo13 Em busca da Verdade
Captulo13 Em busca da VerdadeMarcos Mororó
 
o que é arché
o que é archéo que é arché
o que é archépuenzo
 
Capítulo 13 em busca da verdade
Capítulo 13   em busca da verdadeCapítulo 13   em busca da verdade
Capítulo 13 em busca da verdadeEdirlene Fraga
 
2º Aula em busca da verdade.pptx
2º Aula em busca da verdade.pptx2º Aula em busca da verdade.pptx
2º Aula em busca da verdade.pptxFlavioCandido8
 
Humanismo 1 slides 20.03.2014
Humanismo 1 slides 20.03.2014Humanismo 1 slides 20.03.2014
Humanismo 1 slides 20.03.2014PrSergio Silva
 
Platão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptx
Platão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptxPlatão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptx
Platão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptxAndressa Silva Soares
 
“Resumão” da Filosofia para o Vestibular
“Resumão” da Filosofia para o Vestibular“Resumão” da Filosofia para o Vestibular
“Resumão” da Filosofia para o VestibularCarlos Benjoino Bidu
 
Evolução Histórica da Reflexão sobre a Condição Humana
Evolução Histórica da Reflexão sobre a Condição HumanaEvolução Histórica da Reflexão sobre a Condição Humana
Evolução Histórica da Reflexão sobre a Condição HumanaIuri Guedes
 
Dialtica 130820120416-phpapp01
Dialtica 130820120416-phpapp01Dialtica 130820120416-phpapp01
Dialtica 130820120416-phpapp01rayg3
 

Semelhante a A disputa entre Platão e Aristóteles (20)

Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.
 
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo
Filosofia Grega Clássica ao HelenismoFilosofia Grega Clássica ao Helenismo
Filosofia Grega Clássica ao Helenismo
 
2 cap.13
2 cap.132 cap.13
2 cap.13
 
A origem da filosofia
A origem da filosofia A origem da filosofia
A origem da filosofia
 
Periodos da filosofia
Periodos da filosofiaPeriodos da filosofia
Periodos da filosofia
 
História da Filosofia dos Pré Socráticos ao Helenismo
História da Filosofia   dos Pré Socráticos ao HelenismoHistória da Filosofia   dos Pré Socráticos ao Helenismo
História da Filosofia dos Pré Socráticos ao Helenismo
 
Filosofia i
Filosofia iFilosofia i
Filosofia i
 
Captulo13 Em busca da Verdade
Captulo13 Em busca da VerdadeCaptulo13 Em busca da Verdade
Captulo13 Em busca da Verdade
 
o que é arché
o que é archéo que é arché
o que é arché
 
Pré-socraticos.pptx
Pré-socraticos.pptxPré-socraticos.pptx
Pré-socraticos.pptx
 
Capítulo 13 em busca da verdade
Capítulo 13   em busca da verdadeCapítulo 13   em busca da verdade
Capítulo 13 em busca da verdade
 
2º Aula em busca da verdade.pptx
2º Aula em busca da verdade.pptx2º Aula em busca da verdade.pptx
2º Aula em busca da verdade.pptx
 
VisãO Geral da Filosofia
VisãO Geral da FilosofiaVisãO Geral da Filosofia
VisãO Geral da Filosofia
 
Humanismo 1 slides 20.03.2014
Humanismo 1 slides 20.03.2014Humanismo 1 slides 20.03.2014
Humanismo 1 slides 20.03.2014
 
Platão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptx
Platão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptxPlatão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptx
Platão - Metafísica e Epistemologia.pptx.pptx
 
A filosofia
A filosofiaA filosofia
A filosofia
 
Filosofia grega 22
Filosofia grega 22Filosofia grega 22
Filosofia grega 22
 
“Resumão” da Filosofia para o Vestibular
“Resumão” da Filosofia para o Vestibular“Resumão” da Filosofia para o Vestibular
“Resumão” da Filosofia para o Vestibular
 
Evolução Histórica da Reflexão sobre a Condição Humana
Evolução Histórica da Reflexão sobre a Condição HumanaEvolução Histórica da Reflexão sobre a Condição Humana
Evolução Histórica da Reflexão sobre a Condição Humana
 
Dialtica 130820120416-phpapp01
Dialtica 130820120416-phpapp01Dialtica 130820120416-phpapp01
Dialtica 130820120416-phpapp01
 

Mais de Octavio Silvério de Souza Vieira Neto (9)

OS SENTIDOS DA FORMAÇÃO HUMANA NA CIBERCULTURA: MÚLTIPLOS OLHARES DOS PESQUIS...
OS SENTIDOS DA FORMAÇÃO HUMANA NA CIBERCULTURA: MÚLTIPLOS OLHARES DOS PESQUIS...OS SENTIDOS DA FORMAÇÃO HUMANA NA CIBERCULTURA: MÚLTIPLOS OLHARES DOS PESQUIS...
OS SENTIDOS DA FORMAÇÃO HUMANA NA CIBERCULTURA: MÚLTIPLOS OLHARES DOS PESQUIS...
 
Tutorial - Envio de Mensagens no Moodle
Tutorial - Envio de Mensagens no MoodleTutorial - Envio de Mensagens no Moodle
Tutorial - Envio de Mensagens no Moodle
 
Como Criar um Jornal
Como Criar um Jornal Como Criar um Jornal
Como Criar um Jornal
 
Saber, poder e subjetividade e relações interpessoais
Saber, poder e subjetividade e relações interpessoaisSaber, poder e subjetividade e relações interpessoais
Saber, poder e subjetividade e relações interpessoais
 
Estrutura do Trabalho Acadêmico Segundo a ABNT 14724/2011
Estrutura do Trabalho Acadêmico Segundo a ABNT 14724/2011Estrutura do Trabalho Acadêmico Segundo a ABNT 14724/2011
Estrutura do Trabalho Acadêmico Segundo a ABNT 14724/2011
 
Tecnologia e História
Tecnologia e História Tecnologia e História
Tecnologia e História
 
Apresentação da proposta metodológica do curso fei 1º sem 2012 - isecc
Apresentação da proposta metodológica do curso fei 1º sem  2012 - iseccApresentação da proposta metodológica do curso fei 1º sem  2012 - isecc
Apresentação da proposta metodológica do curso fei 1º sem 2012 - isecc
 
6 nietzsche e a virada linguistica
6   nietzsche e a virada linguistica6   nietzsche e a virada linguistica
6 nietzsche e a virada linguistica
 
Informática e Tecnologia Moderna na Educação
Informática e Tecnologia Moderna na EducaçãoInformática e Tecnologia Moderna na Educação
Informática e Tecnologia Moderna na Educação
 

A disputa entre Platão e Aristóteles

  • 1.
  • 2. A Escola de Atenas é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Platão. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano. A obra é um afresco em que aparecem ao centro Platão e Aristóteles. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal, o mundo inteligível. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o terreste, o mundo sensível.
  • 3. Na Grécia Clássica o homem grego produziu a maioria dos conhecimentos que circulam por todo o mundo, na atualidade: filosofia, astronomia, biologia, teatro, lógica, metafísica, democracia são alguns dos conhecimentos criados pelo mundo grego. Grécia , hoje, via satélite
  • 4. Na Cosmologia as explicações rompem com o mito: a arché (princípio) não se A Cosmogonia, típica do encontra na ordem do tempo mítico, pensamento mítico, é descritiva e mas significa princípio teórico, explica como do caos surge o fundamento de todas as coisas. Daí as cosmo, a aprtir da geração dos várias escolas e explicações deuses, identificados às forças da conceituais, por isto abstratas, sobre a natureza. ordem do universo.
  • 5.
  • 6.
  • 7. Parmênides de Eléia Heráclito de Éfeso (c.540-c.470 a.C.) (c.544-c.484 a.C.) “O ser é e o não ser não é” “Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio”  Procurou compreender a multiplicidade do  Ocupou-se em criticar a filosofia real; heraclítica;  Ao contrário de Parmênides, não rejeita as contradições e quer entender a realidade  Propõe a imobilidade do Ser; na sua mudança, no seu devir;  É absurdo pensar que uma coisa  Todas as coisas mudam sem cessar; pode ser e não ser ao mesmo O ser é múltiplo, não por existir a tempo;  multiplicidade das coisas, mas é múltiplo  O Ser é único, imutável e imóvel; por estar constituído de oposições  Só o mundo inteligível é internas; verdadeiro, pois está submetido  A luta dos contrários é que mantém o fluxo ao princípio da identidade e de do movimento: “a guerra é pai de todos, rei de todos”; não-contradição;  É da luta que nasce a harmonia, como  Identidade entre o ser e o pensar. síntese dos contrários: Dialética  Metáfora do fogo, símbolo da eterna agitação do devir: o fogo eterno e vivo, que ora se ascende e ora se apaga”
  • 8. Os pensadores do período clássico, embora ainda discutam questões referentes á natureza, desenvolvem o enfoque antropológico, que abrange a moral e a política.
  • 9. Os sofistas vivem no Séc. V a. C. e alguns deles são interlocutores de Sócrates. Os mais famosos eram: Protágoras, de Abdera (485-411 a. C.); Górgias, de Leôncio, na Sicília (485-380 a. C.); Híppias, de Élis; e ainda Trasímaco, Prodico, Hipódamos, entre outros. Sofista vem de sophos, sábio, professor de sabedoria. Mas via adquirir um sentido pejorativo, daquele que emprega sofismas, ou seja, alguém que usa de raciocínio capcioso, de má-fé, com intenção de enganar. Os sofistas dão importante contribuição para a sistematização do ensino, formando formando um currículo de estudos: gramática (da qual são os iniciadores), retórica, e dialética; por influência dos pitagóricos, desenvolvem a aritmética, a geometria, a astronomia e a música. “ O homem é a medida de Para escândalo de seus contemporâneos, costumavam todas as coisas” cobrar pelas aulas e por este motivo Sócrates os Protágoras acusara de “Prostituição”. Mas as exigências que os sofistas vieram satisfazer é de ordem prática, voltada para vida, pois iniciam os jovens na arte da retórica instrumento imprescindível no debate público.
  • 10. Sócrates (c.470-399 a.C.) não escreveu nada. Suas idéias foram divulgadas pelos dois principais discípulos, Xenofonte e Platão; Nos diálogos de Platão Sócrates figura como principal interlocutor dos Sofistas; Costumava conversar com todos, velhos, moços, nobres, escravos, investigando por meio “Sei que nada sei” consiste na de seu método de sabedoria de reconhecer a conhecimentos “quem era sábio própria ignorância. É o início ou que pensava ser sábio”; Da busca do saber.
  • 11.  Seu método começa pela fase considerada “destrutiva”, a ironia, termo que em grego significa “perguntar”. Em seguida passa à maiêutica , que em grego significa “parto” . Por isto Sócrates se dizia o parteiro das ideias.  É uma busca pela definição do conceito e não a resposta;  Privilegia as questões morais: a virtude, a coragem, a piedade, a covardia, a justiça, entre outros;  Quer saber o que é o conceito em si , o universal que o representa;  Através do logos, palavra, que passa a significar a razão que se dá de algo, o conceito, Sócrates inventará palavras e dará sentido a palavras antigas;  Portanto, Sócrates é o primeiro moralista .
  • 12. O que diferencia o pensamento entre Platão (423-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a. C.) é a orientação quanto ao método de conhecimento da essência do real. A busca pelo princípio (arché) que fundamenta a realidade pautou-se, na Paidéia Grega Clássica, na disputa entre um saber adquirido pela Unidade do Ser (Parmênides, Sócrates e Platão) e outro pela Multiplicidade do Ser (Heráclito, Sofistas e Aristóteles). Neste contexto é que podemos vislumbrar no magnífico afresco do Vaticano, A Escola de Atenas, pintado pelo renascentista Rafael de 1508-1511, no centro, lado a lado, estão Platão e Aristóteles. Interpretando a obra, poder-se-à perceber a dualidade entre o realismo idealista (com Platão apontando ao céu, para o mundo das idéias) e o realismo naturalista (com Aristóteles apontando à terra para o mundo sensível
  • 13. Platão (428-347 a.C.) viveu em Atenas e Fundou a Escola chamada Academia;  Escreveu sua obra filosófica dando continuidade ao pensamento de seu mestre, Sócrates, e procurando minimizar a problemática da dicotomia entre a unidade (Parmênides) e a multiplicidade (Heráclito);  A maior parte de suas seu trabalho têm uma métrica literária; são os diálogos (de Sócrates contra os Sofistas) os principais estudos filosóficos de Platão e a República a síntese “O Divino é a de seu pensamento; medida de  São duas as perspectivas de seu todas as pensamento: a epistemológica e a política. coisas”
  • 14.  Para Platão existem dois mundos: O  Dialética: a alma eleva-se das coisas mundo sensível e o mundo inteligível; múltiplas e mutáveis às ideias unas e  Aproveitando a noção de logos de imutáveis; Sócrates cria a palavra ideia (eidos)  O Bem Supremo: no topo das ideias referindo-se à intuição intelectual hierarquizadas está a ideia do Bem, a distinta da Intuição sensível; mais alta em perfeição e mais geral de  Acima do ilusório mundo sensível, há o todas; é também a suprema Beleza, é o mundo das ideias gerais, das essências Deus de Platão; imutáveis, que atingimos pela  Teoria da Participação: o seres e as coisas contemplação e pela depuração dos só existem se participarem da ideia do enganos dos sentidos; Bem;  As ideias são a única verdade;  A Superação das Oposições: o mundo  O mundo dos fenômenos só existem se das ideias se refere ao ser parmenídeo e participarem (teoria da participação) do o mundo dos fenômenos ao devir mundo das ideias; heraclítico;  O mundo sensível é cópia imperfeita  A Teoria da Reminiscência: conhecer é das ideias; lembrar das ideias que o puro espírito contemplou no mundo das ideias que se degradaram ao tornar-se prisioneiro do corpo, “o túmulo da alma”. Assim, o sentidos se constituem para despertar na alma as lembranças adormecidas
  • 15. Imaginemos uma grande caverna no solo, cujo único contato com a parte de fora , com o mundo, é uma estreita fenda que permite a tênue réstia de luz entrar. Dentro estão seres humanos acorrentados, sentados de costas para a entrada da caverna , sem poder se mexer e de frente para um paredão que é o fundo da caverna. Não podem ver a realidade, o que acontece no mundo. Vivem assim desde o nascimento e por muitas gerações. A pouca luminosidade proporciona no paredão apenas o aparecimento das sombras, de tudo que acontece no exterior. Os prisioneiros tem uma visão dos seres humanos andando e conversando, dos animais, dos artefatos variados,..............apenas nas imagens refletidas. Mas certo dia um prisioneiro movido pela curiosidade, resolve fugir e consegue fabricar um objeto que quebra suas correntes, e sai da caverna pela pequena passagem. Seu primeiro contato com o exterior é de total cegueira pela luz do sol, pois seus olhos só conhecem a escuridão e aos poucos se acostumam. È um momento de encantamento e descobertas, nota que tudo que via antes eram apenas sombras , nada era real. Resolve que só volta para a caverna obrigado e vai contar toda a verdade para os que ficaram levando todos à liberdade.
  • 16. Foi difícil sair de lá, mas , será muito mais voltar . Terá que se acostumar novamente com as trevas e é muito mais fácil se acostumar com a luz. Sem opção , foi preciso voltar. Não consegue mais se comportar como antes, é desajeitado. Conta toda a verdade aos amigos que não acreditam nele e corre o risco até de ser morto por eles. Para Platão, grande filósofo é assim que se processa o conhecimento em cada ser humano. Portanto, todos somos prisioneiros dos preconceitos, da falta de opinião, da falta dos sentidos, do medo, da acomodação,....... Um dia os grilhões são partidos, escapa, é um filósofo, seu esforço para sair é igual a uma faísca de conhecimento verdadeiro. È a libertação mental, a busca da verdade e dos conhecimentos. Quando volta para a caverna é para ensinar aos que ficaram, como sair dela, como procurar as coisas do mundo. Os olhos podem ver e alma vai conhecer. Ao sair de lá, o destino é a LUZ, ao pensar o destino são as IDÉIAS. Esta é a grande importância da procura do saber, da procura da verdade, da essência da vida humana. Deixar as TREVAS para encontrar a LUZ. Deixar a IGNORÂNCIA para encontrar o CONHECIMENTO. www.odialético.hpg.com.br marilena chaui
  • 17.
  • 18. O Filósofo: é aquele que se libertou da correntes ao contemplar a verdadeira realidade e passando da opinião (doxa) à ciência (episteme);  A Política: Como Influenciar as pessoas que não vêem?;  O Sábio: deve ensinar e governar;  Necessidade de transformação das pessoas e da sociedade, desde que essa ação seja dirigida pelo “o eleatismo não é modelo ideal contemplado; idealismo, e sim realismo”  O Estado: para que seja bem governado é preciso que “os Garcia Morente filósofos se tornem reis, ou os reis se tornem filósofos”
  • 19. Aristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagíria, “O homem é na Calcídica (região dependente da Macedônia). Seu pai médico de Felipe I, rei da Macedônia, um animal mais tarde Aristóteles seria preceptor de Alexandre (O Grande) até o momento que político” assumiu precocemente o poder e a expansão do império alexandrino;  Frequentou a Academia de Platão em que a fidelidade ao mestre foi entremeada por críticas que o levaria a dizer: “Sou amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”;  Produziu uma extensa obra filosófica que se expressa tanto na abrangência dos assuntos quanto na interligação rigorosa entre as partes constitutivas;  Em 340 a.C. fundou o Liceu, em Atenas, assim chamado por ser vizinho do templo de Apolo Lício;  Retoma a problemática do conhecimento e define a ciência (epistéme) como conhecimento verdadeiro, conhecimento pelas causas, capaz de superar os enganos da opinião e de compreender a natureza do devir;  Recusa as soluções apresentadas para a dicotomia entre a unidade e a multiplicidade do real e critica o mundo “separado” das ideias platônicas;
  • 20. A Epistemologia Aristotélica se baseia em três distinções fundamentais: Substância–Essência–Acidente; Forma-Matéria; Ato-Potência.
  • 21. O que é coisa em si?  Aristóteles “traz as ideias do céu à terra”: rejeita o mundo das ideias de Platão, fundindo o mundo sensível e o inteligível no conceito de substância;  A substância “é aquilo que é em si A essência da Rosa é mesmo”, o suporte dos atributos; o seu perfume  Quando dizemos algo de uma substância, nos referimos a atributos que lhe convém de tal forma que, se lhe faltassem, a substância não seria o que é;  Os Atributos são as essências propriamente ditas das coisas em si;  Os acidentes são os atributos que A Substância individual “este homem” tem como a substância pode ter ou não, sem características essenciais os atributos pelos quais deixar de ser o que é. este homem é homem (Aristóteles diria , a essência do ser humano é a racionalidade) e outros acidentais como ser gordo, velho, ou belo, atributos que não mudam o ser do homem em si.
  • 22. Em uma estátua, a matéria (que neste caso é a  Matéria é “aquilo de que é feito algo”; matéria segunda, pois já tem alguma  Matéria é o princípio indeterminado de determinação) é o mármore; a forma é a ideia que o mundo físico é composto; que o escultor realiza na estátua  Matéria, em Aristóteles, não coincide com que se entende por matéria na física, como algo indeterminado;  Forma é “aquilo que faz com que uma coisa seja o que é”;  Todo ser é constituído de matéria e forma, princípios indissociáveis;  Enquanto a forma é o princípio inteligível, a essência comum aos indivíduos da mesma espécie, pela qual todos são o que são, a matéria é pura passividade, contendo a forma em potência;  Por meio da noção de matéria e forma Em O Mundo de Sofia, Sofia Amhudsem ao que se explica o devir. Pois todo ser encontra-se com Michelangelo, no tende a tornar atual a forma que tem Renascimento, lhe pergunta: Como sabe quando em si como potência. parar? E ele a responde: Quando chegar à pele.
  • 23. Ipê Amarelo e Ipê Roxo e sua semente  O ato e a potência explicam como dois seres diferentes podem entrar em relação, agindo um sobre o outro;  Potência para Aristóteles é ausência de perfeição e não deve ser confundido com força (física);  Potência é a capacidade de tornar-se alguma coisa e, para tal, é preciso que sofra a ação de O Movimento pode ser explicado como a outro ser já em ato; passagem da potência  O Movimento é a passagem da para o ato. potência para o ato. É “o ato de A semente , quando um ser em potência enquanto tal”. enterrada, desenvolve- É a potência se atualizando; se no Carvalho ou Ipê que era em Potência. A semente que contem um carvalho em Carvalho e sua potência foi gerada por semente um carvalho em ato.
  • 24. Educação é um processo mimético: mimésis é a capacidade de imitar o outro  Todo o Ser Criança tem potência a ser alguma coisa, a se atualizar;  Na relação com o educador em Ato a criança se atualiza tornando-se um adulto em ato.
  • 25. Para Aristóteles, portanto, há diversos tipos de movimentos e suas causas;  Aristóteles distingue os movimentos e suas causas:  Causa Material;  Causa Formal;  Causa Eficiente;  Causa Final. Estátua de Carlos  Considerando o postulado de Drumond de Parmenídeo de que o ser é idêntico Andrade, ao pensar, Aristóteles superará Calçadão de Parmênides e Platão por compreender a imutabilidade e a Ipanema - RJ mudança , o acidental e o essencial, o individual e o universal;  Se conhecer é lidar com conceitos universais, é também aplicar esses A estátua de Drumond conceitos a cada coisa individual. A causa material é aquilo de que a coisa é Com isto não é necessário justificar a feita (bronze); a causa eficiente é aquilo com imobilidade do ser nem criar o que a coisa é feita (o escultor); a causa formal mundo das essências imutáveis. é aquilo que a coisa vai ser (a forma que a estátua adquire); a causa final é aquilo para o qual a coisa é feita (a finalidade da estátua).
  • 26. Toda estrutura teórica de Aristóteles desemboca no Divino;  A descrição das relações entre as coisas leva ao reconhecimento da existência de um ser superior e necessário;  As coisas são contingentes, já que não tem em si mesma a razão de sua existência, são produzidas por causas exteriores: todo ser contingente foi produzido por outro ser, também, contingente;  Para não ir ao infinito na sequência O Primeiro Motor Imóvel, imóvel por não ser das causas, Aristóteles, admitiu movido por nenhum outro e um puro ato, existir uma Primeira Causa, por sem nenhuma potência. sua vez, Incausada, um ser Deus, Ato Puro, Ser Necessário, Causa necessário e não contingente: o Primeira de toda existência. Primeiro Motor Imóvel.
  • 27. A Metafísica é a contribuição do pensamento grego, no sentido de buscar conceitos que expliquem o ser em geral;  Aristóteles se referia à Metafísica como a Filosofia Primeira;  Mas no séc. I a. C. Andrônico de Rodes, ao classificar a obra do filósofo, colocou a Filosofia Primeira depois das obras de Física: por isto, meta física, “depois da física”. Mas foi considerada, depois, como o “além” da física, que ultrapassam os conhecimentos dos mundo sensível. “A Filosofia Primeira não é primeira na ordem do conhecer, já que partimos do conhecimento sensível, mas a que busca as causas mais universais (e, portanto, mais distante dos sentidos) e que são as mais fundamentais na ordem do real. Trata-se da parte nuclear da Filosofia, na qual estuda “o ser enquanto ser”, isto é, o ser independentemente de suas determinações particulares. É a metafísica que fornece a todas as outras ciências o fundamento comum, o objeto que elas investigam e os princípios dos quais dependem . Ou seja, todas as ciências se referem continuamente ao ser e a diversos conceitos ligados diretamente a ele, tais como identidade, oposição, diferença, gênero, espécie, todo, parte, perfeição, unidade, necessidade, possibilidade, realidade, etc. Mas nenhuma ciência examina tais conceitos: é nesse sentido que o objeto da metafísica consiste em examinar o ser e suas propriedades.” ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. PIRES, Maria Helena. Filosofando: introdução à filosofia. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2003. p. 124.