Programa de Educação         Continuada a Distância     Manual de Acidentes por     Serpentes PeçonhentasAluno:           ...
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1. Mas afinal, o que são animais peçonhentos?         Chamamos de peçonhentos, todos os animais que possuem veneno e acapa...
No Brasil não poderia ser diferente. A maior parte dos acidentes ofídicos ocorrecom espécies pertencentes ao gênero Bothro...
Pode ocorrer tanto no ambiente rural como em centros urbanos. Habitualmente,alimenta-se de pequenos roedores, sendo que ge...
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Figura 3: Mapa de ocorrência (esquerda) e imagem de Bothrops alternatus. Fonte:                                           ...
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Figura 6: Vítima de acidente botrópico mostrando leve edema na mão direita.      Figura 7: Vítima de acidente botrópico ap...
Tabela 1: Classificação dos acidentes botrópicos quanto à gravidade e soroterapiarecomendada                              ...
2.2.1 – Lachesis muta LINNAEUS, 1766                          “surucucu”, “surucucu pico-de-jaca”, “surucutinga”         E...
Possui dentição solenóglifa, com dentes anteriores ocos. Quando se sente acuadacostuma vibrar a cauda repetidas vezes e es...
Figura 10: Índio amazônico mostrando amputação de dedos dos pés e necrose tecidual           na perna direita após acident...
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2.3.2 – Ação e Sintomas do veneno das cascavéis nas vítimas         O veneno da Cascavel tem ação proteolítica, causando u...
Figura 13: Vítima de acidente crotálico apresentando leve edema na mão direita (Fonte:                                    ...
2.4.1. Micrurus corallinus MERREM, 1820                      “cobra-coral”, “coral-verdadeira”, “ibiboboca”, “boicorá”    ...
Um aspecto que chama a atenção sobre as cobras-corais é que estas possuemdentição proteróglifa, ou seja, está situada na p...
Figura 16: Mapa de ocorrência e imagem de Micrurus frontalis. Fonte: Adaptado de                                          ...
2.4.3 - Ação e Sintomas do veneno das corais nas vítimas         Caracteristicamente observa-se que no local onde ocorreu ...
Existem ainda outras espécies de serpentes peçonhentas pertencentes ao gêneroMicrurus com as quais se observam acidentes o...
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Tabela 1: Coeficiente de ocorrência de acidentes com serpentes peçonhentas (por100.000 habitantes), de 1990 a 1993*.      ...
que o restante concentra-se nos braços e mãos. De uma forma geral, verifica-se quejustamente em meses nos quais se observa...
Figura 24: Ilustração sobre equipamentos de proteção                            adequados para o trabalho em zonas rurais....
procedimento, o que contribui muito para evitar acidentes (Figura                        25).   Figura 25: Antes de mexer ...
Jamais amarre a perna ou braço onde ocorreu a picada.                        Embora muito difundido popularmente, o torniq...
promovendo aumento do edema.                        Não coloque pó de café, querosene, terra ou qualquer outra            ...
Leve o acidentado o quanto antes para o Posto de Saúde mais                        próximo do local do acidente. Caso você...
Figura 30: Bothrops atrox (caiçaca), espécie ocorrente nos estados do MT, AM, PA, MA,                                     ...
Figura 32: Bothrops neuwiedi (jararaca-pintada), espécie de ampla distribuição nasregiões Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-O...
REGIÃO NORDESTE                                                                      35Este material deve ser utilizado ap...
36Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a ...
REGIÃO SUDESTE                                                                      37Este material deve ser utilizado ape...
REGIÃO SUL                                                                      38Este material deve ser utilizado apenas ...
REGIÃO CENTRO-OESTE                                    -----------------FIM DO MANUAL-----------------                    ...
Bibliografia ConsultadaFUNASA. 2001. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por AnimaisPeçonhentos. Ministério da...
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  1. 1. Programa de Educação Continuada a Distância Manual de Acidentes por Serpentes PeçonhentasAluno: EAD - Educação a DistânciaParceria entre Portal Educação e Sites Associados
  2. 2. Manual de Acidentes por Serpentes Peçonhentas Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada, é proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na bibliografia consultada. 2Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  3. 3. SUMÁRIO 1. Mas afinal o que são animais peçonhentos? 2. Serpentes Peçonhentas (Acidentes ofídicos) 2.1 – Gênero Bothrops 2.2 - Gênero Lachesis 2.3 - Gênero Crotalus 2.4 - Gênero Micrurus 2.5 – Dicas para identificação de Serpentes Peçonhentas 2.6 - Estatísticas 2.7 – Prevenção 2.8 – Como proceder em caso de acidentes? 3. Outras Serpente Importantes 4. Telefones úteis 3Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  4. 4. 1. Mas afinal, o que são animais peçonhentos? Chamamos de peçonhentos, todos os animais que possuem veneno e acapacidade de inoculá-lo, ou seja, injetá-lo no corpo de sua vítima, podendo inclusivelevar sua vitima à morte devido à ação de seu veneno. Dessa forma, existem animais quesão venenosos, mas não são peçonhentos, pois não conseguem injetar seu veneno nasvítimas, como é o caso de algumas espécies de sapos. De uma forma geral, quando falamos em animais peçonhentos diretamentepensamos em serpentes. Neste manual, falaremos sobre as principais espécies deserpentes peçonhentas do Brasil, conhecendo aspectos referentes à morfologia,distribuição geográfica e medidas preventivas para evitar acidentes desta natureza. 2. Serpentes Peçonhentas No mundo existem cerca de 3.000 espécies de serpentes, das quais 321 podemser encontradas no território brasileiro, sendo que entre estas, apenas 36 sãoconsideradas peçonhentas (Marques et al. 2001). O maior número de acidentes comserpentes venenosas no Brasil envolve os gêneros Bothrops, Lachesis, Crotalus eMicrurus 2.1 – Gênero Bothrops Bothrops é um gênero de serpentes peçonhentas ocorrentes nas Américas Centrale do Sul. Membros deste gênero são os maiores responsáveis pelos acidentes ofídicosem todo o continente americano. 4Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  5. 5. No Brasil não poderia ser diferente. A maior parte dos acidentes ofídicos ocorrecom espécies pertencentes ao gênero Bothrops, que reúne as espécies popularmenteconhecidas como “jararacas”, “cotiara”, “jararacuçu”, urutus e etc. Trata-se de um gênero de ampla ocorrência em território brasileiro, com espéciesapresentando hábitos variados, tendo inclusive a capacidade de subirem em árvores paracapturar suas presas. Entre as espécies pertencentes ao gênero Bothrops estão: B.jararaca, B. jararacussu e B. alternatus. 2.1.1 – Bothrops jararaca WIED, 1824 “jararaca”, “jararaca-da-mata” Espécie ocorrente nas regiões Nordeste (BA), Sudeste (MG, ES, RJ e SP), Centro-Oeste (MS) e Sul (PR, SC e RS) (Figura 1). Ativa durante a noite, apresentando em médiaentre 100 e 200 gramas, com indivíduos adultos podendo chegar a um metro decomprimento. Seu comportamento de defesa inclui dar botes e se enrolar escondendo acabeça entre seu corpo (Marques et al. 2001). Possui uma coloração variada, apresentando ao longo de seu corpo pequenasmanchas, de forma semelhante à letra “V” de forma invertida (Figura 1). Figura 1: Mapa de ocorrência (esquerda) e imagem de Bothrops jararaca. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). 5Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  6. 6. Pode ocorrer tanto no ambiente rural como em centros urbanos. Habitualmente,alimenta-se de pequenos roedores, sendo que geralmente terrenos baldios e junção deentulhos em pátios podem contribuir para a ocorrência de roedores e conseqüentementedestas serpentes. É a espécie de serpente que mais causa acidentes ofídicos, sendo que geralmenteataca quando se sente muito acuada, já que na maior parte das vezes procura se afastarquando uma pessoa se aproxima. Além do Brasil, esta espécie também é encontrada na região nordeste do Paraguaie nordeste da Argentina, na província de Misiones. 2.1.2 – Bothrops jararacussu LACERDA, 1884 “jararacuçu” Espécie ocorrente nas regiões Centro-Oeste (MS), Sudeste (MG, ES, RJ e SP) eSul (PR e SC) (Figura 2). Ativa tanto durante o dia quanto durante a noite, pesando maisque 250 gramas, com indivíduos adultos chegando algumas vezes a atingir dois metrosde comprimento. Seu comportamento de defesa inclui a vibração da cauda, além de darrepetidos botes. Alimenta-se de pequeno vertebrados como ratos e sapos. Possui uma coloraçãovariada, desde tons páleos até tons mais escuros. Apresenta manchas em seu corpo, quelembram, àquelas observadas em B. jararaca (Figura 2). A espécie apresenta dimorfismo sexual, já que as fêmeas apresentam maiorestamanhos médios que os machos, além de diferentes padrões de coloração, sendo elaamarelada e ele cinza (Wikipédia, 2008). Outro aspecto que chama a atenção é aquantidade considerável de veneno que são capazes de injetar. Os adultos alimentam-sede roedores pequenos, enquanto que os mais jovens têm nos pequenos lagartos eanfíbios seu prato principal. A ninhada geralmente se dá no início da estação chuvosa (16a 20 filhotes). Além do Brasil, esta espécie também é encontrada no Paraguai, sudeste da Bolíviae nordeste da Argentina, na província de Misiones. 6Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  7. 7. Figura 2: Mapa de ocorrência (esquerda) e imagem de Bothrops jararacussu. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). 2.1.3 – Bothrops alternatus DUMÉRIL & BIBRON, 1854 “urutu”, “cruzeira” Espécie ocorrente nas regiões Centro-Oeste (GO, MS), Sudeste (MG, SP) e Sul(PR, SC, RS) (Figura 3). Assim como a grande maioria das espécies pertencentes aogênero Bothrops, B. alternatus apresenta hábitos diurno e noturno. Existem muitos relatosde indivíduos observados que apresentavam mais de 2 m de comprimento, embora omaior registro comprovadamente efetuado fora 169 cm (Wikipedia, 2008). O padrão de marcas característico torna esta espécie facilmente identificável. Osindivíduos que ocorrem no Brasil apresentam uma coloração escura com uma espécie de“V” invertido ao longo de todo o corpo, sendo estas marcas delimitadas por uma pequenalistra branca (Figura 3). Pouco se conhece acerca da biologia reprodutiva desta espécie na natureza.Registros de indivíduos em cativeiro reportam o nascimento de 3 a 12 filhotes porninhada. 7Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  8. 8. Figura 3: Mapa de ocorrência (esquerda) e imagem de Bothrops alternatus. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). 2.1.4 – Ação e Sintomas do veneno das jararacas nas vítimas O veneno das jararacas possui ação proteolítica (edema local), hemorrágica ecoagulante. Os principais sintomas observados nas vítimas são além da dor, inchaço nolocal da picada (edema), formação de bolhas (processo conhecido como equimose) enecrose celular. Em casos extremas, pode ocorrer o óbito causado por insuficiência renal.Além disso, secundariamente podem ocorrer infecções ocasionadas pelas bactérias quehabitam a boca das jararacas. Nas figuras a seguir podemos observar os efeitos de acidentes envolvendoespécies pertencentes ao gênero Bothrops (Figuras 4, 5, 6 e 7). Cabe ainda ressaltar que existe uma diferença entre a ação do veneno dos filhotese dos indivíduos adultos. No primeiro caso observa-se uma ação anti-coagulanteenquanto que para os adultos, a ação mais comum é a lesão tecidual (proteolítica). 8Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  9. 9. Figura 4: Sangramento no local da picada, já apresentando edema (Fonte IBAMA).Figura 5: Vítima de acidente botrópico já apresentando sinais de equimose (formação de bolhas) no braço direito (Fonte IBAMA). 9Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  10. 10. Figura 6: Vítima de acidente botrópico mostrando leve edema na mão direita. Figura 7: Vítima de acidente botrópico apresentando necrose muscular extensa e exposição óssea (Fonte IBAMA). 2.1.5 – Classificação dos acidentes botrópicos quanto à gravidade e soroterapia recomendada A seguir veremos os procedimentos recomendados de acordo com asmanifestações dos sintomas após a ocorrência do acidente botrópico (Tabela 1),salientando ainda que é sempre necessário buscar auxílio médico o quanto antespossível. 10Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  11. 11. Tabela 1: Classificação dos acidentes botrópicos quanto à gravidade e soroterapiarecomendada 2.2 – Gênero Lachesis Lachesis é um gênero de serpentes peçonhentas ocorrentes na América Central eAmérica do Sul. Este gênero é formado por três espécies, das quais apenas Lachesismuta é encontrada no território brasileiro. Esta espécie está representada no Brasil porduas subespécies: Lachesis muta muta – Amazônia e América Central Lachesis muta rhombeata – Mata Atlântica (RN até RJ) Sua ocorrência abrange áreas florestais da Amazônia, Mata Atlântica e enclaves deMatas Úmidas no Nordeste do Brasil. Ocorre em áreas adjacentes a campos e clareiras,onde a freqüência de roedores é maior. São popularmente conhecidas como surucucu pico-de-jaca, surucucu, malha-de-fogo e ainda surucutinga. Em especial, a maior parte dos acidentes envolvendo serpentesdo tem sido observada na região norte do Brasil. 11Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  12. 12. 2.2.1 – Lachesis muta LINNAEUS, 1766 “surucucu”, “surucucu pico-de-jaca”, “surucutinga” Espécie ocorrente nas regiões Norte (AC, AM, AM, PA, RR, RO, TO), Centro-Oeste(MT), Nordeste (CE, PE, AL, SE, BA) e Sudeste (MG, RJ). Trata-se da maior serpentepeçonhenta do continente Americano, podendo atingir até 3,5 m de comprimento. Esta espécie é ativa preferencialmente durante a noite. Trata-se de uma serpenteque habita áreas florestais, o que torna rara a possibilidade de que seja avistada(Marques et al. 2001). Além disso, sua região natural de ocorrência possui baixadensidade de habitantes por km2 (Amazônia). Seu padrão de coloração, alternando manchas amarelas e pretas permite sua fácildistinção (Figura 8). Figura 8: Mapa de ocorrência (esquerda) e imagem de Lachesis muta. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). Sua alimentação, assim como para a maior parte das serpentes, inclui pequenosroedores e marsupiais. Durante o ataque, costuma dar o bote repetidas vezes e em casosextremos, para defesa, seu bote pode incluir também cabeçadas (Marques et al. 2001). 12Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  13. 13. Possui dentição solenóglifa, com dentes anteriores ocos. Quando se sente acuadacostuma vibrar a cauda repetidas vezes e esta geralmente corresponde a menos de 15%do comprimento de seu corpo. 2.2.2 – Ação e Sintomas do veneno de surucucu nas vítimas Alguns autores sugerem que esta espécie produz uma grande quantidade deveneno, considerado fraco quando comparado com o veneno de outras espécies. Aindaassim, para outros autores, não existe acurácia para que maiores conclusões acerca daintensidade do veneno possam ser obtidas. Quando picado por uma surucucu, a vítima apresenta diminuição na pressãoarterial, diminuição da freqüência cardíaca, alteração da visão, inchaço e dor no local dapicada, sangramentos na urina, gengiva e pele, diarréia, vômito e em casos maisextremos insuficiência renal. A espécie possui veneno de ação neurotóxica, com elevado potencial de letalidade.O soro que deve ser utilizado em caso de picada é o SAL/SABL – soro antilaquésico ou oantibotrópico-laquésico. A seguir veremos algumas figuras ilustrando os efeitos de acidentes envolvendosurucucus (Figuras 9 e 10). Figura 9: Vítima já apresentando necrose tecidual (Fonte IBAMA). 13Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  14. 14. Figura 10: Índio amazônico mostrando amputação de dedos dos pés e necrose tecidual na perna direita após acidente ofídico envolvendo surucucu (Fonte IBAMA). 2.3 – Gênero Crotalus Crotalus é um gênero de serpentes peçonhentas pertencentes â família Viperidae.O gênero reúne espécies terrestres, com bote veloz que em média atingeaproximadamente um terço do corpo do animal. Estima-se que este gênero seja composto por mais de 30 espécies. Um aspectointeressante sobre as cascavéis é que estas não se desprendem totalmente de sua peleantiga: a cada troca de pele, um pequeno pedaço permanece enrolado na ponta dacauda, como se fosse um anel. À medida que os anos vão passando, estes pequenopedaços ressecados de pele formam o que conhecemos por guizos, que emitem umbarulho bem característico, quando o animal está vibrando a cauda. Erroneamente estima-se a idade da cobra pelo número de anéis em seu chocalho.Na verdade este número representa quantas vezes aquele indivíduo trocou de pele. O 14Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  15. 15. som emitido pelo guizo tem como principal função advertir a presença da cascavel edessa forma afugentar possíveis predadores. A espécie que apresenta maior distribuição geográfica é Crotalus durisseus, únicarepresentante do gênero no Brasil. 2.3.1 – Crotalus durissus LINNAEUS, 1758 “cascavel”, “cascavel-de-quatro-ventas”, “boicininga”, “maracabóia”, “boiquira” Crotalus durissus é encontrada desde o México até a Argentina. Os machosatingem em média aproximadamente 1,5 m de comprimento, apresentando as fêmeasgeralmente um porte menor. Sua coloração é marcada por losangos escuros, dispostos verticalmente,margeados por uma tonalidade mais clara. O dorso da cauda é de cor escuraapresentando pequenas barras de mesmo tom, dispostas na vertical. O ventre é maisclaro (Figura 11). Com excessão da Floresta Amazônica (embora em áreas abertas sua presença játenha sido verificada) ocorre em praticamente em todo o território brasileiro, excetuandoainda a Zona da Mata e regiões litorâneas. Segundo Marques et al. (2001), a presença dacascavel em áreas de Mata Atlântica deve-se principalmente ao desmatamento, uma vezque trata-se de uma espécies de locais secos e de clima quente. Habitualmente, indivíduos de Crotalus durissus não têm o ataque como hábito,sendo que o fato de balançar a cauda é justamente uma estratégia para evitar oconfronto, que seja com um possível predador, quer seja com o ser humano. Osindivíduos adultos se alimentam de pequenos mamíferos e aves, enquanto que os jovenspreferencialmente se alimentam de lagartos. Esta serpente é responsável por aproximadamente 10% dos acidentes ofídicosdevidamente registrados para o Brasil (FUNASA, 2001). Esta espécie está representada no Brasil por cinco subespécies. A seguir sãolistadas as subespécies e suas respectivas regiões de ocorrência no Brasil. 15Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  16. 16. • Crotalus durissus terrificus – se distribui pelo Sul do Brasil, chegando em casos extremos até o MT, AM, RO e PA. • Crotalus durissus cascavella – serpente encontrada em áreas de caatinga, podendo atingir comprimento superior a 1,6 m. • Crotalus durissus collilineatus – ocorrente nos estados de SP, MS, MT, MG, DF e GO. • Crotalus durissus ruruima – encontrada no estado de RR, ocorrente em áreas de savana. Sobre esta variedade, chama a atenção o fato de que os soros anticrotálicos comerciais não são capazes de neutralizar a ação de seu veneno. • Crotalus durissus marajoensis – trata-se da sub-espécie menos conhecida, ocorrendo somente na Ilha de Marajó/PA, em áreas abertas.Figura 11: Crotalus durissus, chamando a atenção para o padrão de coloração (A) e para a cauda, mostrando o guizo ou chocalho (B). Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). 16Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  17. 17. 2.3.2 – Ação e Sintomas do veneno das cascavéis nas vítimas O veneno da Cascavel tem ação proteolítica, causando um edema no local dapicada. Além disso, a vítima pode apresentar visão dupla e aspecto de sonolência (Ptosepalpebral e face miastênica), língua prostrada (para fora da boca), a urina podeapresentar coloração escura e apresentar diminuição e até paralisação total de suaprodução, o que pode ser indicativo de insuficiência renal de caráter agudo. Além disso, o veneno da cascavel possui cerca de 60% de uma proteína chamadade crotoxina. Esta proteína quando entra no corpo da vítima inibe gradualmente amovimentação muscular, e caso não haja tratamento adequado em tempo hábil (máximo6 horas após a picada) a vítima pode parar de respirar. Nas figuras a seguir podemos observar os efeitos de acidentes envolvendoCrotalus durissus (Figuras 12 e 13).Figura 12: Indivíduo apresentando ptose palpebral (A) e face miastênica (B) após acidente ofídico envolvendo Crotalus durissus. Fonte: IBAMA. 17Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  18. 18. Figura 13: Vítima de acidente crotálico apresentando leve edema na mão direita (Fonte: IBAMA). 2.4 – Gênero Micrurus No continente americano a família Elapidae está formada por 61 espécies, dasquais 57 pertencem ao gênero Micrurus (Serafim et al., 2007). Este gênero distribui-sedesde o sul dos Estados Unidos até a Argentina (Melgarejo, 2003). No Brasil até opresente momento foram registradas 22 espécies pertencentes à família Elapidae. O gênero Micrurus compreende 18 espécies, apresentando porte de pequeno amédio, com indivíduos me geral não ultrapassando 1 metro de comprimento.Caracteristicamente apresentam ao longo do corpo anéis vermelhos, pretos e brancos emcombinações variadas. Na Amazônia e limites, já foram encontradas corais de cormarrom-escura, apresentado em seu ventre manchas avermelhadas. No gênero Micrurus observa-se dois grupos distintos, separados pelo padrão dedistribuição dos anéis bem como por características morfológicas (Serafim et al., 2007). Entre as espécies ocorrentes no território brasileiro, a maior parte dos acidentesenvolvendo o gênero Micrurus é verificada para Micrurus corallinus e Micrurus frontalis. 18Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  19. 19. 2.4.1. Micrurus corallinus MERREM, 1820 “cobra-coral”, “coral-verdadeira”, “ibiboboca”, “boicorá” Micrurus corallinus é uma espécie ocorrente nas regiões Centro-Oeste (MS),Sudeste (MG, ES, RJ, SP) e Sul (PR, SC, RS) do Brasil. Trata-se de uma espécie comhábitos diurnos, com comprimento variando entre 50 centímetros e 1 metro. Trata-se deuma serpente comum, com grandes chances de visualização. Sua coloração é marcada por anéis pretos margeados por anéis brancos de menorespessura, e também por vermelho marcante entre os anéis (Figura 14). Trata-se de uma serpente pouco agressiva que somente ataca quando se sentiracuada. Apresenta como estratégia de defesa, o hábito de enrolar-se para esconder acabeça, pode mudar repentinamente de postura e dificilmente se arma para dar o bote(Marques et al. 2001). Possui cauda curta, que corresponde em média a 15% de seucomprimento total. Caracteristicamente vive no solo, escondendo-se sob a serapilheira, habitandoburacos e ocos em troncos caídos e árvores, preferencialmente em ambientes florestais epróximas a cursos d’água. Figura 14: Mapa de ocorrência e imagem de Micrurus corallinus. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). 19Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  20. 20. Um aspecto que chama a atenção sobre as cobras-corais é que estas possuemdentição proteróglifa, ou seja, está situada na porção anterior da boca (Figura 15). Issosignifica que ao invés de picar esta espécie morde suas presas, sendo o mesmoverdadeiro para Micrurus frontalis. Figura 15: Detalhe de cabeça mostrando serpente com dentição proteróglifa, indicando com a seta dentição por onde o veneno é injetado nas vítimas. 2.4.2 – Micrurus frontalis BIBRON & DUMÉRIL, 1854 “cobra-coral”, “coral”, “boicorá” Micrurus frontalis é uma espécie que no Brasil é encontrada nas regiões Norte (sulde TO), Centro-Oeste (MT, MS, GO, DF), Nordeste (Oeste da BA), Sudeste (MG, SP, RJ),e Sul (PR, SC, RS). Trata-se de uma espécie com hábitos diurnos, sendo encontradaprincipalmente em áreas abertas, como campo e cerrados. Sua coloração é marcada por anéis brancos, ladeados por anéis pretos de mesmaespessura, sendo que entre estes se observa também um vermelho marcante,característico das serpentes popularmente conhecidas como corais (Figura 16). Trata-se de uma serpente pouco agressiva, sendo que a maior parte dos acidentesenvolvendo esta espécie ocorrem quando se tenta manuseá-la, em geral por pessoassem experiência. Da mesma forma que Micrurus corallinus sua dentição é proteróglifa(Figura 15), o que faz com que tenha que morder suas vítimas ao invés de picá-las. 20Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  21. 21. Figura 16: Mapa de ocorrência e imagem de Micrurus frontalis. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). O comportamento desta espécie chama a atenção pelo fato de que quandomolestada, instintivamente enrola-se e esconde a sua cabeça, levantando e enrolando acauda para distrair quem a ameaça, passando a impressão que sua cabeça que realizatal movimento. Espécie de hábito subterrâneo, sendo encontrada também entre o folhiço,habitando troncos em estado de decomposição, sendo observada também entre pedras eraízes. Em todo o território brasileiro ocorrem serpentes não-peçonhentas que apresentampadrão de coloração similar ao das corais verdadeiras, porem estas espécies nãoapresentam dentes inoculadores. Também é possível, em alguns casos, diferenciá-laspela configuração dos anéis, que nas falsas-corais não envolvem a circunferênciacorporal de forma completa. 21Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  22. 22. 2.4.3 - Ação e Sintomas do veneno das corais nas vítimas Caracteristicamente observa-se que no local onde ocorreu a picada não se observanenhuma alteração acentuada. As vítimas em geral apresentam visão-dupla ou borrada,aspecto sonolento (face miastênica) e pálpebras caídas. Em casos extremos pode seobservar nas vítimas insuficiência respiratória e salivação. O soro antiofídico utilizado em caso de acidentes envolvendo corais verdadeiras éo soro antielapídico. Nas figuras a seguir podemos observar os efeitos de acidentes envolvendo vítimasde acidentes com cobras corais (Figuras 17 e 18). Figura 17: Indivíduos picados por cobra-coral apresentando face miastênica. Fonte IBAMA. Figura 18: Indivíduo apresentando pequeno edema no local de ocorrência de acidente ofídico envolvendo Micrurus corallinus. Fonte: IBAMA. 22Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  23. 23. Existem ainda outras espécies de serpentes peçonhentas pertencentes ao gêneroMicrurus com as quais se observam acidentes ofídicos (Figura 19). Figura 19: Outras espécies de cobra coral com as quais se verificam acidentes ofídicos: A) Micrurus leminiscatus; B) Micrurus spixii e C) Micrurus ibiboboca. Fonte: Adaptado de FUNASA (2001). 2.5 – Dicas para a identificação de Serpentes Peçonhentas As Serpentes Peçonhentas apresentam algumas características que permitem quesejam até de certa forma, facilmente distinguidas das espécies não-peçonhentas.Veremos a seguir quais características são estas:a) Fosseta Loreal A fosseta loreal é um órgão é um órgão termorreceptor, se caracterizando comoum pequeno orifício entre a narina e os olhos das serpentes peçonhentas (Figura 20). Apresença desta estrutura indica seguramente que trata-se de uma serpente peçonhenta,sendo observada nos gêneros Bothrops, Lachesis e Crotalus. 23Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  24. 24. Figura 20: Seta indicando a fosseta loreal em uma serpente pertencente ao gênero Bothrops.b) Cauda De uma forma geral, observa-se que nas serpentes peçonhentas o afilamento dacauda ocorre de maneira abrupta ao contrário das serpentes não-peçonhentas, cujacauda possui um padrão gradual de afilamento. Através da cauda, é possível ainda fazer a distinção entre os três principaisgêneros de serpentes peçonhentas, como veremos na figura a seguir (Figura 21). Figura 21: Distinção entre o formato da cauda nos três principais gêneros de serpentespeçonhentas do Brasil: Bothrops (jararacas), Crotalus (cascavéis) e Lachesis (surucucus). 24Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  25. 25. c) Outras dicas importantes Serpentes peçonhentas possuem a cabeça de forma triangular, bem destacada docorpo, o que não acontece com as serpentes inofensivas. Serpentes não peçonhentas possuem pupilas grandes e arredondadas. Já asserpentes venenosas possuem olhos pequenos e pupilas em forma de fenda. A cobra-coral (Micrurus spp.), apesar de ser uma serpente peçonhenta, possuitodas as características de uma serpente não-peçonhenta, como ausência de fossetaloreal e pupila em forma de fenda. Entretanto, seu típico padrão de coloração permite suafácil identificação, como podemos observar na figura a seguir (Figura 22). Figura 22: Cobra-coral, apresentando típico padrão de listras ao longo do corpo. 2.6 – Estatísticas Estima-se que anualmente sejam notificados aproximadamente 100.000 casos deacidentes ofídicos no Brasil (Brasil, 2001). Entre as regiões brasileiras, o maior coeficientede incidência é verificado para a região Centro-Oeste, conforme se observa na tabela aseguir (Tabela 1): 25Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  26. 26. Tabela 1: Coeficiente de ocorrência de acidentes com serpentes peçonhentas (por100.000 habitantes), de 1990 a 1993*. Região 1990 1991 1992 1993 Brasil 13,78 13,30 14,08 13,94 Norte 24,44 23,23 23,77 25,89 Nordeste 6,77 6,71 6,23 7,65 Centro-Oeste 34,75 28,36 37,98 32,13 Sudeste 13,15 13,24 12,92 12,34 Sul 15,35 15,11 17,52 16,83* Dados mais atualizados disponibilizados pela FUNASA (2001). Ainda assim, levando em conta o tamanho das populações nas diferentes regiõesdo Brasil, verifica-se que o maior número exato de acidentes ofídicos ocorre na regiãoSudeste, que por sua vez é a região mais populosa do país (Figura 23). Figura 23: Participação de cada região no percentual total de acidentes ofídicos verificados no Brasil. Fonte: FUNASA (2001). De uma forma geral, cerca de 80% das picadas promovidas por serpentespeçonhentas em seres-humanos, atinge os pés e pernas abaixo dos joelhos, enquanto 26Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  27. 27. que o restante concentra-se nos braços e mãos. De uma forma geral, verifica-se quejustamente em meses nos quais se observa um aumento nas atividades humanasrelacionadas com o campo. Isso faz com que nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste amaior concentração de acidentes ofídicos se observe entre os meses de setembro amarço, enquanto que no nordeste os acidentes aumentam entre janeiro e maio e naregião norte ocorrem de forma uniforme ao longo do ano (Funasa, 2001). Cerca de 70% dos acidentes envolvendo serpentes peçonhentas, ocorre com ogênero Bothrops, ou seja, as serpentes popularmente conhecidas como jararacas. Poucos são os casos em que uma picada de cobra pode levar ao óbito do atingido.No período entre os anos de 1990 e 1993, o percentual de mortes envolvendo pessoaspicadas por serpentes peçonhentas foi inferior a 1%. Entretanto, chama a atenção o fatode que o maior índice de óbitos fora observado para os acidentes envolvendo cascavéis(Crotalus). Na maior parte dos óbitos, entre a ocorrência da picada e o atendimentodecorreram mais de 6 horas. 2.7 – Prevenindo acidentes com Serpentes Peçonhentas Como bem sabemos, a maior parte dos acidentes ofídicos ocorre em áreas rurais.Embora poucas pessoas saibam disso, nem mesmo os proprietários rurais, conformeestabelecido na Norma Reguladora Rural n° 4, todo funcionário rural tem direito a receberproteção para as pernas, braços, mãos e pés, sendo dever do empregador oferecer taisequipamentos gratuitamente para os seus empregados. Existem alguns cuidados que devem ser tomados e que podem contribuirsignificativamente para a redução de acidentes envolvendo serpentes peçonhentas: Utilize somente botas de cano longo ou senão botinas protegendo as pernas com perneiras. Luvas de raspa devem proteger as mãos e mangas de proteção devem proteger os braços (Figura 24); 27Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  28. 28. Figura 24: Ilustração sobre equipamentos de proteção adequados para o trabalho em zonas rurais. Fonte: FUNASA (2001). Segundo dados disponibilizados pela FUNASA (2001), como a maior parte dos acidentes ofídicos ocorrem nas pernas, o uso de botas pode reduzir até 80% destes acidentes. Para se ter idéia, o uso de sapatos já promove redução estimada em 30% no número de acidentes. Manter o entorno da residência sempre limpo, sem entulhos, por exemplo, contribui para evitar a presença de serpentes nos arredores das moradias, uma vez que evitam a aproximação de ratos, a alimentação preferida das serpentes. Antes de remexer qualquer monte de folhas em algum buraco, entre pedras, ocos situados em troncos, devemos sempre utilizar o pedaço de madeira ou graveto antes de qualquer 28Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  29. 29. procedimento, o que contribui muito para evitar acidentes (Figura 25). Figura 25: Antes de mexer em qualquer lugar, “cutuque” com um galho antes. (Fonte: FUNASA (2001). Frestas sob portas, vãos em janelas e principalmente em muros devem sempre ser tapados. Jamais tente manusear uma serpente se você não tiver prática. Devemos sempre entender que as serpentes desempenham importante papel no equilíbrio dos ecossistemas. Por isso, jamais agrida uma serpente se esta não estiver realmente incomodando. Caso você esteja no campo e encontrar alguma serpente, procure não fazer nada, pois a tendência é que ela siga os eu caminha naturalmente. 2.8 – Como proceder em caso de acidente envolvendo uma serpente peçonhenta Mesmo sendo uma pessoa prevenida e tendo tomado todos os cuidadosnecessários para se evitar qualquer acidente ofídico, acidentes podem acontecer. Emcaso da ocorrência de um acidente envolvendo serpentes peçonhentas, devem-se tomaros seguintes cuidados: 29Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  30. 30. Jamais amarre a perna ou braço onde ocorreu a picada. Embora muito difundido popularmente, o torniquete (conhecido também como garrote) dificulta a circulação, o que por sua vez pode ocasionar necrose ou gangrena e mesmo assim, não impede de maneira alguma que o veneno seja absorvido (Figura 26).Figura 26: Embora a prática do torniquete seja muito difundida, não é aconselhável que se efetua tal procedimento em caso de acidente ofídico. Fonte: FUNASA (2001). Algumas pessoas acreditam que realizar pequenos cortes no entorno da região atingida durante a picada, poderá fazer com que o veneno seja retirado. Na verdade, estes cortes poderão provocar em casos extremos até hemorragia e o veneno de maneira alguma será eliminado através destes cortes (Figura 27). Também de nada adiantará sugar o local da picada, uma vez que é totalmente impossível retirar o veneno através de tal procedimento. A sucção pode piorar o local da picada, 30Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  31. 31. promovendo aumento do edema. Não coloque pó de café, querosene, terra ou qualquer outra substância sobre o local da picada. Figura 27: Realizar pequenos cortes no entorno do local da picada, não ameniza a ação do veneno. Fonte IBAMA. Não de nada para o acidentado beber. Apenas deixe-o em repouso e mantenha a parte atingida o mais elevada possível. Dessa forma, a circulação será menos intensa no local da picada e quanto mais calma a vítima estiver, mais devagar o veneno irá circular pelo seu corpo (Figura 28). Figura 28: Mantenha o membro atingido pela picada o mais elevado possível. Fonte: FUNASA (2001). 31Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  32. 32. Leve o acidentado o quanto antes para o Posto de Saúde mais próximo do local do acidente. Caso você não tenha certeza qual espécie picou o acidentado, uma alternativa seria levar a cobra até o posto, de preferência morta, uma vez que o soro deve ser específico para a espécie que o picou. 3. Outras serpentes importantes Além das espécies que estudamos ao longo deste manual,existem outras espécies que habitam matas, campos e florestas detodo o Brasil e que apresentam riscos em caso de ocorrência deacidente ofídico. A seguir apresentamos algumas imagens (Figuras 29, 30, 31 e 32) destas espéciese que podem auxiliar em sua correta identificação, quando necessário. Figura 29: Bothrops moojeni (caiçaca), espécie ocorrente nos estados do MS, PR, SP. GO, DF, MG, TO e MA. Fonte: FUNASA (2001). 32Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  33. 33. Figura 30: Bothrops atrox (caiçaca), espécie ocorrente nos estados do MT, AM, PA, MA, AP, AC, RO e RR. Fonte: FUNASA (2001).Figura 31: Bothrops erythromelas (jararaca da seca), espécie ocorrente especialmente emáreas de Caatinga, nos estados do PI, CE, RN, PB, PE, SE, Al, BA e MG. Fonte: FUNASA (2001). 33Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  34. 34. Figura 32: Bothrops neuwiedi (jararaca-pintada), espécie de ampla distribuição nasregiões Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e na região Norte encontrada nos estados do TO, PA, RO e AM. Fonte: FUNASA (2001). 4. Telefones Úteis Como vimos o primeiro procedimento em caso de acidente ofídicoenvolvendo serpentes peçonhentas, é conduzir a vítima até o Posto de Saúde ou Hospitalmais próximo. Maiores informações podem ser obtidas nos seguintes endereços (Fonte:FUNASA (2001): REGIÃO NORTE 34Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  35. 35. REGIÃO NORDESTE 35Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  36. 36. 36Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  37. 37. REGIÃO SUDESTE 37Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  38. 38. REGIÃO SUL 38Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  39. 39. REGIÃO CENTRO-OESTE -----------------FIM DO MANUAL----------------- 39Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
  40. 40. Bibliografia ConsultadaFUNASA. 2001. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por AnimaisPeçonhentos. Ministério da Saúde. 120 p.IBAMA. Acidentes por serpentes peçonhentas (Disponível em: www.ibama.gov.br /Acesso em 30/12/2008).Marques, O. A. V.; Eterovic, A. & Sazima, I. 2001. Serpentes da Mata Atlântica: GuiaIlustrado para a Serra do Mar. Ed. Holos. 185 p.Serafim, H.; Peccinini-Seale, D. M. & Batistic, R. F. 2007. Estudo cariotípico de duasserpentes brasileiras do gênero Micrurus (Ophidia, Elapidae). Biota Neotropica v. 7, n. 1(http://www.biotaneotropica.org.br/v7n1/pt/abstract?article+bn01607012007). 40Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

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