Animais peçonhentos

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Animais peçonhentos

  1. 1. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 1 SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE C.S.D.R.H. S.A.M.U. – SP CURSO DE RESGATE E EMERGÊNCIAS MÉDICAS PARA BOMBEIROS ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS I. OBJETIVOS 1. Conhecer as variedades de acidentes com animais peçonhentos 2. Conhecer a incidência e as características particulares de cada tipo de acidente 3. Conhecer a morbidade, mortalidade dos acidentes com animais peçonhentos. 4. Conhecer a conduta diante de um acidente com animal peçonhento II. INTRODUÇÃO Entende-se por animais peçonhentos, aqueles que possuem veneno e aparelho especializado para inoculação do mesmo. Acidentes envolvendo animais peçonhentos ocorrem em todo o país. Algumas cidades apresentam concentração maior de determinados acidentes pela prevalência de uma espécie na região, como é o caso de Curitiba, com mais de 2.000 casos/ano de picada por aranha marrom. Estatísticas de Belo Horizonte, Minas Gerais, num período de três anos (1995-1997) mostram 515 casos de ofidismo (sendo 241 por serpentes peçonhentas e 274 por não peçonhentas); 2.370 casos de escorpionismo; 491 de araneísmo; 244 casos de acidentes por abelhas e 469 de erucismo este estudo foi realizado no Hospital João XXIII. Acredita-se que estes números não representam a realidade, devido a subnotificação, principalmente nas localidades do interior, onde costumam ser tratados por leigos em suas próprias casas, às vezes com resultados desastrosos. III. OFIDISMO A. DEFINIÇÃO: Acidentes causados por serpentes B. ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Dentre os acidentes por animais peçonhentos, o ofidismo é o principal deles, pela sua freqüência e gravidade. Ocorre em todas as regiões e estados brasileiros e é um importante problema de saúde, quando não se institui a soroterapia de forma precoce e adequada.
  2. 2. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 2 C. AGENTES CAUSAIS: são quatro os gêneros de serpentes brasileiras de importância médica (Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus) compreendendo cerca de 60 espécies. Alguns critérios de identificação permitem reconhecer a maioria das serpentes peçonhentas brasileiras, distinguindo-as das não peçonhentas: As serpentes peçonhentas possuem dentes inoculadores de veneno, localizadas na região anterior do maxilar superior. Nas Micrurus (corais), essas presas são fixas e pequenas, podendo passar despercebidas. 19% 80% Cerca de 80% dos acidentes com serpentes atingem as partes do corpo localizadas abaixo dos joelhos e 19% atingem mão e antebraço Áglifa (A = ausência; Glifos = canal). Presença de dentes maciços, nenhum ligado a glândula de veneno. Opistóglifa (Opistós = posterior). Além dos dentes maciços, há um par de dentes sulcados, inoculadores de veneno, na região posterior da boca. Raramente mordem com os dentes de trás, estas serpentes fazem parte das não peçonhentas. Mas há casos de acidentes com inoculação de veneno através dos dentes posteriores. Proteróglifa (Protero = anterior). Presença de um par de dentes pequenos, bem sulcados e fixos na região anterior da boca. Solenóglifa (Soleno = móvel). Presença, na região anterior da boca, de um par de grande dentes móveis, semelhantes a agulha de injeção, que são projetados para frente no momento do bote inoculando veneno.
  3. 3. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 3 Presença de fosseta loreal - com exceção das corais, as serpentes peçonhentas têm entre a narina e o olho um orifício termo receptor, denominado fosseta loreal. Vista em posição frontal este animal apresentará quatro orifícios na região anterior da cabeça, o que justifica a denominação popular de "cobra de quatro ventas". As corais verdadeiras (Micrurus) são a exceção à regra acima referida, pois apresentam características externas iguais às das serpentes não peçonhentas (são desprovidas de fosseta loreal, apresentando coloração viva e brilhante). De modo geral, toda serpente com padrão de coloração que inclua anéis coloridos deve ser considerada perigosa. As serpentes não peçonhentas têm geralmente hábitos diurnos, vivem em todos os ambientes, particularmente próximos às coleções líquidas, têm coloração viva, brilhante e escamas lisas. São popularmente conhecidas por "cobras d'água", "cobra cipó", "cobra verde", dentre outras numerosas denominações. Estão relacionadas, abaixo, as espécies consideradas de maior importância médico sanitária, em face do número ou da gravidade dos acidentes que provocam nas diversas regiões do país. Ø GRUPO BOTRÓPICO: apresentam cabeça triangular, fosseta loreal, cauda lisa e presa inoculadora de veneno. MFUNAS Fosseta Loreal
  4. 4. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 4 Serpentes do Grupo Botrópico de importância médica NOME CIENTÍFICO NOMES POPULARES DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA B. alternatus (1) Urutu Urutu-cruzeira Cruzeira RS, SC, PR, SP, MS e MG. B. atrox (2) Surucucurana Jararaca-do-norte Combóia Jararaca-do-rabo- branco AC, AM, RR, PA, AP, MA, RO, TO, CE e MT (áreas de floresta). B. erythromelas (3) Jararaca-da-seca PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA e MG (áreas xerófitas/caatinga). B. jararaca (4) Jararaca Jararaca-do-rabo- branco BA, MG, ES, RJ, SP, PR, SC e RS. B. jararacuçu (5) Jararacuçu BA, ES, RJ, SP, PR, MG, MT e SC. B. leucurus (6) BA B. moojeni (7) Jararacão Jararaca Caiçaca PI, TO, DF, GO, MG, SP, MT, MS e PR. B. neuwiedi (8) Jararaca-pintada Em todo o país, exceto Amazônia. (1)Poucos relatos de casos. Acidentes graves. (2)Até o presente, é a espécie responsável pela maioria dos registros de acidentes na Amazônia. (3)Os distúrbios de coagulação são as manifestações mais comumente registradas. Acidentes com poucas alterações locais, geralmente benignos. (4)Principal agente causal nos estados de MG, ES, RJ e SP. Casos graves ou óbitos são pouco freqüentes. (5)Acidentes relatados, principalmente em SC. Acidentes graves com casos fatais. (6)Causa freqüente de acidentes atendidos na cidade de Salvador, BA. (7)Responsável pela maioria dos registros de acidentes no oeste de SP, oeste de MG e dos atendimentos em Goiânia/GO. (8)Amplamente distribuída pelo território nacional, com exceção da Amazônia. Acidentes geralmente com bom prognóstico.
  5. 5. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 5 Ø GRUPO CROTÁLICO: cabeça triangular, presença de fosseta loreal, cauda com chocalho (guizo) e presa inoculadora de veneno. Serpentes do Grupo Crotálico de Importância Médica NOME CIENTÍFICO NOMES POPULARES DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Crotalus durissus (1) Cascavel Maracambóia Boicininga Em todo o país, exceto áreas florestais e zona litorânea (2). (1)Há cinco subespécies de cascavéis no país. Os acidentes caracterizam-se pela sintomatologia sistêmica exuberante, com poucas manifestações locais. (2)Dados recentes relatam C. durissus no litoral da Bahia. Ø GRUPO LAQUÉTICO: grande porte, cabeça triangular, fosseta loreal e cauda com escamas arrepiadas e presa inoculadora de veneno.
  6. 6. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 6 Serpentes do Grupo Laquético de Importância Médica NOME CIENTÍFICO NOMES POPULARES DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Lachesis muta Surucucu Surucucutinga Surucucu pico de jaca Malha de fogo Regiões Amazônica e Mata Atlântica Com duas subespécies, é a maior serpente peçonhenta das Américas. Poucos relatos de acidente onde o animal causador foi trazido para identificação. Existem semelhanças nos quadros clínicos entre os acidentes laquético e botrópico, com possibilidade de confusão diagnóstica entre eles. Estudos clínicos mais detalhados se fazem necessários para melhor caracterizar o acidente laquético. Ø GRUPO ELAPÍDICO: desprovidas de fosseta loreal, com cabeça arredondada e presa inoculadora de veneno. A característica fundamental no reconhecimento desse grupo é o padrão de coloração, com combinações diversas de anéis vermelhos, pretos e brancos. Deve-se considerar que existem serpentes com desenhos semelhantes aos das corais, mas que não possuem presa inoculadora. Há ainda, na Amazônia, corais verdadeiras com cor marrom escura, quase negra e ventre avermelhado. Serpentes do Grupo Elapídico de importância médica NOME CIENTÍFICO NOMES POPULARES DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA M. corallinus Coral Boicorá BA, ES, RJ, SP, MS, PR, SC e RS. M. frontalis Coral MT, MS, GO, BA, MG, SP, PR, SC, RS, DF M. ibiboboca Coral Ibiboboca MA, PI, CE, RN, PB, PE, SE, AL, BA e MG.
  7. 7. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 7 NOME CIENTÍFICO NOMES POPULARES DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA M. lemniscatus Coral AM, PA, RR, AP, MA, RN, AL, PE, BA, GO, MG, MT, MS, RJ e SP. M. surinamensis Coral Coral aquática AM, PA, RR, AP, MA, AC e RO. M. spixii Coral AM, PA, MA, RO, MT e AC. Esse grupo compreende 18 espécies, distribuídas amplamente pelas diferentes regiões do país. A M. corallinus é a que tem causado maior número de acidentes, dentre os poucos casos registrados em SC e SP. Na Bahia, a maioria dos acidentes são devidos a M. ibiboboca. D. DISTRIBUIÇÃO, MORBIDADE, MORTALIDADE: a distribuição sazonal dos casos, embora apresente diferenças regionais mostra, para o país como um todo, incremento no número de casos no período de setembro a março. Sendo a maioria das notificações procedentes das regiões meridionais do país, a tendência detectada estaria relacionada, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ao aumento da atividade humana nos trabalhos do campo (preparo da terra, plantio e colheita) e da não utilização de equipamentos mínimos de proteção individual (calçados ou vestimenta adequados). Cerca de 75% dos casos notificados são atribuídos às serpentes do gênero Bothrops; 7% ao gênero Crotalus; 1,5% ao gênero Lachesis; 3% devidos às serpentes não peçonhentas e 0,5% provocados por Micrurus. Em aproximadamente 13% das notificações, não são especificados os gêneros das serpentes envolvidas nos acidentes. Cerca de 70% dos pacientes são do sexo masculino, o que é justificado pelo fato do homem desempenhar com mais freqüência atividades de trabalho fora da moradia, onde os acidentes ofídicos habitualmente ocorrem. Em aproximadamente 53% das notificações, a faixa etária acometida situou-se entre 15-49 anos, que corresponde ao grupo de idade onde se concentra a força de trabalho. O acometimento dos segmentos pé/perna em 70%, e mão/antebraço em 13% dos casos notificados, decorre da não utilização de equipamentos mínimos de proteção individual, tais como sapatos, botas, calças de uso comum e luvas. No Brasil são notificados anualmente cerca de 20.000 acidentes, com uma letalidade em torno de 0,43%. O acidente crotálico tem a pior evolução, apresentando o maior índice de letalidade. Os valores detectados para os diversos tipos de acidentes assim se distribuíram: Botrópico, 0,31%; Crotálico, 1,85%; Laquético, 0,95% e Elapídico, 0,36%. Em cerca de 19% dos óbitos não são informados os gêneros das serpentes envolvidas nos acidentes. Resumo dos Sinais e Sintomas dos Acidentes com Serpentes Sinais e Sintomas Serpentes peçonhentas Precoces Tardios Bothrops (jararaca, urutu, jararacuçu, cotiara e caiçara). Dor, edema, equimose, coagulação normal ou alterada, sangramento (gengivorragia). Bolhas, abscesso, necrose, oligúria, insuficiência renal aguda.
  8. 8. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 8 Sinais e Sintomas Serpentes peçonhentas Precoces Tardios Lachesis (surucucu, surucucu pico de jaca). Poucos casos estudados: semelhante ao acidente botrópico, acrescidos de sinais de excitação vagal (bradicardia, hipotensão arterial e diarréia). Crotalus (cascavel) Ptose palpebral, diplopia, turvação visual, oftalmoplegia, parastesia no local da picada, edema discreto, dor muscular generalizada, coagulação normal ou alterada. Urina avermelhada ou escura, oligúria, insuficiência renal. Micrurus (coral verdadeira) Acidentes raros, ptose palpebral, diplopia, oftalmoplegia, dor muscular generalizada, insuficiência respiratória aguda. E. ATENDIMENTO Realizar avaliação primária (A-B-C-D-E) Identificar e assistir possível dificuldade respiratória. Providenciar cuidados para o choque, aquecendo e monitorando os dados vitais. Manter a vítima calma e deitada Localizar a marca da mordedura e limpa-la com água e sabão Remover anéis, braceletes e outros objetos que possam fazer constrição no membro afetado. Imobilizar o membro mordido, com a aplicação de uma tala não rígida. Tente manter a área da mordida, no mesmo nível ou se possível abaixo do coração. Não fazer torniquete ou garrote Não cortar o local da picada. Não perfurar ao redor do local da picada. Não colocar folhas, pó de café ou qualquer coisa que contamine o local. Não oferecer alimentos, bebidas ou qualquer líquido tóxico para vítima. Se possível levar o animal para identificação. Não fazer uso de qualquer prática que retarde o atendimento médico. F. PREVENÇÃO DE ACIDENTES Usar botas de cano alto ou perneiras de couro. Usar luva de raspa para manipular folhas secas, lenha, entulho, etc. Não colocar as mãos em buracos ou tocas de animais. Cuidado ao revirar cupimzeiros. Fechar buracos nos muros, no chão ao lado das casas e frestas de portas. Evitar acúmulo de lixo, pedras, tijolos, telhas, madeiras e mato alto ao redor das casas. Preservar os predadores naturais das serpentes (coruja, gavião, seriema, cachorro do mato e gato do mato)
  9. 9. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 9 IV. ESCORPIONISMO A. DEFINIÇÃO: acidentes provocados por escorpiões. B. ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS São acidentes menos notificados que os ofídicos. Sua gravidade está relacionada à proporção entre quantidade de veneno injetado e massa corporal do indivíduo picado. C. AGENTES CAUSAIS: as principais espécies do gênero Tityus estão relacionadas na tabela abaixo: NOME CIENTÍFICO NOMES POPULARES DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA T. bahiensis Escorpião marrom MG, SP, PR, SC, RS, GO, MS T. cambridgei Escorpião preto AP, PA. T. costatus Escorpião MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS. T. fasciolatus Escorpião GO, DF. T. metuendus Escorpião AC, AM, PA, RO. T. serrulatus (1) Escorpião BA, MG, ES, RJ, SP, DF, GO, PR. T. silvestris Escorpião AC, AM, AP, PA T. stigmurus Escorpião BA, SE, AL, PE, PB, RN, CE, PI. (1) Espécie partenogenética, em expansão nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Responsável pelos acidentes de maior gravidade.
  10. 10. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 10 D. DISTRIBUIÇÃO, MORBIDADE, MORTALIDADE: são notificados anualmente 8000 acidentes, com uma letalidade variando em torno de 0,51%. Os acidentes com escorpiões são mais freqüentes entre os meses de setembro a dezembro. Ocorre uma discreta predominância no sexo masculino e a faixa etária de 25 a 49 anos é a mais conhecida. A maioria das picadas atinge os membros, havendo predominância do membro superior (mãos e dedos). E. ASPECTOS CLÍNICOS Nos acidentes escorpiônicos, têm sido relatadas manifestações locais e sistêmicas. Ø MANIFESTAÇÕES LOCAIS: caracteriza-se fundamentalmente por dor no local da picada, às vezes irradiada, sem alteração no estado geral. O tratamento sintomático para alívio da dor, feito através de analgésicos ou bloqueio local com anestésicos, consiste na principal medida terapêutica, que corresponde à maioria dos acidentes registrados no país. Ø MANIFESTAÇÕES SISTÊMICAS: menos freqüentes, caracterizam os acidentes como moderados ou graves. Além da dor local, alterações sistêmicas como hiper ou hipotensão arterial, arritmias cardíacas, tremores, agitação psicomotora, distúrbios respiratórios, vômitos e diarréia. O edema pulmonar agudo é a complicação mais temida. Nesses casos além do combate à dor e tratamento de suporte, está indicada a soroterapia. A gravidade no escorpionismo depende de fatores como a espécie e o tamanho do escorpião causador do acidente, da massa corporal do acidentado, da sensibilidade do paciente ao veneno, da quantidade de veneno inoculado e do retardo no atendimento. V. ARANEÍSMO Acidentes provocados por aranhas que ao picarem inoculam veneno. As aranhas, assim como os escorpiões são artrópodes pertencentes à classe Arachnida, caracterizados por possuírem cefalotórax, abdome e 4 pares de patas. A. ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E CLÍNICOS Ø AGENTES CAUSAIS: são três os gêneros de aranha de importância médica no Brasil. Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus, responsáveis por quadros clínicos distintos. FONEUTRISMO: Acidentes causados pela Phoneutria sp (Aranha Armadeira). Representam a forma de araneísmo mais freqüente em nosso país. É uma aranha grande, com pelos cinzentos pelo corpo e “espinhos” nas pernas, de comportamento bastante agressivo, armam o “bote” levantando as patas dianteiras e apoiando-se nas traseiras. Não fazem teias. Tityus stigmurusTityus bahiensisTityus serrulatus
  11. 11. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 11 LOXOSCELISMO: Acidentes causados pela Loxosceles sp, conhecida como Aranha Marrom. É pequena, sem pelos, de comportamento manso, arredio e de hábitos noturnos. Fazem teias irregulares e não atacam. Picam quando, ao se esconderem nas roupas, estão na iminência de serem esmagadas. São descritas duas variedades clínicas: Forma Cutânea: é a mais comum, caracterizando-se pelo aparecimento de lesão inflamatória no ponto da picada, que evolui para necrose e ulceração. Forma Cutâneo-Visceral: além da lesão cutânea os pacientes evoluem com hemólise (destruição dos eritrócitos), anemia, icterícia e hemoglobinúria. A insuficiência renal aguda é a complicação mais temida. O tratamento soroterápico está indicada nas duas formas clínicas do acidente por Loxosceles. Dependendo da evolução, outras medidas terapêuticas deverão ser tomadas. LATRODECTISMO: Acidente causado pela Latrodectus sp, conhecida com Viúva Negra ou Flamenguinha. É pequena, menos de 1 cm, com abdome redondo, volumoso e grande em relação ao cefalotórax. Pode apresentar mancha vermelha sobre o abdome, às vezes na forma de ampulheta. Vive nas matas litorâneas sobre e sob as folhas. Não são agressivas, mas seu veneno é extremamente perigoso. O quadro clínico é caracterizado por dor local intensa, eventualmente irradiada. Alterações sistêmicas como sudorese, contraturas musculares, hipertensão arterial e choque são registrados. Aranha de hábitos errantes. Habita em áreas florestadas, procurando refúgio sob troncos e rochas. Comum em plantio de bananas, abrigando-se entre as folhas e os cahos da bananeira. Esta adaptada à área urbana em ambiente domiciliar e peridomiciliar Habita em áreas florestadas, constroem suas teias sob cascas de árvores, folhas secas de palmeiras, em fendas de rochas e barrancos Habitam em vegetação rasteira, arbustos, sauveiros, cupinzeiros, fendas de barracos e mourões de madeira. Abrigam-se em beiral de telhados, portas, janela e no interior das moradias, sob os móveis
  12. 12. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 12 TIPO DE ANIMAL SINAIS E SINTOMAS ARANHAS Phoneutria (aranha armadeira) Dor local intensa, freqüentemente irradiada, edema discreto, eritema e sudorese local. Latrodectus (viúva negra, flamenguinha). Dor local intensa, irradiando-se para os gânglios regionais, contraturas musculares, fasciculação, opistótomo, rigidez da parede abdominal, trisma, sudorese, hipertensão arterial, taquicardia que evolui para bradicardia, priapismo. Casos graves: choque. Loxosceles (aranha marrom) Sinais e sintomas geralmente após 6-12 horas, cefaléia, febre, equimose no local da picada com eritema e edema duro, que pode evoluir com bolha e necrose local, deixando úlcera de contornos nítidos. Forma cutâneo-visceral: anemia, icterícia, hemoglobinúria (urina escura). TITYUS Tityus (escorpião amarelo, escorpião marrom, escorpião preto). Dor local intensa, freqüentemente irradiada, edema discreto e sudorese local. Casos graves: alterações cardiovasculares e edema agudo de pulmão. VI. CUIDADO DE SUPORTE BÁSICO DE VIDA PARA ARANHAS E ESCORPIÕES Realizar análise primária (ABCDE). Lavar o local da picada. Usar compressas mornas para o alívio da dor. Procurar o serviço médico mais próximo. Se possível levar o animal para identificação. VII. PREVENÇÃO DE ACIDENTES PARA ARANHAS E ESCORPIÕES Evitar acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e material de construção nas proximidades das casas. Evitar folhagens densas, plantas ornamentais, trepadeiras e outras junto a paredes e muros da casa. Limpar periodicamente os terrenos baldios junto das casas Sacudir roupas e sapatos antes de usa-los Não por as mãos em buracos, sobre pedras e troncos podre. Usar calçados e luvas de raspa para limpeza Vedar as soleiras das portas e janelas.
  13. 13. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 13 Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e o vão entre o forro e as paredes. Afastar as camas e berços das paredes, não pendurar roupas nas paredes, inspecionar sapatos e tênis antes de usa-los. Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos. Preservar os predadores naturais (coruja, lagarto, sapo, galinha e ganso). VIII. ACIDENTES COM ABELHAS Os acidentes com abelhas, gênero Apis, tornaram-se mais freqüentes a partir da década de 60, após a introdução em nosso meio das abelhas africanizadas (mestiças). Aspectos Clínicos Os acidentes com abelhas podem apresentar-se sob o aspecto clínico de três formas distintas: Acidente com uma ou poucas picadas em pessoa não sensibilizada: É o tipo de acidente mais comum. Evolui com forte dor no local da picada, acompanhado de eritema, edema e calor local. Não há manifestação sistêmica. Colocação de gelo no local pode ser suficiente para controlar os sintomas sem necessidade de intervenção médica. Acidente com uma ou mais picadas em pessoa sensibilizada: é uma situação gravíssima, pois a reação anafilática inicia-se em poucos minutos (e.g < 5min). Manifesta-se com edema de glote, broncoespasmo e choque anafilático levando à morte por asfixia. Necessita de cuidados médicos imediatos. Acidente com picadas múltiplas e simultâneas: ocorre no ataque de enxames. Considera- se potencialmente fatal cerca de 300 picadas para um adulto de 65 Kg. No entanto, os sintomas são proporcionais ao número de picadas e ao peso da vítima. Crianças pequenas (1 e 2 anos) podem ter manifestações graves ou mesmo fatais com trinta picadas simultâneas. Os sintomas são dor e prurido generalizados. O paciente pode apresentar-se agitado e evoluir para o torpor. Evolui com insuficiência respiratória por edema generalizado das vias aéreas, provocado pela Histamina, substância liberada por um dos componentes do veneno, necessitando muitas vezes intubação orotraqueal ou traqueostomia precoce. Outro efeito do veneno é a hemólise (destruição dos eritrócitos) levando à hemoglobinúria e conseqüente insuficiência renal. A. CONDUTA ESPECÍFICA: Não existe um soro específico contra o veneno de abelhas. A vítima deve ser imediatamente transportada ao hospital com especial atenção à permeabilidade das vias aéreas e oxigenoterapia. Pode ser necessário SAV (Suporte Avançado de Vida) no local. Os ferrões devem ser imediatamente retirados, mas NUNCA com os dedos. Cerca de 2/3 do veneno
  14. 14. ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS – S.A.M.U. - SP. 14 permanecem no interior da vesícula presa à base do ferrão, portanto, ao comprimi-la com os dedos para retirarmos o ferrão, acabamos por inocular mais veneno na vítima. Deve-se usar uma lâmina, tesoura delicada ou "gilete" para separar a vesícula do ferrão, e retirá-lo com pinça, segurando-o rente à pele. IX. ACIDENTES COM LAGARTAS (ERUCISMO) A lagarta, conhecida com taturana, apresenta substâncias tóxicas e irritantes à pele, na extremidade de seus “pelos”. Tais acidentes em geral são inofensivos e não necessitam maiores preocupações. No entanto, o gênero Lonomia, freqüente no Sul do País, está relacionado a acidentes graves provocados pelo contato com o veneno existente no pelo deste animal, que ao ser absorvido pela pele da vítima, leva à síndrome hemorrágica, com sangramentos espontâneos de órgãos internos, muitas vezes fatais. X. ACIDENTES COM LACRAIAS As lacraias ou centopéias são capazes de inocular veneno em suas presas, muitas vezes, em quantidade suficiente para matar um camundongo ou uma ave pequena. No entanto, no ser humano, este veneno provoca apenas dor moderada no local da inoculação, sem efeitos sistêmicos.

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