SlideShare uma empresa Scribd logo

Acidentes ofídicos 2008

1) O documento discute acidentes ofídicos causados por serpentes peçonhentas no Brasil, classificando-as em grupos como jararacas, cascavéis e surucucus. 2) As jararacas são responsáveis por 90% dos acidentes e seu veneno causa ações proteolítica, coagulante e hemorrágica. Os cascavéis têm veneno mais potente que causa efeitos miotóxicos, neurotóxicos e anticoagulantes. 3) Estima-se que acidentes of

1 de 7
Baixar para ler offline
REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e
Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel:
(0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.
Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral
ACIDENTES OFÍDICOS
PUZZI, Mariana Belucci
VICARIVENTO, Nathália Bruno
XAVIER, Ariana
POLIZER, Kassiane Aparecida
Acadêmicos do Curso de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça - SP
NEVES, Maria Francisca
SACCO, Soraya Regina
Docentes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça – SP
RESUMO
As serpentes podem ser classificadas em dois grupos básicos as peçonhentas, que são aquelas
que conseguem inocular seu veneno no corpo de uma presa ou vítima (através dentes
inoculadores bem desenvolvidos e móveis situados na porção anterior do maxilar) e as não
peçonhentas. Os gêneros Bothrops (jararacas) e Micrurus (corais), Crotalus (cascavéis) e as
Lachesis (surucucus) são considerados os mais importantes. A ocorrência do acidente ofídico
está, em geral, relacionada a fatores climáticos e aumento da atividade humana nos trabalhos no
campo.
Palavras- chave: serpentes, acidentes ofídicos, serpentes venenosas.
Tema central: Medicina Veterinária e Biologia.
ABSTRACT
The serpents can be classified in two basic groups: the poisonous, that they are those that obtain
to inoculate its poison in the body of a canine tooth or victim (through teeth situated well developed
and mobile inoculadores in the previous portion maxilar) and the non- poisonous. The sorts
Bothrops (jararacas) and Micrurus (choral), Crotalus (rattlesnakes) and the Lachesis (surucucus)
are considered the more important ones. Occurrence of the ofidics accident is, in general, related
the climatic factors and increase of the activity human being in the works in the field.
Keywords: serpents, ofidics accidents, poisonous serpents.
1. INTRODUÇÃO
As serpentes estão classificadas no Reino Animalia, Filo Chordata, Classe
Reptilia, Ordem Squamata e Subordem Ophidia existindo diversas famílias. A
Família Viperidae é constituída pelo gênero Bothrops (jararaca), Crotalus
(cascavel) e Lachesis (surucucu), a Família Elapidae pelo gênero Micrurus (cobra
REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e
Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel:
(0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.
Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral
coral) e a Família Colubridae pelos gêneros Philodryas (cobra verde) e Clelia
(cobra preta ou muçurana) (BUTANTAN, 2001)
Podem ser classificadas em dois grupos básicos as peçonhentas, que são
aquelas que conseguem inocular seu veneno, e as não peçonhentas, que são as
que produzem um veneno que aflora em sua cavidade bucal e atua na digestão
do alimento, mas não possuem presas inoculadoras para introduzir a peçonha na
vítima, como a jibóia, a sucuri, a dormideira, a caninana, a cobra-cipó, a boipeva,
ambas encontradas no Brasil, nos mais diferentes tipos de habitat, inclusive em
ambientes urbanos (FUNASA, 2001). Existem alguns critérios básicos para
distinguir serpentes peçonhentas de não peçonhentas. O primeiro deles é a
presença da fosseta loreal (órgão sensorial termorreceptor) encontrada nas
peçonhentas, exceto na Micrurus, tipo de cauda, que nas peçonhentas afina
rapidamente e por último é o tipo de dentição, que nas não peçonhentas, dois
tipos básicos são observados a dentição áglifa e opistóglifa e nas serpentes
peçonhentas, existe a dentição proteróglifa, típico das corais verdadeiras e a
dentição solenóglifa presentes na cascavel, jararaca, urutu e surucucu (FIOCRUZ,
2002).
A ocorrência de acidentes ofídicos está, em geral, relacionada a fatores
climáticos e ao aumento da atividade humana em trabalhos a campo, sendo que
os cães e gatos são mais acometidos no focinho, enquanto bovinos e eqüinos são
nos membros e abdômen (FUNASA, 2001). No Brasil, freqüência de acidentes
ofídicos nos animais domésticos é imprecisa, apesar da grande significância
econômica, e que embora não exista estimativa de acidentes e respectiva
mortalidade de bovinos por acidentes ofídicos, provavelmente em número
bastante elevado, muitos criadores de gado confirmam grande perda de bovinos
atribuída à picada de Crotalus ou de Bothrops. Estimando a população bovina em
torno de 100 milhões de cabeças, e aplicando o índice de 0,13%, o número de
animais mortos por envenenamento ofídico no Brasil seria de 130 mil cabeças por
ano (TOKARNIA e PEIXOTO, 2006).
REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e
Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel:
(0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.
Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral
2. REVISÃO DE LITERATURA
O gênero Bothrops está distribuído por todo o território nacional sendo
responsável por 90% dos acidentes. São conhecidas popularmente por jararaca,
jararacuçu, urutu-cruzeiro, caiçara, e outras denominações. Estas serpentes
habitam principalmente zonas rurais, preferindo ambientes úmidos e locais onde
haja facilidade para proliferação de roedores. Têm hábitos predominantemente
noturnos. Podem apresentar comportamento agressivo quando se sentem
ameaçadas, desferindo botes sem produzir ruídos (FUNASA, 2001).
As Jararacas possuem coloração variada com padrão de desenhos
semelhantes a um “V” invertido, o corpo é fino medindo aproximadamente um
metro de comprimento, a cauda é fina e lisa (BUTANTAN, 2001). A Urutu Cruzeiro
(Bothrops alternatus) possui coloração escura e possui manchas brancas laterais,
em forma de cruz. Encontrada em vegetação rasteira, perto de rios e lagos ou
plantações (FIOCRUZ, 2002). A Jararacuçu (Bothrops jararacussu) habita as
regiões Sul e Sudeste, de 1,8 metro, sendo considerada uma das maiores do
grupo da jararaca. A Cotiara (Bothrops fonsecai) é encontrada na Região
Sudeste, atinge até 90 cm e é encontrada em áreas altas com predomínio de
Araucária, na Serra da Mantiqueira (ARCOLINI, 2006).
O veneno das serpentes do gênero Bothrops atua de formas diferentes ao
penetrar no organismo animal podendo causar a ação proteolítica, a coagulante e
a hemorrágica (ARCOLINI, 2006). A ação proteolítica, possivelmente, decorre da
atividade de proteases, hialuronidases e fosfolipases, da liberação de mediadores
da resposta inflamatória, da ação das hemorraginas sobre o endotélio vascular e
da ação pró-coagulante do veneno (FUNASA, 2001).
A ação hemorrágica ocorre devido a uma alteração no fator X e a
protrombina. Essas ações produzem distúrbios da coagulação, caracterizados por
consumo dos seus fatores, podendo ocasionar incoagulabilidade e hemorragias
em diversos locais. A ação coagulante ocorre através do consumo do fibrinogênio
REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e
Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel:
(0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.
Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral
(substância que promove a coagulação do sangue), havendo deposição de
microcoágulos principalmente nos pulmões e rim (FUNASA, 2001).
A manifestação é caracterizada por dor e edema local de intenso a
ausente, gengivorragia, epistaxe e hematúria, equimoses, bolhas e necrose
podem aparecer em dias sucessivos, com ou sem alteração do Tempo de
Coagulação (ARCOLINI, 2006). As manifestações hemorrágicas são decorrentes
da ação das hemorraginas que provocam lesões na membrana basal dos
capilares, associadas à trombocitopenia e alterações da coagulação (MARQUES
et al, 2003).
As serpentes do gênero Crotalus distribuem-se de maneira irregular pelo
País. São conhecidas popularmente como cascavel, maracambóia e boicininga
sendo responsáveis por 9% dos acidentes. Apresentam cauda com chocalho
(guizo) e a coloração é marrom-amarelada. Habitam os campos abertos, regiões
secas e pedregosas e os pastos, exceto zona litorânea. Chegam a atingir na fase
adulta 1,6 m de comprimento (BUTANTAN, 2001). O veneno das cascavéis é
muito potente (seis vezes mais potente que o da jararaca) tendo ação miotóxica,
neurotóxica e anticoagulante, sendo os acidentes por essas cobras muito graves,
levando à morte caso não sejam tomadas providências (FUNASA, 2001).
A atividade miotóxica, devido a crotoxina, produz lesões no tecido muscular
esquelético levando à liberação de mioglobina para o sangue e mioglobinúria.
Observa-se dores musculares generalizadas (TOKARNIA & PEIXOTO, 2006). As
frações neurotóxicas (fundamentalmente a crotoxina) produzem efeitos no
sistema nervoso inibindo a liberação de acetilcolina causando as paralisias
motoras. Evidenciam-se ptose palpebral, visão turva ou diplopia (visão dupla)
(FUNASA, 2001).
A ação anticoagulante é derivada da fração do veneno do tipo trombina,
que ocasiona distúrbios na coagulação sanguínea. O sangue pode se apresentar
incoagulável pelo consumo do fibrinogênio (ETTINGER & FELDMAN, 1997).
Os valores elevados das enzimas séricas como creatinoquinase (CK),
aspartase amino transferase (AST) e transaminase glutâmico-pirúvica (TGP)
demonstram a intensidade da agressão ao tecido muscular esquelético. As causas
REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e
Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel:
(0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.
Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral
mais importantes da morte são a insuficiência respiratória aguda e o choque
(TOKARNIA & PEIXOTO, 2006). A mortalidade nos casos não tratados chega a 72%
e nos casos tratados a 12% (FUNASA, 2001).
As serpentes do gênero Lachesis são conhecidas popularmente como
surucucu e surucutinga, sendo os sinais clínicos parecidos com as serpentes do
gênero Bothrops. São encontradas nas florestas tropicais escuras e úmidas. É a
segunda maior serpente venenosa do mundo. Sua calda termina em uma vértebra
córnea em forma de espinho. Os desenhos triangulares do corpo destas serpentes
têm o vértice voltado para baixo (BUTANTAN, 2001).
O veneno da Lachesis possui ações proteolítica (necrosante), coagulante,
hemorrágica e neurotóxica. Provoca, no local da mordida, dor, edema firme,
equimose, rubor, bolhas hemorrágicas (ou não). As enzimas proteolíticas podem
induzir a liberação de substâncias vasoativas, tais como bradicinina e histamina, que
podem levar ao choque (TOKARNIA & PEIXOTO 2006).
A ação neurotóxica é de difícil interpretação fisiopatológica. A atividade
hemolítica se expressa sob a forma de hemoglobinúria. Este quadro evolui, quando
não tratado, para insuficiência renal aguda. Observa-se gengivorragia, epistaxe e
sangramento de olhos e ouvido, ausência ou presença de manifestações vagais
como diarréia, vomito, bradicardia, hipotensão ou choque. A mortalidade chega a
100% nos casos não tratados (FUNASA, 2001).
O gênero Micrurus são animais de pequeno a médio porte, com tamanho em
torno de 0,60 a 0,80 m de comprimento, conhecidos popularmente como cobra coral,
coral verdadeira ou boicorá. Apresentam anéis vermelhos, pretos e brancos em
qualquer tipo de combinação. As estatísticas nacionais revelam a baixa incidência de
acidentes por corais verdadeiras correspondendo a menos de 1% dos acidentes
(FUNASA, 2001).
A espécie Micrurus frontalis encontra-se em todo o continente Americano, não
possuem fosseta loreal e é um animal pouco agressivo. A peçonha é do tipo
neurotóxico, com os sintomas parecidos com os da cascavel, com a diferença de
também atacar o aparelho respiratório, causando a parada do diafragma, levando à
morte por asfixia (ETTINGER & FELDMAN, 1997).
REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e
Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel:
(0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.
Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral
Em geral, para o diagnóstico de acidente com serpentes deve-se avaliar as
manifestações clínicas e sistêmicas do animal picado e exames complementares.
Mordeduras por serpentes não peçonhentas podem ser tratadas lavando a ferida e
aplicando um anti-séptico (ETTINGER & FELDMAN, 1997). O tratamento
fundamental consiste na aplicação precoce, em dose adequada de soro antiofídico
polivalente por via endovenosa, o antibotrópico (contra jararaca), anticrotálico (contra
cascavel) e antilaquético (contra surucucu) (ETTINGER & FELDMAN, 1997).
Especial atenção deve ser dada à hidratação e à função renal, pois a
complicação temida é a insuficiência renal aguda. Se necessário, fazer uso de
diuréticos do tipo manitol a 20% ou furosemida por via endovenosa. O tratamento de
manifestações inespecíficas, como náuseas e vômitos, pode ser realizado com
antieméticos sendo recomendado também antibioticoterapia com penicilina. Em
casos de hemorragia intensa é indicado transfusão de plasma fresco. Para o
tratamento da insuficiência respiratória aguda pode-se utilizar neostigmina e
analgésicos como a dipirona em casos de dores musculares (FUNASA, 2001).
3. CONCLUSÃO
No Brasil, a freqüência de acidentes ofídicos nos animais domésticos é imprecisa,
apesar da grande significância econômica, e que embora não exista estimativa de
acidentes, os acidentes ofídicos fatais em bovinos são bem menos freqüentes do que
se acredita, isto é, sua importância vem sendo bastante superestimada, sendo assim,
há a necessidade de fornecimento de maiores informações sobre a epidemiologia dos
acidentes ofídicos na medicina veterinária, para uma melhor estimativa das causas
de sua ocorrência.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARCOLINI, T. Guia de animais brasileiros: Répteis e Peixes de água doce.
Editora: On-Line, ano I, n.2, p 22- 30, São Paulo, 2006.
ETTINGER, S.J.; FELDMAN,E.C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. Manole:
São Paulo, 4.ed, p. 459-460, 1997.

Recomendados

Acidentes ofídicos dr. paula bernades
Acidentes ofídicos dr. paula bernadesAcidentes ofídicos dr. paula bernades
Acidentes ofídicos dr. paula bernadesadrianomedico
 
Guia de campo animais peçonhentos
Guia de campo animais peçonhentosGuia de campo animais peçonhentos
Guia de campo animais peçonhentosEmerson Silva
 
Diversidade genética de toxoplasma gondii
Diversidade genética de toxoplasma gondiiDiversidade genética de toxoplasma gondii
Diversidade genética de toxoplasma gondiiRural Pecuária
 
2422010193955manual serpentes peconhentas
2422010193955manual serpentes peconhentas2422010193955manual serpentes peconhentas
2422010193955manual serpentes peconhentaskarol_ribeiro
 
Lobesia botrana (Lepidoptera: Tortricidae) em videira
Lobesia botrana (Lepidoptera: Tortricidae) em videiraLobesia botrana (Lepidoptera: Tortricidae) em videira
Lobesia botrana (Lepidoptera: Tortricidae) em videiraIzabella Menezes
 
Febre Maculosa
Febre MaculosaFebre Maculosa
Febre Maculosaecsette
 

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Mais procurados (17)

Especialidade de tubarões
Especialidade de tubarõesEspecialidade de tubarões
Especialidade de tubarões
 
Morcegos ana rita 5 f
Morcegos ana rita 5 fMorcegos ana rita 5 f
Morcegos ana rita 5 f
 
Actinomicose em bovino da raça angus na mesorregião
Actinomicose em bovino da raça angus na mesorregiãoActinomicose em bovino da raça angus na mesorregião
Actinomicose em bovino da raça angus na mesorregião
 
Artrópodes
ArtrópodesArtrópodes
Artrópodes
 
Ira No Ofidismo
Ira No OfidismoIra No Ofidismo
Ira No Ofidismo
 
Morcegos
MorcegosMorcegos
Morcegos
 
Artrópodes Exercícios
Artrópodes Exercícios Artrópodes Exercícios
Artrópodes Exercícios
 
Os animais peconhentos
Os animais peconhentosOs animais peconhentos
Os animais peconhentos
 
Bac, virus , fungi e protista
Bac, virus , fungi e protistaBac, virus , fungi e protista
Bac, virus , fungi e protista
 
Artigo bioterra v21_n1_05
Artigo bioterra v21_n1_05Artigo bioterra v21_n1_05
Artigo bioterra v21_n1_05
 
Reino animalia (metazoa)
Reino animalia (metazoa)Reino animalia (metazoa)
Reino animalia (metazoa)
 
Escorpiões
EscorpiõesEscorpiões
Escorpiões
 
15 corso, iracema 2006. como um punhal - pesquisa fapesp
15  corso, iracema 2006. como um punhal - pesquisa fapesp15  corso, iracema 2006. como um punhal - pesquisa fapesp
15 corso, iracema 2006. como um punhal - pesquisa fapesp
 
Protozoários sarcodina
Protozoários   sarcodinaProtozoários   sarcodina
Protozoários sarcodina
 
Reino protoctista completo
Reino protoctista completoReino protoctista completo
Reino protoctista completo
 
Pegadas
PegadasPegadas
Pegadas
 
Artigo bioterra v21_n2_05
Artigo bioterra v21_n2_05Artigo bioterra v21_n2_05
Artigo bioterra v21_n2_05
 

Destaque

Vaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stage
Vaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stageVaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stage
Vaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stageErik Roelofs
 
Politie en publiek_eindrapport
Politie en publiek_eindrapportPolitie en publiek_eindrapport
Politie en publiek_eindrapportFrank Smilda
 
Wa early childhood_handbook
Wa early childhood_handbookWa early childhood_handbook
Wa early childhood_handbookshawnamali
 
Plan de acción de pensamiento critico
Plan de acción de pensamiento criticoPlan de acción de pensamiento critico
Plan de acción de pensamiento criticoRo Va Que
 
Anestesiologia 10 anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)
Anestesiologia 10   anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)Anestesiologia 10   anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)
Anestesiologia 10 anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)Jucie Vasconcelos
 
A importância da família para o processo da aprendizagem escolar por flávia...
A importância da família para o processo da aprendizagem escolar   por flávia...A importância da família para o processo da aprendizagem escolar   por flávia...
A importância da família para o processo da aprendizagem escolar por flávia...Psicanalista Santos
 
Corrupcio politica en el peru
Corrupcio politica en el peruCorrupcio politica en el peru
Corrupcio politica en el perukeleyordan
 

Destaque (9)

Vaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stage
Vaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stageVaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stage
Vaststellen van didactische bekwaamheid tijdens de LIO-stage
 
Politie en publiek_eindrapport
Politie en publiek_eindrapportPolitie en publiek_eindrapport
Politie en publiek_eindrapport
 
Nombr
NombrNombr
Nombr
 
Wa early childhood_handbook
Wa early childhood_handbookWa early childhood_handbook
Wa early childhood_handbook
 
Stack Linier 2
Stack Linier 2Stack Linier 2
Stack Linier 2
 
Plan de acción de pensamiento critico
Plan de acción de pensamiento criticoPlan de acción de pensamiento critico
Plan de acción de pensamiento critico
 
Anestesiologia 10 anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)
Anestesiologia 10   anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)Anestesiologia 10   anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)
Anestesiologia 10 anestesia ambulatorial - med resumos (set-2011)
 
A importância da família para o processo da aprendizagem escolar por flávia...
A importância da família para o processo da aprendizagem escolar   por flávia...A importância da família para o processo da aprendizagem escolar   por flávia...
A importância da família para o processo da aprendizagem escolar por flávia...
 
Corrupcio politica en el peru
Corrupcio politica en el peruCorrupcio politica en el peru
Corrupcio politica en el peru
 

Semelhante a Acidentes ofídicos 2008

Semelhante a Acidentes ofídicos 2008 (20)

ACIDENTES OFÍDICOS
ACIDENTES OFÍDICOS ACIDENTES OFÍDICOS
ACIDENTES OFÍDICOS
 
Artigo identificação bovicola caprae
Artigo identificação bovicola capraeArtigo identificação bovicola caprae
Artigo identificação bovicola caprae
 
Introducao zoologia licenciatura
Introducao zoologia licenciaturaIntroducao zoologia licenciatura
Introducao zoologia licenciatura
 
Ofidismobernarde 131231223424-phpapp02
Ofidismobernarde 131231223424-phpapp02Ofidismobernarde 131231223424-phpapp02
Ofidismobernarde 131231223424-phpapp02
 
Artigo 3
Artigo 3Artigo 3
Artigo 3
 
Artigo bioterra v14_n2_01
Artigo bioterra v14_n2_01Artigo bioterra v14_n2_01
Artigo bioterra v14_n2_01
 
Animais peçonhentos
Animais peçonhentosAnimais peçonhentos
Animais peçonhentos
 
Aula 11 - Acarologia para ciências agrárias
Aula 11 - Acarologia para ciências agráriasAula 11 - Acarologia para ciências agrárias
Aula 11 - Acarologia para ciências agrárias
 
Aspectos ecológicos e epidemiológicos de acidentes ofídicos
Aspectos ecológicos e epidemiológicos de acidentes ofídicosAspectos ecológicos e epidemiológicos de acidentes ofídicos
Aspectos ecológicos e epidemiológicos de acidentes ofídicos
 
Moluscos de interesse agrícola
Moluscos de interesse agrícolaMoluscos de interesse agrícola
Moluscos de interesse agrícola
 
Pitiose
PitiosePitiose
Pitiose
 
Guiadecampoanimaispeonhentos 140624073006-phpapp02
Guiadecampoanimaispeonhentos 140624073006-phpapp02Guiadecampoanimaispeonhentos 140624073006-phpapp02
Guiadecampoanimaispeonhentos 140624073006-phpapp02
 
Anaplasmose
Anaplasmose Anaplasmose
Anaplasmose
 
R0746 1
R0746 1R0746 1
R0746 1
 
Achatina fulica 2003
Achatina fulica 2003Achatina fulica 2003
Achatina fulica 2003
 
18
1818
18
 
Protozoários.
Protozoários.Protozoários.
Protozoários.
 
Morcegos
MorcegosMorcegos
Morcegos
 
10 capitulo 07 chiroptera
10 capitulo 07   chiroptera10 capitulo 07   chiroptera
10 capitulo 07 chiroptera
 
livro animais peçonhentos_completo.pdf
livro animais peçonhentos_completo.pdflivro animais peçonhentos_completo.pdf
livro animais peçonhentos_completo.pdf
 

Mais de adrianomedico

Um processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueiraUm processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueiraadrianomedico
 
Um ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueiraUm ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueiraadrianomedico
 
Tratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueiraTratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueiraadrianomedico
 
Saiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantilSaiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantiladrianomedico
 
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeusProblemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeusadrianomedico
 
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...adrianomedico
 
Para quem a escola gagueja
Para quem a escola gaguejaPara quem a escola gagueja
Para quem a escola gaguejaadrianomedico
 
Gagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamentoGagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamentoadrianomedico
 
Gagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamentoGagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamentoadrianomedico
 
Gagueira não é emocional
Gagueira não é emocionalGagueira não é emocional
Gagueira não é emocionaladrianomedico
 
Gagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da baseGagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da baseadrianomedico
 
Gagueira e disfluência geral
Gagueira e disfluência   geralGagueira e disfluência   geral
Gagueira e disfluência geraladrianomedico
 
Gagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagemGagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagemadrianomedico
 
Gagueira estudo molecular dos genes g
Gagueira   estudo molecular dos genes gGagueira   estudo molecular dos genes g
Gagueira estudo molecular dos genes gadrianomedico
 
Gagueira disfluência
Gagueira   disfluênciaGagueira   disfluência
Gagueira disfluênciaadrianomedico
 
Gagueira até onde é normal
Gagueira   até onde é normalGagueira   até onde é normal
Gagueira até onde é normaladrianomedico
 
Gagueira a teoria na prática
Gagueira   a teoria na práticaGagueira   a teoria na prática
Gagueira a teoria na práticaadrianomedico
 

Mais de adrianomedico (20)

Um processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueiraUm processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueira
 
Um ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueiraUm ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueira
 
Tratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueiraTratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueira
 
Seu filho gagueja.
Seu filho gagueja.Seu filho gagueja.
Seu filho gagueja.
 
Saiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantilSaiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantil
 
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeusProblemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
 
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
 
Para quem a escola gagueja
Para quem a escola gaguejaPara quem a escola gagueja
Para quem a escola gagueja
 
Genes da gagueira
Genes da gagueiraGenes da gagueira
Genes da gagueira
 
Gagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamentoGagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamento
 
Gagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamentoGagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamento
 
Gagueira não é emocional
Gagueira não é emocionalGagueira não é emocional
Gagueira não é emocional
 
Gagueira infantil
Gagueira infantilGagueira infantil
Gagueira infantil
 
Gagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da baseGagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da base
 
Gagueira e disfluência geral
Gagueira e disfluência   geralGagueira e disfluência   geral
Gagueira e disfluência geral
 
Gagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagemGagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagem
 
Gagueira estudo molecular dos genes g
Gagueira   estudo molecular dos genes gGagueira   estudo molecular dos genes g
Gagueira estudo molecular dos genes g
 
Gagueira disfluência
Gagueira   disfluênciaGagueira   disfluência
Gagueira disfluência
 
Gagueira até onde é normal
Gagueira   até onde é normalGagueira   até onde é normal
Gagueira até onde é normal
 
Gagueira a teoria na prática
Gagueira   a teoria na práticaGagueira   a teoria na prática
Gagueira a teoria na prática
 

Acidentes ofídicos 2008

  • 1. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral ACIDENTES OFÍDICOS PUZZI, Mariana Belucci VICARIVENTO, Nathália Bruno XAVIER, Ariana POLIZER, Kassiane Aparecida Acadêmicos do Curso de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça - SP NEVES, Maria Francisca SACCO, Soraya Regina Docentes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça – SP RESUMO As serpentes podem ser classificadas em dois grupos básicos as peçonhentas, que são aquelas que conseguem inocular seu veneno no corpo de uma presa ou vítima (através dentes inoculadores bem desenvolvidos e móveis situados na porção anterior do maxilar) e as não peçonhentas. Os gêneros Bothrops (jararacas) e Micrurus (corais), Crotalus (cascavéis) e as Lachesis (surucucus) são considerados os mais importantes. A ocorrência do acidente ofídico está, em geral, relacionada a fatores climáticos e aumento da atividade humana nos trabalhos no campo. Palavras- chave: serpentes, acidentes ofídicos, serpentes venenosas. Tema central: Medicina Veterinária e Biologia. ABSTRACT The serpents can be classified in two basic groups: the poisonous, that they are those that obtain to inoculate its poison in the body of a canine tooth or victim (through teeth situated well developed and mobile inoculadores in the previous portion maxilar) and the non- poisonous. The sorts Bothrops (jararacas) and Micrurus (choral), Crotalus (rattlesnakes) and the Lachesis (surucucus) are considered the more important ones. Occurrence of the ofidics accident is, in general, related the climatic factors and increase of the activity human being in the works in the field. Keywords: serpents, ofidics accidents, poisonous serpents. 1. INTRODUÇÃO As serpentes estão classificadas no Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Reptilia, Ordem Squamata e Subordem Ophidia existindo diversas famílias. A Família Viperidae é constituída pelo gênero Bothrops (jararaca), Crotalus (cascavel) e Lachesis (surucucu), a Família Elapidae pelo gênero Micrurus (cobra
  • 2. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral coral) e a Família Colubridae pelos gêneros Philodryas (cobra verde) e Clelia (cobra preta ou muçurana) (BUTANTAN, 2001) Podem ser classificadas em dois grupos básicos as peçonhentas, que são aquelas que conseguem inocular seu veneno, e as não peçonhentas, que são as que produzem um veneno que aflora em sua cavidade bucal e atua na digestão do alimento, mas não possuem presas inoculadoras para introduzir a peçonha na vítima, como a jibóia, a sucuri, a dormideira, a caninana, a cobra-cipó, a boipeva, ambas encontradas no Brasil, nos mais diferentes tipos de habitat, inclusive em ambientes urbanos (FUNASA, 2001). Existem alguns critérios básicos para distinguir serpentes peçonhentas de não peçonhentas. O primeiro deles é a presença da fosseta loreal (órgão sensorial termorreceptor) encontrada nas peçonhentas, exceto na Micrurus, tipo de cauda, que nas peçonhentas afina rapidamente e por último é o tipo de dentição, que nas não peçonhentas, dois tipos básicos são observados a dentição áglifa e opistóglifa e nas serpentes peçonhentas, existe a dentição proteróglifa, típico das corais verdadeiras e a dentição solenóglifa presentes na cascavel, jararaca, urutu e surucucu (FIOCRUZ, 2002). A ocorrência de acidentes ofídicos está, em geral, relacionada a fatores climáticos e ao aumento da atividade humana em trabalhos a campo, sendo que os cães e gatos são mais acometidos no focinho, enquanto bovinos e eqüinos são nos membros e abdômen (FUNASA, 2001). No Brasil, freqüência de acidentes ofídicos nos animais domésticos é imprecisa, apesar da grande significância econômica, e que embora não exista estimativa de acidentes e respectiva mortalidade de bovinos por acidentes ofídicos, provavelmente em número bastante elevado, muitos criadores de gado confirmam grande perda de bovinos atribuída à picada de Crotalus ou de Bothrops. Estimando a população bovina em torno de 100 milhões de cabeças, e aplicando o índice de 0,13%, o número de animais mortos por envenenamento ofídico no Brasil seria de 130 mil cabeças por ano (TOKARNIA e PEIXOTO, 2006).
  • 3. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral 2. REVISÃO DE LITERATURA O gênero Bothrops está distribuído por todo o território nacional sendo responsável por 90% dos acidentes. São conhecidas popularmente por jararaca, jararacuçu, urutu-cruzeiro, caiçara, e outras denominações. Estas serpentes habitam principalmente zonas rurais, preferindo ambientes úmidos e locais onde haja facilidade para proliferação de roedores. Têm hábitos predominantemente noturnos. Podem apresentar comportamento agressivo quando se sentem ameaçadas, desferindo botes sem produzir ruídos (FUNASA, 2001). As Jararacas possuem coloração variada com padrão de desenhos semelhantes a um “V” invertido, o corpo é fino medindo aproximadamente um metro de comprimento, a cauda é fina e lisa (BUTANTAN, 2001). A Urutu Cruzeiro (Bothrops alternatus) possui coloração escura e possui manchas brancas laterais, em forma de cruz. Encontrada em vegetação rasteira, perto de rios e lagos ou plantações (FIOCRUZ, 2002). A Jararacuçu (Bothrops jararacussu) habita as regiões Sul e Sudeste, de 1,8 metro, sendo considerada uma das maiores do grupo da jararaca. A Cotiara (Bothrops fonsecai) é encontrada na Região Sudeste, atinge até 90 cm e é encontrada em áreas altas com predomínio de Araucária, na Serra da Mantiqueira (ARCOLINI, 2006). O veneno das serpentes do gênero Bothrops atua de formas diferentes ao penetrar no organismo animal podendo causar a ação proteolítica, a coagulante e a hemorrágica (ARCOLINI, 2006). A ação proteolítica, possivelmente, decorre da atividade de proteases, hialuronidases e fosfolipases, da liberação de mediadores da resposta inflamatória, da ação das hemorraginas sobre o endotélio vascular e da ação pró-coagulante do veneno (FUNASA, 2001). A ação hemorrágica ocorre devido a uma alteração no fator X e a protrombina. Essas ações produzem distúrbios da coagulação, caracterizados por consumo dos seus fatores, podendo ocasionar incoagulabilidade e hemorragias em diversos locais. A ação coagulante ocorre através do consumo do fibrinogênio
  • 4. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral (substância que promove a coagulação do sangue), havendo deposição de microcoágulos principalmente nos pulmões e rim (FUNASA, 2001). A manifestação é caracterizada por dor e edema local de intenso a ausente, gengivorragia, epistaxe e hematúria, equimoses, bolhas e necrose podem aparecer em dias sucessivos, com ou sem alteração do Tempo de Coagulação (ARCOLINI, 2006). As manifestações hemorrágicas são decorrentes da ação das hemorraginas que provocam lesões na membrana basal dos capilares, associadas à trombocitopenia e alterações da coagulação (MARQUES et al, 2003). As serpentes do gênero Crotalus distribuem-se de maneira irregular pelo País. São conhecidas popularmente como cascavel, maracambóia e boicininga sendo responsáveis por 9% dos acidentes. Apresentam cauda com chocalho (guizo) e a coloração é marrom-amarelada. Habitam os campos abertos, regiões secas e pedregosas e os pastos, exceto zona litorânea. Chegam a atingir na fase adulta 1,6 m de comprimento (BUTANTAN, 2001). O veneno das cascavéis é muito potente (seis vezes mais potente que o da jararaca) tendo ação miotóxica, neurotóxica e anticoagulante, sendo os acidentes por essas cobras muito graves, levando à morte caso não sejam tomadas providências (FUNASA, 2001). A atividade miotóxica, devido a crotoxina, produz lesões no tecido muscular esquelético levando à liberação de mioglobina para o sangue e mioglobinúria. Observa-se dores musculares generalizadas (TOKARNIA & PEIXOTO, 2006). As frações neurotóxicas (fundamentalmente a crotoxina) produzem efeitos no sistema nervoso inibindo a liberação de acetilcolina causando as paralisias motoras. Evidenciam-se ptose palpebral, visão turva ou diplopia (visão dupla) (FUNASA, 2001). A ação anticoagulante é derivada da fração do veneno do tipo trombina, que ocasiona distúrbios na coagulação sanguínea. O sangue pode se apresentar incoagulável pelo consumo do fibrinogênio (ETTINGER & FELDMAN, 1997). Os valores elevados das enzimas séricas como creatinoquinase (CK), aspartase amino transferase (AST) e transaminase glutâmico-pirúvica (TGP) demonstram a intensidade da agressão ao tecido muscular esquelético. As causas
  • 5. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral mais importantes da morte são a insuficiência respiratória aguda e o choque (TOKARNIA & PEIXOTO, 2006). A mortalidade nos casos não tratados chega a 72% e nos casos tratados a 12% (FUNASA, 2001). As serpentes do gênero Lachesis são conhecidas popularmente como surucucu e surucutinga, sendo os sinais clínicos parecidos com as serpentes do gênero Bothrops. São encontradas nas florestas tropicais escuras e úmidas. É a segunda maior serpente venenosa do mundo. Sua calda termina em uma vértebra córnea em forma de espinho. Os desenhos triangulares do corpo destas serpentes têm o vértice voltado para baixo (BUTANTAN, 2001). O veneno da Lachesis possui ações proteolítica (necrosante), coagulante, hemorrágica e neurotóxica. Provoca, no local da mordida, dor, edema firme, equimose, rubor, bolhas hemorrágicas (ou não). As enzimas proteolíticas podem induzir a liberação de substâncias vasoativas, tais como bradicinina e histamina, que podem levar ao choque (TOKARNIA & PEIXOTO 2006). A ação neurotóxica é de difícil interpretação fisiopatológica. A atividade hemolítica se expressa sob a forma de hemoglobinúria. Este quadro evolui, quando não tratado, para insuficiência renal aguda. Observa-se gengivorragia, epistaxe e sangramento de olhos e ouvido, ausência ou presença de manifestações vagais como diarréia, vomito, bradicardia, hipotensão ou choque. A mortalidade chega a 100% nos casos não tratados (FUNASA, 2001). O gênero Micrurus são animais de pequeno a médio porte, com tamanho em torno de 0,60 a 0,80 m de comprimento, conhecidos popularmente como cobra coral, coral verdadeira ou boicorá. Apresentam anéis vermelhos, pretos e brancos em qualquer tipo de combinação. As estatísticas nacionais revelam a baixa incidência de acidentes por corais verdadeiras correspondendo a menos de 1% dos acidentes (FUNASA, 2001). A espécie Micrurus frontalis encontra-se em todo o continente Americano, não possuem fosseta loreal e é um animal pouco agressivo. A peçonha é do tipo neurotóxico, com os sintomas parecidos com os da cascavel, com a diferença de também atacar o aparelho respiratório, causando a parada do diafragma, levando à morte por asfixia (ETTINGER & FELDMAN, 1997).
  • 6. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral Em geral, para o diagnóstico de acidente com serpentes deve-se avaliar as manifestações clínicas e sistêmicas do animal picado e exames complementares. Mordeduras por serpentes não peçonhentas podem ser tratadas lavando a ferida e aplicando um anti-séptico (ETTINGER & FELDMAN, 1997). O tratamento fundamental consiste na aplicação precoce, em dose adequada de soro antiofídico polivalente por via endovenosa, o antibotrópico (contra jararaca), anticrotálico (contra cascavel) e antilaquético (contra surucucu) (ETTINGER & FELDMAN, 1997). Especial atenção deve ser dada à hidratação e à função renal, pois a complicação temida é a insuficiência renal aguda. Se necessário, fazer uso de diuréticos do tipo manitol a 20% ou furosemida por via endovenosa. O tratamento de manifestações inespecíficas, como náuseas e vômitos, pode ser realizado com antieméticos sendo recomendado também antibioticoterapia com penicilina. Em casos de hemorragia intensa é indicado transfusão de plasma fresco. Para o tratamento da insuficiência respiratória aguda pode-se utilizar neostigmina e analgésicos como a dipirona em casos de dores musculares (FUNASA, 2001). 3. CONCLUSÃO No Brasil, a freqüência de acidentes ofídicos nos animais domésticos é imprecisa, apesar da grande significância econômica, e que embora não exista estimativa de acidentes, os acidentes ofídicos fatais em bovinos são bem menos freqüentes do que se acredita, isto é, sua importância vem sendo bastante superestimada, sendo assim, há a necessidade de fornecimento de maiores informações sobre a epidemiologia dos acidentes ofídicos na medicina veterinária, para uma melhor estimativa das causas de sua ocorrência. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARCOLINI, T. Guia de animais brasileiros: Répteis e Peixes de água doce. Editora: On-Line, ano I, n.2, p 22- 30, São Paulo, 2006. ETTINGER, S.J.; FELDMAN,E.C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. Manole: São Paulo, 4.ed, p. 459-460, 1997.
  • 7. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral FIOCRUZ, Fundação Oswaldo Cruz. Animais venenosos e peçonhentos. Série Prevenindo Intoxicações, p 1-4. São Paulo, 2002. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. Ministério da Saúde. FUNASA. 2 ed. Brasília. p.120, 2001. MARQUES, M. M.; CUPO, P., HERING; S. E.; Acidentes por animais peçonhentos: Serpentes Peçonhentas. Simpósio: Urg. e Emerg. Dermatol e Toxicológicas, cap IV, Ribeirão Preto, 36: 480-489 abr./dez. 2003. Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos. Instituto Butantan Fundacentro.1.ed. São Paulo, p.4-46, 2001. TOKARNIA, C.H.; PEIXOTO, P.V. A importância dos acidentes ofídicos como causa de mortes em bovinos no Brasil. Pesq. Vet. Bras. p. 55-68, abr./jun. 2006.