Cap 15 O Iluminismo

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O Iluminismo, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Immanuel Kant.

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Cap 15 O Iluminismo

  1. 1. Profº. José Ferreira Júnior O ILUMINISMO
  2. 2. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • As preocupações dos pensadores do século XVIII eram muito distintas daquelas do início da era moderna. • Definir limites para os regimes totalitários; • Crença na superioridade da razão; • A ideia de Liberdade.
  3. 3. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • O cientista inglês Isaac Newton era uma personalidade consagrada. • Newton deixou de lado as hipóteses que não podiam ser explicadas matematicamente nem comprovadas pela experiência (como a existência de Deus); aceitava assim as limitações do entendimento humano.
  4. 4. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Os pensadores se afastaram das discussões metafísicas e buscaram aplicar a nova metodologia emprestada das ciências da natureza em outros campos de investigação, como a moral, a política e a estética. • Seu lema era denunciar todas as ideias obscuras, dogmáticas, autoritárias que impediam o crescimento humano e a solução dos problemas sociais.
  5. 5. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Esses intelectuais acreditavam na capacidade racional de todos os homens, quando livres da opressão, do medo e das superstições. • Denominaram a própria época em que viveram de Século das Luzes e o movimento intelectual da qual faziam parte de iluminismo ou ilustração.
  6. 6. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Pretendiam iluminar as trevas da ignorância tendo por instrumento a luz natural a todos os homens, ou seja, a razão. • A filosofia das luzes teve como palco principal a França, deslocando-se mais tarde para a Alemanha.
  7. 7. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • A TESE EMPIRISTA de que toda filosofia válida deve partir de noções que o homem possa conhecer e comprovar com seus próprios sentidos é abraçada pela maioria dos pensadores franceses. • O escritor naturalista francês Georges-Louis Leclerc Buffon, voltando-se para a natureza, concentra sua observação sobre os seres vivos, suas características físicas e fisiológicas, e produz, com uma equipe de colaboradores, uma monumental História natural, em 44 volumes.
  8. 8. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Georges-Louis além de classificar o reino animal em grupos de seres semelhantes entre si, ele organizou essas espécies numa série contínua, realizando um trabalho precursor da teoria da evolução das espécies. • De acordo com a teoria da evolução, todas as espécies de plantas e animais teriam um antepassado comum e seriam o resultado de um conjunto de transformações de caracteres ocorrido de geração em geração.
  9. 9. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • O primeiro a enunciar essa teoria foi o naturalista francês Jean-Baptiste de Monet, para quem o meio é o principal fator de mudança: a modificação do meio leva à mudança de necessidade da espécie; a nova necessidade modifica os hábitos, a estes, por fim, os órgãos e as formas do corpo, segundo o princípio de que um órgão não utilizado se atrofia e o que é mantido em uso se desenvolve.
  10. 10. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Para o naturalista inglês Charles Darwin, que formulou a primeira teoria realmente científica da evolução, a adaptação das espécies resulta da sobrevivência dos mais aptos, isto é, de um processo de seleção natural em que formas vivas novas eliminam ou ocupam o lugar das suas ancestrais.
  11. 11. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Buffon, em sua teoria sobre a formação da vida, dispensa a noção de Deus como criador da natureza: para ele, a vida é resultado apenas de processos físicos e químicos no interior da matéria, e esses processos não apresentam nenhuma finalidade, como concebia a filosofia aristotélica-tomista.
  12. 12. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • Trata-se de uma concepção materialista da natureza, isto é, que enfatiza o papel da matéria nos processos naturais. • O médico e filósofo francês Julien Offroy de La Mettrie radicaliza essa tendência, afirma que tudo é matéria, até mesmo a alma humana, concebendo a realidade como uma cadeia contínua que vai da matéria inanimada até o homem.
  13. 13. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • La Mettrie em sua obra O homem-máquina, alia a seu materialismo um mecanicismo de inspiração cartesiana, pois, para ele, a natureza não passa de uma máquina composta de inúmeros mecanismos. • O filósofo francês Étienne Bonnot de Condillac concebia o conhecimento como um conjunto de sensações transformadas na mente e fixadas pela linguagem, formulando uma teoria denominada SENSACIONISTA ou SENSUALISTA
  14. 14. MATERIALISMO E SENSACIONALISMO • SENSUALISTA • Nome que se deve à ênfase que filósofo dá à sensação, da qual brotariam todas as demais ideias presentes no espírito humano por meio de transformações sucessivas. • Condillac desenvolveu também uma teoria da linguagem, segundo a qual a ciência é uma “linguagem bem feita”, cujos termos não são jamais arbitrários e na qual cada palavra tem o seu correspondente invariável nas sensações.
  15. 15. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • Os pensadores franceses desse período acreditavam numa evolução do pensamento e do conhecimento e que isso um dia traria melhores condições de vida pra todas as pessoas. • Esses filósofos achavam que as “luzes” da razão trariam o progresso e que este conduziria os homens à felicidade.
  16. 16. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • O homem é um ser que se pode construir por meio da educação. • Para o filósofo francês Claude-Adrien Helvétius, em sua obra Sobre o espírito e Sobre o homem, diz que todos os homens têm a mesma “sensibilidade física” . • O homem é uma espécie de “tábula rasa” que vai sendo gravada pelo meio em que vive desde o momento do nascimento.
  17. 17. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • Helvétius propunha uma educação dos indivíduos baseada no conhecimento dos mecanismos do comportamento humano e voltada para o interesse geral. • O interesse geral seria proporcionar o máximo de felicidade a todos e o mínimo de dor a cada indivíduo.
  18. 18. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • Os principais obstáculos para alcançar esse objetivo seriam, segundo Helvétius, a religião cristã e as estruturas feudais. • Paul-Henri Dietrich, ou barão de Holbach, diz que as religiões são um instrumento poderoso para manter o domínio sobre os homens. Elas também seriam antinaturais, uma vez que condenam o prazer.
  19. 19. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • Holbach propunha uma reforma da sociedade que fizesse com que cada indivíduo tivesse prazer em desejar o bem-estar do outro. • Um dos principais monumentos iluministas do ideal de propagação do conhecimento e da confiança no progresso da humanidade é a Enciclopédia, obra composta de 35 volumes, publicada de 1751 a 1772.
  20. 20. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • A intenção da Enciclopédia era reunir e divulgar, da maneira mais completa possível, o conjunto das realizações técnicas, científicas e humanísticas alcançadas pelo homem até então. • A maioria dos pensadores iluministas colaborou com a Enciclopédia escrevendo um ou mais verbetes. • Por isso se tornaram conhecidos também como ENCICLOPEDISTAS.
  21. 21. EDUCAÇÃO E PROGRESSO • O pensamento de Diderot é uma síntese dos ideais iluministas, Materialista e empirista, ele afirmava que “uma boa observação vale mais do que cem teorias” e era avesso ao “espírito de sistema” dos filósofos racionalistas, pois considerava um absurdo alguém pretender explicar tudo numa cadeia de razões claras e distintas.
  22. 22. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Locke em sua obra “Dois tratados sobre o governo civil”, diz que os homens em estado de natureza são livres, iguais e independentes, podendo dispor de seu corpo para o que desejarem, desde que isso não prejudique os demais. • Assim a vítima tem o direito de guerra, que é castigar o criminoso.
  23. 23. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Mas como isso tem o inconveniente de que o julgamento feito pela vítima pode ser parcial e injusto e o castigo, excessivo, os homens decidiram renunciar à sua liberdade natural por meio de um pacto, entregando a um corpo político (o governo) o seu direito de executar a lei natural para que garanta a segurança, o conforto e a paz da comunidade.
  24. 24. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • O corpo político deve ser dividido em poderes: • O LEGISLATIVO  que faz as leis; é o principal e a ele subordinam-se: • O EXECUTIVO  que aplica as leis; • O FEDERATIVO  que cuida das relações com outras comunidades.
  25. 25. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • O que legitima o PODER POLÍTICO é a adesão ao pacto feita pela maioria. • Quando não há o consentimento da maioria, não há uma lei legítima e sim arbitrariedade. • Outra concepção importante do liberalismo lockiano é a de que a propriedade privada é o resultado do trabalho.
  26. 26. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Qualquer atentado à propriedade privada é uma transgressão à lei natural e deve ser reprimido e castigado pelo corpo político. • Locke também defendeu a tolerância religiosa em sua obra Carta acerca da tolerância. • Para Locke, a intolerância resultava de uma confusão entre autoridade política e autoridade religiosa, ou entre comunidade e Igreja.
  27. 27. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • O nome mais destacado do liberalismo francês foi o de Voltaire – pseudônimo usado pelo filósofo François Marie Arouet. • Agitador, panfletário e satirista feroz, ele sabia que educar apenas não bastava para promover o progresso e a felicidade geral. • Sem LIBERDADE não haveria o fim da prepotência dos poderosos e das injustiças sociais.
  28. 28. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Voltaire afirmava: “Posso não concordar com nenhuma palavra que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-la”. • Foi o principal propagandista dos ideais libertários do Iluminismo. • Escreveu com humor e inteligência contra a religião, a metafísica, a superstição, os fanatismos e os preconceitos.
  29. 29. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Os argumentos de Voltaire, expostos em seu Tratado de Metafísica, são favoráveis à existência de um ser superior que tudo teria criado e que se revela à humanidade por meio apenas da natureza e da regularidade de suas leis, como uma espécie de relojoeiro divino. • Mas Voltaire não via utilidade nas discussões sobre a essência de Deus.
  30. 30. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Após um exílio de dois anos na Inglaterra, Voltaire tornou-se também um dos principais defensores do liberalismo político e da tolerância religiosa. • O que é a tolerância? • “É o apanágio da humanidade. Somos todos cheios de fraquezas e de erros; perdoemo-nos reciprocamente as nossas tolices, tal é a primeira lei da natureza”.
  31. 31. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • A separação entre política e religião também é apregoada pelo filósofo francês Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu, um dos principais teóricos do liberalismo político. • Montesquieu dizia que não apenas o corpo político e as leis governam os homens, mas muitas outras coisas: o clima, a religião, os costumes, os exemplos das coisas passadas, etc.
  32. 32. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Para Montesquieu estes outros fatores formam o espírito geral de uma sociedade. • A liberdade, para Montesquieu, é o “direito de fazer tudo o que as leis permitem”. • Dedicou-se à tarefa de verificar em que condições esse direito seria o mais amplo possível.
  33. 33. O LIBERALISMO NA FRANÇA: VOLTAIRE E MONTESQUIEU • Propôs a divisão do Estado em: LEGISLATIVO, EXECUTIVO e JUDICIÁRIO. • Nessa divisão, cada poder deve agir independentemente mas, ao mesmo tempo, em articulação com os demais poderes, de modo que eles se limitem mutuamente.
  34. 34. • Nasceu fraco e doente, em Genebra. • Perdeu a mãe ao nascer. • Foi criado por uma tia e pelo pai. JEAN-JACQUES ROUSSEAU
  35. 35. JEAN-JACQUES ROUSSEAU • A partir dos 10 anos de idade, ficou sob a tutela de várias pessoas diferentes. • Aos 16, resolveu fugir da cidade onde vivia para levar uma vida independente. • Passou fome e privação, mudou várias vezes de trabalho, de mulher e de país.
  36. 36. JEAN-JACQUES ROUSSEAU • Em 1742 chega a Paris, como professor de música, trazendo na bagagem um novo sistema de notação musical, uma ópera, uma comédia, uma coletânea de poemas. • Em 1749, despontou como filósofo ao escrever sua primeira obra, Discurso sobre as ciências e as artes.
  37. 37. JEAN-JACQUES ROUSSEAU • Escreveu ainda Emílio e Do contrato social, obras consideradas ofensivas pelas autoridades, então foi obrigado a fugir de Paris para não ser preso. • O exílio não foi tranquilo e Rousseau teve de mudar de residência diversas vezes.
  38. 38. JEAN-JACQUES ROUSSEAU • Em 1776, seu estado de saúde se agravou – ao lado da pobreza, a saúde frágil lhe servira de desculpa para não criar nenhum dos 5 filhos, que foram deixados em orfanatos.
  39. 39. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • A Academia de Dijon propôs, num concurso, a seguinte questão: “O restabelecimento das ciências e das artes terá contribuído para aprimorar os costumes?”. • “Não”, respondeu Rousseau. As ciências e as artes, tanto quanto a civilização não eram boas como se pensava.
  40. 40. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe. • Na obra Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, descreveu minuciosamente como teria sido o homem em estado de natureza.
  41. 41. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • O homem em estado de natureza teria primeiro vivido livre, solitário e feliz pelas florestas, orientado apenas pelo seu instinto de autopreservação, sem precisar de ninguém para nada. • Suas paixões eram basicamente querer, desejar e temer.
  42. 42. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • Buscava o prazer elementar e fugia da dor. • Ele não poderia ser considerado nem bom nem mau. • Esse estado seria, na verdade, segundo Rousseau, “o mais propício à paz e mais conveniente ao gênero humano”, pois a ignorância do vício e a tranquilidade do coração seriam as condições mais favoráveis ao surgimento da virtude.
  43. 43. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • E a única virtude que o filósofo concebe como sendo natural ao homem, e não produto do convívio social, é a piedade. • Para Rousseau, sem piedade, de nada serviria a razão, e os homens não passariam de monstros.
  44. 44. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • Esse bom selvagem teria também uma qualidade potencial inata que o distinguiria dos outros animais: a perfectibilidade, ou faculdade de aperfeiçoar-se. • Essa capacidade se tornaria “a fonte de todos os males” da humanidade, quando, por um conjunto de circunstâncias e coincidências, foi sendo despertada de seu estado de dormência e tirou o homem de sua condição original de tranquilidade e inocência, fazendo desabrochar “suas luzes e erros, seus vícios e suas virtudes” e tornando-o “tirano de si mesmo e da natureza”.
  45. 45. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • Rousseau imagina que tudo isso começou quando, um dia, os homens se associaram espontaneamente para realizar algumas tarefas que exigia o concurso de várias mãos, como, por exemplo, defender-se de um animal perigoso.
  46. 46. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • Esse processo teria se repetido várias vezes, e os homens passaram a dar preferência a viver juntos, formando as primeiras famílias. • Desenvolveram, então, sentimentos mais refinados, como o amor pelo outro e pelos filhos, e daí necessitaram criar códigos de comunicação (as línguas) e atividades de socialização, como o canto e a dança.
  47. 47. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • As diferenças entre os homens, no início muito sutis, passaram a ficar perceptíveis. • Os mais hábeis, fortes e belos começaram a sobressair. Surgiu toda sorte de paixões e vícios, como o orgulho, a cobiça, a inveja e a hipocrisia.
  48. 48. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • O surgimento da propriedade privada teria sido o passo fundamental no processo de corrupção do homem, pois, a partir dele, realizou-se a divisão social entre ricos e pobres. • A esse momento seguiu um estado de guerra generalizado entre os mais poderosos e os primeiros ocupantes das terras.
  49. 49. JEAN-JACQUES ROUSSEAU O BOM SELVAGEM • Os ricos percebendo que eles próprios eram os que mais tinham a perder com a guerra, idealizaram um projeto que empregava em seu favor as forças daqueles que os atacavam: um contrato social. • Prometendo paz, justiça e segurança para todos e garantindo que manteriam seus bens, os ricos enganaram os grosseiros e ingênuos.
  50. 50. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A VONTADE GERAL • O contrato social que vigorava seria, portanto, de acordo com Rousseau, uma enganação. • Como legitimar, isto é, tornar direito e justo, aquilo que um dia não passou de uma armadilha?
  51. 51. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A VONTADE GERAL • Na obra Do contrato social, responde à questão dizendo que dada a impossibilidade de o homem voltar a seu estado primordial, o filósofo se empenha em conceber um contrato social, ou forma de associação, “que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes”.
  52. 52. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A VONTADE GERAL • O pacto social deve nascer da entrega total de cada indivíduo à comunidade, com o que ele não perde nada, pois, diz Rousseau, “cada um dando-se a todos não se dá a ninguém”. • Todos se mantêm livres e iguais ao ingressar na sociedade civil, isto é, o corpo político. • Rousseau concebe o corpo político como um todo, uma unidade orgânica, com vida e vontade próprias.
  53. 53. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A VONTADE GERAL • E o que dá vida ao corpo político é a própria união de seus membros, ou seja, a coletividade. • As leis desse corpo político devem ser o reflexo da vontade geral, conceito importantíssimo da filosofia política de Rousseau.
  54. 54. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A VONTADE GERAL • A vontade geral é a que busca o melhor para a sociedade como um todo, ou seja, aquela que satisfaz o interesse público, e não o de particulares.
  55. 55. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • Rousseau queria uma sociedade em que as pessoas fossem não apenas livres e iguais, mas também soberanas, isto é, que tivessem um papel ativo dentro do contexto geral.
  56. 56. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • Para isso seria preciso ensiná-las a ser: • Livres  realizar o que o coração manda; • Autênticas  reconhecer e mostrar os verdadeiros sentimentos; • Autônomas  conduzir o próprio destino.
  57. 57. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • Essa tarefa de “civilizar a civilização” deveria partir da educação das crianças (obra: Emílio). • A tese fundamental de Rousseau é a de que o homem é naturalmente bom, mas foi corrompido pela sociedade.
  58. 58. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • A criança criada numa sociedade civilizada vai perdendo o contato com seus instintos naturais e sentimentos à medida que eles vão sendo reprimidos ou à medida que ela aprende, por meio de uma série de normas e conceitos abstratos, a não revelar certas emoções e a fingir outras.
  59. 59. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • O resultado é a perda de contato consigo mesma e a necessidade de mostrar-se diferente do que realmente é. Depois vêm a falsidade, a hipocrisia e todos os outros vícios. • Em Emílio Rousseau inspira-se no homem natural e defende uma pedagogia que siga a natureza.
  60. 60. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • Emílio é afastado do convívio social até os 15 anos de idade, evitando assim qualquer influência corruptora da sociedade. • O que o filósofo propõe de fundamental e inovador é uma educação que procura incentivar a expressão das tendências naturais da criança, em vez de reprimi-las ou discipliná-las, como era mais comum até aquela época.
  61. 61. JEAN-JACQUES ROUSSEAU A EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE • Isso deveria ser feito com amor e carinho, não com punições e castigos; no seio da família – não na escola -, por meio do exemplo e da prática, despertando na criança, com naturalidade, os bons sentimentos e deixando em segundo plano o aspecto teórico, racional.
  62. 62. • Foi o principal pensador do Esclarecimento, desi gnação pela qual ficou conhecida a filosofia das luzes na Alemanha. IMMANUEL KANT
  63. 63. IMMANUEL KANT VIDA • Nasceu em Königsberg (hoje Kaliningrado), pequena cidade situada a oeste da Prússia. • Filho de um humilde artesão, estudou na universidade local, da qual se tornou professor brilhante e reitor.
  64. 64. IMMANUEL KANT VIDA • Pequeno e frágil, Kant levou uma existência extremamente metódica, sem grandes acontecimentos. • Nunca se casou e jamais saiu de sua cidade natal até seu falecimento.
  65. 65. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • Kant foi o primeiro dos grandes filósofos modernos a produzir seu pensamento dentro de uma universidade, como acadêmico. • Ele era professor universitário de filosofia. • Na época em que Kant lecionava, o pensamento racionalista ainda era forte entre os pensadores do Esclarecimento.
  66. 66. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • Kant também foi um estudioso dos iluministas franceses. • Com o mesmo espírito questionador de sua época, o filósofo se empenhou na crítica da própria razão, instaurando, como ele mesmo diz, “um tribunal que, ao mesmo tempo que assegure suas legítimas aspirações, rechace todas as que sejam infundadas”.
  67. 67. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • Desde Descartes, os filósofos se dedicavam à investigação do conhecimento na tentativa de explicar como ele se dá e sobre o que é possível conhecer. • Os RACIONALISTA deram sua resposta, baseada no poder de explicar tudo.
  68. 68. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • Os EMPIRISTAS reagiram destacando a importância dos sentidos e seus limites. • Kant achava que tanto os sentidos como a razão são fatores determinantes no processo de conhecimento das coisas e, portanto, não adotou nenhuma das duas posições.
  69. 69. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • Para Kant, ambas apresentavam acertos e erros e seria possível obter melhores resultados se elas fossem sintetizadas numa perspectiva totalmente nova de abordagem do conhecimento. • Na obra “Crítica da razão pura”, Kant recorda o sucesso de Copérnico quando o astrônomo, percebendo que os princípios explicativos da teoria geocêntrica se fragilizavam diante de novas constatações, resolveu tirar a Terra do centro do universo e colocar o Sol em seu lugar.
  70. 70. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • Kant propõe fazer o mesmo com a questão do entendimento, ou seja, inverter o lugar determinante que ocupa o objeto nas abordagens tradicionais. • Para ele, são “os objetos que têm de se regular pelo nosso conhecimento”.
  71. 71. IMMANUEL KANT A NOVA REVOLUÇÃO COPERNICANA • EXEMPLO: quando vemos um objeto qualquer, a imagem que se forma em nossa mente não é determinada por esse objeto, e sim o contrário: nós, por meio do nosso modo próprio de perceber as coisas, é que determinamos e formamos essa imagem.
  72. 72. IMMANUEL KANT AS FORMAS DA SENSIBILIDADE • Kant entendia que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, isto é, no momento em que entramos em contato sensível com as coisas. • Esse conhecimento não é simplesmente dado pelas coisas, como se o sujeito que conhecesse ficasse totalmente passivo no processo.
  73. 73. IMMANUEL KANT AS FORMAS DA SENSIBILIDADE • Buscou saber como é o sujeito puro, a priori, isto é, o sujeito antes de qualquer experiência sensível. • Kant chegou à conclusão de que o sujeito possui certas faculdades que possibilitam e determinam a experiência e o conhecimento.
  74. 74. IMMANUEL KANT AS FORMAS DA SENSIBILIDADE • Uma dessas faculdades é a sensibilidade. O filósofo observou que, quando percebemos e representamos em nossa mente qualquer coisa externa, essa representação é sempre feita no tempo e no espaço.
  75. 75. IMMANUEL KANT AS FORMAS DA SENSIBILIDADE • Kant conclui então que TEMPO e ESPAÇO são condições a priori de possibilidade da experiência sensível ou intuição empírica. • Em outras palavras, tempo e espaço não são abstrações ou algo que existe fora de nós: eles constituem formas da sensibilidade, isto é, são ferramentas humanas inatas e necessárias ao homem para que ele possa construir toda a sua experiência do mundo.
  76. 76. IMMANUEL KANT AS FORMAS DA SENSIBILIDADE • Essas formas da sensibilidade atuam como filtros ou lentes que definem como podemos perceber a realidade. • São como receptáculos ou vasilhas vazias que vão sendo preenchidas com alguma matéria, isto é, os conteúdos que compõem as sensações.
  77. 77. IMMANUEL KANT AS FORMAS DO ENTENDIMENTO • Kant observou também que, quando enunciamos um juízo, uma afirmação qualquer, como, por exemplo, “o calor dilata os corpos”, ocorre uma síntese das representações “calor” e “dilata os corpos”. • Essa síntese é feita por outra faculdade humana: o entendimento ou faculdade de pensar ou de julgar.
  78. 78. IMMANUEL KANT AS FORMAS DO ENTENDIMENTO • Todo juízo é uma síntese efetuada pelo entendimento, que unifica as múltiplas representações que aparecem na sensibilidade. • Analisando os diversos juízos possíveis, Kant percebeu que todos se articulam de acordo com certos princípios lógicos ou regras, apresentando formas básicas ou puras, isto é, destituídas de qualquer conteúdo e anteriores a qualquer experiência vivida pelas pessoas.
  79. 79. IMMANUEL KANT AS FORMAS DO ENTENDIMENTO • Do mesmo modo que existem formas da sensibilidade (espaço e tempo), Kant diz que existem formas do entendimento. • A partir delas se estabelecem conceitos puros, a priori, que existem desde sempre em nossa consciência, como os conceitos de causa, necessidade e substância (categorias).
  80. 80. IMMANUEL KANT AS FORMAS DO ENTENDIMENTO • São as categorias que permitem pensar tudo aquilo que chega com a intuição ou experiência sensível. • EXEMPLO: o conceito de causa. • Quando entramos numa sala aquecida pelo sol da tarde, podemos dizer com base apenas nessa intuição ou experiência sensível: “O sol brilha na sala” e “A sala está quente”.
  81. 81. IMMANUEL KANT AS FORMAS DO ENTENDIMENTO • Se, em seguida, relacionamos essas duas intuições, subordinamos uma à outra, podemos concluir: “O sol aquece a sala”. • Kant diz que fazer essa relação é algo inerente ao entendimento humano, que não consegue deixar de empregar o princípio de que “todo efeito tem de ter uma causa”.
  82. 82. IMMANUEL KANT AS FORMAS DO ENTENDIMENTO • Para Kant, a noção de causalidade é algo que deriva do nosso entendimento, isto é, nós é que criamos essa relação. • Isso quer dizer que entender a natureza é projetar sobre ela as nossas formas próprias de conhecimento.
  83. 83. IMMANUEL KANT A CRÍTICA À METAFÍSICA • Se projetamos sobre a natureza as nossas formas próprias de conhecer, o conhecimento do mundo se restringe, pois nunca poderemos saber com certeza como o mundo é em si, mas apenas como ele aparece para nós. • Kant faz distinção: “coisa em si” e “coisa para nós”.
  84. 84. IMMANUEL KANT A CRÍTICA À METAFÍSICA • “COISA PARA NÓS”  tudo o que conhecemos do mundo são os fenômenos – aquilo que aparece para nós já filtrado pelas formas da sensibilidade. • “COISA EM SI”  Kant denomina de númeno – não pode ser percebida pela razão humana porque ultrapassa a experiência possível.
  85. 85. IMMANUEL KANT A CRÍTICA À METAFÍSICA • O processo de conhecer o mundo é mais ou menos como fotografar uma festa animada, com muita música e dança. • A FESTA  “a coisa em si”, o númeno. • A MÁQUINA  é o sujeito com suas formas, seu aparelho próprio de conhecer. • A IMAGEM  “a coisa para nós”, o fenômeno, aquilo que aparece para nós. • A FOTO  constitui a experiência possível, a representação do fenômeno.
  86. 86. IMMANUEL KANT A CRÍTICA À METAFÍSICA • Com base nos resultados dessa investigação, o filósofo criticará a pretensão da metafísica de querer conhecer “o ser enquanto ser”, as “coisas em si” – e pretende fazer isso como ciência, como conhecimento teórico. • Kant afirma que isso não é possível, que há aí um uso ilegítimo da razão ao se pretender conhecer aquilo que ultrapassa a experiência possível.
  87. 87. IMMANUEL KANT A CRÍTICA À METAFÍSICA • O homem não pode provar que Deus existe, que a alma é imortal, que o universo é infinito, que o homem é livre. • E, quando tenta fazer isso, surgem as antinomias da razão pura (juízos que se contradizem em tese e antítese) • Nessas questões tanto parecerá provável uma coisa como o seu contrário e sempre será possível refutar as duas posições.
  88. 88. IMMANUEL KANT A RAZÃO PRÁTICA • Kant diz que o homem sempre vai sentir a necessidade de saber de onde vem e para onde vai. • Essa é uma necessidade inerente à própria razão. • Por isso afirma que o homem também possui uma razão prática.
  89. 89. IMMANUEL KANT A RAZÃO PRÁTICA • No campo prático da razão, idéias como Deus, imortalidade e liberdade não devem ser tratadas como conhecimento e sim como noções reguladoras da prática humana; elas têm uma função prática em nossas vidas.
  90. 90. IMMANUEL KANT A RAZÃO PRÁTICA • Esse é o campo da moral e da religião, no qual o homem afirma coisas que não pode provar, porque isso favorece a sua existência prática. • São os postulados práticos, moralmente necessários. • A função prática e fundamental de acreditar na imortalidade da alma é tirar a angústia causada pela ideia do fim absoluto após a morte e motivar uma conduta justa durante a vida inteira.
  91. 91. IMMANUEL KANT A VONTADE LEGISLADORA • Kant também entendia que a filosofia devia se pôr ao lado dos interesses do homem; entre os mais importantes, para ele, estava a liberdade. • No campo da moral, propõe que as leis morais são necessárias e universais, mas, ao mesmo tempo, derivam dos próprios homens. • Nesse sentido apesar de agir por dever, o homem é livre, pois deve seguir a lei que ele próprio criou.
  92. 92. IMMANUEL KANT A VONTADE LEGISLADORA • Parece contraditório pensar em dever e liberdade ao mesmo tempo, mas não para Kant. • Entendia que todos nós nascemos com a capacidade de distinguir o certo do errado. • Existiria uma lei moral universal e inata que orienta a ação de todos os homens, valendo pra todos em todas as situações.
  93. 93. IMMANUEL KANT A VONTADE LEGISLADORA • Imperativo categórico: “Age apenas segundo aquelas máximas por meio das quais possas, ao mesmo tempo, querer que elas se transformem em uma lei geral”.
  94. 94. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA • CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. São Paulo: Ática, 2012.

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