“QUEM CONTA UM
    CONTO ACRESCENTA
       UM PONTO.”


      O exemplo de CAPUCHINHO
             VERMELHO
(de acordo com Francisco Vaz da Silva, Capuchinho
Vermelho – Ontem e Hoje)
“O Capuchinho Vermelho” de
Perrault (séc. XVII). Aqui, a
menina, que era a mais linda do
seu bairro, é tão ingénua, que
acaba comida pelo lobo mau.
Não     há      caçadores    nem
lenhadores para a salvar. Moral
da história: as meninas bonitas e
bem feitas não devem dar
conversa a qualquer um.
“O Capuchinho Vermelho” dos
irmãos Grimm (séc. XIX). Nesta
versão, a Capuchinho é salva da
barriga do lobo por um caçador
que ia a passar e ficou intrigado
com o som do ressonar que saía
da casa da avó. O bandido lupino
morre com a barriga cheia de
pedras, a avó e Capuchinho são
felizes para sempre.
“O Bonezinho
Vermelho”, variante oral de
Vandée, França.
Quem disse que a vítima do lobo
mau tem de ser sempre uma
menina ingénua? Os rapazes
também         podem         ser
enganados, ora essa. Foi o caso
do Bonezinho Vermelho: foi na
conversa do lobo e acabou
comido. Fim da história.
Variante italiana publicada em 1867.
O “Chapelinho Vermelho” encontra um ogre na
floresta. O ogre come parte da avó e deixa os
restos guardados. Disfarça-se com as roupas da
anciã e, quando a Chapelinho Vermelho
chega, engana-a e faz com que coma os restos da
avó. A miúda, ingénua, nem desconfia. O final não
é bonito: o ogre come também a Chapelinho
que, por sua vez, já tinha comido um pedaço da
avó. Uma espécie de Turducken (prato americano
que consiste num frango dentro de um pato dentro
de um peru) em versão terror.
“O Chapelinho
Encarnado”, variante
portuguesa.
Aqui o capuchinho é encarnado porque
vermelho são os comunistas. Ora, a menina
encontra na floresta o lobo, que lhe receita
umas ervas para a avó, já que era médico.
Mas as ervas eram venenosas, o que não
interessa nada porque não se volta a falar
disso. O lobo come a avó e a neta, mas um
caçador descobre, abre a barriga do bicho
e salva o dia. O lobo morre.
“Oflorbela e o Urso”, variante
literária chinesa de 1975.
Quando pensamos que não há mais nada
que se possa inventar, os chineses chegam-
se à frente. Florbela ficou sozinha em casa
com o irmão. À noite, batem à porta. Era o
urso a fingir ser avó. Florbela abre a porta e
arrepende-se logo. Esperta, pede para ir lá
fora à casa de banho. Ele ata-lhe uma corda
ao pé, mas ela foge. E, depois, mata-o com
uma vara.
Qual será a razão para a existência de
tantas variantes (versões) da mesma
história?

Versões "Capuchinho Vermelho"

  • 1.
    “QUEM CONTA UM CONTO ACRESCENTA UM PONTO.” O exemplo de CAPUCHINHO VERMELHO (de acordo com Francisco Vaz da Silva, Capuchinho Vermelho – Ontem e Hoje)
  • 2.
    “O Capuchinho Vermelho”de Perrault (séc. XVII). Aqui, a menina, que era a mais linda do seu bairro, é tão ingénua, que acaba comida pelo lobo mau. Não há caçadores nem lenhadores para a salvar. Moral da história: as meninas bonitas e bem feitas não devem dar conversa a qualquer um.
  • 3.
    “O Capuchinho Vermelho”dos irmãos Grimm (séc. XIX). Nesta versão, a Capuchinho é salva da barriga do lobo por um caçador que ia a passar e ficou intrigado com o som do ressonar que saía da casa da avó. O bandido lupino morre com a barriga cheia de pedras, a avó e Capuchinho são felizes para sempre.
  • 4.
    “O Bonezinho Vermelho”, varianteoral de Vandée, França. Quem disse que a vítima do lobo mau tem de ser sempre uma menina ingénua? Os rapazes também podem ser enganados, ora essa. Foi o caso do Bonezinho Vermelho: foi na conversa do lobo e acabou comido. Fim da história.
  • 5.
    Variante italiana publicadaem 1867. O “Chapelinho Vermelho” encontra um ogre na floresta. O ogre come parte da avó e deixa os restos guardados. Disfarça-se com as roupas da anciã e, quando a Chapelinho Vermelho chega, engana-a e faz com que coma os restos da avó. A miúda, ingénua, nem desconfia. O final não é bonito: o ogre come também a Chapelinho que, por sua vez, já tinha comido um pedaço da avó. Uma espécie de Turducken (prato americano que consiste num frango dentro de um pato dentro de um peru) em versão terror.
  • 6.
    “O Chapelinho Encarnado”, variante portuguesa. Aquio capuchinho é encarnado porque vermelho são os comunistas. Ora, a menina encontra na floresta o lobo, que lhe receita umas ervas para a avó, já que era médico. Mas as ervas eram venenosas, o que não interessa nada porque não se volta a falar disso. O lobo come a avó e a neta, mas um caçador descobre, abre a barriga do bicho e salva o dia. O lobo morre.
  • 7.
    “Oflorbela e oUrso”, variante literária chinesa de 1975. Quando pensamos que não há mais nada que se possa inventar, os chineses chegam- se à frente. Florbela ficou sozinha em casa com o irmão. À noite, batem à porta. Era o urso a fingir ser avó. Florbela abre a porta e arrepende-se logo. Esperta, pede para ir lá fora à casa de banho. Ele ata-lhe uma corda ao pé, mas ela foge. E, depois, mata-o com uma vara.
  • 8.
    Qual será arazão para a existência de tantas variantes (versões) da mesma história?