Quem é


no codesign?
quem


rodrigo@gonzatto.com
rodrigo gonzatto
gonzatto.com
Lygia Clark e Hélio Oiticica.
"Diálogo de mãos”. Fotografia (1966)
Quem são?
Quem são?
“usuários” &
projetistas
para entender
rodrigo 

freese 

gonzatto
professor 

Design/PUCPR
mentor

Apple Developer Academy



especialista

Design de Interação
doutor 

Tecnologia e Sociedade/PPGTE
rodrigo 

freese 

gonzatto
professor 

Design/PUCPR
mentor

Apple Developer Academy



especialista

Design de Interação
doutor 

Tecnologia e Sociedade/PPGTE
insights a partir da tese

“Usuários e Produção

da Existência”
(Gonzatto, 2018)
esteriótipos

de “usuários”
“usuários não sabem o que querem”
“usuários são ignorantes/burros”
“usuários não sabem usar”
Tumblr “Sentado no Usuário”:
https://sentadonousuario.tumblr.com
MELO, Lafayette Batista (2012). Estereótipos sociais em piadas do profissional de informática:
relações com o usuário de computador.
“Se eu tivesse perguntado 

às pessoas o que elas queriam, 

elas teriam dito cavalos mais rápidos”
Tumblr “Sentado no Usuário”:
https://sentadonousuario.tumblr.com
saberes e 

não-saberes?
como “usuários”
foram e são alienados 

da produção de suas existências 

por meio da tecnologia digitais?
porque lhes é negado o direito 

de participar das tecnologias 

do seu tempo socio-histórico?
como construímos uma relação

tão desigual com as tecnologias, 

que as pessoas podem usa-lá

sem tomá-las para si?
porque não estamos construindo a
produção, educação e socialização 

das tecnologias junto com a
consciência de se saber o que se quer?
como projetistas
foram e são alienados

da função social de seu trabalho

da produção social da existência?
porque lhes é dado condições

mais propícias para falar pelos
“usuários” do que ser e estar 

com estes?
produção 

da existência
Vieira Pinto
Campos dos Goytacazes 1909 ⭒
Rio de Janeiro 1987 †

Paulo Freire
⭒ 1921 Recife
† 1997 São Paulo
Ler Vieira Pinto e Paulo Freire me apresentou 

um viés dialético-existencial para IHC
compreensão dialética: 

uso e produção não são opostos.


produção/projeto partem do uso, 

uso direciona-se a produção/projeto
“Usuários” são sempre 

pessoas concretas, 

em um tempo histórico, 

em sociedade: 

produzindo suas existências

a partir de suas amanualidades

e em meio a opressões
Gonzatto (2018)
Todo “usuário” 

possui saberes e fazeres: 

necessariamente 

projetam, produzem e tem tecnologia


porquê precisam sobreviver 

em um mundo

que exige tecnologias digitais
construindo

um “usuário”
O que é um “usuário”?

• [1] uma pessoa representativa [persona], no
sentido estatístico ou pragmático;
• [2] uma pessoa individual em um contexto único;
• [3] uma pessoa trabalhando em uma
configuração colaborativa;
• [4] um componente de um sistema de trabalho;
• [5] uma organização, uma parte interessada;
• [6] um usuário-final;
• [7] uma organização representando o usuário;
• [8] um consumidor.
Ehn; Löwgren (1997)
Concepcões de utentes, 

influentes na IHC:

1. Usuário como uma engrenagem em uma máquina
racional;
2. Usuário como uma fonte de erro;
3. Usuários como parceiros em interações sociais;
4. Usuários como consumidores. 

• Usuários como aprendizes
• Usuários como modeladores e modificadores de seus
ambientes
• Usuários como se tornando "algo a mais”
Kuutti (2001)
Concepções de “usuários”:

1. Usuário como um corpo físico
2. Usuário como alguém que compreende linguagem
3. Usuário como um processador de informação
4. Usuário como um trabalhador em uma organização
5. Usuário como um buscador de informação
6. Usuário como um ser social

• Usuário como uma fonte de significado
Winograd (2011)
existem tantas concepcões de “usuário” 

quanto existem teorias, abordagens e discursos
“usuário" é uma construção social
não é “natural" existirem “usuários”
por isso, vamos para uma

abordagem histórica
Origens da palavra
• Do Latim usus: ato de usar uma coisa, 

a sua aplicação, emprego ou equivalente. 

• Foi adaptada como o substantivo 

agente de usus descrevendo 

aquele que executa a acao de uso.

• É o particípio passado de uti 

para uso + sufixo tus de verbos de ação.
• Em seguida, passa através do Francês Antigo 

com a palavra user 

• Entre 1175 e 1225 passa para o Inglês Médio 

na forma Usen, que é de onde 

herdamos a forma contemporânea
Bradley et al. (2013)
USUÁRIO
3 usos do termo “usuário”
1. alguém que faz uso de uma
coisa; que usa algo;
manuais

séc.19
influências
Bradley et al. (2013)
3 usos do termo “usuário”
1. alguém que faz uso de uma
coisa; que usa algo
2. pessoa que usa narcóticos, 

“usuário de drogas”
manuais

séc.19
1930-
drogas
influências
Bradley et al. (2013)
3 usos do termo “usuário”
1. alguém que faz uso de uma
coisa; que usa algo
2. pessoa que usa narcóticos, 

“usuário de drogas”
3. pessoa ou organização que 

usa computadores
manuais

séc.19
1930-
drogas
PC

revistas

IHC

DCU
influências
Bradley et al. (2013); Kerssens (2016)
porém, nem sempre 

pessoas usando computadores 

foram “usuárias”






depois: Fatores Humanos/Ergonomia e

as interfaces para "diminuir custos”

e contratar operadores 

menos experientes
no início… eram 

as operadoras
no início… eram 

as operadoras
no início… eram 

as operadoras
gerência e análise de sistemas
programação
operação
sistemas de informação

ciências da computação
fatores humanos/IHC
disciplinarização dos conhecimentos 

origens da computação
Grudin (2012)
nem sempre “usuário” 

foi quem opera
o computador: 

mudança:“usuário” é

hands off ou hands on ?

(uso delegado / uso direto)
Kerssens (2016)
de computador como simbiose

amplificador intelectual 

para ferramenta doméstica

(Personal Computer)
noção atual:
"usar" absorve o "operar"
Kerssens (2016)
condição de “usuário"
“usuário” é a pessoa que 

precisa usar tecnologias computacionais 

para sobreviver



mas 

a quem foi negada especializar-se nelas

e foi afastada dos espaços onde poderia 

participar em seu projeto
Gonzatto (2018)
usuarismo

& opressão
— a condição de

“usuário"
"Usuários" representados como 

indivíduos desempoderados
• Imagens ingênua de “usuários" para justificar 

que temos que “salvar usuários”
• Para “empoderar”, defende-se um fácil de usar, 

mas que desespecializam, 

gerando dependência “fora" de alguém lá “dentro”.
• Pessoas não se “empoderam“ por 

mero contato com tecnologias alienígenas
"Usuários" representados como 

receptores de interfaces
• "Usuários" vistos como “sem poder" 

de transformar as interfaces.
• Como se fosse uma condição natural, e não algo
produzido intencionalmente
• Interface tida como algo que está “pronto”
• Nenhum artefato chega “pronto”, nem atende
todas as demandas. Utentes produzem computar.
Precisam fazê-lo pra produzir existência.
Construções sociais da relação

entre pessoas e tecnologias que favorecem 

a alienação da produção da existência
Usuários são afastados dos
espaços e tempos projetuais
privilegiados
Usuários foram

desespecializados
• “Usuários” não são ignorantes: lhes foi negada a
especialização em tecnologias computacionais
• Pessoas foram historicamente desespecializadas
de sua busca pelo domínio das tecnologias digitais
• Nos negamos a reconhecer 

que “usuários” podem se especializar
Usuários foram

desespecializados
quando “usuários” começam a dominar tecnologias
paramos de chama-los de “usuários"


“se tornam”
hackers

everyday designer

amateur designer

non-expert designers

co-designers

não-designers 

etc.



não “usam”. fazem:

design intuitivo

design espontâneo

ad hoc appropriations
creative use

creative practice

design-by-use

Non-Intentional Design

etc.
Gonzatto (2018)
Usabilidade como 

continuidade da ideologia da gerência científica: 

manutenção “usuários” como não-especialistas
• Como sociedade

não nos educamos nem nos formamos 

para nos especializar em tecnol. digitais
• A quem interessa 

usuários se especializando?

Programando, projetando, criando

propondo, reparando?
• Ocultamos a pergunta: 

designers e “usuários" 

trabalham para quem?
• Utentes projetam, nos espaços que lhes são possíveis
Mas esses não são espaços de projeto privilegiados
pelo modo de produção capitalista.
• Afastados dos espaços projetuais propícios para
transformar computadores (fábrica, indústria, estúdio)
• Mesmo “fora” exige-se de "usuários" uma 

percepção do sistema que cujo espaço para 

ter/participar é muito regulado
“Usuários” afastados dos
espaços projetuais privilegiados
Usuários são afastados dos
espaços e tempos projetuais
privilegiados
Construção de um
“dentro “ e “fora”
do espaço projetual
• “Não se pode projetar para si mesmo" 

"Designer não é o usuário”

Quem projeta deve ser distante e
descompromissado com quem usa?
• Projetistas constroem auto-imagem de si mesmos
como “não-usuários”, por estarem “dentro” das
organizações, e, os utentes, “fora”.
• Essa separação não existia no inicio da computação
Cooper; Bowers (1995)
Usuário” posto como o 

“outro” dos projetistas
projetista

projeta

dentro 

especialista

técnica
razão

sujeito
usuário

usa

fora

não-especialista
intuição
emoção
objeto
Gonzatto (2018)
origens do 

usuarismo
em IHC
conhecimentos
especializados
produção de
artefatos
produção de
artefatos
computacionais
produção do projeto de
artefatos computacionais
produção da

cultura material
produção social

da existência
divisões do trabalho do computar
projeto desenvolvimento
IHC Computação
divisões do trabalho do computar
projeto
teoria
desenvolvimento
prática
IHC
pesquisadores
Computação
praticantes
divisões do trabalho do computar
projeto
teoria
produção
desenvolvimento
prática
uso
IHC
pesquisadores
projetistas
Computação
praticantes
“usuários"
divisão internacional

do trabalho do computar
quem desenvolve
quem teoriza
quem produz
quem projeta
quem prática
quem usa
somos os “usuários”?
Heróis, Tiranos e Vítimas
Quem são?
Clay Spinuzzi (2003)

Introduction: Tyrants, Heroes, and Victims in Information Design
Disputas disciplinares
• 1970-1980: retórica das comunidades de IHC se volta 

a legitimação de uma constituição disciplinar própria
• Assume usuários e interfaces (e a interação destes)
como seu domínio:
• O “computador" 

já era reinvidicado pela Computação
• Não usar “operador/a”, 

para se distanciar da Ergonomia
Cooper; Bowers (1995)
• “Usuário" é categoria central na IHC 

serviu ao seu reconhecimento disciplinar:
• Se para projetar sistemas é preciso entender os
“usuários”, então o projeto precisa de IHC, pois ela
representará os “interesses dos usuários”
• Profissional de IHC como

um “advogado do usuário” 

→ seu representante no espaço de projeto
Disputas disciplinares
Cooper; Bowers (1995)
“Usuários"como algo que 

o projetista ‘usa' para 

vencer debates, 

convencer clientes, etc.
“Usuário” como “recurso cênico” 

do espaço projetual: não influencia
decisões de projeto, mas serve de
recurso retórico e político
Sharrock e Anderson (1994); van Amstel: “Usuário não é Pokémon” (2012)
Um conceito abstrato/genérico de "usuário"

interessa à manutenção de uma visão de IHC “indispensável”,
na qual “usuários” precisam ser continuamente representados
Resultado de busca no Google:

indivíduo genérico, bustos sem rosto
Cooper; Bowers (1995)
Centralidade da IHC na 

Psicologia Cognitiva
• IHC assume-se“ciência aplicada das teorias
cognitivas” para obter legitimidade científica
Cooper; Bowers (1995)
“usuário" = mente de um indivíduo

modelos sem corpo, sem mundo
Igoe; O’Sullivan “How the computer sees us” (2004)
Frustrados
Ansiosos
Irritados
Inseguros
Estressados
Confusos
Desmotivados
Insatisfeitos
Patologização dos “usuários”
Cooper; Bowers (1995)
quem paga e financia 

“usuários” sendo



Centrados
Modelados
Avaliados
Testados



— designers trabalham para quem?
Design Centrado no Usuário
mas submisso a lógica de mercado que vem antes dele?
que fazer?
Clique'aqui.'
'
Clique'aqui.'
'
A interface do “usuário"

é toda a realidade do sistema

para “usuários”?
Clique'aqui.'
'
<código>'
$programação'
/**'
linguagem'
**/'
'
Clique'aqui.'
'
01001010101101'
01010010101001'
10101010010101'
01010110011101'
01010101010101'
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<código>'
$programação'
/**'
linguagem'
**/'
'
Clique'aqui.'
'
01001010101101'
01010010101001'
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01010110011101'
01010101010101'
01000011110001'
10101010010101'
'
'
<código>'
$programação'
/**'
linguagem'
**/'
'
diferenças entre “usuários" e "designers"

diferentes relações com artefatos
Amanualidade em Winograd e Flores (1987)
baseado em Heidegger
Ilustração de Alexandre Nascimento
Clique'aqui.'
'
compartilhamos um mundo
Gonzatto (2018) baseado em Álvaro Vieira Pinto (1960)
Ilustração de Alexandre Nascimento
Como surgiu 

esse objeto?
“camera cover”?
“usuários” adaptando/regulando 

com o que se tem disponível“a mão”
“Nuvem" dos “usuários”



E-mail, Grupo,WhatsApp para si mesmo 

para armazenamento ou notas

ou para transferir arquivos do celular pro computador
“usuários”
projetando novas funções em objetos 

que não foram “feitos para aquilo”
dual SIM
caso de comunidades rurais no Quênia
uso de mais de um SIM no mesmo celular

(interface amanual)
como criar um botão de desliga?
Tirar a bateria para celular desligar quando
trava= botão de desligar (interface
amanual)
celular como lanterna
Foi observando o uso de celulares como lanternas
que essa funcionalidade foi “adicionada”
como não negar o saber daqueles, 

chamados de “usuários”?
assumir que “usuários”
sempre possuem saberes
possuem IHC
possuem Computação
possuem Design
mas podem 

desenvolvê-las?
“usuários”
projetam, computam e interagem

entre

o grau de amanualidade que lhes foi dado

e o grau de amanualidade que criam
uma amanualidade que foi

negada, 

constrangida, 

subdesenvolvida
não com as técnicas de IHC, Computação e Design

que nunca lhe foram ensinadas, mas com

uso, não-uso
gambiarra, adaptação
resistência, contra-projeto
“usuários” se especializam em criar espaço projetual




nas brechas dos 

processos produtivos
uma outra imagem

de “usuário”:



“Usuários” como sujeitos 

na pesquisa e no projeto 

em IHC, Computação e Design
• “Usuários" não devem ser só “objetos" da IHC 

(a quem o objeto se destina)
• “Usuários" tem tecnologia, projetam e produzem
computadores, mesmo que 

em condições desprivilegiadas
• “Usuários” produzem a IHC, e 

a IHC deveria reconhecer a produção por utentes.
Que IHC é essa que

“usuários" produzem?
Gonzatto (2018)
ativismo LGBT
projetando inclusão de
nome social em formulários
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/nome-social-
pode-ser-incluido-na-plataforma-do-curriculo-lattes
o uso não é só

compreender o que foi projetado
fonte de bugs
final do ciclo de vida de um produto
emoticons :)
#hashtags

@pessoa
praticamente todas as funções
sociais de redes sociais
foram criadas pelos seus “usuários”
o uso não é só

passivo

recepção

absorção
associações de “usuários”

se assumem “usuários”

para reinvidicar direitos
SURICATO- associação dos usuários da rede de saúde mental da prefeitura de Belo Horizonte: 

https://www.youtube.com/watch?v=6KikhmQPR5Y&feature=youtu.be
o uso não é só
um recurso barato para gerar dados
um saber para nos apropriamos por

testes, pesquisas e etnografias

sem oferecer contrapartida justa,
sem reconhecer autoria
entregadores
projetando apps

com greve
https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/07/01/greve-dos-
entregadores-ocorre-em-diversas-capitais-do- brasil-confira.htm
co-design

participação
incluir-se no projeto

dos “usuários"
incluir “usuários"

no projeto?
modalidade de projeto

que é impossível de se realizar

sem ser por “usuários"
o projeto para si
para nós
e não apenas projeto

“para um outro”
o projeto para si
para nós
co-participar dos

projetos dos “usuários"
“usuários” já estão
projetando suas existências 

suas condições materiais
quem tem que ser "incluído”

na participação são os “projetistas”
para tal, também

precisam estar como/com “usuários”
produção de existência 

pela produção de tecnologias
como denominar

“usuários”?
Existe diferença entre chamar alguém de:
paciente
consumidor
público

cliente

espectador
cidadão
?
público
visitante
leitor
leitor imersivo
leito-autor
interator
internauta
cibernauta
navegante
agente
interagente
usuário ?
E se ao invés de “usuário" fosse:
operador

operário
funcionário
proletário
?
Se o termo “usuário” é envolto de diversas
problemáticas, como denominar “usuários”?
• Alguns autores propõem mudar o termo 

para “pessoas” ou “humanos”:
• Cuidado: Risco de mudar o termo 

sem mudar seu sentido/significado objetificante
• Cuidado: Risco de perder tradição crítica
Exemplo de manifesto
que reivindica abolir
o termo “usuário”.
O que mudar?

1. Mudar as condições materiais: projetar para usos
que possam produzir de formas mais elaboradas
2. Preferir reconhecer as identidades assumidas 

por aqueles ditos “usuários”
3. Ou assumir o termo como categoria política

sem deixar de denunciar 

o uso alienado de seu conceito ingênuo:
• Usar aspas (“Usuário”) para indica suspensão e dúvida 

de seu significado tradicional
• Apontar a crítica explicitamente, textualmente
Gonzatto (2018)
“Em lugar do cidadão 

formou-se um consumidor, 

que aceita ser chamado de usuário.”
(MILTON SANTOS)


rodrigo@gonzatto.com
rodrigo gonzatto
gonzatto.com
obrigado!

Usuários e designers: quem é quem no codesign?

  • 1.
    Quem é 
 no codesign? quem 
 rodrigo@gonzatto.com rodrigogonzatto gonzatto.com Lygia Clark e Hélio Oiticica. "Diálogo de mãos”. Fotografia (1966)
  • 2.
    Quem são? Quem são? “usuários”& projetistas para entender
  • 4.
    rodrigo 
 freese 
 gonzatto professor
 Design/PUCPR mentor
 Apple Developer Academy
 
 especialista
 Design de Interação doutor 
 Tecnologia e Sociedade/PPGTE
  • 5.
    rodrigo 
 freese 
 gonzatto professor
 Design/PUCPR mentor
 Apple Developer Academy
 
 especialista
 Design de Interação doutor 
 Tecnologia e Sociedade/PPGTE insights a partir da tese
 “Usuários e Produção
 da Existência” (Gonzatto, 2018)
  • 6.
  • 7.
    “usuários não sabemo que querem” “usuários são ignorantes/burros” “usuários não sabem usar”
  • 8.
    Tumblr “Sentado noUsuário”: https://sentadonousuario.tumblr.com
  • 9.
    MELO, Lafayette Batista(2012). Estereótipos sociais em piadas do profissional de informática: relações com o usuário de computador.
  • 10.
    “Se eu tivesseperguntado 
 às pessoas o que elas queriam, 
 elas teriam dito cavalos mais rápidos”
  • 11.
    Tumblr “Sentado noUsuário”: https://sentadonousuario.tumblr.com
  • 12.
  • 13.
    como “usuários” foram esão alienados 
 da produção de suas existências 
 por meio da tecnologia digitais? porque lhes é negado o direito 
 de participar das tecnologias 
 do seu tempo socio-histórico?
  • 14.
    como construímos umarelação
 tão desigual com as tecnologias, 
 que as pessoas podem usa-lá
 sem tomá-las para si? porque não estamos construindo a produção, educação e socialização 
 das tecnologias junto com a consciência de se saber o que se quer?
  • 15.
    como projetistas foram esão alienados
 da função social de seu trabalho
 da produção social da existência? porque lhes é dado condições
 mais propícias para falar pelos “usuários” do que ser e estar 
 com estes?
  • 16.
  • 17.
    Vieira Pinto Campos dosGoytacazes 1909 ⭒ Rio de Janeiro 1987 †
 Paulo Freire ⭒ 1921 Recife † 1997 São Paulo Ler Vieira Pinto e Paulo Freire me apresentou 
 um viés dialético-existencial para IHC
  • 18.
    compreensão dialética: 
 usoe produção não são opostos. 
 produção/projeto partem do uso, 
 uso direciona-se a produção/projeto
  • 19.
    “Usuários” são sempre
 pessoas concretas, 
 em um tempo histórico, 
 em sociedade: 
 produzindo suas existências
 a partir de suas amanualidades
 e em meio a opressões Gonzatto (2018)
  • 20.
    Todo “usuário” 
 possuisaberes e fazeres: 
 necessariamente 
 projetam, produzem e tem tecnologia 
 porquê precisam sobreviver 
 em um mundo
 que exige tecnologias digitais
  • 21.
  • 22.
    O que éum “usuário”?
 • [1] uma pessoa representativa [persona], no sentido estatístico ou pragmático; • [2] uma pessoa individual em um contexto único; • [3] uma pessoa trabalhando em uma configuração colaborativa; • [4] um componente de um sistema de trabalho; • [5] uma organização, uma parte interessada; • [6] um usuário-final; • [7] uma organização representando o usuário; • [8] um consumidor. Ehn; Löwgren (1997)
  • 23.
    Concepcões de utentes,
 influentes na IHC:
 1. Usuário como uma engrenagem em uma máquina racional; 2. Usuário como uma fonte de erro; 3. Usuários como parceiros em interações sociais; 4. Usuários como consumidores. 
 • Usuários como aprendizes • Usuários como modeladores e modificadores de seus ambientes • Usuários como se tornando "algo a mais” Kuutti (2001)
  • 24.
    Concepções de “usuários”:
 1.Usuário como um corpo físico 2. Usuário como alguém que compreende linguagem 3. Usuário como um processador de informação 4. Usuário como um trabalhador em uma organização 5. Usuário como um buscador de informação 6. Usuário como um ser social
 • Usuário como uma fonte de significado Winograd (2011)
  • 25.
    existem tantas concepcõesde “usuário” 
 quanto existem teorias, abordagens e discursos “usuário" é uma construção social não é “natural" existirem “usuários” por isso, vamos para uma
 abordagem histórica
  • 26.
    Origens da palavra •Do Latim usus: ato de usar uma coisa, 
 a sua aplicação, emprego ou equivalente. 
 • Foi adaptada como o substantivo 
 agente de usus descrevendo 
 aquele que executa a acao de uso.
 • É o particípio passado de uti 
 para uso + sufixo tus de verbos de ação. • Em seguida, passa através do Francês Antigo 
 com a palavra user 
 • Entre 1175 e 1225 passa para o Inglês Médio 
 na forma Usen, que é de onde 
 herdamos a forma contemporânea Bradley et al. (2013) USUÁRIO
  • 27.
    3 usos dotermo “usuário” 1. alguém que faz uso de uma coisa; que usa algo; manuais
 séc.19 influências Bradley et al. (2013)
  • 28.
    3 usos dotermo “usuário” 1. alguém que faz uso de uma coisa; que usa algo 2. pessoa que usa narcóticos, 
 “usuário de drogas” manuais
 séc.19 1930- drogas influências Bradley et al. (2013)
  • 29.
    3 usos dotermo “usuário” 1. alguém que faz uso de uma coisa; que usa algo 2. pessoa que usa narcóticos, 
 “usuário de drogas” 3. pessoa ou organização que 
 usa computadores manuais
 séc.19 1930- drogas PC
 revistas
 IHC
 DCU influências Bradley et al. (2013); Kerssens (2016)
  • 30.
    porém, nem sempre
 pessoas usando computadores 
 foram “usuárias” 
 
 
 depois: Fatores Humanos/Ergonomia e
 as interfaces para "diminuir custos”
 e contratar operadores 
 menos experientes no início… eram 
 as operadoras no início… eram 
 as operadoras no início… eram 
 as operadoras
  • 31.
    gerência e análisede sistemas programação operação sistemas de informação
 ciências da computação fatores humanos/IHC disciplinarização dos conhecimentos 
 origens da computação Grudin (2012)
  • 32.
    nem sempre “usuário”
 foi quem opera o computador: 
 mudança:“usuário” é
 hands off ou hands on ?
 (uso delegado / uso direto) Kerssens (2016)
  • 33.
    de computador comosimbiose
 amplificador intelectual 
 para ferramenta doméstica
 (Personal Computer) noção atual: "usar" absorve o "operar" Kerssens (2016)
  • 34.
    condição de “usuário" “usuário”é a pessoa que 
 precisa usar tecnologias computacionais 
 para sobreviver
 
 mas 
 a quem foi negada especializar-se nelas
 e foi afastada dos espaços onde poderia 
 participar em seu projeto Gonzatto (2018)
  • 35.
    usuarismo
 & opressão — acondição de
 “usuário"
  • 36.
    "Usuários" representados como
 indivíduos desempoderados • Imagens ingênua de “usuários" para justificar 
 que temos que “salvar usuários” • Para “empoderar”, defende-se um fácil de usar, 
 mas que desespecializam, 
 gerando dependência “fora" de alguém lá “dentro”. • Pessoas não se “empoderam“ por 
 mero contato com tecnologias alienígenas
  • 37.
    "Usuários" representados como
 receptores de interfaces • "Usuários" vistos como “sem poder" 
 de transformar as interfaces. • Como se fosse uma condição natural, e não algo produzido intencionalmente • Interface tida como algo que está “pronto” • Nenhum artefato chega “pronto”, nem atende todas as demandas. Utentes produzem computar. Precisam fazê-lo pra produzir existência.
  • 38.
    Construções sociais darelação
 entre pessoas e tecnologias que favorecem 
 a alienação da produção da existência Usuários são afastados dos espaços e tempos projetuais privilegiados Usuários foram
 desespecializados
  • 39.
    • “Usuários” nãosão ignorantes: lhes foi negada a especialização em tecnologias computacionais • Pessoas foram historicamente desespecializadas de sua busca pelo domínio das tecnologias digitais • Nos negamos a reconhecer 
 que “usuários” podem se especializar Usuários foram
 desespecializados
  • 40.
    quando “usuários” começama dominar tecnologias paramos de chama-los de “usuários" 
 “se tornam” hackers
 everyday designer
 amateur designer
 non-expert designers
 co-designers
 não-designers 
 etc.
 
 não “usam”. fazem:
 design intuitivo
 design espontâneo
 ad hoc appropriations creative use
 creative practice
 design-by-use
 Non-Intentional Design
 etc. Gonzatto (2018)
  • 41.
    Usabilidade como 
 continuidadeda ideologia da gerência científica: 
 manutenção “usuários” como não-especialistas
  • 42.
    • Como sociedade
 nãonos educamos nem nos formamos 
 para nos especializar em tecnol. digitais • A quem interessa 
 usuários se especializando?
 Programando, projetando, criando
 propondo, reparando? • Ocultamos a pergunta: 
 designers e “usuários" 
 trabalham para quem?
  • 43.
    • Utentes projetam,nos espaços que lhes são possíveis Mas esses não são espaços de projeto privilegiados pelo modo de produção capitalista. • Afastados dos espaços projetuais propícios para transformar computadores (fábrica, indústria, estúdio) • Mesmo “fora” exige-se de "usuários" uma 
 percepção do sistema que cujo espaço para 
 ter/participar é muito regulado “Usuários” afastados dos espaços projetuais privilegiados Usuários são afastados dos espaços e tempos projetuais privilegiados
  • 44.
    Construção de um “dentro“ e “fora” do espaço projetual • “Não se pode projetar para si mesmo" 
 "Designer não é o usuário”
 Quem projeta deve ser distante e descompromissado com quem usa? • Projetistas constroem auto-imagem de si mesmos como “não-usuários”, por estarem “dentro” das organizações, e, os utentes, “fora”. • Essa separação não existia no inicio da computação Cooper; Bowers (1995)
  • 45.
    Usuário” posto comoo 
 “outro” dos projetistas projetista
 projeta
 dentro 
 especialista
 técnica razão
 sujeito usuário
 usa
 fora
 não-especialista intuição emoção objeto Gonzatto (2018)
  • 46.
  • 47.
    conhecimentos especializados produção de artefatos produção de artefatos computacionais produçãodo projeto de artefatos computacionais produção da
 cultura material produção social
 da existência
  • 48.
    divisões do trabalhodo computar projeto desenvolvimento IHC Computação
  • 49.
    divisões do trabalhodo computar projeto teoria desenvolvimento prática IHC pesquisadores Computação praticantes
  • 50.
    divisões do trabalhodo computar projeto teoria produção desenvolvimento prática uso IHC pesquisadores projetistas Computação praticantes “usuários"
  • 51.
    divisão internacional
 do trabalhodo computar quem desenvolve quem teoriza quem produz quem projeta quem prática quem usa somos os “usuários”?
  • 52.
    Heróis, Tiranos eVítimas Quem são? Clay Spinuzzi (2003)
 Introduction: Tyrants, Heroes, and Victims in Information Design
  • 53.
    Disputas disciplinares • 1970-1980:retórica das comunidades de IHC se volta 
 a legitimação de uma constituição disciplinar própria • Assume usuários e interfaces (e a interação destes) como seu domínio: • O “computador" 
 já era reinvidicado pela Computação • Não usar “operador/a”, 
 para se distanciar da Ergonomia Cooper; Bowers (1995)
  • 54.
    • “Usuário" écategoria central na IHC 
 serviu ao seu reconhecimento disciplinar: • Se para projetar sistemas é preciso entender os “usuários”, então o projeto precisa de IHC, pois ela representará os “interesses dos usuários” • Profissional de IHC como
 um “advogado do usuário” 
 → seu representante no espaço de projeto Disputas disciplinares Cooper; Bowers (1995)
  • 55.
    “Usuários"como algo que
 o projetista ‘usa' para 
 vencer debates, 
 convencer clientes, etc. “Usuário” como “recurso cênico” 
 do espaço projetual: não influencia decisões de projeto, mas serve de recurso retórico e político Sharrock e Anderson (1994); van Amstel: “Usuário não é Pokémon” (2012)
  • 56.
    Um conceito abstrato/genéricode "usuário"
 interessa à manutenção de uma visão de IHC “indispensável”, na qual “usuários” precisam ser continuamente representados Resultado de busca no Google:
 indivíduo genérico, bustos sem rosto Cooper; Bowers (1995)
  • 57.
    Centralidade da IHCna 
 Psicologia Cognitiva • IHC assume-se“ciência aplicada das teorias cognitivas” para obter legitimidade científica Cooper; Bowers (1995)
  • 58.
    “usuário" = mentede um indivíduo
 modelos sem corpo, sem mundo Igoe; O’Sullivan “How the computer sees us” (2004)
  • 59.
  • 60.
    quem paga efinancia 
 “usuários” sendo
 
 Centrados Modelados Avaliados Testados
 
 — designers trabalham para quem? Design Centrado no Usuário mas submisso a lógica de mercado que vem antes dele?
  • 61.
  • 62.
    Clique'aqui.' ' Clique'aqui.' ' A interface do“usuário"
 é toda a realidade do sistema
 para “usuários”?
  • 63.
  • 64.
  • 65.
  • 66.
    diferenças entre “usuários"e "designers"
 diferentes relações com artefatos Amanualidade em Winograd e Flores (1987) baseado em Heidegger Ilustração de Alexandre Nascimento
  • 67.
  • 68.
    Gonzatto (2018) baseadoem Álvaro Vieira Pinto (1960) Ilustração de Alexandre Nascimento
  • 69.
    Como surgiu 
 esseobjeto? “camera cover”? “usuários” adaptando/regulando 
 com o que se tem disponível“a mão”
  • 70.
    “Nuvem" dos “usuários”
 
 E-mail,Grupo,WhatsApp para si mesmo 
 para armazenamento ou notas
 ou para transferir arquivos do celular pro computador “usuários” projetando novas funções em objetos 
 que não foram “feitos para aquilo”
  • 71.
    dual SIM caso decomunidades rurais no Quênia uso de mais de um SIM no mesmo celular
 (interface amanual) como criar um botão de desliga? Tirar a bateria para celular desligar quando trava= botão de desligar (interface amanual) celular como lanterna Foi observando o uso de celulares como lanternas que essa funcionalidade foi “adicionada”
  • 72.
    como não negaro saber daqueles, 
 chamados de “usuários”? assumir que “usuários” sempre possuem saberes possuem IHC possuem Computação possuem Design mas podem 
 desenvolvê-las?
  • 73.
    “usuários” projetam, computam einteragem
 entre
 o grau de amanualidade que lhes foi dado
 e o grau de amanualidade que criam uma amanualidade que foi
 negada, 
 constrangida, 
 subdesenvolvida
  • 74.
    não com astécnicas de IHC, Computação e Design
 que nunca lhe foram ensinadas, mas com
 uso, não-uso gambiarra, adaptação resistência, contra-projeto “usuários” se especializam em criar espaço projetual 
 
 nas brechas dos 
 processos produtivos
  • 75.
    uma outra imagem
 de“usuário”:
 
 “Usuários” como sujeitos 
 na pesquisa e no projeto 
 em IHC, Computação e Design
  • 76.
    • “Usuários" nãodevem ser só “objetos" da IHC 
 (a quem o objeto se destina) • “Usuários" tem tecnologia, projetam e produzem computadores, mesmo que 
 em condições desprivilegiadas • “Usuários” produzem a IHC, e 
 a IHC deveria reconhecer a produção por utentes. Que IHC é essa que
 “usuários" produzem? Gonzatto (2018)
  • 77.
    ativismo LGBT projetando inclusãode nome social em formulários https://ufmg.br/comunicacao/noticias/nome-social- pode-ser-incluido-na-plataforma-do-curriculo-lattes
  • 78.
    o uso nãoé só
 compreender o que foi projetado fonte de bugs final do ciclo de vida de um produto
  • 79.
    emoticons :) #hashtags
 @pessoa praticamente todasas funções sociais de redes sociais foram criadas pelos seus “usuários”
  • 80.
    o uso nãoé só
 passivo
 recepção
 absorção
  • 81.
    associações de “usuários”
 seassumem “usuários”
 para reinvidicar direitos SURICATO- associação dos usuários da rede de saúde mental da prefeitura de Belo Horizonte: 
 https://www.youtube.com/watch?v=6KikhmQPR5Y&feature=youtu.be
  • 82.
    o uso nãoé só um recurso barato para gerar dados um saber para nos apropriamos por
 testes, pesquisas e etnografias
 sem oferecer contrapartida justa, sem reconhecer autoria
  • 83.
  • 84.
    co-design
 participação incluir-se no projeto
 dos“usuários" incluir “usuários"
 no projeto?
  • 85.
    modalidade de projeto
 queé impossível de se realizar
 sem ser por “usuários" o projeto para si para nós e não apenas projeto
 “para um outro”
  • 86.
    o projeto parasi para nós co-participar dos
 projetos dos “usuários" “usuários” já estão projetando suas existências 
 suas condições materiais
  • 87.
    quem tem queser "incluído”
 na participação são os “projetistas” para tal, também
 precisam estar como/com “usuários” produção de existência 
 pela produção de tecnologias
  • 88.
  • 89.
    Existe diferença entrechamar alguém de: paciente consumidor público
 cliente
 espectador cidadão ?
  • 90.
  • 91.
    E se aoinvés de “usuário" fosse: operador
 operário funcionário proletário ?
  • 92.
    Se o termo“usuário” é envolto de diversas problemáticas, como denominar “usuários”? • Alguns autores propõem mudar o termo 
 para “pessoas” ou “humanos”: • Cuidado: Risco de mudar o termo 
 sem mudar seu sentido/significado objetificante • Cuidado: Risco de perder tradição crítica Exemplo de manifesto que reivindica abolir o termo “usuário”.
  • 93.
    O que mudar?
 1.Mudar as condições materiais: projetar para usos que possam produzir de formas mais elaboradas 2. Preferir reconhecer as identidades assumidas 
 por aqueles ditos “usuários” 3. Ou assumir o termo como categoria política
 sem deixar de denunciar 
 o uso alienado de seu conceito ingênuo: • Usar aspas (“Usuário”) para indica suspensão e dúvida 
 de seu significado tradicional • Apontar a crítica explicitamente, textualmente Gonzatto (2018)
  • 94.
    “Em lugar docidadão 
 formou-se um consumidor, 
 que aceita ser chamado de usuário.” (MILTON SANTOS)
  • 95.