GERENCIAMENTO DE PROJETOS
UNIDADE 6
A seleção de projetos é uma necessidade
imperiosa, ocorrendo desde o nível das
decisões estratégicas até o nível operacional.
6.1 Seleção de projetos
A seleção de projetos é uma necessidade imperiosa, ocorrendo desde o nível das
decisões estratégicas até o nível operacional. No nível operacional, existem projetos
de menor escopo e recursos alocados, mas que contribuem para o aumento
da eficiência organizacional.
No nível estratégico, em que ocorrem os projetos de maior amplitude – em especial,
pela relevância, pela duração, pela complexidade e pelos recursos destinados –, e de
riscos mais difíceis de analisar e mensurar, a forma de agir é peculiar.
Isso acontece, basicamente, porque não há um modelo, uma regra ou
uma heurística que oriente os passos a serem seguidos. O que existe é uma mescla de
fatos e percepções, e uma certa compreensão do ambiente de negócios em que
estamos imersos, impulsionando-nos rumo a decisões com uma maior margem de
riscos e oportunidades.
No nível operacional, os projetos surgem, frequentemente,
em contextos melhor administrados, com menos incertezas e
maior probabilidade de acertos.
Atenção!
De modo geral, há maior proliferação de ideias e alternativas, e o estabelecimento de critérios mais formais
e estruturados pode ajudar bastante.
Critérios para seleção
Ao escolhermos um modelo para seleção de projetos, consideramos, basicamente, os seguintes critérios:
sintonia com a realidade, ou seja, custos, complexidade e tempo de resposta compatíveis com o objeto da
análise;
custo de uso compatível;
flexibilidade ou capacidade de adaptação ao perfil dos projetos característicos que serão analisados;
fácil utilização, considerando-se as habilidades das pessoas que irão alimentá-lo com informações e contextos;
informatização.
6.2 Modelos de projetos
Os modelos são, basicamente, de dois tipos: numéricos e não numéricos.
Esses modelos não são mutuamente excludentes, devendo, preferencialmente, ser utilizado de modo
complementar. Existem dois aspectos muito importantes a considerar:
•modelos não decidem, pessoas sim;
•qualquer modelo, por mais completo, detalhado ou com maior nível de efetividade é incompleto e parcial,
sendo sempre uma representação parcial da realidade.
Vejamos alguns exemplos de critérios não numéricos para seleção
de projetos:
•decisão de especialistas;
•necessidade competitiva;
•decisão que vem lá de cima;
•chefe que quer dessa forma;
•extensão de linha de um produto;
•necessidade imperiosa, uma emergência;
•comparação de benefícios – via priorização, especialistas, percepção
ou perspectiva do cliente, dos stakeholders
Critérios numéricos
Os critérios numéricos utilizados para seleção de projetos são métodos bem conhecidos para análise
econômico-financeira de investimentos. Clique em cada um deles, a seguir, para conhecê-los.
Período pay back
Tempo de retorno do investimento.
VPL – valor presente líquido
Análise do fluxo de caixa, com investimentos e receitas previstas, com aplicação de taxas de desconto para comparação dos
valores monetários no momento presente – eliminação parcial, por estimativa, de fatores inflacionários, juros.
IBC – índice custo-benefício
Análise que visa comparar o fluxo de receitas com o custo dos investimentos. Dessa forma, índices maiores que 1 significam
viabilidade. A questão é comparar esse índice com outros possíveis (outros projetos ou outras oportunidades).
TIR – taxa interna de retorno
Critério que, resumidamente, procura obter a taxa de desconto no fluxo de caixa previsto que irá torná-lo 0.
Custo de oportunidade
Análise comparativa das taxas de retorno entre diferentes opções ou simulações.
Limitação do critério numérico
Os métodos numéricos, apesar de atraentes e objetivos na aparência,
apresentam algumas limitações ou, até mesmo, armadilhas. Por
exemplo, os números e fluxos associados são obtidos a partir de
premissas de receitas– e volumes de venda/preços – que, quase
sempre, são subjetivas, fruto de discussões e acordos entre os
participantes do processo decisório.
Outros aspectos incluem analisar qual o melhor direcionamento para
o capital ou financiamento. Afirmar ou estimar que a receita prevista
em determinada opção de projeto será maior do que os
investimentos a serem realizados – sem considerar aspectos
como custo de oportunidade e o que outros projetos ou
investimentos poderiam fornecer, além de considerações estratégicas
– pode limitar a análise ou fornecer apenas o viés numérico.
Algumas ferramentas e metodologias podem ser
bastante úteis no processo de seleção, desde o
levantamento de opções até a efetiva priorização
no processo seletivo. Entre essas ferramentas,
podemos citar:
análise SWOT;
técnica Delphi;
matrizes ponderadas;
técnica do grupo nominal;
brainstorming e suas variações;
matriz GUT – gravidade, urgência e tendência;
Q-sort – classificação em fila por processo binário;
análise dos campos de força, oportunidades e
ameaças.
Matriz SWOT
Ferramenta utilizada para identificar as forças e fraquezas de uma organização (fatores relacionados
à posição presente) e também as ameaças e as oportunidades (fatores futuros).
Normalmente, é organizada em grupo, em uma ampla discussão entre os participantes.
A sigla SWOT vem do inglês strenght, weakness, opportunities e threats, ou seja, forças, fraquezas,
oportunidades e ameaças.
Técnica Delphi
Ferramenta de pesquisa qualitativa voltada para o consenso de opiniões de um grupo de
especialistas em relação a eventos futuros.
Adotada estabelecendo-se algumas condições básicas, como o anonimato dos respondentes, a
representação estatística dos resultados e o feedback de respostas do grupo para uma posterior
reavaliação.
Matriz de decisão ponderada
Definição de critérios para escolha de determinado assunto e da classificação de atividades
segundo esses critérios.
Significa que a equipe terá de tomar decisões quanto à escolha de processos críticos e à
implementação de soluções, classificando-as em ordem de prioridades.
Técnica do grupo nominal
Processo que, recorrendo a um grupo de peritos, permite selecionar, fazer julgamentos e
fomentar a criatividade de sugestões para a resolução de um problema complexo.
Também é conhecido como Método de Delbecq, em homenagem a seu principal
divulgador.
Brainstorming
Técnica utilizada para gerar ideias. Consiste em propor a um grupo a relação de todo tipo de
associações que vierem à cabeça, sem nenhuma análise de sua pertinência, para avaliação posterior.
Visa à solução de problemas em grupo, além de ao aumento da criatividade e da participação de todos
os membros desse grupo.
Matriz GUT
Ferramenta utilizada pela empresa na definição das ações reconhecidas como prioritárias. Trata-se de uma
ferramenta complementar a outros instrumentos de Gestão da Qualidade e deve ser usada por um grupo de
pessoas que tenha por finalidade o tratamento da ponderação de alternativas para tomada de decisão.
A sigla GUT corresponde, respectivamente, a:
gravidade;
urgência;
tendência.
Teste Q-sort
Técnica utilizada para facilitar a ordenação de itens importantes, complexos e
sobrepostos parcialmente, de maneira a reduzir o processamento de informações,
tornando-o mais veloz e confiável.
Click na Sugestão de leitura na base do Moodle
Unidade 6 gp

Unidade 6 gp

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    A seleção deprojetos é uma necessidade imperiosa, ocorrendo desde o nível das decisões estratégicas até o nível operacional.
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    6.1 Seleção deprojetos A seleção de projetos é uma necessidade imperiosa, ocorrendo desde o nível das decisões estratégicas até o nível operacional. No nível operacional, existem projetos de menor escopo e recursos alocados, mas que contribuem para o aumento da eficiência organizacional. No nível estratégico, em que ocorrem os projetos de maior amplitude – em especial, pela relevância, pela duração, pela complexidade e pelos recursos destinados –, e de riscos mais difíceis de analisar e mensurar, a forma de agir é peculiar. Isso acontece, basicamente, porque não há um modelo, uma regra ou uma heurística que oriente os passos a serem seguidos. O que existe é uma mescla de fatos e percepções, e uma certa compreensão do ambiente de negócios em que estamos imersos, impulsionando-nos rumo a decisões com uma maior margem de riscos e oportunidades.
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    No nível operacional,os projetos surgem, frequentemente, em contextos melhor administrados, com menos incertezas e maior probabilidade de acertos. Atenção! De modo geral, há maior proliferação de ideias e alternativas, e o estabelecimento de critérios mais formais e estruturados pode ajudar bastante. Critérios para seleção Ao escolhermos um modelo para seleção de projetos, consideramos, basicamente, os seguintes critérios: sintonia com a realidade, ou seja, custos, complexidade e tempo de resposta compatíveis com o objeto da análise; custo de uso compatível; flexibilidade ou capacidade de adaptação ao perfil dos projetos característicos que serão analisados; fácil utilização, considerando-se as habilidades das pessoas que irão alimentá-lo com informações e contextos; informatização.
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    6.2 Modelos deprojetos Os modelos são, basicamente, de dois tipos: numéricos e não numéricos. Esses modelos não são mutuamente excludentes, devendo, preferencialmente, ser utilizado de modo complementar. Existem dois aspectos muito importantes a considerar: •modelos não decidem, pessoas sim; •qualquer modelo, por mais completo, detalhado ou com maior nível de efetividade é incompleto e parcial, sendo sempre uma representação parcial da realidade. Vejamos alguns exemplos de critérios não numéricos para seleção de projetos: •decisão de especialistas; •necessidade competitiva; •decisão que vem lá de cima; •chefe que quer dessa forma; •extensão de linha de um produto; •necessidade imperiosa, uma emergência; •comparação de benefícios – via priorização, especialistas, percepção ou perspectiva do cliente, dos stakeholders
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    Critérios numéricos Os critériosnuméricos utilizados para seleção de projetos são métodos bem conhecidos para análise econômico-financeira de investimentos. Clique em cada um deles, a seguir, para conhecê-los. Período pay back Tempo de retorno do investimento. VPL – valor presente líquido Análise do fluxo de caixa, com investimentos e receitas previstas, com aplicação de taxas de desconto para comparação dos valores monetários no momento presente – eliminação parcial, por estimativa, de fatores inflacionários, juros. IBC – índice custo-benefício Análise que visa comparar o fluxo de receitas com o custo dos investimentos. Dessa forma, índices maiores que 1 significam viabilidade. A questão é comparar esse índice com outros possíveis (outros projetos ou outras oportunidades). TIR – taxa interna de retorno Critério que, resumidamente, procura obter a taxa de desconto no fluxo de caixa previsto que irá torná-lo 0. Custo de oportunidade Análise comparativa das taxas de retorno entre diferentes opções ou simulações.
  • 7.
    Limitação do critérionumérico Os métodos numéricos, apesar de atraentes e objetivos na aparência, apresentam algumas limitações ou, até mesmo, armadilhas. Por exemplo, os números e fluxos associados são obtidos a partir de premissas de receitas– e volumes de venda/preços – que, quase sempre, são subjetivas, fruto de discussões e acordos entre os participantes do processo decisório. Outros aspectos incluem analisar qual o melhor direcionamento para o capital ou financiamento. Afirmar ou estimar que a receita prevista em determinada opção de projeto será maior do que os investimentos a serem realizados – sem considerar aspectos como custo de oportunidade e o que outros projetos ou investimentos poderiam fornecer, além de considerações estratégicas – pode limitar a análise ou fornecer apenas o viés numérico.
  • 8.
    Algumas ferramentas emetodologias podem ser bastante úteis no processo de seleção, desde o levantamento de opções até a efetiva priorização no processo seletivo. Entre essas ferramentas, podemos citar: análise SWOT; técnica Delphi; matrizes ponderadas; técnica do grupo nominal; brainstorming e suas variações; matriz GUT – gravidade, urgência e tendência; Q-sort – classificação em fila por processo binário; análise dos campos de força, oportunidades e ameaças.
  • 9.
    Matriz SWOT Ferramenta utilizadapara identificar as forças e fraquezas de uma organização (fatores relacionados à posição presente) e também as ameaças e as oportunidades (fatores futuros). Normalmente, é organizada em grupo, em uma ampla discussão entre os participantes. A sigla SWOT vem do inglês strenght, weakness, opportunities e threats, ou seja, forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Técnica Delphi Ferramenta de pesquisa qualitativa voltada para o consenso de opiniões de um grupo de especialistas em relação a eventos futuros. Adotada estabelecendo-se algumas condições básicas, como o anonimato dos respondentes, a representação estatística dos resultados e o feedback de respostas do grupo para uma posterior reavaliação.
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    Matriz de decisãoponderada Definição de critérios para escolha de determinado assunto e da classificação de atividades segundo esses critérios. Significa que a equipe terá de tomar decisões quanto à escolha de processos críticos e à implementação de soluções, classificando-as em ordem de prioridades. Técnica do grupo nominal Processo que, recorrendo a um grupo de peritos, permite selecionar, fazer julgamentos e fomentar a criatividade de sugestões para a resolução de um problema complexo. Também é conhecido como Método de Delbecq, em homenagem a seu principal divulgador.
  • 11.
    Brainstorming Técnica utilizada paragerar ideias. Consiste em propor a um grupo a relação de todo tipo de associações que vierem à cabeça, sem nenhuma análise de sua pertinência, para avaliação posterior. Visa à solução de problemas em grupo, além de ao aumento da criatividade e da participação de todos os membros desse grupo. Matriz GUT Ferramenta utilizada pela empresa na definição das ações reconhecidas como prioritárias. Trata-se de uma ferramenta complementar a outros instrumentos de Gestão da Qualidade e deve ser usada por um grupo de pessoas que tenha por finalidade o tratamento da ponderação de alternativas para tomada de decisão. A sigla GUT corresponde, respectivamente, a: gravidade; urgência; tendência.
  • 12.
    Teste Q-sort Técnica utilizadapara facilitar a ordenação de itens importantes, complexos e sobrepostos parcialmente, de maneira a reduzir o processamento de informações, tornando-o mais veloz e confiável.
  • 13.
    Click na Sugestãode leitura na base do Moodle