CLÍNICA MÉDICA I
 DEFINIÇÃO:
- É o excesso de líquido acumulado no espaço
intersticial ou no interior das próprias células
- Pode ocorrer em qualquer sítio do organismo
- edema cutâneo – infiltração no espaço
intersticial dos tecidos que constituem pele e
TCSC
- coleções líquidas em cavidades serosas –
fenômenos fisiopatológicos afins; denomina-se
derrame cavitário ou articular.
 Para que o edema ocorra deve haver uma
quebra nos mecanismos que controlam a
distribuição de líquido intersticial.
 Pode ser:
- localizada e envolver apenas fatores que
influenciam o fluxo de fluido capilar
- Secundária a alterações do controle de
volume do compartimento extracelular e do
liquido corporal total ( o que na maioria das
vezes ocasiona edema generalizado)
Constante de permeabilidade
Pc = pressão
hidrostática
π c = pressão
oncótica
-Perda proteica
- Síntese
inadequada
-Inflamação
- Anemia (anóxia da
parede capilar)
-Alterações
vasomotoras
-Fator +
importante para
edema
generalizado
- influência
hormonal
 LOCALIZAÇÃO
 DURAÇÃO E EVOLUÇÃO (início, horário,
fenômenos que acompanham...)
 INTENSIDADE
 CONSISTÊNCIA
 TEMPERATURA DA PELE ADJACENTE
 SENSIBILIDADE DA PELE ADJACENTE
 OUTRAS ALTERAÇÕES DA PELE
ADJACENTE
 LOCALIZAÇÃO
- Localizado – se restringe a um segmento
- Generalizado (importante pesar o paciente – são
estimados aumentos de cerca 4 a 5% para que o edema
seja detectável clinicamente) = ANASARCA
 Locais mais comuns
- Membros inferiores
- Face (especialmente subpalpebral)
- Região pré-sacral (principalmente acamados)
 FOTO
 INTENSIDADE
- Avaliar através de compressão firme e
sustentada da polpa digital do polegar ou
indicador, contra uma estrutura rígida
subjacente (tíbia, sacro, ossos da face).
- depressão local: fóvea, cacifo
- Graduar em cruzes( +/ ++++)
- Outras formas:
a) Pesando o paciente diariamente
b) Medindo-se o perímetro da região
 CONSISTÊNCIA
- conceituada como grau de resistência durante a
compressão da região
- avaliada pela mesma manobra anterior
- EDEMA MOLE: facilmente depressível,
representa edema de menor duração e tecido
infiltrado de água
- EDEMA DURO: maior resistência para se obter
a fóvea, traduz existência de proliferação
fibroblástica, de maior duração ou acompanhado
de surtos inflamatórios repetidos (Linfedema)
 ELASTICIDADE
- Observando-se a volta da pele à posição
primitiva após a compressão
- ELÁSTICO: retorno imediato (edemas
inflamatórios)
- INELÁSTICO: demora a retornar
(síndrome nefrótica, ICC)
 TEMPERATURA DA PELE ADJACENTE
usando dorso dos dedos ou costas das mãos,
por comparação com área vizinha
- TEMP. NORMAL : freqüentemente não
se altera
- QUENTE: edema inflamatório
- FRIA: comprometimento da irrigação
sanguínea da área
 SENSIBILIDADE
Também avaliado pela digitopressão
- DOLOROSO: inflamatório
- INDOLOR
 OUTRAS ALTERAÇÕES DA PELE
- COLORAÇÃO:
- palidez: acompanha edemas com
distúrbio de irrigação sanguínea
- cianose: indica perturbação venosa
localizada, mas pode ser parte de cianose
central ou mista
- vermelhidão: inflamatório
 OUTRAS ALTERAÇÕES DA PELE
-TEXTURA E ESPESSURA
- Lisa e brilhante: edema recente e intenso
- Pele espessa: edema de longa duração
- Pele enrugada: qdo edema está sendo
eliminado
- OUTROS DISTÚRBIOS TRÓFICOS: atrofia,
ulceração, hiperpigmentação
 PRINCIPAIS CAUSAS:
 SD NEFRÓTICA, SD NEFRÍTICA, PIELONEFRITE
 ICC
 CIRROSE HEPÁTICA
 MIXEDEMA
 ALERGIAS
 VARIZES
 TROMBOSE VENOSA
 FLEBITE
 LINFEDEMA
 EDEMA RENAL
- Engloba: Síndrome nefrítica, Síndrome Nefrótica e
Pielonefrite
- mecanismos fisiopatológicos diferentes, mas com
características semiológicas comuns
- edema generalizado (predominantemente facial –
subpalpebral, matutino)
- mole, inelástico, temperatura normal ou pouco
reduzida
-Sd nefrótica: + intenso, geralmente acompanhado de
derrames cavitários, fisiopatologia por
hiperaldosteronismo secundário e hipoproteinemia
- Sd nefrítica: retenção de sódio e água por disbalanço
glomerulotubular e aumento da permeabilidade capilar.
Gravidade é
proporcional a queda
da taxa de filtração
glomerular, sendo esta
sua causa principal
Restrição rigorosa de sal pode
equilibrar a ingestão com baixa
excreção
Com posterior
reabsorção no
nefron distal
Lesão na membrana basalDevido ativação do
sistema renina-
angiotensina-
aldosterona
>3,5g/24h –
urina
espumosa
Piorada pelo
do↑
catabolismo
de albumina
associado
Contração do vol. intravascular
↓ DC (↓ pré-carga)
↓ Perfusão renal
Ativação SRAA
↓ excreção de Na+
Retenção de Na e H2o
Aumento da PH
Pode ainda estimular liberação de hormônio
antidiurético (ADH), levando a mais retenção
de água livre de soluto, aumentando a diluição
do Na plasmático, o que agrava a ↓ da pressão
oncótica, reciclando o estímulo de formação
do edema
 ICC
- um dos sinais cardinais
- generalizado, predominando em MMII
-vespertino (gravitário – se acamado = pré-sacral)
- varia de intensidade
- mole, inelástico, indolor, pele adjacente pode
estar lisa e brilhante
- Decorre, sobretudo, pelo aumento de pressão
hidrostática e retenção de sódio e água. Provável
aumento de permeabilidade capilar associado
(fator natriurético atrial)
Enchimento
deficiente do
leito vascular
arterial
↑ PH no
polo venoso
 CIRROSE HEPÁTICA
- edema generalizado, quase sempre discreto
- predomina em MMII, habitual ascite
concomitante
- mole, inelástico, indolor
- hipoproteinemia (distúrbio no metabolismo
protéico), hiperaldosteronismo secundário
(responsável pela retenção de Na e H2O) e
hipoalbuminemia
 Fibrose e regeneração nodular do fígado
 Compromete síntese de albumina por lesão
dos hepatócitos
 Hipertensão portal por alt. arquitetural
dificultando livre fluxo de sangue e linfa.
Formação de
Circulação colateral
Retenção esplâncnica e
mesentérica venosa
Prejudicando o
enchimento arterial
(contração do vol.
arterial circulante)
 MIXEDEMA
- Forma particular de edema na Hipofunção
tireoideana
- Mecanismo de formação: por deposição de
substâncias mucopolissacarídeas no espaço
intersticial (leva a ↑ da pressão osmótica
intersticial) com retenção hídrica secundária
- pouco depressível, inelástico, não muito
intenso, alterações tróficas do
hipotireoidismo (pele seca e fria)
 EDEMA ALÉRGICO
- acompanha fenômenos angioneuróticos
- por aumento de permeabilidade capilar
(histaminas e cininas decorrentes da reação
antígeno-anticorpo)
- pode ser generalizado, mas costuma restringir-
se a certas áreas (face)
- instalação súbita e rápida (pele lisa e brilhante)
- pode ser quente e avermelhado
- mole e elástico
 EDEMAS LOCALIZADOS
- Varizes
- Trombose venosa
- Flebite
- Linfedema
 EDEMA VARICOSO
-em MMII (pode preponderar em um membro)
- pouco intenso (piora com a posição –
gravitário)
- a princípio é mole, podendo tornar-se duro
com o passar do tempo
- inelástico
- alteração de coloração da pele com
cronificação (castanha ou mais escura)
- pode tornar-se espessa e de textura mais
grosseira
 TROMBOSE VENOSA:
- mole
- intenso
- pele pálida (flegmasia alba dolens)
- em alguns casos cianótica (flegmasia alba
cerulea)
- por aumento da pressão hidrostática, seja
por insuficiência das valvas das veias, seja por
oclusão do vaso (mesmo mecanismo do
edema varicoso)
 FLEBITE
- Decorre de componente inflamatório com
aumento de permeabilidade capilar,
insuficiência de valvas e oclusão de vaso
(aumento da pressão hidrostática)
- localizado, intensidade leve a mediana,
elástico, doloroso
- pele adjacente lisa, brilhante, vermelha e
quente
 LINFEDEMA
- designação para edemas originados nas
afecções de vasos linfáticos (obstrução)
- localizado, duro, inelástico, indolor
- com francas alterações de textura e
espessura de pele (grossa e áspera)
- avançado = elefantíase
- pós-erisipela, filariose, pós-mastectomia
Elefantíase = Sd caracterizada
por hipertrofia cutânea regional
em decorrência de obstrução da
circulação linfática, com
represamento de linfa e
proliferação fibroblástica
intensa
Semiologia do edema 2018
Semiologia do edema 2018

Semiologia do edema 2018

  • 1.
  • 2.
     DEFINIÇÃO: - Éo excesso de líquido acumulado no espaço intersticial ou no interior das próprias células - Pode ocorrer em qualquer sítio do organismo - edema cutâneo – infiltração no espaço intersticial dos tecidos que constituem pele e TCSC - coleções líquidas em cavidades serosas – fenômenos fisiopatológicos afins; denomina-se derrame cavitário ou articular.
  • 3.
     Para queo edema ocorra deve haver uma quebra nos mecanismos que controlam a distribuição de líquido intersticial.  Pode ser: - localizada e envolver apenas fatores que influenciam o fluxo de fluido capilar - Secundária a alterações do controle de volume do compartimento extracelular e do liquido corporal total ( o que na maioria das vezes ocasiona edema generalizado)
  • 5.
    Constante de permeabilidade Pc= pressão hidrostática π c = pressão oncótica
  • 6.
    -Perda proteica - Síntese inadequada -Inflamação -Anemia (anóxia da parede capilar) -Alterações vasomotoras -Fator + importante para edema generalizado - influência hormonal
  • 9.
     LOCALIZAÇÃO  DURAÇÃOE EVOLUÇÃO (início, horário, fenômenos que acompanham...)  INTENSIDADE  CONSISTÊNCIA  TEMPERATURA DA PELE ADJACENTE  SENSIBILIDADE DA PELE ADJACENTE  OUTRAS ALTERAÇÕES DA PELE ADJACENTE
  • 10.
     LOCALIZAÇÃO - Localizado– se restringe a um segmento - Generalizado (importante pesar o paciente – são estimados aumentos de cerca 4 a 5% para que o edema seja detectável clinicamente) = ANASARCA  Locais mais comuns - Membros inferiores - Face (especialmente subpalpebral) - Região pré-sacral (principalmente acamados)
  • 11.
  • 13.
     INTENSIDADE - Avaliaratravés de compressão firme e sustentada da polpa digital do polegar ou indicador, contra uma estrutura rígida subjacente (tíbia, sacro, ossos da face). - depressão local: fóvea, cacifo - Graduar em cruzes( +/ ++++) - Outras formas: a) Pesando o paciente diariamente b) Medindo-se o perímetro da região
  • 15.
     CONSISTÊNCIA - conceituadacomo grau de resistência durante a compressão da região - avaliada pela mesma manobra anterior - EDEMA MOLE: facilmente depressível, representa edema de menor duração e tecido infiltrado de água - EDEMA DURO: maior resistência para se obter a fóvea, traduz existência de proliferação fibroblástica, de maior duração ou acompanhado de surtos inflamatórios repetidos (Linfedema)
  • 17.
     ELASTICIDADE - Observando-sea volta da pele à posição primitiva após a compressão - ELÁSTICO: retorno imediato (edemas inflamatórios) - INELÁSTICO: demora a retornar (síndrome nefrótica, ICC)
  • 18.
     TEMPERATURA DAPELE ADJACENTE usando dorso dos dedos ou costas das mãos, por comparação com área vizinha - TEMP. NORMAL : freqüentemente não se altera - QUENTE: edema inflamatório - FRIA: comprometimento da irrigação sanguínea da área
  • 19.
     SENSIBILIDADE Também avaliadopela digitopressão - DOLOROSO: inflamatório - INDOLOR
  • 20.
     OUTRAS ALTERAÇÕESDA PELE - COLORAÇÃO: - palidez: acompanha edemas com distúrbio de irrigação sanguínea - cianose: indica perturbação venosa localizada, mas pode ser parte de cianose central ou mista - vermelhidão: inflamatório
  • 22.
     OUTRAS ALTERAÇÕESDA PELE -TEXTURA E ESPESSURA - Lisa e brilhante: edema recente e intenso - Pele espessa: edema de longa duração - Pele enrugada: qdo edema está sendo eliminado - OUTROS DISTÚRBIOS TRÓFICOS: atrofia, ulceração, hiperpigmentação
  • 25.
     PRINCIPAIS CAUSAS: SD NEFRÓTICA, SD NEFRÍTICA, PIELONEFRITE  ICC  CIRROSE HEPÁTICA  MIXEDEMA  ALERGIAS  VARIZES  TROMBOSE VENOSA  FLEBITE  LINFEDEMA
  • 26.
     EDEMA RENAL -Engloba: Síndrome nefrítica, Síndrome Nefrótica e Pielonefrite - mecanismos fisiopatológicos diferentes, mas com características semiológicas comuns - edema generalizado (predominantemente facial – subpalpebral, matutino) - mole, inelástico, temperatura normal ou pouco reduzida -Sd nefrótica: + intenso, geralmente acompanhado de derrames cavitários, fisiopatologia por hiperaldosteronismo secundário e hipoproteinemia - Sd nefrítica: retenção de sódio e água por disbalanço glomerulotubular e aumento da permeabilidade capilar.
  • 27.
    Gravidade é proporcional aqueda da taxa de filtração glomerular, sendo esta sua causa principal Restrição rigorosa de sal pode equilibrar a ingestão com baixa excreção Com posterior reabsorção no nefron distal
  • 28.
    Lesão na membranabasalDevido ativação do sistema renina- angiotensina- aldosterona >3,5g/24h – urina espumosa Piorada pelo do↑ catabolismo de albumina associado
  • 29.
    Contração do vol.intravascular ↓ DC (↓ pré-carga) ↓ Perfusão renal Ativação SRAA ↓ excreção de Na+ Retenção de Na e H2o Aumento da PH Pode ainda estimular liberação de hormônio antidiurético (ADH), levando a mais retenção de água livre de soluto, aumentando a diluição do Na plasmático, o que agrava a ↓ da pressão oncótica, reciclando o estímulo de formação do edema
  • 31.
     ICC - umdos sinais cardinais - generalizado, predominando em MMII -vespertino (gravitário – se acamado = pré-sacral) - varia de intensidade - mole, inelástico, indolor, pele adjacente pode estar lisa e brilhante - Decorre, sobretudo, pelo aumento de pressão hidrostática e retenção de sódio e água. Provável aumento de permeabilidade capilar associado (fator natriurético atrial)
  • 32.
  • 34.
     CIRROSE HEPÁTICA -edema generalizado, quase sempre discreto - predomina em MMII, habitual ascite concomitante - mole, inelástico, indolor - hipoproteinemia (distúrbio no metabolismo protéico), hiperaldosteronismo secundário (responsável pela retenção de Na e H2O) e hipoalbuminemia
  • 35.
     Fibrose eregeneração nodular do fígado  Compromete síntese de albumina por lesão dos hepatócitos  Hipertensão portal por alt. arquitetural dificultando livre fluxo de sangue e linfa. Formação de Circulação colateral Retenção esplâncnica e mesentérica venosa Prejudicando o enchimento arterial (contração do vol. arterial circulante)
  • 38.
     MIXEDEMA - Formaparticular de edema na Hipofunção tireoideana - Mecanismo de formação: por deposição de substâncias mucopolissacarídeas no espaço intersticial (leva a ↑ da pressão osmótica intersticial) com retenção hídrica secundária - pouco depressível, inelástico, não muito intenso, alterações tróficas do hipotireoidismo (pele seca e fria)
  • 40.
     EDEMA ALÉRGICO -acompanha fenômenos angioneuróticos - por aumento de permeabilidade capilar (histaminas e cininas decorrentes da reação antígeno-anticorpo) - pode ser generalizado, mas costuma restringir- se a certas áreas (face) - instalação súbita e rápida (pele lisa e brilhante) - pode ser quente e avermelhado - mole e elástico
  • 42.
     EDEMAS LOCALIZADOS -Varizes - Trombose venosa - Flebite - Linfedema
  • 43.
     EDEMA VARICOSO -emMMII (pode preponderar em um membro) - pouco intenso (piora com a posição – gravitário) - a princípio é mole, podendo tornar-se duro com o passar do tempo - inelástico - alteração de coloração da pele com cronificação (castanha ou mais escura) - pode tornar-se espessa e de textura mais grosseira
  • 45.
     TROMBOSE VENOSA: -mole - intenso - pele pálida (flegmasia alba dolens) - em alguns casos cianótica (flegmasia alba cerulea) - por aumento da pressão hidrostática, seja por insuficiência das valvas das veias, seja por oclusão do vaso (mesmo mecanismo do edema varicoso)
  • 47.
     FLEBITE - Decorrede componente inflamatório com aumento de permeabilidade capilar, insuficiência de valvas e oclusão de vaso (aumento da pressão hidrostática) - localizado, intensidade leve a mediana, elástico, doloroso - pele adjacente lisa, brilhante, vermelha e quente
  • 49.
     LINFEDEMA - designaçãopara edemas originados nas afecções de vasos linfáticos (obstrução) - localizado, duro, inelástico, indolor - com francas alterações de textura e espessura de pele (grossa e áspera) - avançado = elefantíase - pós-erisipela, filariose, pós-mastectomia
  • 50.
    Elefantíase = Sdcaracterizada por hipertrofia cutânea regional em decorrência de obstrução da circulação linfática, com represamento de linfa e proliferação fibroblástica intensa