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HISTÓRIA
DA
EDUCAÇÃO
Prof. Valéria Rosa Poubell
A
Educação
do Homem
Primitivo
Australopithecus (de 5
milhões a 1 milhão de
anos atrás), caçador, que
lasca a pedra, constrói
abrigos;
Pitecanthropus (de 2
milhões a 200 mil anos atrás),
com um cérebro pouco
desenvolvido, que vive da
colheita e da caça, se alimenta
de modo misto, pule a pedra
nas duas faces, é um pronto-
artesão e conhece o fogo, mas
vive imerso numa condição de
fragilidade e de medo;
Homem de Neanderthal
(de 200 mil a 40 mil anos
atrás), que aperfeiçoa as
armas e desenvolve um
culto dos mortos, criando
até um gosto estético
(visível nas pinturas), que
deve transmitir o seu
ainda simples saber
técnico;
Homo sapiens, que já tem
características atuais: possui a
linguagem, elabora múltiplas
técnicas, educa os seus
“filhotes”, vive da caça, é
nômade, é “artista” (arte
naturalista e animalista), está
impregnado de cultura
mágica, dotado de cultos e
crenças, e vive dentro da
“mentalidade primitiva”
marcada pela participação
mística dos seres e pelo
raciocínio concreto, ligado a
conceitos-imagens e pré-
lógico, intuitivo e não-
argumentativo.
A educação dos jovens,
nesta fase, torna-se o
instrumento central para
a sobrevivência do grupo
e a atividade fundamental
para realizar a
transmissão e o
desenvolvimento da
cultura. No filhote dos
animais superiores já
existe uma disposição
para acolher esta
transmissão, fixada
biologicamente e
marcada pelo jogo-
imitação.
Todos os filhotes brincam
com os adultos e nessa
relação se realiza um
adestramento, se aprendem
técnicas de defesa e de
ataque, de controle do
território, de ritualização dos
instintos. Isso ocorre – e num
nível enormemente mais
complexo – também com o
homem primitivo, que através
da imitação, ensina ou
aprende o uso das armas, a
caça e a colheita, o uso da
linguagem, o culto dos
mortos, as técnicas de
transformação e domínio do
meio ambiente.
A evolução do hominídeo para o homem
apresenta as seguintes fases:
Depois desta fase, entra-se (cerca de 8 ou 10 mil anos atrás) na época do Neolítico, na
qual se assiste a uma verdadeira e própria revolução cultural. Nascem, as primeiras
civilizações agrícolas: os grupos humanos se tornam sedentários, cultivam os campos e
criam animais, aperfeiçoam e enriquecem as técnicas (para fabricar vasos, para tecer, para
arar), cria-se uma divisão do trabalho cada vez mais nítida entre homem e mulher e um
domínio sobre a mulher por parte do homem, depois de uma fase que exalta a
feminilidade no culto da Grande Mãe (findo com o advento do treinamento, visto como
“conquista masculina”).
A revolução neolítica é também uma revolução educativa: fixa uma divisão educativa
paralela à divisão do trabalho (entre homem e mulher, entre especialistas do sagrado e
da defesa e grupos de produtores); fixa o papel - chave da família na reprodução das
infra-estruturas culturais: papel sexual, papéis sociais, competências elementares,
introjeção da autoridade; produz o incremento dos locais de aprendizagem e de
adestramento específicos (nas diversas oficinas artesanais ou algo semelhante; nos
campos; no adestramento; nos rituais; na arte) que, embora ocorram sempre por
imitação e segundo processos de participação ativa no exercício de uma atividade,
tendem depois a especializar-se, dando vida a momentos ou locais cada vez mais
específicos para a aprendizagem. Depois, são a linguagem e as técnicas (linguagem
mágica e técnicas pragmáticas) que regulam – de maneira cada vez mais separada – os
modelos de educação.
CHINA
Nas civilizações orientais a
educação era tradicional: dividida
em classes, opondo cultura e
trabalho, organizada em escolas
fechadas e separadas para a classe
dirigente. O conhecimento da escrita
era restrito a devido ao seu caráter
esotérico As preocupações com
educação apareceram nos livros
sagrados, que ofereceram regras
ideais de conduta e enquadramento
das pessoas nos rígidos sistemas
religiosos. Nesse período surgiu o
dualismo escolar, que destina um
tipo de ensino para o povo e outro
para os filhos dos funcionários, ou
seja, grande parte da comunidade
foi excluída da escola e restringida à
educação familiar informal.
O surgimento da escrita;
Transição da sociedade
primitiva para a
civilização;
Surgimento da cidade e
do estado;
Mantinha a cultura
dominante através da
educação.
Educação
do Homem
Oriental
As escolas funcionavam como templos e em algumas casas foram
freqüentadas por pouco mais de vinte alunos. A aprendizagem se fazia por
transcrições de hinos, livros sagrados, acompanhada de exortações morais
e de coerções físicas. Ao lado da escrita, ensinava-se também aritmética,
com sistemas de cálculo, complicados problemas de geometria associados
à agrimensura, conhecimentos de botânica, zoologia, mineralogia e
geografia.
O primeiro instrumento do sacerdote-intelectual é a escrita, que no Egito
era hieroglífica (relacionada com o caráter pictográfico das origens e
depois estilizada em ideogramas ligados por homofonia e por polifonia, em
seguida por contrações e junções, até atingir um cursivo chamado
hierático e de uso cotidiano, mais simples, e finalmente o demótico, que
era uma forma ainda mais abreviada e se escrevia sobre folha de papiro
com um cálamo embebido em carbono).
Ao lado da educação escolar, havia a familiar (atribuída primeira à mãe,
depois ao pai) e a “dos ofícios”, que se fazia nas oficinas artesanais e que
atingia a maior parte da população. Este aprendizado não tinha nenhuma
necessidade de “processo institucionalizado de instrução” e “são os pais
ou os parentes artesãos que ensinavam a arte aos filhos”, através do
observar para depois reproduzir o processo observado. Os populares eram
também excluídos da ginástica e da música, reservadas apenas a casta
guerreira e colocadas como adestramento para guerra.
Pilares de um templo no Egito – edificados para representar florestas.
Escrita hieroglífica cursiva.
A Educação no
Antigo Egito
Educação do
homem na
Babilônia
A cultura da poderosa classe sacerdotal destaca-se, bem
como a extrema dificuldade que a escrita cuneiforme
oferece aos escribas, incumbidos de ler e copiar textos
religiosos.
Na civilização babilônica, tiveram um papel essencial o
templo e as técnicas. O templo era o verdadeiro centro
social dessa civilização, o lugar onde se condensa a tradição
e onde organizam as competências técnicas, sobretudo as
mais altas e complexas, como escrever, contar, medir, que
dão vida à literatura, à matemática, à geometria, às quais se
acrescenta a astronomia que estuda o céu para fins,
sobretudo práticos (elaborar um calendário).
Os sacerdotes (verdadeira casta de poder, que levava uma
vida separada e se dedicava a atividades diferentes dos
outros homens, ligadas aos rituais e à cultura), eram os
depositários da palavra, os conhecedores da técnica da
leitura e da escrita. A experiência escolar formava o escriba
e ocorria em ambientes aparelhados para escrever sobre
tabuletas de argila, sob o controle de um mestre (dubsar),
pelo uso de silabários e segundo uma rígida disciplina.
Os fenícios eram povos de origem
semita. Por volta de 3000 a.C.,
estabeleceram-se numa estreita
faixa de terra com cerca de 35 km
de largura, situada entre as
montanhas do Líbano e o mar
Mediterrâneo. Com 200 km de
extensão, corresponde a maior
parte do litoral do atual Líbano e
uma pequena parte da Síria.
Quanto à cultura, fundamental foi o
desenvolvimento dos
conhecimentos técnicos (de cálculo,
de escrita, mas também ligados aos
problemas da navegação). A
descoberta mais significativa desse
povo foi a do alfabeto, com 22
consoantes (sem as vogais), do qual
derivam o alfabeto grego e depois
os europeus, e que aconteceu pela
necessidade de simplificar e
acelerar a comunicação.
A primeira produção do alfabeto ocorreu
em Biblos (um dos centros da Fenícia),
que deu, aliás, nome ao livro (biblos em
grego), pelas indústrias de papiro que ali
se encontravam. Quanto aos processos
educativos, são aqueles típicos das
sociedades pré-gregas, influenciados
pelos modelos dos grandes impérios e
pelas sociedades sem escrita em que
predomina a sacralização dos saberes e a
organização pragmática das técnicas, e
tais processos se desenvolvem, sobretudo
na família, no santuário ou nas oficinas
artesanais.
Os processos de formação coletiva
são confiados ao “bardo”, ao
“profeta”, ao “sábio”, três figuras-
guias das comunidades pré-
literárias e que desenvolvem uma
ação de transmissão de saberes,
de memória histórica e de
“educadores de massa”.
EDUCAÇÃODO
HOMEMFENÍCIO
EDUCAÇÃO
DO HOMEM
HEBREU
O principal legado que os
hebreus deixaram foi no
âmbito religioso. Eles
foram os primeiros povos
a adotar o monoteísmo,
ou seja, a crença em um
único Deus. Também de
destacam na literatura,
destacando o Antigo
Testamento, que é a
primeira parte da Bíblia.
Quanto aos profetas, eles
eram os educadores de
Israel, inspirados por Deus
e continuadores do
espírito de sua mensagem
ao “povo eleito”: devem
educar com dureza,
castigar e repreender
também com violência, já
que sua denúncia é em
razão de um retorno ao
papel atribuído por Deus a
Israel.
A escola em Israel organizava-se em torno da interpretação da
Lei dentro da sinagoga; à qual “era anexa uma escola exegese”
que, no período helenístico, se envolveu em sérios contrastes
em torno, justamente, da helenização da cultura hebraica. Aos
saduceus (helenizantes) opuseram-se os fariseus (antigregos)
que remetiam à letra das Escrituras e à tradição interpretativa,
salvaguardada de modo formalista. Assim, além de centro de
oração e de vida religiosa e civil, a sinagoga se torna também
lugar de instrução.A instrução que se professava era religiosa,
voltada tanto para a “palavra” quanto para os “costumes”.
Os conteúdos da instrução eram “trechos escolhidos da
Torá”, a partir daqueles usados nos ofícios religiosos
cotidianos. Só mais tarde (no século I d.C.) foi
acrescentado o estudo da escrita e da aritmética. Nos
séculos sucessivos, os hebreus da diáspora fixaram-se, em
geral, sobre este modelo de formação (instrução
religiosa), atribuindo também a esta o papel de salvar sua
identidade cultural e sua tradição histórica
Educação
no
Período
Grego
É o berço da civilização,
tendo como seus
principais
representantes:
Sócrates, Aristóteles e
Platão;
Tem como princípio o
desenvolvimento
individual do ser
humano;
Preparação para o
desenvolvimento
intelectual da
personalidade e a
cidadania;
Ideais pautados na
liberdade política e
moral e no
desenvolvimento
intelectual.
mulheres e submetidas à
autoridade do pai, que poderia
reconhecê-las ou abandoná-
las, que escolhia seu papel
social e era seu tutor legal. A
infância não era valorizada em
toda a cultura antiga: era uma
idade de passagem, ameaçada
por doenças, incerta nos seus
sucessos; sobre ela, portanto,
se fazia um mínimo
investimento afetivo. A criança
crescia em casa, controlada
pelo “medo do pai”,
atemorizada por figuras
míticas semelhantes às bruxas,
gratificada com brinquedos
(bonecas) e entretida com
jogos (bolas, aros, armas
rudimentares), mas sempre era
colocada à margem da vida
social. Ou então, era
submetida à violência, a
estupro, a trabalho, até a
sacrifícios rituais. O menino –
em toda a Antigüidade e na
Grécia também – era um
“marginal” e como tal era
violentado e explorado sob
vários aspectos, mesmo se
gradualmente – a partir dos
sete anos, em geral – era
inserido em instituições
públicas e sociais que lhe
concediam uma identidade e
lhe indicavam uma função. A
menina não recebia qualquer
A educação grega era centrada na
formação integral do indivíduo.
Quando não existia a escrita, a
educação era ministrada pela
própria família, conforme a
tradição religiosa. A transmissão
da cultura grega se dava também,
através das inúmeras atividades
coletivas (festivais, banquetes,
reuniões).
A escola ainda permanecia
elitizada, atendendo aos jovens
de famílias tradicionais da antiga
nobreza ou dos comerciantes
enriquecidos. O ensino das letras
e dos cálculos demorou um pouco
mais para se difundir, já que nas
escolas a formação era mais
esportiva que intelectual.
Alfabeto grego
Dois modelos educativos
Esparta e Atenas deram vida a dois ideais de educação:
um baseado no conformismo e no estatismo, outro na
concepção, outro na concepção de Paidéia, de formação
humana livre e nutrida de experiências diversas, sociais,
alimentaram durante séculos o debate pedagógico,
sublinhando a riqueza e fecundidade ora de um, ora de
outro modelo.
Foi o mítico Licurgo quem ditou as regras políticas de Esparta e
delineou seu sistema educativo, conforme o testemunho de
Plutarco. As crianças do sexo masculino, a partir dos sete anos,
eram retiradas da família e inseridas em escolas-ginásios onde
recebiam, até os 16 anos, uma formação de tipo militar, que
devia favorecer a aquisição da força e da coragem.
O cidadão-guerreiro é formado pelo adestramento no uso das
armas, reunido em equipes sob o controle de jovens guerreiros
e, depois, de um superintendente geral (paidonomos). Levava-
se uma vida comum, favoreciam-se os vínculos de amizade,
valorizava-se em particular a obediência. Quanto à cultura – ler,
escrever -, pouco espaço era dado a ela na formação do
espartano – “o estritamente necessário”, diz Plutarco -, embora
fizessem aprender de memória Homero e Hesíodo ou o poeta
Tirteo.
EDUCAÇÃO EM
ESPARTA E ATENAS
Já em Atenas, após a adoção do alfabeto iônico, totalmente fonético, que se tornou comum a
toda Grécia, teve um esplêndido florescimento em todos os campos: da poesia ao teatro, da
história à filosofia. No século V, Atenas exercia um influxo sobre toda a Grécia: tinha
necessidade de uma burocracia culta, que conhecesse a escrita. Esta se difundiu a todo o
povo e os cidadãos livres adquiriram o hábito de dedicar-se à oratória, à filosofia, à literatura,
desprezando o trabalho manual e comercial. Todo o povo escrevia como atesta a prática do
ostracismo. Afirmou-se um ideal de formação mais culto e civil, ligado à eloqüência e à
beleza, desinteressado e universal, capaz de atingir os aspectos mais próprios e profundos da
humanidade de cada indivíduo e destinado a educar justamente este aspecto de
humanidade, que em particular a filosofia e as letras conseguem nele fazer emergir e
amadurecer. Assim, a educação assumia em Atenas um papel-chave e complexo, tornava-se
matéria de debate, tendia a universalizar-se, superando os limites da polis.
Numa primeira etapa, a educação era dada aos rapazes que freqüentavam a escola e a
palestra, onde eram instruídos através da leitura, da escrita, da música e da educação física,
sob a direção de três instrutores: o grammatistes (mestre), o kitharistes (professor de música),
o paidotribes (professor de gramática). O rapaz era depois acompanhado por um escravo que
o controlava e guiava: o paidagogos. Depois de aprender o alfabeto e a escrita, usando
tabuinhas de madeira cobertas de cera, liam-se versos ricos de ensinamentos, narrativas,
discursos, elogios de homens famosos, depois os poetas líricos”que eram cantados. O cuidado
com o corpo era muito valorizado, para torná-lo sadio, forte e belo, realizado no gymnasia.
Aos 18 anos, o jovem era “efebo” *no auge da adolescência), inscrevia-se no próprio demo (ou
circunscrição), com uma cerimônia entrava na vida de cidadão e depois prestava serviço
militar por dois anos.
A particularidade da educação
ateniense é indicada pela ideia
harmônica de formação que
inspira ao processo educativo e
o lugar que nela ocupa a cultura
literária e musical, desprovida
de valor prático, mas de grande
importância espiritual, ligada ao
crescimento da personalidade e
humanidade do jovem.
A partir do século V a. C., exige-se algo mais da educação. Para além de formar o homem, a
educação deve ainda formar o cidadão. A antiga educação, baseada na ginástica, na música e na
gramática deixa de ser suficiente. Surge então o modelo ideal de educação grega, que aparece como
Paidéia*, que tem como objetivo geral construir o homem como homem e cidadão.
Platão define Paidéia da seguinte maneira “(...) a essência de toda a verdadeira educação ou Paidéia
é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a
obedecer, tendo a justiça como fundamento”.
A noção de Paidéia se afirma de modo orgânico e independente na época dos sofistas e de Sócrates
e assinala a passagem explícita – da educação para a Pedagogia, de uma dimensão teórica, que se
delineia segundo as características universais e necessárias da filosofia. Nasce a Pedagogia como
saber autônomo, sistemático, rigoroso; nasce o pensamento da educação como episteme*, e não
mais como éthos* e como práxis* apenas.
Paideia
História da educação

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Pedagogia universitária em ciência e tecnologia
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Concurso FEMAR Resultado Final Etapa1-EmpregoscomEtapaII.pdf
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História da educação

  • 3. Australopithecus (de 5 milhões a 1 milhão de anos atrás), caçador, que lasca a pedra, constrói abrigos; Pitecanthropus (de 2 milhões a 200 mil anos atrás), com um cérebro pouco desenvolvido, que vive da colheita e da caça, se alimenta de modo misto, pule a pedra nas duas faces, é um pronto- artesão e conhece o fogo, mas vive imerso numa condição de fragilidade e de medo; Homem de Neanderthal (de 200 mil a 40 mil anos atrás), que aperfeiçoa as armas e desenvolve um culto dos mortos, criando até um gosto estético (visível nas pinturas), que deve transmitir o seu ainda simples saber técnico; Homo sapiens, que já tem características atuais: possui a linguagem, elabora múltiplas técnicas, educa os seus “filhotes”, vive da caça, é nômade, é “artista” (arte naturalista e animalista), está impregnado de cultura mágica, dotado de cultos e crenças, e vive dentro da “mentalidade primitiva” marcada pela participação mística dos seres e pelo raciocínio concreto, ligado a conceitos-imagens e pré- lógico, intuitivo e não- argumentativo. A educação dos jovens, nesta fase, torna-se o instrumento central para a sobrevivência do grupo e a atividade fundamental para realizar a transmissão e o desenvolvimento da cultura. No filhote dos animais superiores já existe uma disposição para acolher esta transmissão, fixada biologicamente e marcada pelo jogo- imitação. Todos os filhotes brincam com os adultos e nessa relação se realiza um adestramento, se aprendem técnicas de defesa e de ataque, de controle do território, de ritualização dos instintos. Isso ocorre – e num nível enormemente mais complexo – também com o homem primitivo, que através da imitação, ensina ou aprende o uso das armas, a caça e a colheita, o uso da linguagem, o culto dos mortos, as técnicas de transformação e domínio do meio ambiente. A evolução do hominídeo para o homem apresenta as seguintes fases:
  • 4. Depois desta fase, entra-se (cerca de 8 ou 10 mil anos atrás) na época do Neolítico, na qual se assiste a uma verdadeira e própria revolução cultural. Nascem, as primeiras civilizações agrícolas: os grupos humanos se tornam sedentários, cultivam os campos e criam animais, aperfeiçoam e enriquecem as técnicas (para fabricar vasos, para tecer, para arar), cria-se uma divisão do trabalho cada vez mais nítida entre homem e mulher e um domínio sobre a mulher por parte do homem, depois de uma fase que exalta a feminilidade no culto da Grande Mãe (findo com o advento do treinamento, visto como “conquista masculina”). A revolução neolítica é também uma revolução educativa: fixa uma divisão educativa paralela à divisão do trabalho (entre homem e mulher, entre especialistas do sagrado e da defesa e grupos de produtores); fixa o papel - chave da família na reprodução das infra-estruturas culturais: papel sexual, papéis sociais, competências elementares, introjeção da autoridade; produz o incremento dos locais de aprendizagem e de adestramento específicos (nas diversas oficinas artesanais ou algo semelhante; nos campos; no adestramento; nos rituais; na arte) que, embora ocorram sempre por imitação e segundo processos de participação ativa no exercício de uma atividade, tendem depois a especializar-se, dando vida a momentos ou locais cada vez mais específicos para a aprendizagem. Depois, são a linguagem e as técnicas (linguagem mágica e técnicas pragmáticas) que regulam – de maneira cada vez mais separada – os modelos de educação.
  • 5. CHINA Nas civilizações orientais a educação era tradicional: dividida em classes, opondo cultura e trabalho, organizada em escolas fechadas e separadas para a classe dirigente. O conhecimento da escrita era restrito a devido ao seu caráter esotérico As preocupações com educação apareceram nos livros sagrados, que ofereceram regras ideais de conduta e enquadramento das pessoas nos rígidos sistemas religiosos. Nesse período surgiu o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos dos funcionários, ou seja, grande parte da comunidade foi excluída da escola e restringida à educação familiar informal. O surgimento da escrita; Transição da sociedade primitiva para a civilização; Surgimento da cidade e do estado; Mantinha a cultura dominante através da educação. Educação do Homem Oriental
  • 6. As escolas funcionavam como templos e em algumas casas foram freqüentadas por pouco mais de vinte alunos. A aprendizagem se fazia por transcrições de hinos, livros sagrados, acompanhada de exortações morais e de coerções físicas. Ao lado da escrita, ensinava-se também aritmética, com sistemas de cálculo, complicados problemas de geometria associados à agrimensura, conhecimentos de botânica, zoologia, mineralogia e geografia. O primeiro instrumento do sacerdote-intelectual é a escrita, que no Egito era hieroglífica (relacionada com o caráter pictográfico das origens e depois estilizada em ideogramas ligados por homofonia e por polifonia, em seguida por contrações e junções, até atingir um cursivo chamado hierático e de uso cotidiano, mais simples, e finalmente o demótico, que era uma forma ainda mais abreviada e se escrevia sobre folha de papiro com um cálamo embebido em carbono). Ao lado da educação escolar, havia a familiar (atribuída primeira à mãe, depois ao pai) e a “dos ofícios”, que se fazia nas oficinas artesanais e que atingia a maior parte da população. Este aprendizado não tinha nenhuma necessidade de “processo institucionalizado de instrução” e “são os pais ou os parentes artesãos que ensinavam a arte aos filhos”, através do observar para depois reproduzir o processo observado. Os populares eram também excluídos da ginástica e da música, reservadas apenas a casta guerreira e colocadas como adestramento para guerra. Pilares de um templo no Egito – edificados para representar florestas. Escrita hieroglífica cursiva. A Educação no Antigo Egito
  • 7. Educação do homem na Babilônia A cultura da poderosa classe sacerdotal destaca-se, bem como a extrema dificuldade que a escrita cuneiforme oferece aos escribas, incumbidos de ler e copiar textos religiosos. Na civilização babilônica, tiveram um papel essencial o templo e as técnicas. O templo era o verdadeiro centro social dessa civilização, o lugar onde se condensa a tradição e onde organizam as competências técnicas, sobretudo as mais altas e complexas, como escrever, contar, medir, que dão vida à literatura, à matemática, à geometria, às quais se acrescenta a astronomia que estuda o céu para fins, sobretudo práticos (elaborar um calendário). Os sacerdotes (verdadeira casta de poder, que levava uma vida separada e se dedicava a atividades diferentes dos outros homens, ligadas aos rituais e à cultura), eram os depositários da palavra, os conhecedores da técnica da leitura e da escrita. A experiência escolar formava o escriba e ocorria em ambientes aparelhados para escrever sobre tabuletas de argila, sob o controle de um mestre (dubsar), pelo uso de silabários e segundo uma rígida disciplina.
  • 8. Os fenícios eram povos de origem semita. Por volta de 3000 a.C., estabeleceram-se numa estreita faixa de terra com cerca de 35 km de largura, situada entre as montanhas do Líbano e o mar Mediterrâneo. Com 200 km de extensão, corresponde a maior parte do litoral do atual Líbano e uma pequena parte da Síria. Quanto à cultura, fundamental foi o desenvolvimento dos conhecimentos técnicos (de cálculo, de escrita, mas também ligados aos problemas da navegação). A descoberta mais significativa desse povo foi a do alfabeto, com 22 consoantes (sem as vogais), do qual derivam o alfabeto grego e depois os europeus, e que aconteceu pela necessidade de simplificar e acelerar a comunicação. A primeira produção do alfabeto ocorreu em Biblos (um dos centros da Fenícia), que deu, aliás, nome ao livro (biblos em grego), pelas indústrias de papiro que ali se encontravam. Quanto aos processos educativos, são aqueles típicos das sociedades pré-gregas, influenciados pelos modelos dos grandes impérios e pelas sociedades sem escrita em que predomina a sacralização dos saberes e a organização pragmática das técnicas, e tais processos se desenvolvem, sobretudo na família, no santuário ou nas oficinas artesanais. Os processos de formação coletiva são confiados ao “bardo”, ao “profeta”, ao “sábio”, três figuras- guias das comunidades pré- literárias e que desenvolvem uma ação de transmissão de saberes, de memória histórica e de “educadores de massa”. EDUCAÇÃODO HOMEMFENÍCIO
  • 9. EDUCAÇÃO DO HOMEM HEBREU O principal legado que os hebreus deixaram foi no âmbito religioso. Eles foram os primeiros povos a adotar o monoteísmo, ou seja, a crença em um único Deus. Também de destacam na literatura, destacando o Antigo Testamento, que é a primeira parte da Bíblia. Quanto aos profetas, eles eram os educadores de Israel, inspirados por Deus e continuadores do espírito de sua mensagem ao “povo eleito”: devem educar com dureza, castigar e repreender também com violência, já que sua denúncia é em razão de um retorno ao papel atribuído por Deus a Israel. A escola em Israel organizava-se em torno da interpretação da Lei dentro da sinagoga; à qual “era anexa uma escola exegese” que, no período helenístico, se envolveu em sérios contrastes em torno, justamente, da helenização da cultura hebraica. Aos saduceus (helenizantes) opuseram-se os fariseus (antigregos) que remetiam à letra das Escrituras e à tradição interpretativa, salvaguardada de modo formalista. Assim, além de centro de oração e de vida religiosa e civil, a sinagoga se torna também lugar de instrução.A instrução que se professava era religiosa, voltada tanto para a “palavra” quanto para os “costumes”. Os conteúdos da instrução eram “trechos escolhidos da Torá”, a partir daqueles usados nos ofícios religiosos cotidianos. Só mais tarde (no século I d.C.) foi acrescentado o estudo da escrita e da aritmética. Nos séculos sucessivos, os hebreus da diáspora fixaram-se, em geral, sobre este modelo de formação (instrução religiosa), atribuindo também a esta o papel de salvar sua identidade cultural e sua tradição histórica
  • 10. Educação no Período Grego É o berço da civilização, tendo como seus principais representantes: Sócrates, Aristóteles e Platão; Tem como princípio o desenvolvimento individual do ser humano; Preparação para o desenvolvimento intelectual da personalidade e a cidadania; Ideais pautados na liberdade política e moral e no desenvolvimento intelectual. mulheres e submetidas à autoridade do pai, que poderia reconhecê-las ou abandoná- las, que escolhia seu papel social e era seu tutor legal. A infância não era valorizada em toda a cultura antiga: era uma idade de passagem, ameaçada por doenças, incerta nos seus sucessos; sobre ela, portanto, se fazia um mínimo investimento afetivo. A criança crescia em casa, controlada pelo “medo do pai”, atemorizada por figuras míticas semelhantes às bruxas, gratificada com brinquedos (bonecas) e entretida com jogos (bolas, aros, armas rudimentares), mas sempre era colocada à margem da vida social. Ou então, era submetida à violência, a estupro, a trabalho, até a sacrifícios rituais. O menino – em toda a Antigüidade e na Grécia também – era um “marginal” e como tal era violentado e explorado sob vários aspectos, mesmo se gradualmente – a partir dos sete anos, em geral – era inserido em instituições públicas e sociais que lhe concediam uma identidade e lhe indicavam uma função. A menina não recebia qualquer
  • 11. A educação grega era centrada na formação integral do indivíduo. Quando não existia a escrita, a educação era ministrada pela própria família, conforme a tradição religiosa. A transmissão da cultura grega se dava também, através das inúmeras atividades coletivas (festivais, banquetes, reuniões). A escola ainda permanecia elitizada, atendendo aos jovens de famílias tradicionais da antiga nobreza ou dos comerciantes enriquecidos. O ensino das letras e dos cálculos demorou um pouco mais para se difundir, já que nas escolas a formação era mais esportiva que intelectual. Alfabeto grego
  • 12. Dois modelos educativos Esparta e Atenas deram vida a dois ideais de educação: um baseado no conformismo e no estatismo, outro na concepção, outro na concepção de Paidéia, de formação humana livre e nutrida de experiências diversas, sociais, alimentaram durante séculos o debate pedagógico, sublinhando a riqueza e fecundidade ora de um, ora de outro modelo. Foi o mítico Licurgo quem ditou as regras políticas de Esparta e delineou seu sistema educativo, conforme o testemunho de Plutarco. As crianças do sexo masculino, a partir dos sete anos, eram retiradas da família e inseridas em escolas-ginásios onde recebiam, até os 16 anos, uma formação de tipo militar, que devia favorecer a aquisição da força e da coragem. O cidadão-guerreiro é formado pelo adestramento no uso das armas, reunido em equipes sob o controle de jovens guerreiros e, depois, de um superintendente geral (paidonomos). Levava- se uma vida comum, favoreciam-se os vínculos de amizade, valorizava-se em particular a obediência. Quanto à cultura – ler, escrever -, pouco espaço era dado a ela na formação do espartano – “o estritamente necessário”, diz Plutarco -, embora fizessem aprender de memória Homero e Hesíodo ou o poeta Tirteo. EDUCAÇÃO EM ESPARTA E ATENAS
  • 13. Já em Atenas, após a adoção do alfabeto iônico, totalmente fonético, que se tornou comum a toda Grécia, teve um esplêndido florescimento em todos os campos: da poesia ao teatro, da história à filosofia. No século V, Atenas exercia um influxo sobre toda a Grécia: tinha necessidade de uma burocracia culta, que conhecesse a escrita. Esta se difundiu a todo o povo e os cidadãos livres adquiriram o hábito de dedicar-se à oratória, à filosofia, à literatura, desprezando o trabalho manual e comercial. Todo o povo escrevia como atesta a prática do ostracismo. Afirmou-se um ideal de formação mais culto e civil, ligado à eloqüência e à beleza, desinteressado e universal, capaz de atingir os aspectos mais próprios e profundos da humanidade de cada indivíduo e destinado a educar justamente este aspecto de humanidade, que em particular a filosofia e as letras conseguem nele fazer emergir e amadurecer. Assim, a educação assumia em Atenas um papel-chave e complexo, tornava-se matéria de debate, tendia a universalizar-se, superando os limites da polis. Numa primeira etapa, a educação era dada aos rapazes que freqüentavam a escola e a palestra, onde eram instruídos através da leitura, da escrita, da música e da educação física, sob a direção de três instrutores: o grammatistes (mestre), o kitharistes (professor de música), o paidotribes (professor de gramática). O rapaz era depois acompanhado por um escravo que o controlava e guiava: o paidagogos. Depois de aprender o alfabeto e a escrita, usando tabuinhas de madeira cobertas de cera, liam-se versos ricos de ensinamentos, narrativas, discursos, elogios de homens famosos, depois os poetas líricos”que eram cantados. O cuidado com o corpo era muito valorizado, para torná-lo sadio, forte e belo, realizado no gymnasia. Aos 18 anos, o jovem era “efebo” *no auge da adolescência), inscrevia-se no próprio demo (ou circunscrição), com uma cerimônia entrava na vida de cidadão e depois prestava serviço militar por dois anos.
  • 14. A particularidade da educação ateniense é indicada pela ideia harmônica de formação que inspira ao processo educativo e o lugar que nela ocupa a cultura literária e musical, desprovida de valor prático, mas de grande importância espiritual, ligada ao crescimento da personalidade e humanidade do jovem.
  • 15. A partir do século V a. C., exige-se algo mais da educação. Para além de formar o homem, a educação deve ainda formar o cidadão. A antiga educação, baseada na ginástica, na música e na gramática deixa de ser suficiente. Surge então o modelo ideal de educação grega, que aparece como Paidéia*, que tem como objetivo geral construir o homem como homem e cidadão. Platão define Paidéia da seguinte maneira “(...) a essência de toda a verdadeira educação ou Paidéia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento”. A noção de Paidéia se afirma de modo orgânico e independente na época dos sofistas e de Sócrates e assinala a passagem explícita – da educação para a Pedagogia, de uma dimensão teórica, que se delineia segundo as características universais e necessárias da filosofia. Nasce a Pedagogia como saber autônomo, sistemático, rigoroso; nasce o pensamento da educação como episteme*, e não mais como éthos* e como práxis* apenas. Paideia