Entreolhares na dimensão pedagógica
*Leitura e leitor
Professora: Valéria R. Poubell
*
CONCEPÇÕES
DE LEITURA
DECODIFICAÇÃO
DOS SÍMBOLOS
GRÁFICOS
COMPREENSÃO
DAS PALAVRAS E
EXPRESSÕES
COMPREENSÃO
DO SENTIDO MAIS
IMEDIATO
*
UM
CONTRAPONTO
Multiplicidade de sentido na leitura
VALORES
REPRESENTAÇÕES
SOCIAIS
VISÃO DE
MUNDO
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice...
De vinho tinto de sangue.
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta (...)
(Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil).
Os sentidos de um texto
dependem, sim, de
nossa visão social de
mundo.
(...) Primeiramente, a leitura do mundo,
do pequeno mundo em que me envolvia.
Depois, a leitura da palavra que, nem
sempre, ao longo de minha
escolarização, foi a leitura da
“palavramundo” – não é a leitura da
palavra mundo, mas é a leitura da
“palavramundo”, uma palavra só.
(FREIRE, 1995, p. 30)
Ler não é uma prática
Social totalmente
autônoma; muito menos,
neutra...
A leitura, além de uma história, tem uma
sociologia (CHARTIER, 1998). As formas de ler e
avaliar os textos variam, se se considerarem
diferentes classes sociais, regiões, etnias etc. (...)
Diferentes leitores, espectadores, ouvintes,
produzem apropriações inventivas – e
diferenciadas – dos textos que recebem. Para
Michel de Certeau, o consumo cultural é ele
mesmo uma produção – silenciosa, disseminada,
anônima, mas uma produção. O que não significa
considerar o leitor como completamente livre,
pois ele está submetido a restrições e limites
impostos por sua formação cultural e pela
forma particular do texto que lê.
(Abreu (2000, pp. 123-124).
À nossa condição étnica,
geográfica, cultural, podemos
acumular experiências – ou não –
que nos possibilitem ir além ou
ficar aquém do texto que
lemos...
*ATIVIDADE 1 – CASA
Então, qual é o papel da
escola, enquanto espaço
privilegiado de produção
de cultura, na formação
de leitores?
A escola, dentre outros espaços educativos
formais e informais, desempenha também
um papel privilegiado no processo de
formação de futuros leitores.
Como instituição imersa no mundo das
letras, que articula as diferentes áreas do
conhecimento, a escola assume a função de
imprimir as primeiras “marcas
experienciais” que delineiam o perfil de
futuros alunos/leitores.
* "Eu sei escrever.
Escrevo cartas, bilhetes, lista de
compras,
composição escolar narrando o belo
passeio
à fazenda da vovó que nunca existiu
porque ela era pobre como Jó.
Mas escrevo também coisas
inexplicáveis:
quero ser feliz, isto é amarelo.
E não consigo, isto é dor.
Vai-te de mim, tristeza, sino gago,
pessoas dizendo entre soluços:
“não aguento mais”.
Moro num lugar chamado globo
terrestre
onde se chora mais
que o volume das águas denominadas
mar,
para onde levam os rios outro tanto
de lágrimas.
Aqui se passa fome. Aqui se odeia.
Aqui se é feliz, no meio de invenções
miraculosas.
Imagine que uma dita roda-gigante
Como é bom! De um lado os rapazes.
Do outro as moças, eu louca para
casar
e dormir com meu marido no
quartinho
de uma casa antiga com soalho de
tábua.
Não há como não pensar na morte,
entre tantas delícias, querer ser
eterno.
Sou alegre e sou triste, meio a meio.
Levas tudo a peito, diz a minha mãe,
dá uma volta, distrai-te, vai ao
cinema.
A mãe não sabe, cinema é como diria
o avô:
“cinema é gente passando.
Viu uma vez, viu todas”.
Com perdão da palavra, quero cair na
vida.
Quero ficar no parque, a voz do
cantor açucarando a tarde...
Assim escrevo: tarde. Não a palavra.
A coisa."
ATIVIDADE 2 - CASA
Assuma o papel de futuro agente de formação de
leitores em práticas de leitura alternativas, capazes
de gerar outros sentidos e caminhos para a
constituição do aluno-leitor e, individualmente ou
em dupla, elabore hipóteses acerca das questões:
1- Formamos leitores ou os leitores se
formam?
2- Que relação pode existir entre o hábito
de leitura, o gosto e as práticas escolares?
Refletindo e produzindo...
ABREU, Marcia. As variadas formas de ler. In: PAIVA, Aparecida; PAULINO, Graça;
BUARQUE, Chico. Cálice. In: ______. Perfil. São Paulo: Som Livre, 2003.
CAPELLO, Cláudia; COELHO, Lígia Martha. Língua portuguesa na educação 1.
Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2003. 130p.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. In: ABREU, Marcia (Org.). Leituras
no Brasil: antologia comemorativa pelo 10º Cole. Campinas, SP: Mercado de
Letras, 1995.
VILLARDI, Raquel. Ensinando a gostar de ler e formando leitores para a vida
inteira. Rio de Janeiro: Dunya, 1999.

Leitura e leitor

  • 1.
    Entreolhares na dimensãopedagógica *Leitura e leitor Professora: Valéria R. Poubell
  • 2.
  • 3.
    CONCEPÇÕES DE LEITURA DECODIFICAÇÃO DOS SÍMBOLOS GRÁFICOS COMPREENSÃO DASPALAVRAS E EXPRESSÕES COMPREENSÃO DO SENTIDO MAIS IMEDIATO *
  • 4.
    UM CONTRAPONTO Multiplicidade de sentidona leitura VALORES REPRESENTAÇÕES SOCIAIS VISÃO DE MUNDO
  • 5.
    Pai, afasta demim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice... De vinho tinto de sangue. Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta (...) (Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil).
  • 6.
    Os sentidos deum texto dependem, sim, de nossa visão social de mundo.
  • 7.
    (...) Primeiramente, aleitura do mundo, do pequeno mundo em que me envolvia. Depois, a leitura da palavra que, nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo” – não é a leitura da palavra mundo, mas é a leitura da “palavramundo”, uma palavra só. (FREIRE, 1995, p. 30)
  • 8.
    Ler não éuma prática Social totalmente autônoma; muito menos, neutra...
  • 9.
    A leitura, alémde uma história, tem uma sociologia (CHARTIER, 1998). As formas de ler e avaliar os textos variam, se se considerarem diferentes classes sociais, regiões, etnias etc. (...) Diferentes leitores, espectadores, ouvintes, produzem apropriações inventivas – e diferenciadas – dos textos que recebem. Para Michel de Certeau, o consumo cultural é ele mesmo uma produção – silenciosa, disseminada, anônima, mas uma produção. O que não significa considerar o leitor como completamente livre, pois ele está submetido a restrições e limites impostos por sua formação cultural e pela forma particular do texto que lê. (Abreu (2000, pp. 123-124).
  • 10.
    À nossa condiçãoétnica, geográfica, cultural, podemos acumular experiências – ou não – que nos possibilitem ir além ou ficar aquém do texto que lemos...
  • 11.
    *ATIVIDADE 1 –CASA Então, qual é o papel da escola, enquanto espaço privilegiado de produção de cultura, na formação de leitores?
  • 12.
    A escola, dentreoutros espaços educativos formais e informais, desempenha também um papel privilegiado no processo de formação de futuros leitores. Como instituição imersa no mundo das letras, que articula as diferentes áreas do conhecimento, a escola assume a função de imprimir as primeiras “marcas experienciais” que delineiam o perfil de futuros alunos/leitores.
  • 13.
    * "Eu seiescrever. Escrevo cartas, bilhetes, lista de compras, composição escolar narrando o belo passeio à fazenda da vovó que nunca existiu porque ela era pobre como Jó. Mas escrevo também coisas inexplicáveis: quero ser feliz, isto é amarelo. E não consigo, isto é dor. Vai-te de mim, tristeza, sino gago, pessoas dizendo entre soluços: “não aguento mais”. Moro num lugar chamado globo terrestre onde se chora mais que o volume das águas denominadas mar, para onde levam os rios outro tanto de lágrimas. Aqui se passa fome. Aqui se odeia. Aqui se é feliz, no meio de invenções miraculosas. Imagine que uma dita roda-gigante Como é bom! De um lado os rapazes. Do outro as moças, eu louca para casar e dormir com meu marido no quartinho de uma casa antiga com soalho de tábua. Não há como não pensar na morte, entre tantas delícias, querer ser eterno. Sou alegre e sou triste, meio a meio. Levas tudo a peito, diz a minha mãe, dá uma volta, distrai-te, vai ao cinema. A mãe não sabe, cinema é como diria o avô: “cinema é gente passando. Viu uma vez, viu todas”. Com perdão da palavra, quero cair na vida. Quero ficar no parque, a voz do cantor açucarando a tarde... Assim escrevo: tarde. Não a palavra. A coisa."
  • 14.
    ATIVIDADE 2 -CASA Assuma o papel de futuro agente de formação de leitores em práticas de leitura alternativas, capazes de gerar outros sentidos e caminhos para a constituição do aluno-leitor e, individualmente ou em dupla, elabore hipóteses acerca das questões: 1- Formamos leitores ou os leitores se formam? 2- Que relação pode existir entre o hábito de leitura, o gosto e as práticas escolares? Refletindo e produzindo...
  • 15.
    ABREU, Marcia. Asvariadas formas de ler. In: PAIVA, Aparecida; PAULINO, Graça; BUARQUE, Chico. Cálice. In: ______. Perfil. São Paulo: Som Livre, 2003. CAPELLO, Cláudia; COELHO, Lígia Martha. Língua portuguesa na educação 1. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2003. 130p. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. In: ABREU, Marcia (Org.). Leituras no Brasil: antologia comemorativa pelo 10º Cole. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1995. VILLARDI, Raquel. Ensinando a gostar de ler e formando leitores para a vida inteira. Rio de Janeiro: Dunya, 1999.