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“Conhece-te a ti 
mesm-Ions.c”rição do Oráculo de Delfos 
-Profº Altair Aguilar
Na Grécia Antiga, o período pré-socrático foi dominado, em grande parte, 
pela investigação da natureza. Essa investigação consistia na busca de 
explicações racionais (cosmologia) para o universo manifestando-se na 
procura de um princípio primordial (a arché) de todas as coisas existentes. 
Seguiu-se a esse período uma nova fase filosófica, caracterizada pelo 
interesse no próprio homem e nas relações políticas do homem com a 
sociedade. Essa nova fase foi marcada, no início, pelos sofistas. 
Em uma época de lutas políticas e intensos conflitos de opiniões nas 
assembléias democráticas, os cidadãos sentiam necessidade de aprender a 
arte de argumentar em público. 
Os sofistas eram professores viajantes que vendiam ensinamentos práticos 
de filosofia: o desenvolvimento da argumentação, da habilidade retórica, do 
conhecimento de doutrinas divergentes. Ou seja, raciocínios e concepções 
utilizados na arte de convencer pessoas, que favoreceram o surgimento de 
concepções filosóficas relativistas.
Etimologicamente, o termo sofista significa “sábio”. Entretanto com o 
decorrer do tempo ganhou o sentido de “impostor”, por ser a sofística, 
isto é, a arte dos sofistas, apenas uma atitude viciosa do espírito, uma arte 
de manipular raciocínios, de produzir o falso, de iludir os ouvintes, sem 
qualquer amor pela verdade. 
A verdade, em grego, se diz aletheia e significa a manifestação daquilo que 
é, o não-oculto. 
Aletheia se opõe a pseudos que significa o falso, aquilo que se esconde, 
que ilude. 
Os sofistas parecem não buscar a aletheia; se contentam com pseudos. 
Tanto assim, que se usa a palavra sofisma, derivada de sofista, para 
designar um raciocínio aparentemente correto, mas que na verdade é falso 
ou inconclusivo, geralmente formulado com p objetivo de enganar alguém.
“O homem é a medida de todas as coisas; 
daquelas que são, enquanto são; e 
daquelas que não são, enquanto não são.” 
Nascido em Abdera, Protágoras (480-410 a.C.) é 
considerado o primeiro e um dos mais 
importantes sofistas. Ensinou por muito tempo 
em Atenas, tendo como princípio básico a idéia 
de que o homem é a medida de tudo que existe. 
Conforme essa concepção, todas as coisas são 
relativas às disposições do homem, portanto não 
haveria verdades absolutas. 
A filosofia de Protágoras sofreu críticas por dar 
margem a um grande subjetivismo: tal coisa é 
verdadeira se para mim parece verdadeira. 
Qualquer tese poderia ser encarada como falsa 
ou verdadeira, dependendo da ótica de cada um.
“O bom orador é capaz de convencer 
qualquer pessoa sobre qualquer coisa.” 
Górgias de Leontini (487-380 a.C., aproximadamente), 
considerado um dos grandes oradores da Grécia. 
Aprofundou o subjetivismo relativista de Protágoras 
aponto de defender o ceticismo absoluto. 
Afirmava que: 
a) Nada existia; 
b) Se existisse, não poderia ser conhecido; 
c) Mesmo que fosse conhecido, não poderia ser 
comunicado a ninguém.
“Ele supõe saber alguma coisa e não 
sabe, enquanto eu, não sei, tampouco 
suponho saber. Parece que sou um 
pouco mais sábio que ele exatamente 
por não supor que saiba o que não sei.” 
Nascido em Atenas, Sócrates (469-399 a.C.) é 
tradicionalmente considerado um marco divisório 
da história da filosofia grega. Por isso, os filósofos 
que o antecedem são chamados pré-socráticos e 
os que sucedem, de pós-socráticos. 
Sócrates desenvolvia o saber filosófico sempre 
dando demonstrações de que era preciso unir a 
vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao 
fazer, a consciência intelectual à consciência 
prática ou moral. 
Tanto quanto os sofistas Sócrates abandonou a 
preocupação em explicar a natureza e se 
concentrou na problemática do homem. No 
entanto, contrariamente aos sofistas, Sócrates 
opunha-se ao relativismo em relação à questão da 
moralidade e ao uso da retórica para atingir 
interesses particulares.
Sócrates procurava um fundamento último para as interrogações humanas 
(O que é bom? O que é a virtude? O que é a justiça?), enquanto os sofistas 
situavam suas reflexões a partir dos dados empíricos, sem se preocupar 
com a investigação de uma essência da virtude, a partir da qual a própria 
realidade empírica pudesse ser avaliada. 
A pergunta fundamental que Sócrates tentava responder era: o que é a 
essência do homem? 
Ele respondia dizendo que o homem é a sua alma, entende-se “alma” 
como a sede da razão, o nosso eu consciente, que inclui a consciência 
intelectual e a consciência moral, que distingue o ser humano de todos os 
outros seres da natureza. 
Por isso, o auto conhecimento era um dos pontos básicos da filosofia 
socrática. “Conhece-te a ti mesmo”, era a recomendação básica feita por 
Sócrates a seus discípulos. 
Sua filosofia era desenvolvia mediante diálogos críticos com seus 
interlocutores. Esses diálogos podem ser divididos em dois momentos 
básicos: a ironia e a maiêutica.
Na linguagem cotidiana, a palavra ironia tem um significado depreciativo, 
sarcástico ou de zombaria. Mas não é esse o sentido da ironia socrática. No 
grego, ironia quer dizer “interrogação”. De fato Sócrates interrogava seus 
discípulos naquilo que pensavam saber. 
O que é o bem? O que é a justiça? E a coragem? E a piedade? São exemplos de 
algumas perguntas. 
Sócrates buscava demolir o orgulho, a arrogância e a presunção do saber. 
A primeira virtude do sábio é adquirir a consciência da própria ignorância. 
“Sei que nada sei” dizia Sócrates. 
A ironia socrática tinha, portanto um caráter purificador. Levando seus 
discípulos a confessarem sua próprias contradições e ignorâncias, onde antes 
só julgavam possuir certezas e clarividências, tomando consciência de suas 
próprias respostas e das conseqüências que poderiam ser tiradas de suas 
reflexões, muitas vezes repletas de conceitos vagos e imprecisos.
Libertos do orgulho e da pretensão de que tudo sabiam, os discípulos 
podiam então iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias idéias. 
Novamente, Sócrates lhes propunham uma série de questões habilmente 
colocadas. 
Nesta segunda fase do diálogo, o objetivo de Sócrates era ajudar os 
discípulos a conceberem suas próprias idéias. Assim, transportava para o 
campo da filosofia o exemplo de sua mãe, que sendo parteira, ajudava a 
trazer crianças ao mundo. 
Por isso, essa face do diálogo, destinada à concepção de idéias, era 
chamada maiêutica, termo grego que significa “arte de trazer à luz”.
“Os males não cessarão para os 
homens antes que a raça dos puros e 
autênticos filósofos chegue ao poder.” 
Nascido em Atenas, Platão (427-347 a.C.) foi 
discípulo de Sócrates. Fundou sua própria escola 
filosófica Academia. 
A maior parte do pensamento platônico nos foi 
transmitida por intermédio da fala de Sócrates, nos 
diálogos socráticos, escritos por ele mesmo, 
Platão. 
Teoria das idéias 
Um dos aspectos mais importantes da filosofia de 
Platão é sua teoria das idéias, que procura explicar 
como se desenvolve o conhecimento humano. 
Segundo ele, o processo de conhecimento se 
desenvolve por meio da passagem progressiva do 
mundo das sombras e aparências para o mundo 
das idéias e essências. Vejamos:
• A primeira etapa desse processo é dominada pelas impressões ou 
sensações advindas dos sentidos. Essas impressões sensíveis são 
responsáveis pela opinião que temos da realidade. A opinião que se adquire 
sem busca metódica. 
• O conhecimento, entretanto, para ser autêntico, deve ultrapassar a esfera 
das impressões sensoriais, o plano da opinião, e penetrar na esfera racional 
da sabedoria, o mundo das idéias. Para atingir esse mundo, o homem não 
pode ter apenas “amor às opiniões” (filodoxia); precisa possuir um “amor ao 
saber” (filosofia) 
A opinião nasce, portanto, da percepção da aparência e da diversidade das 
coisas. O conhecimento, por sua vez, é elaborado quando se alcança a idéia, 
que rompe com as aparências e a diversidade ilusória. 
O método proposto por Platão para realizar essa passagem e atingir o 
conhecimento autêntico (epistéme) é a dialética. 
Dialética 
Consiste na afirmação de uma tese qualquer seguida de uma discussão e 
negação desta tese qualquer seguida de uma discussão e negação desta 
tese, com o objetivo de purificá-la dos erros e equívocos.
“O ser se exprime de muitos 
modos, mas nenhum modo 
exprime o ser. O ser se diz em 
vários sentidos.” 
Nascido em Estagira, na Macedônia, foi discípulo 
de Sócrates. 
Discordava do mestre, em sua teoria das idéias. 
Para Aristóteles, a partir da observação da 
realidade da existência do ser, é que 
atingiríamos sua essência. Realidade essa que 
seria tudo o que vemos, pegamos, ouvimos e 
sentimos. 
Aristóteles entendia que o ser individual, 
concreto, único não pode ser objeto da ciência. 
O objeto próprio das ciências é a compreensão 
do universal. 
A indução (operação mental que vai do particular 
para o geral) representa, para Aristóteles, o 
processo básico intelectual de aquisição de 
conhecimento.
Para a polêmica entre Heráclito e Parmênides, Aristóteles propôs uma nova 
interpretação, segundo a qual em todo ser devemos distinguir: 
• o ato – a manifestação atual do ser, aquilo que já existe; 
• a potência – as possibilidades do ser (capacidade de ser), aquilo que ainda não é mas 
pode vir a ser. 
Sendo assim a transitoriedade ou mudança das coisas, se resumiriam na passagem da 
potência para o ato. 
Segundo Aristóteles devemos distinguir também em todos os seres existentes: 
• a substância – aquilo que é estrutural e essencial do ser; 
• o acidente – aquilo que é atribuído circunstancial e não-essencial do ser; 
A causa 
Aristóteles emprega o termo causa em tudo aquilo que determina a realidade de um ser. 
Distingue, assim, quatro tipos de causas fundamentais: 
• causa material – refere-se à matéria de que é feita uma coisa; 
• causa formal – refere-se à forma, à natureza específica, à configuração de uma coisa; 
• causa eficiente – refere-se ao agente que produziu diretamente a coisa; 
• causa final – refere-se ao objeto, à intenção, à finalidade ou à razão de ser de uma 
coisa;
A felicidade humana 
Aristóteles define o homem como ser racional e considera a atividade 
racional, o ato de pensar, como a essência humana, Por conseguinte. 
Investigando a questão ética, ele diz: 
“(...) aquilo que é próprio de cada criatura lhe é naturalmente melhor e mais 
agradável; para o homem, a vida conforme o intelecto (a razão) é melhor e mais 
agradável, já que o intelecto, mais que qualquer outra parte do homem, é o 
homem. Esta vida, portanto, é também a mais feliz.” 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, (1178 a.C.), p.203 
Para ser feliz, portanto, o homem deve viver de acordo com a sua essência, 
isto é, de acordo com a sua razão, a sua consciência reflexiva. E, orientando 
os seus atos para uma conduta ética, a razão e conduzirá à prática da 
virtude. 
Para Aristóteles, a virtude representa o meio-termo, a justa medida de 
equilíbrio entre o excesso e a falta de um atributo qualquer. 
Ex: a virtude da coragem é o meio-termo entre a covardia e a valentia insana.
O período helenístico teve início com a conquista da Grécia pelos macedônios (322 a.C.), e 
caracterizou-se por um processo de interação entre a cultura grega clássica e a cultura 
dos povos orientais conquistados. Na história da filosofia, a produção filosófica do 
período helenístico corresponde basicamente à continuação das atividades das escolas 
platônica e aristotélica. 
As principais correntes filosóficas desse período vão tratar da intimidade, da vida interior 
do homem. 
Entre as novas tendências desse período, devemos registrar correntes filosóficas como: o 
epicurismo, o estoicismo, o pirronismo e o cinismo. 
Epicurismo 
Fundado por Epicuro (324-271 a.C.) propunha que o ser humano deve buscar o prazer pois, 
segundo ele, o prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz. 
Os epicuristas buscavam a ataraxia, termo grego usado para designar o estado de 
ausência da dor, quietude, serenidade e imperturbabilidade da alma. Defendendo uma 
administração racional e equilibrada do prazer, evitando ceder aos desejos insaciáveis 
que, inevitavelmente, terminam no sofrimento.
Estoicismo 
Corrente filosófica de maior influência em seu tempo. Foi fundada por Zenão de 
Cício (336-263 a.C.). 
Os representantes desta escola, defendiam que toda realidade existente é uma 
realidade racional. 
Assim, em vez do prazer dos epicuristas, Zenão propõe o dever da compreensão 
como o melhor caminho para a felicidade. 
O ideal perseguido era um estado de plena serenidade para lidar com os 
sobressaltos da existência, fundado na aceitação e compreensão dos “princípios 
universais” que regem toda a vida. 
Pirronismo 
O pirronismo, de Pirro de Élida (365-275 a.C.) – segundo suas teorias, nenhum 
conhecimento é seguro, tudo é incerto. 
O pirronismo defendia que se deve contentar com as aparências das coisas, 
desfrutar o imediato captado pelos sentidos e viver feliz e em paz, em vez de se 
lançar à busca de uma verdade plena, pois seria impossível ao homem saber se 
as coisas são efetivamente como aparecem. Assim o pirronismo é considerado 
uma forma de ceticismo, pois professa a impossibilidade do conhecimento, da 
obtenção da verdade absoluta.
Cinismo 
O cinismo vem do grego kynos, que significa “cão”; cínico, do grego kynicos, significa 
“como um cão”. O termo cinismo designa a corrente dos filósofos que se propuseram a 
viver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade ou conforto. Levavam ao extremo a 
filosofia de Sócrates, segundo a qual o homem deve procurar conhecer a si mesmo e 
desprezar todos os bens materiais. 
Diógenes, foi o pensador mais destacado dessa escola, questionava os valores e as 
convenções sociais e procurava viver estritamente conforme os princípios que considerava 
moralmente corretos. 
Período Greco-romano 
O último período da filosofia antiga, conhecido como greco-romano, corresponde, em 
termos históricos , à fase de expansão militar de Roma (desde as Guerras Púnicas, iniciadas 
em 264 a.C., até a decadência do Império Romano, em fins do século V da era cristã). Trata-se 
de um período longo em anos, mas pouco notável no que diz respeito à originalidade das 
idéias filosóficas. 
Os principais pensadores desse período, como Sêneca, Cícero, Plotino, Plutarco, 
dedicaram-se muito mais à tarefa de assimilar e desenvolver as contribuições culturais 
herdadas principalmente da Grécia clássica do que de criar novos caminhos para a filosofia. 
A progressiva penetração do cristianismo no decadente Império Romano é uma das 
características fundamentais desse período. A difusão e a consolidação do cristianismo, 
através da Igreja Católica, atuaram no sentido de dissolver a força da filosofia grega clássica 
que passou a ser qualificada como pagã (própria dos povos não cristãos).

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Filosofia Grega Clássica ao Helenismo-Prof.Altair Aguilar.

  • 1. “Conhece-te a ti mesm-Ions.c”rição do Oráculo de Delfos -Profº Altair Aguilar
  • 2. Na Grécia Antiga, o período pré-socrático foi dominado, em grande parte, pela investigação da natureza. Essa investigação consistia na busca de explicações racionais (cosmologia) para o universo manifestando-se na procura de um princípio primordial (a arché) de todas as coisas existentes. Seguiu-se a esse período uma nova fase filosófica, caracterizada pelo interesse no próprio homem e nas relações políticas do homem com a sociedade. Essa nova fase foi marcada, no início, pelos sofistas. Em uma época de lutas políticas e intensos conflitos de opiniões nas assembléias democráticas, os cidadãos sentiam necessidade de aprender a arte de argumentar em público. Os sofistas eram professores viajantes que vendiam ensinamentos práticos de filosofia: o desenvolvimento da argumentação, da habilidade retórica, do conhecimento de doutrinas divergentes. Ou seja, raciocínios e concepções utilizados na arte de convencer pessoas, que favoreceram o surgimento de concepções filosóficas relativistas.
  • 3. Etimologicamente, o termo sofista significa “sábio”. Entretanto com o decorrer do tempo ganhou o sentido de “impostor”, por ser a sofística, isto é, a arte dos sofistas, apenas uma atitude viciosa do espírito, uma arte de manipular raciocínios, de produzir o falso, de iludir os ouvintes, sem qualquer amor pela verdade. A verdade, em grego, se diz aletheia e significa a manifestação daquilo que é, o não-oculto. Aletheia se opõe a pseudos que significa o falso, aquilo que se esconde, que ilude. Os sofistas parecem não buscar a aletheia; se contentam com pseudos. Tanto assim, que se usa a palavra sofisma, derivada de sofista, para designar um raciocínio aparentemente correto, mas que na verdade é falso ou inconclusivo, geralmente formulado com p objetivo de enganar alguém.
  • 4. “O homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são, enquanto são; e daquelas que não são, enquanto não são.” Nascido em Abdera, Protágoras (480-410 a.C.) é considerado o primeiro e um dos mais importantes sofistas. Ensinou por muito tempo em Atenas, tendo como princípio básico a idéia de que o homem é a medida de tudo que existe. Conforme essa concepção, todas as coisas são relativas às disposições do homem, portanto não haveria verdades absolutas. A filosofia de Protágoras sofreu críticas por dar margem a um grande subjetivismo: tal coisa é verdadeira se para mim parece verdadeira. Qualquer tese poderia ser encarada como falsa ou verdadeira, dependendo da ótica de cada um.
  • 5. “O bom orador é capaz de convencer qualquer pessoa sobre qualquer coisa.” Górgias de Leontini (487-380 a.C., aproximadamente), considerado um dos grandes oradores da Grécia. Aprofundou o subjetivismo relativista de Protágoras aponto de defender o ceticismo absoluto. Afirmava que: a) Nada existia; b) Se existisse, não poderia ser conhecido; c) Mesmo que fosse conhecido, não poderia ser comunicado a ninguém.
  • 6. “Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei.” Nascido em Atenas, Sócrates (469-399 a.C.) é tradicionalmente considerado um marco divisório da história da filosofia grega. Por isso, os filósofos que o antecedem são chamados pré-socráticos e os que sucedem, de pós-socráticos. Sócrates desenvolvia o saber filosófico sempre dando demonstrações de que era preciso unir a vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a consciência intelectual à consciência prática ou moral. Tanto quanto os sofistas Sócrates abandonou a preocupação em explicar a natureza e se concentrou na problemática do homem. No entanto, contrariamente aos sofistas, Sócrates opunha-se ao relativismo em relação à questão da moralidade e ao uso da retórica para atingir interesses particulares.
  • 7. Sócrates procurava um fundamento último para as interrogações humanas (O que é bom? O que é a virtude? O que é a justiça?), enquanto os sofistas situavam suas reflexões a partir dos dados empíricos, sem se preocupar com a investigação de uma essência da virtude, a partir da qual a própria realidade empírica pudesse ser avaliada. A pergunta fundamental que Sócrates tentava responder era: o que é a essência do homem? Ele respondia dizendo que o homem é a sua alma, entende-se “alma” como a sede da razão, o nosso eu consciente, que inclui a consciência intelectual e a consciência moral, que distingue o ser humano de todos os outros seres da natureza. Por isso, o auto conhecimento era um dos pontos básicos da filosofia socrática. “Conhece-te a ti mesmo”, era a recomendação básica feita por Sócrates a seus discípulos. Sua filosofia era desenvolvia mediante diálogos críticos com seus interlocutores. Esses diálogos podem ser divididos em dois momentos básicos: a ironia e a maiêutica.
  • 8. Na linguagem cotidiana, a palavra ironia tem um significado depreciativo, sarcástico ou de zombaria. Mas não é esse o sentido da ironia socrática. No grego, ironia quer dizer “interrogação”. De fato Sócrates interrogava seus discípulos naquilo que pensavam saber. O que é o bem? O que é a justiça? E a coragem? E a piedade? São exemplos de algumas perguntas. Sócrates buscava demolir o orgulho, a arrogância e a presunção do saber. A primeira virtude do sábio é adquirir a consciência da própria ignorância. “Sei que nada sei” dizia Sócrates. A ironia socrática tinha, portanto um caráter purificador. Levando seus discípulos a confessarem sua próprias contradições e ignorâncias, onde antes só julgavam possuir certezas e clarividências, tomando consciência de suas próprias respostas e das conseqüências que poderiam ser tiradas de suas reflexões, muitas vezes repletas de conceitos vagos e imprecisos.
  • 9. Libertos do orgulho e da pretensão de que tudo sabiam, os discípulos podiam então iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias idéias. Novamente, Sócrates lhes propunham uma série de questões habilmente colocadas. Nesta segunda fase do diálogo, o objetivo de Sócrates era ajudar os discípulos a conceberem suas próprias idéias. Assim, transportava para o campo da filosofia o exemplo de sua mãe, que sendo parteira, ajudava a trazer crianças ao mundo. Por isso, essa face do diálogo, destinada à concepção de idéias, era chamada maiêutica, termo grego que significa “arte de trazer à luz”.
  • 10. “Os males não cessarão para os homens antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder.” Nascido em Atenas, Platão (427-347 a.C.) foi discípulo de Sócrates. Fundou sua própria escola filosófica Academia. A maior parte do pensamento platônico nos foi transmitida por intermédio da fala de Sócrates, nos diálogos socráticos, escritos por ele mesmo, Platão. Teoria das idéias Um dos aspectos mais importantes da filosofia de Platão é sua teoria das idéias, que procura explicar como se desenvolve o conhecimento humano. Segundo ele, o processo de conhecimento se desenvolve por meio da passagem progressiva do mundo das sombras e aparências para o mundo das idéias e essências. Vejamos:
  • 11. • A primeira etapa desse processo é dominada pelas impressões ou sensações advindas dos sentidos. Essas impressões sensíveis são responsáveis pela opinião que temos da realidade. A opinião que se adquire sem busca metódica. • O conhecimento, entretanto, para ser autêntico, deve ultrapassar a esfera das impressões sensoriais, o plano da opinião, e penetrar na esfera racional da sabedoria, o mundo das idéias. Para atingir esse mundo, o homem não pode ter apenas “amor às opiniões” (filodoxia); precisa possuir um “amor ao saber” (filosofia) A opinião nasce, portanto, da percepção da aparência e da diversidade das coisas. O conhecimento, por sua vez, é elaborado quando se alcança a idéia, que rompe com as aparências e a diversidade ilusória. O método proposto por Platão para realizar essa passagem e atingir o conhecimento autêntico (epistéme) é a dialética. Dialética Consiste na afirmação de uma tese qualquer seguida de uma discussão e negação desta tese qualquer seguida de uma discussão e negação desta tese, com o objetivo de purificá-la dos erros e equívocos.
  • 12. “O ser se exprime de muitos modos, mas nenhum modo exprime o ser. O ser se diz em vários sentidos.” Nascido em Estagira, na Macedônia, foi discípulo de Sócrates. Discordava do mestre, em sua teoria das idéias. Para Aristóteles, a partir da observação da realidade da existência do ser, é que atingiríamos sua essência. Realidade essa que seria tudo o que vemos, pegamos, ouvimos e sentimos. Aristóteles entendia que o ser individual, concreto, único não pode ser objeto da ciência. O objeto próprio das ciências é a compreensão do universal. A indução (operação mental que vai do particular para o geral) representa, para Aristóteles, o processo básico intelectual de aquisição de conhecimento.
  • 13. Para a polêmica entre Heráclito e Parmênides, Aristóteles propôs uma nova interpretação, segundo a qual em todo ser devemos distinguir: • o ato – a manifestação atual do ser, aquilo que já existe; • a potência – as possibilidades do ser (capacidade de ser), aquilo que ainda não é mas pode vir a ser. Sendo assim a transitoriedade ou mudança das coisas, se resumiriam na passagem da potência para o ato. Segundo Aristóteles devemos distinguir também em todos os seres existentes: • a substância – aquilo que é estrutural e essencial do ser; • o acidente – aquilo que é atribuído circunstancial e não-essencial do ser; A causa Aristóteles emprega o termo causa em tudo aquilo que determina a realidade de um ser. Distingue, assim, quatro tipos de causas fundamentais: • causa material – refere-se à matéria de que é feita uma coisa; • causa formal – refere-se à forma, à natureza específica, à configuração de uma coisa; • causa eficiente – refere-se ao agente que produziu diretamente a coisa; • causa final – refere-se ao objeto, à intenção, à finalidade ou à razão de ser de uma coisa;
  • 14. A felicidade humana Aristóteles define o homem como ser racional e considera a atividade racional, o ato de pensar, como a essência humana, Por conseguinte. Investigando a questão ética, ele diz: “(...) aquilo que é próprio de cada criatura lhe é naturalmente melhor e mais agradável; para o homem, a vida conforme o intelecto (a razão) é melhor e mais agradável, já que o intelecto, mais que qualquer outra parte do homem, é o homem. Esta vida, portanto, é também a mais feliz.” ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, (1178 a.C.), p.203 Para ser feliz, portanto, o homem deve viver de acordo com a sua essência, isto é, de acordo com a sua razão, a sua consciência reflexiva. E, orientando os seus atos para uma conduta ética, a razão e conduzirá à prática da virtude. Para Aristóteles, a virtude representa o meio-termo, a justa medida de equilíbrio entre o excesso e a falta de um atributo qualquer. Ex: a virtude da coragem é o meio-termo entre a covardia e a valentia insana.
  • 15. O período helenístico teve início com a conquista da Grécia pelos macedônios (322 a.C.), e caracterizou-se por um processo de interação entre a cultura grega clássica e a cultura dos povos orientais conquistados. Na história da filosofia, a produção filosófica do período helenístico corresponde basicamente à continuação das atividades das escolas platônica e aristotélica. As principais correntes filosóficas desse período vão tratar da intimidade, da vida interior do homem. Entre as novas tendências desse período, devemos registrar correntes filosóficas como: o epicurismo, o estoicismo, o pirronismo e o cinismo. Epicurismo Fundado por Epicuro (324-271 a.C.) propunha que o ser humano deve buscar o prazer pois, segundo ele, o prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz. Os epicuristas buscavam a ataraxia, termo grego usado para designar o estado de ausência da dor, quietude, serenidade e imperturbabilidade da alma. Defendendo uma administração racional e equilibrada do prazer, evitando ceder aos desejos insaciáveis que, inevitavelmente, terminam no sofrimento.
  • 16. Estoicismo Corrente filosófica de maior influência em seu tempo. Foi fundada por Zenão de Cício (336-263 a.C.). Os representantes desta escola, defendiam que toda realidade existente é uma realidade racional. Assim, em vez do prazer dos epicuristas, Zenão propõe o dever da compreensão como o melhor caminho para a felicidade. O ideal perseguido era um estado de plena serenidade para lidar com os sobressaltos da existência, fundado na aceitação e compreensão dos “princípios universais” que regem toda a vida. Pirronismo O pirronismo, de Pirro de Élida (365-275 a.C.) – segundo suas teorias, nenhum conhecimento é seguro, tudo é incerto. O pirronismo defendia que se deve contentar com as aparências das coisas, desfrutar o imediato captado pelos sentidos e viver feliz e em paz, em vez de se lançar à busca de uma verdade plena, pois seria impossível ao homem saber se as coisas são efetivamente como aparecem. Assim o pirronismo é considerado uma forma de ceticismo, pois professa a impossibilidade do conhecimento, da obtenção da verdade absoluta.
  • 17. Cinismo O cinismo vem do grego kynos, que significa “cão”; cínico, do grego kynicos, significa “como um cão”. O termo cinismo designa a corrente dos filósofos que se propuseram a viver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade ou conforto. Levavam ao extremo a filosofia de Sócrates, segundo a qual o homem deve procurar conhecer a si mesmo e desprezar todos os bens materiais. Diógenes, foi o pensador mais destacado dessa escola, questionava os valores e as convenções sociais e procurava viver estritamente conforme os princípios que considerava moralmente corretos. Período Greco-romano O último período da filosofia antiga, conhecido como greco-romano, corresponde, em termos históricos , à fase de expansão militar de Roma (desde as Guerras Púnicas, iniciadas em 264 a.C., até a decadência do Império Romano, em fins do século V da era cristã). Trata-se de um período longo em anos, mas pouco notável no que diz respeito à originalidade das idéias filosóficas. Os principais pensadores desse período, como Sêneca, Cícero, Plotino, Plutarco, dedicaram-se muito mais à tarefa de assimilar e desenvolver as contribuições culturais herdadas principalmente da Grécia clássica do que de criar novos caminhos para a filosofia. A progressiva penetração do cristianismo no decadente Império Romano é uma das características fundamentais desse período. A difusão e a consolidação do cristianismo, através da Igreja Católica, atuaram no sentido de dissolver a força da filosofia grega clássica que passou a ser qualificada como pagã (própria dos povos não cristãos).