Livro de Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
O Serviço Religioso
Lição 12
 Abrimos a lição refletindo um pouco em seu valoroso título:
“Serviço Religioso”. O vernáculo nos informa que servir é
trabalhar em favor de algo ou alguém. Já a religião possui
diversas definições, dentre elas temos que é a “crença na
existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do
qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito
e obediência.”
 O resultado da união destes dois substantivos nos remete ao
trabalho dentro crença que se possui ou, indo um pouco além, o
trabalho que oferecemos a Deus, se entendermos a religião como
a busca do homem em conectar-se com seu Criador.
 Emmanuel nos remete a algo ainda maior: adoração.
“Desde quando começou na Terra
o serviço de adoração a Deus?
Perde-se o alicerce da fé
na sombra de evos insondáveis.
Dir-se-ia que o primeiro impulso
da planta e do verme, à procura da luz,
não é senão anseio religioso da vida,
em busca do Criador que lhes instila o ser.”
Roteiro
 Há quem pense que adoração é um termo estranho à doutrina
espírita, sendo mais comum entre católicos e evangélicos,
porém, basta um olhar mais cuidadoso e veremos no Livro
dos Espíritos que trata-se de uma lei divina, contemplada em
seu segundo capítulo: Lei de Adoração.
 Assim, então, servimo-nos da definição dos espíritos para
adentrarmos no entendimento da palavra:
 “649. Em que consiste a adoração?

“Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração,
 aproxima o homem sua alma.”
650. Origina-se de um sentimento inato a adoração, ou é fruto de
ensino?

“Sentimento inato, como o da existência de Deus. A consciência da sua
fraqueza leva o homem a curvar-se diante daquele que o pode proteger.”

651. Terá havido povos destituídos de todo sentimento de adoração?

“Não, que nunca houve povos de ateus. Todos compreendem que acima
de tudo há um Ente Supremo.”
 Conclui-se que o trabalho/serviço religioso deveria aproximar o homem
de sua alma, deveria elevar o pensamento a Deus, curvando-se diante
do seu Pai e Criador. Porém, há muitos desenganos neste caminhar do
homem e nos parágrafos que seguem Emmanuel nos irá apontar alguns.
 Na lição anterior, ao tratarmos da fé religiosa, nos deixamos conduzir
pelo benfeitor, adentrando nas mais diversas crenças, nesta etapa,
porém, iremos fazer o caminho inverso e buscar reconhecer o que estas
vivências antigas ainda evocam em nossas práticas cotidianas.
 Somos reencarnacionistas, então, cremos que já vivemos muitas vidas,
nas mais diversas culturas e religiões. Isto nos convoca a um olhar mais
crítico para nossas condutas e tendências. Se erramos outrora, hoje,
temos o conhecimento e o discernimento a nos dizer para não mais
errarmos. Mas apenas deixaremos de perpetuar os desenganos
milenares se olharmos para nossa conduta, para nossas tendências
religiosas com muita coragem e fé para promover as mudanças que
nosso espírito necessita, com o amparo do Pai Celestial.
“Considerando, porém, as escolas religiosas
` dos povos mais antigos,
vemos no sistema egípcio a
idéia central da imortalidade,
com avançadas concepções da Grandeza Divina,
mas enclausurada nos templos do sacerdócio
ou no palácio dos faraós,
sem ligação com o espírito popular,
muita vez relegado à superstição e ao abandono.”
Roteiro
 O serviço religioso transcende um lugar, ele deve ser um estado de espírito que se
manifesta onde quer que o homem se encontre. Alerta-nos Emmanuel que os
egípcios enclausuraram-se em templos e palácios, deixando os conhecimentos da
imortalidade restritos a uma classe. Como consequência, o povo caminhava na
superstição, com o sentimento de abandono.
 Reconhecemos esta condição em algumas casas religiosas nos dias de hoje? Até
mesmo dentro do espiritismo? Qual a tendência que se revela? O que devemos
cuidar para não repetir?
 Restringir o conhecimento, afastar-se dos simples e humildes com pregações
complexas e voltadas ao intelectualismo, acreditar que é possível viver isolado
dos pobres e humildes que sofrem e necessitam do amparo daqueles que vivem
na riqueza ou com mais conforto.
 Muitos espíritas afirmam que já viveram no antigo Egito, sentem na alma a
ligação com aquela terra distante, reconhecem em sua cultura vivências antigas,
mas não percebem que estão falindo novamente.
 A lição é clara e límpida, mas necessita de nós o exercício de observar, refletir e
discernir. Se ainda guarda as tendências de restrição, de intelectualismo
exacerbado em detrimento da classe mais pobre, é preciso mudar, renovar,
crescer.
“Na Índia, identificando o culto da sabedoria.
Instrutores eminentes aí ensinam
que a bondade deve ser a raiz
de nossas relações com os semelhantes,
que as nossas virtudes e vícios
são as forças que nos seguirão, além do túmulo,
propagando-se abençoadas lições
de aperfeiçoamento moral e compreensão humana;
entretanto, o espírito das castas aí sufocou os santuários,
impedindo a desejável extensão
dos benefícios espirituais aos círculos do povo.”
Roteiro
 Eis uma religião belíssima, milenar, que possui avançados estudos na área da
meditação e do auto-conhecimento, cultuam a sabedoria, são bons até mesmo
com os irmãos menores que os cercam, evitando o sacrifício de alguns animais
que consideram sagrados. Novamente, porém, a separação, o desengano de
achar-se melhor que o outro, as castas.
 Não temos castas no Brasil, nem mesmo na doutrina espírita, porém, este
espírito de separação está presente em muitos corações. Uns defendem Chico
Xavier, outros o condenam, uns abraçam as diretrizes do Grupo Auta de Souza,
outros o repudiam, muitos veneram Ramatis, outros tantos o desconsideram,
Pietro Ubaldi inspira a muitos, outros, porém, o rejeitam sem pestanejar. As
diferenças são tantas dentro do movimento espírita que a idéia de castas
começa a fazer sentido, como a explicar a nossa conduta e a nos alertar que
concordar ou não com uma idéia jamais deverá afastar de nós a conduta
da caridade, de nos sentirmos irmãos uns dos outros e buscarmos, através
da atitude respeitosa, o melhor caminho sem condenar o caminho alheio.
 A idéia que se multiplicou na Índia durante muito tempo, separando o homem
em castas até mesmo de forma hierárquica, permanece em nossa psique e se
não a enfrentarmos com honestidade, tenderemos a repeti-la.
“Na Pérsia, temos no zoroastrismo
a consagração do nosso dever para com o Bem;
todavia, as comunidades felicitadas
por seus respeitáveis ensinamentos
se confiam a guerras de conquista e destruição.”
Roteiro
 Conhecimento e ânimo de contenda, eis as tendências deste povo
e que nos assombra ainda hoje.
 Em nome da verdade, arvoram-se muitos espíritas em críticos
enérgicos, argumentos que beiram a ofensa, palavras duras e em
nome de uma suposta verdade, destilam o fel que o coração
ainda abriga, palavras e condutas que se afastam tanto da
caridade que quase se desconhecesse o caráter religioso de quem
o realiza.
 Emmanuel nos dá uma oportunidade ímpar nesta lição. Fazer
uma autocrítica, reconhecer onde estamos falindo e mudar,
redirecionar o caminho, deixando-nos seguir em rumo certo e
inequívoco que mais a frente irá nos apontar.
“Entre os Judeus, sentimos o sopro
da revelação do Deus Único,
estabelecendo o reino da justiça na Terra,
mas, apesar da glória sublime
que coroa a fronte de Moisés
e dos profetas que o sucederam,
o orgulho racial é uma chaga viva
no coração do Povo Escolhido.”
Roteiro
 O judaísmo é belíssimo e nos ensina lições ricas sobre
Deus, nosso Pai Celestial. Como nos ensina Emmanuel
no livro A Caminho da Luz: “Examinando esse povo
notável no seu passado longínquo, reconhecemos que, se
grande era a sua certeza na existência de Deus, muito
grande também era o seu orgulho, dentro de suas
concepções da verdade e da vida.
 Consciente da superioridade de seus valores, nunca
perdeu oportunidade de demonstrar a sua vaidosa
aristocracia espiritual, mantendo-se pouco acessível à
comunhão perfeita com as demais raças do orbe.
Entretanto, em honra da verdade, somos obrigados a
reconhecer que Israel, num paradoxo flagrante,
antecipando-se às conquistas dos outros povos, ensinou
de todos os tempos a fraternidade, a par de uma fé
soberana e imorredoura. Sem pátria e sem lar, esse povo
heroico tem sabido viver em todos os climas sociais e
políticos, exemplificando a solidariedade humana nas
melhores tradições de trabalho; sua existência histórica,
contudo, é uma lição dolorosa para todos os povos do
mundo, das consequências nefastas do orgulho e do
exclusivismo.”
 “Só o que eu faço é bom”, “apenas a minha forma de interpretação é
adequada”, eis alguns pensamentos e condutas que nos remetem a
tendências dos espíritos que outrora viveram entre os judeus. Há uma
superioridade em seus ensinos, este povo avançou muito na direção do
conhecimento das leis divinas, tanto que reconhecemos o Antigo
Testamento como a primeira revelação, não obstante, estes
conhecimentos nos tornam ainda mais responsáveis pelo que veio
depois.
 Não cabe, dentro de uma saudável concepção religiosa, o sentimento
de orgulho, de vaidade, de posicionar-se em patamar superior ao irmão.
É preciso que reconheçamos estas tendências dentro de nós sob pena
de projetos belíssimos de estudo e aprofundamento na primeira
revelação afundarem em reminiscências de outrora, permitindo
novamente o orgulho e o exclusivismo reinarem em detrimento do
amor, da humildade e da caridade.
“Na China, possuímos a exaltação da simplicidade,
através de lições que fulguram
em todas as suas linhas sociais,
destacando o equilíbrio e a solidariedade,
contudo, o grande povo chinês
não consegue superar as perturbações
do separativismo e do cativeiro.”
Roteiro
 Qual um sino que tine sem parar em vigorosas badaladas, eis o mesmo
som, também, entre os chineses, separativismo, cativeiro. Não falimos
por este ou aquele detalhe doutrinário, não falimos porque agimos de
forma mística ou de forma intelectual, falimos outrora e iremos falir
novamente se não compreendermos que a ausência de fraternidade nos
destrói, nos afasta e perturba o que há de bom em nosso sentimento
religioso.
 A China possui ensinamentos valorosos, sua cultura, seus costumes, sua
medicina, muito da China tem inspirado e ensinado o mundo, quando
compartilhado, porém, há que haver superação para que nos
reconheçamos como irmãos que somos. Eis a palavra que nos falta:
reciprocidade, ou como o Cristo nos ensinou, fazer ao outro o que
gostaríamos que fizessem a nós. Se acredito em algo e aquilo me é
precioso, quero ser respeitado, assim, mesmo que eu não concorde com
um pensamento, uma forma de ver o mundo e expressar a religiosidade,
se houver caridade em meu ser, irei respeitar a conduta do irmão.

“Na Grécia, encontramos o culto da Beleza.
Os mistérios de Orfeu traçam formosos ideais
e constroem maravilhosos santuários.
O aprimoramento da arte e da cultura,
porém, não consegue criar no espírito helênico
a noção do Amor Universal.
Generais e filósofo usam a inteligência
para a dominação e, de modo algum,
se furtam às tentações do campo bélico,
acendendo a abominável fogueira
da discórdia e do arrasamento.”
Roteiro
 Ao ler este trecho, recordei-me da narrativa do livro Paulo e Estevão,
quando Paulo vai a Atenas levar a palavra do Cristo:
 “Ali, entretanto, encontrara a frieza da pedra. O mármore das colunas
soberbas deu-lhe imediatamente a imagem da situação. A cultura
ateniense era bela e bem cuidada, impressionava pelo exterior
magnífico, mas estava fria, com a rigidez da morte intelectual. (...)O
Apóstolo dos gentios despediu-se com serenidade; mas, tão logo se viu
só, chorou copiosamente. A que atribuir o doloroso insucesso? Não
pôde compreender, imediatamente, que Atenas padecia de seculares
intoxicações intelectuais...”
 De que forma utilizamos nossa inteligência? Reconhecemos traços da
cultura grega, ainda hoje? Culto ao corpo, culto ao intelectualismo frio
que desconsidera o semelhante, com sentimento de superioridade?
 Emmanuel nos alerta sobre a “rigidez da morte intelectual”, nada pode
prosperar se for usado para ferir, para sobrepor-se, para ganhar em
detrimento do outro. Apenas quando o amor edifica instala-se a
prosperidade que atravessa os séculos.
“Em Roma, surpreendemos o Direito
ensinando que o patrimônio
e a liberdade do próximo
devem ser respeitados, no entanto,
em nenhuma civilização do mundo
observamos juntos tantos gênios
da flagelação e da morte.”
Roteiro
 Emmanuel conhecia bem este povo. Já vivera como romano nos
tempos de Jesus como Senador Públio Lentulus, cuja belíssima
história esta narrada no livro Há 2000 anos.
 A pax romana prosperou durante algum tempo, Roma dominou o
mundo, porém, perdeu-se no excesso do poder que leva ao flagelo
e a morte. Caminhava em expansão mas visando apenas os
próprios interesses. Facilmente associaremos a cultura romana aos
povos que dominam a política e a economia no mundo, mas e se
fôssemos fazer a lição de casa e buscássemos esta tendência dentro
do movimento espírita, onde o encontraríamos? Regras e mais
regras visando domínio e poder, impositivos de comportamento,
mesmo que cause dor e sofrimento a quem é imposto, críticas
destrutivas que destoam da caridade e do amor fraterno,
reconhecemos isto em nossas casas espíritas? Infelizmente...
 Estudar estes povos buscando a essência dos sentimentos e
reconhecendo-os presentes, ainda, nos dias de hoje não é
um exercício de crítica, mas sim de autocrítica. Percebo em
mim muito a ser melhorado e serei sempre grata a
Emmanuel pela oportunidade de refletir e observar as
tendências que ainda moram em meu mais profundo ser.
 Enfim, cada povo ofereceu-nos algo, deixou-nos uma
herança e é preciso saber qual é o seu papel e o que eles
nos revelaram para que busquemos os seus ensinamentos
com sabedoria. Ninguém irá procurar uva em um pé de
laranja, assim, Emmanuel nos oferece didaticamente o que
iremos encontrar em cada uma destas culturas:
“Hermes é a Sabedoria.
Buda é a Renunciação.
Zoroastro é o Dever.
Moisés é a Justiça.
Confúcio é a Harmonia.
Orfeu é a Beleza.
Numa Pompílio é o Poder.”
“Em todos os grandes períodos da evolução religiosa,
antes do Cristo, vemos, porém, as demonstrações
incompletas da espiritualidade.
Não há padrões absolutos de perfeição moral,
indicando aos homens o caminho regenerador e santificante.
Aparecem linhas divisórias entre raças e castas,
com vários tipos de louvor e humilhação
para ricos e pobres, senhores e escravos,
vencedores e vencidos.”
Roteiro
 Quando o caminho do aprendizado estava pronto, quando
estávamos aptos a segui-lo e a identificá-lo, ei-lo entre nós,
nosso modelo e guia: Jesus.
 “Com Jesus, no entanto, surge no mundo o vitorioso
coroamento da fé. No Cristianismo, recebemos as gloriosas
sementes de fraternidade que dominarão os séculos. O
Divino Fundador da Boa Nova entra em contacto com a
multidão e o santuário do Amor Universal se abre,
iluminado e sublime, para a santificação da Humanidade
inteira.” Roteiro
 Muitos nos olharão buscando sabedoria, outros beleza e
harmonia, haverão, também, os que nos impulsionarão a
sermos poderosos, ou mesmo o que nos conclamarão a
sermos justos, porém, se estivermos com Jesus,
verdadeiramente, nosso único intento será que sejamos
reconhecidos como pessoas fraternas e amorosas.
 Reconheço-me distante deste
ideal, percebo, agora, diversas
tendências com as quais necessito
trabalhar, porém, desde hoje e
para sempre reitero meu desejo
sincero de seguir-te os passos,
nosso Mestre, Amigo e Senhor.
 Cada povo deixou-nos uma
herança, um legado e
reconhecemos seu valor, como,
também, seu erro. Porém, a maior
herança que nos deixou foi o
Mestre Jesus e é com o texto de
Emmanuel no livro Escrínio de
Luz que encerramos a lição de
hoje:
“Herança do Mestre
Perdoa setenta vezes sete cada dia.
Esquece todo mal.
Serve sem recompensa.
Não amealhes riquezas, acessíveis à traça
ou à inconsciência de malfeitores.
Procura a verdade para que a verdade te encontre.
Bate à porta da Luz, através do esforço reiterado no bem,
a fim de que a Luz te responda.
Tem ânimo no círculo de todas as vicissitudes.
Persevera na bondade até o fim.
Se teu irmão exige a caminhada de mil passos, avança dois mil.
A quem te pedir a capa, cede igualmente a túnica.
Ora pelos que te perseguem.
Ajuda os adversários.
Não permitas que a treva te domine.
Abençoa os que te caluniam.
Sê a claridade do mundo que espera
de teu concurso uma vida melhor.
Compadece-te dos doentes.
Auxilia as crianças e os velhos.
Não recuses o copo d’água ao sedento.
Divide o teu pão com o vizinho necessitado.
Cura os enfermos e ensina-lhes
a direção do Reino de Deus.
Não desencorajes o companheiro.
Sacrifica-te pelo engrandecimento comum.
Abre o coração aos avisos celestiais.
Olvida todas as vacilações,
crê no Poder Divino e santifica-te nas boas obras.
Sê o abençoado servidor de todos.
Não procures os primeiros lugares nas assembleias,
mas aprende a ser útil em toda parte.
Ama o próximo, até o sacrifício,
porque perdendo a vida, em favor dos outros,
ganhá-la-ás, abundantemente, na Eternidade;
e, se abandonado de alguns, em tua devoção à justiça,
receberás a glória de partilhar
as alegrias da Família Universal.
Eis, meus amigos, alguns tesouros
da herança sublime do Mestre Crucificado,
cuja suprema renunciação hoje lembramos.
Usemos semelhantes valores em todos os ângulos
do caminho evolutivo e o Senhor estará conosco
tanto quanto necessitamos permanecer com Ele.” Emmanuel

Estudo do livro Roteiro lição 12

  • 1.
    Livro de Emmanuel Psicografiade Chico Xavier O Serviço Religioso Lição 12
  • 2.
     Abrimos alição refletindo um pouco em seu valoroso título: “Serviço Religioso”. O vernáculo nos informa que servir é trabalhar em favor de algo ou alguém. Já a religião possui diversas definições, dentre elas temos que é a “crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência.”  O resultado da união destes dois substantivos nos remete ao trabalho dentro crença que se possui ou, indo um pouco além, o trabalho que oferecemos a Deus, se entendermos a religião como a busca do homem em conectar-se com seu Criador.  Emmanuel nos remete a algo ainda maior: adoração.
  • 3.
    “Desde quando começouna Terra o serviço de adoração a Deus? Perde-se o alicerce da fé na sombra de evos insondáveis. Dir-se-ia que o primeiro impulso da planta e do verme, à procura da luz, não é senão anseio religioso da vida, em busca do Criador que lhes instila o ser.” Roteiro
  • 4.
     Há quempense que adoração é um termo estranho à doutrina espírita, sendo mais comum entre católicos e evangélicos, porém, basta um olhar mais cuidadoso e veremos no Livro dos Espíritos que trata-se de uma lei divina, contemplada em seu segundo capítulo: Lei de Adoração.  Assim, então, servimo-nos da definição dos espíritos para adentrarmos no entendimento da palavra:
  • 5.
     “649. Emque consiste a adoração?  “Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração,  aproxima o homem sua alma.” 650. Origina-se de um sentimento inato a adoração, ou é fruto de ensino?  “Sentimento inato, como o da existência de Deus. A consciência da sua fraqueza leva o homem a curvar-se diante daquele que o pode proteger.”  651. Terá havido povos destituídos de todo sentimento de adoração?  “Não, que nunca houve povos de ateus. Todos compreendem que acima de tudo há um Ente Supremo.”
  • 6.
     Conclui-se queo trabalho/serviço religioso deveria aproximar o homem de sua alma, deveria elevar o pensamento a Deus, curvando-se diante do seu Pai e Criador. Porém, há muitos desenganos neste caminhar do homem e nos parágrafos que seguem Emmanuel nos irá apontar alguns.  Na lição anterior, ao tratarmos da fé religiosa, nos deixamos conduzir pelo benfeitor, adentrando nas mais diversas crenças, nesta etapa, porém, iremos fazer o caminho inverso e buscar reconhecer o que estas vivências antigas ainda evocam em nossas práticas cotidianas.  Somos reencarnacionistas, então, cremos que já vivemos muitas vidas, nas mais diversas culturas e religiões. Isto nos convoca a um olhar mais crítico para nossas condutas e tendências. Se erramos outrora, hoje, temos o conhecimento e o discernimento a nos dizer para não mais errarmos. Mas apenas deixaremos de perpetuar os desenganos milenares se olharmos para nossa conduta, para nossas tendências religiosas com muita coragem e fé para promover as mudanças que nosso espírito necessita, com o amparo do Pai Celestial.
  • 7.
    “Considerando, porém, asescolas religiosas ` dos povos mais antigos, vemos no sistema egípcio a idéia central da imortalidade, com avançadas concepções da Grandeza Divina, mas enclausurada nos templos do sacerdócio ou no palácio dos faraós, sem ligação com o espírito popular, muita vez relegado à superstição e ao abandono.” Roteiro
  • 8.
     O serviçoreligioso transcende um lugar, ele deve ser um estado de espírito que se manifesta onde quer que o homem se encontre. Alerta-nos Emmanuel que os egípcios enclausuraram-se em templos e palácios, deixando os conhecimentos da imortalidade restritos a uma classe. Como consequência, o povo caminhava na superstição, com o sentimento de abandono.  Reconhecemos esta condição em algumas casas religiosas nos dias de hoje? Até mesmo dentro do espiritismo? Qual a tendência que se revela? O que devemos cuidar para não repetir?  Restringir o conhecimento, afastar-se dos simples e humildes com pregações complexas e voltadas ao intelectualismo, acreditar que é possível viver isolado dos pobres e humildes que sofrem e necessitam do amparo daqueles que vivem na riqueza ou com mais conforto.  Muitos espíritas afirmam que já viveram no antigo Egito, sentem na alma a ligação com aquela terra distante, reconhecem em sua cultura vivências antigas, mas não percebem que estão falindo novamente.  A lição é clara e límpida, mas necessita de nós o exercício de observar, refletir e discernir. Se ainda guarda as tendências de restrição, de intelectualismo exacerbado em detrimento da classe mais pobre, é preciso mudar, renovar, crescer.
  • 9.
    “Na Índia, identificandoo culto da sabedoria. Instrutores eminentes aí ensinam que a bondade deve ser a raiz de nossas relações com os semelhantes, que as nossas virtudes e vícios são as forças que nos seguirão, além do túmulo, propagando-se abençoadas lições de aperfeiçoamento moral e compreensão humana; entretanto, o espírito das castas aí sufocou os santuários, impedindo a desejável extensão dos benefícios espirituais aos círculos do povo.” Roteiro
  • 10.
     Eis umareligião belíssima, milenar, que possui avançados estudos na área da meditação e do auto-conhecimento, cultuam a sabedoria, são bons até mesmo com os irmãos menores que os cercam, evitando o sacrifício de alguns animais que consideram sagrados. Novamente, porém, a separação, o desengano de achar-se melhor que o outro, as castas.  Não temos castas no Brasil, nem mesmo na doutrina espírita, porém, este espírito de separação está presente em muitos corações. Uns defendem Chico Xavier, outros o condenam, uns abraçam as diretrizes do Grupo Auta de Souza, outros o repudiam, muitos veneram Ramatis, outros tantos o desconsideram, Pietro Ubaldi inspira a muitos, outros, porém, o rejeitam sem pestanejar. As diferenças são tantas dentro do movimento espírita que a idéia de castas começa a fazer sentido, como a explicar a nossa conduta e a nos alertar que concordar ou não com uma idéia jamais deverá afastar de nós a conduta da caridade, de nos sentirmos irmãos uns dos outros e buscarmos, através da atitude respeitosa, o melhor caminho sem condenar o caminho alheio.  A idéia que se multiplicou na Índia durante muito tempo, separando o homem em castas até mesmo de forma hierárquica, permanece em nossa psique e se não a enfrentarmos com honestidade, tenderemos a repeti-la.
  • 11.
    “Na Pérsia, temosno zoroastrismo a consagração do nosso dever para com o Bem; todavia, as comunidades felicitadas por seus respeitáveis ensinamentos se confiam a guerras de conquista e destruição.” Roteiro
  • 12.
     Conhecimento eânimo de contenda, eis as tendências deste povo e que nos assombra ainda hoje.  Em nome da verdade, arvoram-se muitos espíritas em críticos enérgicos, argumentos que beiram a ofensa, palavras duras e em nome de uma suposta verdade, destilam o fel que o coração ainda abriga, palavras e condutas que se afastam tanto da caridade que quase se desconhecesse o caráter religioso de quem o realiza.  Emmanuel nos dá uma oportunidade ímpar nesta lição. Fazer uma autocrítica, reconhecer onde estamos falindo e mudar, redirecionar o caminho, deixando-nos seguir em rumo certo e inequívoco que mais a frente irá nos apontar.
  • 13.
    “Entre os Judeus,sentimos o sopro da revelação do Deus Único, estabelecendo o reino da justiça na Terra, mas, apesar da glória sublime que coroa a fronte de Moisés e dos profetas que o sucederam, o orgulho racial é uma chaga viva no coração do Povo Escolhido.” Roteiro
  • 14.
     O judaísmoé belíssimo e nos ensina lições ricas sobre Deus, nosso Pai Celestial. Como nos ensina Emmanuel no livro A Caminho da Luz: “Examinando esse povo notável no seu passado longínquo, reconhecemos que, se grande era a sua certeza na existência de Deus, muito grande também era o seu orgulho, dentro de suas concepções da verdade e da vida.  Consciente da superioridade de seus valores, nunca perdeu oportunidade de demonstrar a sua vaidosa aristocracia espiritual, mantendo-se pouco acessível à comunhão perfeita com as demais raças do orbe. Entretanto, em honra da verdade, somos obrigados a reconhecer que Israel, num paradoxo flagrante, antecipando-se às conquistas dos outros povos, ensinou de todos os tempos a fraternidade, a par de uma fé soberana e imorredoura. Sem pátria e sem lar, esse povo heroico tem sabido viver em todos os climas sociais e políticos, exemplificando a solidariedade humana nas melhores tradições de trabalho; sua existência histórica, contudo, é uma lição dolorosa para todos os povos do mundo, das consequências nefastas do orgulho e do exclusivismo.”
  • 15.
     “Só oque eu faço é bom”, “apenas a minha forma de interpretação é adequada”, eis alguns pensamentos e condutas que nos remetem a tendências dos espíritos que outrora viveram entre os judeus. Há uma superioridade em seus ensinos, este povo avançou muito na direção do conhecimento das leis divinas, tanto que reconhecemos o Antigo Testamento como a primeira revelação, não obstante, estes conhecimentos nos tornam ainda mais responsáveis pelo que veio depois.  Não cabe, dentro de uma saudável concepção religiosa, o sentimento de orgulho, de vaidade, de posicionar-se em patamar superior ao irmão. É preciso que reconheçamos estas tendências dentro de nós sob pena de projetos belíssimos de estudo e aprofundamento na primeira revelação afundarem em reminiscências de outrora, permitindo novamente o orgulho e o exclusivismo reinarem em detrimento do amor, da humildade e da caridade.
  • 16.
    “Na China, possuímosa exaltação da simplicidade, através de lições que fulguram em todas as suas linhas sociais, destacando o equilíbrio e a solidariedade, contudo, o grande povo chinês não consegue superar as perturbações do separativismo e do cativeiro.” Roteiro
  • 17.
     Qual umsino que tine sem parar em vigorosas badaladas, eis o mesmo som, também, entre os chineses, separativismo, cativeiro. Não falimos por este ou aquele detalhe doutrinário, não falimos porque agimos de forma mística ou de forma intelectual, falimos outrora e iremos falir novamente se não compreendermos que a ausência de fraternidade nos destrói, nos afasta e perturba o que há de bom em nosso sentimento religioso.  A China possui ensinamentos valorosos, sua cultura, seus costumes, sua medicina, muito da China tem inspirado e ensinado o mundo, quando compartilhado, porém, há que haver superação para que nos reconheçamos como irmãos que somos. Eis a palavra que nos falta: reciprocidade, ou como o Cristo nos ensinou, fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem a nós. Se acredito em algo e aquilo me é precioso, quero ser respeitado, assim, mesmo que eu não concorde com um pensamento, uma forma de ver o mundo e expressar a religiosidade, se houver caridade em meu ser, irei respeitar a conduta do irmão. 
  • 18.
    “Na Grécia, encontramoso culto da Beleza. Os mistérios de Orfeu traçam formosos ideais e constroem maravilhosos santuários. O aprimoramento da arte e da cultura, porém, não consegue criar no espírito helênico a noção do Amor Universal. Generais e filósofo usam a inteligência para a dominação e, de modo algum, se furtam às tentações do campo bélico, acendendo a abominável fogueira da discórdia e do arrasamento.” Roteiro
  • 19.
     Ao lereste trecho, recordei-me da narrativa do livro Paulo e Estevão, quando Paulo vai a Atenas levar a palavra do Cristo:  “Ali, entretanto, encontrara a frieza da pedra. O mármore das colunas soberbas deu-lhe imediatamente a imagem da situação. A cultura ateniense era bela e bem cuidada, impressionava pelo exterior magnífico, mas estava fria, com a rigidez da morte intelectual. (...)O Apóstolo dos gentios despediu-se com serenidade; mas, tão logo se viu só, chorou copiosamente. A que atribuir o doloroso insucesso? Não pôde compreender, imediatamente, que Atenas padecia de seculares intoxicações intelectuais...”  De que forma utilizamos nossa inteligência? Reconhecemos traços da cultura grega, ainda hoje? Culto ao corpo, culto ao intelectualismo frio que desconsidera o semelhante, com sentimento de superioridade?  Emmanuel nos alerta sobre a “rigidez da morte intelectual”, nada pode prosperar se for usado para ferir, para sobrepor-se, para ganhar em detrimento do outro. Apenas quando o amor edifica instala-se a prosperidade que atravessa os séculos.
  • 20.
    “Em Roma, surpreendemoso Direito ensinando que o patrimônio e a liberdade do próximo devem ser respeitados, no entanto, em nenhuma civilização do mundo observamos juntos tantos gênios da flagelação e da morte.” Roteiro
  • 21.
     Emmanuel conheciabem este povo. Já vivera como romano nos tempos de Jesus como Senador Públio Lentulus, cuja belíssima história esta narrada no livro Há 2000 anos.  A pax romana prosperou durante algum tempo, Roma dominou o mundo, porém, perdeu-se no excesso do poder que leva ao flagelo e a morte. Caminhava em expansão mas visando apenas os próprios interesses. Facilmente associaremos a cultura romana aos povos que dominam a política e a economia no mundo, mas e se fôssemos fazer a lição de casa e buscássemos esta tendência dentro do movimento espírita, onde o encontraríamos? Regras e mais regras visando domínio e poder, impositivos de comportamento, mesmo que cause dor e sofrimento a quem é imposto, críticas destrutivas que destoam da caridade e do amor fraterno, reconhecemos isto em nossas casas espíritas? Infelizmente...
  • 22.
     Estudar estespovos buscando a essência dos sentimentos e reconhecendo-os presentes, ainda, nos dias de hoje não é um exercício de crítica, mas sim de autocrítica. Percebo em mim muito a ser melhorado e serei sempre grata a Emmanuel pela oportunidade de refletir e observar as tendências que ainda moram em meu mais profundo ser.  Enfim, cada povo ofereceu-nos algo, deixou-nos uma herança e é preciso saber qual é o seu papel e o que eles nos revelaram para que busquemos os seus ensinamentos com sabedoria. Ninguém irá procurar uva em um pé de laranja, assim, Emmanuel nos oferece didaticamente o que iremos encontrar em cada uma destas culturas:
  • 23.
    “Hermes é aSabedoria. Buda é a Renunciação. Zoroastro é o Dever. Moisés é a Justiça. Confúcio é a Harmonia. Orfeu é a Beleza. Numa Pompílio é o Poder.” “Em todos os grandes períodos da evolução religiosa, antes do Cristo, vemos, porém, as demonstrações incompletas da espiritualidade. Não há padrões absolutos de perfeição moral, indicando aos homens o caminho regenerador e santificante. Aparecem linhas divisórias entre raças e castas, com vários tipos de louvor e humilhação para ricos e pobres, senhores e escravos, vencedores e vencidos.” Roteiro
  • 24.
     Quando ocaminho do aprendizado estava pronto, quando estávamos aptos a segui-lo e a identificá-lo, ei-lo entre nós, nosso modelo e guia: Jesus.  “Com Jesus, no entanto, surge no mundo o vitorioso coroamento da fé. No Cristianismo, recebemos as gloriosas sementes de fraternidade que dominarão os séculos. O Divino Fundador da Boa Nova entra em contacto com a multidão e o santuário do Amor Universal se abre, iluminado e sublime, para a santificação da Humanidade inteira.” Roteiro  Muitos nos olharão buscando sabedoria, outros beleza e harmonia, haverão, também, os que nos impulsionarão a sermos poderosos, ou mesmo o que nos conclamarão a sermos justos, porém, se estivermos com Jesus, verdadeiramente, nosso único intento será que sejamos reconhecidos como pessoas fraternas e amorosas.
  • 25.
     Reconheço-me distantedeste ideal, percebo, agora, diversas tendências com as quais necessito trabalhar, porém, desde hoje e para sempre reitero meu desejo sincero de seguir-te os passos, nosso Mestre, Amigo e Senhor.  Cada povo deixou-nos uma herança, um legado e reconhecemos seu valor, como, também, seu erro. Porém, a maior herança que nos deixou foi o Mestre Jesus e é com o texto de Emmanuel no livro Escrínio de Luz que encerramos a lição de hoje:
  • 26.
    “Herança do Mestre Perdoasetenta vezes sete cada dia. Esquece todo mal. Serve sem recompensa. Não amealhes riquezas, acessíveis à traça ou à inconsciência de malfeitores. Procura a verdade para que a verdade te encontre. Bate à porta da Luz, através do esforço reiterado no bem, a fim de que a Luz te responda. Tem ânimo no círculo de todas as vicissitudes. Persevera na bondade até o fim. Se teu irmão exige a caminhada de mil passos, avança dois mil. A quem te pedir a capa, cede igualmente a túnica.
  • 27.
    Ora pelos quete perseguem. Ajuda os adversários. Não permitas que a treva te domine. Abençoa os que te caluniam. Sê a claridade do mundo que espera de teu concurso uma vida melhor. Compadece-te dos doentes. Auxilia as crianças e os velhos. Não recuses o copo d’água ao sedento. Divide o teu pão com o vizinho necessitado. Cura os enfermos e ensina-lhes a direção do Reino de Deus. Não desencorajes o companheiro. Sacrifica-te pelo engrandecimento comum. Abre o coração aos avisos celestiais. Olvida todas as vacilações, crê no Poder Divino e santifica-te nas boas obras.
  • 28.
    Sê o abençoadoservidor de todos. Não procures os primeiros lugares nas assembleias, mas aprende a ser útil em toda parte. Ama o próximo, até o sacrifício, porque perdendo a vida, em favor dos outros, ganhá-la-ás, abundantemente, na Eternidade; e, se abandonado de alguns, em tua devoção à justiça, receberás a glória de partilhar as alegrias da Família Universal. Eis, meus amigos, alguns tesouros da herança sublime do Mestre Crucificado, cuja suprema renunciação hoje lembramos. Usemos semelhantes valores em todos os ângulos do caminho evolutivo e o Senhor estará conosco tanto quanto necessitamos permanecer com Ele.” Emmanuel