Hamilton Luís Sena Lima
História
 žRelatos de epilepsia datam de 2000 a.C. em textos de origem
babilônica. O termo EPILEPSIA, de étimo grego, significa
literalmente “fulminar”, “abater com surpresa”. O povo usava-o
por acreditar que as crises eram causadas por um demônio e
assim a epilepsia tornou-se uma doença sagrada. Esta é a
base para os mitos e medos (com vestígios nos dias de hoje)
que a cercam e que influenciam as atitudes populares no
sentido de dificultar ainda mais o alcance de uma vida normal
para os portadores da mesma.
História
 A epilepsia fora muito bem identificada por
Hipócrates (400 a.C.) considerado o pai da
medicina e, mais tarde, por Galeno (175 d.C.).
Estes pensadores foram os primeiros da
antiguidade a deduzirem que a epilepsia tinha
origem em anomalias decorrentes do cérebro,
ainda assim, não foram capazes de alterar o
pensamento popular daquela época e durante a
idade média, mais precisamente entre os
séculos XV e XVI, a Santa Inquisição perseguiu
e condenou à morte muitos epiléticos
considerados loucos e hereges.
Hipócrates
Galeno
Epilepsia
 A epilepsia não tem barreiras sociais, étnicas, geográficas,
etárias ou sexuais e é o transtorno neurológico crônico grave
mais comum. Ela também apresenta problemas sociais e
econômicos, tornando-se assim um problema de saúde
pública.
Definições
 Crises epiléptica:
 Ocorrência de sinais e/ou sintomas transitórios decorrentes
de atividade neuronal excessiva ou síncrona no cérebro.
Esses sinais ou sintomas incluem fenômenos anormais
súbitos e transitórios tais como alterações da consciência,
ou eventos motores, sensitivos/sensoriais, autonômicos ou
psíquicos involuntários percebidos pelo paciente ou por um
observador.
Definições
 Epilepsia:
 É um distúrbio cerebral caracterizado pela predisposição
persistente em gerar crises epilépticas e pelas
consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e
sociais desta condição. A definição de epilepsia requer a
ocorrência de pelo menos uma crise epiléptica (ILAE 2005).
Epidemiologia
 Estima-se que acometa 60 milhões de pessoas no mundo e
que a cada ano somem-se aproximadamente 3 milhões de
novos casos.
 Existem entre 1.1 a 1.7 vezes mais homens do que mulheres
com epilepsia.
 1 em cada 20 pessoas pode ter um ataque epiléptico uma vez
na vida.
 Crianças e idosos apresentam maior taxa de incidência.
 1% da população do países desenvolvidos são acometidos pela
epilepsia.
 Nos países em desenvolvimento 2% da população é acometida
pela epilepsia
Epidemiologia
Etiologia
 A etiologia é muito variada, incluindo causas genéticas e
adquiridas
 Segundo sua etiologia as epilepsias se classificam em:
 Epilepsias Idiopáticas: problemas de carga genética
 Epilepsias Sintomáticas: associadas a enfermidades e patologias
adquiridas
 Epilepsia Criptogênica: sem causa identificável
Etiologia
 Epilepsias Idiopáticas:
 Herança poligênica em síndromes
generalizadas de ocorrência
frequente
 Herança monogênica em síndrome
focais de rara ocorrência
 Epilepsias Sintomáticas:
 Malformações, enfermidades
cerebrovascular, trauma encefálico,
tumores cerebrais, infecções do
SNC, degenerativas, outras
 Descargas neuronais excessivas e síncronas em determinada
população neuronal
 Alteração das correntes iônicas a nível neuronal
 Entrada de sódio e cálcio: despolarização neuronal e aumento da
excitabilidade
 Saída de potássio: hiperpolarização dos dendritos com diminuição
da excitabilidade
 Alteração dos receptores de neurotransmissores, por sua vez
associada a canais iônicos (Glutamato, GABA)
 Ocorre excitação excessiva pelo Glutamato ou falta de inibição
do GABA
Fisiopatologia
Fisiopatologia
Fisiologia
 GLUTAMATO - ácido L-glutamato
 Importante neurotransmissor excitatório do cérebro. Atua
tanto através dos receptores acoplados aos canais iónicos
(receptores ionotrópicos: AMPA, NMDA e Cainato) como a
receptores acoplados a proteína G (receptores
metabotrópicos)
Fisiologia
 GABA - ácido gama-aminobutírico:
 Principal neurotransmissor inibitório do cérebro.
 GABAA - receptor do GABA, que ao ser ativado permite o influxo de
cloreto pela membrana celular.
 GABAB - receptor do GABA, que é ligado por meio da proteína G aos
canais de potássio. também impede a abertura dos canais de sódio.
Classificação das Crises Epilépticas
 Existem basicamente dois tipos de epilepsia:
I. Crises Parciais (Focais)
II. Crises Generalizadas
Crises Epilépticas Parciais
 Nas epilepsias parciais, os impulsos atingem um grupo
específico de neurônios e sua manifestação depende do local
atingido. Se for na área motora, o paciente apresentará,
durante a crise, movimentos convulsivos dos membros. Caso a
parte atingida seja a região visual, ele verá pontos luminosos.
Mas existem ainda crises parciais, quando o paciente
apresenta ausências momentâneas de consciência.
Crises Epilépticas Generalizadas
 Nas epilepsias generalizadas o cérebro sofre uma espécie de
curto-circuito geral, e o paciente costuma ter convulsões.
Classificação das Crises Epilépticas -
ILAE (1981)
 I. Crises Parciais (Focais)
 a - Parciais Simples
 b - Parciais Complexas
 c - Secundariamente Generalizada
 II. Crises Generalizadas
 a - Ausência (pequeno mal)
 b - Mioclônicas
 c - Clônicas
 d - Tônicas
 e - Tônico - Clônicas (grande mal)
 f - Atônicas
 III. Crises Não Classificadas
 *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
Classificação das Crises Epilépticas -
ILAE (1981)
 I. Crises Parciais (Focais)
 a - Parciais Simples
 b - Parciais Complexas
 c - Secundariamente Generalizada
 *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
Parciais Simples
 Sem comprometimento da consciência
 Atinge uma parte do cérebro
Parciais Simples
 Com sintomas:
 Motores - incluindo jacksoniana, versiva e postural
 Sensitivos - somatossensitivo, visual, auditivo e olfativo
 Autonômicos
 Psíquicos - incluindo disfasia, alucinatórios e alterações afetivas
Parciais Complexas
 Com comprometimento parcial ou total da consciência:
 Início como parcial simples seguida por comprometimento
da consciência
 Com comprometimento da consciência desde o início
 Com automatismos
Secundariamente Generalizada
 De parcial simples para secundariamente generalizada
 De parcial complexa para secundariamente generalizada
 De parcial simples evoluindo para uma crise parcial complexa
e depois para uma generalização secundária
Aura
Aura
 Antes do começo de uma crise algumas pessoas
experimentam uma sensação chamada “AURA”. Ela pode
ocorrer com antecedência que possibilite à pessoa tomar
medidas preventivas quanto a possíveis lesões provocadas
pelas crises.
 O tipo de aura varia entre as pessoas. Algumas sentem uma
mudança na temperatura corporal, outros ouvem um som, um
gosto estranho ou curioso odor. Se a pessoa consegue fazer
uma boa descrição de sua aura isso pode ajudar o médico a
descobrir em que região do cérebro ocorre a descarga inicial.
 Uma aura pode ocorrer sem ser seguida por uma crise e, em
alguns casos, ela mesma pode ser classificada como sendo
um tipo de “crise parcial simples”.
Déjà Vu
 Experiências relacionadas a memória como a sensação de “já
visto”
Classificação das Crises Epilépticas -
ILAE (1981)
 II. Crises Generalizadas
 a - Ausência (pequeno mal)
 b - Mioclônicas
 c - Clônicas
 d - Tônicas
 e - Tônico - Clônicas (grande mal)
 f - Atônicas
 *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
Crises Generalizadas
 Origem em ambos os hemisférios cerebrais ao mesmo tempo
 Sem qualquer início focal detectável
Ausência
 Infância e adolescência
 Lapso súbitos e breves da consciência - 10 a 30 segundos
 Pode ocorrer várias vezes ao dia
 Pode ser imperceptível à criança e aos pais
 Manifestações motoras discretas com automatismo orais,
manuais, piscamento, aumento ou diminuição do tono
muscular
 Remissão espontânea na adolescência em 60% a 70%
 Não há alterações neurológicas
Ausência Atípica
 Ausência atípica:
 Perda da consciência mais demorada
 Início e fim menos bruscos
 Automatismo mais evidentes
 Associado à alterações neurológicas
 Respondem menos a anticonvulsivantes
Mioclônicas
 Contração muscular súbita e breve semelhantes a choque
 Uma parte ou todo o corpo
 Aparecem de forma isolada ou repetida
 Ocorrem após privação do sono, ao despertar e ao adormecer
 Associada a:
 Distúrbios metabólicos
 Doenças degenerativas do SNC
 Lesão cerebral anóxica
Clônicas
 Abalos clônicos repetitivos comprometendo a consciência
Tônicas
 Contração muscular mantida com duração de poucos
segundos a minutos
Tônico-Clônicas
 Tipo de crise mais frequente, em 10% dos epilépticos
 Perda abrupta da consciência
 Contração tônica e depois clônica dos quatro membros
 Sialorréia, liberação esfincteriana, apnéia e mordedura de
língua
 “Grito epiléptico”: ar expulso pela glote fechada
 Período pós-crítico: confusão mental e sonolência
Tônico-Clônicas
 Fases:
 Tônica: contração tônica de todo o corpo. Dura de 10-20s
(“grito epiléptico”, cianóse, mordedura da língua)
 Clônica: períodos de relaxamento que aumentam
progressivamente. Dura 1 min
 Recuperação: volta ao estado de alerta. 10-30 min (flacidez
muscular, salivação excessiva, confusão mental e
recuperação gradual da consciência)
Tônico-Clônicas
 Fases:
Atônicas
 Há perda súbita do tono muscular postural. Dura 1-2s
 Breve perda da consciência
 Crise:
 Breve: queda da cabeça
 Prolongada: queda lenta se o indivíduo estiver em pé
Classificação das Crises Epilépticas -
ILAE (1981)
 III. Crises Não Classificadas
 Se incluem neste grupo todas as crises que por dados
incompletos ou inadequados as impossibilite de classificar em
alguma das categorias descritas anteriormente
 Especialmente na infância
 *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
Fatores Desencadeantes das Crises
 Febre
 Suspensão abrupta das DAE's (Drogas Antiepilépticas)
 Fadiga física
 Ingestão de álcool
 Privação de sono
 Hiperventilação (respiração forçada)
 Emoções (relacionadas à preocupação, alegria, tristeza,
irritação e outras).
Propagação das Crises
Classificação das Epilepsias e
Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)
 I. Epilepsias e síndromes relacionadas com a localização
 I.1. Idiopáticas (com início relacionado a idade)
 Epilepsia benigna da infância com paroxismos centro-temporais
 Epilepsia benigna da infância com paroxismos occipitais
 Epilepsia primária da leitura
 I.2. Sintomáticas
 Epilepsias do lobo temporal, frontal, parietal e occipital
 Epilepsia parcial contínua crônica progressiva da infância
 Síndrome com crises com fatores precipitantes
 I.3. Criptogênicas
 *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
Classificação das Epilepsias e
Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)
 II. Epilepsias e síndromes generalizadas
 II.1. Idiopáticas (com início relacionado a idade)
 Convulsão neonatal benigna (familiares ou não)
 Epilepsia mioclônica benigna do lactente
 Epilepsia infantil ou juvenil com ausência
 Epilepsia mioclônica juvenil
 Epilepsia com crises tônico-clônica ao despertar
 Outras epilepsias generalizadas idiopáticas
 Epilepsia com crises precipitadas por modos específicos de ativação
 *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
Classificação das Epilepsias e
Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)
 II. Epilepsias e síndromes generalizadas
 II.2. Criptogênicas ou Sintomáticas
 Síndrome de West (espasmos infantis)
 Síndrome de Lennox-Gastaut
 Epilepsia com crises mioclônico-astáticas
 Epilepsia com ausências mioclônicas
 II.3. Sintomáticas
 Encefalopatia mioclônica precoce
 Encefalopatia epiléptica precoce com auto-supressão
 Crises decorrentes de outros estados patológicos
 *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
Classificação das Epilepsias e
Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)
 III. Epilepsias e síndromes indeterminadas, focais ou
generalizadas
 Crises neonatal
 Epilepsia mioclônica grave do lactente
 Epilepsia com ponta-onda contínua durante o sono lento
 Epilepsia afasia adquirida
 outras epilepsia indeterminadas
IV. Síndromes especiais (crises relacionadas com a situação)
 Convulsões febris
 Crises isoladas ou estado de mal-epilético isolado
 Crises que resultam apenas de perturbações metabólicas ou
tóxicas agudas (ex: álcool, fármacos)
 *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
Diagnóstico
 O diagnóstico de epilepsia é fundamentalmente clínico
 Por isso é muito importante a descrição detalhada das
crises
 Dão suporte e permitem confirmar o diagnóstico:
 Estudo eletrofisiológico (EEG e vídeo-EEG)
 Imagens cerebrais (tomografia e ressonância magnética)
 Estudo de laboratório
 Estudo genético
Tratamento
 Tratamento Clínico
 Tem por finalidade evitar as crises e assegurar ao paciente
as condições de uma vida social a mais próxima possível da
normal. Baseia-se em medicamentos que não estão
desprovidos de efeitos secundários, devendo ser adaptados
à forma da epilepsia, sua gravidade e sua tolerância
individual.
Tratamento
 Tratamento Cirúrgico
 Interrupção das vias nervosas ao longo das quais se
espalham os impulsos que transmitem as crises.
 Remoção da área cerebral responsável pela produção das
crises.
 Lobectomia: destina-se a remoção de um dos lobos cerebrais.
 Hemisferoctomia: remoção de quase um dos hemisférios do cérebro.
 Calosotomia: corta-se a ponte onde passam as fibras que conectam
uma metade cerebral com a outra (corpo caloso) impedindo a difusão
das crises.
 Ressecções subpiais múltiplas: Consiste em praticar pequenas
incisões no cérebro impedindo a difusão dos impulsos responsáveis
pelas crises.
Tratamento
 Estimulador do Nervo Vagal
 É colocado um estimulador elétrico à bateria no subcutâneo
do paciente semelhante um marcapasso cardíaco, que a
determinados intervalos provoca estimulação do nervo vago
do lado esquerdo do pescoço. O procedimento é caro por
que o aparelho é importado e necessita de procedimento
cirúrgico para sua implantação.
Tratamento
 Dieta Cetogênica
 Tem sido utilizada no tratamento de epilepsia refratária na
infância. consiste em submeter a criança a uma dieta rica
em gorduras e pobre em hidrato de carbono e adequada
em proteínas para provocar uma condição chamada de
cetose
Drogas Antiepilépticas - DAE’s
 Eficácia: Capacidade da droga para controlar as crises
 Tolerância: Incidência, gravidade e o impacto dos efeitos
adversos das DAE’s
 Efetividade: Eficácia e tolerância as DAE’s que se reflete na
adesão ao tratamento
Drogas Antiepilépticas - DAE’s
 Antiepiléticos de primeira geração:
 Fenobarbital, fenitoína, primidona, etosuximida,
benzodiazepínicos, carbamazepina, e valproato
 Antiepiléticos de segunda geração:
 Felbamato, gabapentina, lamotrigina, tiagabina, topiramato,
oxcarbazepina, leviracetam, zonisamida , vigabatrina e
outras
Drogas Antiepilépticas - DAE’s
Drogas Antiepilépticas - DAE’s
Mecanismo de ação das DAE’s
 Aumento da atividade sináptica inibitória
 Diminuição da atividade sináptica excitatória
 Controle da excitabilidade da membrana neuronal e da
permeabilidade iônica
Mecanismo de ação das DAE’s
Epilepsia na Mulher
 Considerações especiais:
 Dos hormônios femininos, o estrogênio facilita o aparecimento
das crises, enquanto a progesterona diminui. Portanto, nos
dias antes da menstruação pode aumentar o risco das mesmas
 Gravidez em uma mulher epilética deve ser sempre
considerado como gravidez de alto risco
 Alguns medicamentos antiepiléticos podem aumentar o risco
de malformações na gravidez
 Aleitamento materno não é contra-indicado, aconselhando-se a
tomar a medicação dividida em doses menores
O que fazer para ajudar durante a
crise?
 Primeiro não se desesperar; depois seguir o passo a passo:
 A testemunha, amigo ou familiar deve colocar a pessoa
deitada, com algum apoio na cabeça (roupa ou almofada) e
com a cabeça virada de lado (para evitar engasgos com saliva
ou vômitos);
 Não tentar puxar a língua do paciente ou enfiar dedos na boca:
no momento da crise, a força e rigidez do paciente pode
machucar os dedos de quem tentar fazer isso!
 Esperar e tentar arejar o ambiente, pois em geral as crises
duram poucos minutos. Se a crises demorar mais do que o
Habitual, transportar o paciente em ambulância e levar
imediatamente ao hospital.
EPILEPSIA
Não tem
explicação
religiosa
Não é
contagiosa
Não é
doença
FIM

Epilepsia

  • 1.
  • 2.
    História  žRelatos deepilepsia datam de 2000 a.C. em textos de origem babilônica. O termo EPILEPSIA, de étimo grego, significa literalmente “fulminar”, “abater com surpresa”. O povo usava-o por acreditar que as crises eram causadas por um demônio e assim a epilepsia tornou-se uma doença sagrada. Esta é a base para os mitos e medos (com vestígios nos dias de hoje) que a cercam e que influenciam as atitudes populares no sentido de dificultar ainda mais o alcance de uma vida normal para os portadores da mesma.
  • 3.
    História  A epilepsiafora muito bem identificada por Hipócrates (400 a.C.) considerado o pai da medicina e, mais tarde, por Galeno (175 d.C.). Estes pensadores foram os primeiros da antiguidade a deduzirem que a epilepsia tinha origem em anomalias decorrentes do cérebro, ainda assim, não foram capazes de alterar o pensamento popular daquela época e durante a idade média, mais precisamente entre os séculos XV e XVI, a Santa Inquisição perseguiu e condenou à morte muitos epiléticos considerados loucos e hereges. Hipócrates Galeno
  • 4.
    Epilepsia  A epilepsianão tem barreiras sociais, étnicas, geográficas, etárias ou sexuais e é o transtorno neurológico crônico grave mais comum. Ela também apresenta problemas sociais e econômicos, tornando-se assim um problema de saúde pública.
  • 5.
    Definições  Crises epiléptica: Ocorrência de sinais e/ou sintomas transitórios decorrentes de atividade neuronal excessiva ou síncrona no cérebro. Esses sinais ou sintomas incluem fenômenos anormais súbitos e transitórios tais como alterações da consciência, ou eventos motores, sensitivos/sensoriais, autonômicos ou psíquicos involuntários percebidos pelo paciente ou por um observador.
  • 6.
    Definições  Epilepsia:  Éum distúrbio cerebral caracterizado pela predisposição persistente em gerar crises epilépticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais desta condição. A definição de epilepsia requer a ocorrência de pelo menos uma crise epiléptica (ILAE 2005).
  • 7.
    Epidemiologia  Estima-se queacometa 60 milhões de pessoas no mundo e que a cada ano somem-se aproximadamente 3 milhões de novos casos.  Existem entre 1.1 a 1.7 vezes mais homens do que mulheres com epilepsia.  1 em cada 20 pessoas pode ter um ataque epiléptico uma vez na vida.  Crianças e idosos apresentam maior taxa de incidência.  1% da população do países desenvolvidos são acometidos pela epilepsia.  Nos países em desenvolvimento 2% da população é acometida pela epilepsia
  • 8.
  • 9.
    Etiologia  A etiologiaé muito variada, incluindo causas genéticas e adquiridas  Segundo sua etiologia as epilepsias se classificam em:  Epilepsias Idiopáticas: problemas de carga genética  Epilepsias Sintomáticas: associadas a enfermidades e patologias adquiridas  Epilepsia Criptogênica: sem causa identificável
  • 10.
    Etiologia  Epilepsias Idiopáticas: Herança poligênica em síndromes generalizadas de ocorrência frequente  Herança monogênica em síndrome focais de rara ocorrência  Epilepsias Sintomáticas:  Malformações, enfermidades cerebrovascular, trauma encefálico, tumores cerebrais, infecções do SNC, degenerativas, outras
  • 11.
     Descargas neuronaisexcessivas e síncronas em determinada população neuronal  Alteração das correntes iônicas a nível neuronal  Entrada de sódio e cálcio: despolarização neuronal e aumento da excitabilidade  Saída de potássio: hiperpolarização dos dendritos com diminuição da excitabilidade  Alteração dos receptores de neurotransmissores, por sua vez associada a canais iônicos (Glutamato, GABA)  Ocorre excitação excessiva pelo Glutamato ou falta de inibição do GABA Fisiopatologia
  • 12.
  • 13.
    Fisiologia  GLUTAMATO -ácido L-glutamato  Importante neurotransmissor excitatório do cérebro. Atua tanto através dos receptores acoplados aos canais iónicos (receptores ionotrópicos: AMPA, NMDA e Cainato) como a receptores acoplados a proteína G (receptores metabotrópicos)
  • 14.
    Fisiologia  GABA -ácido gama-aminobutírico:  Principal neurotransmissor inibitório do cérebro.  GABAA - receptor do GABA, que ao ser ativado permite o influxo de cloreto pela membrana celular.  GABAB - receptor do GABA, que é ligado por meio da proteína G aos canais de potássio. também impede a abertura dos canais de sódio.
  • 15.
    Classificação das CrisesEpilépticas  Existem basicamente dois tipos de epilepsia: I. Crises Parciais (Focais) II. Crises Generalizadas
  • 16.
    Crises Epilépticas Parciais Nas epilepsias parciais, os impulsos atingem um grupo específico de neurônios e sua manifestação depende do local atingido. Se for na área motora, o paciente apresentará, durante a crise, movimentos convulsivos dos membros. Caso a parte atingida seja a região visual, ele verá pontos luminosos. Mas existem ainda crises parciais, quando o paciente apresenta ausências momentâneas de consciência.
  • 17.
    Crises Epilépticas Generalizadas Nas epilepsias generalizadas o cérebro sofre uma espécie de curto-circuito geral, e o paciente costuma ter convulsões.
  • 18.
    Classificação das CrisesEpilépticas - ILAE (1981)  I. Crises Parciais (Focais)  a - Parciais Simples  b - Parciais Complexas  c - Secundariamente Generalizada  II. Crises Generalizadas  a - Ausência (pequeno mal)  b - Mioclônicas  c - Clônicas  d - Tônicas  e - Tônico - Clônicas (grande mal)  f - Atônicas  III. Crises Não Classificadas  *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
  • 19.
    Classificação das CrisesEpilépticas - ILAE (1981)  I. Crises Parciais (Focais)  a - Parciais Simples  b - Parciais Complexas  c - Secundariamente Generalizada  *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
  • 20.
    Parciais Simples  Semcomprometimento da consciência  Atinge uma parte do cérebro
  • 21.
    Parciais Simples  Comsintomas:  Motores - incluindo jacksoniana, versiva e postural  Sensitivos - somatossensitivo, visual, auditivo e olfativo  Autonômicos  Psíquicos - incluindo disfasia, alucinatórios e alterações afetivas
  • 22.
    Parciais Complexas  Comcomprometimento parcial ou total da consciência:  Início como parcial simples seguida por comprometimento da consciência  Com comprometimento da consciência desde o início  Com automatismos
  • 23.
    Secundariamente Generalizada  Deparcial simples para secundariamente generalizada  De parcial complexa para secundariamente generalizada  De parcial simples evoluindo para uma crise parcial complexa e depois para uma generalização secundária
  • 24.
  • 25.
    Aura  Antes docomeço de uma crise algumas pessoas experimentam uma sensação chamada “AURA”. Ela pode ocorrer com antecedência que possibilite à pessoa tomar medidas preventivas quanto a possíveis lesões provocadas pelas crises.  O tipo de aura varia entre as pessoas. Algumas sentem uma mudança na temperatura corporal, outros ouvem um som, um gosto estranho ou curioso odor. Se a pessoa consegue fazer uma boa descrição de sua aura isso pode ajudar o médico a descobrir em que região do cérebro ocorre a descarga inicial.  Uma aura pode ocorrer sem ser seguida por uma crise e, em alguns casos, ela mesma pode ser classificada como sendo um tipo de “crise parcial simples”.
  • 26.
    Déjà Vu  Experiênciasrelacionadas a memória como a sensação de “já visto”
  • 27.
    Classificação das CrisesEpilépticas - ILAE (1981)  II. Crises Generalizadas  a - Ausência (pequeno mal)  b - Mioclônicas  c - Clônicas  d - Tônicas  e - Tônico - Clônicas (grande mal)  f - Atônicas  *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
  • 28.
    Crises Generalizadas  Origemem ambos os hemisférios cerebrais ao mesmo tempo  Sem qualquer início focal detectável
  • 29.
    Ausência  Infância eadolescência  Lapso súbitos e breves da consciência - 10 a 30 segundos  Pode ocorrer várias vezes ao dia  Pode ser imperceptível à criança e aos pais  Manifestações motoras discretas com automatismo orais, manuais, piscamento, aumento ou diminuição do tono muscular  Remissão espontânea na adolescência em 60% a 70%  Não há alterações neurológicas
  • 30.
    Ausência Atípica  Ausênciaatípica:  Perda da consciência mais demorada  Início e fim menos bruscos  Automatismo mais evidentes  Associado à alterações neurológicas  Respondem menos a anticonvulsivantes
  • 31.
    Mioclônicas  Contração muscularsúbita e breve semelhantes a choque  Uma parte ou todo o corpo  Aparecem de forma isolada ou repetida  Ocorrem após privação do sono, ao despertar e ao adormecer  Associada a:  Distúrbios metabólicos  Doenças degenerativas do SNC  Lesão cerebral anóxica
  • 32.
    Clônicas  Abalos clônicosrepetitivos comprometendo a consciência
  • 33.
    Tônicas  Contração muscularmantida com duração de poucos segundos a minutos
  • 34.
    Tônico-Clônicas  Tipo decrise mais frequente, em 10% dos epilépticos  Perda abrupta da consciência  Contração tônica e depois clônica dos quatro membros  Sialorréia, liberação esfincteriana, apnéia e mordedura de língua  “Grito epiléptico”: ar expulso pela glote fechada  Período pós-crítico: confusão mental e sonolência
  • 35.
    Tônico-Clônicas  Fases:  Tônica:contração tônica de todo o corpo. Dura de 10-20s (“grito epiléptico”, cianóse, mordedura da língua)  Clônica: períodos de relaxamento que aumentam progressivamente. Dura 1 min  Recuperação: volta ao estado de alerta. 10-30 min (flacidez muscular, salivação excessiva, confusão mental e recuperação gradual da consciência)
  • 36.
  • 37.
    Atônicas  Há perdasúbita do tono muscular postural. Dura 1-2s  Breve perda da consciência  Crise:  Breve: queda da cabeça  Prolongada: queda lenta se o indivíduo estiver em pé
  • 38.
    Classificação das CrisesEpilépticas - ILAE (1981)  III. Crises Não Classificadas  Se incluem neste grupo todas as crises que por dados incompletos ou inadequados as impossibilite de classificar em alguma das categorias descritas anteriormente  Especialmente na infância  *ILAE International League Against Epilepsy (1981)
  • 39.
    Fatores Desencadeantes dasCrises  Febre  Suspensão abrupta das DAE's (Drogas Antiepilépticas)  Fadiga física  Ingestão de álcool  Privação de sono  Hiperventilação (respiração forçada)  Emoções (relacionadas à preocupação, alegria, tristeza, irritação e outras).
  • 40.
  • 41.
    Classificação das Epilepsiase Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)  I. Epilepsias e síndromes relacionadas com a localização  I.1. Idiopáticas (com início relacionado a idade)  Epilepsia benigna da infância com paroxismos centro-temporais  Epilepsia benigna da infância com paroxismos occipitais  Epilepsia primária da leitura  I.2. Sintomáticas  Epilepsias do lobo temporal, frontal, parietal e occipital  Epilepsia parcial contínua crônica progressiva da infância  Síndrome com crises com fatores precipitantes  I.3. Criptogênicas  *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
  • 42.
    Classificação das Epilepsiase Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)  II. Epilepsias e síndromes generalizadas  II.1. Idiopáticas (com início relacionado a idade)  Convulsão neonatal benigna (familiares ou não)  Epilepsia mioclônica benigna do lactente  Epilepsia infantil ou juvenil com ausência  Epilepsia mioclônica juvenil  Epilepsia com crises tônico-clônica ao despertar  Outras epilepsias generalizadas idiopáticas  Epilepsia com crises precipitadas por modos específicos de ativação  *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
  • 43.
    Classificação das Epilepsiase Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)  II. Epilepsias e síndromes generalizadas  II.2. Criptogênicas ou Sintomáticas  Síndrome de West (espasmos infantis)  Síndrome de Lennox-Gastaut  Epilepsia com crises mioclônico-astáticas  Epilepsia com ausências mioclônicas  II.3. Sintomáticas  Encefalopatia mioclônica precoce  Encefalopatia epiléptica precoce com auto-supressão  Crises decorrentes de outros estados patológicos  *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
  • 44.
    Classificação das Epilepsiase Síndromes Epilépticas – ILAE (1989)  III. Epilepsias e síndromes indeterminadas, focais ou generalizadas  Crises neonatal  Epilepsia mioclônica grave do lactente  Epilepsia com ponta-onda contínua durante o sono lento  Epilepsia afasia adquirida  outras epilepsia indeterminadas IV. Síndromes especiais (crises relacionadas com a situação)  Convulsões febris  Crises isoladas ou estado de mal-epilético isolado  Crises que resultam apenas de perturbações metabólicas ou tóxicas agudas (ex: álcool, fármacos)  *ILAE International League Against Epilepsy (1989)
  • 45.
    Diagnóstico  O diagnósticode epilepsia é fundamentalmente clínico  Por isso é muito importante a descrição detalhada das crises  Dão suporte e permitem confirmar o diagnóstico:  Estudo eletrofisiológico (EEG e vídeo-EEG)  Imagens cerebrais (tomografia e ressonância magnética)  Estudo de laboratório  Estudo genético
  • 46.
    Tratamento  Tratamento Clínico Tem por finalidade evitar as crises e assegurar ao paciente as condições de uma vida social a mais próxima possível da normal. Baseia-se em medicamentos que não estão desprovidos de efeitos secundários, devendo ser adaptados à forma da epilepsia, sua gravidade e sua tolerância individual.
  • 47.
    Tratamento  Tratamento Cirúrgico Interrupção das vias nervosas ao longo das quais se espalham os impulsos que transmitem as crises.  Remoção da área cerebral responsável pela produção das crises.  Lobectomia: destina-se a remoção de um dos lobos cerebrais.  Hemisferoctomia: remoção de quase um dos hemisférios do cérebro.  Calosotomia: corta-se a ponte onde passam as fibras que conectam uma metade cerebral com a outra (corpo caloso) impedindo a difusão das crises.  Ressecções subpiais múltiplas: Consiste em praticar pequenas incisões no cérebro impedindo a difusão dos impulsos responsáveis pelas crises.
  • 48.
    Tratamento  Estimulador doNervo Vagal  É colocado um estimulador elétrico à bateria no subcutâneo do paciente semelhante um marcapasso cardíaco, que a determinados intervalos provoca estimulação do nervo vago do lado esquerdo do pescoço. O procedimento é caro por que o aparelho é importado e necessita de procedimento cirúrgico para sua implantação.
  • 49.
    Tratamento  Dieta Cetogênica Tem sido utilizada no tratamento de epilepsia refratária na infância. consiste em submeter a criança a uma dieta rica em gorduras e pobre em hidrato de carbono e adequada em proteínas para provocar uma condição chamada de cetose
  • 50.
    Drogas Antiepilépticas -DAE’s  Eficácia: Capacidade da droga para controlar as crises  Tolerância: Incidência, gravidade e o impacto dos efeitos adversos das DAE’s  Efetividade: Eficácia e tolerância as DAE’s que se reflete na adesão ao tratamento
  • 51.
    Drogas Antiepilépticas -DAE’s  Antiepiléticos de primeira geração:  Fenobarbital, fenitoína, primidona, etosuximida, benzodiazepínicos, carbamazepina, e valproato  Antiepiléticos de segunda geração:  Felbamato, gabapentina, lamotrigina, tiagabina, topiramato, oxcarbazepina, leviracetam, zonisamida , vigabatrina e outras
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  • 54.
    Mecanismo de açãodas DAE’s  Aumento da atividade sináptica inibitória  Diminuição da atividade sináptica excitatória  Controle da excitabilidade da membrana neuronal e da permeabilidade iônica
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  • 56.
    Epilepsia na Mulher Considerações especiais:  Dos hormônios femininos, o estrogênio facilita o aparecimento das crises, enquanto a progesterona diminui. Portanto, nos dias antes da menstruação pode aumentar o risco das mesmas  Gravidez em uma mulher epilética deve ser sempre considerado como gravidez de alto risco  Alguns medicamentos antiepiléticos podem aumentar o risco de malformações na gravidez  Aleitamento materno não é contra-indicado, aconselhando-se a tomar a medicação dividida em doses menores
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    O que fazerpara ajudar durante a crise?  Primeiro não se desesperar; depois seguir o passo a passo:  A testemunha, amigo ou familiar deve colocar a pessoa deitada, com algum apoio na cabeça (roupa ou almofada) e com a cabeça virada de lado (para evitar engasgos com saliva ou vômitos);  Não tentar puxar a língua do paciente ou enfiar dedos na boca: no momento da crise, a força e rigidez do paciente pode machucar os dedos de quem tentar fazer isso!  Esperar e tentar arejar o ambiente, pois em geral as crises duram poucos minutos. Se a crises demorar mais do que o Habitual, transportar o paciente em ambulância e levar imediatamente ao hospital.
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