Diagnósticos em
   Psicologia




 Rui Pedro Martins Justino Dias
Liga portuguesa contra o Cancro
Diagnóstico

Tem origem numa base Indoeuropéia gn-, que gerou, em Grego, gnosis, “conhecimento” e
derivados. Gnóme significava “razão, entendimento”. Mais tarde o termo foi associado a
entidades espirituais ligadas ao conhecimento, daí o nome dos gnomos, seres que andavam
pela floresta perturbando quem passava.

Dessa mesma palavra temos o derivado diagnóstico, de dia = “através” e gignósko =
“conhecer, saber”.

Na pratica clinica, onde o termo assumiu o seu expoente máximo, faz referencia ao
processo de descoberta de uma patologia, as suas causas, evolução e respectivo prognóstico
(outro derivado de “Gnome”) após avaliar os sinais e sintomas.
Enquadramento historico...
Enquadramento Historico


-   Grécia Antiga -


Hipócrates (460 – 370 a.C.), denominado “pai da medicina”, susteve que as
doenças surgiam em consequência de um desequilíbrio ao nível dos humores
essenciais, teoria humoral, primeira sistematização ou conceito racional das
perturbações mentais.

Platão (427 – 347 a.C.) dividiu a alma em 2 partes: racional (imortal, divina,
localizada no cérebro) e irracional (mortal, fonte de prazer e dor, localizada no
restante do corpo). A loucura apareceria quando a alma irracional escapava a
influência da alma racional ou quando uma alteração divina da alma produzia
condutas inspiradoras ou divinas
Enquadramento Historico


Aristóteles (384 – 322 a. C.) Discípulo de Platão, Aristóteles atribuiu a
origem das doenças mentais, a alterações na temperatura da bílis negra e às
emoções.

- Roma
Os romanos seguiram a filosofia grega, estóica e epicura (primado do
prazer) que postulava que as paixões e desejos insatisfeitos actuam sobre a
alma produzindo doenças mentais.Os romanos definiram, na lei, os estados
patológicos mentais, atribuindo-lhes um estatuto próprio, sem grau de
culpabilidade civil.
Enquadramento Historico

- Idade média e renascimento –
-
Marcam um retrocesso. A doença mental é considerada consequência de possessão
-

demoníaca / feitiçaria. O “tratamento” prescrito: sangrias, tortura e a fogueira…

Séc. XVIII -
Embora já não lhes coubesse em sorte, a fogueira, os doentes mentais vagueavam
pelas ruas sendo alvo de todo tipo de humilhações. Nos asilos eram internados
conjuntamente com indigentes, prostitutas, idosos, homossexuais e doentes crónicos.
Viviam em condições deploráveis (isolamento, obscuridade, malvadez dos guardas,
comida estragada, agrilhoamentos…)
Enquadramento Historico


 El Bedlam (Londres), Salpêtriére e Bicêtre (Paris) (asilos psiquiatricos)
 convertiam-se em espectáculo dominical (com direito a bilhete pago) para
 observação dos residentes, doentes mentais, pela população da cidade.


Por volta do Sec. XVIII / XIV com a época do iluminismo veio uma nova era,
iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade, o que se fez sentir
directamente também na ciencia Psicológica, Psicopatologica, Nosográfica e nos
tipos de tratamento e forma de lidar com os doentes mentais por parte da sociedade.

Surgem algumas figuras que sao importantes pelos seus contributos...
Figuras importantes em Psicopatologia


    Phillipe Pinnel (1745 – 1826) veio alterar essa realidade e dar
     inicio a revolução na saude mental. Médico e escritor com
       estatuto de destaque tanto a nivel social como tecnico –
          cientifico defendia uma abordagem mais humana.



   Benedict-Augustin Morel (1809 – 1873) 1º a utilizar o termo
   demencia precoce mais tarde desenvolvido e a conceber que se verificam
   causas de varia ordem para a degeneração mental
Figuras importantes em Psicopatologia


   Emil Kraepelin (1856 – 1926) “pai” da Psiquiatria Moderna e da
   Classificação nosografica actual




    Bleuler (1857-1939) cunhou o termo Esquizofrenia que significa
    Cisão da mente (mente dividida)
Figuras importantes em Psicopatologia


    Ernst Kretschemer (1888 – 1964) A associação de tipos
    constitucionais e traços de personalidade.
    Diagnostico diferencial entre Esquizofrenia e Psicose Maniaco-
    Depressiva.



   Karl Jaspers, Existencialista cunhou o termo: Filosofia da existencia.
      Enfoque fenomenologico, independente da corrente de entao.
Figuras importantes em Psicopatologia



     Kurt Scheneider (1887 – 1907) Esquizofrenia : Sintomas de Primeira
     Ordem Schneiderianos = Sintomas Positivos.
     Elaborou a primeira entrevista estruturada que foi amplamente
     utilizada, a Present State Examination (PSE), que foi usada no
     International Pilot Study of Schizophrenia (IPSS), patrocinado pela
     Organização Mundial de Saúde (OMS). Compilou contributos de
     Jasper e de Kraeplin

       Christian Scharfetter define a pulsão como uma tendência para a
       satisfação de determinadas necessidades primárias, isto é, inatas,
            esta presente uma certa normalização da psicopatologia.
Figuras importantes em Psicopatologia


        Sigismund Schlomo Freud (1856 – 1939) – Principal
        contributo e determinante para o advento da ciencia
        psicologica foi a introduçao dos processos
        inconscientes como tendo lugar de destaque no
        comportamento e elaborou a hipótese de que a causa
        da doença era psicológica apos de sucesso em
        promover a cura através do verbo. Fundador da
        Psicanalise e do conceito (actualmente meta-teoria) de
        Psicodinamica.
Inicio da Nosologia Moderna

- Freud e estabelecimento da Psicanalise

- A.P.A. enquanto instituição reguladora e movimento homógeneo Psiquiatrico validando
a profissão


-Criação do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM) pela American
Psychiatric Association (APA), em 1952, expressão máxima de uma sistematização das
diversas classificações das Perturbações mentais ( listadas 106 Pert. Mentais)


-1968 DSM-II, contém 182 desordens mentais
Insatisfação dos psiquiatras norte-americanos:


- Devido à ausência de categorias nosológicas psiquiatricas (agrupamentos de
sintomas e características psicopatologicas) adequadas à realidade clínica que se
apresentava no quotidiano dos meios clinicos

- Distanciamento da Medicina tradicional

- Fidelidade Extrema ao modelo Psicanalitico

- Oposiçao da classe médica à inclusao da categoria nosografica de:
  Homosexualismo
Revolução na saúde mental

- Consequente e progressivamente maior procura pela cientificidade psiquiatrica
e pelo estatuto tecnico- cientifico e social potenciado pela psicofarmacologia

- A etiologia psicossocial era uma questão central que estava a ser negligenciada.

- Emerge o modelo Biopsicossocial

- Psicologia Cognitiva

- 1977 - “Task Force” para reforma do DSM

- DSM-III foi publicado em 1980, com 265 categorias diagnósticas, introduziu o
termo perturbação mental em substituição ao termo doença mental.
Revolução no sistema de classificação

- Adopção de critérios descritivos,          sintomas   observáveis,
independencia de modelos teóricos

- A nosografia psicopatologica toma a direcção e os contornos actuais

- Em 1987 O DSM-III-R (versão revisada) é publicado e vem com
novas definições para categorias já propostas e sugere a inclusão de
algumas categorias em estudo.

- Em 1994, a APA publicou a versão atual do DSM

- Revisão da mesma publicada em 2000
DSM IV - TR — Classificação Multiaxial
                 (5 eixos)

Eixo 1 — Perturbações clínicas
Eixo 2 — Perturbações da Personalidade
         Deficiencia mental
Eixo 3— Estado Fisico geral
Eixo 4— Problemas Psicossociais e ambientais
Eixo 5— Avaliação Global do Funcionamento
(Para além do diagnóstico nos 5 eixos, acrescenta-se ainda o grau de gravidade
   do mesmo: fraco, moderado, grave, remissão parcial, remissão total assim como
   especificadores de caracteristicas que sejam clinicamente relevantes).
Diagnóstico

-Análise do problema

-Decisão investigativa

-Decisão final/ indicação

-Avaliação das decisões tomadas e reflexão do(s) realizador(es) a respeito da

experiência ganha.
Método diagnóstico

História Clínica: - Anamnese (pessoal, Familiar, profissional)
                  - Exame de estado mental e fisico

Pretende-se a formulação de:

Diagnóstico nosológico
Diagnostico de Personalidade
Diagnostico etiopatogénico/ definição da Perturbação de modo descritivo
classificativo de acordo com o sistema DSM-IV-TR e CID-10
Método diagnóstico

A descrição fenomenológica emprega o mínimo de interpretação.


Compete à Psicopatologia, Psiquiatria, Neurologia, etc..


- coordenar a sua acção curativa e preventiva;
- compreender a origem, relação funcional e evolução provável dos
fenómenos psíquicos.
3 Conceitos básicos:

Normal: deriva do latim “norma”, significa regra, “linha de orientação” e pressupõe
um comportamento de acordo com o que é esperado de um individuo.


Anormal: remete para um comportamento que se desvia da norma num
determinado grupo.


Patológico: remete para a dimensão subjectiva e individual do sofrimento
psicológico, que se manifesta na experiência, no discurso e na relação com os
outros, no prejuizo funcional, incapacidade para o desenvolvimento dito normal.
Comportamento Patológico

- Experiência de sofrimento
- Comportamento desadaptado
- Dificuldade nas relações interpessoais
- Crise familiar
- Alteração da adaptação profissional
- Dificuldades da adaptação social
Comportamento Patológico


- Limitação do desenvolvimento existencial
- Pedido de ajuda
Perturbação mental ( DSM IV-TR)

“um síndrome ou padrão comportamentais ou psicológicos clinicamente
 significativos que ocorrem num sujeito e que estão associados com ansiedade
 actual (por exemplo, um sintoma doloroso) ou incapacidade
( numa ou mais áreas importantes do funcionamento) ou com um risco
significativamente aumentado de sofrer, morte, dor, incapacidade ou uma perda
importante de liberdade.
Criticas ao sistema de diagnostico em saude mental


- Desumanizar o doente e estigmatiza-lo atraves do rotulo social que um
diagnostico acarreta
- Relevância dos sintomas – que consistem numa superfície aparente dos
mecanismos profundos e remotos
- Sistema de classificação que faz distinções categoricamente pouco precisas
entre o normal e o patológico
Criticas ao sistema de diagnostico em saude mental

- Classificação dimensional mais util que a categorica actualmente em uso

- Critérios diagnósticos puramente baseados em sintomas falham em adequar a
situação ao contexto em que a pessoa está inserida

- Contexto político do DSM

- Exclusão de pedofilia, Perturbação de identidade de gênero e fetiches
travestis no DSM, como diagnósticos
Tendencia Futura
DSM V, Alterações futuras


Nomenclatura, Neurociência e Genética

Perturbações de Personalidade e relacionais

Deficiencias mentais e prejuizos funcionais

Questões Interculturais

Questoes sexuais

Questões na abordagem à população geriatrica

P. Mentais na infancia e na juventude
DSM – V (Estrutura proposta)

P. Neurodesenvolvimentais

P. Espectro esquizofrenico e outras P. Psicoticas

P. Bipolar e P. Relacionadas

P. Depressivas

P. Ansiosas

P. Obsessivas compulsivas e P. Relacionadas

P. Relacionadas com Trauma e Obj. Stressores

P. Dissociativas
DSM – V (Estrutura proposta)

P. sintomatologia somática

P. alimentares (feeding and eating)

P. Eliminação

P. relacionadas com o sono e estado de vigilia

P. Sexuais

Disforia de genero

P. Disruptivas de controle de impulsos e de conduta
DSM – V (Estrutura proposta)

P. de abuso e uso de substancias

P. Neurocognitivas

P. Personalidade

P. Parafilicas

Outras perturbações
Reflexão
A realidade manda que se diga – clara e vigorosamente – que não pode haver clínica nem
terapêutica sem descrição objectivante e rigorosa do que acontece aqui e agora: os sintomas, as
atitudes, os comportamentos, os actos, etc, do que acontece no passado: a formação da
personalidade e os eventos ocorridos; do que aconteceu com o sofrimento e dificuldades do
doente: a incidência da doença e sua evolução actual; e sem se apurarem pelas técnicas
biológicas, psicológicas e sociais adequadas, os factores condicionantes da génese,
desenvolvimento e evolução da enfermidade. O diagnóstico, a nosologia, só é obstáculo à
compreensão da pessoa doente quando era pensada como um labéu de segregação.O
diagnóstico é uma ordenação por classes e espécies mórbidas de ordem supra-individual, com
latas implicações prognósticas, terapêuticas e sociais. De alguma forma impede que, numa
segunda fase, se passe à consideração muito mais individualizada do homem doente que nos
procurou para o tratarmos. Numa frase: depois de sabermos do que sofre, procuraremos cuidar
também de quem sofre e como sofre”.

Diagnosticos em psicologia lpcc 2

  • 1.
    Diagnósticos em Psicologia Rui Pedro Martins Justino Dias Liga portuguesa contra o Cancro
  • 2.
    Diagnóstico Tem origem numabase Indoeuropéia gn-, que gerou, em Grego, gnosis, “conhecimento” e derivados. Gnóme significava “razão, entendimento”. Mais tarde o termo foi associado a entidades espirituais ligadas ao conhecimento, daí o nome dos gnomos, seres que andavam pela floresta perturbando quem passava. Dessa mesma palavra temos o derivado diagnóstico, de dia = “através” e gignósko = “conhecer, saber”. Na pratica clinica, onde o termo assumiu o seu expoente máximo, faz referencia ao processo de descoberta de uma patologia, as suas causas, evolução e respectivo prognóstico (outro derivado de “Gnome”) após avaliar os sinais e sintomas.
  • 3.
  • 4.
    Enquadramento Historico - Grécia Antiga - Hipócrates (460 – 370 a.C.), denominado “pai da medicina”, susteve que as doenças surgiam em consequência de um desequilíbrio ao nível dos humores essenciais, teoria humoral, primeira sistematização ou conceito racional das perturbações mentais. Platão (427 – 347 a.C.) dividiu a alma em 2 partes: racional (imortal, divina, localizada no cérebro) e irracional (mortal, fonte de prazer e dor, localizada no restante do corpo). A loucura apareceria quando a alma irracional escapava a influência da alma racional ou quando uma alteração divina da alma produzia condutas inspiradoras ou divinas
  • 5.
    Enquadramento Historico Aristóteles (384– 322 a. C.) Discípulo de Platão, Aristóteles atribuiu a origem das doenças mentais, a alterações na temperatura da bílis negra e às emoções. - Roma Os romanos seguiram a filosofia grega, estóica e epicura (primado do prazer) que postulava que as paixões e desejos insatisfeitos actuam sobre a alma produzindo doenças mentais.Os romanos definiram, na lei, os estados patológicos mentais, atribuindo-lhes um estatuto próprio, sem grau de culpabilidade civil.
  • 6.
    Enquadramento Historico - Idademédia e renascimento – - Marcam um retrocesso. A doença mental é considerada consequência de possessão - demoníaca / feitiçaria. O “tratamento” prescrito: sangrias, tortura e a fogueira… Séc. XVIII - Embora já não lhes coubesse em sorte, a fogueira, os doentes mentais vagueavam pelas ruas sendo alvo de todo tipo de humilhações. Nos asilos eram internados conjuntamente com indigentes, prostitutas, idosos, homossexuais e doentes crónicos. Viviam em condições deploráveis (isolamento, obscuridade, malvadez dos guardas, comida estragada, agrilhoamentos…)
  • 7.
    Enquadramento Historico ElBedlam (Londres), Salpêtriére e Bicêtre (Paris) (asilos psiquiatricos) convertiam-se em espectáculo dominical (com direito a bilhete pago) para observação dos residentes, doentes mentais, pela população da cidade. Por volta do Sec. XVIII / XIV com a época do iluminismo veio uma nova era, iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade, o que se fez sentir directamente também na ciencia Psicológica, Psicopatologica, Nosográfica e nos tipos de tratamento e forma de lidar com os doentes mentais por parte da sociedade. Surgem algumas figuras que sao importantes pelos seus contributos...
  • 8.
    Figuras importantes emPsicopatologia Phillipe Pinnel (1745 – 1826) veio alterar essa realidade e dar inicio a revolução na saude mental. Médico e escritor com estatuto de destaque tanto a nivel social como tecnico – cientifico defendia uma abordagem mais humana. Benedict-Augustin Morel (1809 – 1873) 1º a utilizar o termo demencia precoce mais tarde desenvolvido e a conceber que se verificam causas de varia ordem para a degeneração mental
  • 9.
    Figuras importantes emPsicopatologia Emil Kraepelin (1856 – 1926) “pai” da Psiquiatria Moderna e da Classificação nosografica actual Bleuler (1857-1939) cunhou o termo Esquizofrenia que significa Cisão da mente (mente dividida)
  • 10.
    Figuras importantes emPsicopatologia Ernst Kretschemer (1888 – 1964) A associação de tipos constitucionais e traços de personalidade. Diagnostico diferencial entre Esquizofrenia e Psicose Maniaco- Depressiva. Karl Jaspers, Existencialista cunhou o termo: Filosofia da existencia. Enfoque fenomenologico, independente da corrente de entao.
  • 11.
    Figuras importantes emPsicopatologia Kurt Scheneider (1887 – 1907) Esquizofrenia : Sintomas de Primeira Ordem Schneiderianos = Sintomas Positivos. Elaborou a primeira entrevista estruturada que foi amplamente utilizada, a Present State Examination (PSE), que foi usada no International Pilot Study of Schizophrenia (IPSS), patrocinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Compilou contributos de Jasper e de Kraeplin Christian Scharfetter define a pulsão como uma tendência para a satisfação de determinadas necessidades primárias, isto é, inatas, esta presente uma certa normalização da psicopatologia.
  • 12.
    Figuras importantes emPsicopatologia Sigismund Schlomo Freud (1856 – 1939) – Principal contributo e determinante para o advento da ciencia psicologica foi a introduçao dos processos inconscientes como tendo lugar de destaque no comportamento e elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica apos de sucesso em promover a cura através do verbo. Fundador da Psicanalise e do conceito (actualmente meta-teoria) de Psicodinamica.
  • 13.
    Inicio da NosologiaModerna - Freud e estabelecimento da Psicanalise - A.P.A. enquanto instituição reguladora e movimento homógeneo Psiquiatrico validando a profissão -Criação do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM) pela American Psychiatric Association (APA), em 1952, expressão máxima de uma sistematização das diversas classificações das Perturbações mentais ( listadas 106 Pert. Mentais) -1968 DSM-II, contém 182 desordens mentais
  • 14.
    Insatisfação dos psiquiatrasnorte-americanos: - Devido à ausência de categorias nosológicas psiquiatricas (agrupamentos de sintomas e características psicopatologicas) adequadas à realidade clínica que se apresentava no quotidiano dos meios clinicos - Distanciamento da Medicina tradicional - Fidelidade Extrema ao modelo Psicanalitico - Oposiçao da classe médica à inclusao da categoria nosografica de: Homosexualismo
  • 15.
    Revolução na saúdemental - Consequente e progressivamente maior procura pela cientificidade psiquiatrica e pelo estatuto tecnico- cientifico e social potenciado pela psicofarmacologia - A etiologia psicossocial era uma questão central que estava a ser negligenciada. - Emerge o modelo Biopsicossocial - Psicologia Cognitiva - 1977 - “Task Force” para reforma do DSM - DSM-III foi publicado em 1980, com 265 categorias diagnósticas, introduziu o termo perturbação mental em substituição ao termo doença mental.
  • 16.
    Revolução no sistemade classificação - Adopção de critérios descritivos, sintomas observáveis, independencia de modelos teóricos - A nosografia psicopatologica toma a direcção e os contornos actuais - Em 1987 O DSM-III-R (versão revisada) é publicado e vem com novas definições para categorias já propostas e sugere a inclusão de algumas categorias em estudo. - Em 1994, a APA publicou a versão atual do DSM - Revisão da mesma publicada em 2000
  • 17.
    DSM IV -TR — Classificação Multiaxial (5 eixos) Eixo 1 — Perturbações clínicas Eixo 2 — Perturbações da Personalidade Deficiencia mental Eixo 3— Estado Fisico geral Eixo 4— Problemas Psicossociais e ambientais Eixo 5— Avaliação Global do Funcionamento (Para além do diagnóstico nos 5 eixos, acrescenta-se ainda o grau de gravidade do mesmo: fraco, moderado, grave, remissão parcial, remissão total assim como especificadores de caracteristicas que sejam clinicamente relevantes).
  • 18.
    Diagnóstico -Análise do problema -Decisãoinvestigativa -Decisão final/ indicação -Avaliação das decisões tomadas e reflexão do(s) realizador(es) a respeito da experiência ganha.
  • 19.
    Método diagnóstico História Clínica:- Anamnese (pessoal, Familiar, profissional) - Exame de estado mental e fisico Pretende-se a formulação de: Diagnóstico nosológico Diagnostico de Personalidade Diagnostico etiopatogénico/ definição da Perturbação de modo descritivo classificativo de acordo com o sistema DSM-IV-TR e CID-10
  • 20.
    Método diagnóstico A descriçãofenomenológica emprega o mínimo de interpretação. Compete à Psicopatologia, Psiquiatria, Neurologia, etc.. - coordenar a sua acção curativa e preventiva; - compreender a origem, relação funcional e evolução provável dos fenómenos psíquicos.
  • 21.
    3 Conceitos básicos: Normal:deriva do latim “norma”, significa regra, “linha de orientação” e pressupõe um comportamento de acordo com o que é esperado de um individuo. Anormal: remete para um comportamento que se desvia da norma num determinado grupo. Patológico: remete para a dimensão subjectiva e individual do sofrimento psicológico, que se manifesta na experiência, no discurso e na relação com os outros, no prejuizo funcional, incapacidade para o desenvolvimento dito normal.
  • 22.
    Comportamento Patológico - Experiênciade sofrimento - Comportamento desadaptado - Dificuldade nas relações interpessoais - Crise familiar - Alteração da adaptação profissional - Dificuldades da adaptação social
  • 23.
    Comportamento Patológico - Limitaçãodo desenvolvimento existencial - Pedido de ajuda
  • 24.
    Perturbação mental (DSM IV-TR) “um síndrome ou padrão comportamentais ou psicológicos clinicamente significativos que ocorrem num sujeito e que estão associados com ansiedade actual (por exemplo, um sintoma doloroso) ou incapacidade ( numa ou mais áreas importantes do funcionamento) ou com um risco significativamente aumentado de sofrer, morte, dor, incapacidade ou uma perda importante de liberdade.
  • 25.
    Criticas ao sistemade diagnostico em saude mental - Desumanizar o doente e estigmatiza-lo atraves do rotulo social que um diagnostico acarreta - Relevância dos sintomas – que consistem numa superfície aparente dos mecanismos profundos e remotos - Sistema de classificação que faz distinções categoricamente pouco precisas entre o normal e o patológico
  • 26.
    Criticas ao sistemade diagnostico em saude mental - Classificação dimensional mais util que a categorica actualmente em uso - Critérios diagnósticos puramente baseados em sintomas falham em adequar a situação ao contexto em que a pessoa está inserida - Contexto político do DSM - Exclusão de pedofilia, Perturbação de identidade de gênero e fetiches travestis no DSM, como diagnósticos
  • 27.
  • 28.
    DSM V, Alteraçõesfuturas Nomenclatura, Neurociência e Genética Perturbações de Personalidade e relacionais Deficiencias mentais e prejuizos funcionais Questões Interculturais Questoes sexuais Questões na abordagem à população geriatrica P. Mentais na infancia e na juventude
  • 29.
    DSM – V(Estrutura proposta) P. Neurodesenvolvimentais P. Espectro esquizofrenico e outras P. Psicoticas P. Bipolar e P. Relacionadas P. Depressivas P. Ansiosas P. Obsessivas compulsivas e P. Relacionadas P. Relacionadas com Trauma e Obj. Stressores P. Dissociativas
  • 30.
    DSM – V(Estrutura proposta) P. sintomatologia somática P. alimentares (feeding and eating) P. Eliminação P. relacionadas com o sono e estado de vigilia P. Sexuais Disforia de genero P. Disruptivas de controle de impulsos e de conduta
  • 31.
    DSM – V(Estrutura proposta) P. de abuso e uso de substancias P. Neurocognitivas P. Personalidade P. Parafilicas Outras perturbações
  • 32.
    Reflexão A realidade mandaque se diga – clara e vigorosamente – que não pode haver clínica nem terapêutica sem descrição objectivante e rigorosa do que acontece aqui e agora: os sintomas, as atitudes, os comportamentos, os actos, etc, do que acontece no passado: a formação da personalidade e os eventos ocorridos; do que aconteceu com o sofrimento e dificuldades do doente: a incidência da doença e sua evolução actual; e sem se apurarem pelas técnicas biológicas, psicológicas e sociais adequadas, os factores condicionantes da génese, desenvolvimento e evolução da enfermidade. O diagnóstico, a nosologia, só é obstáculo à compreensão da pessoa doente quando era pensada como um labéu de segregação.O diagnóstico é uma ordenação por classes e espécies mórbidas de ordem supra-individual, com latas implicações prognósticas, terapêuticas e sociais. De alguma forma impede que, numa segunda fase, se passe à consideração muito mais individualizada do homem doente que nos procurou para o tratarmos. Numa frase: depois de sabermos do que sofre, procuraremos cuidar também de quem sofre e como sofre”.