O documento discute aspectos psicológicos na gestação de alto risco. Aborda a história da obstetrícia no Brasil, fatores de risco para gestações, e o papel da psicologia no acompanhamento dessas gestantes de alto risco.
Aspectos psíquicos nagestação de alto risco Patricia Bader Psicóloga Coordenadora do Serviço de Psicologia HMSL - Itaim ABRIL/2010
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A Obstetrícia noBrasil e a Medicina Higienista 1808 - primeira escola de medicina 1815 – cadeira de obstetrícia Não tinham onde exercer a prática Parteiras + irmãs das Santas Casas 1911 – Esc. Brasileira de Obstetrícia Discurso médico - fragilidade fisiológica da mulher
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Manualtécnico do Ministério da Saúde – 2000 Fatores geradores de risco Características individuais e condições sócio-demográficas desfavoráveis História reprodutiva anterior Doença obstétrica na gravidez atual Intercorrências clínicas
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O componente emocionalno seguimento da gestação de alto risco é esquecido por receio, ou talvez por “esquecimento, assim como organicamente a gravidez apresenta desafios adaptativos,o mesmo acontece do ponto de vista emocional e entram em jogo fatores psíquicos preexistentes e atuais, conhecidos ou não. Manual técnico do Ministério da Saúde
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A gestante Entre31 e 35 anos Casada Nível universitário Trabalha Primigesta Plano de saúde 37% entre 26a e 32a sem. 39% entre 33a e 36a sem. 5 dias de internação 43% risco de prematuridade 20% DHEG 14% infecções 2% problemas fetais 50% RNs - UTI
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Quem somos? 700partos/mês 51 leitos em UTI neonatal 10% dos partos – UTI neonatal 50% prematuros 60 gestantes/mês repouso
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Atividades da PsicologiaAcolhimento na GO/PS Atendimentos Individuais Elaboração de avaliação Visitas a UTI GRUHL
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Critérios de análisedo discurso O primeiro contato Família: a relação com a mãe, pai, irmãos, marido e filhos Identidade do sujeito Gravidez e maternidade:o passado obstétrico Relação com a equipe e com o médico
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O primeiro contatoEu estava em casa e começou a sair um liquído, quando vi ... eu sujei duas toalhas de sangue, parecia que tinha um mamão saindo de dentro de mim, foi assustador! Eu sempre tive o sonho de ter um bebê, sempre quis ser mãe...
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A mãe Minhamãe é severa ... Minha mãe morreu de câncer, também fumou a vida inteira! Hoje ela é minha amiga, mas durante anos eu não falava com ela . Ela é muito preocupada,quer cuidar de tudo! Ela foi adotada e não é grata por isso!
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O pai Meupai é super simples! Nunca teve muita paciência ... Ele bebia muito ... Não o vejo há anos, desde a separação Ele era meu porto seguro! Ele é problemático, é diabético, não tem relação há anos ...
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O marido Eleé super ansioso, queria mais filhos e eu não! Ele já tem filhos, mas tá super feliz! Ele tem muitos defeitos, mas tomou rumo na vida depois que me conheceu. Ele é muito agitado, toma remédio psiquiátrico.
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Identidade do sujeitoEu sou super agitada! Sou muito independente! Eu corro muito, trabalho, cuido da casa, dos filhos,... Eu me sinto uma bomba relógio!
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Gravidez e maternidadeEu já tive dois abortos, eu me perguntava : será que eu nasci para ser mãe!? Eu jurava que não teria outro filho,eu tenho pavor de agulha, dor, ... Quando eu fiz o ultra-som ela já tava morta na minha barriga. Eu dei a luz a uma criança morta! Sabe cicatriz ... só que as minhas são na alma!
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O lugar dobebê O sangue pode parar a qualquer momento e ele pode morrer, eu vou esperar um pouco mais para arrumar o quarto. Ele vai se chamar Vitor, ele é um guerreiro! Eles são quietos, calminhos, serão obedientes. Eu não quero um bebê com problemas!
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O médico Estoucom ele há dez anos. Ele falou: a prioridade é você! Ela me proibiu tudo, ela sabe como eu sou! Bem que ele falou, não exagere! E a bebê morreu! Ela é ótima, foi a única que descobriu o que eu tinha! Mudei de médico, ele perguntou na segunda consulta: é a sua primeira vez aqui!?
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Considerações Riscomédico é diferente de risco psíquico As gestantes que foram acompanhadas apresentaram um melhor enfrentamento diante da situação de UTI neonatal. O bebê precisa ser reconstruído diante da situação de risco Há uma diferença significativa entre desejo de maternidade e desejo de filho
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As intervenções médicas,muitas vezes não possibilitam uma construção psíquica A relação conjugal é preterida Inseminação Redução embrionária Viabilidade de vida Sobrevida em UTI neonatal
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Sintoma Medicina Alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não consistir-se em um indício de doença . São frequentemente confundidos com sinais , que são as alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde. A diferença entre sintoma e sinal é que o sinal é aquilo que pode ser percebido por outra pessoa sem o relato ou comunicação do paciente e o sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber.
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Sintoma Psíquico Acordode compromisso Incógnita, camuflagem Expressão de um conflito inconsciente Expressão do sofrimento SINTO-MAL
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Psicanálise MedicinaNada sabe sobre o significado do sintoma Pluralidade de sentidos Função silenciosa Demanda é legítima Alimenta e impulsiona o trabalho Sintoma - interrogado Bem dizer e mal estar O outro sabe a respeito Univocidade de sentido Função silenciadora Demanda é respondida e excluída Sintoma - eliminado Bem estar e não dizer
Corpo erógeno xorganismo Não temos como prescindir do organismo Desejo x necessidade Pulsão: conceito limite entre o somático e o psíquico Pulsão: fonte, alvo, objeto = irrealizável Corpo gravídico: imaginário? Pseudo controlado pelo discurso da medicina
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Constituição do Sujeito Estádio do espelho Mãe- Bebê indissociavéis – Ego ideal Mãe – Bebê – Terceiro Mãe- Bebê – Função Paterna – Ideal de ego e Super Ego Investimento Narcisista na gestação - sobreinvestimento Libido de objeto x Libido do ego
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O BEBÊ ÉUM SER DE LINGUAGEM: NECESSIDADE, DEMANDA E DESEJO Mãe transmite ao bb: ela entende como demanda, que ela deseja satisfazer, o q ele manifesta como necessidade, da mesma maneira como fizeram com ela(registros primitivos e ics de como o Outro cuidou dela servirão de subsídio para cuidar do bb). Movimento identificatório ics de humano para humano às vezes chamado erroneamente de instinto, uma vez q transcende a programação genética inata da espécie. Isso transforma o bb de ser de necessidade em ser de desejo Instinto materno = a reativação dos traços mnésicos ics da maternagem recebida Somos os únicos seres vivos a dar mais importância ao desejo q a necessidade. Exemplo: anorexia(ics) e greve de fome(cs) situações onde a EXISTÊNCIA, no sentido simbólico, tem primado sobre a SOBREVIVÊNCIA. O grafo do desejo: fala da introdução do bb no mundo da linguagem. Do encontro inaugural. O real do corpo representa a necessidade( lida pela psicanálise como pulsão), de fome, frio,..., q não conseguirá ser satisfeita de modo autônomo, precisará do Outro (encarnado na figura maternal). Faz esse apelo através do grito, da agitação motora e encontrará o Outro q escuta um pedido e assim promove o bb a sujeito falante. Possui então uma programação genética faltante e o Outro oferecerá um aprendizado , uma significância , o tesouro dos significantes Pulsão não se satisfaz com o objeto e sim ( e nunca completamente)na relação com o Outro, muito embora apoiado na satisfação de necessidade(mediante, quando de ou se apoiando sobre).O bb “satisfará “ sua pulsão qdo for tomado como objeto satisfatório da pulsão para o Outro. Ganhado o lugar de desejante. Terceiro tempo pulsional de Lacan.l lembra Laznik